Devido a sutileza das diferenças, recorremos ao resumo da
aula do Prof. Luiz Ládgero Pires*, para caracterizá-las.
"Medo: Quando há um sentimento de ocorrer, grave ou
desagradavelmente, uma situação ou um acontecimento que,
reconhecidamente, poderá trazer definidos riscos e/ou
conseqüências como, por exemplo, se o elevador se mostra em
péssima manutenção, e o mesmo poderá cair.
Fobia: Quando há manifestação de um receio específico,
que sugere em uma situação específica, sendo que a pessoa não
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tem a clareza ou definição dos riscos e/ou conseqüências
ameaçadoras que poderão ocorrer, tendo este receio
características individuais e simbólicas. ...Sentido-se ameaçadas
por determinados seres vivos, objetos ou situações como, por
exemplo... "medo" de barata, de rato...
Pânico: Quando há manifestação de ansiedade de que algo,
não definido e ameaçador, possa estar prestes a ocorrer, sem
estar aparentemente associado a uma situação definida,
percebida ou vivida".
O pânico pode ocorrer advindo de pequenos fatos, os mais
inesperados. É a insegurança em lidar com situações que
normalmente eram encaradas com naturalidade e que passam a
ser terríveis no estado depressivo. Pode ser a fila do banco, do
ônibus, do médico... O encontro com pessoas que lhes são
desagradáveis, doenças, dívidas pendentes com o cobrador na
porta, afinal os negócios antes tão bem sob controle, de uma
hora para outra desandaram. Sua confusão mental fez com que
se descuidasse dos seus compromissos. Enfrentar platéias era
seu forte, onde mostrava seu autodomínio. Ir trabalhar, tudo
agora pode se tornar uma tortura.
Você já não cuida tão bem da sua aparência como antes. Os
pequenos detalhes foram relegados a um segundo plano e a falta
deles lhe faz inseguro perante aqueles que aparentemente os
levava em conta, fazendo sentir-se diminuído.
Não deixe que a sua canoa aparentemente avariada se
afunde. Não conte que os outros irão fazer por você, coisas que
eles pensam que você é capaz de executar. Aqui a afirmativa
"quem quer faz, não manda" é verdadeira. Nem sempre a
delegação de tarefas corresponde ao esperado, detalhes poderão
ser omitidos, o que talvez não aconteceria se você mesmo
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tivesse executado, mesmo na sua situação. É só manter o quanto
possível seu autocontrole. Por isso é importante se superar,
procurar na medida do possível estar apto a executar, ou
procurar continuar a administrar sua própria vida. Não espere
que os outros estejam sempre prontos ou dispostos a servi-lo a
contento. Todos têm seus próprios campos de gravitação; têm
seus "eus", seus compromissos e como você, também têm seus
próprios problemas.
Pela nossa insegurança nem sempre poderemos ser
autosuficientes e estar em condição de executar tarefas que
poderão se tornar perigosas para nós e para os outros. Seu
terapeuta deve ser consultado para ajudar a delimitar o seu
campo de ação. O importante é ter consciência dos seus limites e
não se atemorizar em enfrentar situações que lhe pareçam
difíceis, como por exemplo dirigir um veículo. Se sente capaz,
pode ser aparente. E os efeitos colaterais dos remédios? Seus
reflexos como estarão?
Reconheço, é controvertido – faça, não faça, isso é
conseqüência do pânico e poderemos não estar em condições de
executar as coisas mais simples, quem dirá as mais complexas?
Como administrar nossa própria vida, se o simples ato de
caminhar por uma rua nos parece uma atitude impossível?
Aquilo normal para os outros nos parece uma tarefa hercúlea,
mas navegar é preciso, senão você submerge e você não é um
submarino.
É o "medo" de dormir, é "medo" de não fazer, é o "medo"
dos pesadelos, é o "medo" de não acordar mais o que se
constitui numa verdadeira paranóia.
Não lhe sendo possível, embrome construtivamente o seu
tempo. Para que existem os filmes que lhes são agradáveis? E a
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leitura? Ficar de olhos abertos no escuro não tem a menor graça.
