Hoje sabemos que a iluminação parece produzir uma remodelação no cérebro, re- conectando partes des-conectadas do sistema nervoso. Quando o limiar é transposto, há mudanças na bioquímica celular, resultando na criação de novas terminações nervosas, surpreendendo, acordando e religando tudo num único sistema mental reestruturado. Com a experiência da iluminação aprende-se em poucos minutos muito mais do que em meses ou anos de estudo.
A história do xamanismo no Brasil vem enfaticamente evidenciar, mostrando homens comuns que tornaram-se MESTRES urbanos e influenciaram milhares de pessoas depois de experimentar o êxtase, provocando hoje uma verdadeira transformação cultural nos lugares por onde passaram. Objetivaram seus desejos, transferindo para o mundo material o que viam no astral, aprendendo com o que viam e sonhavam, sem medo de errar e experimentar, para quem sabe, um dia acertar.
SALVE PRESENÇAS SAGRADAS
SALVE FILHOS DO SOL E DA LUZ
O MOMENTO DO EN- CONTRO CHEGOU!
VEIO AQUI TRAZER SEU REINO DE PAZ E AMOR!
O XAMANISMO ARCAICO
A RAIZ DA PALAVRA XAMÃ — deriva da
língua dos povos Tugus, da Sibéria, adotada amplamente pelos antropólogos para se referirem a pessoas de uma grande variedade de culturas arcaicas, que antes eram conhecidas por: pajés, curandeiros, magos, videntes. Embora nem todo vidente, curandeiro, mago ou pajé, seja um xamã. "Arcaico" vem do grego — significa de “Época Antiga". Aponta a anterioridade e a antiguidade de um princípio inaugural de experiência
humana.
Conhecer a história antiga da terra é conhecer a própria história, sendo assim de vital importância para o Brasil preservar o conhecimento xamânico como parte da estrutura genética, pois o saber herdado faz parte do conhecimento do ser e atua vivo na memória genética até os nossos dias.
O desejo constante de alcançar a ARTE do saber e da beleza reflete-se hoje em Brasília, a capital do Brasil, profetizada muito tempo antes de sua construção por Dom Bosco na Itália, considerada pelos latinos como a cidade moderna mais mística da América Latina. Possui inúmeros TEMPLOS de todas as denominações religiosas possíveis (os cultos holísticos são os mais
apreciados), destinados a um povo de várias origens; mesmo que professem socialmente credos radicais, no inconsciente coletivo ainda estão presentes as crenças vindas da África e da Floresta.
A Floresta Amazônica é um LIVRO DE FOLHAS SOLTAS e deve ser lido, pois é nela que estão, não só a mais rica reserva biológica do planeta Terra, mas a nossa história ancestral, ainda existem povos indígenas que não foram contatados pelo homem urbano. No Brasil convivem atuando na mente do seu povo o ultramoderno e o arcaico, exigindo hoje que se criem soluções inteligentes para esta realidade social.
A prática xamânica se deu pela primeira vez nos seres humanos antes mesmo que o homem primitivo dominasse completamente a palavra, usando somente vogais. Por esta razão uma das características desta arte é a poesia cantada, que marca a oralidade da própria concepção da linguagem poética, presente tanto nas canções dos velhos xamãs como nos templos de Apolo.
Os xamãs sabiam que a palavra cantada tem um sentido de presentificação, tornando possível romper os limites de suas possibilidades físicas de movimento e visão, entrando assim em contato com novos fatos e mundos, que tornavam-se audíveis, visíveis e presentes através do poder de seu canto.
Estabeleceram pelo poder da palavra, uma relação sutil em diversos planos, entre o nome e a coisa nomeada, trazendo a própria presença dos seres visualizados; passando ou retornando a níveis de consciência que reportam para o princípio da Criação, onde tudo é paz.
Com a comunicação telepática entre os seres imateriais, chega-se à transcendência. No decorrer do tempo é possível dominar este processo, tornando o caminho um conjunto de várias artes como: a competência de curar, de operar milagres, a poesia, a música, a filosofia, envolvendo também a função sacerdotal e a mística.
Na Cultura XAMÂNICA não há qualquer distinção entre o valor de ajudar os outros e ajudar a si próprio, resultando numa grande aventura mental e emocional onde todos os presentes ficam envolvidos em transcender a noção normal e comum que têm acerca da realidade (pois sentem que o que acontece com UM reflete no OUTRO, gerando uma grande reação em cadeia). Variando de acordo com o indivíduo, assim como no mesmo indivíduo, em ocasiões diferentes.
