Quando isso ocorre, a Mãe Divina intervém eliminando a “garrafa quebrada”, o cadáver do pequeno eu destroçado. Cada cadáver já não tem no seu interior a fração da Alma que antes aprisionava. Por isso, pouco a pouco, o ego vai desintegrando-se nos mundos infernais.
Nesse caso, é necessário saber que a Mãe Divina só intervém quando a garrafa é destroçada, quando a Essência que está engarrafada é libertada. Se a Mãe Divina eliminasse a garrafa com o pequeno “gênio” em seu interior, a fração da Alma teria que entrar também nos mundos infernais. Quando todas as “garrafas” são rompidas, a Essência liberta-se em sua totalidade, a Mãe Divina dedica-se a eliminar os respectivos cadáveres.
Compreender a ira em vinte ou trinta regiões subconscientes não significa tê-la compreendido em todos os quarenta e nove departamentos. Compreender a ira no terceiro ou quarto departamento significa quebrar, romper uma garrafa, respectivamente, no terceiro ou quarto departamento. Por outro lado, muitos eus da ira, muitas “garrafas”, podem continuar em todos os outros departamentos subconscientes. Cada defeito se processa em cada uma das quarenta e nove regiões do subconsciente e tem inumeráveis raízes.
A ira, a cobiça, a luxúria, a inveja, o orgulho, a preguiça e a gula têm milhares de garrafas, milhares de pequenos eus, dentro dos quais estão engarrafadas as partes da Essência. Quando o eu pluralizado é morto e eliminado, a Essência se une com o Ser, com o Íntimo, e os corpos lunares são eliminados durante um transe místico que tem a duração de três dias. Depois desses três dias, o Mestre, vestido com seus corpos solares, regressa a seu corpo físico. Isso representa a ressurreição iniciática.
Todo Mestre ressurrecto tem os corpos solares, porém não possui corpos lunares. Os Mestres ressurrectos têm poderes sobre o fogo, o ar, as águas e sobre o elemento terra e podem transmutar o chumbo físico em ouro físico. Os Mestres ressurrectos governam a vida e a morte; podem conservar o corpo físico durante milhões de anos; conhecem a quadratura do círculo e o movimento perpétuo; possuem a Medicina Universal e falam, no horto puríssimo, a divina palavra que, como um rio de ouro, corre deliciosamente sob a selva espessa do Sol.
Quem está morrendo nos defeitos, de momento a momento, é submetido a milhares de provas esotéricas, em cada um dos quarenta e nove departamentos subconscientes de Jaldabaoth. Muitos iniciados, depois de saírem vitoriosos em alguns departamentos ou regiões do subconsciente, fracassam em outros departamentos, em tais ou quais provas relacionadas com determinado defeito psicológico.
A Mãe Divina sempre nos ajuda a compreender, quando, sob a flama da Serpente, a chamamos. A Mãe Divina roga por nós à Loja Branca e elimina, um a um, os eus que já foram destruídos.
A Mãe Divina, a “Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas” é a Mãe-Espaço, a Mãe da Mônada espiritual que se refugia no eterno “Nada-Todo” do Pai Inefável, no Absoluto Silêncio e na Obscuridade Absoluta. Se, por alguma razão, temos nosso raio maternal particular, nossa Mãe Divina individual, é precisamente porque Ela, em si mesma, é a Mãe do Ser Íntimo, oculta e unida dentro da Mônada.
Se Artemisa Loquia ou Neiter foi Lua no céu, para os gregos e, na Terra, a casta Diana foi a Divina Mãe, presidindo o nascimento e a vida do menino; se, para os egípcios, foi Hékate no Inferno, a Deusa da Morte que imperava sobre os encantamentos e a magia sagrada, Hékate-Diana-Lua é a Mãe Divina, tripla e ao mesmo tempo una, tal como a Trimurti hindustânica: Brahma-Vishnú-Shiva.
A Mãe Divina é Ísis, a Ceres dos mistérios de Elêusis, a Vênus celeste; aquela que, no princípio do mundo, originou a atração dos sexos opostos e propagou, com fecundidade eterna,
as gerações humanas. É Prosérpina, a senhora dos noturnos latidos, em sua tríplice aparência: celeste, terrestre e infernal. Ela oprime os terríveis demônios do Averno, mantendo as portas das prisões subterrâneas fechadas, percorrendo triunfalmente os sagrados bosques. Soberana da Estígia morada, ela brilha em meio às trevas do Aqueronte e, de igual forma, sobre a Terra e sobre os Campos Elísios.
Devido a certo equívoco por parte de alguns indivíduos sagrados, nos tempos arcaicos, o pobre “animal intelectual” recebeu o abominável órgão kundartiguador. Esse órgão constitui-se na “cauda de satã”, o fogo sexual se dirigindo para baixo, para os infernos atômicos do ego lunar.
Quando o “animal intelectual” perdeu o órgão kundartiguador, dentro de cada pessoa ficaram as más conseqüências, constituídas pelo eu pluralizado ou ego lunar. À base de profunda compreensão e meditação interior, podemos e devemos eliminar, com ajuda da Mãe Divina, as más conseqüências do nosso abominável órgão kundartiguador.
Em outros tempos, o ser humano não queria viver neste mundo, pois se deu conta de sua trágica situação. Certos indivíduos sagrados deram à Raça Humana, o abominável órgão kundartiguador, para que o homem se iludisse com as belezas deste mundo, e o resultado foi esse. Quando aqueles indivíduos sagrados tiraram o órgão kundartiguador da humanidade, dentro de cada pessoa ficaram as más conseqüências. Com a ajuda da Mãe Divina podemos eliminar as más conseqüências do abominável órgão kundartiguador.
O signo de Sagitário, com seu famoso centauro, metade homem, metade besta, é algo que jamais deve ser esquecido. Sagitário é casa de Júpiter. O metal de Sagitário é o estanho e a pedra é a safira azul.
Na prática, verificamos que os nativos de Sagitário são muito passionais e fornicários. Os nativos de Sagitário amam as viagens, explorações, aventuras e os esportes. Irritam-se facilmente, mas logo perdoam. Os sagitarianos são muito compreensivos, amam a bela música, possuem uma maravilhosa inteligência e são muito tenazes.
Quando parece que fracassaram definitivamente, ressuscitam das próprias cinzas, como a ave Fênix da Mitologia, deixando assombrados a todos os seus amigos e inimigos. Eles são capazes de assumir grandes empreendimentos, mesmo quando estão rodeados de imensos perigos.
Às vezes, a vida econômica dos sagitarianos é muito boa, contudo, também passam por grandes amarguras e por dificuldades econômicas. O defeito que mais prejudica os sagitarianos é a luxúria.
PRÁTICA
Sente-se de cócoras do mesmo modo que as huacas peruanas. Coloque as mãos sobre as pernas, com os dedos índices assinalando para acima, para o céu, para que possa atrair os raios do planeta Júpiter e magnetizar intensamente as artérias femurais e as pernas.
O mantra dessa prática é ÍSIS. Ísis é a Mãe-Divina. Pronuncia-se este mantra alongando o som de cada uma das quatro letras que o compõem: IIIIIISSSSSS IIIIIISSSSSS, repartido em duas sílabas IS-IS.
Com esse exercício se desperta a clarividência e o poder da polividência, que nos permite estudar os Arquivos Akhásicos da Natureza. Com isso, podemos conhecer a História da Terra e de suas Raças.
É necessário realizar essa prática intensa e diariamente, para magnetizar o sangue nas artérias femurais. É assim que se adquire o poder para estudar a memória da natureza. O centauro com suas duas faces, uma olhando para frente e outra para trás, indica-nos essa preciosa faculdade da clarividência.
CAPÍTULO X
CAPRICÓRNIO
(De 22 de dezembro a 19 de janeiro)
O Ser, o Íntimo, a Mônada, tem duas Almas: a primeira é a Alma espiritual, a Beatriz de Dante, a bela Helena, a Sulamita do sábio Salomão, a inefável esposa adorável, o Buddhi da Teosofia. A outra é a Alma humana, o princípio causal, o nobre esposo, o Manas Superior da Teosofia. Ainda que pareça extraordinário e estranho, enquanto a Alma humana trabalha, a Alma espiritual brinca.
Adão e Eva integram-se dentro da Mônada, cujo valor cabalístico é 10. Isso nos recorda IO, quer dizer, as vogais IIIIIII... .OOOOO, a união sacratíssima do eterno masculino com os contrários, dentro da Mônada essencial divina. A divina tríade, Atman-Buddhi-Manas, o Ser, já dissemos e voltamos a repetir, nos “animais intelectuais” comuns e correntes, não nasce, não morre e nem se reencarna.