E como custa a passar... Se a situação é essa, você ainda não
deve ter sido medicado e se continua mesmo assim, peça ao seu
médico para trocar de remédio. Como está é que não pode ficar.
Não importa o seu fuso horário, mas para permanecermos bem,
temos que cumprir a nossa carga horária de sono, seja ela qual
for.
Na impossibilidade passageira de pegar no sono e se não quer
ficar rolando na cama, procure por exemplo passar para o papel
os prós e os contras do seu dia. Guarde-os por algumas horas e
leia-os. Alguma coisa há de ter mudado, pois nada é estático e
algo de ridículo você poderá encontrar. Essa autocrítica é salutar
em sua auto-avaliação. Se você mesmo é capaz de detectar suas
falhas, imagine os demais. Tudo é válido para você aquilatar o
seu grau de depressão e sair dela. Procure não se maltratar, não
se despedaçar, se poupe. Readquira aos poucos a sua
autoconfiança, sua autodisciplina, só assim você poderá ser o
que aparenta, uma mente equilibrada em um corpo que aos
demais parece são.
Aprenda a ficar só, mesmo que você tenha sido o rei da
comunicação, apenas não vegete, não faça com que os demais se
sintam na obrigação de fazer-lhe companhia. Enxergando por
esse prisma, tome as devidas precauções para acostumar-se só,
sem pânicos. Preencha o vazio desse silêncio na procura do seu
auto-conhecimento, replaneje o seu existir, sem medo de ser
feliz.
Procure, mesmo que fragilizado, não demonstrar seu
estado, para que outros não se sintam encorajados a prejudicá-lo.
Isso é mais comum do que prevê a vã filosofia. Existem os
oportunistas. Com a mente em dia, você sabia se defender.
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Agora se sente inseguro e pode ser pisoteado por pessoas
inescrupulosas. Em vez de reagir, se deixa dominar, passando a
generalizar, temendo a todos. É errado, mas você não sabe
reagir, você tem dó de si mesmo. Afinal a doença tornou a
situação caótica e tirou-lhe o senso de autodefesa, a capacidade
de raciocínio lógico à altura dos seus opressores.
Em qualquer hipótese, não se deixe intimidar. Escape das
armadilhas, nem que você dê tudo que possa para ir em frente,
como já disse, nem que seja para os lados (repito). Mantenha-se
livre das amarras e já será meio caminho andado para a volta da
sua autoconfiança. Para isso, use de todos os meios que possa
dispor ( palavras, ações, advogados, aconselhamentos,
influências, até a polícia se necessário), para se preservar nessa
fase tão desagradável. Se você já sofre por natureza, para que
aumentar ainda mais essa carga que pessoas inescrupulosas
querem lhe infligir, empurrando-o ainda mais para o fundo do
poço?
As olheiras nem sempre estão presentes no rosto do depressivo
para anunciar a sua tristeza. Nada exteriormente denuncia que
sua alma está doente a tal ponto, que comparo ao banzo que os
escravos sofriam ao lembrarem-se de como eram felizes nos
seus torrões natais. Sua aparência se apresenta normal, então o
que você tem que os outros não vêem, não pressentem? Para não
poucos, você está fingindo. E isso é triste. Afinal, que curso de
arte dramática você freqüentou para enganar tão bem? Você
virou ator da sua própria tragédia. Pode ter certeza que a
maioria não compartilha, nem entende você, e muito menos
disporá de tempo para "perder" com o seu caso. Portanto,
muna-se de coragem, use de todos artifícios, meios e fins para
deixar a depressão para traz. Procure dela esquecer; seja vítima
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consciente e no mínimo de tempo possível, pois ela deixa
vestígios difíceis de se apagar e quanto menos tempo você ficar
namorando com ela, melhor.
Não é de bom tom sermos mal-educados, mas use da
mesma ênfase do seu interlocutor. Nada de se abaixar, é como
se diz: quanto mais abaixarmos, mais a ... aparece. Não se deixe
diminuir, se subjugar. Seu destrator poderá dominá-lo, ameaçálo
realmente, e não será fruto da sua fantasia.
Procure pois, manter os seus relacionamentos de forma a não
perder o controle da situação.
