TRATADO ESOTÉRICO DE ASTROLOGIA HERMÉTICA parte 2



CAPÍTULO V
LEÃO
(De 23 de julho a 22 de agosto)
Annie Besant conta um caso a respeito do Mestre Nanak, que bem vale a pena transcrever:
Naquele dia de terça-feira, ao chegar o momento da oração, amo e criado encaminharam-se para a mesquita. Quando o kari (sacerdote muçulmano) começou as orações, o nabab e seu séqüito se ajoelharam, segundo prescreve o rito maometano. No entanto, Nanak permaneceu de pé, imóvel e silencioso. Terminada a oração, o nabab encarou o jovem e perguntou-lhe indignado:
- Por que não tens cumprido as cerimônias da lei? És um embusteiro, um farsante. Não devias ter vindo aqui para ficar como um poste.
Nanak, então, replicou:
- Prostraste o rosto no solo, enquanto a tua mente vagava pelas nuvens, porque estiveste pensando em trazer cavalos de Candar, e não em recitar a prece. Por outro lado, o sacerdote praticava automaticamente as cerimônias de prosternação, ao passo que colocava seu pensamento, imaginando como salvar a burrica que pariu dias atrás. Como eu poderia orar com as pessoas que se ajoelham por rotina e repetem as palavras como um papagaio?
O nabab confessou que, em realidade, estivera pensando, durante toda a cerimônia, projetando a compra dos cavalos. Por outro lado, no tocante ao kari, ele manifestou abertamente o seu desgosto e constrangeu o jovem fazendo-lhe muitas perguntas.
Realmente, é necessário aprender a orar cientificamente. Quem aprender a combinar, inteligentemente, a oração com a meditação obterá resultados objetivos e maravilhosos. No entanto, é urgente compreender que existem diferentes orações e que seus resultados são diferentes. Existem orações acompanhadas de petições, mas nem todas as orações vêm acompanhadas de súplicas. Existem orações antigas que são verdadeiras recapitulações de acontecimentos cósmicos e podemos experimentar todo seu conteúdo, se meditarmos em cada palavra, em cada frase, com verdadeira devoção consciente.
O Pai-Nosso é uma fórmula mágica de imenso poder sacerdotal, contudo é urgente compreendermos profunda e totalmente, o significado profundo de cada palavra, de cada frase e de cada súplica. O Pai-Nosso é uma oração petitória que pretendia falar com o Pai que está em segredo. O Pai-Nosso combinado com a meditação profunda produz resultados objetivos maravilhosos.
Os rituais gnósticos e as cerimônias religiosas são verdadeiros tratados de sabedoria oculta para quem sabe meditar e também para os que compreendem com o coração.
Quem quiser percorrer a senda do coração tranqüilo deve fixar o prana, a vida ou força sexual no cérebro, fixando a mente no coração.
É urgente aprender a pensar com o coração e depositar a mente no Templo-Coração. A cruz da iniciação se recebe sempre no templo maravilhoso do coração.
Nanak, o Mestre fundador da religião Sikh na terra sagrada dos vedas, ensinou o caminho do coração. Nanak ensinou a fraternidade entre todas as religiões, escolas, seitas, etc. Quando atacamos as religiões, ou, em particular, alguma religião, cometemos o delito de violar a lei do coração. No Templo-Coração, há lugar para todas as religiões, seitas, ordens, etc. Todas as religiões são pérolas preciosas engastadas no colar de ouro da Divindade.
Nosso Movimento Gnóstico está constituído por pessoas de todas as religiões, escolas, seitas, sociedades espirituais, etc. No Templo-Coração, há lugar para todas as religiões e para todos os cultos. Jesus disse:
Em que vos ameis uns aos outros, provareis que sois meus discípulos.
As Escrituras Sikhs, tais como as de todas as religiões, são realmente inefáveis. Entre os sikhs, Omkara é o Primário Ser Divinal que criou o Céu, a Terra, as águas e tudo o que existe. Omkara é o Espírito Primário Imanifestado e Imperecível, sem princípio nem fim de dias, cuja luz ilumina as quatorze moradas. Ele é o conhecedor instantâneo e o regulador interno de todo coração.
O espaço és tu, Potestade. O Sol e a Lua são tuas lâmpadas. O exército de estrelas, tuas pérolas, ó Pai! A odorífica brisa dos Himalaias é teu incenso. O vento te areja e o reino vegetal te oferece flores. Ó luz! Para ti, os hinos de louvor, ó destruidor do medo! O anatal shadbha (som virgem) ressoa como teus tambores. Não tens olhos, e aos milhares os tens; não tens pés, e aos milhares os tens; não tens nariz, e aos milhares os tens. Esta tua maravilhosa obra nos perturba a razão. Tua luz, ó Glória, está em todas as coisas. De todos os seres, irradia a luz de tua luz. Dos ensinamentos do Mestre, irradia esta luz. És um Arati.
O grande Mestre Nanak, de acordo com os Upanishads, compreende que Brahma (o Pai), é Uno, e que os deuses inefáveis são, tão somente, suas manifestações parciais, reflexos da absoluta beleza.
O “Guru-Deva” é aquele que já é Uno com o Pai (Brahma). Ditoso aquele que tem um “Guru-Deva” por guia e orientador. Bem-aventurado quem encontrou o Mestre de Perfeição. O caminho é apertado, estreito e espantosamente difícil. Necessita-se do “Guru-Deva”, o orientador, o guia. No Templo-Coração, encontraremos Hari, o Ser e o “Guru-Deva”. Agora transcreveremos algumas estrofes sikhs sobre a devoção ao “Guru-Deva”:
Ó Nanak! Reconheça-o como verdadeiro Guru, o bem-amado que te une ao todo... Oxalá que eu pudesse me sacrificar cem vezes ao dia por meu Guru que me converteu em um deus em pouco tempo. Ainda que luzissem cem luas e mil sóis, sem o Guru, reinariam profundas trevas. Bendito seja meu venerável Guru que conhece Hari (o Ser) e nos ensinou a tratar, de igual forma, tanto os amigos como os inimigos.
Ó Senhor! Favorece-nos com a companhia do Guru-Deva, para que, juntamente com ele, possamos nós, pecadores extraviados, fazer a travessia a nado. O Guru-Deva, o verdadeiro Guru, é Parabrahman o Senhor Supremo. Nanak se prosterna ante o Guru-Deva Hari.
No Hindustão, um sanyasin do pensamento é quem serve ao verdadeiro “Guru-Deva” e quem já o encontrou no coração e trabalha na dissolução do ego lunar.
Quem quiser acabar com o ego ou eu deve aniquilar a ira, a cobiça, a luxúria, a inveja, o orgulho, a preguiça e a gula. Só eliminando todos esses defeitos, em todos os níveis da mente, o eu morre de forma radical, total e definitiva.
A meditação no nome de Hari (o Ser) permite-nos experimentar o Real, o Verdadeiro.
É necessário que se aprenda a orar o Pai-Nosso e falar com Brahma (o Pai), que está em segredo. Apenas um Pai-Nosso, bem orado e sabiamente combinado com a meditação, constitui-se numa obra completa de alta magia. Um único Pai-Nosso bem orado é feito ao longo de uma hora ou mais. Depois da oração, é preciso saber aguardar a resposta do Pai e isso significa saber meditar, ter a mente quieta, em silêncio, vazia de todo pensamento, aguardando a resposta do Pai.
Quando a mente está quieta, por dentro e por fora, em absoluto silêncio, depois de se libertar do dualismo, então, advém o “novo”. É necessário esvaziar a mente de toda classe de pensamentos, desejos, paixões, apetências, temores, etc., para que surja em nós a experiência do Real. A irrupção do vazio e a experiência no vazio iluminador só são possíveis, quando a Essência, a Alma ou o Budhata se liberta da “garrafa intelectual”.
A Essência está engarrafada em meio ao tremendo batalhar dos opostos: frio e calor, gosto e desgosto, sim e não, bem e mal, agradável e desagradável.
Quando a mente está quieta e em silêncio, então, a Essência se liberta, proporcionando a experiência do Real no vazio iluminador.
Bom discípulo, ore e, depois, com a mente bem quieta e em silêncio, vazia de toda classe de pensamentos, aguarde a resposta do Pai: Pedi e dar-se-vos-á, batei e abrir-se-vos-á.
Orar é conversar com Deus, e certamente há que se aprender a conversar com o Pai, com Brahma.
O Templo-Coração é casa de oração. No Templo-Coração, as forças que vêm de cima se encontram com as forças que vêm de baixo, formando o selo de Salomão.
É necessário orar e meditar profundamente. É urgente saber relaxar o corpo físico para que a meditação seja correta.
PRÁTICA
Antes de começar as práticas de oração e meditação combinadas, deve relaxar bem o corpo. O discípulo gnóstico deve deitar-se em posição de decúbito dorsal, quer dizer, tendo as costas apoiadas no solo ou numa cama; as pernas e os braços abertos, à direita e à esquerda, em forma de estrela-de-cinco-pontas.
Essa posição de estrela pentagonal é formidável por sua profunda significação, mas as pessoas que, por alguma circunstância, não podem meditar desse modo, que meditem colocando o corpo na posição do homem-morto: calcanhares juntos, pontas dos pés abrindo-se em forma de leque, braços não dobrados, colocados ao longo do tronco. Os olhos devem estar fechados para que as impressões do mundo físico não provoquem distrações. O sono devidamente combinado com a meditação resulta indispensável para o bom êxito da meditação.
É necessário relaxar totalmente todos os músculos do corpo, e depois concentrar a atenção na ponta do nariz, até sentir plenamente o pulso do coração nessa parte do corpo. Depois seguirá com a concentração na orelha direita até sentir a pulsação do coração sobre ela. Em seguida continuará com a mão direita, pé direito, pé esquerdo, mão esquerda, orelha esquerda e, novamente, sentir plenamente a pulsação do coração, separadamente, em cada um desses órgãos onde foi fixada a atenção.
