Xamanismo, a Arte do Êxtase - parte 5


Tanto os negros como os nativos não entendiam quando eram chamados de "idólatras", pois em sua fé cultuavam a natureza, e nada neste mundo poderia fazer com que acreditassem que algum Deus, mesmo o Deus dos cristãos, pudesse castigá-los tão duramente por isso, considerando que não faziam imagens ou desenhos de suas divindades, o seu Deus era representado por alguma árvore ou arbusto e pelas máscaras, que eram maiores ou menores segundo a inteligência ou os atributos do Deus representado.
O espanto dos índios foi registrado nos pequenos versos do canto tupi-guarani:
“De que paraíso Azul, foi que você veio? Diga para mim, diga para mim!”
Mas nem todos se espantaram, tanto que existiu um poderoso pajé chamado Maracanam

(seu nome foi eternizado num estádio de futebol mais tarde) que lamentavelmente colaborou ativamente com a venda de escravos, seus inimigos tribais, para os colonizadores, da mesma forma que certos chefes negros na África (que foram bem pagos por isso), o que veio a resultar em aproximadamente 300 anos de violenta repressão. Mas isto não foi o suficiente para que o conhecimento de ambos fosse esquecido ou morresse na memória de seus descendentes. Os escravos tiveram jogo de cintura suficiente para concordar com os europeus — sem aceitar de fato o que era imposto — marca da personalidade do brasileiro, “desconfiado, querendo saber sempre o que está por trás de um fato, acreditando sem acreditar muito".
O colonizador branco não podia nem de longe suspeitar que aquelas pessoas sob sua tutela fossem cultas a ponto de elaborar qualquer pensamento sobre o divino.
No processo de urbanização do Brasil o xamanismo respondeu muito lentamente às mudanças, que não foram rápidas nem tão pouco programadas, aconteceram lentamente, movidas apenas pelas forças do astral e pela vontade Divina.
A transformação se deu com a libertação dos escravos negros no ano de 1888, vindos de várias nações da África, portanto com diferença de culturas, no entanto com a mesma crença nos

Orixás. Cabe uma pergunta: Por que não reagiram?
Primeiro, porque tanto os negros como os nativos vermelhos, antes de serem vendidos como escravos aos portugueses, foram prisioneiros de guerra entre nações rivais, e como tal foram negociados.
Segundo, porque os nativos vermelhos constantemente vendiam seus prisioneiros de guerra para quem os quisesse comprar. Posteriormente, quando viram o resultado disso, pararam com esta prática, mas já era tarde, eles passaram a ser caçados na floresta pelos bandeirantes.
Depois que a compra de escravos foi diminuindo, tornou-se prática dos colonizadores fazer dos filhos deles um bom comércio, estimulando o crescimento da população negra escrava. Foi aprovada então a Lei do Ventre Livre, no entanto mães e pais continuavam escravos, enquanto seus filhos eram jogados na rua por seus donos, tanto que Dom Pedro II criou o primeiro orfanato do país em função deste horror. As crianças, sem pai nem mãe e sem nenhum conhecimento e nem direito a ele, quando conseguiam chegar na idade adulta, estavam
apáticas, não tinham nem um e nem outro deus.
Foi neste instante que os guardiões das TRADIÇÕES vieram para as cidades, para lembrá-los de que não estavam tão abandonados

assim. Não aceitaram a evangelização  católica que os batizava com nomes europeus, resistindo para não perderem sua origem. Começando o famoso jogo de cintura do brasileiro, em que,  numa única família, há mistura de diversas  raças, surgindo um filho branco, outro negro e outro mulato, com traços indígenas.
Com a liberdade conquistada a duras penas, o xamanismo foi aos poucos se urbanizando, nos anos seguintes da virada do século de 1800 para 1900. Passado o BALANÇO...