*Resumo de aula baseado em:
- CID-IO-WHO – Artes Médicas
- Honório Delgado – Curso de Psiquiatria – Editorial Médico-
Científico
- Isaias Paim – Curso de Psicopatologia - EPU
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Fugas
Nunca estaremos preparados para enfrentar o fato mais
certo da vida, que é a morte. Se não a concebemos em sã
consciência, nem para nós, o que diremos dos nossos entes
queridos? Ninguém nunca encontrou o remédio da conformação
para com ela.
Mesmo que a formação religiosa nos mostre caminhos, a
tristeza pela partida não pode ser mensurável, e o medo da nossa
própria, sempre estará nos rondando.
Abordei esse assunto também no capítulo auto-estima, mas
no quadro depressivo a morte faz parte do todo, pela angústia, a
tristeza, a solidão, as fugas; em todas, ela se faz presente. É
comum neste estado, notadamente nas fases de baixa autoestima,
os pensamentos recorrentes de morte. É o dormir e não
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acordar mais, é a vontade de preferi-la a continuar assim, é
sentir-se tão sem lenitivo para viver que se torna inevitável ela
não estar rondando, independentemente da forma. Provocada ou
que venha, nem que seja pela doença, ou naturalmente. Mas em
situações de equilíbrio emocional, ela nos apavora, seja para os
outros, ou para nós mesmos.
Para o cristianismo, a vida prossegue depois da morte. Para
outros, morrer já é glorificante e mesmo para aqueles para os
quais ela encerra o fim em si mesma, também, humanamente,
sentem quando ela visita aos que lhes são caros. Morrer significa
ausência, e ela dói. Quando você a quer para si, deixou de
pensar naqueles que o rodeiam. Como ficarão? E aqueles que
dependem de você? Aos demais, você parecerá egoísta,
egocêntrico. Pare e olhe a natureza. Ela resignadamente,
naturalmente, vive seu ciclo vital. Por que o homem irá quebrar
este estado de coisas? Por que se acovardar e não viver até
morrer? A sua falta, com certeza irá causar mais danos que
soluções. Ou em meio a seus problemas não tem algum tempo
para essa reflexão? Antes que ocorra uma fatalidade, dê-se esse
espaço. Caso não consiga raciocinar consigo próprio, procure
ajuda, mas não deixe a situação à deriva, policie-se. Ela, a
tristeza na qual se encontra, não se compara com os danos que
poderão advir por um gesto tresloucado. Analise seus méritos,
dê-se o devido valor. Você apenas não está bem,
passageiramente. Olhe para frente, no fim do túnel escuro, há de
surgir uma nesga de luz e você descobrirá que valeu a pena
esperar. Deixe o imediatismo de lado, meça as conseqüências,
coloque-se no lugar de quem perdeu alguém que lhe seja caro. A
recíproca é verdadeira. Já li que para suicidas em potencial, não
existem meios de prevenção, e não concordo, pois a depressão
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constitui-se de altos e baixos, não tem um comportamento
padrão. Nela existem os momentos de calmaria, necessários para
que o paciente faça uma auto-análise e conclua qual será o
desfecho.
Ditos populares aplicam-se perfeitamente no nosso assunto,
pois fazem parte do nosso dia a dia, "Não há nada como um dia
após o outro". Se amanhã não for melhor, por certo, outro lá na
frente o será. Não vale a pena esperar? Dizem: que quando a
situação está péssima, não tem mais como piorar. Então, as
coisas só tenderão a melhorar.
Devido ao seu estado emocional estar relativo, em
momentos você quer morrer seja de que forma for, por outros,
entra em pânico só de pensar na possibilidade. Assim, a situação
se inverte, é o medo de dormir de vez; é sentir faltar-lhe a
respiração, enfim constitui-se em uma angústia só. A
possibilidade da morte torna-se fobia, é o paradoxo que não
deve existir, pois a vida não deve ser questionada, não deve ter
seu ciclo alterado. Copiemos a natureza.
As doenças oportunistas podem acometer o depressivo,
devido a sua fragilidade mental e física, e o seu sistema
imunológico estar também debilitado, podendo ser acometido de
doenças realmente graves. Veja os hospitais e quantos neles
encontram-se em busca da cura. Como já disse, devemos
acompanhar a maioria, pois alguma razão há de existir para que
eles a constituam. Lutar para que vivamos até o fim, observar a
bravura de quem lutou. Não é mais salutar que a covardia de
quem se entrega?