O controle sobre o corpo físico começa com o controle sobre a pulsação. A pulsação do coração tranqüilo é sentida, em sua totalidade, dentro do organismo, mas os gnósticos podem senti-la voluntariamente em qualquer parte do corpo, quer na ponta do nariz, em uma orelha, em um braço, em um pé, etc.
Está demonstrado pela prática que, em se adquirindo a possibilidade de regular, apressar ou diminuir a pulsação, pode-se acelerar ou diminuir os batimentos do coração. O controle sobre as palpitações do coração não pode, jamais, vir dos músculos do coração, pois depende totalmente do controle do pulso. Tudo isso se constitui, indubitavelmente, na segunda pulsação ou “grande-coração”. O controle da pulsação ou do “segundo-coração” é adquirido totalmente mediante o absoluto relaxamento de todos os músculos. Através da atenção, podemos acelerar ou diminuir as pulsações do “segundo coração” e as pulsações do “primeiro coração”.
Durante o samádi, a Essência ou Budhata escapa da personalidade e se fusiona com o Ser, advindo a experiência do Real no vazio iluminador. Só na ausência do eu, podemos conversar com o Pai, Brahma. Ore e medite para que você escute a voz do silêncio.
Leão é o Trono do Sol, o coração do Zodíaco. Leão governa o coração humano. O Sol do organismo é o coração, onde as forças de cima se misturam com as forças de baixo, para que estas se libertem.
O metal de Leão é o ouro puro. A sua pedra é o diamante e a cor é a amarela. Na prática, pudemos verificar que os leoninos são como o leão: valentes, iracundos, nobres, dignos e constantes. Porém há, também, entre os nativos de Leão, muitas pessoas altaneiras, orgulhosas, infiéis, tiranas, etc.
Os leoninos possuem aptidões para organização, e desenvolvem o sentimento e a bravura do leão. Os seres desenvolvidos deste signo tornaram-se grandes paladinos. O tipo medíocre é muito sentimental e iracundo, e superestima suas próprias capacidades.
No leonino, existe sempre a mística já elevada em estado incipiente, mas tudo depende do tipo de pessoa. Eles estão sempre predispostos a sofrerem acidentes nos braços e nas mãos.
CAPÍTULO VI
VIRGEM
(De 23 de agosto a 22 de setembro)
A Prakriti é a Mãe Divina, a substância primordial da natureza. No Universo, existem várias substâncias, distintos elementos e subelementos, porém tudo isso se constitui em diferentes modificações de uma Substância Única. A Matéria Primordial é o Akasha Puro, contido em todo o Espaço, a Grande-Mãe, a Prakriti.
Mahamanvantara e Pralaya são dois termos sânscritos muito importantes com os quais os estudantes gnósticos devem familiarizar-se. Mahamanvantara é o “Grande Dia Cósmico”. Pralaya é a “Grande Noite Cósmica”. Durante o “Grande Dia”, o Universo existe. Quando chega a “Grande Noite”, o Universo deixa de existir, dissolvendo-se no Seio da Prakriti.
O incomensurável espaço infinito está cheio de sistemas solares que têm seus Mahamanvantaras e seus Pralayas. Enquanto alguns estão em Mahamanvantara, outros estão em Pralaya.
Milhões e bilhões de universos nascem e morrem entre o seio da Prakriti. Todo Cosmo nasce da Prakriti e dissolve-se nela própria. Todo o mundo é uma bola de fogo que se incendeia e se apaga entre o seio da Prakriti. Tudo nasce da Prakriti e tudo retorna à Prakriti. Ela é a Grande Mãe.
O Bhagavad Gita diz: A Grande Prakriti é minha matriz, ali coloco o gérmen, e dela, oh Bharata, nascem todos os seres!.
Oh Kountreya, a Prakriti é a verdadeira matriz de qualquer coisa que nasce de distintas matrizes, e eu sou o germinador paterno.
Oh impecável! Deles, o sattva que é puro, luminoso e bom, ata o ser encarnado mediante o apego, a felicidade e o conhecimento.
Oh Kountreya, tu sabes que rajas é de natureza passional, sendo, portanto, a fonte do desejo e do apego; essa guna ata fortemente o ser encarnado à ação.
Oh Bharata! Sabes que tamas nasce da ignorância e alucina todos os seres; tamas ata o ser encarnado através da inobservância, da preguiça e do sonho (Consciência adormecida, sonho da Consciência).
Durante o Grande Pralaya, essas três gunas estão em perfeito equilíbrio na Grande Balança da Justiça. Quando ocorre o desequilíbrio das três gunas, inicia-se a aurora do Mahamanvantara, e o Universo nasce dentro do seio da Prakriti.
Durante o Grande Pralaya, a Prakriti é unitotal, íntegra. Durante a manifestação ou Mahamanvantara, a Prakriti diferencia-se em três aspectos cósmicos, a saber: o primeiro é o do espaço infinito; o segundo é o da natureza e o terceiro é o do homem.
A Mãe Divina no espaço infinito, a Mãe Divina na natureza e a Mãe Divina no homem. Estas são as três Mães, as Três-Marias do Cristianismo. Os estudantes gnósticos devem compreender muito bem os três aspectos da Prakriti, pois é fundamental no trabalho esotérico. Ademais, é urgente saber que a Prakriti tem sua particularidade em cada homem.
Os estudantes gnósticos não devem estranhar quando afirmamos que a Prakriti particular de cada homem tem até o seu nome individual. Isto significa dizer que, cada um de nós tem uma Mãe Divina. Compreender isto é fundamental para o trabalho esotérico
O “segundo-nascimento” é outra coisa. O Terceiro Logos, o fogo sagrado, deve primeiramente fecundar o ventre sagrado da Mãe Divina, advindo o “segundo-nascimento”. A Prakriti é sempre virgem antes, durante e depois do parto.
No oitavo capítulo deste livro, trataremos com profundidade a respeito do trabalho prático relacionado com o “segundo-nascimento”. Agora só abordaremos algumas idéias orientadoras.
Todo Mestre da Loja Branca tem sua Mãe Divina particular, sua Prakriti. Todo Mestre é filho de uma virgem imaculada. Se estudarmos as religiões comparadas, descobriremos, em qualquer parte, as imaculadas concepções. Jesus foi concebido por obra e graça do Espírito Santo, pois a Mãe de Jesus é sempre uma virgem imaculada.
As escrituras religiosas dizem que Buda, Júpiter, Zeus, Apolo, Quetzalcóatl, Fu-ji, Lao-Tsé, entre outros, foram filhos de virgens imaculadas, antes, durante e depois do parto. Na terra
sagrada dos Vedas, Devaki, a virgem do Hindustão, concebeu Krishna. Já em Belém, a Virgem Maria concebeu Jesus.
Na “China Amarela”, às margens do rio Fu-Ji, a virgem Hoa-Se pisa a planta do grande homem; ela é coberta com um maravilhoso resplendor e suas entranhas concebem, por obra e graça do Espírito Santo, o Cristo chinês Fu-Ji. É condição básica para o “segundo-nascimento” que primeiro intervenha o Terceiro Logos, o Espírito Santo, fecundando o ventre virginal da Mãe Divina.
No Hindustão, o fogo sexual do Terceiro Logos é conhecido com o nome de Kundalini, simbolizado por uma Cobra de Fogo ardente. A Mãe Divina é Ísis, Tonantzín, Kali ou Parvati, a esposa de Shiva, o Terceiro Logos, e seu símbolo mais poderoso é o da Vaca Sagrada. Ele deve subir pelo canal medular da Vaca Sagrada e deve fecundar o ventre da Mãe Divina. Somente dessa forma, surge a imaculada concepção e o “segundo-nascimento”.
A Kundalini, em si mesma, é um Fogo Solar que se encontra encerrado dentro de um centro magnético situado no osso do cóccix, na base da espinha dorsal. Quando o fogo sagrado desperta, sobe pelo canal medular ao longo da espinha dorsal, abrindo os sete centros da espinha dorsal e fecundando a Prakriti. O fogo da Kundalini tem sete graus de poder, e é necessário ascender pela escala septenária de fogo, para se lograr o “segundo-nascimento”. Quando a Prakriti é fecundada pelo Fogo Flamígero, dispõe de poderes formidáveis para nos ajudar.
“Nascer de novo” equivale a entrar no Reino. É muito raro encontrar um “duas-vezes-nascido”. Raro é aquele que nasce pela segunda vez. Quem quiser nascer de novo e lograr a liberação final deve eliminar de sua natureza as três gunas da Prakriti. Quem não elimina a guna sattva, perde-se no labirinto das teorias e abandona o trabalho esotérico. Quem não elimina a guna raja, fortifica o ego lunar mediante a ira, a cobiça e a luxúria.
Não devemos olvidar que rajas é a própria raiz do desejo animal e das paixões mais violentas. Rajas é a raiz de toda concupiscência que, em si mesma, origina todo desejo. Quem quiser eliminar o desejo, deve primeiro eliminar a guna rajas.
Quem não eliminar a guna tamas, terá sempre a Consciência adormecida, será preguiçoso, abandonará o trabalho esotérico por causa da indolência, da inércia, da preguiça, da falta de vontade, da fraqueza e da falta de entusiasmo espiritual; será vítima das tolas ilusões deste mundo e sucumbirá na ignorância.
Já foi dito que depois da morte, as pessoas de temperamento sáttvico, gozarão férias nos paraísos ou reinos moleculares e eletrônicos onde desfrutarão de felicidade infinita, antes de retomarem a uma nova matriz.
