SAMAEL AUN WEOR
TRATADO ESOTÉRICO
DE
ASTROLOGIA
HERMÉTICA
CAPÍTULO I
ÁRIES
(De 21 de março a 19 de abril)
Existem quatro estados de Consciência possíveis para o ser humano:
1- O sonho;
2- A consciência de vigília;
3- A autoconsciência;
4- A consciência objetiva.
Imagine, por um momento, querido leitor, uma casa de quatro andares. O pobre “animal intelectual”, equivocadamente chamado homem, vive normalmente nos dois andares inferiores, porém jamais em sua vida usa os andares superiores.
O “animal intelectual” divide sua vida dolorosa e miserável entre o sono comum e corrente e o “mal chamado estado de vigília”, que é, por desgraça, outra forma de sono.
Enquanto o corpo físico dorme na cama, o ego, envolto em seus corpos lunares, anda com a Consciência adormecida, como um sonâmbulo, movendo-se livremente pela região molecular.
Na região molecular, os egos projetam e vivem seus sonhos. Não existe lógica alguma entre seus sonhos; não há continuidade, nem causas ou efeitos; todas as funções psíquicas trabalham sem direção alguma, aparecem e desaparecem em imagens subjetivas, cenas incoerentes, vagas, imprecisas, etc.
Quando o ego, envolto em seus corpos lunares, regressa ao corpo físico, vem, então, o segundo estado de Consciência chamado de estado de vigília que, no fundo, não é outra coisa senão outra forma de sonho.
Quando o ego volta a seu corpo físico, os sonhos continuam no interior. O chamado “estado de vigília” é realmente um processo de sonho com a pessoa acordada.
Ao sair o Sol, as estrelas se ocultam, porém não deixam de existir. Os sonhos, no estado de vigília, são assim: continuam secretamente, não deixam de existir. Isso significa que o “animal intelectual”, equivocadamente chamado homem, só vive no mundo dos sonhos. Com justa razão, o poeta disse que a vida é sonho.
O animal racional dirige carros, trabalha na fábrica, no escritório, no campo, etc., sonhando. As pessoas enamoram-se e casam-se em estado de sonho, e, muito raramente na vida, elas estão despertas. Vivem no mundo dos sonhos e crêem firmemente que estão despertas.
Os quatro evangelhos exigem o despertar, mas, lamentavelmente, não explicam os procedimentos para despertar. Antes de tudo, é necessário compreender que estamos adormecidos. Somente quando alguém se dá conta cabalmente de que está adormecido, entra realmente no caminho do despertar. Quem chega a despertar torna-se autoconsciente, adquire consciência de si mesmo.
O erro mais grave de muitos pseudo-esoteristas e pseudo-ocultistas ignorantes é presumirem-se autoconscientes, acreditando, ademais, que todas as pessoas estão despertas, que estão autoconscientes.
Se todas as pessoas tivessem a Consciência desperta, a Terra seria um paraíso, não haveria guerras, não existiria nem o meu, nem o seu, tudo seria de todos e viveríamos em uma Idade de Ouro.
Quando alguém desperta a Consciência, torna-se autoconsciente e adquire Consciência de si mesmo, realmente vem a conhecer a Verdade sobre si mesmo.
Antes de alcançar o terceiro estado de Consciência (a Autoconsciência), uma pessoa realmente não conhece a si mesma, ainda que acredite conhecer-se.
É indispensável adquirir o terceiro estado de Consciência, subir ao terceiro andar da casa, antes de ter o direito a passar para o quarto andar.
O quarto estado de Consciência, o “quarto andar da casa”, é realmente formidável. Só quem chega à Consciência objetiva, ao quarto estado, pode estudar as coisas em si mesmas, o mundo tal como ele é.
Quem chega ao “quarto andar da casa”, é, sem dúvida, um iluminado que conhece, por experiência, os mistérios da vida e da morte. Esta pessoa possui a sabedoria e o seu sentido espacial está plenamente desenvolvido.
Durante o sono profundo, podemos ter alguns lampejos do estado de vigília. Durante o estado de vigília, podemos ter clarões de Autoconsciência. Durante o estado de Autoconsciência, podemos ter lampejos de Consciência objetiva.
Se quisermos chegar ao despertar da Consciência, à Autoconsciência, teremos que trabalhar com a Consciência aqui e agora. É precisamente aqui, neste mundo físico, onde devemos trabalhar para despertar a Consciência. Quem desperta aqui, desperta em todas as partes, em todas as dimensões do Universo.
O organismo humano é um Zodíaco vivo e, em cada uma de suas doze constelações, a Consciência dorme profundamente.
É urgente despertar a Consciência em cada uma das doze partes do organismo humano, e é para isso que existem os exercícios zodiacais.
O signo de Áries governa a cabeça.
O signo de Touro governa a garganta.
O signo de Gêmeos governa os braços, as pernas e os pulmões.
O signo de Câncer governa a glândula timo.
O signo de Leão governa o coração.
O signo de Virgem governa o ventre e os intestinos.
O signo de Libra governa os rins.
O signo de Escorpião governa os órgãos sexuais.
O signo de Sagitário governa as artérias do fêmur.
O signo de Capricórnio governa os joelhos.
O signo de Aquário governa as panturrilhas.
O signo de Peixes governa os pés.
É muito lamentável que este Zodíaco vivo do microcosmo-homem durma tão profundamente. Faz-se indispensável lograr, à base de tremendos superesforços, o despertar da Consciência em cada um dos nossos doze signos zodiacais.
Luz e Consciência são dois fenômenos de uma mesma coisa. Ao menor grau de Consciência, corresponde o menor grau de luz; ao maior grau de Consciência, corresponde o maior grau de luz.
Necessitamos despertar Consciência, para fazer brilhar cada uma das doze partes de nosso próprio Zodíaco microcósmico. Todo o nosso Zodíaco deve converter-se em luz e esplendor.
PRÁTICA
O trabalho com o nosso próprio Zodíaco começa precisamente com Áries. Sente-se o discípulo, em uma confortável poltrona, com a mente quieta, em silêncio, vazia de toda classe de pensamentos.
O devoto deve fechar seus olhos para que nada no mundo o distraia. Em seguida, deve imaginar que a luz puríssima de Áries inunda seu cérebro.
Permaneça neste estado de meditação todo o tempo que quiser e em seguida entoe o poderoso mantra AUM, abrindo bem a boca ao pronunciar a vogal A, arredondando-a na vogal U, e, por fim, fechando-a para entoar a “vogal M”.(¹).
