Enfim, o que dá prazer parou de lhe interessar, a isso
chamam de "ante-hedonismo". Os acontecimentos que deveriam
ser motivos de felicidade, como a aquisição de uma nova casa,
uma promoção no emprego, a chegada de um recém-nascido,
também, podem ocasionar a depressão. Ela vem, pôr impossível
que pareça, em momentos que deveriam ser de celebração e não
de tristeza e a ciência ainda não descobriu a causa. Sabe-se que
quando há um desequilíbrio nos neurotransmissores do cérebro a
transmissão das informações, sofre uma pane, quando então
ocorre a desestabilização e os seus sintomas se afloram. É uma
doença clínica esse desequilíbrio químico dos
neurotransmissores que regem o humor. É mais um mal-estar
físico, uma doença corriqueira, mas séria. Ela não tem sintomas
físicos evidentes, não escolhe idade, ou sexo, podendo acometer
5% da população e entre 10% a 20% hão de passar por ela em
algum período da vida.
Relevemos os quadros corriqueiros de tristeza passageira e
lembremos que a depressão pode acontecer a qualquer um. A
profunda dura normalmente de 6 meses a 2 anos, ou mais, mas
hoje em dia, com a ajuda adequada, pode começar a ser curada
ao fim de algumas semanas. Tudo é relativo e depende do
quadro.
Se o "cachorro preto" o pegou, você prefere morrer,
dormir e não acordar mais. Acha que se morresse, seria
indiferente e não faria falta a ninguém. É hora de procurar ajuda,
procurar a saída. Continuar ou aprofundar-se cada vez mais para
o fundo do poço e acomodar-se, é a morte em vida e as forças
poderão lhe faltar nessa guerra que com certeza será cheia de
batalhas.
20
Entre os depressivos, está provado, o sistema imunológico
fica debilitado, oferecendo oportunidades para o surgimento de
doenças fatais. O corpo oferece-se assim, como que de graça
para o aparecimento de doenças oportunistas, leves ou graves.
No tumulto em que está o seu epicentro mental podem surgir
problemas físicos reais. A sua volta já devem ter acontecido
muitos casos assim. Recorda-se daquele amigo que após anos de
dedicação a um trabalho o perdeu sem maiores explicações?
Lembra-se da tristeza que o acometeu? E os problemas que
advieram? E de que ele morreu? Sei de um caso real de câncer,
mas pode ser um aneurisma... O compêndio da medicina é por
demais extenso para descrevê-los. Procure manter a sua mente
sob controle e não se dê ao luxo da situação chegar a esse ponto.
Alertamos que você pode estar apenas passageiramente
triste e que poderá achar as situações descritas exageradas, mas
se está realmente deprimido, verá que esse estado de espírito nos
leva a extremos e nosso objetivo é ser abrangente, para mostrar
as diversas facetas com as quais a doença se apresenta. Podem
ser estados leves, passageiros, os mais profundos, os agudos e
crônicos. Da forma que ela vier, a meta é nos safar. O que pode
parecer absurdo para uns, para outros caem sob medida e a quem
não estiver acometido por ela parecerá estarmos descrevendo "O
inferno" de Dante.
Declaradamente, não pensamos fazer destes escritos um
livro de cabeceira. Nossa proposta é fazer com que pessoas
afundadas nessa areia movediça se reencontrem a partir da autoanálise,
e encontrem as causas que a levaram a isso, com a
conseqüente busca de cura. Cheguei á conclusão que nem toda
atenção do mundo, nem os recursos avançados da medicina
serão suficientes para que você faça as pazes com a vida sem a
21
sua colaboração. Se nela o eixo principal é você, por mais
altruísmo e incentivos externos que receber, sem ela a nada se
chegará.
Ao ler a palavra AUTO, atente que não estarei me
referindo ao automóvel, a uma máquina e sim ao ser humano
que é VOCÊ PRÓPRIO, é o seu EU.
22
O Mundo à Sua Volta
O egocentrismo, o pensamento voltado para o seu mundo,
aparentemente, ou verdadeiramente desabado, o impede de
estabelecer parâmetros. Os seus problemas são "os maiores", "os
piores", nada se compara a eles.
Sei que a comparação está fora dos seus limites de
coordenação mental. A discintonia o acomete tanto sob
tratamentos médicos adequados, quanto enfrentando as barras
sem eles. Deixa de observar, até subestima os problemas alheios.