Indubitavelmente, podemos e devemos afirmar que só uma fração da Alma humana vive dentro dos corpos lunares, a Essência, o material psíquico para elaborar e desenvolver a Alma humana e, por transfusão, a Alma espiritual.
A Mônada, o Ser, cria, fabrica e desenvolve suas duas Almas que lhe devem servir e obedecer. Devemos distinguir entre Mônadas e Almas. Uma Mônada ou um Espírito se é; uma Alma se tem. Distinga-se entre a Mônada de um mundo e a Alma de um Mundo; diferencie a Mônada de um homem da Alma de um homem; entre a Mônada de uma formiga e a Alma de uma formiga.
O organismo humano é composto, em última síntese, por bilhões e trilhões de infinitésimas Mônadas. Existem várias classes e ordens de elementos primários de toda existência, de todo organismo, assim como os germens de todos os fenômenos da natureza. A estes, podemos chamá-los de Mônadas, empregando o termo de Leibnitz, por falta de outro mais expressivo, para indicar a simplicidade da mais rudimentar existência. A cada um destes germens ou Mônadas, corresponde-lhe um átomo como veículo de ação.
As Mônadas atraem-se, combinam-se e se transformam. Elas dão forma a todo organismo, a todo mundo, microorganismo, etc. Entre as Mônadas, há hierarquias. As Mônadas inferiores têm que obedecer às superiores, isso é Lei. As Mônadas inferiores pertencem às superiores. Todos os trilhões de Mônadas que animam o organismo humano têm que obedecer ao seu dono, ao seu chefe, à Mônada principal.
A Mônada reguladora ou primordial permite a atividade de todas as suas subordinadas, dentro do organismo humano, até o tempo assinalado pela Lei do Carma. Quando os bilhões ou trilhões de Mônadas ou germens vitais abandonam o corpo físico, então, a morte é inevitável. As Mônadas são em si mesmas indestrutíveis; abandonam suas antigas conexões para realizar, em breve, novas conexões.
O retorno, reingresso ou reincorporação a esse mundo seria impossível sem o trabalho das Mônadas. Estas, com suas percepções e sensações reconstroem novas células, criando novos organismos. Quando a Mônada primordial está totalmente desenvolvida, pode dar-se o luxo de utilizar seus trilhões de Mônadas para criar um mundo, um sol ou um cometa, convertendo-se na Mônada reguladora de um astro qualquer. No entanto, isso já é coisa para deuses.
As Mônadas ou germens vitais não são exclusivos do organismo físico. Dentro dos átomos dos corpos internos existem aprisionadas muitas ordens e categorias de Mônadas vivas. A existência de qualquer corpo físico ou supra-sensível, angélico ou diabólico, solar ou lunar tem por fundamento os bilhões ou trilhões de Mônadas.
O ego lunar, em si mesmo, é composto de átomos do inimigo secreto. Desafortunadamente, dentro desses átomos estão aprisionadas as Mônadas ou germens vitais. Agora compreenderemos por que a Ciência Oculta diz: O demônio é Deus ao inverso. A cada átomo lhe corresponde um germe vital, uma Mônada. Todas as inumeráveis e infinitas modificações e transformações resultam das variadas combinações das Mônadas.
A natureza deposita nos três cérebros do ser humano certo capital de valores vitais. Quando esses capitais vitais se esgotam, a morte é inevitável. Os três cérebros são:
1.º) O centro intelectual;
2.º) O centro emocional;
3.º) O centro do movimento.
Depois da morte do corpo físico, o ego, vestido com seus corpos lunares, continua no mundo molecular. Três coisas vão para o cemitério ou sepulcro: o corpo físico, o corpo vital e a personalidade. O corpo vital flutua perto do sepulcro e se vai desintegrando. Concomitantemente com a desintegração do corpo físico, a Mônada vai se liberando.
A personalidade fica dentro do sepulcro, mas sai quando alguém leva flores, quando algum doente a visita, então, perambula pelo panteão e depois volta ao seu sepulcro. A personalidade tem um princípio e um fim e, lentamente, vai desintegrando-se no cemitério.
Prosérpina, a Rainha dos Infernos, é também Hékate, a bendita deusa Mãe-Morte, sob cuja direção trabalham os Anjos da Morte. A Mãe-Espaço convertida em Mãe-Morte ama profundamente a seus filhos e por essa razão, os leva.
Os “anjos da morte”, quando estão trabalhando, revestem-se com seus trajes funerais, assumem figuras espectrais, empunhando a foice para cortar o “cordão de prata”, que conecta os corpos internos ao corpo físico. Os Anjos da Morte cortam o “fio da vida” e tiram o ego para fora do corpo físico.
Os Anjos da Morte são muito sábios e se desenvolvem sob o raio de Saturno. Os Anjos da Morte não somente conhecem os aspectos relacionados com a morte do corpo físico como, ademais, esses ministros da morte são profundamente sábios em tudo o que se relaciona com a morte do eu pluralizado.
Depois da morte do corpo, o desencarnado cai num desmaio que dura três dias e meio. O Livro Tibetano dos Mortos diz: Hás permanecido em um estado de desmaio durante os últimos três dias e meio. Logo que te recobres desse desmaio, terás o seguinte pensamento: “o que aconteceu?” Ocorre que, nesse momento, todo o Samsara (Universo Fenomênico) estará em revolução.
O valor cabalístico do ego é cinqüenta e seis; este é o número de Tiphon, a mente sem espiritualidade. O ego leva sua mundanidade para além do sepulcro, do corpo físico, e a visão retrospectiva da vida que acaba de passar é algo muito terrível. Depois do grande desmaio de três dias e meio, os defuntos têm que reviver lentamente, de forma retrospectiva, toda a vida que acaba de passar. O conceito de tempo é algo muito importante neste trabalho de visão retrospectiva da vida que acaba de passar, a visão retrospectiva do Samsara.
Nos mundos infernais, todas as escalas do tempo são minerais, espantosamente lentas, e oscilam em ciclos de 80.000, 8.000, 800 e 80 anos. Nesta região celular em que vivemos, a gestação dura dez meses lunares; já a infância dura cem meses lunares; e a vida, mais ou menos mil meses lunares. No mundo molecular, os acontecimentos podem ser medidos na escala de tempo, que vai de um mês aos quarenta minutos. No mundo eletrônico, a escala de tempo oscila entre quarenta minutos e dois segundos e meio.
Na visão retrospectiva do Samsara (vida que acaba de passar), no instante da morte e durante os três dias e meio subseqüentes, temos um processo de tipo eletrônico. Por isso, cada acontecimento pode ser medido com o padrão de tempo eletrônico. A visão retrospectiva do Samsara, no mundo molecular, é menos rápida; razão pela qual, cada acontecimento é medido com o padrão de tempo molecular.
O Íntimo, a Mônada, o Ser com suas duas Almas, antes de nascermos neste vale de lágrimas, vive na Via Láctea, e mesmo durante a vida do corpo físico aqui embaixo, continua vivendo nas estrelas. O fundamental para a Essência depois da morte é atingir o estado búdico relativo e a libertação intermediária. Isto só é possível para o embrião de Alma que temos internamente, ascendendo ao mundo eletrônico. É urgente saber que no mundo eletrônico vive nossa Divina Tríade Imortal, nosso Ser, nosso Buda.
Unir-se ou unificar-se à Tríade Imortal, depois da morte, significa, efetivamente, converter-se em um Buda relativo, conseguir a libertação intermédia e gozar de umas boas férias, antes de voltar a um novo organismo humano.
Se, no momento supremo da morte, a clara luz primordial for devidamente reconhecida pelo defunto, é sinal inequívoco que ele alcançou a libertação intermediária. Porém, se, no momento supremo da morte, o defunto só percebe a clara luz secundária, é sinal de que terá que lutar muito para atingir o estado búdico relativo.
O mais difícil para a Essência é desengarrafar-se, escapar de sua prisão, sair dos corpos lunares e abandonar o eu pluralizado. Nesse aspecto, o carma de cada qual é definitivo.
Quando o defunto revive em forma retrospectiva toda a vida que acaba de passar, então, terá que se apresentar ante os Tribunais do Carma para ser julgado.
A Lenda de Zoroastro diz: Todo aquele cujas boas obras excedam em três gramas os seus pecados, vai ao Céu. Todo aquele cujo pecado é maior, vai para o Inferno. Por outro lado, as pessoas que possuem suas boas e más obras em igualdade, permanecem no Hamistikan até o corpo futuro ou ressurreição.
Hoje em dia, nestes tempos de perversidade e cru materialismo ateu, a maior parte dos desencarnados ingressam, depois do juízo, ao reino mineral submerso, aos mundos infernais. Também são milhares de pessoas que penetram em uma nova matriz, de forma imediata ou mediata, sem se darem ao luxo de umas boas férias nos mundos superiores.