Os iniciados sabem muito bem, por experiência direta, que as pessoas de temperamento rajásico se reincorporam ou retornam a este mundo em forma imediata; outra opção é permanecerem no umbral, aguardando a oportunidade para ingressarem em uma nova matriz, mas sem terem direito à dita de umas férias nos distintos reinos da felicidade.
Todo iluminado sabe perfeitamente que depois da morte, as pessoas de temperamento tamásico, ingressam nos mundos infernais descritos por Dante em sua Divina Comédia, sob a crosta terrestre, dentro das entranhas do mundo subterrâneo. É urgente eliminarmos de nossa natureza interior as três gunas, se é que, verdadeiramente, queremos realizar o trabalho esotérico exitosamente.
O Bhagavad Gita relata: Quando o sábio vê que somente as gunas é que atuam e conhece aquele que está mais além das gunas, então, chega a meu Ser.
Muitos querem uma técnica para eliminar as três gunas. Afirmamos que somente dissolvendo o ego lunar é possível eliminar, com êxito, as três gunas.
Quando uma pessoa fica indiferente e permanece firme, sem vacilar, não é perturbada pelas gunas, pois verificou que só as gunas funcionam. Tal fato significa que essa pessoa já dissolveu o ego lunar.
Aquele que se mantém o mesmo, tanto diante do prazer quanto da dor, que mora em seu próprio Ser, que dá igual valor a um pedaço de argila, a uma pedrinha ou a uma pepita de ouro; aquele que se mantém equânime ante o agradável e o desagradável, ante a censura e ao elogio, na honra ou na desonra, ante o amigo ou o inimigo; aquele que renunciou a todo novo intento egoísta e terrenal já eliminou as três gunas e dissolveu o ego lunar.
Aquele que já não tem concupiscência, que extinguiu o fogo da luxúria em todos os quarenta e nove departamentos subconscientes da mente eliminou as três gunas e dissolveu o ego lunar.
Assim está escrito, e estas são as palavras do Bendito: A terra, a água, o fogo, o ar, o espaço, a mente, o intelecto e o ego são as oito categorias em que está dividida minha Prakriti.
Quando amanhece o Grande Dia Cósmico, todos os seres se manifestam provenientes da Imanifestada Prakriti. Na Grande Noite Cósmica, desaparecem na Imanifestada Prakriti.
Por trás da “Imanifestada Prakriti”, está o “Imanifestado Absoluto”. É necessário ingressar primeiro na “Imanifestada”, antes de submergir-se no seio do “Imanifestado Absoluto”.
A bendita Deusa Mãe do Mundo é isso que se chama Amor. Ela é Ísis, a quem nenhum mortal levantou o véu. Na chama da Serpente, nós a adoramos. Todas as grandes religiões renderam culto à Mãe Cósmica. Ela é Adonía, Insoberta, Rea, Cibeles, Tonantzín, etc.
O devoto da Virgem Mãe pode pedir, e as sagradas escrituras dizem: Pedi e dar-se-vos-á, batei e abrir-se-vos-á.
No grande ventre da Mãe Divina, são gestados os mundos. O signo de Virgem governa o ventre, está intimamente relacionado com os intestinos e, de forma muito especial, com o pâncreas e com as ilhotas de Langherans que segregam a insulina, tão importante para a digestão dos açúcares.
As forças que sobem da terra, ao chegarem ao ventre, carregam-se com os hormônios adrenais, que as preparam e as purificam para sua ascensão até o coração.
PRÁTICA
Durante o signo de Virgem (a Virgem Celestial), deitados de costas e com o corpo relaxado, devemos dar pequenos “saltinhos no ventre” com o propósito de ascender às forças que sobem da terra, para que se carreguem no ventre com os hormônios adrenais.
O estudante gnóstico deve compreender a importância dessa “caldeira” chamada estômago, acabando para sempre com vício da glutonaria. Os discípulos de Buda mantêm-se apenas com uma boa comida durante o dia.
Apenas peixe e frutas constituem-se no alimento principal dos habitantes do planeta Vênus. Nos grãos e nos diversos tipos de verduras, existem princípios vitais maravilhosos.
Sacrificar as vacas e os touros é um crime horrível, próprio das pessoas dessa Raça Lunar. No mundo, existem sempre duas Raças em eterno conflito: a Solar e a Lunar.
Abraão, Ia-sac, Ia-cob, Io-sep, foram sempre adoradores da Vaca Sagrada, IO, ou da deusa egípcia Ís-is. Por outro lado, o reformador Esdras, alterando os ensinamentos de Moisés, passou a exigir o sacrifício da vaca e da novilha, fazendo com que o sangue desses animais caísse sobre a cabeça de todos, especialmente de seus filhos.
A Vaca Sagrada é o símbolo da Mãe Divina, Ísis, a quem nenhum mortal levantou o véu. Os “duas-vezes-nascidos” formam a Raça Solar, o Povo Solar. As pessoas da Raça Solar jamais assassinariam uma Vaca Sagrada. Os “duas-vezes-nascidos” são filhos da Vaca Sagrada.
Em Êxodo, capítulo XXIX, verificamos completa magia negra. No citado capítulo, injustamente atribuído a Moisés, descreve-se minuciosamente a cerimônia ritual do sacrifício do gado. A Raça Lunar odeia mortalmente a Vaca Sagrada. A Raça Solar adora a Vaca Sagrada.
H. P. Blavatsky viu realmente uma “Vaca-de-Cinco-Patas”. A quinta pata saía de seu rabo e com ela se coçava, espantava as moscas, etc. Essa vaca era conduzida por um jovem da seita sadhu, nas terras do Hindustão.
A Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas é a guardiã das terras e dos templos de Jinas. A Prakriti, a Mãe Divina, desenvolve no homem solar o poder que o permite entrar nas terras de Jinas: em seus palácios, em seus templos e nos jardins dos deuses.
A única coisa que nos separa da terra dos encantos e maravilhas jinas é uma grande pedra que devemos saber mover.
A Cabala é a Ciência da Vaca. Ao lermos de forma inversa as três sílabas da palavra Cabala, obtemos la-ba-ca (a Va-ca). A pedra de Kaba, em Meca quando é lida inversamente, forma a palavra vaca ou a pedra da vaca. O grande santuário de Kaba é o santuário da Vaca. No homem, a Prakriti é fecundada pelo fogo sagrado e converte-se na Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas
A sura sessenta e oito do Alcorão é maravilhosa. Nela, fala-se dos membros da vaca como algo extraordinário, capazes até de ressuscitar os mortos, ou seja, os homens lunares (animais intelectuais), conduzindo-os à luz primitiva da religião solar. Nós, os gnósticos, adoramos a Vaca Sagrada e rendemos culto à Mãe Divina.
Com a ajuda da Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas, podemos entrar com o corpo físico em estado de Jinas, dentro dos templos dos deuses. O estudante pode triunfar quando medita profundamente na Vaca-de-Cinco-Patas, na Mãe Divina. Obtém êxito, também, quando roga a Ela que ponha seu corpo físico no estado Jinas. O importante é levantar-se logo da cama, como um sonâmbulo, sem perder o sono.
Colocar o corpo físico dentro da quarta dimensão é algo extraordinário, maravilhoso, que só é possível com a ajuda da “Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas”. Necessitamos desenvolver a Vaca Sagrada totalmente dentro de nós mesmos, para realizarmos maravilhas e prodígios concernentes à ciência Jinas.
A Mãe Divina está muito próxima do seu filho; está dentro do próprio Íntimo de cada um de nós, e, nesse caso, é a Ela a quem devemos pedir ajuda nos momentos difíceis da nossa existência.
Existem três classes de alimentos: sáttvicos, rajásicos e tamásicos. Os alimentos sáttvicos são formados por flores, grãos, frutas, constituindo-se nisso que se chama amor.
Os alimentos rajásicos são fortes, passionais, picantes em excesso, muito salgados, exageradamente doces, etc.
Os alimentos tamásicos são constituídos por sangue e carne vermelha, e não possuem amor; são comprados, vendidos ou oferecidos com vaidade, soberba e orgulho.
Devemos comer o necessário para vivermos, nem muito pouco, nem em excesso; devemos beber água pura e abençoar os alimentos.
Virgem é signo zodiacal da Virgem Mãe do Mundo, a Casa de Mercúrio. Os minerais desse signo são o jaspe e a esmeralda.
Na prática podemos observar que os nativos de Virgem são, desgraçadamente, excessivamente racionais além do normal e céticos por natureza. A razão, o intelecto, é muito necessária, porém quando sai de sua órbita, então, o resultado é prejudicial.
Os nascidos sob o signo Virgem servem para a Ciência, a Psiquiatria, a Medicina, o Naturalismo, o Laboratório, a Pedagogia, etc. Os virginianos não se entendem com os nativos de Peixes, e, por isso, aconselhamos que eles evitem contrair matrimônio com as pessoas do signo de Peixes (4).
O mais lamentável dos nativos de Virgem é essa inércia e ceticismo que lhes caracterizam. Sem embargo, resulta interessante saber que essa tensa inércia tende a passar do material para o espiritual, até onde é acessível por meio da experiência.
O talento crítico-analítico de Virgem é formidável, e, entre os grandes gênios deste signo, temos Göethe, que logrou transcender o material, a inércia, entrando na alta espiritualidade científica. No entanto, nem todos os nativos de Virgem são como Göethe. Comumente, numerosos entre os medíocres deste signo são materialistas ateus, inimigos de tudo o que “cheira” a espiritualidade.
O egoísmo das pessoas medíocres de Virgem é algo demasiado asqueroso e grotesco, porém os virginianos do tipo de Göethe são geniais, altamente altruístas e profundamente desinteressados. Os nativos de Virgem sofrem no amor e passam por grandes decepções, devido a Vênus, que é o astro do amor, estar em desterro.