A depressão venda seus olhos e não os pode enxergar ou
percebê-los. Como o momento é de altos e baixos, você deve
aproveitar aqueles em que sua percepção estiver boa para
comparar o seu mundo com o dos demais. Por pior que estiver,
sempre encontrará alguém, e muito mais do que possa imaginar,
23
em situação pior que a sua. Quando lhe for permitido momentos
assim, compare o seu estado físico, mental, financeiro, afetivo,
etc. Tenho braços? Eles obedecem ao meu comando? As pernas,
o sexo, aparência, meus meios de subsistência, estão melhores,
piores ou iguais aos das pessoas que me rodeiam? Tenho o
cantinho para morar? Meus parentes estão me dando atenção?
Tenho recursos para viver dignamente? Estou provisoriamente
fragilizado, mas estarei demente? Será que estou louco? Vivo
sob efeito de psicotrópico, mas será sempre assim? Com essas
perguntas na pauta, observe a luta de quem enfrenta uma cadeira
de rodas com dignidade. Observe que você tem pernas para dar
um passeio, ir à banca da esquina, à panificadora, aonde você
quiser ir e vir. Você ouve, pode se comunicar. Você vê, pode ir a
um cinema, se não conseguir ir sozinho arranje uma companhia.
Você pode ler. Mesmo que fisicamente esteja se sentindo
debilitado, compare-se a quem já esteve pior mais ou menos
agredido, e "aprenda" a recorrer a sua força de vontade para
superar-se.
Se estiver numa clínica, observe que muitos estão lá sem
possibilidade de sair, mas você não. Você vai estar fora dela tão
logo as coisas se equilibrem.
E aqueles que nem lá podem estar? Já pensou? O seu mal
é passageiro. Enquanto vivo, chances hão de existir para se
reconstruir, com a vantagem de trazer na bagagem experiências
não boas, e assim valorizar o que antes você não percebia. Você,
intimamente, ficou enriquecido pelo sofrimento. Mesmo que
muitas coisas antes consideradas essenciais já não existam mais,
outras alternativas haverão de surgir. Até por esse lado você foi
beneficiado, pois aprendeu algo muito difícil: esperar. O jovem
guerrilheiro "de quem sabe faz a hora, não espera acontecer",
24
ficou no passado. As coisas serão planejadas e executadas com
mais conseqüência e, por certo, haverão de ser mais perenes,
consistentes.
O choro pode ser uma constante em sua vida, mesmo sem
motivo aparente, ou como pela perda de um ente querido. Seja a
causa que for, continue a observar a sua volta. Nada é
irremediável, pois temos o poder de aprender a conviver com o
inevitável. É tudo uma questão de dar tempo ao tempo. Ele tem
o poder de curar feridas, ainda que fiquem as cicatrizes.
Pense nas doenças incuráveis e nos sofrimentos que elas
ocasionam. Normalmente, são batalhas inglórias, onde o mais
fraco pode sucumbir, se obstinadamente não lutar para que saia
vitorioso.
A partir dessas comparações, priorize readquirir a sua
autoconfiança; sentir menos pena de si mesmo. Tudo deve visar
a volta ao caminho de momentos felizes, naturalmente, sem
forçação de barras. Nunca iremos, e sabemos em sã consciência,
consertar o mundo. Mas, por esse prisma, muito poderemos
fazer para amenizar esses casos de misérias e de desamor que
descrevi. Assim procedendo, poderemos tornar o nosso
sofrimento e o do próximo mais suportável. E seremos felizes,
sem culpa.
A busca da saída é árdua. O mais prático e cômodo é
continuarmos com as nossas atividades habituais. Mas, é o que
queremos? Pode ser que sim, pode ser que não. Observe o
trabalho de um pedreiro, um catador de papel. À noite, escute o
barulho do caminhão de lixo. São atividades pesadas. O
motorista de ônibus que durante horas a fio enfrenta um trânsito
caótico, os tímpanos da telefonista... Mesmo estressado, pense
nessas e noutras situações. Isso fará com que o seu quadro
25
depressivo se amenize diante da realidade de outras pessoas.
Talvez os motivos que o trouxeram até aqui sejam mais leves ou
piores. Não importa. O que interessa é nos reencontrarmos; nos
reprogramarmos; simplificar para não complicar.
26
Todos parecem Felizes
Todos parecem felizes, menos, eu. O que estará
acontecendo? Estarei louco? Na verdade, meus
neurotransmissores estão mal conectados e o estar feliz não é
minha condição psíquica.
O meu sorriso morre no nascedouro, amarelado, quando
tento dá-lo. É uma angustia cruciante e percebê-lo nos outros é
inadmissível. Chego a me sentir pertencente a uma raça especial
de seres, onde o interior é todo tristeza. O meu momento atual é
péssimo. Quando admitiria ter "inveja" de outras pessoas que
normalmente levam o seu dia a dia? Pois o momento chegou. O
que fazer? Me conscientizar de que já fui assim e poderei voltar
a sê-lo. Que necessariamente, terei de recorrer a todos as autos:
estima, controle, determinação, análise... Meu interior tem que
voltar a vibrar como antes, diante de pequenas e grandes
27
realizações e isto só conseguirei amando-me antes de tudo, pois
só receberei o que puder dar. Não posso ficar como um espelho
opaco, cego, que só recebe e não retransmite.