A vogal A atrai as forças do Pai. A vogal U atrai as forças do Filho. A “vogal M” atrai as forças do Espírito Santo. AUM é um poderoso mantra logóico.
O devoto deve cantar este poderoso mantra quatro vezes durante a prática de Áries. Depois, pondo-se de pé em direção ao oriente, deve estender seu braço direito para frente; logo, mover a cabeça sete vezes para frente; sete vezes para trás; sete vezes dando voltas pelo lado direito; e outras sete pelo lado esquerdo. Tudo isso, com a intenção de que a luz de Áries trabalhe dentro de seu cérebro, despertando as glândulas pineal e pituitária. Isso permitirá a percepção das dimensões superiores do espaço.
É urgente que a luz de Áries se desenvolva dentro do nosso cérebro despertando Consciência, desenvolvendo os poderes secretos contidos nas duas glândulas citadas.
Áries é o símbolo de RA, Rama, o Cordeiro. O poderoso mantra RA, entoado devidamente, faz vibrar os fogos espinhais e os sete centros magnéticos da espinha dorsal.
Hitler, que foi nativo de Áries, utilizou esse tipo de energia de forma destrutiva. No entanto, devemos reconhecer que, antes dele cometer a loucura de lançar a humanidade à Segunda Guerra Mundial, utilizou a energia de Áries de forma construtiva, elevando o nível de vida do povo alemão.
Verificamos, por meio da experiência direta, que os nativos de Áries brigam muito com o cônjuge. Os arianos têm uma marcada tendência à briga e são por natureza muito briguentos. Eles se sentem capazes de meter-se em grandes empreendimentos e levá-los ao êxito.
(¹) Nota do Tradutor. Do ponto de vista Esotérico-Gnóstico, a letra “M” é considerada como vogal (mê e não eme, do ponto de vista ortoépico), porque é pronunciada como qualquer vogal, sem a necessidade de conjugá-la a outra letra, como um mugido de um touro.
Existe, nos arianos, o grave defeito de sempre querer utilizar a força de vontade de forma egoísta, no estilo de Hitler, anti-social e destrutiva.
Aos nativos deste signo, agrada-lhes muito a vida independente, mas muitos destes preferem a milícia, onde não existe independência. No caráter dos arianos, prevalecem o orgulho, a confiança em si mesmo, a ambição e um valor verdadeiramente louco.
O metal de Áries é o ferro e a pedra é o rubi. A cor é o vermelho e o elemento é o fogo. É conveniente aos arianos contrair matrimônio com pessoas de Libra, porque o fogo e o ar se “compreendem” muito bem. (²) Se os nativos de Áries quiserem ser felizes no matrimônio, devem acabar com o defeito da ira.
___________
(²) Nota do Editor. Em obras posteriores, o Mestre deixou de insistir sobre a incompatibilidade dos signos astrológicos para formar matrimônio. Ele falou que não se devia fanatizar sobre a questão, pois o casal podia lograr a felicidade, amparando-se no imenso poder de Deus, independentemente do signo ao qual pertençam os cônjuges. Ao aperfeiçoar seus ensinamentos, retificando-os, o Venerável Mestre Samael demonstrou sua verdadeira mestria, pois sempre buscou servir cada vez melhor à humanidade.
CAPÍTULO II
TOURO
(De 20 de abril a 19 de maio)
Sendo Touro o signo zodiacal que governa a laringe criadora, este útero maravilhoso onde se gesta a Palavra e o Verbo, é conveniente compreendermos nesta lição as Palavras de João, que disse: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus; por Ele todas as coisas foram feitas e sem Ele, nada do que foi feito, houvera sido feito”.
Existem sete ordens de mundos, sete Cosmos criados com o poder do Verbo através da música e do som.
O primeiro Cosmo encontra-se submerso na luz “incriada” do Absoluto. A segunda ordem de mundos está constituída por todos os mundos do espaço infinito. A terceira ordem de mundos está formada por todos os sóis do espaço estrelado. A quarta ordem de mundos é o Sol, que nos ilumina com todas as suas leis e dimensões. A quinta ordem de mundos está composta por todos os planetas do Sistema Solar. A sexta ordem de mundos é, em si mesma, a Terra com suas sete dimensões e regiões, povoada por infinitos seres. A sétima ordem de mundos está
formada por essas esferas concêntricas ou mundos infernais do reino mineral submerso, debaixo da crosta terrestre.
A Música, o Verbo, disposta pelo Logos em sete oitavas musicais, sustenta o Universo firmemente em sua marcha.
A primeira ordem de mundos corresponde à nota dó. A segunda ordem de mundos, à nota si. A terceira ordem de mundos, à nota lá. A quarta ordem de mundos, à nota sol. A quinta ordem de mundos, à nota fá. A sexta ordem de mundos, à nota mi. A sétima ordem de mundos, à nota ré. Depois tudo volta ao Absoluto com a nota dó.
Sem a Música, sem o Verbo, sem a Grande Palavra, seria impossível a existência maravilhosa dos sete Cosmos. Dó-ré-mi-fá-sol-lá-si e si-lá-sol-fá-mi-ré-dó são as sete notas da grande escala do Verbo criador ressoando em toda a criação, posto que: “No princípio era o Verbo”.
A primeira ordem de mundos está sabiamente governada por essa Única Lei, pela Grande Lei. A segunda ordem de mundos está governada por três leis. A terceira ordem de mundos está governada por seis leis. A quarta ordem de mundos está governada por doze leis. A quinta ordem de mundos está governada por vinte e quatro leis. A sexta ordem de mundos está governada por quarenta e oito leis. A sétima ordem de mundos é governada por noventa e seis leis.
Quando se fala da Palavra, fala-se também do Som, da Música, dos ritmos, do Fogo com seus três compassos do Mahavan e do Chotavan que sustentam o Universo firmemente em sua marcha.
Os pseudo-ocultistas e os pseudo-esoteristas só mencionam o microcosmo e o macrocosmo. Citam somente duas ordens de mundos, quando, na realidade, são sete Cosmos, sete ordens de mundos sustentadas pelo Verbo, pela Música, pelo “Fiat luminoso e espermático” do primeiro instante. Cada um dos sete Cosmos é, sem dúvida, um organismo vivo que respira, sente e vive.
Do ponto de vista esotérico, podemos assegurar que todo progresso é resultado de um processo descendente. Não se pode subir, sem baixar. Primeiro há que baixar para depois subir.
Se quisermos conhecer um Cosmo, devemos primeiro ter conhecimento dos dois Cosmos adjuntos: o que está em cima e o que está embaixo, porque ambos determinam todas as circunstâncias e fenômenos vitais do Cosmo sobre os quais queremos estudar e dos quais, saber.