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(4) Nota do Editor. Em obras posteriores, o Mestre deixou de insistir sobre a questão da comida, particularmente o vegetarianismo do qual era adepto e que, posteriormente, o abandonou. Isso por considerar que não se deve fazer da cozinha uma religião. De igual forma, também não insistiu sobre a incompatibilidade dos signos astrológicos para formar matrimônio. Ele falou que não se devia fanatizar sobre a questão, pois o casal podia lograr a felicidade, amparando-se no imenso poder de Deus, independentemente do signo ao qual pertençam os cônjuges. Ao aperfeiçoar seus ensinamentos, retificando-os, o Venerável Mestre Samael demonstrou sua verdadeira maestria, pois sempre buscou servir cada vez melhor à humanidade.
CAPÍTULO VII
LIBRA
(De 23 de setembro a 22 de outubro)
A mente decrépita dos ocidentais, ao criar o dogma intransigente da evolução, esqueceu-se totalmente dos processos destrutivos da natureza. É curioso que a mente degenerada não possa conceber o processo inverso, involutivo, em grande escala.
A mente no estado de decrepitude confunde uma caída com uma descida; nesse caso, o processo de destruição, de degeneração, de dissolução em grande escala, etc., é qualificado como processo de mudança, progresso e evolução.
Tudo evoluciona e involuciona, sobe e baixa, cresce e decresce, vai e vem, flui e reflui. Em tudo, existe uma sístole e uma diástole, de acordo com a Lei do Pêndulo. A Evolução e sua irmã gêmea, a Involução, são duas leis que se desenvolvem e se processam de forma
coordenada e harmoniosa em toda a criação. A Evolução e a Involução constituem-se no eixo mecânico da natureza. São duas leis mecânicas da natureza que nada têm que ver com a auto-realização íntima do homem
A auto-realização íntima do homem jamais pode ser o resultado de nenhuma lei mecânica; ao contrário, é o resultado de um trabalho consciente, feito sobre si mesmo e dentro de si mesmo, à base de tremendos superesforços, compreensão profunda, de sofrimentos intencionais e voluntários.
Tudo retorna ao ponto de partida original, e o ego lunar retorna, depois da morte, a uma nova matriz. Está escrito que a todo ser humano são consignadas cento e oito vidas para que se auto-realize. No caso de muitas pessoas, o período está se acabando. Quem não se auto-realizar dentro do tempo assinalado deixa de renascer, para ingressar nos mundos infernais.
Em apoio à Lei da Involução ou Retrocesso, o Bhagavad Gita diz o seguinte: A eles, os malvados, cruéis e degradados, arrojo-os perpetuamente nos ventres azúricos (demoníacos), para que nasçam nesses mundos (mundos infernais). Oh, Kountreya! Essa gente alucinada vai às matrizes demoníacas durante muitas vidas e segue caindo em corpos cada vez mais inferiores (involução). Tríplice é a porta deste Inferno destruidor, que é constituída de luxúria, ira e cobiça; por causa disso, há que abandoná-la”.
A ante-sala dos mundos infernais representa o descenso involutivo em corpos cada vez mais inferiores, de acordo com a Lei da Involução.
Quem desce pela espiral da vida cai em matrizes demoníacas durante várias existências, antes de ingressar nos mundos infernais da natureza (situados, segundo Dante, dentro do interior do organismo terrestre). No capítulo segundo, já falamos sobre a Vaca Sagrada e sua profunda significação. É muito curioso que todo brahmán, na Índia, ao rezar com o seu rosário, manipule as suas cento e oito contas.
Certos hindustânicos não dão por cumpridos seus deveres sagrados, enquanto não dão cento e oito voltas em torno da Vaca, com o rosário nas mãos; depois, enchem um copo com água, colocam o rabo da vaca por um momento e bebem o líquido como o mais sagrado e delicioso licor divino. É urgente recordar que o colar de Buda tem cento e oito contas. Tudo isso nos convida a reflexionar sobre as cento e oito vidas que são consignadas ao ser humano. É claro que quem não aproveita essas cento e oito vidas ingressa na involução dos mundos infernais.
A involução infernal é uma queda para trás, até o passado, passando por todos os estados animais, vegetais e minerais, através de sofrimentos espantosos. A última etapa da involução infernal é o estado fóssil, e depois ocorre a desintegração dos perdidos. A única coisa que se salva de toda essa tragédia, a única parte que não se desintegra é a Essência, o Budhata, essa fração de Alma humana que o pobre “animal intelectual” carrega dentro de seus corpos lunares.
A involução nos mundos infernais objetiva, precisamente, liberar o Budhata, a Alma humana, para que, a partir do caos original, reinicie sua ascensão evolutiva pelas escalas mineral, vegetal e animal, até alcançar o nível de “animal intelectual”, equivocadamente chamado homem. É lamentável que muitas Almas reincidam, voltem uma e outra vez aos mundos infernais.
O tempo nos mundos infernais, dentro do reino mineral submerso, é espantosamente lento e aborrecedor. Após cem anos espantosamente longos nesses infernos atômicos da natureza, se paga certa quantidade de carma.
Quem se desintegra totalmente nos mundos infernais fica em paz e livre da Lei do Carma. Depois da morte do corpo físico, todo ser humano, depois de revisar a vida que acaba de passar, é julgado pelos Senhores do Carma. Os perdidos ingressam nos mundos infernais, depois de colocarem as suas obras boas e más na Balança da Justiça Cósmica.
A Lei da Balança, a terrível Lei do Carma, governa toda a criação. Toda causa se converte em efeito e todo efeito se transforma em causa. Modificando-se a causa, modifica-se o efeito. Faz boas obras para que pagues tuas dívidas. Ao leão da Lei se combate com a Balança. Se o prato das más obras pesa mais, aconselho-te a aumentar o peso no prato das boas obras, e, dessa forma, inclinarás a balança a teu favor. Quem tem capital para pagar, paga e sai bem nos negócios; quem não tem capital deve pagar com dor. Quando uma lei inferior é transcendida por uma lei superior, a lei superior lava a lei inferior.
Milhões de pessoas falam sobre as Leis de Reencarnação e do Carma, sem haver experimentado diretamente a sua profunda significação. Realmente, o ego lunar retorna, reincorpora-se, penetra em uma nova matriz, porém isso não pode ser chamado de reencarnação. Falando precisamente, diremos que isso se constitui no processo do Retorno. Reencarnação é outra coisa, é só para Mestres, para indivíduos sagrados, para os “duas-vezes-nascidos”, para aqueles que já possuem o Ser.
O ego lunar retorna e, de acordo com a Lei da Recorrência, repete em cada vida as mesmas ações e os mesmos dramas das vidas pretéritas. A linha espiral é a linha da vida, e cada vida se repete, quer em espiras mais elevadas ou evolutivas, quer em espiras mais baixas ou involutivas. Cada vida é uma repetição da existência passada, acrescida de suas conseqüências boas ou más, agradáveis ou desagradáveis.
Muitas pessoas, de forma resoluta e definitiva, descendem de vida em vida pela linha espiral involutiva até, finalmente, entrarem nos mundos infernais.
Quem quiser se auto-realizar profundamente deve libertar-se do círculo vicioso das leis evolutivas e involutivas da natureza. Realmente, quem quiser sair do estado de “animal intelectual” para converter-se em homem de verdade, deve libertar-se das leis mecânicas da natureza.
Todo aquele que quiser se converter em um “duas-vezes-nascido” e se auto-realizar intimamente deve meter-se no caminho da Revolução da Consciência. Esta é a senda do fio da navalha, cheia de perigos por dentro e por fora.
O Dhammapada afirma: Dentre os homens, poucos são os que alcançam a outra margem. Os demais andam nesta margem, correndo de um lado para outro.
Jesus, o Cristo, disse: De mil que me buscam, um me encontra; de mil que me encontram, um me segue; de mil que me seguem, só um é meu.
O Bhagavad Gita relata: Entre milhares de homens, talvez um tente chegar à perfeição; entre os que tentem, possivelmente, um a consiga; e entre os perfeitos, quiçá um me conheça perfeitamente.
O Divino Rabi de Galiléia nunca disse que a Lei da Evolução levaria todos os seres humanos à perfeição. Jesus, nos quatro evangelhos, põe ênfase na dificuldade para se entrar no reino.
Esforçai-vos para entrar pela porta estreita, porque vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.
Depois que o pai de família tiver levantado e fechado a porta, logo após, estando fora, começareis a chamar à porta dizendo: “Senhor, Senhor, abre-nos a porta”. O Senhor responderá dizendo: “Não sei de onde sois”.
Então, direis: “Diante de ti temos comido e bebido, e em nossas praças ensinastes”.
Porém Ele dirá: “Digo que não sei de onde sois, apartai-vos todos de mim, fazedores de maldades”.
Então, ali será lugar de pranto e de ranger de dentes, quando virdes a Abraão, Isaac, Jacó e todos os profetas no reino de Deus, enquanto vós sereis excluídos.
A Lei da Seleção Natural existe em toda a criação. Nem todos os estudantes que ingressam em uma faculdade tornam-se profissionais.
O Cristo Jesus nunca disse que a Lei da Evolução conduziria todos os seres humanos à meta final. Alguns pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas dizem que por muitos caminhos se chega a Deus. Este é um sofisma com o qual querem sempre justificar seus próprios erros. O Grande Hierofante Jesus, o Cristo, só assinalou uma única porta e um só caminho: Apertada é a porta e estreito é o caminho que conduz à Luz, e pouquíssimos o encontram.
A porta e o caminho estão selados por uma grande pedra. Ditosos são aqueles que podem mover essa pedra, porém isso não é coisa desta lição, porque pertence à lição do período de Escorpião. Agora estamos estudando o signo zodiacal da Balança ou Libra.