Certamente, o processo de seleção existe em toda a natureza, e são poucos os que conseguem a libertação intermediária e o estado búdico relativo.
Os desencarnados ingressam e saem da eternidade sob as influências da Lua, através de suas portas.
Veremos, na lição de Câncer, que toda a vida de uma pessoa se processa sob as influências da Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno, encerrando com o ciclo lunar.
Realmente, a Lua nos leva e também nos traz. Os sete tipos de vibrações planetárias, em sua ordem clássica indicada, repetem-se também depois da morte, porque: tal como é em cima é embaixo’.
As Essências que, depois de serem julgadas, tiverem o direito à libertação intermediária e ao estado búdico relativo, necessitarão de certo tipo de êxtase muito especial, além de um reto e constante esforço para se desengarrafar e poder escapar dos corpos lunares e do ego.
Afortunadamente, distintos grupos de Mestres assistem aos desencarnados, ajudando-lhes nesse trabalho com os raios da graça.
Assim como, neste mundo celular em que vivemos, existem repúblicas, reinos, presidentes, reis, governadores, etc., assim também, no mundo molecular, existem muitos paraísos, regiões e reinos onde as Essências gozam de estados indescritíveis de felicidade.
Os desencarnados podem entrar nos reinos de felicidade paradisíaca, quais sejam: o da densa concentração; o reino dos cabelos longos (Vajrapani); ou Vihara iluminado da radiação do loto (Padma Sambhava).
Os desencarnados que marcham para a libertação intermediária devem ajudar-se a si mesmos, concentrando a mente em qualquer desses reinos do mundo molecular.
Realmente, é muito doloroso vagar de existência em existência, viver errando através da “cloaca” horrível do Samsara, sem gozar não só do estado búdico como da libertação intermediária.
Existem reinos de inconcebível felicidade, e o desencarnado deve esforçar-se para adentrá-los. Recordemos o reino ditoso do Oeste, governado por Buda Amitaba. Recordemos o Reino de Maitreya, os Céus de Tushita. Nesse reino de suprema dita, também podem ingressar os desencarnados que caminham para o mundo eletrônico.
Os desencarnados devem orar muito ao Grande Compassivo e também à sua Divina Tríade; devem ser firmes em seus propósitos, sem se deixarem desviar por nada. Tudo isso, se é que, de verdade, não querem cair em uma nova matriz, sem terem gozado do estado búdico intermediário no mundo dos elétrons livres.
A felicidade nas regiões eletrônicas, a libertação intermediária, depois de se ter passado pelos paraísos moleculares, é algo impossível de ser descrito com palavras humanas.
Os Budas viajam através do inalterável infinito entre as sinfonias indescritíveis dos mundos que palpitam no seio da Mãe-Espaço.
Porém, todo prêmio ou capital também se esgota. Quando o darma de felicidade se esgota, o retorno a uma nova matriz é, então, inevitável.
A Essência perde o êxtase atraída pelo ego lunar e, já engarrafada novamente entre os corpos lunares, retorna a uma nova matriz. O instante em que a Essência perde o êxtase é aquele em que ela volta a se separar de seu Buda Íntimo para ficar engarrafada nos corpos lunares e no eu pluralizado. O retorno a uma nova matriz realiza-se de acordo com a Lei do Carma.
O ego continua através dos seus descendentes de existências anteriores. As Mônadas de seu corpo físico anterior têm o poder de reunir os átomos e as moléculas para reconstruir células e órgãos. É assim que regressamos a este mundo celular “vestidos” com um novo corpo físico.
O pobre “animal intelectual” começa sua vida, neste mundo, como uma simples célula original, sujeito ao velocíssimo tempo celular, terminando próximo aos setenta, oitenta anos ou um pouco mais, carregado de recordações e experiências de toda índole. É urgente saber que, também, no processo de reingresso ou retorno, ocorre certa seleção.
O eu é uma soma de pequenos eus, e nem todos eles retornam a um novo organismo humano. O eu é uma soma de entidades distintas, diversas, sem ordem de nenhuma espécie. Nem todas essas entidades reingressam a um novo organismo humano. Muitas delas se reincorporam em corpos de cavalos, cachorros, gatos, porcos, etc.
Certa vez, o Mestre Pitágoras passeava com um amigo e observou que ele bateu em um cachorro. O Mestre, então, o repreendeu, dizendo: Não bata no cachorro, porque, em seu latido lastimoso e sofredor, reconheci a voz de um amigo meu que morreu.
É claro que, ao chegar a esta parte deste capítulo, os fanáticos do dogma da evolução lançarão, contra nós, toda a sua baba difamatória e protestarão dizendo que o ego não pode retroceder; dizem, também, que tudo evolui e, por isso, deve-se chegar à perfeição, etc.
Esses fanáticos ignoram que o ego é uma soma de pequenos eus animais e que semelhante atrai semelhante. Esses fanáticos ignoram que o ego nada tem de divinal; que o ego se constitui em uma soma de entidades animais, e que a Lei da Evolução jamais poderá conduzi-los à perfeição.
As entidades animais têm pleno direito de ingressar em matrizes animais de cachorros, cavalos, porcos, etc., e isso não pode ser proibido pelos fanáticos do dogma da evolução, ainda que resmunguem, amaldiçoem, gritem e relampagueiem.
Esta é a Doutrina da Metamorfose ou Metempsicose de Pitágoras e se fundamenta nas mesmas leis da natureza.
Na obra intitulada “O Asno de Ouro” de Apuleio, está completamente documentada a Doutrina de Pitágoras. Apuleio menciona que, na Tessália das feitiçarias, as pedras não eram, senão, homens petrificados; os pássaros, homens com asas; as árvores, homens com folhagens; as fontes, corpos humanos que sangravam a clara linfa.
Que admirável e simbólica forma de representar o que se constitui em um fato indubitável para todo ocultista: o de que as diversas entidades que constituem o eu pluralizado podem reincorporar-se em organismos de bestas ou ingressar no reino mineral, vegetal, etc.
Os místicos cristãos, com justa razão, falam com amor da “irmã planta”, do “irmão lobo”, da “irmã pedra”.
Rudolf Steiner, iniciado alemão, disse que, na época polar, só existia o homem, e que os animais existiram mais tarde; eles estavam dentro do homem e foram eliminados pelo homem.
Esses animais foram as diferentes partes ou entidades do eu pluralizado dos homens originais. Aquelas entidades que foram eliminadas de suas naturezas internas, certamente, devido ao estado protoplasmático da Terra naquela época, seguiram para a cristalização física atual.
Aqueles seres polares ou hiperbóreos necessitaram eliminar essas entidades animais, os eus pluralizados, para se converterem em homens verdadeiros, em homens solares. Algumas pessoas são tão animalescas que, se lhes tirassem todo esse aspecto, não lhes restaria nada.
Saturno é o planeta da morte, e se exalta no signo de Capricórnio. Este signo está simbolizado por um cabrito, recordando-nos a pele de bode, os “animais intelectuais com pele de bode”, ilustrando a necessidade de eliminarmos o que temos de animalidade: as entidades animais que carregamos dentro de nós.
A pedra de Capricórnio é o ônix negro como também, as demais pedras negras em geral. O metal é o chumbo e o seu dia é o sábado. Na Idade Média, no sábado, as bruxas celebravam seus horríveis conciliábulos, mas também o sábado é o sétimo dia, tão sagrado para os judeus. Saturno representa a vida e morte. A senda da vida está formada com “as pegadas dos cascos do cavalo da morte”.
As correntes magnéticas que sobem da Terra, depois de passarem pelas “peneiras dos pés”, continuam através das panturrilhas e, ao chegarem aos joelhos, carregam-se com o chumbo de Saturno, adquirindo solidez, forma e força. Aqui falamos do chumbo em seu estado grosseiro, mas do chumbo no estado coloidal, sutil.
Os joelhos possuem uma maravilhosa substância que permite o livre movimento dessa simples e maravilhosa engrenagem óssea. Essa substância é o famoso líquido sinovial, que vem da raiz, “sin”, que significa com, e “ovia”, ovo. Em síntese, substância com ovo. O ovo é muito utilizado na Ciência-Jinas e já falamos sobre isso no Tratado Esotérico de Teurgia, segunda edição.
PRÁTICA
Durante o signo de Capricórnio, imagine um ataúde ou caixão de defunto no solo. Caminhe sobre esse imaginário ataúde, imaginando-o no centro das pernas; ao caminhar dobre os joelhos, como se fosse saltar um obstáculo, passando as pernas sobre o ataúde, fazendo girar os joelhos da direita para a esquerda. Tudo isso com a mente concentrada nas pernas, mantendo a firme intenção de que elas se carreguem com chumbo de Saturno.