Exemplo: nesta época em que os cientistas buscam a conquista do espaço, ocorrem tremendos avanços, infelizmente perversos, no mundo atômico, no terreno do infinitamente pequeno.
A criação dos sete Cosmos só foi possível mediante o Verbo, a Palavra, a Música. Nossos estudantes gnósticos não devem esquecer jamais o que são as três forças: Pai, Filho e Espírito Santo. Essas três forças constituem o Sagrado Triamazikamno.
Noutras palavras, é a Sagrada Afirmação, a Sagrada Negação e a Sagrada Reconciliação. O Santo Deus, o Santo Firme e o Santo Imortal. Em se tratando de eletricidade, representam os pólos positivo, negativo e neutro. Sem o concurso destes três pólos, resulta impossível toda e qualquer criação.
Em ciência esotérica gnóstica, as três forças independentes levam os seguintes nomes: Surp Otheos, Surp Skiros e Surp Athanatos. A primeira é a força impulsora, afirmativa ou
positiva; a segunda é a força negativa, força de negação e de resistência. A terceira é a força reconciliadora, libertadora ou força neutralizadora.
Estas três forças, no raio da criação, parecem três vontades, três consciências ou três unidades. Cada uma dessas forças contém, em si mesma, todas as possibilidades das outras duas. Entretanto, em seu ponto de conjunção, cada uma delas manifesta unicamente o seu princípio, seja o positivo, o negativo ou o neutro.
É interessantíssimo ver as três forças em ação: elas se separam e se afastam, para depois se reencontrarem formando novas trindades que originarão novos mundos e criações.
No Absoluto, as três forças constituem o Logos Único, o Exército da Voz, dentro da grande unidade da vida livre em seu movimento.
O processo criador do Sagrado Triamazikamno Cósmico Comum iniciou-se com o conúbio sexual da Palavra, posto que: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Por Ele todas as coisas foram feitas, e à parte Dele nada do que foi feito haveria sido feito”.
De acordo com a Sagrada Lei do Heptaparaparshinok, (a Lei do Sete), estabeleceram-se no Caos sete templos para a construção deste Sistema Solar. Segundo a Sagrada Lei do Triamazikamno (a Lei do Três), os Elohim se dividiram em três grupos dentro de cada templo, para cantar de acordo com a Liturgia do Fogo.
O trabalho de fecundar a Prakriti, isto é, fecundação do Caos, da Mãe Cósmica, do Grande Ventre, é sempre obra do sacratíssimo Teomertmalogos, a terceira força.
Dentro de cada templo, organizaram-se três grupos, assim: primeiro um sacerdote, segundo, uma sacerdotisa; terceiro, um grupo neutro de Elohim.
Se levarmos em conta que os Elohim são andróginos, então, é óbvio que eles tiveram que se polarizar voluntariamente em forma masculina, feminina e neutra, de acordo com a Sagrada Lei do Triamazikamno Cósmico Comum. O sacerdote e sacerdotisa punham-se diante do altar, e na parte de baixo do templo, o coro andrógino dos Elohim.
Os rituais do fogo foram cantados e o conúbio sexual da Palavra fecundou o Grande Ventre do Caos, e o Universo foi criado. Os Anjos criam com o poder da Palavra. A laringe é um útero, donde se gesta a palavra.
Devemos despertar a Consciência através da Palavra na laringe criadora, para que um dia possamos também pronunciar o “Fiat luminoso e espermático” do primeiro instante. A Consciência dorme em nossa laringe e, por isso, somos inconscientes no uso da Palavra. Necessitamos ter plena Consciência da Palavra.
Dizem que o silêncio é ouro, mas preferimos dizer que existem silêncios criminosos. Que é tão mau falar quando se deve calar, tanto quanto calar quando se deve falar. Há ocasiões em que falar é um delito. Noutras vezes, calar se constitui num delito.
Semelhantes a uma bela e colorida flor cheia de aromas, são as palavras formosas, porém estéreis no caso das pessoas que não obram de acordo com o que dizem. Por outro lado, são formosas e fecundas para os que obram de acordo com o que falam.
É urgente acabar com a mecanicidade no uso das palavras. Mister se faz falar com precisão, de forma consciente e oportuna. É preciso que nos conscientizemos do Verbo.
Existem responsabilidades com as palavras, e brincar com o Verbo é um sacrilégio. Ninguém tem o direito de julgar ninguém; é absurdo caluniar o próximo; é estúpido murmurar sobre a vida alheia.
As palavras criminosas caem sobre nós, cedo ou tarde, como um raio de vingança. As palavras caluniosas e infames sempre retornam à pessoa que as proferiram, convertidas em pedras que ferem.
Em outros tempos, quando os seres humanos não estavam tão mecanizados com esta falsa civilização, os vaqueiros levavam o gado ao estábulo cantando de maneira simples, natural e maravilhosa. O touro, a vaca e o bezerrinho comovem-se com a música e correspondem ao signo zodiacal de Touro, à constelação do Verbo, da Música.
Na grande alegoria puránica, a Terra perseguida por Prithu foge, transforma-se em Vaca e se refugia em Brahma, a primeira pessoa da Trimurti hindustânica. A segunda pessoa é Vach, a vaca, e Virah, o varão divino, o bezerrinho, o Kabir. O Logos é a terceira pessoa. Brahma é o Pai; a Vaca é a Mãe Divina, o Caos; o bezerro é o Kabir, o Logos. Pai, Mãe, Filho constituem a Trimurti puránica. O Pai é sabedoria; a Mãe é amor; o Filho é o Logos, o Verbo.
A “Vaca-Astral-de-Cinco-Patas” que o Coronel Olcott acreditou ter visto fisicamente, frente ao maravilhoso hipogeu de Karli, é a mesma Vaca estranha e misteriosa vista por certo mineiro nos Andes. Ela é a exótica guardiã daqueles tesouros que os mineiros buscavam desde suas cabanas. Essa Vaca representa a Mãe Divina, Rea, Cibeles, desenvolvida totalmente no homem verdadeiro, no Mestre auto-realizado.
Gautama ou Gotama, o Buda, significa literalmente: o condutor da vaca. Todo boiadeiro ou condutor da Vaca pode usar o fogo jaino da Vaca, para entrar em terras, palácios, templos e cidades-jinas.
Com o poder da Mãe Divina, podemos visitar o Agarthi e as cidades-jinas do mundo subterrâneo.