O BALANÇO

Um pouco de retrospectiva histórica...
Tempos depois do Grande Dilúvio ou do primeiro Balanço, quando os povos Tupis já haviam se dividido e outros povos surgiram nestas terras, o segundo "Grande Balanço" se deu, aproximadamente a partir do ano de 1 500, com as Grandes navegações portuguesas e espanholas, quando a humanidade dos povos indígenas não era reconhecida (só o foi no ano de 1537 pelo o Papa Paulo II), dez anos depois que o calendário Gregoriano (criado pelo Papa Gregório
XIII) foi estabelecido, somente em 1582, portanto a contagem de tempo em relação as datas anteriores sofreu significativas variações.
Os nativos e xamãs não olham para este calendário quando querem saber de eventos significativos, olham para o céu e consultam o movimento das estrelas, não se  confundindo com os números e nomes das palavras escritas.
DOMINAÇÃO DOS NATIVOS
Na época em que os navegantes portugueses chegaram à costa brasileira, cumpriu-se a profecia dos Pajés sobre a chegada do Tempo de mais um "GRANDE BALANÇO".

Com o Balanço veio o imprevisível: a fragmentação mental da raça, ou seja, a destribalização dos descendentes dos tupis — os Tupi-guaranis — que foram massacrados, dominados e escravizados. Com a introdução de uma nova língua mudou-se o modo de pensar e o comportamento de mais de 5 milhões de nativos, comportando mais de mil famílias lingüísticas.
DOMINAÇÃO DOS AFRICANOS
Entre 1530 e 1850 do mesmo modo, o povo da raça negra foi também escravizado ou "resgatado”, ao serem trazidos da costa para América, aproximadamente 4 milhões deles.
Esta fusão de duas raças fragmentadas mentalmente — as raças Vermelha e a Negra — foi a semente do elemento predominante no surgimento de um novo fato histórico, A CRIAÇÃO E O FORTALECIMENTO  DE  UMA  NOVA FORÇA.
A UNIÃO ESPIRITUAL DE DUAS RAÇAS + UMA
Tanto os Pajés quanto os zeladores de Orixá
— que tinham o culto das folhas de PODER em comum — sabiam que quando um povo perde seu rumo, o melhor que se pode fazer é voltar para o início das coisas e começar tudo de novo. As duas raças haviam perdido o rumo de suas vidas e a liberdade, mas não a sua língua, preservada nos

cantos da TRADIÇÃO oral e nas folhas das árvores de Poder.
Resistindo à lavagem cerebral da época, vergaram e reergueram-se como folhas de capim ao vento, soltando sementes enquanto o vento soprava forte, germinando em todos os lugares.
VERMELHO e NEGRO e mestiços
Esta fusão ocorreu depois do GRANDE BALANÇO. Os sacerdotes dos Orixás e dos Nativos uniram-se para preservar a TRADIÇÃO DO SABER, comum a ambos — Aumbandan — que contou com a vinculação do Mestre Espiritual Sumé, o Flecha Dourada, no plano astral, vindo a somar com os Orixás.
Aumbandan foi um fenômeno tipicamente brasileiro, que marcou a união de duas culturas, a africana e a tupy-guarany, com traços da cultura do branco, gerando a UMBANDA como uma nova religião, hoje em dia expandida para muitos países do mundo todo.
OS NATIVOS QUE RECUARAM PARA A FLORESTA
Aqueles que não foram escravizados ou mortos fugiram para dentro da floresta, e ali ficaram durante muito tempo, ligados somente pela força de sua missão e pelo seu conhecimento.
Os índios se auto denominam guardiões das riquezas da Terra — das árvores, rios, e animais

