Dogma e Ritual da Alta Magia - parte 8


O signo do pentagrama deve ser composto dos sete metais ou, ao menos, ser traçado em ouro puro no mármore branco.
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Pode-se também desenhá-lo, com vermelhão, numa pele de cordeiro sem defeitos e sem manchas, símbolo de integridade e luz.
O mármore deve ser virgem, isto é, nunca ter servido a outro uso; a pele de carneiro deve ser preparada sob os auspícios do sol.
O carneiro deve ter sido degolado no tempo da Páscoa, com uma faca nova, e a pele deve ter sido salgada com o sal consagrado pelas operações mágicas.
A negligência de uma única destas cerimônias difíceis e, em aparência, arbitrárias, faz abortar todo o sucesso das grandes obras da ciência.
Consagramos o pentagrama com os quatro elementos; sopramos cinco vezes sobre a figura mágica; e aspergimo-lo com a água consagrada; secamo-lo com a fumaça dos cinco perfumes, que são o incenso, a mirra, os aloés, o enxofre e a cânfora, aos quais podemos ajuntar um pouco de resina branca e âmbar-pardo; sopramos cinco vezes, pronunciando o nome dos cinco gênios, que são: Gabriel, Rafael, Anael, Samael e Orifiel; depois pomos o pantáculo no chão, alternativamente ao norte, ao sul, ao oriente, ao ocidente e no centro a cruz astronômica e pronunciamos, uma após outra, as letras do tetragrama sagrado; depois dizemos, em voz baixa, os nomes de Aleph e do Thau misterioso, reunidos no nome cabalístico de Azoth.
O pentagrama deve ser colocado no altar dos perfumes e sobre a trípode das evocações. O operador deve também trazer consigo a figura com a do macrocosmo, isto é, a da estrela de seus raios, composta de dois triângulos cruzados e superpostos.
INSTRUMENTOS MÁGICOS
A Lâmpada, a Baqueta, a Espada e a Foice
Quando evocamos um espírito de luz, é preciso virar a cabeça da estrela, isto é, uma das suas pontas para a trípode da evocação, e as duas pontas inferiores do lado do altar dos perfumes. É o contrário se se tratar de um espírito das trevas; mas então é preciso que o operador tenha o cuidado de conservar a ponta da baqueta ou da espada sobre a cabeça do pentagrama.
Dissemos que os signos são o verbo ativo da vontade. Ora, a vontade deve dar seu verbo completo para transformá-lo em ação; e uma única negligência, representando uma palavra ociosa ou uma dúvida, imprime em toda a operação o cunho da mentira e da importância, e volta contra o operador todas as forças gastas em vão.
É, pois, preciso abster-se absolutamente das cerimônias mágicas, ou realizar escrupulosa e exatamente todas!
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O pentagrama traçado, em linhas luminosas, no vidro, por meio da máquina elétrica, exerce também uma grande influência sobre os espíritos e aterroriza os fantasmas.
Os antigos magos traçavam o signo do pentagrama no batente da sua porta, para impedir aos maus espíritos de entrar e aos bons de sair. Este constrangimento resulta da direção dos raios da estrela. Duas pontas para fora, afastavam os maus espíritos; duas pontas para dentro, os retinha prisioneiros; uma só ponta para dentro, cativava os bons espíritos.
Todas estas teorias mágicas, baseadas no dogma único de Hermes e nas induções analógicas da ciência, sempre foram confirmadas pelas visões dos extáticos e pelas convulsões dos catalépticos, ditos possessos dos espíritos.
O G no qual os franco-maçons colocam no meio da estrela flamejante significa Gnosis e Geração, duas palavras sagradas da antiga Cabala. Quer dizer também Grande Arquiteto, porque o pentagrama, de qualquer lado que o olhemos, representa um A.
Dispondo-o de modo que duas das suas pontas estejam em cima e uma só ponta embaixo, podemos ver nele os chifres, as orelhas e a barba do bode hierático de Mendes e torna-se o signo das evocações infernais.
A estrela alegórica dos magos não é outra coisa senão o misterioso pentagrama; e estes três reis, filhos de Zoroastro, guiados pela estrela flamejante ao berço do Deus microcósmico, seriam suficientes para provar as origens inteiramente cabalísticas e verdadeiramente mágicas do dogma cristão. Um destes reis é branco, outro é preto e o terceiro é moreno. O branco oferece ouro, símbolo da vida e da luz; o preto oferece mirra, imagem da morte e da noite; o moreno apresenta o incenso, emblema da divindade do dogma conciliador dos dois princípios; depois, voltam a seu país por um outro caminho, para mostrar que um culto novo é simplesmente um novo caminho, para levar a humanidade à religião única. A do ternário sagrado e do irradiante pentagrama, o único catolicismo eterno.
No Apocalipse, São João vê esta mesma estrela cair do céu na terra. Ela se chama, então, absíntio ou amargura, e todas as águas ficam amargas. É uma imagem clara da materialização do dogma que produz fanatismo e as amarguras das controvérsias. É ao próprio cristianismo que podemos, então, dirigir estas palavras de Isaías: “Como caíste do céu, estrela brilhante, que eras tão esplêndida em tua manhã?”
Mas o pentagrama, profanado pelos homens, brilha sempre sem sombra na mão direita do Verbo de verdade, e a voz inspiradora promete àquele que vencer dar-lhe a posse da estrela da manhã; reabilitação solene prometida ao astro de Lúcifer.
Como vemos, todos os mistérios da magia, todos os símbolos da Gnosis, todas as figuras do ocultismo, todas as chaves cabalísticas da profecia, se resumem no signo do pentagrama, que Paracelso proclama o maior e mais poderoso de todos os signos.
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Será para se admirar, depois disso, da confiança dos magistas e da influência real exercida por este signo sobre os espíritos de todas as hierarquias? Os que desprezam o sinal da cruz tremem ao aspecto da estrela do microcosmo. O mago, pelo contrário, quando sente enfraquecer-se a sua vontade, leva os olhos para o símbolo, toma-o na mão direita e sente-se armado da onipotência intelectual, contanto que seja verdadeiramente um rei digno de ser guiado pela estrela ao berço da realização divina; contanto que saiba, que ouse, que queira, e que se cale; contanto que conheça o emprego do pantáculo, do copo, da baqueta e da espada; enfim, contanto que os olhares intrépidos de sua alma correspondam a este dois olhos que a ponta superior do nosso pentagrama lhe apresenta sempre abertos.
CAPÍTULO VI
O MÉDIUM E O MEDIADOR
Dissemos que para adquirir o poder mágico são necessárias duas coisas: desembaraçar a vontade de toda servidão e exercê-la à dominação.
A vontade soberana é representada nos nossos símbolos pela mulher que esmaga a cabeça da serpente, e pelo anjo radiante que reprime e contém o dragão embaixo do seu pé e da sua lança.