Necessitamos nos tornar conscientes de nosso próprio carma e isso só é possível mediante o estado de alerta-novidade. Todo efeito da vida ou acontecimento tem sua causa em uma vida anterior, porém necessitamos nos conscientizar disso. Todo momento de alegria ou de dor deve ser continuado e analisado em meditação, com a mente quieta, em profundo silêncio. O resultado vem a ser a experimentação do referido evento em uma vida anterior. Então, tomaremos consciência da causa do evento, seja ele agradável ou desagradável.
Quem desperta a Consciência pode viajar em seus corpos internos fora do corpo físico com plena vontade consciente, e também pode estudar seu próprio livro do destino.
No templo de Anúbis e de seus quarenta e dois Juízes, o iniciado pode estudar seu próprio livro. Anúbis é o supremo regente do carma. O templo de Anúbis encontra-se no mundo molecular, chamado por muitas pessoas de mundo astral. Os iniciados podem negociar diretamente com Anúbis. Podemos cancelar todas as nossas dívidas cármicas com boas obras, mas teremos que negociá-las com Anúbis. A lei do carma ou da balança cósmica, não é uma lei cega. Também podemos solicitar crédito aos Senhores do Carma, mas todo crédito tem que ser pago com boas obras. Quando não se paga, então, a lei cobra o pagamento com dor.
Libra, o signo zodiacal da Balança, governa os rins. É o signo das forças equilibrantes, e, nos rins, as forças de nosso organismo devem equilibrar-se de forma total.
PRÁTICA
Coloque os pés firmes na posição militar de sentido e, depois, com os braços estendidos em forma de cruz, movimente-os em forma de balança inclinando-os sete vezes para a direita e outras sete para a esquerda, com a intenção de que todas suas forças se equilibrem nos rins. O movimento da metade superior da espinha dorsal deve ser como o de uma balança.
As forças que sobem da terra passam por nossos pés como uma peneira, e, ao longo de todo o organismo. Essas forças devem equilibrar-se na cintura, e isso se realiza exitosamente,
mediante o movimento de balanceio de Libra. O signo de Libra está governado por Vênus e Saturno. O metal é o cobre e a pedra é o crisólito. Na prática, podemos verificar que os nativos de Libra, em sua maioria, vivem certo desequilíbrio nos relacionamentos, na vida conjugal e no amor. Os nativos de Libra criam muitos problemas por sua maneira de ser franca e justa.
Os librianos bem característicos gostam das coisas retas e justas. As pessoas não entendem bem os librianos, que parecem, às vezes, cruéis e desapiedados. Eles não sabem e nem querem saber de diplomacias, porque a hipocrisia os aborrecem. As doces palavras dos perversos, ao invés de suavizá-los, facilmente os deixam zangados. Os librianos têm o defeito de não saberem perdoar o próximo. Em tudo, querem ver lei e nada mais que lei, esquecendo-se muitas vezes da misericórdia.
Os nativos de Libra gostam muito de viajar e são fiéis cumpridores de seus deveres. Os librianos são o que são e nada mais que isso, francos e justiceiros. As pessoas costumam se aborrecer com os librianos, interpretando-os equivocadamente; por essa forma de ser, e como é natural, falam mal deles, que se enchem de inimigos gratuitos.
Com os librianos não se pode ir com jogo duplo, porque isso não é tolerado e nem perdoado por eles. Com eles se deve ser sempre amável e carinhoso, ou sempre severo, jamais com esse jogo duplo de doçura e dureza, porque isso não é tolerado e nem perdoado pelos librianos.
O tipo superior de Libra possui sempre a castidade total. O tipo inferior de Libra é muito fornicário e adúltero. O tipo superior de Libra tem certa espiritualidade que os espiritualistas não entendem, razão pela qual, julgam-nos equivocadamente. O tipo inferior e negativo de Libra é uma pessoa deslumbrante, loquaz e versátil; gosta de colocar-se sempre em primeiro plano e de chamar a atenção de todos.
O tipo superior de Libra quer viver sempre no anonimato e ser desconhecido. Jamais sente atração alguma pela fama, pelos “louros” ou pelo prestígio. O tipo superior de Libra revela a prudência e o sentido de previsão e poupança. O tipo inferior de Libra é muito superficial e cobiçoso. No tipo médio de Libra, misturam-se muitas qualidades e defeitos, aspectos superiores e inferior deste signo.
Aos librianos, convém casar com os piscianos (5). Os nativos de Libra gostam de fazer obras de caridade sem esperar recompensa, alardear ou divulgar o serviço prestado. O tipo superior de Libra ama e se diverte com a música seleta, desfrutando-a em um elevado grau. Os librianos também se sentem atraídos pelo bom teatro, pela boa literatura, etc.
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(5) Nota do Editor. Em obras posteriores, o Mestre deixou de insistir sobre a questão da comida, particularmente o vegetarianismo do qual era adepto e que, posteriormente, o abandonou. Isso por considerar que não se deve fazer da cozinha uma religião. De igual forma, também não insistiu sobre a incompatibilidade dos signos astrológicos para formar matrimônio. Ele falou que não se devia fanatizar sobre a questão, pois o casal podia lograr a felicidade, amparando-se no imenso poder de Deus, independentemente do signo ao qual pertençam os cônjuges. Ao aperfeiçoar seus ensinamentos, retificando-os, o Venerável Mestre Samael demonstrou sua verdadeira mestria, pois sempre buscou servir cada vez melhor à humanidade.
CAPÍTULO VIII
ESCORPIÃO
(De 23 de outubro a 22 de novembro)
O Grande Hierofante Jesus, o Cristo, disse a Nicodemus: De certo, de certo te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus.
É necessário “nascer da Água e do Espírito” para poder entrar no reino do Esoterismo, no Magis Regnum. É urgente “nascer de novo” para ter pleno direito de entrar no Reino. É urgente que nos convertamos em seres “duas-vezes-nascidos”. Essa questão do “segundo-nascimento” não foi entendida por Nicodemus, nem por todas as seitas bíblicas. É preciso que as pessoas façam um estudo comparativo entre as religiões, tendo a chave do arcano A. Z. F., se é que, de verdade, querem compreender as palavras ditas por Jesus a Nicodemus.
As diferentes seitas bíblicas estão plenamente convencidas de que compreendem realmente o que significa “nascer de novo”, interpretando isso das mais variadas formas. Porém, embora possuam muita erudição bíblica, embora relacionem um versículo com outro, tratando
de explicar um versículo relacionado a outro ou outros, na realidade, não entendem a questão, porque não possuem a chave secreta, o arcano A. Z. F.
Nicodemus era um sábio que conhecia profundamente as Sagradas Escrituras e, sem embargo, não entendeu e chegou a ponto de responder: Como pode um homem nascer sendo velho? Pode, por acaso, entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?.
Jesus, o Grande Kabir, respondeu a Nicodemus dando uma resposta eminentemente maia:
De certo, de certo te digo, aquele que não nascer da Água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
É claro que quem não possui mais informações além da letra morta, quem não entende o duplo significado dos versículos bíblicos e desconhece o arcano A. Z. F. interpreta essas palavras do Grande Kabir a seu modo, com a única informação que possui, com o que entende, crendo que, com o batismo de sua seita ou algo similar, já resolveu o problema do “segundo-nascimento”.
Para os Maias, o Espírito é o Fogo-Vivo, razão pela qual eles diziam o seguinte: Há que unir o de cima com o de baixo por meio da água e do fogo.
Os brâmanes hindustânicos simbolizam o “segundo-nascimento” de forma sexual. Na liturgia se confecciona uma vaca de ouro muito grande e o candidato ao “segundo-nascimento” tem que passar três vezes, arrastando-se por meio do corpo oco da vaca, e saindo pela vulva. Com isso ele é consagrado como verdadeiro brahmán dwipa ou “duas-vezes-nascido”: um nascimento de sua mãe e outro da Vaca. Assim, de forma simbólica, os brâmanes explicam o “segundo-nascimento” ensinado por Jesus a Nicodemus.
Como já dissemos em precedentes capítulos, a Vaca representa a Mãe Divina, mas o interessante é o que os brâmanes dizem, de si mesmos, que são “duas-vezes-nascidos” e que o “segundo-nascimento” é sexual. Eles nascem da Vaca saindo do seu ventre pela vulva.
Este assunto é muito espinhoso, e a Raça Lunar o odeia mortalmente preferindo matar a Vaca e insultando a tudo que se fale dos mistérios do sexo e do arcano A. Z. F.
Os brâmanes não são seres “duas-vezes-nascidos”, mas, simbolicamente, sim, o são. O Mestre-maçon tampouco é um Mestre de verdade, porém simbolicamente, sim, o é. O interessante é chegar ao “segundo-nascimento” que é uma questão cem por cento sexual.
Quem verdadeiramente quer entrar nessa Terra da quarta dimensão, nesses vales, montanhas, templos-jinas e nesse reino dos “duas-vezes-nascidos” tem que trabalhar com a pedra bruta: cinzelá-la, dar-lhe forma, como dizemos em linguagem maçônica.
Necessitamos respeitosamente levantar essa pedra maravilhosa que nos separa da terra-das-mil-e-uma-noites, da terra-das-maravilhas onde vivem felizes os “duas-vezes-nascidos”. É impossível mover a pedra, levantá-la, se antes não lhe dermos a forma cúbica à base do cinzel e do martelo.
Pedro, o discípulo de Jesus, o Cristo, é Aladim, o intérprete maravilhoso, autorizado para alçar a pedra que fecha o santuário dos grandes mistérios. O nome original de Pedro é Patar com suas três consoantes que são radicais: P. T. R. O P nos recorda o Pai que está em segredo, o Pai dos Deuses, nossos Pais ou Pitaras. T, o Tau, o hermafrodita divino, representa o homem e a mulher unidos sexualmente durante o ato. O R é uma letra vital no mantra INRI, representa o fogo sagrado terrivelmente divino, o Ra egípcio. Pedro, Patar, o iluminador, é o
Mestre da Magia Sexual, o Mestre bondoso que nos aguarda sempre à entrada do terrível caminho.