— e dizem que: O DIA EM QUE NÃO HOUVER MAIS GUARDIÕES, NÃO HAVERÁ MAIS TERRA.
Até hoje existem no Brasil índios que se preservam, resistindo ao contato com o branco. Eles são as memórias vivas da TERRA e da humanidade. Mas com certeza sabem o que acontece no mundo, conhecem as estrelas e seu movimento, observam as cores e seu brilho, vêem passar aviões e satélites; tudo graças ao hábito de se deitar de costas no chão à noite e olhar o céu, sem nenhum espanto, sorrindo diante das nossas preocupações.
LINGUAGEM — PENSAMENTO
Devido à fragmentação da linguagem (que provocou a desestrutura do pensamento nativo) na época da colonização das Américas, os pensamentos e as emoções naturalmente se fragmentaram também, causando grande dano mental e emocional a ambos os lados. Principalmente aos que foram colonizados e aos seus descendentes, os "mestiços", que por sua vez misturaram-se com outros povos vindos  de outros lugares e se viram mais divididos que os demais.
Sendo que os vários SONS ou linguagens emitidos no conjunto de palavras formam, evocam e presentificam determinadas energias que delas fazem parte, o que os levou a pacientemente descobrir o significado delas.

Quais os efeitos desta fragmentação e como agiram em longo prazo? Parece que atuam nas horas menos previsíveis, têm vontade própria dentro do EU. Penso ser o VERBO em estado caótico procurando se acomodar na nova ordem mental da mistura das letras, geradas no mecanismo automático do pensamento.
Vamos então ao inevitável: aceitar domesticar, ou expelir o novo SOM — que virou forma — de dentro de nós, numa nova maneira de falar e acomodar os termos de todas as vertentes, enriquecendo a língua predominante (ou a mais forte) com novas formas e emoções, que dão as características especiais de temperamento a um povo.
— Quem sabe lidar com isso?
Hoje ainda nos perguntamos, afinal tratam-se de formas da EMOÇÃO que não são do PENSAMENTO, mas, desprendidas  e  atraídas pela EMOÇÃO, ganham vida pela palavra. Parece não ser possível identificá-las, pois se alojam na estrutura da personalidade — do pensamento — do eu — do ego — e se confundem com o ser humano que emitiu o SOM e as atraiu, gerando muitas outras novas palavras que ainda estão por vir.
Mas os MONSTROS são o que figuradamente podemos chamar de lixo das palavras, que sobraram no plano mental coletivo depois da mistura. Acredito que o mesmo deva acontecer

com todos os povos em que a cultura tenha passado por influência estrangeira — chegamos ao "óbvio", que soa como o "ovo de Colombo".
Estas "coisas" não falam: grunem, gemem coisas inarticuladas, atuam na vida das pessoas. Não têm vontade própria, mas querem viver, são formas limitadas de uma partícula poderosamente inteligente que faz parte de nós e move tais sentimentos. Temos que conviver com isso, pois sempre foi assim, basta olhar a história dos povos.
A PRIMEIRA RELIGIÃO TEM COMO GUIA ESPIRITUAL O ANCESTRAL DA RAÇA VERMELHA — TUPÃ
Com fortes características do Xamanismo Clássico, a UMBANDA veio da palavra "Aumbandan", que quer dizer Tradição de Saber
— surgiu em 1889 sendo oficializada em 1903, trabalhando essencialmente com o transe espontâneo, um ano depois da libertação dos escravos no Brasil. Esta nova religião segurou a psiquê do povo, que hoje ressurge integrado na Cultura Brasileira, conhecida nos primórdios como BARATZIL, que significa Terra das Estrelas BARA = Terra — TZIL = Luz, em linguagem Nheengatu ou Língua Boa, TUPÃ = Tu quer dizer admiração, PÃ é uma pergunta, que tem o significado: O que é isso? Mas também quer dizer aquele que governa o mundo.