O signo de Touro nos convida à reflexão. Recordemos que Mercúrio roubou as vacas do Sol.Esse signo governa a laringe criadora. É urgente que a Kundalini floresça em nossos lábios fecundos, como Verbo. Só assim, poderemos usar o fogo jaino para entrarmos no reino dos jinas. Durante o período de Touro, devemos levar luz a nossa laringe criadora, com o propósito de prepará-la para o advento do fogo.
PRÁTICA
O discípulo deve sentar-se em uma confortável poltrona; fechar os olhos físicos para que nada deste mundo vão e néscio o distraia; esvaziar a mente e afastá-la de toda classe de pensamentos, desejos, preocupações, etc.
Depois deve imaginar que a luz acumulada durante o período de Áries, em seu cálice, em sua cabeça, agora, no período de Touro, passa para a laringe criadora.
Em seguida, o devoto deve entoar o mantra AUM da seguinte forma: Abrir bem a boca com a vogal “A”, imaginando que a luz desce da cabeça para a laringe. Vocalizar a vogal “U”, imaginando vivamente que a luz inunda a garganta, arredondando bem a boca para entoá-la. A última letra é o “M” que deve ser vocalizado fechando os lábios e expelindo ou expulsando o ar com força, visualizando as escórias da garganta sendo eliminadas. Esse trabalho é feito entoando quatro vezes o poderoso mantra AUM.
Na glândula tireóide, que secreta o iodo biológico, encontra-se o centro magnético do “ouvido mágico”.
Com as práticas do período de Touro, se desenvolve o “ouvido mágico” que faculta o poder de escutar as sinfonias cósmicas, a música das esferas, os ritmos do fogo que sustentam os setes Cosmos, de acordo com a lei das oitavas. A glândula tireóide está situada no pescoço, na laringe criadora e está controlada por Vênus. Já as glândulas paratireóides estão governadas por Marte.
Na prática, evidenciamos que os taurinos não se devem casar com pessoas de Aquário, porque fracassam inevitavelmente, devido à incompatibilidade de caráter. O signo de Touro é um signo fixo, da terra, que tende à estabilidade; como o signo de Aquário é aéreo, móvel e revolucionário, é óbvio que eles são incompatíveis (³).
Os taurinos são como bois, mansos e trabalhadores, porém quando se enfurecem são terríveis como o touro. Eles passam, em suas vidas, por grandes decepções amorosas. São muito sensíveis, reservados, conservadores, e seguem como os bois, passo a passo, o caminho traçado. Neles, a ira é de lento crescimento, mas costuma culminar como fortes erupções vulcânicas. O tipo medíocre de touro costuma ser muito egoísta, glutão, briguento, passional, iracundo e orgulhoso.
O tipo superior de touro está cheio de amor, ama a música clássica e a sabedoria; trabalha com alegria pela humanidade, é muito inteligente, compreensivo, fiel e sincero na amizade; é bom pai, boa mãe, bom amigo, bom irmão, cidadão, etc.
A grandeza mística do touro mitráico, não compreendida pelas pessoas superficiais desta época tenebrosa do século vinte, degenerou-se, mais tarde, no culto ao bezerro de ouro. A Vaca Sagrada simboliza Ísis, a Mãe Divina, e seu bezerrinho representa Mercúrio, o Mensageiro dos Deuses, o Kabir, o Logos.
No signo de Touro, incluem-se esotericamente as Plêiades, as novilhas ou vacas celestes; essas últimas parecem sete, porém, na realidade, são mais de duas mil, com suas nebulosas Mayas, sua estrela principal Alcione, e suas companheiras Atlas, Taigete, etc.
Em torno do olho avermelhado de Touro ou Aldebarã, o único que, como Antares, coração de Escorpião, pode competir em coloração com Marte, agrupam-se, de forma extraordinária e maravilhosa, as telescópicas Hyadas, que fazem parte do outro rebanho celeste.
____________
(³) Nota do Editor. Em obras posteriores, o Mestre deixou de insistir sobre a incompatibilidade dos signos astrológicos para formar matrimônio. Ele falou que não se devia fanatizar sobre a questão, pois o casal podia lograr a felicidade, amparando-se no imenso poder de Deus, independentemente do signo ao qual pertenciam os cônjuges. Ao aperfeiçoar seus ensinamentos, retificando-os, o Venerável Mestre Samael demonstrou sua verdadeira maestria, pois sempre buscou servir cada vez melhor a humanidade.
Atrás de Touro, vem o gigantesco Orion. Por cima e até o norte da constelação de Touro, existe esse grupo celeste simbólico do rei Cefeo, Céfiro ou Zéfiro; a rainha Cassiopéia, o libertador Perseu com a cabeça de Medusa entre suas mãos e a libertada Andrômeda. Mais adiante, sai a Baleia rodeada por Peixes e Aquário. O panorama da constelação de Touro e de suas regiões siderais vizinhas é realmente assombroso.
CAPÍTULO III
GÊMEOS
(De 20 de maio a 20 de junho)
A identificação e a fascinação conduzem ao sono da Consciência. Exemplo: Você vai muito tranqüilo pela rua, de repente ele se junta a uma manifestação pública; vociferam as multidões, falam os líderes do povo, tremulam, ao ar, as bandeiras, todas as pessoas parecem loucas, pois falam e gritam.
Aquela manifestação pública vai ficando muito “interessante” a ponto de você já se esquecer de tudo o que tinha que fazer. Identifica-se com a multidão e com as palavras dos oradores, que lhe convencem. Chega a ponto de levá-lo ao esquecimento de si mesmo. Você está tão identificado com a manifestação que já não pensa em outra coisa, está tão fascinado que cai no sono da Consciência... Misturado com a turbamulta que vocifera, você também grita, profere insultos e até apedreja... está mergulhado em sono profundo, já nem sabe quem é, esqueceu-se de tudo.
Agora vamos colocá-lo em outro exemplo mais simples: Você está na sala de sua casa, sentado diante da televisão, onde aparecem cenas de caubóis, tiroteios, dramas de namorados,
etc. O filme fica muito interessante e chama totalmente sua atenção; com isso, você já se esqueceu tanto de si mesmo que grita entusiasmado... ficou identificado com os caubóis e com o casal de namorados. A fascinação é agora terrível e já, nem remotamente, recorda-se de si mesmo, pois você entrou em um estado de sono muito profundo. Nesse ponto, só quer ver o triunfo do herói do filme, alegra-se com isso e até se preocupa com o que pode ocorrer com o herói.
São milhares de circunstâncias que produzem a identificação, a fascinação e o sonho. O povo se identifica com as pessoas, com as coisas, com as idéias. A todo tipo de identificação, segue-se a fascinação e depois, o sonho.