Os mestres-maçons entenderão muito bem essa prática para o período de Saturno, porque são os mesmos passos do mestre-maçom ao entrar na Loja.
O capricorniano tem disposição para a Pedagogia, possui um grande sentido do dever e é prático por natureza. Sofre muito e passa sempre na vida por um grande sofrimento, pois alguém lhe atraiçoa.
As mulheres de Capricórnio são magníficas esposas, sofrem muito, são fiéis até a morte, laboriosas e trabalhadoras. Todavia, apesar de todas essas virtudes, os maridos as atraiçoam, abandonando-as, e, muitas vezes, até contra suas próprias vontades. Lamentavelmente, esse é o carma das capricornianas. Algumas delas envolvem-se com outros homens, mas isso só ocorre depois de serem abandonadas pelo marido e depois de terem sofrido espantosamente.
Os homens e as mulheres de Capricórnio são bastante egoístas, ainda que nem todos. Referimo-nos ao tipo inferior de Capricórnio, que, devido a esse egoísmo, assumem muitos compromissos e também se enchem de inimigos. Os capricornianos se apegam demasiadamente às coisas, ao dinheiro e alguns até se tornam muito avarentos.
Capricórnio é um signo da terra, estável, fixo. No entanto, os nativos de Capricórnio realizam muitas viagens, ainda que sejam curtas. As dores morais dos capricornianos são terríveis e eles sofrem muito. Afortunadamente, o sentido prático que possuem da vida salvam os capricornianos, que logo se sobrepõem às piores amarguras da vida.
CAPÍTULO XI
AQUÁRIO
(De 20 de janeiro a 17 de fevereiro)
O significado oculto de Aquário é saber. Aquário, o signo do aguador, é um signo zodiacal eminentemente revolucionário.
Existem quatro classes de conhecimento ou ciência secreta. Necessitamos saber quais são essas quatro classes de conhecimento.
Primeiro: Yajna Vidya que é o conhecimento que se adquire com certos poderes ocultos despertos dentro de nossa própria natureza interior mediante certos rituais mágicos.
Segundo: Maha Vidya cabalística, que é a Ciência da Cabala com todas suas invocações, matemáticas, símbolos e liturgia, podendo ser angelical ou diabólica, tudo depende do tipo de pessoa que a use.
Terceiro: Guhya Vidya, a ciência dos mantras, a magia do Verbo que se fundamenta nos poderes místicos do som e na ciência da harmonia.
Quarto: Atma Vidya é a real sabedoria do Ser, de Atman, da Mônada superior.
Todas essas formas de conhecimento, exceto a quarta, constituem-se na raiz de todas as Ciências Ocultas. De todas essas formas de conhecimento, excetuando-se a quarta, advém a Cabala, a Quiromancia, a Astrologia, a Fisiologia Oculta, a Cartomancia Científica, etc.
De todas essas formas de conhecimento e ramos ocultistas, a Ciência já descobriu alguns segredos, mas o sentido espacial desenvolvido não é representado pelo Hipnotismo e nem pode ser adquirido por essas artes.
Este livro astrológico-hermético-esotérico nada tem que ver com a Astrologia de feira mencionada pelos jornais. Aqui ensinamos a ciência do Atma Vidya. O fundamental é o Atma Vidya que inclui as demais ciências em seu aspecto essencial, e até pode valer-se delas ocasionalmente. No entanto, só utiliza seus extratos sintéticos, depurados de toda escória.
A porta de ouro da sabedoria pode se transformar na ampla porta e no largo caminho que conduz à destruição: a porta das artes mágicas praticadas com fins egoístas.
Estamos na Idade de Kali Yuga, a Idade Negra ou de Ferro, e todos os estudantes de Ocultismo estão predispostos a se extraviarem pelo caminho negro.
Assombra-nos vermos esse conceito tão equivocado que os “irmãozinhos” têm sobre o Ocultismo. Causa-nos espanto ver a facilidade com que eles crêem que podem chegar até a porta e traspassarem o umbral do mistério, sem um grande sacrifício.
Resulta impossível lograr o Atma Vidya sem os Três Fatores da Revolução da Consciência e sem se ter chegado ao “segundo-nascimento”. É impossível o Atma Vidya sem a morte do eu pluralizado e sem o sacrifício pela humanidade. Não é a Lei da Evolução e nem a Lei da Involução que nos conferem o Atma Vidya. Só à base de tremendas e espantosas revoluções íntimas, chegamos ao Atma Vidya.
O caminho da Revolução da Consciência é a Senda do Fio da Navalha, terrivelmente difícil, cheia de perigos por dentro e por fora.
Agora vamos estudar, neste capítulo, cada um dos Três Fatores da Revolução da Consciência em forma ordenada e separadamente, a fim de que os estudantes gnósticos possam orientar-se corretamente.
Nossos leitores devem prestar muita atenção ao estudo de cada um dos Três Fatores da Revolução da Consciência, porque, do pleno entendimento de cada um deles, depende o sucesso nesse trabalho.
NASCER
O “segundo-nascimento” é uma questão totalmente sexual. O sagrado touro Apis, entre os antigos egípcios, devia ser jovem, são e forte para simbolizar a pedra filosofal (o sexo).
Os gregos que foram instruídos pelos hierofantes egípcios representavam a pedra filosofal com um ou vários touros como se vê também na fábula do minotauro cretense.
Tiveram igual significado alquímico os touros que Hércules roubou de Gerión. O mesmo simbolismo é encontrado na lenda dos sagrados bois do Sol, que passeavam calmamente na ilha da Sicília e que foram roubados por Mercúrio.
Nem todos os touros sagrados eram negros ou brancos; alguns eram vermelhos como os de Gerión ou como aqueles sacrificados pelo sacerdote israelita, porque a pedra filosofal, em certo momento alquímico, é vermelha, e isso é sabido por todo alquimista.
O famoso boi Apis, tão adorado nos mistérios egípcios, era o criador e também o fiscal das Almas. O boi Apis simbólico foi consagrado a Ísis, porque, efetivamente, ele está relacionado com a Vaca Sagrada, a Mãe Divina, Ísis, de quem nenhum mortal levantou o véu.
Para que um boi tivesse a alta honra de ser ascendido a tal categoria, era preciso que fosse negro e que tivesse, na testa ou no dorso, uma mancha branca em forma de lua crescente. Também é verdadeiro que o boi sagrado devia ter sido concebido sob a impressão do raio, tendo, sob a língua, a marca do escaravelho sagrado.
Apis era o símbolo da Lua, tanto por causa de seus cornos em forma de lua crescente como também durante os seus períodos, exceto nos ciclos de lua cheia, quando a Lua tem sempre uma parte tenebrosa indicada na pele pela cor negra; a outra parte é resplandecente e está simbolizada pela mancha branca.
Apis é a matéria filosofal, o ens seminis (sêmen), essa substância semi-sólida, semilíquida, o vitriolo dos alquimistas. Dentro do ens seminis encontra-se todo o ens virtutis do fogo. É necessário transformar a Lua em Sol, quer dizer, fabricar os corpos solares.
Esses são os mistérios de Ísis, os mistérios do boi Apis. No velho Egito dos faraós, quando se estudava a runa IS, analisavam-se seus dois aspectos, o masculino e o feminino. A sagrada palavra Ísis é decomposta em duas sílabas IS-IS. A primeira sílaba é masculina e a segunda é feminina.
O boi Apis é o boi de Ísis, a pedra filosofal. O homem e a mulher devem trabalhar no laboratorium-oratorium com essa matéria filosofal para transformar a Lua em Sol.
É urgente adquirir esse poder mágico que se chama Kriya-Shakti, o poder da vontade e da Ioga; o poder mágico dos homens solares, o poder supremo de criação, sem geração, e isto só é possível através do maithuna (ver o capítulo oito).
É necessário aprender a combinar inteligentemente as águas da vida nas duas ânforas de Aquário, o signo zodiacal do aguador. É indispensável combinar o elixir vermelho com o elixir branco, quando se quer chegar ao “segundo-nascimento”.
A Lua simboliza Ísis, a Mãe Divina, a Prakriti inefável. O boi Apis representa a matéria filosofal, a pedra sagrada do alquimista. No boi Apis está representada a Lua, Ísis, a substância primordial, a pedra filosofal, o maithuna.
O signo de Aquário está governado por Urano, planeta que controla as glândulas sexuais. Resulta impossível chegar ao “segundo-nascimento”, ao adeptado, à auto-realização íntima do Ser, se não estudarmos os mistérios de Ísis. Se desprezarmos o culto ao boi Apis e não aprendermos a combinar o elixir vermelho com o elixir branco, nas duas ânforas de Aquário.