Correntes espirituais da raça Vermelha: O PAI VELHO e a MÃE VELHA — chamados pela população não iniciada de “negros velhos”. Os CABOCLOS *ndash; são os nativos da raça,  ou seja os ÍNDIOS e as CURUMINS, enfim, os seres que estão no mundo do ENCANTADO, sendo conhecidos como a “Linha de Caboclo”.
Correntes espirituais da raça negra: — Orixalá — Ogum — Oxossi — Xangô — Yorimá — Yori — Yemanjá.
O fenômeno do surgimento da Umbanda registra o famoso jogo de cintura brasileiro, pois, para não serem perseguidos e dizimados, os negros e os índios, evitando mais tormenta, criaram o sincretismo com os Santos da Igreja Católica, fazendo as festas no mesmo dia dos Santos.
Uniram posteriormente na Umbanda as correntes espirituais das raças BRANCA — NEGRA — VERMELHA e AMARELA, que foram,
em ritmo acelerado, desfragmentando as mentalidades divididas pelo horror da guerra de domínio racial.
A união das culturas Branca, Vermelha e Negra, tem refletido a cultura do Brasil e das Américas, como guardiã das Boas Palavras, onde se canta em guarani, nagô e português.

Linguagem da AUM-BAN-DAN

A nominação preservada na linguagem religiosa permite pesquisarmos as suas origens, Na Umbanda vamos encontrar termos em Quíchua (língua dos Incas), Yorubá e Abanheenga, ou seja, Tupy-nambá arcaico.
A palavra referente à divindade suprema nas diferentes culturas raciais, recebeu nomes diferentes, sendo DEUS na raça branca — TUPAN na raça vermelha e ZAMBY na raça negra —  todos os três usados igualmente na Umbanda.
Quando adolescente freqüentava o Terreiro do Pai Ubirajara. Voltei naquela casa muitas vezes ao longo de minha vida, até quando ela fechou devido a passagem deste mundo do senhor Francisco, o dirigente. Foi lá que vi pela primeira vez o sincretismo religioso — tanto se rezava o Pai Nosso, como se cantava os pontos africanos e pontos de chamada dos índios, como também dava-se passes espíritas. Minha avó dizia que isso é coisa de brasileiro. Hoje entendo que nosso povo miscigenou não só as raças, mas o CONHECIMENTO espiritual.
Conheci outros Terreiros como os de Candomblé, com suas folhas sagradas; fui às mesas brancas espíritas, e em todos os lugares pude notar o evidente apoio aos que sofrem e sentem-se desamparados pela sorte. Minhas respeitosas saudações a OXALÁ — senhor do Planeta Terra — e TUBAGUAÇUS — Senhores do Brasil.

A SEGUNDA RELIGIÃO BRASILEIRA
O Brasil acabara de libertar os escravos negros em 1888, nesta conturbada época da história, entre o fim do regime monarquista e a Proclamação da República em 1889. O estado do Acre foi integrado ao Brasil em 1903. No início dividido em quatro partes: Alto Acre, Alto Purus, Alto Juá e Alto Turauacá, unificado em 1907 a 75ºOeste de Greenwich, fuso de menos de 5 horas GM. Na mesma época em que o General Rondon estende naquele território linhas telegráficas, e é construída a estrada de ferro Madeira Mamoré de 366km, não sem muito derramamento de sangue, com disputas armadas de parte à parte, ligando os territórios de Rondônia, Acre e Bolívia. A estrada havia acabado de ser construída, e para trabalhar nela vieram muitos negros de 1m90cm à 2m de altura.
Um destes negros, neto de escravos, com (20) vinte anos de idade, chegou do Maranhão para trabalhar nos seringais do Peru e na ferrovia, vindo a conhecer uma bebida chamada Ayahuaska.
Dez anos depois, quando contava com (30) trinta anos, inicia o que seria no futuro o Culto do Santo Daime, ligando definitivamente a raça negra à vermelha e à branca, pela cultura da PLANTA DE PODER, que os ensinou a cantar, dançar e falar corretamente, a ter segurança pessoal elevando sua auto-estima de forma

pacífica, inspirada pela entidade espiritual denominada de “Clara" e do Inca Huaskar. Essa cultura vai se solidificar em 1931, quando Mestre Irineu Serra se torna poeta, recebendo seus Hinários e aceitando nos TRABALHOS espirituais  a presença feminina, o que foi inovador para seu tempo.
Nasceu assim a segunda religião brasileira de raiz xamânica, no Bairro de Vila Ivonete, vindo tempos depois a se transferir para o  bairro  do  Alto Santo no Estado do Acre, na cidade de Rio Branco, sua capital. Gerou a partir disso outras ramificações, mas sempre com o uso das mesmas Plantas de Poder.