As pessoas vivem com a Consciência adormecida; trabalham sonhando, conduzem carros sonhando e matam os pedestres que também vão sonhando pelas ruas, absorvidos em seus próprios pensamentos.
Durante as horas de repouso do corpo físico, o ego (ou eu) sai do corpo físico e leva seus sonhos aonde quer que vá. Ao voltar ao corpo físico, ao entrar novamente no estado de vigília, continua com os mesmos sonhos e assim passa toda a vida sonhando. As pessoas que morrem deixam de existir, mas o ego, o eu, continua nas regiões supra-sensíveis, mais além da morte. Na hora da morte, o ego leva consigo seus sonhos e mundanidades, permanecendo no mundo dos mortos, com a Consciência adormecida, perambulando como um sonâmbulo inconsciente.
Quem quiser despertar a Consciência deve trabalhar aqui e agora. Temos a Consciência encarnada e por ela devemos trabalhar aqui e agora. Quem despertar a Consciência aqui, neste mundo, despertará também em todos os mundos. Quem despertar a Consciência neste mundo tridimensional despertará na quarta, quinta, sexta e sétima dimensões. Quem quiser viver conscientemente nos mundos superiores deve despertar aqui e agora.
Os quatro Evangelhos insistem na necessidade de despertar, mas as pessoas não entendem isso. As pessoas dormem profundamente, porém crêem que estão despertas. Quando alguém aceita que está adormecido, é um sinal claro de que já começa a despertar. É muito difícil fazer outras pessoas compreenderem que estão com a Consciência adormecida; as pessoas não aceitam jamais a tremenda verdade de que estão adormecidas. Quem quiser despertar a Consciência deve praticar, de momento a momento, a íntima recordação de si mesmo.
Isso de estar se recordando de si mesmo de momento em momento é, de fato, um trabalho intensivo. Basta um instante de esquecimento para se começar a sonhar profundamente. Necessitamos, com urgência, vigiar todos os nossos pensamentos, sentimentos, desejos, emoções, hábitos, instintos, impulsos sexuais, etc. Todo pensamento, emoção, movimento, ato instintivo ou qualquer impulso sexual, deve ser observado imediatamente conforme vai surgindo em nossa psique; qualquer descuido na atenção é suficiente para cairmos no sono da Consciência.
Muitas vezes você caminha por uma rua, absorto em seus próprios pensamentos, identificado, fascinado e sonhando intensivamente com eles. De repente, passa um amigo por perto de você e lhe cumprimenta. No entanto, você não responde ao aceno porque não o vê... está sonhando; o amigo se ofende e supõe que você é uma pessoa sem educação ou que, possivelmente, você está aborrecido; o amigo também vai sonhando, porque se estivesse desperto, não faria semelhante conjectura, e se daria conta, de imediato, que você está adormecido.
Diversas vezes você se equivoca e bate numa porta errada porque está adormecido.Você vai num veículo de transporte coletivo e tem que descer em determinada rua, porém como segue
identificado, fascinado, e sonhando profundamente com um negócio em sua mente, ou com uma recordação ou com um afeto, de repente, dá-se conta de que passou da rua. Com isso, tem que parar o ônibus para imediatamente voltar a pé algumas ruas.
É muito difícil manter-se desperto de momento em momento, porém é indispensável. Quando aprendemos a viver despertos, de instante a instante, deixamos de sonhar aqui e também fora do corpo físico. É necessário saber que as pessoas, ao dormirem, saem de seus corpos, levando seus sonhos e vivendo nos mundos internos sonhando. Ao voltarem aos seus corpos físicos, continuam no mesmo estado, ou seja, permanecem sonhando. Quando alguém aprende a viver desperto de instante a instante, deixa de sonhar aqui e também nos mundos internos.
É necessário saber que o ego (ou eu), envolto em seus corpos lunares, sai do corpo físico quando o corpo adormece. Desgraçadamente, o ego vive dormindo nos mundos internos. Dentro dos corpos lunares, existe, além do ego, isso que se chama Essência, Alma, fração de Alma, Budhata ou Consciência. É essa Consciência que devemos despertar aqui e agora.
Aqui, neste mundo, temos a Consciência e é aqui que devemos despertá-la, se é que, de verdade, queremos deixar de sonhar para vivermos conscientemente nos mundos superiores. A pessoa com Consciência desperta, enquanto seu corpo descansa na cama, vive, trabalha e atua conscientemente nos mundos superiores.
A pessoa consciente não tem dificuldade com o desdobramento astral, pois o problema de aprender a se desdobrar à vontade é somente para os adormecidos. A pessoa desperta nem sequer se preocupa em aprender a se desdobrar porque vive conscientemente nos mundos superiores, enquanto seu corpo físico dorme na cama. Nesse estado, a pessoa desperta já não sonha, e, durante o repouso do corpo, vive conscientemente nas regiões onde as pessoas vivem sonhando, porém, ela permanece com a Consciência desperta. Ela desperta está em contato com a Loja Branca, visita os templos da Grande Fraternidade Universal Branca, conversa com seu “Guru-Deva”, enquanto seu corpo dorme.
O sentido espacial inclui, em si mesmo, visão, audição, olfato, paladar, tato, etc. O sentido espacial é um funcionalismo da Consciência desperta. Os chacras, sobre os quais falam a literatura ocultista, com relação ao sentido espacial, são equivalentes a um pavio em comparação com o Sol.
.
Da mesma forma como é certo que a íntima recordação de si mesmo, de momento a momento, é fundamental para despertar a Consciência, não é menos certo também o fato de se ter que aprender a manejar a atenção.
Os estudantes gnósticos devem aprender a dividir a atenção em três partes: sujeito, objeto e lugar.
Sujeito. Não cair no esquecimento de si mesmo diante de nenhuma representação.
Objeto. Observar detalhadamente toda coisa, toda representação, fato ou sucesso, por mais insignificante que pareça, sem o auto-esquecimento de si mesmo.
Lugar. Observação rigorosa do lugar onde estejamos, perguntando-nos a nós mesmos: Que lugar é este? Por que estou aqui?
Dentro deste fator “lugar”, devemos incluir a questão dimensional, pois poderia dar-se o caso de nos encontrarmos na quarta ou na quinta dimensão da natureza durante o momento da observação. Recordemos que a natureza tem sete dimensões. No mundo tridimensional reina a lei da gravidade. Dentro das dimensões superiores da natureza existe a lei da levitação.