Na terminologia cristã, fala-se de quatro corpos humanos. O primeiro é o corpo carnal; o segundo é o corpo natural; o terceiro é o corpo espiritual; o quarto, segundo a terminologia esotérica cristã, é o corpo divino. Falando em linguagem teosófica, diremos que o primeiro é o
corpo físico; o segundo é o corpo astral; o terceiro é o corpo mental; o quarto é o corpo causal ou corpo da vontade consciente.
Nossos críticos ficarão irritados porque não citamos o lingam sarira, o corpo vital, também chamado duplo etérico. Certamente, não mencionamos esse corpo, devido ao fato concreto de que ele é somente a secção superior do corpo físico, o assento básico fundamental de todas as atividades físicas, químicas, calóricas, reprodutivas, perceptivas, etc.
O “animal intelectual”, comum e corrente, não nasce nem com o corpo astral, nem com o corpo mental e muito menos com o corpo causal. Esses corpos só podem ser formados “artificialmente” por meio da frágua acesa de Vulcano (o sexo).
O veículo astral não é um corpo indispensável para o “animal intelectual”. É um grande luxo a que muitos poucos podem se dar. Apesar disso, o “animal intelectual” tem um corpo molecular, um corpo de desejos semelhante ao corpo astral, mas de tipo lunar, frio, fantasmal, espectral.
O “animal intelectual” não tem corpo mental, mas possui um veículo intelectual animal, sutil, lunar, muito similar ao corpo mental, mas de natureza fria e fantasmagórica.
O “animal intelectual” não tem corpo causal ou corpo da vontade consciente, mas tem a Essência, o Budhata, o embrião de Alma, que é facilmente confundido com o corpo causal. Os corpos sutis que Leadbeater, Annie Besant, Steiner e muitos outros clarividentes estudaram no pobre “animal intelectual”, comum e corrente, são os veículos lunares.
Quem quiser chegar ao “segundo-nascimento” deve fabricar os corpos solares, o autêntico corpo astral, o legítimo corpo mental e o verdadeiro corpo causal ou corpo da vontade consciente.
Há algo que pode surpreender aos estudantes gnósticos: os corpos astral, mental e causal são de carne e osso, e depois de ter nascido do ventre imaculado da Mãe Divina, necessitam de alimento para seu crescimento e desenvolvimento.
Existem dois tipos de carne: a primeira é carne que vem de Adão; a segunda é carne que não vem de Adão. Os corpos solares são de carne que não vem de Adão. Resulta interessante saber que o hidrogênio sexual Si-12 sempre se cristaliza em carne e osso. O corpo físico e também os corpos solares são de carne e osso.
O alimento básico do corpo físico é o hidrogênio quarenta e oito. O alimento fundamental do corpo astral é o hidrogênio vinte e quatro. O alimento indispensável do corpo mental é o hidrogênio doze. O alimento vital do corpo causal é o hidrogênio seis.
Todos os Mestres da Loja Branca, Anjos, Arcanjos, Tronos, Serafins, Virtudes, etc. estão vestidos com corpos solares. Só aqueles que possuem os corpos solares formados encarnaram o Ser. Somente aqueles que possuem o Ser são homens de verdade.
O corpo físico está controlado por quarenta e oito leis. O corpo astral está governado por vinte e quatro leis. O corpo mental está controlado por doze leis. O corpo causal depende de seis leis.
É urgente que desçamos à frágua acesa de Vulcano (o sexo) para trabalhar com o fogo e com a água, origem de mundos, bestas, homens e deuses. É urgente que baixemos à Nona Esfera para fabricar os corpos solares e conseguirmos o “segundo-nascimento”. Causa muita dor saber que muitos dos que se presumem mestres e santos estão vestidos com corpos lunares.
A MORTE
Equivoca-se completamente o conde Gabalis ao dizer que as salamandras, os gnomos, os silfos e as ninfas necessitam se casar como o ser humano para alcançarem a imortalidade. É estúpida essa afirmação do conde Gabalis, quando diz que nós precisamos renunciar completamente às mulheres para conseguirmos a imortalidade dos sílfides e das ninfas.
Os elementais dos “elementos”, das plantas, dos minerais e dos animais serão os homens do futuro sem necessidade do imundo coito recomendado pelo conde Gabalis. É uma pena que muitos médiuns do Espiritismo estejam casados com elementais, e que muitas pessoas, durante o sonho, coabitem com íncubos, súcubos e elementais de todo tipo.
Os mundos internos estão cheios de toda classe de criaturas: algumas boas, outras más e outras indiferentes. Os Devas ou Anjos jamais são inferiores ao homem. Os Devas ou Anjos são homens solares verdadeiros são seres “duas-vezes-nascidos” e isso é tudo.
Para os chineses, as duas classes mais elevadas de habitantes invisíveis são os Thien, de natureza totalmente celeste, e os Thi, Thu ou intermediários.
Nos desfiladeiros de Kuen-lun, a região central da Terra ou montes lunares, a tradição colocou todo um mundo estranho e misterioso governado por deuses. Esses seres divinos são os Ko-han ou Lohanes, deuses governadores de milhões de criaturas.
Os Thi vestem roupagem amarela e habitam criptas ou cavernas subterrâneas; alimentam-se de gergelim, coriandro e outras flores e frutos da árvore da vida. Eles são seres “duas-vezes-nascidos”, estudam a Alquimia, a Botânica Oculta e a pedra filosofal, ao modo do Mestre Zanoni e de seu sábio colega, o grande Mejnour.
Uma terceira classe de habitantes invisíveis são os fabulosos Shen ou Shain, nascidos aqui embaixo, no mundo sublunar, quer para trabalhar para o bem, quer para pagar seu carma ancestral.
A quarta classe de habitantes dos mundos internos citados pelos chineses são os tenebrosos Maha-Shan, gigantes feiticeiros da magia negra.
Os seres mais raros e mais incompreensíveis são os terríveis Marut ou Turam, mencionados pelo Rig Veda como legiões de hanasmussianos. A letra h se pronuncia com som de r assim: ranasmussianos.
Essas legiões constam de trezentas e quarenta e três famílias, apesar de certos cálculos elevarem a quantidade para 543 ou 823 famílias.
É lamentável que esses hanasmussens sejam adorados por certos muçulmanos e brâmanes. Os hanasmussianos têm, como já dissemos no capítulo nove deste livro, duas personalidades: uma angélica e outra diabólica.
É claro que a personalidade solar ou angelical de um hanasmussiano jamais se dispõe a instruir qualquer candidato à iniciação, sem antes lhe dizer com inteira franqueza o seguinte:
Guarda-te, porque nós somos a tentação que te pode converter em um infiel.
A personalidade solar de todo marut, turam ou hanasmussiano sabe muito bem que possui outra personalidade lunar, diabólica e tenebrosa capaz de desviar o candidato da iniciação.
Diante de todo ser “duas-vezes-nascido” abrem-se dois caminhos: o da direita e o da esquerda. O caminho da direita é para os que resolvem morrer de momento em momento, dos que dissolvem o eu. O caminho da esquerda é o caminho negro, o caminho para os que, em vez de morrerem de momento em momento, de dissolverem o eu, fortificam-no dentro dos corpos lunares.
Aqueles que vão pelo “caminho da mão esquerda” convertem-se em marut ou turam, quer dizer, em hanasmussianos.
Quem quiser conseguir a libertação final deve morrer de instante em instante. Somente quando o “mim mesmo” morrer, é que nos converteremos em Anjos perfeitos.
Existem três classes de tantrismo: branco, negro e cinza. O maithuna com ejaculação do ens seminis caracteriza o tantrismo negro. O maithuna praticado às vezes com ejaculação do ens seminis e, às vezes sem ejaculação caracteriza o tantrismo cinza.
No maithuna praticado sem ejaculação, Devi Kundalini sobe pelo canal medular desenvolvendo os poderes divinos e nos convertendo em anjos. No maithuna praticado com a ejaculação do sêmen, a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes, ao invés de subir, baixa, precipita-se desde o osso coccígeo até os infernos atômicos do homem, convertendo-se na cauda de satã. O maithuna, às vezes praticado com ejaculação e em outras vezes praticado sem ejaculação, é algo incoerente, mórbido, bestial, que só serve para fortalecer o ego lunar. Os tantristas negros desenvolvem o abominável órgão kundartiguador. É necessário saber que esse órgão fatal caracteriza a mesma cauda de satã.
Em tempos que se perdem na noite profunda de todas as Idades, o pobre “animal intelectual” compreendeu sua triste condição de ser uma pequena máquina necessária para a economia da natureza, e, por causa disso, desejou morrer. Por causa disso, foi necessária a intervenção de certos indivíduos sagrados que cometeram o erro de dar a este triste formigueiro humano o abominável órgão kundartiguador.