EM TEMPO

Mestre Irineu, ao conectar seu Mestre Espiritual e dele receber instruções para fazer da Ayahuaska um novo uso, uniu o Caminho Profundo (telúrico) ao Caminho Cósmico de Iniciação, tendo o mérito de INOVAR, fazendo a primeira ponte de passagem para o Xamanismo Urbano de Plantas de Poder. Deu o nome de SANTO DAIME, culto que entendemos ser para fins de reestruturação mental e espiritual de um povo. Como a Umbanda, que está tendo muitos adeptos em outros povos, que buscam igualmente melhor se estruturar para uma nova ordem que se aproxima rapidamente no mundo da alta tecnologia.
Hoje as duas religiões estão espalhadas pelo Brasil inteiro, pela América Latina e pelo mundo, pois não há lugar onde as pessoas não estejam sofrendo algum tipo de desestruturação, acredito que devido a tantas doenças epidêmicas, às guerras de armas e comerciais, levando à transformações sociais violentas, vindas decorrentes de mudanças filosóficas e políticas anteriores.
A NATUREZA é a maior forma de expressão de DEUS e é nela que a humanidade vai buscar

SALVAÇÃO, nela encontramos a matéria-prima para superar todos os males, ela é o modelo, a matriz mãe, portanto esta RAÍZ não pode ser extirpada, deve ser preservada.
Florestas inteiras se acabam com o FOGO. Será que vamos viver para cumprir a profecia BÍBLICA de um novo Apocalipse por causa disso, ou “alguém” vai criar uma NAVE com o nome de Arca de Noé para salvar os “animais” da extinção? Mesmo a antiga Arca somente levou algumas espécies, deixando os “agigantados ou grandes” perecerem para sempre.
Vivemos momentos míticos importantes, sem os quais nenhuma nação se torna forte. Se há  poder no céu há poder na TERRA, e creio que um povo somente é forte quando o PODER Divino torna-se consciente na mística do dia-a-dia  de seus habitantes.
Ouvi falar a primeira vez em Plantas de Poder num terreiro de candomblé, na minha casa o assunto era tabu. Notei que não era somente lá, mas em todos os lugares onde ia. Até que, nos anos 80, no Peru, conheci a Ayahuaska. Depois, como terapeuta acupunturista conheci nativos xamãs de várias tribos do Brasil e de fora dele. Acabei entrando em contato com a UDV e o Santo Daime. Acredito muito na importância destas duas correntes religiosas genuinamente brasileiras, que estão inspirando músicos, poetas e arquitetos a fazerem obras criativas e originais.

QUAL É A DIFERENÇA NO SISTEMA URBANO DO XAMANISMO?
Depois de analisar o xamanismo destas duas correntes que  resultaram nas religiões brasileiras, é inevitável pensar que se o xamanismo é  tão  bom, por que não produziu uma cidade, a roda, a escrita no papel, ou outras invenções? — Observamos que a mudança para o sistema  urbano se deu num momento em que o governo   do Brasil estava passando por muitas alterações políticas, pois saía do sistema de Reinado para a República, o que favoreceu novas culturas  no país. Estas duas religiões que nasciam muito ajudaram no desenvolvimento dos lugares em que se instalaram, com formação de cidades, com trabalhos sociais e culturais.
Notamos que o nativo tem somente compromisso com o seu ato criativo no campo espiritual, tanto que Orlando Vilas Boas, conhecido sertanista, declarou que o nativo vive no mundo espiritual,enquanto que somente estas realidades são realidades palpáveis de fato.
O xamanismo urbano trouxe algo novo: o Compromisso com o mundo da matéria, tentando transferir o conhecimento do mundo astral para beneficiar o mundo material, diversificando o que foi fragmentado.
Foi o COMPROMISSO auto assumido de uma idéia que fez a diferença, os fundadores das duas religiões tiveram o compromisso espiritual e