Declaremos aqui, sem rodeios, que o grande agente mágico, a dupla corrente de luz, o fogo vivo e astral da terra, foi figurado pela serpente de cabeça de touro, de bode ou de cão, nas antigas teogonias. É a dupla serpente do caduceu, é a antiga serpente do Gênese; mas é também a serpente de zinco e Moisés, entrelaçada ao redor do tau, isto é, do ligham gerador; é também o bode o Sabbat e o Baphomet dos Templários; é o Hyle dos Gnósticos; é a dupla cauda da serpente que forma as pernas do galo solar dos Abraxas; é, enfim, o diabo do Sr. Eudes de Mirville, e é realmente a força cega que as almas têm de vencer para libertar-se das cadeias da terra; porque, se a sua vontade as não separar desta imantação fatal, serão absorvidas na corrente pela força que as produziu, e voltarão ao fogo central e eterno.
Toda obra mágica consiste, pois, em desembaraçar-se dos anéis da antiga serpente, e depois pôr o pé na cabeça dela e guiá-la aonde se quiser. “Eu te darei – diz ela, no mito evangélico – todos os reinos da terra se te ajoelhares e me adorares”. O iniciado deve responder-lhe: “Não me ajoelharei, e tu te arrastarás aos meus pés; nada me dará, mas servir-me-ei de ti e tomarei o que quiser: porque sou teu senhor e dominador!” Resposta que está compreendida, mas oculta, na que lhe fez o Salvador!
Já dissemos que o diabo não é uma pessoa. É uma força desviada, como, aliás, seu nome indica. Uma corrente ódica ou magnética, formada por uma cadeia de vontades perversas, constitui este mau espírito, que o evangelho chama legião e, que precipita os porcos ao mar: nova alegoria do arrastamento dos seres baixamente instintivos pelas forças cegas que pode por em movimento a má vontade e o erro.
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Podemos comparar este símbolo ao dos companheiros de Ulisses, transformados em porcos pela maga Circe.
Ora, vede o que faz Ulisses para se preservar a si próprio e libertar seus companheiros: recusa o copo da encantadora e lhe ordena com a espada. Circe é a natureza com todas as suas volúpias e atrativos; para gozar dela, é preciso vencê-la: tal é o sentido da fábula homérica, porque os poemas de Homero, verdadeiros livros sagrados da antiga Helênia, contêm todos os mistérios das altas iniciações do Oriente.
O médium natural é, pois, a serpente, sempre ativa e sedutora das vontades preguiçosas, à qual é preciso resistir sempre, dominando-a.
Um mago apaixonado, um mago guloso, um mago colérico, um mago preguiçoso são monstruosidades impossíveis. O mago pensa e quer, nada ama com desejo, nada repele com paixão; a palavra paixão representa um estado passivo, e o mago é sempre ativo e vitorioso. O mais difícil, nas altas ciências, é chegar à realização disto; por isso, quando o mago criou a si próprio, a grande obra está realizada, ao menos no seu instrumento e da sua causa.
O grande agente ou mediador natural da onipotência humana só pode ser subjugado e dirigido por um mediador extranatural, que é uma vontade livre. Arquimedes pedia um ponto de apoio fora do mundo para levantar o mundo. O ponto de apoio do mago é a pedra cúbica intelectual, a pedra filosofal de Azoth isto é, o dogma da absoluta razão e das harmonias universais pela simpatia dos contrários.
Um dos nossos escritores mais fecundos e menos fixos nas suas idéias, Eugênio Sue, compôs uma epopéia romanesca completa sobre uma individualidade que se esforça em se fazer odiosa e que se torna interessante a seu pesar, tanto ele lhe dá força, paciência, ousadia, inteligência e gênio! Trata-se de uma espécie de Sixto Quinto, pobre, sóbrio, sem ódio, que tem o mundo inteiro preso nas malhas das suas combinações.
Este homem excita à vontade as paixões dos seus adversários, destrói-os uns pelos outros, chega sempre aonde quer chegar, e isto sem alarde, sem brilho, sem charlatanismo. O seu fim é libertar o mundo de uma sociedade que o autor do livro crê perigosa e perversa, e, para isso, nada lhe custa: dorme em maus quartos, está mal vestido, alimenta-se como o último dos pobres, mas está sempre atento à sua obra. O autor, para ficar na sua idéia, o representa pobre, sujo, feio, nojento ao tato, horrível à vista. Mas, se até este exterior é um meio de disfarçar a ação e de chegar mais seguramente, não é a prova de uma coragem sublime?
Quando Rodin for papa, pensai vós que ficará ainda mal vestido e sujo? Eugênio Sue errou o seu alvo; quer atacar o fanatismo e a superstição, e une-se à inteligência, à força, ao gênio, a todas as grandes virtudes humanas! Se houvesse muitos Rodins entre os jesuítas, até se houvesse um só, não daria muito grandes coisas ao partido contrário, apesar das brilhantes e incorretas defesas dos seus ilustres advogados.
Querer bem, querer longo tempo, querer sempre, tal é o segredo da força; e é este arcano mágico que Tasso põe em ação na pessoa dos dois cavaleiros que vêm libertar Renato e destruir os encantamentos de Armida. Resistem tão bem às ninfas mais encantadoras como os animais ferozes mais terríveis; ficam sem desejos e sem temor, e chegam a seu fim.
Resulta disso que um verdadeiro mago é mais temível do que amável. Não discordo disso, e, reconhecendo perfeitamente quanto são agradáveis as seduções da vida, fazendo justiça ao gênio gracioso de Anacreonte e a toda a florescência juvenil da poesia dos amores, convido seriamente os
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estimáveis amigos do prazer a considerar as altas ciências só como um objeto de curiosidade, mas a nunca se aproximar da trípode mágica: as grandes obras da ciência são mortais à volúpia.
O homem que se libertou da cadeia dos instintos perceberá primeiramente a sua onipotência pela submissão dos animais. A história de Daniel na cova dos leões não é uma fábula, e mais de uma vez, durante as perseguições do cristianismo nascente, este fenômeno se renovou em presença de todo o povo romano. Raramente um homem tem alguma coisa a recear de um animal do qual não tem medo. As balas de Gerard, o matador de leões, são mágicas e inteligentes. Somente uma vez correu um verdadeiro perigo: tinha deixado ir consigo um companheiro que teve medo, e então, considerando este imprudente como perdido adiantadamente, teve medo também, mas pelo seu companheiro.
Muitas pessoas dirão que é difícil e até impossível chegar a uma resolução semelhante, que a força de vontade e a energia do caráter, são dons da natureza, etc. Não discordo disto, mas reconheço também que o hábito pode refazer a natureza; a vontade pode ser aperfeiçoada pela educação e, como disse, todo cerimonial mágico, semelhante, neste ponto, ao cerimonial religioso, só tem por objetivo experimentar, exercitar e habituar, assim, a vontade à perseverança e à força. Quanto mais as práticas são difíceis e humilhantes, tanto mais têm efeitos; agora deveis compreendê-lo.