Ao observarmos um lugar, não devemos esquecer, jamais, a questão das sete dimensões da natureza. Convém, então, nos perguntarmos em qual dimensão estamos. Logo, é necessário verificar isso dando um salto, o mais longo possível, com a intenção de flutuar no ambiente circundante. É lógico que, se flutuarmos, significa que estamos fora do corpo físico. Jamais devemos esquecer que quando o corpo físico “adormece”, o ego, junto com os corpos lunares e a Essência embutida, perambula inconscientemente como um sonâmbulo no mundo molecular.
A divisão da atenção em sujeito, objeto e lugar nos conduz ao despertar da Consciência. Muitos estudantes gnósticos, depois de se acostumarem com esse exercício, dividindo a atenção em três partes, formulando essas perguntas, efetuando o salto, etc., (durante o estado de vigília, de momento a momento) terminaram repetindo o mesmo exercício durante o sono do corpo físico, quando realmente estão nos mundos superiores. Ao darem o famoso salto experimental, flutuam deliciosamente no ambiente circundante e, então, despertam a Consciência, recordam que o corpo físico ficou adormecido na cama. Com isso, cheios de prazer, eles podem se dedicar ao estudo dos mistérios da vida e da morte, nas dimensões superiores.
É lógico dizer que um exercício que se pratica diariamente, de momento a momento, converte-se em um hábito e fica bem gravado nas distintas zonas da mente. Por conta disso, depois é repetido automaticamente durante o sono, quando a pessoa estiver fora do corpo físico. O resultado é o despertar da Consciência.
Gêmeos é um signo do ar governado pelo planeta Mercúrio. Gêmeos é o signo que governa os pulmões, os braços e as pernas.
PRÁTICA
Durante o signo zodiacal de Gêmeos, o estudante gnóstico deve deitar-se de costas e relaxar o corpo. Depois deve inalar o ar cinco vezes exalando-o outras cinco; ao inalar o ar é preciso imaginar que a luz, antes acumulada na laringe, atua agora nos brônquios e nos pulmões. Ao inalar, deve abrir as pernas e os braços para a direita e para a esquerda; ao exalar o ar, fechará as pernas e os braços.
O metal de Gêmeos é o mercúrio, a pedra é o berílio ouro e a cor é a amarela. Os nativos de Gêmeos amam muito as viagens; cometem o erro de menosprezarem a sábia voz do coração, pois querem resolver tudo com a mente; zangam-se facilmente, são muito dinâmicos, versáteis, volúveis, irritáveis, inteligentes e suas vidas estão cheias de êxitos e de fracassos; os geminianos possuem um valor além do extraordinário.
Os nativos de Gêmeos são problemáticos por seu raro dualismo, por essa dupla personalidade que os caracteriza e que é simbolizada entre os gregos por esses misteriosos irmãos chamados de Castor e Pólux. Ninguém pode prever jamais como o nativo de Gêmeos vai proceder em tal ou qual situação devido, precisamente, à sua dupla personalidade.
Em determinado momento, o nativo de Gêmeos é um amigo sincero capaz de sacrificar até a sua própria vida por uma amizade ou pela pessoa a qual tenha oferecido seu carinho; no entanto, em outro momento, é capaz das piores infâmias contra essa mesma pessoa amada.
O tipo inferior de Gêmeos é muito perigoso e, por isso, não é aconselhável ter amizade. O defeito mais grave dos geminianos é a tendência de julgar falsamente todas as pessoas.
Os gêmeos denominados de Castor e Pólux nos convidam à reflexão. É sabido, na realidade, que a natureza da matéria manifestada e a oculta energia simbolizada pelo calor, pela luz, pela eletricidade, pelas forças químicas e por outras forças superiores (que ainda são para nós desconhecidas) processam-se sempre em forma inversa. Quando do aparecimento de uma, presume-se sempre entropia ou desaparecimento da outra. Isso não é outra coisa senão os misteriosos irmãos Castor e Pólux simbolizando tal fenômeno entre os gregos. Os irmãos Castor e Pólux viviam e morriam; alternadamente, nascem e morrem, aparecem e desaparecem em qualquer parte em que exista a matéria e a energia.
O processo de Gêmeos é vital na Cosmogênese. A Terra original foi o Sol que se condensou gradualmente, à custa de um anel nebuloso, até o estado lamentável de planeta obscurecido, quando se determinou por irradiação ou esfriamento da primeira película sólida de nosso globo. Tudo isso, mediante o fenômeno químico de dissipação ou entropia da energia, constituindo-se nos estados grosseiros da matéria aos quais denominamos sólidos e líquidos.
Todas essas mudanças da natureza realizam-se de acordo com os íntimos processos de Castor e Pólux. Por estes tempos do século XX, a vida já iniciou seu retorno ao Absoluto e a matéria grosseira começa a se transformar em energia. Disseram-nos que na “quinta ronda” a Terra será um cadáver, uma nova lua, e que a vida se desenvolverá com todos os seus processos construtivos e destrutivos dentro do mundo etérico.
Do ponto de vista esotérico, podemos assegurar que Castor e Pólux são almas gêmeas. O Ser, o Íntimo de cada um de nós, tem duas almas gêmeas: uma espiritual e outra humana.
No “animal intelectual” comum e corrente, o Ser, o Íntimo, não nasce, não morre e nem se reencarna. Ele envia a cada nova personalidade, a Essência que é uma fração da Alma humana, o Budhata. É urgente saber que o Budhata, a Essência, está depositada dentro dos corpos lunares com os quais se veste o ego.
Falando de forma um pouco mais clara, diremos que a Essência está, desgraçadamente, engarrafada no ego lunar. Por isso, os seres “perdidos” descem. A descida aos mundos infernais tem, por objetivo único, a destruição dos corpos lunares e do ego mediante a involução submersa.
Todas essas incessantes mudanças de matéria em energia e de energia em matéria nos convidam sempre à reflexão durante o período do signo de Gêmeos, que está intimamente relacionado com os brônquios, com os pulmões e com a respiração. O microcosmo-homem está feito à imagem e semelhança do macrocosmo.
A Terra também respira, pois “inala” o enxofre vital do Sol, e o “exala” já transformado em enxofre terrestre. Isso é análogo ao homem que inala o oxigênio e depois o exala convertido em anidrido carbônico. Essa onda vital subindo e descendo alternativamente, verdadeira sístole e diástole, inspiração e expiração, emerge do mais profundo seio da Terra.
CAPÍTULO IV
CÂNCER
(De 21 de junho a 22 de julho)
Ao deixar o corpo, tomando a senda do fogo, da luz do dia, da quinzena luminosa da Lua e do solstício setentrional, os conhecedores brâmanes vão a Brahma. (Capítulo VIII, versículo 24, Bhagavad Gita).