Pessoas abaladas em sua auto-estima podem descobrir que
o banal de antes é o tormento do momento. Descobrir que está
velho, acabado. Seu antigo poder de sedução não funciona mais
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e sexualmente está arrasado. Podem no conjunto, ou uma em
especial, tornar-se, fatores para levar à depressão, com a
conseqüente vontade de morrer. Se assim for, analise o porque
da situação. Assuma o problema e ao invés de ficar se
lastimando, remoendo-o, lembre-se dos avanços da medicina de
hoje. Você poderá estar sofrendo por algo que a modernidade já
tem condição de resolver. A sua poderá estar numa simples
pílula. Sua vida não vale muito mais?
Pela morbidez do assunto, você preferiria deixá-lo de lado,
o que não pode fazer, porque em algum momento, o depressivo
pensará nele. Afinal, os seus tormentos, mesmo que
imperceptíveis para os outros, são reais, tanto como a morte e a
vida os são. Opte pela última e não se arrependerá. Sei ser o
tópico abordado sério e mórbido, mas se acontecer, é melhor
você admitir que a sua história poderá ser abreviada com a
morte e deixará de ter os acréscimos que a vida poderá ainda lhe
oferecer se você viver. E que ela poderá ser longa e com um
final feliz. Feliz, porque seguiu o curso natural, e como
costumeiramente faz, deixe que o inevitável chegue de surpresa,
sem sustos, sem sobressaltos.
Pense na grandeza e compare: um grão que não vingue, já
terá cumprido a sua missão. Imagine você, um ser tão complexo,
tão superior.
Vamos e voltamos, as situações são diversas, a fragilidade
do "eu" nos obriga a isso. O depressivo pode radicalizar e a
morte é preferível. A forma mais antinatural, o oposto da lei da
sobrevivência, a fuga dos problemas que nos afligem. Isto
porque eles se tornam maiores do que nós mesmos, maiores que
a nossa capacidade de resolvê-los. É preciso chegar o momento
de compreendermos, que o nosso morrer começa com o nosso
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nascimento, e isso já é natural, porque apressar? Não é preferível
vivermos mais devagar, do que morrer muito? Isso serve tanto
na acepção das palavras, quanto para os nossos sentimentos com
relação às nossas correrias, as nossas carências, ao apego a
coisas que superestimamos e que quanto mais vivermos, mais
morreremos. Compare a morte a um carro: ele tem diversas
marchas à frente, mas a ré é uma só. É a lógica da vida, com
muitos caminhos a nossa frente, maiores possibilidades. Por
maior que seja o problema, sempre haveremos de encontrar uma
solução; para a morte não. Ela é definitiva. Devemos enfrentar
os desafios e em último caso, é preferível agir como disse uma
socialite, "Sou um sucesso porque nunca me levei a sério."
No trem dos vivos, que vivem, procure não contabilizar
somente os problemas. Atenha-se também às alegrias, pois a sua
balança precisa desse equilíbrio.
Dependendo da rigidez da formação de cada um, os
problemas são barreiras mais ou menos flexíveis. É muito mais
honroso enfrentar qualquer que seja a barra, seja ela qual for e as
maneiras de resolvê-la, que submeter-se à covardia de sair pelo
auto-extermínio. Como sair pelo alcoolismo. É válido? Claro
que não. Mas no alcoolismo você poderá safar-se, existe como já
disse até pílula. É também uma doença grave, inconseqüente,
imprevisível e que poderá agravar ainda mais o seu quadro
depressivo. Apesar de tudo, dele você pode sair, existem
diversas formas e ainda terá a chance de manter-se vivo. Mas, se
você morrer, irá ressuscitar? São paradoxos que nenhum tiro no
ouvido, resolverá satisfatoriamente.
Os casos extremados que apresento, visam tão somente
estabelecer parâmetros entre o seu estado e o de outras pessoas
que estejam vivenciando situações piores ou iguais às suas, e
47
daquelas que aparentemente, ou verdadeiramente estão de bem
com a vida.