Se até o presente foi impossível dirigir os fenômenos do magnetismo é que ainda não se achou magnetizador iniciado e verdadeiramente livre. Quem pode, com efeito, vangloriar-se de o ser? E não temos sempre de fazer novos esforços sobre nós mesmos? Todavia, é certo que a natureza obedecerá ao sinal e à palavra daquele que se sentir assaz forte para não duvidar. Digo que a natureza obedecerá, não digo que ela se desmentirá ou perturbará a ordem das suas possibilidades. As curas das doenças nervosas por uma palavra, um sopro ou um contato; as ressurreições em certos casos; a resistência às vontades mais capazes de desarmar e derrubar os assassinos; até a faculdade de se fazer invisível, perturbando a vista daqueles aos quais é importante escapar: tudo isto é um efeito natural da projeção ou do afastamento da luz astral. É por isso que Valente ficou ofuscado e aterrorizado, ao entrar no templo de Cesaréia, como outrora Heliodoro, fulminado por uma demência súbita no templo de Jerusalém, acreditou ter sido enxovalhado e pisado por anjos.
É por isso que o almirante Coligny impôs respeito aos seus assassinos, e só pôde ser morto por um homem furioso que se lançou sobre ele, perdendo a razão. O que fazia Joana d’Arc sempre vitoriosa era o prestígio da sua fé, a maravilhosidade da sua audácia; ela paralisava os braços que queriam feri-la, e os ingleses puderam seriamente crê-la maga ou feiticeira. Ela era, com efeito, maga sem o saber, porque acreditava que agia de modo sobrenatural, ao passo que dispunha de uma força oculta, universal e sempre submissa às mesmas leis.
O magista magnetizador deve governar ao médium natural, e, por conseguinte, ao corpo astral que faz comunicar a nossa alma com os nossos órgãos; pode dizer ao corpo material: - “Dormi!” e ao corpo sideral: - “Sonhai!” Então as coisas visíveis mudam de aspecto como nas visões do haschich.
Cagliostro possuía, dizem, este poder, e ajudava a sua ação por fumigações e perfumes; mas o verdadeiro poder magnético deve abster-se desses auxiliares mais ou menos venenosos para a razão e nocivos à saúde. O Sr. Ragon, na sua sábia obra sobre a maçonaria oculta, dá a receita de uma série de medicamentos próprios para exaltar o sonambulismo. É um conhecimento que, sem dúvida, não é para ser rejeitado, mas de que os magistas prudentes devem abster-se de fazer uso.
A luz astral projeta-se pelo olhar, pela voz, pelos polegares e a palma da mão. A música é um poderoso auxiliar da voz, e daí provem a palavra encantamento. Nenhum instrumento de música é mais encantador que a voz humana, mas os sons longínquos do violino ou da harmônica podem aumentar o seu poder. Prepara-se assim o paciente que se quer submeter; depois, quando estiver
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meio adormecido e como que envolto por este encanto, estende-se a mão para ele e ordena-se-lhe dormir ou ver, e ele obedece contra a sua vontade. Se resistir, é preciso, olhando-o fixamente, pôr um polegar na sua fronte entre os olhos, e o outro polegar no seu peito, tocando-o levemente com um único e rápido contato; depois aspirar lentamente e expirar brandamente um sopro quente, e lhe repetir em voz baixa: - Dormi ou Vede.
CAPITULO VII
O SETENÁRIO DOS TALISMÃS
As cerimônias, as vestimentas, os perfumes, os caracteres e as figuras, sendo, como dissemos, necessários para empregar a imaginação na educação da vontade, o sucesso das obras mágicas depende da fiel observação de todos os ritos. Estes ritos, como dissemos, nada têm de fantástico ou arbitrário; eles nos foram transmitidos pela antigüidade e subsistem sempre pelas leis essenciais da realização analógica e da relação que existe necessariamente entre as idéias e as formas. Depois de ter passo vários anos a consultar e comparar todos os engrimanços e todos os rituais mágicos mais autênticos, chegamos, não sem trabalho, a reconstituir o cerimonial da magia universal e primitiva. Os únicos livros sérios que vimos sobre esse assunto são manuscritos e traçados em caracteres de convenção, que deciframos com o auxílio da poligrafia de Trithemo; outros estão inteiramente nos hieróglifos e símbolos de que são ornados e disfarçam a verdade das suas imagens sob as ficções supersticiosas de um texto mistificador. Tal é, por exemplo, o Enchiridion do Papa Leão III, que nunca foi impresso com suas gravuras e que refizemos para nosso uso particular conforme um antigo manuscrito.
Os rituais conhecidos sob o nome de Clavículas de Salomão existem em grande número. Vários foram impressos, outros foram copiados com grande cuidado. Existe um belo exemplar, muito elegantemente caligrafado, na Biblioteca Imperial; é ornado com pantáculos e caracteres que, na maior parte, se acham nos calendários mágicos de Tycho- Brahe e de Duchenteaux.
Existem, enfim, clavículas e engrimanços impressos que são mistificações e especulações vergonhosas de baixa livraria. O livro tão conhecido e tão proibido pelos nossos pais, sob o nome de Pequeno Alberto, pertence, por um lado inteiro da sua redação, a esta última categoria e só tem de sério alguns cálculos tirados de Paracelso e algumas figuras de talismãs.
Quando se trata de realização e de ritual, Paracelso é, em magia, uma imponente autoridade. Ninguém realizou maiores obras do que as suas, e, por isso mesmo, ele esconde o poder das cerimônias, e ensina, somente na filosofia oculta, a existência do agente magnético da onipotência da vontade; resume também, toda a ciência dos caracteres em dois signos, que são as estrelas macro e microcósmicas. Era dizer bastante para os adeptos e importava não iniciar o vulgo. Paracelso não ensinava, pois, o ritual, mas o praticava e sua prática era uma sucessão de milagres.
Dissemos que importância tem, em magia, o ternário e o quaternário. Da sua reunião se compõe o grande número religioso e cabalístico que representa a síntese universal e que constitui o setenário sagrado.
O mundo, conforme a crença dos antigos, é governado por sete causas segundas, como as chama Trithemo: secundae, e são as forças universais designadas por Moisés são o nome plural de Elohim, os deuses. Estas forças, análogas e contrárias umas às outras, produzem o equilíbrio pelos seus contrastes e regulam o movimento das esferas. Os hebreus as chamam os sete grandes arcanjos e lhes dão os nomes de Mikael, Gabriel, Rafael, Anael, Samael, Zadkiel e Oriphiel. Os gnósticos cristãos chamam os quatro últimos: Uriel, Baraquiel, Sealtiel e Jehudiel. Os outros povos atribuíram a estes espíritos o governo dos sete planetas principais, e lhes deram os nomes das suas grandes
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divindades. Todos acreditaram na sua influência relativa, e a astronomia lhes dividiu o céu e lhes atribuiu sucessivamente o governo dos sete dias da semana.
Tal é a razão das diversas cerimônias da semana mágica e do culto setenário dos planetas.
Já observamos, aqui, que os planetas são signos, e não outra coisa; eles têm a influência que a fé universal lhes atribui, porque são mais realmente astros do espírito humano do que estrelas do céu.
O sol, que a magia antiga sempre considerou como fixo, só podia ser um planeta para o vulgo; por isso, representa, na semana, o dia do descanso, que chamamos, não sei por que, Domingo, e que os antigos chamavam dia do sol.
Os sete planetas mágicos correspondem às sete cores do prisma e às sete notas da oitava musical; representam também as sete virtudes e, por oposição, os sete vícios, da moral cristã.