Admita que você não fez por merecer tal tristeza, ela
chegou sem pedir licença e se instalou no seu interior. Cabe a
você captar a alegria que os outros transmitem, admitir que os
outros merecem ser felizes e principalmente, você. Não se
acanhe em achar graça nas pequenas coisas, fatos, situações.
Volte a se encontrar com o lado cômico da vida. Não espere a
hilaridade bater à sua porta, procure-a. Lembre-se o sorriso
poderá iluminar seu ar tão sofrido e você estará transmitindo
uma sensação agradável para seus semelhantes, aos animais...
Falar é fácil, mas se você não tentar, se não der os
primeiros passos rumo à alegria, ficará a ver navios, pois a vida
não vai parar só porque você está a sua margem. Embarque no
bonde onde os demais estão. Se constituem a maioria é porque
deve ser o mais certo.
Outras pessoas também têm problemas, não igual ao seu,
que é "maior". Mas, mesmo assim, parecem felizes e muitas
vezes, assim como você, só parecem. Os seus "eus" podem
também estar sofrendo.
Para não fingir ser feliz, só resta sentir-se verdadeiramente
cheio de felicidade. E depressivo, não conseguirá. O que fazer?
Colaborar com a sua cura, do contrário, estará perdendo grandes
momentos da sua existência. Ao sentir-se vibrando
verdadeiramente, a sua cura terá chegado e “Se o seu
aniversário brilhar com as luzes da alegria e felicidade... Isso
será só um reflexo de você”.
E as crianças, os adolescentes? Esses merecem atenção
especial. Observe se eles estão tristonhos, os médicos não
28
encontram doenças que só são aparentes. Vivem como se
estivessem a assistir a um filme. Eles também poderão achar que
só os outros são felizes, menos eles. Cabe aos responsáveis
procurar a ajuda especializada, pois nessa fase da vida, em que a
personalidade está sendo formada, as seqüelas poderão ser mais
duradouras que em um adulto.
Como já dissemos, a depressão não escolhe idade e pessoas
jovens não têm o poder de auto-avaliação como o adulto. Se não
tratada corretamente, teremos um adulto introspectivo,
complexado, um ser amargo, com a probabilidade de uma vida
insípida e vazia. Ao pressentir a apatia em um jovem,
conscientize-se da sua responsabilidade e procure os meios para
torná-lo participativo, a fim de torná-lo uma pessoa feliz
29
Autopiedade
Decididamente a autopiedade pode não estar clara no seu
EU, ainda. O normal é nos fazermos de vítimas para fugir da
realidade. Quando digo que ainda não despertou para esse fato é
porque tem um longo caminho a ser percorrido até constatar que
as falhas são suas e que deve assumi-las. O seu mundo está
gravitando de maneira diferente por algum motivo e por isso
você está também mudando, mas você talvez não esteja
percebendo. Vai se recolhendo em copas e acrescentando-as à
medida que os fatos ocorrem. A tendência em tudo isso é ir se
fazendo de mártir, pois as coisas não estão dando certo como
você gostaria que dessem. Em situações assim, o mais plausível
é atribuir a outrem a culpa dos erros para chegar às metas que
você tão bem delineou. Elas poderão ter sido planejadas já em
meio a turbulências e você não percebeu. Detalhes podem ter
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sido omitidos ou esquecidos. A constatação disso, vem em
fracassos que se repetem e formam um efeito cascata: cartinha
por cartinha, vão caindo. A questão é que você deve responder
pelos seus atos, corretos ou não. E isso é pesado. É quando nos
tornamos vulneráveis e sentimos muita piedade de nós mesmos;
impotentes diante da realidade crua e nua. Por mais que os
outros queiram nos ajudar, estarão lidando com um problema.
Somos ou não somos? Quer para os outros, quer para nós
mesmos, sabemos sê-lo. A acomodação não resolverá esse
estado de coisas. Para isso, é necessário nos conscientizarmos de
que o importante é seguir em frente, nem que seja para os lados
(repito). Não deu certo hoje não deu certo dessa forma, vamos
procurar outros meios. Não estamos a procura de um saída que
seja nesse labirinto? O importante nessa auto-análise é
tornarmo-nos transparentes para nós mesmos. Assumirmos as
conseqüências das nossas atitudes e ter em mente, que mesmo
aqueles que estiverem fora dessa canoa, também erram - com a
diferença que as barreiras para eles são transponíveis e para nós
são muralhas, altas, inatingíveis. Nós assim as construímos.