A sua depressão veio para acompanhar uma doença
incurável. O seu sofrimento é terrível, nada mais resta a não ser
a morte. Quantos estados assim não presenciamos? Você não
acredita em milagres, prefere a eutanásia. Você poderá deixar
um exemplo de coragem se em vez de adotar esses caminhos,
enfrentar a doença até o seu momento final, com muita
dignidade e coragem. Outros poderão seguir o seu exemplo e
mesmo que o milagre não lhe tenha sido concedido, você terá
marcado pontos. O mundo terá ficado menos triste com a sua
partida. Afinal você teve a coragem de lutar.
Para escapar da dura realidade, a maneira mais fácil de
acabar com problemas, sofrimentos, angústias, dores, fobias,
manias, pânicos é procurar alternativas, pois já não acreditamos
nos médicos. Os tóxicos são um deles, e pode com probabilidade
de até 100% torná-lo um dependente químico. Mas, aí incluo
outros, tais como: o alcoolismo, o tabagismo, a automedicação,
diminuindo ou aumentando a sua dosagem. Não serão com esses
recursos que o depressivo encontrará a solução. Muito pelo
contrário, ao adotá-lo estará se aprofundando, mais e cada vez
mais, na dependência e ás conseqüências que certamente
advirão. Todos proporcionam momentos fugazes de euforia, e
alegria . E a vida não é tão breve assim. Lá fora ela continua, e
você terá que voltar. As seqüelas que provocam valem à pena?
Claro que não. E ainda complicarão o seu processo de
recuperação, em muitos casos, se ainda for possível. Pode ser
uma ida sem volta, ou um retorno ainda mais penoso.
Como a doença não escolhe idade, há que se observar os
mais jovens. Se você se julga incapaz de enfrentar a situação,
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procure ajuda. Leia a respeito, procure conhecer um submundo
que lhe possa ser desconhecido mas que terá, obrigatoriamente,
de lhe ser desvendado, para o bem do viciado e de toda a
família. O normal é que todos enxerguemos o vício como algo
fora do nosso meio, impossível de acontecer. Mas, tudo é
possível, mesmo para quem não esteja acometido de depressão.
Ocorre em pessoas que inicialmente estão sadias, felizes e por
esses canais se tornam tristes, ou ocorrer o contrário, tentar sair
da tristeza através deles. A compreensão familiar, a colaboração
do paciente, são fatores preponderantes para condução à cura. Se
você não é capaz, recorra às associações especializadas, mas o
importante é não cruzar os braços. Ao primeiro sintoma, real ou
pressuposto, todos os meios de combates serão válidos, antes
que a dependência tome conta da pessoa.
A pena, a compaixão pelo paciente, não podem contribuir
para alimentar os vícios adquiridos antes, durante ou na
continuidade da depressão. O problema já é grande por si só,
agora imagine-o acompanhado. São muitas perguntas para uma
só resposta. O mal não pode ser alimentado; tem que ser
cortado, nem que seja a duras penas. O que adiantará a tentativa
da procura de novos caminhos para uma pessoa viciada? Será o
fracasso na certa, pois o cérebro, o físico, não correspondem.
Sob os aspectos das fugas até agora abordados, não posso
deixar de citar as pessoas que tentam se matar para chamar a
atenção para si. Afinal, ela não é mais o epicentro das atenções e
agora quer readquiri-la a qualquer preço. Sob seu ponto de vista
é uma fracassada, ninguém se interessa por ela, é uma pessoa
inútil, só causa problemas, até nas pequenas coisas, para que
viver? Só, em meio a essa turbulência, sem apoio dos que
rodeiam, o que se pode esperar? Em si só, é uma bomba em
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potencial. Sua mente não digere os aconselhamentos de acordo
com o esperado e sem eles, tudo tende a piorar. Pessoas nesse
nível de depressão, são opacos, onde nada é realmente nada. A
ajuda leiga, as associações, os psicoterapeutas, têm que ser
acionados nesse ponto de discintonia. O paciente por si só não
terá condições de se auto-analisar e discernir, se fica ou se vai
desta para outra. Nesse estado ele deve ser observado, mas não
sentir-se vigiado, o que será pior. Deve ser aconselhado, alertado
de que tudo há de voltar ao normal e que a esperança é a última
que morre. O depressivo, o viciado, deve se sentir útil para a
família e caso venha a faltar, será pior para os que ficam.