Os sete sacramentos referem-se, igualmente, a este grande setenário. O batismo, que consagra o elemento da água, refere-se à Lua; a penitência rigorosa está sob os auspícios de Samael, o anjo de Marte; a confirmação, que dá o espírito de inteligência e comunica ao verdadeiro crente o Dom das línguas, está sob os auspícios de Rafael, o anjo de Mercúrio; a eucaristia substitui a realização sacramental de Deus feito homem, ao império de Júpiter; o casamento é consagrado pelo anjo Anael, o gênio purificador de Vênus; a extrema-unção é a salvaguarda dos doentes próximos a cair sob a foice de Saturno, e a ordem, que consagra o sacerdócio de luz, está mais especialmente marcada por caracteres do sol. Quase todas estas analogias foram notadas pelo sábio Dupuis, que concluiu, daí, a falsidade de todas as religiões, em vez de reconhecer a santidade e perpetuidade de um dogma único, sempre reproduzido no simbolismo das sucessivas formas religiosas. Não entendeu a revelação permanente transmitida ao gênio do homem pelas harmonias da natureza, e só viu uma série de erros nesta cadeia de imagens engenhosas e eternas verdades.
As obras mágicas são também em número de sete:
1ª) obras de luz e riqueza, sob os auspícios do Sol;
2ª) obras de adivinhação e mistérios, sob a invocação da Lua;
3ª) obras de habilidade, ciência e eloqüência, sob a proteção de Mercúrio;
4ª) obras de cólera e castigo, consagradas a Marte;
5ª) obras de amor, favorecidas por Vênus;
6ª) obras de ambição e política, sob os auspícios de Júpiter;
7ª) obras de maldição e morte, sob o patrimônio de Saturno.
No simbolismo teológico, o Sol representa o Verbo de Verdade; a Lua representa a própria religião; Mercúrio, a interpretação e a ciência dos mistérios; Marte, a justiça; Vênus, a misericórdia e o amor; Júpiter, o Salvador ressuscitado e glorioso; Saturno, Deus Pai, ou o Jeová de Moisés. No corpo humano, o Sol é análogo ao coração, o Lua ao cérebro, Júpiter, à mão direita, Saturno, a mão esquerda, Marte, ao pé esquerdo, Vênus, ao pé direito, Mercúrio, às partes sexuais, o que faz representar, às vezes, o gênio deste planeta sob uma figura andrógina. Na face humana, o Sol domina a fronte; Júpiter, no olho direito; Saturno no olho esquerdo; a Lua reina entre os dois olhos, à raiz do nariz, de que Marte e Vênus governam as duas asas; Mercúrio, enfim, exerce sua influência sobre a boca e o queixo.
Estas noções formavam, entre os antigos, a ciência oculta da fisionomia, descoberta, depois, imperfeitamente por Lavater.
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O mago que quer proceder às obras de luz, deve operar no Domingo, de meia-noite até oito horas da manhã, ou das três horas da tarde até dez horas da noite. Estará vestido com uma roupa de púrpura, com uma tiara e braceletes de ouro. O altar dos perfumes e a trípode do fogo sagrado serão rodeados de grinaldas de loureiro, heliotrópios e girassóis: os perfumes serão o cinamomo, o incenso macho, o açafrão e o sândalo vermelho; o anel será de ouro com um crisólito ou rubi; os tapetes serão de peles de leões; os leques serão de penas de gavião.
Na segunda-feira, vestirá uma roupa branca ornada de fios de prata, com um tríplice colar de pérolas, cristais e selenitas; a tiara será coberta de sede amarela, com caracteres de prata, formando, em hebraico, o monograma de Gabriel, tal como o encontramos na filosofia oculta de Agrippa: os perfumes serão sândalo branco, cânfora, âmbar, aloés e semente de pepino pulverizada; as grinaldas serão de artemísia, selenotrópio e ranúnculo amarelo. Evitará as armações, os vestuários ou os objetos de cor preta, e não poderá ter consigo outro metal a não ser a prata.
Na terça-feira, dia das operações de cólera, a roupa será cor de fogo, ferrugem ou sangue, com uma cintura e braceletes de aço; a tiara será circundada de ferro,e a pessoa não se servirá da baqueta, mas somente do estilete mágico e da espada; as grinaldas serão de absinto e arruda, e terá no dedo um anel de aço, com uma ametista por pedra preciosa.
Na quarta-feira, dia favorável à alta ciência, a roupa será verde, ou de um pano de reflexos de diferentes cores; o colar será de pérolas de vidro oco, contendo mercúrio; os perfumes serão o benjoim, a noz-moscada e o estoraque; as flores, o narciso, o lírio, a mercurial, a fumária e a mangerona; a pedra preciosa será a ágata.
Na quinta-feira, dia das grandes obras religiosas e políticas, a roupa será escarlate, e a pessoa terá na fronte uma lâmina de estanho com o caráter do espírito de Júpiter e estas três palavras: Giarar, Bethor, Samgabiel; os perfumes serão o incenso, o âmbar pardo, o bálsamo, o grão de paraíso, a noz-moscada e o açafrão; o anel será ornado de uma esmeralda ou safira; as grinaldas e coroas serão de carvalho, álamo, figueira e romeira.
Na sexta-feira, dia das operações morosas, a roupa será de azul-marinho, as armações serão verdes e cor-de-rosa; os ornamentos, de cobre polido; as coroas serão de violetas; as grinaldas, de rosas, mirtos e oliveiras; o anel será ornado de uma turquesa; o lápis-lazúli e o berilo servirão para a tiara e os ornatos; os leques serão de penas de cisne, e o operador terá sobre o peito um talismã de cobre com o caráter de Anael e estas palavras: Aveeva Vadelilith.
No sábado, dia das obras fúnebres, a roupa será preta ou escura, com caracteres bordados à seda de cor alaranjada; a pessoa trará ao pescoço uma medalha de chumbo com o caráter de Saturno e estas palavras: Almalec, Aphiel, Zarahiel; os perfumes serão o diagrídio, a escamônea, o alúmen, o enxofre e a assa-fétida; o anel terá uma pedra de ônix; as grinaldas serão de freixo, cipreste e heléboro preto; no ônix do anel será gravado, com a pinça consagrada e nas horas de Saturno, uma dupla cabeça de Jano.
Tais são as antigas magnificências do culto secreto dos magos.
É com um semelhante aparelho que os grandes magos da Idade Média procediam à consagração cotidiana dos pantáculos e talismãs relativos aos sete gênios. Já dissemos que um pantáculo é um caráter sintético que resume todo o dogma mágico numa destas concepções especiais. É, pois, a verdadeira expressão de um pensamento e de uma vontade completa; é a assinatura de um espírito. A consagração cerimonial deste signo une a ele, mais fortemente ainda, a intenção do operador, e estabelece entre ele e o pantáculo uma verdadeira cadeia magnética. Os pantáculos podem ser indiferentemente traçados no pergaminho virgem, no papel ou nos metais.