Quando o “animal intelectual” esqueceu sua triste situação de “maquininha” e se apaixonou pelas belezas deste mundo, o abominável órgão kundartiguador foi eliminado. No entanto, desgraçadamente, as más conseqüências desse órgão tornaram-se indeléveis e ainda permanecem depositadas nos cinco cilindros da máquina.
O primeiro cilindro é o do intelecto e se encontra no cérebro. O segundo é o das emoções e reside no plexo solar, na altura do umbigo. O terceiro é o do movimento que tem base na parte superior da espinha dorsal. O quarto é o do instinto, que se encontra na parte inferior da espinha dorsal. O quinto é o do sexo, que reside nos órgãos sexuais.
As más conseqüências do abominável órgão kundartiguador estão representadas por milhares e milhões de pequenos eus animalescos, perversos. No “animal intelectual”, não existe um centro único de comando nem tampouco um eu ou ego permanente. Cada idéia, sentimento, sensação, cada desejo, cada “eu desejo tal coisa”, cada “eu desejo outra coisa”, “eu amo”, “eu não amo” representa um eu diferente.
Todos esses pequenos e briguentos eus lutam entre si pela supremacia da máquina, eles não estão unidos entre si e também não estão coordenados. Cada um deles depende das mudanças das circunstâncias da vida e das alterações de impressões. Cada pequeno eu tem suas próprias idéias, seu próprio critério. Não existe uma verdadeira individualidade no pobre “animal intelectual”. Seus conceitos, atos e idéias dependem do eu que, no momento, esteja dominando a situação.
Quando um eu se entusiasma pela Gnosis, jura lealdade eterna a nosso Movimento Gnóstico. No entanto, esse entusiasmo dura até que outro eu, contrário a esses estudos, tenha o poder de atuação. Então, vemos, com assombro, que a pessoa se retira da Gnosis e até se volta como nossa inimiga.
O eu que hoje jura amor eterno a uma mulher, logo após, é deslocado por outro eu que nada tem a ver com tal juramento; então, a mulher sofre uma grande decepção. Depois, automaticamente, segue-se outro eu, apesar de alguns deles aparecerem sempre acompanhados de outros. Não obstante, não existe, entre os eus, nenhuma ordem ou sistema.
Cada um desses eus crê, em um momento dado, ser o todo, mas não é mais do que uma ínfima parte de nossas funções, ainda que o eu tenha a impressão de ser a totalidade, a realidade, o homem completo. O curioso é que damos crédito ao eu que atua em dado momento, mesmo que, instantes depois, seja deslocado por outro eu. O ego lunar é uma soma de eus que devem ser eliminados de forma radical.
É preciso saber que cada um dos cinco cilindros da máquina possui suas características próprias, que jamais devemos confundi-las. Entre os cinco centros da máquina, existem diferenças de velocidade. As pessoas elogiam muito o pensamento, mas, em realidade, o centro intelectual é o mais lento de todos. Depois, muito mais rápidos, temos os centros instintivo e o centro do movimento ou motriz, que possuem, entre si, mais ou menos a mesma velocidade. O mais rápido de todos é o centro sexual seguido em ordem de rapidez pelo centro emocional. Existe uma grande diferença de velocidades entre cada um dos cinco centros da máquina.
Estudando os eus em nós mesmos através da auto-observação, veremos, à simples observação, que o centro do movimento é mais veloz do que o centro do pensamento; que qualquer emoção é mais rápida do que qualquer movimento ou pensamento.
Os centros motor e instintivo são, cerca de trinta mil vezes, mais rápidos do que o centro intelectual. O centro emocional, quando trabalha na velocidade que lhe é própria, é trinta mil vezes mais rápido que os centros motor e instintivo. Cada um dos diversos centros tem um tempo completamente diferente.
A velocidade dos centros explica um grande número de fenômenos bem conhecidos que a Ciência ordinária e tradicional não pode explicar. Basta recordar a assombrosa velocidade de certos processos psicológicos, fisiológicos e mentais.
Cada centro está dividido em duas partes: uma positiva e outra negativa. Esta divisão é particularmente clara para os centros intelectual e instintivo. Todo o trabalho do centro intelectual divide-se em duas partes: afirmativa e negativa, sim e não, tese e antítese.
No centro instintivo, existe a mesma luta, porém é entre o que é agradável e o que é desagradável: sensações agradáveis e desagradáveis, que estão relacionadas com os cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. No centro motor ou do movimento, existe uma luta entre o movimento e o repouso. No centro emocional, existem emoções agradáveis e desagradáveis. A alegria, a simpatia, o afeto, a confiança em si mesmo, etc. são positivas. Quanto às emoções desagradáveis, podemos citar o aborrecimento, o ciúme, a inveja, a cólera, a irritabilidade e o medo, que são totalmente negativas. No centro sexual, existem, em eterno conflito, a atração e a repulsão, a castidade e a luxúria.
O “animal intelectual” sacrifica seus prazeres, se for necessário, mas é incapaz de sacrificar seus próprios sofrimentos. Quem quiser dissolver o eu pluralizado deve sacrificar seus próprios sofrimentos. Os ciúmes produzem sofrimentos, e, quando aniquilamos os ciúmes, acaba-se com o sofrimento, pois a dor é sacrificada. A ira produz dor. Quando eliminamos a ira, sacrificamos e destruímos a dor.
É necessário auto-observar-se de momento em momento, pois o eu pluralizado trabalha em cada um dos cinco centros da máquina. Às vezes, é um eu do centro emocional que reage colérico, ciumento ou invejoso; às vezes, são os preconceitos e as calúnias do centro intelectual, com toda fúria, atacando violentamente; noutras vezes, são os hábitos perversos e equivocados que nos levam ao fracasso, etc.
Cada centro tem quarenta e nove regiões subconscientes, e, em cada uma dessas regiões, vivem milhões de eus que precisamos descobrir através da meditação profunda. Quando nos autodescobrimos e tomamos consciência das atividades dos eus nos cinco centros da máquina e nas quarenta e nove regiões subconscientes, então, despertamos a Consciência. Conscientizar-se de todos os processos dos eus nos cinco cilindros da máquina é o mesmo que tornar consciente o subconsciente.
Resulta impossível eliminar os diferentes eus, se antes não forem compreendidos conscientemente nas quarenta e nove regiões do subconsciente. Podemos trabalhar com Prosérpina, a Rainha dos Infernos, para eliminar eus, sob a condição de, primeiramente, compreendermos o defeito que queremos extirpar (ver capítulo oito). Prosérpina só elimina os eus que personificam os nossos defeitos que foram compreendidos integralmente.
É impossível alguém atingir o Atma Vidya, sem antes se conhecer a si mesmo. Nosce te ipsum: “Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses”. Conhecer as atividades dos cinco cilindros da máquina, em todos os quarenta e nove corredores ou regiões subconscientes de Jaldabaoth, significa conhecer-se a si mesmo, tornar consciente o subconsciente, autodescobrir-se.
Quem quiser subir deve primeiro baixar. Quem quiser chegar ao Atma Vidya deve primeiro baixar aos seus próprios infernos atômicos. O erro de muitos estudantes do Ocultismo é querer primeiro subir, sem antes haver baixado.
Na convivência com as pessoas, os nossos defeitos se afloram espontaneamente, e, se estivermos alertas, descobriremos de qual centro procedem. Então, por meio da meditação, descobriremos cada eu em todas e em cada uma das quarenta e nove regiões subconscientes. Só quando o eu morrer totalmente, atingiremos o Atma Vidya, a iluminação absoluta.
SACRIFÍCIO
O sacrifício sáttvico é feito, segundo os mandamentos divinos, concentrando-se no culto, somente pelo culto, por homens que não desejam o resultado.
O sacrifício rajásico é feito por meio da tentação, quando se desejam os resultados ou frutos.
O sacrifício tamásico é feito sempre contra os mandamentos, sem fé, sem os mantras, quando não se tem caridade com ninguém, sem amor à humanidade, sem oferecer o óbolo sagrado aos sacerdotes ou gurus, etc.
O Terceiro Fator da Revolução da Consciência é o Sacrifício, mas aqui se trata do sacrifício sáttvico, sem desejar os frutos da ação, sem desejar recompensa. Trata-se do sacrifício desinteressado, puro e sincero da pessoa que dá sua vida para que outros vivam, mas sem pedir nada como recompensa.
O leitor deve voltar a estudar a lição de Virgem, no capítulo seis, para que compreenda bem o que são as três gunas da Prakriti, denominadas de: sattva, rajas, e tamas.