social de fundir culturas, preservando a que estava em perigo de extinção, dando modernidade às pessoas para trazê-las até os nossos dias, melhorando o esquema mental das pessoas que os cercavam, usando um critério simples — se foi bom para mim, deve ser também para os demais.
Hoje os novos xamãs sentem que já é hora de assumir novos compromissos, rever conceitos, e aprender a usar uma nova linguagem para contar velhas histórias. O xamã sabe mais coisas hoje que ontem, já desmistificou crenças antigas, apesar de saber que em outra época elas foram necessárias, pois esta era a única maneira de dizer coisas complicadas sobre as auto programações mentais. Sabe também que DESTINO chama-se DNA, como sabe sobre a capacidade inteligente das células.
Hoje o xamã atende a uma chamada telefônica pelo celular encantado com a nova invenção, tem computador, entra na internet, toma avião e dá palestras pelo mundo todo, não encontra dificuldades em achar um editor para  seus livros, os editando até virtualmente, e é lido por todo mundo.
Quanto às Plantas de Poder, estou convencida de que todos os xamãs e pajés as utilizam até hoje, com exceção daqueles que não são xamãs de fato, mas usam técnicas do xamanismo mescladas com o espiritismo.




CONCLUSÃO

A idéia deste pequeno livro é discutir as origens xamânicas das duas religiões brasileiras, que nos seus desdobramentos vêm recebendo inúmeras influências; e demonstrar a necessidade cultural da época em que surgiram, assim como a importância de um povo que entendo fazer parte da gênese do brasileiro.
Visando contribuir com o conhecimento sobre as origens do pensamento místico brasileiro, pesquisei na internet para ter os dados de datas sobre o primeiro centro de Umbanda registrado no Brasil no site Oficial da UMBANDA e o mesmo sobre o Daime de Mestre Irineu no site do CEFLURIS.
Quanto aos dados sobre xamanismo nativo, foram colhidos em conversas informais de amizade que fui fazendo ao longo da vida, como ficou demonstrado.
Sobre as origens do pensamento do xamanismo clássico, colhi dados no Livro do Dr. Lauro dos Santos Lima — “Flecha Dourada, o guerreiro do Arco-Íris”, da editora Nova Tribo Cultural.




BREVE HISTÓRICO DE ANA VITÓRIA



Pertenço à geração de estudiosos do
espiritualismo, como dizia minha amada e saudosa avó materna Miretta Lacerda, os dons para-normais estão na nossa genética e o gosto pelo estudo de pesquisa aprendi na convivência diária com ela, que me alfabetizou aos cinco anos de idade, quando todas as crianças começavam a ler aos sete anos. Ela orientou as minhas primeiras e segundas leituras. Depois “assaltei” a biblioteca de minha mãe Philomena (assim com PH, como gosta de lembrar), que os mantinha trancados, pois sabendo do meu gosto por livros achava que eu tinha pouca idade para os devorar, no entanto deixava à vista as fábulas de Esopo e as mitologias gregas, que releio até hoje. Meu pai, no entanto, lia e relia para mim os livros de iniciação esotérica e de alquimia, comentando