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É chamado talismã uma peça de metal, contendo quer pantáculos, quer caracteres, e tendo recebido uma consagração especial para uma intenção determinada. Gaffarel, numa sábia obra sobre as antiguidades mágicas, demonstrou, pela ciência, o poder real dos talismãs e a confiança na sua virtude está, aliás, de tal modo na natureza, que de boa vontade conservamos a lembrança dos que amamos, com a persuasão de que estas relíquias nos preservarão do perigo e deverão fazer-nos mais felizes. Fazemos os talismãs com os sete metais cabalísticos, e gravamos neles, nos dias e horas favoráveis, os sinais desejados e determinados. As figuras dos sete planetas, com seus quadrados mágicos, se acham no Pequeno Alberto, conforme Paracelso, e é um dos raros lugares sérios deste livro de magia vulgar. É preciso notar que Paracelso substitui a figura de Júpiter pela de um sacerdote, substituição que não é sem uma intenção misteriosa bem determinada. Mas as figuras alegóricas e mitológicas dos sete espíritos tornaram-se muito clássicas e vulgares nos nossos dias para que possamos gravá-las com êxito nos talismãs; é preciso recorrer a signos mais sábios e mais expressivos. O pentagrama deve ser sempre gravado num dos lados do talismã com um círculo para o Sol, um crescente para a Lua, um caduceu alado para Mercúrio, uma espada para Marte, uma letra G para Vênus, uma coroa para Júpiter e uma foicinha para Saturno. O outro lado do talismã deve trazer i signo de Salomão, isto é, a estrela de seus raios feita de dois triângulos superpostos; e, no centro, deve ser posta uma figura humana para os talismãs do Sol, um copo para os da Lua, uma cabeça de cão para os de Mercúrio, uma cabeça de águia para os de Júpiter, uma cabeça de leão para os de Marte, uma pomba para os de Vênus, uma cabeça de touro ou de bode para Saturno. A pessoa ajuntar-lhes-á os nomes dos sete anjos, quer em hebraico em árabe ou em caracteres mágicos semelhantes aos dos alfabetos de Trithemo.
Os dois triângulos de Salomão podem ser substituídos pela dupla cruz das rodas de Ezequiel, que encontramos num grande número de pantáculos antigos, e que é, como fizemos observar no nosso Dogma, a chave dos trigramas de Fo-Hi.
Podemos também empregar as pedras preciosas para os amuletos e talismãs; mas todos os objetos deste gênero, quer sejam de metal, quer de pedras, devem ser envolvidos com cuidado em saquinhos de seda da cor análoga ao espírito do planeta, perfumados com os perfumes do dia correspondente e preservados de todos os olhares e contatos impuros.
Assim, os pantáculos e talismãs do Sol não devem ser vistos nem tocados pelas pessoas disformes ou pelas mulheres de maus costumes; os da Lua são profanados pelos olhares e pelas mãos dos homens depravados e das mulheres que estão com regras; os de Mercúrio perdem a sua virtude se forem vistos por padres assalariados; os de Marte devem ser ocultos aos poltrões; os de Vênus, aos homens depravados e aos que fizeram votos de celibato; os de Júpiter, aos ímpios; e os de Saturno, às virgens e crianças, não porque os olhares ou contatos destes últimos possam ser impuros, mas porque o talismã lhes traria infelicidade e perderia, assim, toda a sua força.
As cruzes de honra e outras decorações deste gênero são verdadeiros talismãs, que aumentam o valor ou o mérito pessoal. As distribuições solenes que se fazem delas são as suas consagrações. A opinião pública pode dar-lhes uma prodigiosa força. Não notaram muito a influência recíproca dos sinais sobre as idéias e das idéias sobre os sinais; não é menos verdade que a obra revolucionária inteira dos tempos modernos, por exemplo, foi resumida simbolicamente pela substituição napoleônica da estrela de honra à cruz de São Luis. É o pentagrama substituído ao lábaro, é a reabilitação do símbolo da luz, é a ressurreição maçônica de Adonhiram. Dizem que Napoleão acreditava na sua estrela, e, se pudessem fazer-lhe dizer o que entendia por esta estrela, teriam sabido que era o seu gênio: devia, pois, adotar por sinal o pentagrama, símbolo da soberania humana pela iniciativa inteligente. O grande soldado de revolução sabia pouco: mas adivinhava quase tudo; por isso, foi o maior mago instintivo e prático dos tempos modernos. O mundo ainda está cheio dos seus milagres e o povo dos sertões nunca acreditará que ele tenha morrido.
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Os objetos bentos e indulgenciados, tocados por santas imagens ou por pessoas veneráveis, os rosários vindos da Palestina, os agnus Dei feitos de cera da vela de Páscoa, e os restos anuais do santo crisma, os escapulários, as medalhas, são verdadeiros talismãs. Uma destas medalhas tornou-se popular atualmente e até os que não têm religião alguma colocam-na no peito dos filhos. Também suas figuras são tão perfeitamente cabalísticas que esta medalha é verdadeiramente um duplo e maravilhoso pantáculo. De um lado, vemos a grande iniciadora, a mãe celeste do Zohar, a Ísis do Egito, a Vênus Urânia dos platônicos, sobre a Maria do cristianismo, de pé sobre o mundo e pondo um pé sobre a cabeça da serpente mágica. Estende ambas as mãos de modo a fazerem um triângulo cujo cimo é a cabeça da mulher; suas mãos estão abertas e irradiantes, o que faz delas um duplo pentagrama, cujos raios se dirigem todos para a terra, o que representa, evidentemente, a libertação da inteligência pelo trabalho. Do outro lado, vemos o duplo Tau dos hierofantes, o Lingham de duplo Cteis ou de tríplice Phallus, suportado, com entrelaçamento e dupla inserção, pelo M cabalístico e maçônico, que representa o esquadro entre as duas colunas Jakin e Bohas; em cima, estão colocados, num mesmo nível, dois corações amantes e sofredores e, ao redor, doze pentagramas. Todos vos dirão que os que trazem esta medalha não lhe atribuem esta significação; ela, porém, não deixa de ser, por isso mesmo, mais perfeitamente mágica, tendo um duplo sentido, e, por conseguinte, uma dupla virtude. A extática sobre cujas revelações este talismã foi gravado, o tinha visto já existente e perfeito na luz astral, o que demonstra, mais uma vez, a íntima conexão das idéias e dos sinais, e dá uma nova sanção ao simbolismo da magia universal.
Quanto mais pusermos importância e solenidade na confecção dos talismãs e pantáculos, tanto mais adquirem virtude, como deve ser entendido conforme a evidência dos princípios que estabelecemos. Esta consagração deve ser feita nos dias especiais que marcamos, como o aparato cujos detalhes demos. A pessoa os consagra pelos quatro elementos exorcizados, depois de ter conjurado os espíritos das trevas pela conjuração dos quatro; depois toma o pantáculo na sua mão e diz, derramando nele algumas gotas de água lustral:
“In nomine Elohim et per spiritum aquárum vivéntium, sis mihi in signum lucis et sacraméntum voluntátis”.
Aproximando-o da fumaça dos perfumes diz:
“Per serpéntum oenum sub quo serpéntes ignei, sis mihi, etc.”.
Soprando sete vezes no pantáculo ou no talismã, diz:
“Per firmaméntum et spiritum vocis, sis mihi, etc.”.
Enfim, colocando nele triangularmente alguns grãos de terra purificada ou de sal, é preciso dizer:
“In sale térrae et per virtútem vitae aeternae, sis mihi, etc.”.