No entanto, O CONHECIMENTO XAMÂNICO
só pode ser adquirido através da experiência individual, sendo necessário aprender os métodos a fim de utilizá-los.
Existem apenas duas vias, e no Brasil estas duas vias são muitas claras, com trajetórias muito distintas, sendo as vias do
Xamanismo Clássico e do
Xamanismo de Planta de Poder
O Xamanismo Clássico vem de lugares onde a floresta não é tão fechada como a Floresta Amazônica, mais perto do mar, das montanhas. Seu uso no meio indígena é milenar, e sempre voltado para as soluções de doenças e problemas psíquicos dos nativos, mesmo nas tribos onde o pajé usa alguma Planta de Poder. O mesmo não se dá com o resto do povo ali existente, é algo mais restrito e muitas vezes secreto, somente nisso difere dos xamãs da floresta.
A organização consiste em vários xamãs pajés da mesma tribo, de diferentes idades e graus de sabedoria. Em geral eles são os guardiões das músicas e das histórias passadas de geração para geração, sobre o nascimento de sua raça.
O pensamento xamânico se introduziu no sistema urbano a partir da entrada de pesquisadores na floresta, levando o telégrafo. Como foi o caso do Marechal Rondon, no ciclo da borracha na época de Getúlio Vargas.
Este fato não foi de todo tranqüilo, causou espanto e surpresa naqueles que se viam chamados para estas práticas, que até então não faziam parte de seu cotidiano de educação
européia. Ao mesmo tempo em que os xamãs nascidos na Floresta e nas montanhas se viam compelidos a estudar e aprender as artes alternativas de cura, como os idiomas modernos, para falarem em conselhos internacionais de xamanismo.
Este é realmente o maior fenômeno dos últimos tempos nesta área de Saber: a integração natural das culturas modernas e arcaicas. E o mais fantástico é que o conhecimento não está se perdendo e nem virando outra coisa, continua sendo o que sempre foi, devido à imensa capacidade de adaptação e aprendizado, não sendo rígido como o conhecimento de nossos antepassados europeus.
PAJÉ — XAMÃ CLÁSSICO
Numa de minhas viagens ao estado do Tocantins tive a
oportunidade de ir à Ilha do Bananal. Conheci este pajé, que me disse: “quando vi todas as laranjeiras da aldeia murcharem, senti que a NATUREZA assinalou que o meu povo estava com os dias contados... — pois ‘os brancos’ fazem coisas inventivas e os nativos têm a convicção de que estas novidades só trazem sofrimento, portanto não desejam se aliar a este tipo de coisas novas.”
Este é nos nossos dias o pensamento do Pajé dos "Canoas Javaés" que conheci, na tribo nativa da Amazônia. Um dos 64 sobreviventes de um grupo que já foi um dos mais numerosos da América Latina. No ano em que o Brasil comemorou 500 anos, isto é três anos depois desta foto, eles eram somente 14 pessoas. Gentis, inteligentes, falando varias línguas nativas, inclusive o português, viajando muito pelo território nacional. Atualmente pararam de procriar.
O Pajé que foi por mim fotografado é profundo conhecedor de plantas, raízes e ervas; fica estarrecido diante das doenças que desconhece e atingem o seu povo, matando-os dia a dia, como a tuberculose e as doenças sexualmente transmissíveis; estão infectados por causa das cidades que cada vez chegam mais perto.
Este pajé, com suas tatuagens tribais marcando seu rosto, se esquiva sentindo-se desestimulado a procurar e descobrir plantas que os curem das novas doenças, por ver-se ridicularizado pelos doutores que vão ajudá-los, e pelos professores e missionários que pregam que o que ele faz não funciona, fazendo os nativos acreditarem somente nos remédios alopáticos, que não são suficientes para todos.
Ao aceitar as profecias de seus antigos, percebi que os nativos também possuem a CRENÇA de um apocalipce inevitável, que para eles já chegou com a presença do homem civilizado. Não pude deixar de pensar nos europeus ou descendentes deles, também esperando um final, algum dia com uma posterior Salvação. É muito chocante saber que do ponto de vista destes nativos nós brancos somos o mal a ser evitado e o seu próprio fim. Quem está certo?
Consegui pelo menos vê-lo cantar, e neste canto pude notar que lá estão toda a sua raíz e o
seu conhecimento, que ele ensinou-me com ARTE. Fiquei reconhecida pela delicadeza do gesto.