A Vaca, relacionada com o aspecto religioso e com o famoso minotauro cretense, é a primeira coisa que encontramos no subterrâneo místico que conduz à terra dos “duas-vezes-nascidos”. A pedra filosofal dos velhos alquimistas medievais é o sexo, e o “segundo-nascimento” é sexual.
O capítulo VIII das Leis de Manu relata: Um reino povoado, sobretudo por sudras, cheio de homens ímpios e sem seres duas-vezes-nascidos habitando-o, perecerá por completo e rapidamente, atacado pela fome e pela enfermidade.
Sem a Doutrina de Pedro, resulta impossível o “segundo-nascimento”. Nós, os gnósticos, estudamos a Doutrina de Pedro. Os infra-sexuais, os degenerados, odeiam mortalmente a Doutrina de Pedro.
Muitos são os equivocados sinceros que crêem que podem se auto-realizar excluindo a questão sexual. Muitos são os que insultam e falam mal do sexo; muitos cospem toda a baba difamatória no santuário sagrado do Terceiro Logos. Esses que odeiam e dizem que o sexo é grosseiro, imundo, animal, bestial são os insultadores e blasfemadores contra o Espírito Santo. Quem se pronuncia contra a magia sexual e cospe sua infâmia no santuário do Terceiro Logos jamais pode chegar ao “segundo-nascimento”.
Em Sânscrito, o nome da magia sexual é maithuna. A Doutrina de Pedro é o maithuna, e Jesus disse: Tu és Pedro (pedra) e sobre essa pedra edificarei minha igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. A chave do maithuna é o lingam negro embutido no yoni, atributos do deus Shiva, o Terceiro Logos, o Espírito Santo.
No maithuna, o falo deve penetrar na vagina, porém sem jamais ejacular ou derramar o sêmen. O casal deve retirar-se do ato sexual sem chegar ao espasmo, para evitar o derrame do licor seminal. O desejo refreado transmutará o licor seminal em energia criadora e a energia sexual subirá até o cérebro. É dessa forma como o cérebro se “seminiza” e, por sua vez, o sêmen se “cerebriza”.
O maithuna é a prática que nos permite despertar e desenvolver a Kundalini, a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes. Quando a Kundalini desperta, sobe pelo canal medular ao longo da espinha dorsal. A Kundalini abre as sete igrejas do Apocalipse de São João. As sete igrejas estão situadas na espinha dorsal.
A primeira igreja, Éfeso, corresponde-se com os órgãos sexuais. No seu interior, a Serpente Sagrada dorme enroscada três vezes e meia.
A segunda igreja, Esmirna, situada à altura da próstata, propicia o poder sobre as águas.
A terceira igreja, Pérgamo, situada à altura do umbigo, proporciona o poder sobre o fogo.
A quarta igreja, Tiatira, situada à altura do coração, faculta o poder sobre o ar e muitos poderes, tais como o desdobramento voluntário, o estado de jinas, etc.
A quinta igreja, Sardes, situada à altura da laringe criadora, faculta o poder do “ouvido mágico”, permite-nos escutar as vozes dos mundos superiores e a música das esferas.
A sexta igreja, Filadélfia, localizada entre as sobrancelhas, propicia o poder de ver os mundos internos e suas criaturas.
A sétima igreja é Laodicéia. Esta maravilhosa igreja é o loto das mil pétalas, situado na glândula pineal, na parte superior do cérebro. Ela nos confere os poderes da polividência, através dos quais podemos estudar todos os mistérios do Grande Dia e da Grande Noite.
O Fogo Sagrado da Kundalini abre as sete igrejas, em ordem sucessiva, conforme vai ascendendo lentamente pelo canal medular. A Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes sobe muito lentamente, de acordo com os méritos do coração.
As correntes solares e lunares da energia sexual, quando fazem contato no tribeni, perto do cóccix, na base da espinha dorsal, têm o poder de despertar a Serpente Sagrada, fazendo-a subir pelo canal medular. O Fogo Sagrado ascendendo pela espinha dorsal tem a forma de uma serpente. O Fogo Sagrado tem sete graus de poder. É urgente trabalhar com os sete graus de poder do fogo.
O sexo em si mesmo é a Nona Esfera. A descida à Nona Esfera foi, nos antigos mistérios, a prova máxima para a suprema dignidade do hierofante. Buda, Jesus, o Grande Kabir, Hermes, Zoroastro, Maomé, Dante, etc. tiveram que passar por essa prova máxima.
Muitos estudantes pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas, ao lerem a literatura ocultista ou pseudo-ocultista, anelam imediatamente entrar no país das maravilhas jinas, na felicidade do êxtase contínuo, etc. Esses estudantes não querem entender que, para poder subir, têm primeiramente que baixar. É necessário, primeiramente, baixar à Nona Esfera, pois, só assim, poderemos subir.
O Magistério do Fogo é muito longo e terrível. Quando o estudante comete o erro de derramar o Vaso de Hermes, perde seu trabalho precedente, e descende a Serpente Ígnea de nossos mágicos poderes.
Todas as escolas esotéricas mencionam cinco iniciações de Mistérios Maiores. Essas iniciações se encontram intimamente relacionadas com o Magistério do Fogo. O Fogo Sagrado tem o poder de fecundar a Prakriti sagrada do iniciado. Já dissemos antes e voltamos a repetir que a Prakriti é a simbólica “Vaca-Sagrada-das-Cinco-Patas”. Quando a Prakriti é fecundada dentro do iniciado, então, são gerados dentro de seu ventre, por obra e graça do Terceiro Logos, os corpos solares.
A Raça Solar, os “duas-vezes-nascidos”, tem corpos solares. As pessoas comuns e correntes, a humanidade em geral, pertence à Raça Lunar e só possui corpos internos de tipo lunar.
Todas as escolas pseudo-esotéricas e pseudo-ocultistas mencionam o septenário teosófico, os corpos internos, mas, na realidade, ignoram que esses veículos são corpos lunares e protoplasmáticos. Dentro desses corpos lunares, protoplasmáticos dos “animais intelectuais”, encontram-se inseridas as Leis da Evolução e da Involução.
Certamente, os corpos lunares e protoplasmáticos são propriedades comuns de todas as bestas da natureza. Os corpos lunares e protoplasmáticos derivam de um remoto passado mineral, e retornam ao passado mineral, porque tudo retorna ao seu ponto de partida original. As chispas virginais, as ondas monádicas, fizeram surgir, no passado mineral, os corpos protoplasmáticos, que vestiram os “elementais-minerais”, gnomos ou pigmeus.
A entrada dos “elementais-minerais” na evolução vegetal produziu alteração nos veículos protoplasmáticos. O ingresso dos “elementais-vegetais” na evolução animal dos seres
irracionais ocasionou, como é natural, novas mudanças nesses corpos protoplasmáticos lunares. Os protoplasmas sempre estão submetidos a muitas mudanças. A entrada dos “elementais-animais” em matrizes da espécie denominada de “animal intelectual” deu a esses corpos lunares o aspecto que têm agora.
A natureza necessita do “animal intelectual” equivocadamente chamado homem, assim como se encontra, no estado em que agora vive. Toda a evolução dos protoplasmas tem por objetivo criar essas máquinas intelectuais. As máquinas intelectuais têm o poder de captar as energias cósmicas do espaço infinito, transformá-las, inconscientemente, e, depois, transmiti-las, automaticamente, às capas interiores da Terra. Toda a humanidade, em seu conjunto, é um órgão da natureza, indispensável para o organismo planetário.
Quando qualquer célula de certo órgão vital, isto é, quando qualquer pessoa é excessivamente perversa ou esgota todo o seu tempo de cento oito vidas sem ter dado fruto, deixa de nascer para precipitar sua involução nos mundos infernais. Se alguém quer escapar dessa trágica lei da involução protoplasmática, deve criar, por si mesmo, e mediante tremendos superesforços, os corpos solares.
Em todos os elementos da natureza, em toda substância química, em todo fruto, existe seu correspondente tipo de hidrogênio, sendo o Si-12, o hidrogênio sexual. O fogo ou fohat fecunda o ventre da “Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas”, porém só com o hidrogênio sexual Si-12 é que se formam e se cristalizam os corpos solares. Se alguém quer escapar dessa trágica lei da involução protoplasmática, deve criar os corpos solares por si mesmo, mediante tremendos superesforços.
Dentro das sete notas da escala musical realizam-se todos os processos biológicos e fisiológicos, cujo último resultado é esse elixir maravilhoso, chamado sêmen. O processo se inicia com a nota dó, desde o momento em que o alimento entra na boca, continua com as notas ré-mi-fá-sol-lá, e, quando ressoa a nota musical si, o elixir extraordinário chamado sêmen já se encontra preparado.
O hidrogênio sexual encontra-se depositado no sêmen, e podemos passá-lo a uma segunda oitava superior através da escala: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si, mediante um choque especial que se constitui no refreamento sexual do maithuna.
A segunda oitava musical cristaliza o hidrogênio sexual Si-12 na forma extraordinária e maravilhosa do corpo solar astral.
Em um segundo choque através do maithuna, o hidrogênio sexual Si-12 passa para uma terceira oitava superior através da escala: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.
A terceira oitava musical originará a cristalização do hidrogênio sexual Si-12 na forma solar magnífica do legítimo corpo mental.
Um terceiro choque passará o hidrogênio sexual Si-12 para uma quarta oitava musical através da escala: dó-ré-mi-fá-sol-lá-si.
A quarta oitava musical origina a cristalização do hidrogênio sexual na forma do corpo da vontade consciente, o corpo causal.