Depois, deve fazer a conjuração dos sete, do seguinte modo: lança-se alternativamente o fogo sagrado uma pastilha dos sete perfumes e se diz:
“Em nome de Mikael, que Jeová te mande e te afaste daqui, Chavajoth!”.
“ Em nome de Gabriel, que Adonai te mande e te afaste daqui, Belial!”.
“ Em nome de Rafael, desaparece diante de Elchim, Sachabiel!”.
“Por Samael Zebaoth, e em nome de Elohim Ghibor, afasta-te Adrameleck!”.
“Por Zacariel e Sachiel Melek, obedece a Elvah, Samgabiel!”.
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“Pelo nome divino e humano de Schaddai, e pelo signo do pentagrama que tenho em minha mão direita, em nome do anjo Anael, pelo poder de Adão e Eva, que são Jotchavah, retira-te, Lilith; deixa-nos em paz, Nahemah!”.
“Pelos santos Elohim e os nomes dos gênios Cassiel, Sehaltiel, Aphiel e Zarahiel, sob o mando, de Oriphiel, afasta-te de nós, Moloch! Não te daremos nossos filhos devorares”.
No que diz respeito aos instrumentos mágicos, os principais são: a baqueta, a espada, a lâmpada, o copo, o altar e a trípode. Nas operações da alta e divina magia, a pessoa serve-se da lâmpada, da baqueta e do copo; nas obras de mais negra, substitui a baqueta pela espada e a lâmpada pela candeia de Cardan. Explicaremos esta diferença no artigo especial da magia negra.
Voltemos à descrição e a consagração dos instrumentos.
A baqueta mágica, que não devemos confundir com a simples baqueta adivinhatória, nem com a forquilha dos necromantes ou o tridente de Paracelso; a verdadeira e absoluta baqueta mágica deve ser de um único galho, perfeitamente direito, de amendoeira ou aveleira, cortado num só golpe com a serpe mágica ou a foicinha de ouro, antes do levantar do sol e no momento em que a árvore está próximo a florescer. É preciso perfurá-la em toda sua extensão, sem rachá-la ou quebrá-la, e introduzir nela uma vara de ferro imantada que ocupe todo o seu comprimento; depois adaptar-se a uma das suas extremidades um prisma poliedro, cortado triangularmente, e à outra ponta uma figura semelhante de resina preta. No meio da baqueta, a pessoa colocará dois anéis, um de cobre vermelho, e o outro de zinco; depois a baqueta será dourada do lado da resina e prateada do lado do prisma até os anéis do meio, devendo ser coberta de seda, exclusivamente, até as extremidades. No anel de cobre é preciso gravar estes caracteres: חשרקה מיל שׂוּרי e no anel de zinco: h m l c k l m h. A consagração da baqueta deve durar sete dias, começando na lua nova, e deve ser feita por um iniciado que possua os grandes arcanos e que tenha também uma baqueta consagrada. É a transmissão do sacerdócio mágico, e esta transmissão nunca cessou, desde as tenebrosas origens da alta ciência. A baqueta e os outros instrumentos, mas principalmente a baqueta, devem ser guardados com cuidado, e sob pretexto algum o magista deve deixar os profanos verem-nos ou tocá-los; aliás, perderiam toda a sua virtude.
O modo de transmitindo da baqueta é um dos arcanos da ciência que nunca é permitido revelar.
O comprimento da baqueta mágica não deve exceder o do braço do operador. O mago só deve servir-se dela quando está só e até nem deve tocá-la sem necessidade. Diversos magos antigos faziam-na somente do comprimento do antebraço e a escondiam dentro de longas mangas, mostrando ao público somente a simples baqueta adivinhatória, ou algum cetro alegórico, feito de marfim ou ébano, conforme a natureza das obras.
O cardeal Richelieu, que ambicionava todos os poderes, procurou durante a sua vida inteira, sem poder encontrar, a transmissão da baqueta. O seu cabalista Gaffarel só lhe pôde dar a espada e os talismãs; este foi, talvez, o motivo secreto do seu ódio contra Urbano Grandier, que sabia alguma coisa das fraquezas do cardeal. As entrevistas secretas e prolongadas de Laubardemont com o infeliz padre, algumas horas antes de seu último suplício, e as palavras de um amigo e confidente deste, quando ia à morte: “Senhor, sois um homem hábil, não vos percais”, dão muito que pensar a este respeito.
A baqueta mágica é o Verendum do mago; nem mesmo deve falar dela de um modo claro e exato; ninguém deve vangloriar-se de possuí-la, e só deve ser transmitida a sua consagração sob as condições de uma discrição e uma confiança absolutas.
A espada é menos oculta, e eis como é preciso fazê-la:
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Deve ser se aço puro, com um punho de cobre, feito em forma de cruz com três gomos, como é representada no Enchiridion de Leão III, ou tendo por guarda dois crescentes, como a nossa figura. No nó central da guarda, que deve ser revestido de uma placa de ouro, é preciso gravar, de um lado, o signo do macrocosmo e, do outro, o do microcosmo. No punho é preciso gravar o monograma hebraico de Mikael, tal como o vemos em Agrippa, e, na lâmina, de um lado, estes caracteres: h b m b y m h w h y f y l y a k e, do outro, o monograma do Lábaro de Constantino, seguido destas palavras: Vince in hoc, Deo duce, ferro comite. (Ver, para a autenticidade e exatidão destas figuras, as melhores edições antigas do Enchiridion).
A consagração da espada deve ser feita num domingo, às horas do Sol, sob a invocação de Mikael. A pessoa porá a lâmina da espada num fogo de loureiro e cipreste; depois enxugará e polirá a lâmina com as cinzas do fogo sagrado, molhadas com o sangue de poupa ou de serpente e dirá: Sis mihi gládius Michaelis, in virtute Elohim Sabaoth, fúgiant a te spiritus tenebrárum et reptília terrae; depois a perfumará com os perfumes do Sol e a guardará na seda com ramos de verbena, que devem ser queimados no sétimo dia.
A lâmpada mágica deve ser feita de quatro metais: o ouro, a prata, o zinco e o ferro. O pé será de ferro, o nó de zinco, o copo de prata, o triângulo do meio de ouro. Ela terá dois braços compostos de três metais torcidos conjuntamente, de modo a deixar, contudo, um tríplice conduto para o óleo. Terá nove mechas, três no meio e três em cada braço (ver a figura). No pé, deve ser gravado o selo de Hermes e, em cima o Andrógino de duas cabeças de Khunrath. A moldura inferior do pé representará uma serpente que morde a cauda.
No copo ou recipiente do óleo deve ser gravado o signo de Salomão. A esta lâmpada se adaptarão dois globos: um, ornado de pinturas transparentes, representando os sete gênios; o outro, maior e duplo, podendo conter em quatro compartimentos, entre dois vidros, a água tingida de diversas cores. Tudo será contido numa coluna de madeira que gire sobre si mesma e possa deixar escapar à vontade os raios da lâmpada, que será dirigida para a fumaça do altar, no momento das invocações. Esta lâmpada é de grande valor para ajudar as operações intuitivas das imaginações lentas e para criar, diante das pessoas magnetizadas, formas de uma realidade espantosa, que, sendo multiplicadas pelos espelhos, aumentarão imediatamente e mudarão numa só sala imensa e cheia de almas visíveis o gabinete do operador; a embriaguez dos perfumes e a exaltação das invocações transformarão logo esta fantasmagoria num sonho real; reconheceremos as pessoas que já nos foram conhecidas; os fantasmas falarão; depois, se fecharmos a coluna da lâmpada, duplicando o fogo dos perfumes, produzir-se-á alguma coisa extraordinária e inesperada.