Uma história:
Existem muitas controvérsias sobre o que é Xamanismo Clássico.Tentarei resumir — ele é o que abandonou o uso de plantas de poder muito antes de Cabral chegar nestas terras.
Há dois mil anos atrás existiu um herói civilizador Tupi chamado Sumé, que recebeu muitos nomes: o primeiro deles foi Agnã; entre os Guarani é chamado de Nadrú-Mbaecuaá, os Tupinambá o chamam de Uimé ou Sumé.
Entre outras coisas, introduziu o Xamanismo Clássico nestes povos isto é: aboliu o uso de Plantas de PODER e estimulou o povo a somente usar a força mental, os maracás e os tambores, pois as tribos por onde passava usavam plantas que eram extremamente prejudiciais à saúde, sem proveito prático para o dia-a-dia, algumas até venenosas.
O Mestre Sumé avisou sobre o "Grande Balanço" e que este realmente viria. O Grande Balanço ao qual ele se referiu foi a chegada de uma nova civilização neste continente. Hoje notamos que ele tentou preparar o povo para esta virada quando ensinou a todos o poder mental e introduziu o Xamanismo Clássico. Mesmo assim
não conseguiu impedir o povo de empreender a caminhada à TERRA SEM MALES, num suicídio coletivo jamais visto antes — trajeto que compreende desde o Paraguai até o litoral brasileiro de São Vicente em São Paulo. Hoje em dia é feito um ritual Guarani para recordar este evento chamado de “A GRANDE CAMINHADA à Terra Sem Males”, que compreende desde a aldeia em Parelheiros até a aldeia de Mongaguá, conhecido como “O Caminho Sagrado da Serra do Mar”.
Tempos depois o anunciado “Balanço” finalmente chegou pelo mar, com muitas caravelas e naus, trazendo soldados, sacerdotes e marinheiros com uma Nova Ordem. No entanto os nativos que ficaram já sabiam que seriam subjugados, muitos se mataram e mais alguns continuam fazendo isso até hoje.
A crença do exterminador é comum em todos os povos, cristãos ou não; parece ser algo inconsciente na memória coletiva de toda a humanidade. Ou talvez esta crença persista porque alguém a profetizou um dia?
Sempre há um fim mas sempre há um novo começo. Se fim ou começo depende do lado em que se está, mas o “Balanço” chegou para todos.
NO FINAL, SÓ OS MESTIÇOS VÃO ABRAÇAR O VELHO DEMÔNIO
No dia 25 de setembro de 1991, na hora zero, eu estava com Kaká Werá Tchukarramãe e mais vinte Guaranis da Aldeia do Jaraguá, quando iniciamos o "Jeroky" — A Cerimônia de Perdão — no meio do Vale do Anhangabaú em São Paulo. Membros da Aumbandan da casa de Xangô junto com os Tupy-Guaranis e Quíchuas concedem a Benção aos seus opressores do passado; ao mesmo tempo em que se reuniam em São Paulo, na igreja São Bento, várias linhas religiosas. No mesmo dia ergue-se uma bandeira mundial: Judeus e palestinos assinam o acordo de Paz.
Assim foi dado o último passo de uma antiga dança que marcou definitivamente a passagem do Xamanismo Clássico Brasileiro para o Xamanismo URBANO.
MULHER NATIVA TORNA-SE CACIQUE
No dia do "Jeroky" foi entregue, pela primeira vez, o cocar de Cacique a uma mulher, mãe de muitos filhos com muitos pais, dando o primeiro passo de uma nova dança comunitária no início da Era de Aquário. Esta Festa indica que os valores humanos são eternos. Esta nativa instintivamente “sabe” que deve preservar a sua descendência de forma tão heróica, tornando-se a GRANDE MÃE para o povo Guarani, como em todas as tradições nativas em que a descendência é de linhagem materna.
”TODOS OS LOUVORES AOS QUE JÁ
DERAM e aos que darão OS OUTROS PASSOS DESTA DANÇA” — palavras de KaKá Werá.
Hoje, depois de sete anos, começamos a ouvir suas músicas, as suas histórias e seus ensinos. Os que fizeram isso mais recentemente foram as crianças Guarani, gravando suas canções.