Quem já possui os quatro corpos conhecidos como físico, astral, mental e causal dá-se o luxo de encarnar o Ser para se converter em homem verdadeiro, em homem solar.
Efetivamente, o Ser não nasce, nem morre, nem se reencarna, mas quando já temos os corpos solares, podemos encarná-lo e passamos a Ser realmente.
Ao que sabe, a palavra dá poder, ninguém a pronunciou, ninguém a pronunciará, senão só aquele que a tem encarnado.
Muitos estudantes gnósticos se perguntam por que não mencionamos o corpo vital e só contamos quatro veículos e o excluímos. A resposta a esta interrogação é que o corpo vital é tão só a seção superior do corpo físico.
Na terceira iniciação do fogo forma-se o corpo astral solar; na quarta iniciação do fogo forma-se o mental solar; na quinta iniciação do fogo forma-se o corpo causal ou corpo da vontade consciente.
As cinco iniciações de mistérios maiores só têm por objetivo fabricar os corpos solares.
Em Gnosticismo e Esoterismo, entende-se por “segundo-nascimento” o ato de fabricar os corpos solares e encarnar o Ser. Os corpos solares são gestados dentro do ventre da Prakriti. O Ser é concebido por obra e graça do Terceiro Logos, dentro do ventre da Prakriti. Ela é virgem antes, durante e depois do parto. Todo Mestre da Loja Branca é filho de uma virgem imaculada.
Quem alcança o “segundo-nascimento” renasce na Nona Esfera (o sexo). Quem atinge o “segundo-nascimento” fica totalmente proibido de voltar a ter contato sexual, e essa proibição é por toda a eternidade. Quem atinge o “segundo-nascimento” ingressa em um templo secreto: o templo dos seres “duas-vezes-nascidos”. O “animal intelectual” comum e corrente crê que é homem, mas em realidade está equivocado, porque só os seres “duas-vezes-nascidos” são homens de verdade.
Conhecemos uma dama-adepto da Loja Branca que fabricou seus corpos solares na Nona Esfera, em apenas dez anos de trabalho muito intenso. Essa dama vive com os Anjos, Arcanjos, Serafins, etc.
Trabalhando muito intensamente na Nona Esfera, sem se deixar cair, pode-se realizar o trabalho de fabricação dos corpos solares, em dez, vinte anos, ou, um pouco mais ou menos.
A Raça Lunar odeia mortalmente esta Ciência da Vaca Sagrada, e antes de aceitá-la, prefere buscar escapatórias e justificativas, usando frases brilhantes e capciosas, permeadas por falsa inocência e pureza.
Os bonzos e dugpas de capacete vermelho, os magos negros, praticam o tantrismo negro, ejaculam o sêmen durante o maithuna e, assim, despertam e desenvolvem o abominável órgão kundartiguador.
É urgente saber que o órgão kundartiguador é a Serpente Tentadora do Éden, é o “Fogo Sagrado” projetado para baixo, a cauda de satã cuja raiz está no cóccix. O abominável órgão kundartiguador fortalece o ego e os corpos lunares.
Aqueles que vivem prorrogando o “segundo-nascimento” para futuras vidas, terminam por perder a oportunidade e, depois de concluírem suas cento oito existências, ingressam aos mundos infernais, onde só se ouvem pranto e ranger de dentes.
Diógenes procurou com sua lanterna um homem de verdade em toda a Atenas, e não o encontrou. Precisamos procurar os seres “duas-vezes-nascidos”, os homens verdadeiros, com a lanterna de Diógenes, mas são muito difíceis de serem encontrados.
Por aí andam muitos estudantes pseudo-ocultistas e pseudo-esoteristas que querem, segundo dizem, a auto-realização, mas como são lunares e não conhecem esta ciência da Nona Esfera, escandalizam-se e nos amaldiçoam, lançando contra nós toda a baba difamatória. Se estivéssemos nos tempos de Esdras, imolariam a Vaca Sagrada dizendo: “Caia seu sangue sobre nós e sobre nossos filhos”.
O caminho que conduz ao Abismo está ladrilhado por boas intenções. Não só entram no Abismo os perversos. Recordemos a parábola da figueira estéril: “árvore que não dá fruto é cortada e jogada ao fogo”. Nos mundos infernais vivem também magníficos estudantes de pseudo-ocultismo e pseudo-esoterismo.
Escorpião é um signo muito interessante. A peçonha do escorpião fere mortalmente os inimigos do maithuna, os puritanos insultadores que odeiam o sexo, os que blasfemam contra o Terceiro Logos, os perversos fornicários, os degenerados da infra-sexualidade, os homossexuais, os masturbadores, etc.
O signo de Escorpião governa os órgãos sexuais e é a casa de Marte, o planeta da guerra. No sexo, encontra-se a raiz da grande batalha entre os magos brancos e os negros, entre as forças solares e lunares. A Raça Lunar odeia mortalmente tudo que tenha sabor de maithuna (magia sexual), tantrismo branco, Vaca Sagrada, etc.
Os nativos de Escorpião podem cair nas mais espantosas fornicações ou se regenerarem totalmente. Na prática, podemos verificar que eles sofrem muito na primeira metade da vida, e até têm um amor que lhes ocasiona grandes amarguras. Porém, na segunda metade da vida tudo muda, a sorte deles melhora notavelmente. Os nativos de Escorpião têm certa tendência à ira e à vingança, pois dificilmente perdoam a alguém.
As mulheres de Escorpião correm sempre o risco de ficarem viúvas e de passarem por muitas necessidades econômicas durante a primeira parte de suas vidas. Os homens de Escorpião sofrem muita miséria durante a primeira parte de suas vidas, porém, na segunda metade, tudo muda e a sorte deles melhora consideravelmente.
Os nativos de Escorpião são pessoas cheias de energia, ambiciosas, reservadas, enérgicas e francas. Como amigos, o são de verdade, sinceros, fiéis, capazes de se sacrificarem pela amizade. Todavia, como inimigos, são terríveis, vingativos e perigosos. O mineral de Escorpião é o imã e a pedra é o topázio.
PRÁTICA
A prática para o período de Escorpião é o maithuna, mas não só se prática durante o período de Escorpião, senão durante todo tempo, em forma contínua, até se conseguir o “segundo-nascimento”. Sem embargo, temos de alertá-los para nunca praticarem duas vezes seguidas, numa mesma noite, só uma única vez por dia. Também é necessário saber que jamais se deve obrigar o cônjuge a praticar o maithuna, quando estiver enferma, no ciclo da menstruação ou em estado de gravidez, porque é delito. A mulher que deu à luz um filho só pode praticar o maithuna quarenta dias depois do parto.
O maithuna não impede a reprodução da espécie, porque a semente sempre passa à matriz, sem a necessidade de se derramar o sêmen. As múltiplas combinações da substância infinita são maravilhosas.
Muitos são os estudantes de Ocultismo que se queixam porque fracassam, sofrendo descargas seminais, e por não conseguirem evitar a ejaculação seminal. A esses estudantes nós aconselhamos uma pequena prática de cinco minutos, às sextas-feiras de cada semana, se o caso for muito grave. Quando o caso não for muito grave, basta uma pequena prática de cinco
minutos diários. Depois de um ano com essas pequenas práticas de cinco minutos de maithuna, a duração pode ser aumentada por mais cinco minutos, por mais um ano. No terceiro ano pode-se praticar por quinze minutos diários. Assim, pouco a pouco, em cada ano, pode-se aumentar o tempo da prática do maithuna, até que a pessoa seja capaz de praticar uma hora diária.
CAPÍTULO IX
SAGITÁRIO
(De 22 de novembro a 21 de dezembro)
Desde Geber até o enigmático e poderoso conde Cagliostro, que transmutava chumbo em ouro e fabricava diamantes da melhor qualidade, existiu uma extensa série de alquimistas investigadores da pedra filosofal (o sexo). Sob todas as luzes, resulta bastante claro que somente aqueles sábios que dissolveram o ego lunar e que desprezaram as vaidades desse mundo tiveram verdadeiro êxito em suas pesquisas.
Dentre todos esses alquimistas e adeptos vitoriosos que trabalharam no laboratório da Alquimia Sexual, destacam-se: Basílio Valentín, Ripley, Bacon, Honks Roger, etc. No entanto, Nicolas Flamel é muito discutido. Alguns supõem que ele não alcançou a difícil meta durante sua vida... Como se negou a revelar ao rei seu segredo, terminou seus dias encarcerado na terrível Bastilha.
Nós estamos francamente convencidos de que Nicolas Flamel, o grande alquimista, logrou o transmutar todo o chumbo de sua personalidade no ouro maravilhoso do Espírito. O famoso Trevisan gastou toda sua fortuna buscando a pedra filosofal e só alcançou descobrir o segredo já tarde demais, aos setenta e cinco anos de idade.
A pedra filosofal é o sexo e o segredo é o maithuna, a magia sexual, porém o pobre Trevisan, apesar de possuir uma inteligência formidável, só na velhice é que veio a descobrir o segredo. Muitos supõem que Paracelso teve uma morte violenta, assassinado ou até por suicídio, por haver revelado uma parte dos mistérios, porém, a realidade é que Paracelso desapareceu sem se saber como e por quê. Todos nós sabemos que Paracelso conseguiu isso que se chama de elixir da longa vida e, com esse elixir maravilhoso, subsistiu e ainda vive com o mesmo corpo físico que teve na Idade Média.
Schrotpffer e Savater praticaram certos ritos mágicos muito perigosos que lhes ocasionaram mortes violentas, mas sem terem conseguido a auto-realização profunda.
O famoso doutor J. Dee buscou a pedra filosofal e nunca a encontrou, e ficou reduzido a uma espantosa miséria. Nos últimos anos de sua vida, o pobre doutor degenerou-se horrivelmente com o mediunismo, convertendo-se em um brinquedo das entidades inferiores que vivem no mundo molecular.