CAPÍTULO VIII
AVISO AOS IMPRUDENTES
Como já dissemos várias vezes, as operações da ciência não são isentas de perigo.
Podem levar à loucura os que não estão firmes na base da suprema, absoluta e infalível razão.
Podem excitar o sistema nervoso e produzir terríveis e incuráveis doenças.
Podem, quando a imaginação fica impressionada e atemorizada, produzir o esvaimento e até a morte por congestão cerebral.
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Não podemos, pois, deixar de afastar delas as pessoas nervosas e naturalmente exaltadas, as mulheres, os moços e todos os que não têm o hábito de se controlar perfeitamente e de dominar o medo.
Nada é, igualmente, mais perigoso do que fazer da magia um passatempo, como certas pessoas que fazem dela as diversões das suas tardes. Até as experiências magnéticas, feitas em tais condições, só podem fatigar os pacientes, desviar as opiniões e desencaminhar a ciência. Ninguém se diverte impunemente com os mistérios da vida e da morte, e as coisas que tomamos a sério devem ser tratadas seriamente e com a maior reserva.
Nunca cedais ao desejo de convencer por efeitos. Os efeitos mais surpreendentes não seriam provas para as pessoas não convencidas de antemão. Sempre poderiam atribuí-los a prestígios naturais e considerar o mago como um concorrente mais ou menos correto de Roberto Houdin ou de Hamilton. Pedir prodígios para acreditar na ciência é mostrar-se indigno ou incapaz da ciência, Sancta Sanctis.
Não vos vanglorieis das obras que operastes, embora tivésseis ressuscitado mortos. Temei a perseguição. O grande Mestre sempre recomendava o silêncio aos doentes que curava; e se este silêncio tivesse sido guardado fielmente, não teriam crucificado o iniciador antes da conclusão da sua obra.
Meditai sobre a duodécima figura das chaves do Tarô; pensai no grande símbolo de Prometeu, e calai-vos.
Todos os magos que divulgaram as suas obras morreram de morte violenta, e diversos foram reduzidos ao suicídio, como Cardan, Schroepffer, Cagliostro e tantos outros.
O mago deve viver no retiro e deixar dificilmente que se aproximem dele. É o que representa o símbolo da nona chave do Tarô, em que o iniciado é figurado por um eremita inteiramente envolto em seu manto.
Todavia, este retiro não deve ser o isolamento. Ele precisa de devotamentos e amizades; mas deve escolhê-las com cuidado e conservá-las a todo preço.
Deve ter uma outra profissão que não seja a de mago; a magia não é um ofício.
Para se entregar à magia cerimonial é preciso estar sem preocupações inquietadoras; é preciso poder adquirir todos os instrumentos da ciência e, se for possível, saber confeccioná-los por si mesmo; é preciso, enfim, ter um laboratório inacessível, em que nunca possa temer ser surpreendido ou perturbado.
Depois, e é esta a condição essencial, é preciso saber equilibrar as forças e conter os impulsos da sua própria iniciativa. É o que representa a oitava figura das chaves de Hermes, na qual vemos uma mulher assentada entre duas colunas, tendo numa das mãos uma espada em posição reta e na outra uma balança.
Para equilibrar as forças é preciso mantê-las simultaneamente e fazê-las agir alternativamente: dupla ação que é representa pelo emprego da balança.
Este arcano é igualmente representado pela dupla cruz dos pantáculos de Pitágoras e de Ezequiel (ver a figura no capítulo 18 do Dogma), em que as cruzes são equilibradas umas pelas outras e em que os signos planetários estão sempre em oposição. Assim, Vênus é o equilíbrio das obras de
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Marte, Mercúrio tempera e realiza as obras do Sol e da Lua, Saturno deve contrabalançar a Júpiter. É por este antagonismo dos antigos deuses que Prometeu, isto é, o gênio da ciência, conseguiu introduzir-se no Olimpo e roubar o fogo do céu.
Será preciso falar mais claramente? Quanto mais fordes brando e calmo, tanto mais a vossa cólera terá força; quanto mais fordes enérgicos, mais a vossa brandura terá preço; quanto mais hábil fordes, tanto mais aproveitareis da vossa inteligência, e até das vossas virtudes; quanto mais fordes indiferentes, tanto mais fácil vos será fazer-vos amar. Isto é de experiência na ordem moral e se realiza rigorosamente na esfera da ação. As paixões humanas produzem fatalmente, quando não são dirigidas, os efeitos contrários ao seu desejo desenfreado. O amor excessivo produz a antipatia; o ódio cego anula-se e pune-se a si próprio; a vaidade leva ao rebaixamento e às mais cruéis humilhações. O grande mestre revelava, pois, um mistério da ciência mágica positiva, quando disse: “Se quiserdes acumular carvões em brasa na cabeça daquele que voz fez mal, perdoai-lhe e fazei-lhe bem”. Dirão, talvez, que semelhante perdão é uma hipocrisia e parece muito uma vingança refinada. Mas é preciso lembrar que o mago é soberano. Ora, um soberano nunca se vinga, porque tem o direito de punir. Quando excede este direito, faz o seu dever, e é implacável como a justiça. Notemos bem, aliás, para que ninguém entenda mal o sentido das minhas palavras, que se trata de castigar o mal pelo bem e de opor a bondade à violência. Se o exercício da virtude é um flagelo para o vício, ninguém tem o direito de pedir que lhe perdoem ou que tenham piedade das suas fraquezas e dores.
Aquele que se entrega às obras da ciência deve fazer, cada dia, um exercício moderado, abster-se das vigílias muito prolongadas e seguir um regime são e regular. Deve evitar as emanações cadavéricas, a aproximação das águas apodrecidas, os alimentos indigestos ou impuros. Deve, principalmente, se distrair todos os dias das preocupações mágicas por trabalhos quer de arte, de indústria ou até de ofício. O meio de ver bem é não olhar sempre, e aquele que passasse a sua vida visando sempre um mesmo fim, acabaria por nunca atingi-lo.
Uma precaução da qual igualmente nunca devemos esquecer é de nunca operar quando estivermos doentes.
As cerimônias sendo, como dissemos, os meios artificiais de criar os hábitos da vontade, deixam de ser necessárias, quando estes hábitos estão adquiridos. È neste sentido e dirigindo-se somente aos adeptos perfeitos que Paracelso proscreve o seu emprego na sua Filosofia Oculta. É preciso simplificá-las progressivamente, antes de as omitir totalmente, conforme a experiência que a pessoa puder fazer das forças adquiridas e do hábito estabelecido no exercício do querer extranatural.
CAPÍTULO IX
O CERIMONIAL DOS INICIADOS
A ciência conserva-se pelo silêncio e perpetua-se pela iniciação. A lei do silêncio não é, pois, absoluta e inviolável senão para a multidão não iniciada. A ciência só pode ser transmitida pela palavra. Os sábios devem, pois, falar algumas vezes.