Os Xavantes e os Bororos já haviam feito o mesmo, tentando estabelecer um contato harmônico através da arte. Subindo em aviões, aprendendo o português, usando sapatos e roupas de branco e descobrindo o valor do dinheiro. Neste momento o nativo começa a
descobrir o mundo urbano. Achando que somos muitos menos perigosos do que pensavam, mais vítimas de nosso próprio sistema; e, penalizados de nos verem estressados, doentes, querem nos ajudar. Sabem que os nossos antepassados, como os deles, fizeram coisas uns aos outros que ambos querem esquecer, pois nós somos seus descendentes também. Divertem-se procurando no nosso comportamento vestígios de parentesco, e quando acham se alegram e festejam, como quem acolhe um filho pródigo. Esta é a solução para a convivência pacífica.
XAMANISMO
de PLANTAS DE PODER
As Plantas de Poder ou as folhas da Árvore da Sabedoria que orientam sem que o ensinado se sinta culpado por saber, são aquelas que provocam a transcendência e levam ao Êxtase.
Durante milênios elas foram guardadas como o mais precioso segredo dos sacerdotes e a divulgação destas plantas são um fenômeno específico de nossa Era.
É do costume indígena receber ou intuir os cantos, que nós entendemos por ativação molecular e extrafísica motivada por uma Planta de Poder, cantado em situações difíceis, ou especiais.
Tanto é verdade que estes cantos no universo urbano são chamados de “recebidos”, nunca “compostos” por alguém. Numa aldeia nativa tudo vem dos “espíritos” nada é de direito deles próprios.
A América do Sul, sem dúvida alguma, detém um virtual monopólio de plantas que produzem, induzem e alteram o estado da consciência; sendo
tão diversificado o seu uso que não teríamos como relatar numa simples narração.
O conhecimento do xamã a respeito destas plantas não pode de forma alguma ser ignorado. Em vários lugares do mundo elas existem, e sempre nos surpreendemos com a diversidade de seu uso pelos nativos.
Cada grupo tem uma planta de poder, dependendo da região em que vive, diferindo no uso do nome dos outros grupos, e este tem sido o seu segredo. Muitos povos jamais vão contá-lo de forma nenhuma, pois está aí o segredo de suas vidas e o porquê de uma cultura permanecer tanto tempo convivendo com as divergências do mundo atual.
Em alguns casos mesmo que a planta seja revelada, a sua mística não é, como por exemplo a Waichuma, que nasce nos Andes. Difere das demais por não “pedir” som, cantos, palavras, como a Ayahuaska, natural da Floresta Tropical Amazônica.
O que elas ensinam afinal?
Estas plantas no seu geral mostram de forma clara que o mundo está sempre em perpétua transformação, que o ser humano tem uma função especial neste planeta, e nos dão a referência de que um dia todos seremos levados de volta para nosso lugar de origem espiritual.
É quase a mesma coisa que as religiões ocidentais pregam, com uma diferença: — Os que delas se servem SABEM QUE NÃO SÃO OS ÚNICOS CONHECEDORES DA VERDADE, esta
informação pode ser encontrada por todos. E por esta razão não saem em pregação pelo mundo.
PLANTAS QUE PERDERAM O PODER
Por que uma planta perde seu Poder? — Porque perde seu rito, ou seja, sua tradição, o seu canto original. No uso diário indiscriminado, em que o corpo assimila e resiste ao seu efeito transcendental, passando a alterar somente o humor e a sua disposição geral.
Desgasta-se, perdendo o Poder transcendental ao ser domesticada e misturada com outras coisas, tornando-se saborosa ao paladar. Como o Café, que atualmente pode ser ingerido em grande quantidade causando, no máximo, insônia e excitação.
O Tabaco e o Chá mate perderam também sua força. Quando estive em Cuba pude ver a imagem símbolo dos nativos que cultivavam o tabaco e foram exterminados. Depois disso a humanidade passou a ser escrava de algo a princípio sagrado, que tornou-se um vício mortal, preço pago pela violação, como a coca nos Andes e o açúcar. O mesmo ocorreu com as folhas de Louro, tão populares nos Templos de Apolo, usadas pelas Pitonisas. O último a usá-las adequadamente foi Nostradamus. Hoje em dia são utilizadas apenas como condimento nas
cozinhas de todo o mundo, assim como a casca da Noz Moscada. Quem sabia como usar e invocar o seu Poder, presente nos idos de 1500, eram os nativos, naturalmente.
Na mesma época, os Alquimistas, animados com os progressos que alcançaram, criaram o Álcool Destilado, na busca de achar algo mágico. Da mesma forma como hoje os cientistas estão atrás de criarem artificialmente algo transcendental e acabaram criando os grãos transgênicos, que não se reproduzem como os grãos naturais.
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