Setón foi encarcerado por se negar a revelar o segredo da pedra filosofal. O doutor Price, da Royal Society of London, conseguiu transmutar o chumbo físico em ouro material, porém, ao querer repetir o experimento ante seus colegas, fracassou. Então, envergonhado e desesperado, suicidou-se.
O grande Delisle, por iguais motivos, foi encarcerado, e ao querer fugir da horrível masmorra onde se encontrava, foi morto pelos guardas. Todos esses fracassos e centenas de outros revelam que o verdadeiro Ocultismo prático e seus terríveis poderes mágicos exigem a mais espantosa santidade, sem a qual é impossível enfrentar os perigos da alquimia e da magia.
Falar de santidade nesses tempos resulta algo muito difícil, porque o mundo está cheio de santarrões estúpidos que se presumem santos.
O Grande Mestre da Força, chamado Moria, conversando conosco, no Tibete oriental, nos disse o seguinte:
Unir-se com o Íntimo é algo muito difícil; de dois que tentam se unir com o Íntimo, apenas um consegue, porque, como disse o poeta Guilhermo Valencia: entre as cadências do verso também se esconde o delito.
O delito se veste de santo, de mártir e de apóstolo. Milhões de pessoas aficionadas à literatura ocultista se presumem santas, não comem carnes, não fumam, não bebem, mas em casa brigam com o cônjuge, surram seus filhos, fornicam, adulteram, não pagam suas dívidas, prometem e não cumprem, etc.
No mundo físico, muitas pessoas alcançaram a castidade absoluta, porém quando são submetidas a provas nos mundos internos, então, são espantosamente fornicárias. Muitos são os devotos da senda que no mundo físico jamais beberiam uma taça de vinho, porém nos mundos internos, quando submetidos a provas, são ébrios perdidos. Muitos são os devotos da senda que no mundo físico são mansas ovelhas, porém, quando são submetidas a provas nos mundos internos, são verdadeiros tigres.
Diversos devotos da senda não cobiçam dinheiro, mas cobiçam poderes psíquicos. No mundo, existem muitos devotos da senda que assombram por sua humildade, podem dormir tranqüilamente na sarjeta, à porta de um rico, contentando-se com as migalhas de pão que caem da mesa do amo, contudo têm o orgulho de possuírem muitas virtudes, ou supõem que são humildes.
Muitas pessoas aspiram à santidade quando são informadas de que existem casos de verdadeiros santos. Inúmeros são os que invejam a santidade de outros e, por isso, querem também ser santos. Inúmeros indivíduos não trabalham na dissolução do ego lunar por pura preguiça mental. Inumeráveis aspirantes à Luz comem três banquetes diários, são terríveis glutões.
Muitos não murmuram com os lábios, no entanto rumorejam com a mente e, sem embargo, crêem que nunca murmuraram. Raros são os aspirantes que sabem obedecer ao Pai que está em segredo. Quase todos os estudantes de Ocultismo, querendo dizer verdades, mentem, falam mentiras, afirmam o que não experimentaram, e isso se constitui em embuste. Hoje em dia, é muito comum e corrente levantar falsos testemunhos, e os estudantes do Ocultismo o fazem sem saber que cometem delito.
A vaidade também se veste de farrapos e são muitos os aspirantes que se vestem mal e andam pelas ruas em completo desalinho, porém através dos furos de suas vestes se pode ver a vaidade deles. Inúmeros aspirantes não podem deixar o amor próprio, quando querem demasiadamente a si mesmos, e sofrem o indizível quando alguém lhes fazem alguma afronta. Multidão de aspirantes estão cheios de maus pensamentos porque não aprenderam a controlar suas mentes e, sem embargo, crêem que vão muito bem.
Muitos pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas, quando não são avarentos com o dinheiro, são avarentos com os conhecimentos, não puderam transcender a avareza. Milhares de aspirantes levam a mundanidade dentro de si mesmos, embora jamais tenham freqüentado um baile ou uma festa.
Inúmeros devotos da senda não podem deixar de roubar; eles roubam os livros, entram em todas as escolas esotéricas para levarem algo, mesmo que sejam teorias ou segredos. Fingem lealdade, enquanto cumprem seu trabalho de rapina, e depois não voltam mais.
Diversos devotos falam palavrões; alguns somente os pronunciam mentalmente, mesmo quando seus lábios falam doçuras. Muitos virtuosos são cruéis com as pessoas. Conhecemos o caso de uma pessoa dita virtuosa que feriu com duras frases a um infeliz que lhe compôs um verso. O desditado tinha fome, e como era poeta, compôs um poema para o “virtuoso”, com o propósito de conseguir uma moeda. A resposta foi dura, e o “virtuoso”, presumindo-se de modéstia e humildade, insultou o faminto. Inúmeros aspirantes à Luz são maltratados e humilhados cruelmente pelos preceptores de certas escolas.
São muitas as pessoas que seriam capazes de tudo na vida, exceto matar alguém. Não obstante, matam com suas ironias, com suas más ações, com suas gargalhadas ferinas e duras palavras. Muitos esposos matam suas esposas com suas más ações e más condutas, através de seus horríveis ciúmes, da ingratidão, etc. Muitas esposas matam seus esposos por meio do caráter negativo, através dos ciúmes torpes, de exigências sem consideração, etc.
Não devemos esquecer que toda enfermidade tem causas psíquicas. O insulto, a ironia, a gargalhada estrondosa e ofensiva e os palavrões causam danos, enfermidades e mortes. Muitos pais e mães de família poderiam viver um pouco mais se seus filhos tivessem permitido. Quase todos os seres humanos, de forma inconsciente, são matricidas, parricidas, fratricidas, uxoricidas, etc. Falta piedade aos estudantes do Ocultismo; eles são incapazes de se sacrificarem por seus semelhantes que sofrem e choram.
Falta a muitos aspirantes a verdadeira caridade. Eles presumem ser caridosos, mas, quando os chamamos para lutarem para estabelecer uma nova ordem social no mundo, fogem apavorados ou se justificam dizendo que a Lei do Carma e da Evolução resolverão tudo. Os aspirantes à Luz são cruéis e desapiedados. Dizem que amam, mas não amam; predicam a caridade, porém não a praticam.
O signo de Sagitário nos convida a reflexionar sobre tudo isso. Sagitário está simbolizado por um ser metade cavalo, metade homem, tendo uma flecha na mão. O cavalo representa o ego animal, o eu pluralizado vestido com seus corpos lunares. O eu não é algo individual, porque não tem individualidade, é plural. O ego lunar está constituído pela soma de pequenos eus. Cada defeito psicológico está personificado por um pequeno eu. O conjunto de todos os nossos defeitos está representado pelo eu pluralizado.
O problema mais grave a ser resolvido por todos aqueles que querem alcançar o “segundo-nascimento” é o de dissolver o ego lunar. Um Mestre “recém-nascido” está vestido com seus corpos solares, porém seu ego está vestido com os corpos lunares. Diante de um Mestre “recém-nascido”, abrem-se dois caminhos: o da direita e o da esquerda. Pelo caminho da direita, andam os que trabalham na dissolução de ego lunar. Pelo caminho da esquerda, andam aqueles que não se ocupam com a dissolução do ego lunar.
Os Mestres que não dissolvem o ego lunar convertem-se em hanasmussianos. Um hanasmussen é um sujeito com duplo centro de gravidade. Um Mestre se veste com seus corpos solares; ego lunar se veste com seus veículos lunares, constituindo-se numa dupla personalidade, num hanasmussiano. Um hanasmussen é metade anjo, metade besta, tal como o centauro de Sagitário. Ele possui duas personalidades internas: uma de anjo, outra de demônio. Um hanasmussiano é um aborto da Mãe Cósmica, um fracasso.
Se o estudante gnóstico dissolve o ego lunar antes do “segundo-nascimento”, obtém cura, saúde, resolve seu problema antecipadamente, obtendo êxito.
Quem invocar Andramelek nos mundos internos, terá a mais tremenda surpresa, porque pode comparecer ou o demônio Andramelek, ou o Mestre da Loja Branca, Andramelek. Esse é um caso típico de um hanasmussiano, com duplo centro de gravidade.
Dissolver o ego lunar é básico na grande obra. Quem alcança o “segundo-nascimento”, sente a necessidade de eliminar os corpos lunares, mas isso não é possível sem que antes tenha dissolvido o ego lunar. Os “duas-vezes-nascidos” ficam paralisados em seu progresso interior, quando lhes falta amor.
Todo aquele que se esquece de sua Mãe Divina, estanca-se, e seu progresso é paralisado. Existe falta de amor quando cometemos o erro de nos esquecermos de nossa Mãe Divina. É impossível eliminar todos os pequenos eus que constituem o ego lunar sem a ajuda da Mãe Divina.
Compreender qualquer defeito é básico e indispensável, quando se quer eliminar o pequeno eu que o personifica; contudo, o trabalho de eliminação, em si mesmo, resulta impossível sem a ajuda da “Vaca-Sagrada-de-Cinco-Patas”, a Mãe Divina que elimina as garrafas quebradas. Cada pequeno eu é uma garrafa dentro da qual se encontra engarrafada uma fração da Essência. Isso significa que a Essência, o Budhata, a Alma ou fração de Alma humana que todo “animal intelectual” possui transformou-se em milhares de partes que estão engarrafadas.
Um exemplo é a ira que está representada por centenas ou milhares de eus. Cada um deles é como uma garrafa que enfrasca a Essência. A cada garrafa lhe corresponde uma fração de Essência. Todas essas “garrafas”, a exemplo da ira e demais eus, vivem em cada um dos quarenta e nove departamentos ou regiões do subconsciente. Compreender a ira em qualquer departamento subconsciente significa romper uma garrafa, para que a fração correspondente da Essência se liberte.

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