A lei do Logos Solar é o Sacrifício. O Logos se crucifica no Amanhecer da Vida, em todo novo mundo que surge do Caos para que todos os seres tenham vida, e a tenham em abundância. Todo aquele que chegou ao “segundo-nascimento” deve sacrificar-se pela humanidade, deve levantar a tocha bem alto para ensinar aos outros o caminho que conduz à Luz. Aquele que se sacrifica pela humanidade atinge a “iniciação venusta”. É urgente saber que a “iniciação venusta” é a encarnação do Cristo no homem. Quem encarna o Cristo em si mesmo tem que viver todo o drama cósmico.
A “iniciação venusta” tem sete graus, começa com o acontecimento de Belém e termina com a morte e a ressurreição do Senhor. Quem alcança a “iniciação venusta” converte-se em um Cristo também. Só por meio dos Três Fatores da Revolução da Consciência, é possível se chegar à “iniciação venusta”.
PRÁTICA
O signo de Aquário governa as panturrilhas. Os brasileiros chamam as panturrilhas de “barrigas das pernas” e não se equivocam, porque, certamente, as panturrilhas são ventres magnéticos maravilhosos.
As forças que sobem da Terra, depois de passarem pela peneira dos pés, chegam às panturrilhas, em seu caminho ascendente, onde se encontram com as forças que descem do alto, do céu, de Urano. As forças que sobem e as que baixam, quando se encontram, magnetizam de forma intensa as panturrilhas; por isso, as panturrilhas encontram-se carregadas de erotismo. Agora fica explicado o porquê de os “animais intelectuais” sentirem-se tão atraídos pelas panturrilhas bem formadas das mulheres.
Durante o signo de Aquário, os discípulos devem fazer passes magnéticos com suas duas mãos sobre as panturrilhas, de baixo para cima, com o propósito de magnetizá-las poderosamente. Devem manter o vivo anelo de carregar as panturrilhas com as forças extraordinárias da constelação de Aquário. Esses passes magnéticos devem ser combinados com a seguinte oração:
ORAÇÃO
Força passa, força passa, força passa, penetra em meu organismo, sobe para unir-te com tua irmã, a corrente que vem do alto, do céu, de Urano.
Urano e Saturno são os planetas que governam a constelação de Aquário. Urano é um planeta totalmente revolucionário. Por isso, os reacionários, conservadores, regressivos e retardatários não podem entendê-lo.
Entre os minerais de Aquário destaca-se, especialmente, o urânio e o chumbo.
As pedras de Aquário são a safira e a pérola negra, sendo que, embora esta última seja muito difícil de ser encontrada, isso não é impossível. Não aconselhamos às mulheres de Aquário que se casem com um homem taurino, porque desgraçarão todas as suas vidas(6).
Os nativos de Aquário têm grande disposição para as Ciências Naturais, Medicina, Química, Botânica, Astrologia, Biologia, Astronomia, etc.
A seus modos, os aquarianos são revolucionários, tanto em suas vidas, costumes, em seus lares, fora de suas casas, etc.
Os nativos de Aquário destacam-se como paladinos, alguns em grandes proporções, outros em pequenas proporções, mas todos têm uma marcada tendência para serem paladinos.
Aquário é o signo do Gênio, onde Saturno, o Ancião dos Céus, traz a profundidade que lhe caracteriza. Por outro lado, Urano, o planeta revolucionário, lança seus raios sobre a espécie humana.
Os aquarianos de tipo superior são altruístas, filantropos, bondosos, fiéis na amizade, sinceros e sabem selecionar suas amizades por instinto. Por intuição, eles conhecem as pessoas, querendo sempre a fraternidade e o humanitarismo.
O aquariano de tipo inferior é desconfiado por natureza, amante do retiro exagerado; dedica a sua inteligência, somente, às coisas do mundo físico, a seus problemas, seus assuntos e a tudo o que é sensível e material.
O aquarianos de tipo superior são precisos em suas coisas, concentrados, profundos, perseverantes e maravilhosos. As mulheres de Aquário são boas esposas, boas mães, porém gostam de estar fora de casa, e isso aborrece muito os maridos, sobretudo se eles forem do signo de Touro.
______________
(6) Nota do Editor. Em obras posteriores, o Mestre deixou de insistir sobre a questão da comida, particularmente o Vegetarianismo, do qual era adepto e que, posteriormente, o abandonou. Isso, por considerar que não se deve fazer da cozinha uma religião. De igual forma, também, não insistiu sobre a incompatibilidade dos signos astrológicos para formar matrimônio. Ele falou que não se deveria fanatizar sobre a questão, pois o casal poderia lograr a felicidade, amparando-se no imenso poder de Deus, independentemente dos signos aos quais pertenciam os cônjuges. Ao aperfeiçoar seus ensinamentos, retificando-os, o Venerável Mestre Samael demonstrou sua verdadeira mestria, pois sempre buscou servir cada vez melhor a humanidade.
CAPITULO XII
PEIXES
(De 18 de fevereiro a 20 de março)
Chegamos à Noite-Mãe da Cosmologia egípcia, ao Oceano profundo de Peixes, à iniciática escuridão sem limites do Espaço Abstrato Absoluto. É o primeiro elemento do Abismo, onde as ondinas guardam o ouro do Rhim ou o fogo do pensamento divino e genesíaco.
O signo de Peixes está sabiamente simbolizado por dois peixes; o peixe, o pescado, é o soma dos mistérios de ÍSIS. O peixe é o símbolo vivo do Cristianismo Gnóstico Primitivo. Os dois peixes desse signo, enlaçados por um cordão, têm um profundo significado gnóstico. Representam as duas Almas dos Elohim primordiais submersas nas águas profundas da Noite-Mãe.
Já explicamos em capítulos anteriores que o Íntimo, o Ser, Atman, tem duas Almas: uma feminina, outra masculina. Explicamos também que a Alma espiritual, Buddhi, é feminina. Dissemos e voltamos a repetir que a Alma humana, Manas Superior, é masculina.
O sagrado casal, o divino casal eterno, está sempre simbolizado por dois peixes enlaçados por um fio que representa o Ser, Atman. O sagrado casal, os dois peixes eternos,
trabalham nas águas do Abismo, quando chega a Aurora do Mahamanvantara. Os dois peixes inefáveis trabalham sob a direção de Atman, quando chega a Aurora da Criação.
Por outro lado, é bom recordar que Ísis e Osíris não poderiam trabalhar, jamais, na Grande Obra sem o famoso mercúrio da filosofia secreta. Nesse mercúrio sexual, encontra-se a chave de todo o poder.
Um círculo com uma linha vertical atravessada, no simbolismo hierático, é a união sacratíssima do eterno feminino com o eterno masculino; é a integração dos contrários na Mônada essencial, inefável e divinal.
Do interior da grande Mãe-Espaço, surge a Mônada, o Ser. Do interior do Grande Oceano, levantam-se os Elohim para trabalharem na Aurora do Mahamanvantara.
A água é o elemento feminino de toda a criação, de onde provém a mater latina, a letra “M”, terrivelmente divina. No Cristianismo Gnóstico, é Maria, a mesma Ísis, a Mãe do Cosmo, a eterna Mãe-Espaço, as Águas Profundas do Abismo. A palavra Maria se divide em duas sílabas: a primeira é MAR, que nos recorda o Oceano Profundo de Peixes. A segunda é IA, que é uma variante de IO (IIIOOOO), o nome augusto da Mãe-Espaço, o Círculo do Nada, de onde tudo emana e para onde tudo volta. É o Uno, o “Uno-Único” do manifestado Universo, depois da Noite do Grande Pralaya ou Aniquilamento.
Separadas as águas superiores das inferiores, fez-se a luz, quer dizer, surgiu a vida, o Verbo animador do Cosmo, o Filho. Essa vida tomou como elemento transmissor o Sol, o qual se encontra no centro de nosso Sistema Solar, tal como o coração dentro de nosso organismo. As fecundas vibrações do Sol se constituem no vivo fogo-elemental, que se condensa no centro de cada planeta, constituindo-se no coração de cada um deles.
Toda essa luz e essa vida estão representadas pelos Sete Espíritos ante o Trono dentro do “Templo-Coração” de cada um dos sete planetas do Sistema Solar.
O trabalho de separar as águas das águas corresponde ao sagrado casal. Cada um dos sete Espíritos diante do Trono emanou de si mesmo, o sagrado casal de peixes, para que eles trabalhassem na Aurora da Criação através do poder de Kriya-Shakty, o poder da palavra perdida, o poder da vontade e da Ioga.