O iogue que, ao morrer, vai pela senda do fumo, da quinzena obscura da Lua e do solstício meridional, chega à esfera lunar e logo renasce. (Capítulo VIII, versículo 25, Bhagavad Gita).
Essas duas sendas, a luminosa e a obscura, são consideradas permanentes. Através da primeira, pode-se emancipar; através da segunda, pode-se renascer. (Capítulo VIII, versículo 26, Bhagavad Gita).
O Ser não nasce, não morre e nem se reencarna; não tem origem, é eterno, imutável, o primeiro de todos, e não morre mesmo quando o corpo é destruído. (Capítulo II, versículo 20, Bhagavad Gita).
O ego nasce e morre. Distinga-se entre o ego e o Ser. O Ser não nasce, não morre e nem se reencarna.
Os frutos das ações são de três classes: desagradáveis, agradáveis e a mistura de ambos. Esses frutos se aderem, depois da morte, aos que não renunciaram, porém, jamais, no caso do homem que renuncia. (Capítulo XVIII, versículo 12, Bhagavad Gita).
Aprende de mim, ó tu, de poderosos braços! Aproxima-te dessas cinco causas relacionadas com o cumprimento das ações, segundo a mais alta sabedoria, que é o fim de toda ação. (Capítulo XVIII, versículo 13, Bhagavad Gita).
O corpo, o ego, os órgãos, as funções e as deidades (planetas) que presidem os órgãos, são as cinco causas. (Capítulo XVIII, versículo 14, Bhagavad Gita).
Qualquer ato devido ou indevido, seja físico, verbal ou mental, tem essas cinco causas. (Capítulo XVIII, versículo 15, Bhagavad Gita).
Sendo assim a questão, aquele que, pela defeituosa compreensão, considera o Atman (o Ser), o Absoluto, como ator, é um tolo que não enxerga a realidade. (Capítulo XVIII, versículo 16, Bhagavad Gita). Portanto, o Bhagavad Gita faz uma diferenciação entre o ego, o eu, e o Ser, Atman.
O “animal intelectual”, equivocadamente chamado homem, é composto de corpo, ego (eu), órgãos e funções. É uma máquina movida por deidades ou, melhor dizendo, por planetas.
Muitas vezes, basta qualquer catástrofe cósmica para que as ondas que chegam a Terra enviem essas máquinas humanas adormecidas aos campos de batalhas. Milhões de máquinas adormecidas contra milhões de outras máquinas.
A Lua traz os egos à matriz e também os levam. Max Heindel disse que a concepção se realiza sempre quando a Lua está no signo de Câncer. Sem a Lua não é possível que haja concepção.
Os primeiros sete anos da vida são governados pela Lua. Os sete anos seguintes são mercurianos em cem por cento. Por isso, a criança vai à escola, fica muito inquieto e em incessante movimento.
O terceiro septenário da vida, a terna adolescência, compreendida entre os quatorze e os vinte e um anos de vida, está governado por Vênus, a estrela do amor. É o período da aflição, da pontada, o período do amor, o ciclo em que vemos a vida cor-de-rosa.
Dos vinte e um anos até os quarenta e dois temos que ocupar nosso posto inferior ao Sol e definir nossa vida. Esse período é governado pelo Sol.
O septenário compreendido entre os quarenta e dois e quarenta e nove anos de idade, é cem por cento marciano. Nesse período, a vida se torna um verdadeiro campo de batalha, porque Marte representa a guerra.
O período compreendido entre os quarenta e nove e cinqüenta e seis anos de idade é jupiteriano. A pessoa que tem Júpiter bem situado em seu horóscopo, é claro que, durante esse ciclo de sua vida, é respeitado por todo mundo, e se não possui as desnecessárias riquezas
mundanas, pelo menos tem o necessário para poder viver muito bem. Outra é a sorte de quem tem o planeta Júpiter mal situado em seu horóscopo; essas pessoas sofrem o indizível, carecem de pão, abrigo, refúgio e são maltratados pelos outros.
O período de vida compreendido entre os cinqüenta e seis e sessenta e três anos é governado pelo Ancião dos Céus, o Velho Saturno. Realmente, a velhice começa aos cinqüenta e seis anos. Passado o período de Saturno, retorna o ciclo da Lua trazendo o ego ao nascimento para depois levá-lo.
Se observarmos cuidadosamente a vida dos anciões de idade muito avançada, podemos verificar que eles voltam à idade das crianças; os velhinhos voltam a brincar, respectivamente, de carrinhos e de bonecas. Os anciões maiores de sessenta e três anos e as crianças menores de sete anos são governados pela Lua.
Entre mil homens, talvez um intente chegar à perfeição; entre os que intentam, possivelmente, um logre a perfeição; e entre os perfeitos, quem sabe, um me conheça perfeitamente. (Capítulo 7, versículo 3, Bhagavad Gita).
O ego é lunar, e, ao deixar o corpo físico, segue pelo caminho do fumo, da quinzena obscura da Lua e do solstício meridional e depois retorna a uma nova matriz. A Lua leva e também traz o ego lunar, essa é a lei. O ego está vestido com corpos lunares. Os veículos internos estudados pela Teosofia são de natureza lunar.
As Escrituras Sagradas dos jainos dizem: O Universo está povoado por diversas criaturas existentes no Samsara, nascidas de famílias e de castas distintas, por haverem cometido várias ações; e, segundo sejam essas assim, vão algumas vezes ao mundo dos deuses; em outras vezes, ao inferno; em algumas vezes se convertem em asuras (pessoas diabólicas). Por tal razão, os seres viventes que nascem sem cessar por culpa de suas más ações, não repugnam o Samsara.
A Lua leva todos os egos, porém não trazem todos novamente. Por estes tempos, a maior parte deles entra nos mundos infernais, nas regiões sublunares, no reino mineral submerso, nas trevas exteriores onde somente se ouve o pranto e o ranger de dentes.
Hoje em dia, são poucos os desencarnados que se podem dar o luxo de umas férias no mundo dos deuses, antes de voltar a uma nova matriz pelas portas da Lua. São muitos os que retornam de forma mediata ou imediata, levados e trazidos pela Lua, sem haverem gozado das delícias dos mundos superiores.
Os perfeitos, os eleitos, aqueles que dissolveram o ego, que fabricaram seus corpos solares e se sacrificaram pela humanidade, são bem-aventurados. Ao deixarem os corpos físicos, com a morte, tomam o caminho do fogo, da luz do dia, da quinzena luminosa da Lua e do solstício setentrional. Eles encarnaram o Ser, conhecem Brahma (o Pai que está em segredo) e é claro que vão a Brahma (o Pai).