Mesmo doente, ainda lhe resta a esperança de ser feliz. Também
deve sentir-se responsável pelo seu bem-estar e que a sua
existência não diz respeito só a ela mesma. Afinal, ela deve
satisfação para as outras. Deve valorizar a vivência da vida,
deixando de procurar os caminhos das fugas e da morte, pois ela
se constitui no clube mais aberto do mundo. Se até os animais
irracionais têm o sentido da autopreservação, porque o ser
humano, racional, não vai tê-lo? Essa chamada à realidade é
imprescindível para o depressivo. Não cabe a ele alterar o curso
normal da existência, ela tem que se deslanchar e acabar como
foi concebida, naturalmente. Não podemos utilizar meios e fins
não condizentes ao que a natureza nos premiou. Por mais caótica
que seja a situação, caminhos hão de existir, sem vícios, sem a
desvalorização do que é mais caro à natureza, a vida. Mais uma
vez, lembro que o fato mais certo dela é a morte. Não há a
necessidade de apressá-la. No momento certo ela chegará. Se
mesmo para aqueles que se agarram à vida com obsessão ela
visita, agora imagine a quem passe a procurá-la? O inevitável
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pode acontecer e sem condição de retorno, valeu tentar? O
resultado, seja qual for, não será bom, muito pelo contrário.
Preste atenção à sua volta. Uma razão há de existir, ou
muitas, para que os outros se sintam felizes e não é privilégio de
uns poucos. Por que você também não pode sê-lo? Ao procurar,
você há de se alegrar com detalhes ínfimos, pois a felicidade
está dentro de você. Ao procurar, não o estará fazendo em vão.
Mentalize que VALE A PENA VIVER, ainda que possa parecer
um chavão. O valer a pena, pode não parecer possível nesse
período cinzento pelo qual está passando, mas depois você irá
ver e sentir que sim, valeu muito.
Marcas indeléveis poderão tê-lo marcado, mas serão como
cicatrizes de guerra. E mesmo que não sejam perceptíveis,
ostente-as com orgulho, pois você as tem com o devido parabéns
pelas batalhas que enfrentou e venceu. Você se superou, foi mais
forte do que a sua passageira companheira de tristeza, e quem
sabe, não estará mais feliz que antes.
Para os iniciados no espiritualismo, ou não, muitas
respostas poderão ser encontradas nos livros: Memórias de Um
Suicida de Ivone Pereira e Depois da Morte de León Denis.
Leia-os: compare-os com a sua situação e verá que não foi um
tempo perdido. Terá um melhor entendimento sobre o assunto.
51
Os Iguais se Atraem
Em seu viver, aconteceu de você conhecer outras pessoas
depressivas. Afinal, ninguém melhor para entender um
depressivo que você, uma aproximação senão de iguais, pelo
menos de parecidos, em momentos especiais. Ouviram-se,
tentaram se aconselhar mutuamente e procuraram tirar lições
disso tudo. Mas nem sempre é assim, você pode levar a pior.
Não se pode esperar que você absorva toda uma carga negativa
de alguém que em outra circunstância, poderia receber de você
toda a sua atenção e ajuda. Mas seu momento também é especial
e tanto quanto para o outro, existe a sua carência. Mantenha-se
eqüidistante, não por egoísmo, mas por amor próprio. Os
especialistas da área se preparam por anos a fio, aprendendo a
construir barreiras em torno de si mesmos, para tratarem com os
52
seus problemas e de seus semelhantes. Eles foram treinados para
ficar imunes, para ajudar os seus pacientes e você não tem esse
escudo. Sendo necessária essa convivência, da sua parte ou da
outra, mesmo porque quando escolhemos amigos, devemos estar
preparados para aceitá-los como eles são. O importante é que em
seus contatos você se poupe. Use da franqueza, quando sentir
que não está apto ou disposto a compartilhar de problemas. Não
há necessidade de ser grosseiro. Aja com naturalidade, ninguém
é perfeito e todos estamos sujeitos as pressões externas.