longamente a cada parágrafo. Atrás da porta assistia às seções espíritas de minha  tia  Beni, irmã mais nova de minha avó.
Cresci num universo de pessoas sempre em questionamento filosóficos, que colocavam à prova tudo que recebiam do mundo astral. Conta- se que meu bisavô Elói Lacerda pedia o endereço dos espíritos recém encarnados, que se comunicavam em suas seções espíritas, e depois ia conferir a veracidade dos fatos. Do lado paterno os Vieira Monteiro eram cristãos católicos, depois desiludiram-se com o Bispo de São Carlos pelos idos de 1945, ficando além das alegres fogueiras das festas juninas o nome dos apóstolos dado para os seus filhos. Meu pai chamava-se Pedro e desenvolveu o gosto pelo esoterismo devido a um presente de uma pessoa que deu a ele uma bola de cristal puríssimo e um livro da Cruz de Caravaca, como demonstração de gratidão por um favor recebido, que me foi ofertado pouco antes de sua passagem deste mundo.
Primeira filha de meus pais, nasci em 2/2/45. Devido à vitória dos aliados na guerra recebi o nome de VITÓRIA, na cidade de São Carlos. Aos 5 anos meus pais se separaram e com minha a família (mãe e dois irmãos) viemos para São Paulo onde permaneci, estudei piano, fiz os estudos primários e secundários no bairro da Penha.

Aos 16 anos FUI trabalhar no jornal da Penha onde tinha uma coluna para jovens, minha mãe casou-se novamente e ganhei mais um irmão, meu pai também casou. Participei dos movimentos dos jovens daquela época, freqüentei passeatas, ouvi Elvis e Villa Lobos no Teatro Municipal de São Paulo e uma vez por ano de férias íamos ao Rio de Janeiro.
FUI para a Radio Marconi, casei com o radialista e jornalista Gil Gomes, indo morar no Jardim da Saúde. Tivemos três filhos; estudei astrologia, pintura e tapeçaria espanhola durante
14 anos, depois nos separamos. Estudei então acupuntura, shiatsu, doin e parapsicologia, abrindo a Clínica Vitalista Paracelso como terapeuta acupunturista.
Recomecei a escrever editando jornais alternativos, participei de movimentos de Ecologia, de preservação animal e vegetal, dei palestras por todo o Brasil.
Tornei a me relacionar amorosamente, encontrei Marcos, um quiromancista inigualável que depois de dois anos, se matou por saber ser portador de uma doença incurável.
Fechei o consultório depois de 12 anos e FUI em busca de realizar meu sonho:
Ser ESCRITORA.
Mudei de casa, mudei de vida, mudei de calendário — o Maia. Formei um grupo de

estudos xamânicos somente com artistas. Compus poesias e músicas.
Mas o primogênito Guilherme Gil Gomes, depois de perder sua filha por incompetência médica na hora do nascimento, algum tempo depois, veio a falecer prematuramente de hepatite C, depois de anos de luta contra este grande mal que o atormentou nos últimos anos de vida.
Daniel entrou para a faculdade de direito e se casou , deu-me três netas se tornou pastor da Igreja Renascer.
Vilma se formou advogada, abriu escritório e casou e veio morar comigo.
Entrei para o mundo VIRTUAL, criei um saite e passei a responder incontáveis e-mails por dia
descobri um novo mundo de muitas janelas.
Embalada por impulsos interiores tive a loucura de não desistir até que meu sonho virasse realidade! Escrevi para TEATRO as peças
O DISCO SOLAR CHICO MENDES e o ENCANTADO BRASIL OUTROS 500 A
VIZINHA de NOÉ — E outros textos inéditos — MÃE da MINHA MÃE — PRATOS LIMPOS — FOGO ETERNO — CASACO DE ANTÍLOPE — o
monólogo FÊNIX.
Minha história e as histórias que escrevo ainda não acabaram, pois a vida que vivo continua no mundo material, no mundo teatral e no mundo virtual, apesar dos que amei terem se transferido para o no mundo espiritual.

Retomei algumas atividades, como a astrologia, a pintura e a tapeçaria como forma de lazer. E escrevo, escrevo e escrevo... penso em fotografar São Paulo, o que é um velho  plano meu, mostrar a cidade a seus habitantes através de meus olhos.
FUI



© 2000-2006 — Ana Vitória Vieira Monteiro maraka@zaz.com.br
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Outubro 2000

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Abril 2006

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