O amor dos amores, a paixão mística do último fogo entre o eterno esposo e a divina esposa, é vital para separar as águas superiores das águas inferiores. Nesse trabalho, existe o maithuna transcendental: kriya-shakty, a palavra criadora. Ele chega com o fogo e ela transmuta as águas, separando as águas superiores das inferiores. Em seguida, os dois peixes projetam o fogo e a água superiores transmutados sobre as águas do Caos, sobre a matéria cósmica, sobre o material para os mundos, sobre os adormecidos germens da existência para fazer brotar a vida. Todo o trabalho se realiza com ajuda da palavra, da vontade e da Ioga.
No princípio, o Universo é sutil, depois se condensa materialmente, passando por sucessivos períodos de cristalizações progressivas. Existem milhões de universos no espaço infinito, dentro do seio da Mãe-Espaço. Alguns universos estão saindo do Pralaya, brotando das Águas Profundas de Peixes. Outros estão em plena atividade e outros mais, se dissolvendo nas águas eternas.
Ísis e Osíris nada poderiam fazer sem o mercúrio sexual. Os dois peixes eternos amam-se, adoram-se e vivem sempre criando e recriando. O peixe é o símbolo mais sagrado do Gnosticismo Cristão Primitivo. É uma pena que milhares de estudantes do Ocultismo esqueceram-se da Gnosis de Peixes.
Em nosso planeta Terra vivem sete humanidades com corpos físicos e, de todas elas, a nossa, que é a última, é, também, a única que está fracassada por ter perdido a Gnosis. As outras seis humanidades vivem em estado de jinas na quarta dimensão, seja dentro do interior da Terra, seja em muitas cidades e regiões jinas.
A Idade de Peixes não deveria ter sido um fracasso como, realmente, foi. A causa causorum do fracasso da Era de Peixes aconteceu, porque certos elementos tenebrosos traíram a Gnosis e pregaram certas doutrinas agnósticas ou antignósticas. Eles subestimaram o peixe, desprezaram a Religião-Sabedoria e submeteram a humanidade da época ao materialismo.
Recordemos a figura de Lúcio chegando à cidade de Hypatia, hospedando-se na casa de Milon, cuja esposa Pánfila era uma perversa feiticeira. Em seguida, Lúcio sai para comprar peixe (o ictus, símbolo do nascente Cristianismo Gnóstico, o peixe, o pescado, o soma dos mistérios de Ísis).
Os pescadores venderam-lhe, por miseráveis vinte denários, com desdém espantoso, o peixe que antes pretendiam vender por cem escudos.
É uma terrível sátira na qual está envolto o maior desprezo para com o nascente e já fugaz Cristianismo Gnóstico.
O resultado do Cristianismo Agnóstico ou antignóstico foi o surgimento da dialética materialista marxista. A reação contra o Agnosticismo foi o materialismo repugnante sem Deus e sem lei. Pode-se assegurar que a Idade de Peixes fracassou por causa do Agnosticismo. A traição à Gnosis foi o crime mais grave cometido durante a Idade de Peixes. Jesus, o Cristo, e seus doze pescadores iniciaram uma Idade que bem poderia ter sido de grandes esplendores. Jesus e seus doze apóstolos gnósticos indicaram o caminho preciso para a Idade de Peixes, o Gnosticismo, a Sabedoria do Peixe. É lamentável que todos os livros sagrados da divina Gnosis tenham sido queimados, esquecendo-se também do sagrado símbolo do peixe.
PRÁTICA
Durante o signo de Peixes, é preciso vocalizar durante uma hora diária. Recordemos que: No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus...
Nos antigos tempos, as sete vogais da natureza ressoavam em todo o organismo humano desde a cabeça até os pés. Agora é necessário restaurar as sete notas da harpa maravilhosa de nosso organismo para restaurar os poderes perdidos.
A vogal I faz vibrar as glândulas pineal e pituitária; estas duas pequeninas glândulas da cabeça estão unidas por um canal ou capilar sumamente sutil que não aparece nos cadáveres. A glândula pineal encontra-se na parte superior do cérebro, e a pituitária, no plexo cavernoso entre as duas sobrancelhas. Cada uma dessas pequenas glândulas tem sua aura vital. Quando as duas auras se misturam, desenvolve-se o sentido espacial, proporcionando a visão do ultra de todas as coisas.
A vogal E faz vibrar a glândula tireóide, que secreta o iodo biológico. Essa glândula se encontra na garganta onde está localizado o chacra do “ouvido mágico”.
A vogal O faz vibrar o chacra do coração, centro da intuição, e põe em atividade toda classe de poderes para se sair em astral, em estado jinas, etc.
A vogal U faz vibrar o plexo solar, situado na região do umbigo, que é o centro telepático ou cérebro emocional.
A vogal A faz vibrar os chacras pulmonares, que nos permitem recordar nossas vidas passadas.
A “vogal M”, tida no meio profano como consoante é vocalizada com os lábios fechados, sem abrir a boca. Assim, o som que sai pelo nariz corresponde à “vogal M” que faz vibrar o ens seminis, as águas da vida, o mercúrio da filosofia secreta.
A “vogal S” é um assobio doce e aprazível que faz vibrar o fogo em nosso interior.
Sentado numa cômoda poltrona você deve vocalizar: I. E. O. U. A. M. S., levando o som de cada uma das sete vogais desde a cabeça até os pés. É necessário inalar e depois exalar o ar juntamente com o som da vogal bem prolongado até esgotar a exalação. Essa prática deve ser feita diariamente para que possa desenvolver os eternos poderes mágicos.
O signo de Peixes é governado por Netuno, o planeta do Ocultismo prático, e por Júpiter Tonante, o Pai dos Deuses. O metal do signo é o estanho de Júpiter e as pedras são a ametista e os corais. O signo de Peixes governa os pés.
Os nativos de Peixes, comumente, possuem duas esposas e vários filhos. São de natureza dual, e têm disposição para duas profissões ou ofícios. Os nativos de Peixes são muito difíceis de serem compreendidos. Como os peixes, vivem em tudo, mas também estão separados de tudo pelo elemento líquido. Adaptam-se a tudo, mas, no fundo, desprezam todas as coisas do mundo. São extraordinariamente sensitivos, intuitivos, profundos, mas as pessoas não podem compreendê-los.
Os nativos de peixes têm grande disposição para o Ocultismo, porque este signo está governado por Netuno, o planeta do Esoterismo. As mulheres de Peixes são muito nervosas e sensitivas como uma delicadíssima flor, são intuitivas e impressionáveis. Os piscianos têm bons sentimentos sociais, são alegres, pacíficos e hospitaleiros por natureza. O perigo que o pisciano enfrenta é o de cair na preguiça, na negligência, na passividade e na indiferença pela vida. Os piscianos podem chegar até à falta de responsabilidade moral.
A mente dos piscianos oscila entre entendimento rápido ou fatal, a preguiça e o desprezo pelas coisas mais necessárias para a vida. São dois extremos e tanto caem em um extremo como no outro. A vontade dos piscianos, às vezes, é forte, mas vacilante em outras ocasiões. Quando o pisciano cai na indiferença e na passividade extrema, deixa-se levar pela corrente do rio da vida. Depois, quando percebe a gravidade de sua conduta, coloca em jogo a sua vontade de aço e, então, muda radicalmente todo o curso de sua existência.
Os piscianos de tipo superior são gnósticos cem por cento. Possuem uma vontade de aço inquebrantável e um elevadíssimo sentido de responsabilidade moral. No que diz respeito ao tipo superior de Peixes, verificamos grandes iluminados, mestres, avataras, reis, iniciados, etc. O tipo inferior de Peixes tem uma marcada tendência para a luxúria, alcoolismo, glutonaria, preguiça e orgulho. Os piscianos gostam de viajar, mas nem todos podem. Os piscianos têm uma grande imaginação e uma tremenda sensibilidade. Torna-se muito difícil poder compreender os piscianos, pois só um pisciano pode compreender outro pisciano.
Tudo o que para as pessoas comuns e correntes tem grande importância, para os piscianos não vale nada. No entanto, é diplomático, adapta-se às pessoas aparentando que está de acordo com elas.
O ponto mais grave para os nativos de peixes é quando têm que se definir na questão conjugal. Isso, porque, quase sempre, têm dois amores básicos e fundamentais que os colocam num beco sem saída. Já o tipo superior de Peixes transcende essas debilidades, porque ele é casto em forma absoluta. Comumente, os piscianos sofrem muito com a família em seus
primeiros anos. É difícil encontrar um pisciano que tenha sido feliz com a família durante os seus primeiros anos de vida. Quanto ao tipo muito inferior das mulheres de Peixes, observamos que caem na prostituição e no alcoolismo. As piscianas superiores, jamais, caem nisso, pois são como flores muito delicadas a exemplo das belas flores-de-lótus.
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