Procurando se fortalecer, você estará apto a ajudar essas pessoas
que ainda não conseguiram superar as crises.
Nem todos tiveram a coragem de procurar especialistas
para expor seus problemas como você. Aborde a questão,
explicando que o primeiro passo é procurar alguém capacitado
para ajudá-lo. Os papos nas seções de grupo são muito profícuos
e interessantes, tudo porque têm a devida orientação. Mas entre
leigos, a coisa pode não ser positiva para ambas as partes. Nesse
estado de incertezas, o melhor é termos exemplos construtivos,
vivenciados positivamente e abordados de forma tal que só
tragam benefícios.
As oportunidades para essas aproximações não haverão de
faltar. Mude de posição com a outra pessoa até aqui tratada, a
recíproca é verdadeira. Ela correrá os mesmos riscos, e ambos
devem conversar mas com quem tenha, como já dissemos,
estrutura e preparação para tal. Quem está vendo a cara não está
vendo os sentimentos. Até médicos de outras especialidades
podem ser pessoas não indicadas para ouvi-lo. O que um
ortopedista, um gastro, ou outra especialização não voltada para
a saúde mental, poderão fazer em seu caso, a não ser que deles
precise para os tratamentos para os quais são indicados?
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Na sua fragilidade, a tendência é emprestar seus ombros
mais que o necessário e justo, nesse momento em que precisa
estar alerta para vislumbrar uma réstia de luz no fim do túnel.
Fica suscetível de se envolver com os problemas alheios,
daqueles que necessitam tanto quanto você de ajuda. Mas, antes
de se dar, ponha-se em primeiro lugar. Dos embates da vida
ninguém está livre. Seja o seu próprio exemplo. Ninguém é dono
do mundo, e desde o seu princípio, com certeza, eles existiram e
não será você a resolvê-los todos.
A insistência na sua preservação é porque você tem que
fazer as pazes com a vida. Ela tem que continuar e para isso, há
a necessidade de se aplicar a lei da sobrevivência, perceptível
nos animais mais primários, daí...
Nunca é tarde lembrar que você está nesse grupo
provisoriamente, não definitivamente. Você ficará nele
dependendo da sua força para lutar. No caso, querer tem que ser
poder, sem meias medidas.
O amigo com quem você não quis, talvez
momentaneamente, compartilhar das tristezas, amanhã também
já estará fora das amarras depressivas e assim, poderá
saudavelmente, desfrutar de um convívio construtivo e alegre.
Daí ter colocado sobre a ponderação, o doseamento nos
colóquios, o não cair de ponta-cabeça nos problemas alheios.
Espere por dias melhores e não tenha a consciência pesada pelas
suas atitudes. A troca de informações, confidências, experiências
se necessárias, que ocorram em níveis não angustiantes.
A seguir, minhas colocações poderão parecer infantis, mas
constituem saídas que parecerão supérfluas, fricotes. Para não
ser confundido com um doente mental, pequenos animais
poderão ser ótimas companhias. Servem para ser acariciados,
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para conversar, distraí-lo. Até um bichinho inanimado poderá
ser seu confidente. Adote plantas. Desenvolva seu lado criativo
nas artes, na mecânica, seja o faz-de-tudo em sua casa. Converse
consigo mesmo, só mentalmente, para não se expor. Se mesmo
as pessoas da sua convivência diária estão lhe achando estranho,
o que dizer delas ouvindo-o falar sozinho? E os demais, o que
pensarão?
Quando se fizer a luz, esses pequenos detalhes lhe serão
muito caros. Concientize-se de suas fragilidade. Foram como
flores viçosas, presentes, mas murcharam e morreram antes de
você. Ficarão na sua lembrança que um dia eles lhe foram
muito úteis.
Tenha em mente que é preferível às vezes dizer NÃO, quando
seu coração pede para dizer SIM.
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Solidão
Sua rotina diária foi quebrada por algum motivo, e não foi
para melhor. Tudo o que você faz passa a não ter sentido. Seu
humor está entre altos e baixos; você magoa desnecessariamente
aqueles que o cercam, e eles estão se afastando. É quando
constata que está só e com todos os seus problemões. É tudo
uma questão lógica.
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