Sim, os sábios devem falar, não para dizer, mas para levar os outros à procura. Noli ire, fac venire, era a divisa de Rabelais, que, possuindo todas as ciências do seu tempo, não podia ignorar a magia.
Temos, pois, de revelar aqui os mistérios da iniciação.
O destino do homem é, como dissemos, fazer ou criar a si próprio; ele é e será filho de suas obras no tempo e na eternidade.
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Todos os homens são chamados a concorrer; mas o número dos eleitos, isto é, dos que têm êxito, é sempre pequeno; em outros termos, os homens que desejam ser alguma coisa são em grande número, e os homens de “elite” sempre são raros. Ora, o governo do mundo pertence de direito aos homens de “elite” e quando um mecanismo ou uma usurpação qualquer impede que lhes pertença de fato, opera-se um cataclismo político ou social.
Os homens que são senhores de si próprios, facilmente se tornam senhores dos outros; mas podem fazer um obstáculo mútuo se não reconheceram as leis de uma disciplina e de uma hierarquia universal.
Para se submeter a uma mesma disciplina é preciso estar em comunhão de idéias e desejos e só é possível chegar a esta comunhão por uma religião comum fundada nas próprias bases da inteligência e da razão.
Esta religião sempre existiu no mundo e é a única que pode ser chamada una, infalível, indefectível e verdadeiramente católica, isto é, universal.
Esta religião, da qual todas as outras foram sucessivamente os véus e as sombras, é a que demonstra o ser pelo ser, a vontade pela razão, a razão pela evidência e o senso comum.
É a que prova pelas realidades a razão de ser das hipóteses independentemente e fora das realidades.
É a que tem por base o dogma das analogias universais, mas também nunca confunde as coisas da ciência com as da fé. Não pode ser de fé que dois e um façam mais ou menos que três; que o contido em física seja maior do que aquilo que o contém; que um corpo sólido possa fazer como um corpo fluido ou gasoso; que um corpo humano, por exemplo, possa passar através de uma porta fechada, sem operar nem solução nem abertura. Dizer que a pessoa crê em tais coisas e falar como uma criança ou um louco; mas não é menos insensato definir o desconhecido e raciocinar com hipóteses, até negar a priori a evidência para afirmar suposições temerárias. O sábio afirma o que sabe, e só crê no que ignora, conforme a medida das necessidades razoáveis e conhecidas da hipótese.
Mas esta religião razoável não poderia ser a da multidão, que precisa de fábulas, mistérios, esperanças definidas e terrores materialmente motivados.
É por isso que o sacerdócio foi estabelecido no mundo. Ora, o sacerdócio se recruta pela iniciação.
As formas religiosas perecem quando a iniciação cessa no santuário, quer pela divulgação, quer pela negligência e o esquecimento dos mistérios sagrados.
Por exemplo, as divulgações gnósticas afastaram a igreja cristã das altas verdades da Cabala, que contém todos os segredos da teologia transcendente. Por isso, os cegos tendo-se tornado os guias dos outros cegos, produziram-se grandes obscuridades, grandes quedas e deploráveis escândalos; além disso, os livros sagrados, cujas chaves são todas cabalísticas, desde o Gênese até o Apocalipse, se tornaram tão pouco inteligíveis aos cristãos, que os pastores, com razão, julgaram necessário interdizer a sua leitura aos simples fiéis. Tomados ao pé da letra e entendidos materialmente, este livros seriam, como o demonstrou muito bem a escola de Voltaire, simplesmente um inconcebível tecido de absurdidades e de escândalos.
O mesmo acontece com todos os dogmas antigos, com suas brilhantes o teogonias e lendas poéticas. Dizer que os antigos acreditavam, na Grécia, nos amores de Júpiter ou adoravam, no Egito, o cinocéfalo e o gavião como deuses vivos e reais, é ser tão ignorante e de tão má fé como o seria
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sustentando que os cristãos adoram um tríplice Deus, que se compõe de um velho, um supliciado e uma pomba. A incompreensão dos símbolos é sempre caluniadora. É por isso que convém evitar zombar prematuramente das coisas que a pessoa não sabe, quando a sua enunciação parece supor uma absurdidade ou até uma singularidade qualquer; seria tão pouco sensato como admiti-las sem discussão e exame.
Antes que haja alguma coisa que nos agrade ou desagrade, há uma verdade, isto é, uma razão, e é por esta razão que as nossas ações devem ser reguladas mais que pelo nosso prazer, se quisermos criar em nós a inteligência, que é a razão de ser da imortalidade, e a justiça, que é a sua lei.
O homem verdadeiramente homem só pode querer o que deve, razoável e justamente, fazer; por isso, impõe silêncio aos desejos e ao temor, para escutar a razão.
Um homem assim é um rei natural e um sacerdote espontâneo para as multidões errantes. É por isso que o objeto das iniciações antigas se chamava indiferentemente arte sacerdotal ou arte real. As antigas associações mágicas eram seminários de sacerdotes e de reis, e a pessoa só podia ser admitida nelas por obras verdadeiramente sacerdotais e reais, isto é, pondo-se acima de todas as fraquezas da natureza.
Não repetiremos aqui o que em toda parte se encontra sobre as iniciações egípcias, perpetuadas, enfraquecendo-se, nas sociedades secretas da Idade Média. O radicalismo cristão, fundado na falsa inteligência destas palavras: “Só tendes um pai e um senhor, e todos sois irmãos”, deu um golpe terrível na hierarquia sagrada. Desde então, as dignidades sacerdotais tornaram-se resultado da intriga ou do acaso; a mediocridade ativa chegou a suplantar a superioridade modesta, e, por conseguinte, desconhecida; e, todavia, a iniciação sendo uma lei essencial da vida religiosa, uma sociedade instintivamente mágica se formou no declínio do poder pontifical e logo concentrou em si todo o poder do cristianismo, porque só ela entendeu vagamente, mas exerceu positivamente o poder hierárquico pelas provas da iniciação e a onipotência da fé na obediência passiva.
Que fazia, com efeito, o recipiendário nas antigas iniciações? Abandonava inteiramente a sua vida e a sua liberdade aos mestres dos templos de Tebas ou Mênfis; avançava resolutamente através de inúmeros assombros que lhe podiam fazer supor um atentado premeditado contra a sua pessoa; atravessava fogueiras, passava a nado as torrentes de água escura e borbulhante, suspendia-se em balanços desconhecidos sobre precipícios sem fundo... Não era esta a obediência cega, em toda a força do termo? Abjurar momentaneamente a sua liberdade para chegar a uma emancipação não é o exercício mais perfeito da liberdade? Ora, eis o que devem fazer e sempre fizeram os que aspiram ao sanctum regnum da onipotência mágica. Os discípulos de Pitágoras condenavam-se a um silêncio rigoroso de vários anos; até os sectários de Epicuro só entendiam a soberania do prazer pela sobriedade adquirida e a temperança calculada. A vida é uma guerra em que é preciso dar suas provas para subir em grau: a força não se dá; é preciso tomá-la.


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