O Jainismo diz que, durante este Grande Dia de Brahma, descem a este mundo, vinte quatro profetas maiores que já alcançaram a perfeição total.
As Escrituras Gnósticas dizem que há doze salvadores, quer dizer, doze Avataras. Mas se pensarmos em João Batista como precursor, e em Jesus como Avatara para a Era de Peixes que acabou de passar, então, poderemos compreender que, para cada uma das doze Eras Zodiacais, existem sempre um precursor e um Avatara, totalizando vinte e quatro profetas. Mahavira foi o precursor de Buda e João Batista o de Jesus.
O Sagrado Raskoarno (morte) está cheio de profunda beleza interior. Só conhece a verdade a respeito da morte aquele que experimentou, de forma direta, sua profunda significação.
A Lua leva e traz os falecidos... os extremos se tocam. A morte e a concepção encontram-se intimamente unidas. A senda da vida está formada com as “pegadas dos cascos do cavalo da morte”.
A desintegração de todos os elementos que constituem o corpo físico origina uma vibração muito especial que passa invisivelmente através do espaço e do tempo.
Semelhantes às ondas de uma televisão que emitem imagens, assim também são as ondas vibratórias dos falecidos. O que é a tela para as ondas da estação emissora é o embrião para as ondas da morte.
As ondas vibratórias da morte carregam a imagem do falecido que fica depositada no ovo fecundado.
Sob a influência lunar, o zoosperma penetra através da capa do ovo voltando instantaneamente a fechar-se, aprisionando-o. Aí é gerado um interessantíssimo campo de atração, que atrai e é atraído em direção ao núcleo feminino que o espera tranqüilamente no centro do ovo.
Quando esses dois núcleos fundamentais se fundem em uma só unidade, os cromossomos iniciam sua famosa dança, enredando-se e voltando a se enredar em um instante. É assim como o desenho de alguém que agonizou e morreu cristaliza-se no futuro embrião.
Cada célula comum do organismo humano contém quarenta e oito cromossomos, e isto nos recorda as quarenta e oito leis do mundo em que vivemos.
As células reprodutivas do organismo contêm um cromossomo de cada par, mas em sua união produzem uma combinação nova de quarenta e oito cromossomos que fazem com que, cada embrião, seja único e diferente.
Toda forma humana, todo organismo é uma máquina preciosa. Cada cromossomo leva em si mesmo o selo de alguma função, qualidade ou característica especial. Um par determina o sexo, pois a sua dualidade é o fator que faz surgir à fêmea.
A parte ímpar dos cromossomos origina machos. Recordemos a lenda bíblica de Eva, feita de uma costela de Adão e tendo, portanto, uma costela a mais que ele.
Os cromossomos, em si mesmos, são compostos por genes, e cada um deles, por poucas moléculas. Realmente, os genes constituem a fronteira entre este mundo e o outro, entre a terceira e a quarta dimensões.
As ondas dos moribundos, as ondas da morte, atuam sobre os genes ordenando-os dentro do ovo fecundado. Desse modo, o corpo físico perdido é refeito e o desenho dos falecidos se torna visível no embrião.
PRÁTICA
Durante o período de Câncer, nossos discípulos gnósticos devem praticar na cama, antes de dormirem, um exercício retrospectivo sobre a própria vida. Isso é feito como quando se está vendo um filme a partir do final até o início, ou como quem lê um livro desde o fim até o começo, a partir da última até a primeira página.
O objetivo desse exercício retrospectivo sobre a própria vida é o de poder se autoconhecer e se autodescobrir, reconhecendo as boas e más ações, para estudar o próprio ego lunar, tornando o subconsciente em consciente.
É necessário chegar, de forma retrospectiva, até o nascimento e recordá-lo. Um esforço superior permitirá o estudante conectar o seu nascimento com a morte de seu corpo físico passado. O sono combinado com a meditação e com o exercício retrospectivo permitirá ao estudante recordar-se, tanto da sua vida atual, como das suas passadas existências.
O exercício retrospectivo nos fará conscientes de nosso próprio ego lunar, de nossos próprios erros. Recordemos que o ego é um feixe de recordações, desejos, paixões, ira, cobiça, luxúria, orgulho, preguiça, gula, amor-próprio, ressentimentos, vinganças, etc. Se quisermos dissolver o ego, devemos, primeiramente, estudá-lo. O ego é a raiz da ignorância e da dor.
Somente o Ser, Atman, é perfeito, porém Atman não nasce, não morre e nem se reencarna, tal como disse Krishna no Bhagavad Gita.
Se o estudante dorme durante o exercício retrospectivo, tanto melhor, porque, nos mundos internos, poderá autoconhecer-se, recordar toda a sua existência e todas as suas vidas passadas.
Assim como um médico-cirurgião precisa estudar um tumor cancerígeno antes de extirpá-lo, de igual forma, o gnóstico necessita estudar seu próprio ego antes de eliminá-lo.
Durante o período de Câncer, as forças acumuladas nos brônquios e nos pulmões, no período de Gêmeos, devem passar agora para a glândula timo. As forças cósmicas que ascendem por nosso organismo se encontram na glândula timo com as forças que descem formando dois triângulos entrelaçados, o selo de Salomão.
O discípulo deve meditar diariamente no selo de Salomão que se forma na glândula timo.
Foi-nos dito que a glândula timo rege o crescimento das crianças. Resulta interessante como as glândulas mamárias da mãe estão intimamente relacionadas com a glândula timo. É por essa razão que o leite materno jamais pode ser substituído por nenhum outro alimento para o bebê.
Os nativos de Câncer têm um caráter tão variável quanto as fases da Lua. São pacíficos por natureza, mas quando se encolerizam são terríveis. Eles têm disposição para artes manuais e artes práticas, possuem uma viva imaginação, mas devem ter cuidado com a fantasia.
É aconselhável desenvolver a imaginação consciente. É absurda a imaginação mecânica ou fantasia.
Os cancerianos têm uma natureza suave, retraída, tímida e possuem virtudes caseiras. Entre eles encontramos, às vezes, alguns indivíduos demasiadamente passivos, negligentes e preguiçosos. São muito ligados a novelas, filmes, etc.
O metal dos cancerianos é a prata, a pedra é a pérola e a cor é a branca. Câncer, signo do caranguejo ou do escaravelho sagrado, é a casa da Lua.
Comentários
Postar um comentário