Parece estarmos confundindo objetivos não concretizados,
como conseqüência para o sentimento de autopiedade. Mas na
verdade, esta é apenas uma entre incontáveis nuanças que nos
levam a ter pena de nós mesmos. Fugindo desse lugar comum,
vejamos o plano afetivo. Parece que todos nos desprezam, pois
vemos nas expressões dos outros, a alegria que queríamos que
transparecesse na nossa. Eles vivem em um mundo
multicolorido e conosco tudo parece cinza, quando muito, em
preto e branco. É tudo uma questão de essência. Enquanto neles
o mundo ressoa, em nós não provoca eco. Eles tem todas as
saídas; nós, nenhuma.
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Enxergamos as demais pessoas como amando e sendo
amadas. Percebemos que também somos capazes, mas não
ousamos, não merecemos. Se perdemos o amor por nós mesmos,
como poderemos amar outras pessoas, lugares ou coisas?
Somos vítimas de nós mesmos, e não percebemos o quanto
podemos ser queridos. A nossa angústia nos torna egocêntricos e
o afeto que nos é destinado parece pouco, por mais explícito que
seja. Somos carentes. Nosso eu está doente e talvez não
diagnosticado. O nosso dia a dia passa como uma película
insossa. Os cartões postais de nossos amigos são recebidos como
insultos, pois como encontrar alegria onde não existe? Parece até
conspiração de tudo e de todos. E onde encontrar o equilíbrio ou
senso comparativo para que nossos vagões se encarrilhem nos
trilhos certos? A resposta está dentro de nós, cabe-nos procurála.
Mas como? Dentre as diversas opções que possam nos
apresentar, além da ajuda externa, você é um milagre da
natureza. Procure no seu íntimo como poderá se autovalorizar,
objetivando não necessariamente seu círculo de vida, mas diante
de você mesmo. Faça-se grande em frente ao seu espelho.
Olhe um rio, um riacho, admire as suas perenidades. Comparese
a eles, seja tenaz em seus objetivos, é como já disse, sempre
em frente, nem que seja para os lados e já disseram: sempre
existe um fracasso atrás de um grande sucesso.
Fortalecido, naturalmente os demais assim sentirão com
relação a você. E em contrapartida, corresponderá a mais
respeito para consigo e não necessitará de atenções maiores que
aquelas normalmente dispensadas a uma pessoa.
O paradoxo, sejam quais forem os motivos pelos quais você
está triste, é AUTOPIEDADE x AUTOCONFIANÇA. Dê o
primeiro passo. Ninguém nasce sabendo, tente ser auto32
suficiente. Comece por coisas ínfimas, e vá progredindo passo a
passo. Não procure ser o alvo das atenções. Todos têm seus
problemas. Viva e deixe-os viver, cada um na sua.
A autoconfiança deve se estender até o controle dos seus
pânicos. Como? É apavorante, se você é daquelas pessoas que se
esvaem em suores por todo o corpo só de pensar em sair de casa,
principalmente sozinho. Se você não encontrar um meio de
enfrentar a situação vai depender de outras pessoas que já tem
suas vidas para administrar. Você passa a ser um estorvo. Então,
pondere o que poderá acontecer se você enfrentar a situação?
Com calma, poderá se libertar dos pânicos, quando perceber que
ao desafiá-los, você terá que superar-se. Terá que ser corajoso e
deixará de pensar: talvez essa tristeza toda acabasse se eu nunca
mais acordasse. É preciso acordar e concordar que o que for
inevitável, teremos que enfrentar. A autopiedade nada mais é,
segundo alguns, que o medo associado ao comodismo, que
atinge uma pessoa fragilizada. O medo é compreensível, o
comodismo vem em decorrência de situações que interagem
com o não discernimento do que é falso ou verdadeiro.
O que será mais interessante, passar o tempo em companhia
agradável, ou junto a pessoas taciturnas? O óbvio não precisa de
resposta. A tendência natural é você ser excluído ou ignorado.
Cai assim a sua auto-estima e você fica carente de atenções.
Você se autoapieda. Como evitar? Procure guardar seus traumas
para quem se dispuser a ouvir, amadora ou profissionalmente
falando. Procure não ser alvo de pena. Comunique-se de forma
positiva, mesmo que o seu "eu" esteja dilacerado. Todo mundo
gosta de cargas positivas, deixe as negativas para autosolução ou
ajuda especializada.
33
Depressão passageira ou crônica? Se situe em um desses
grupos. O primeiro não é melhor que o segundo; ambos são
caóticos. Mas a verdade é uma só: todos que nelas se encontram,
não a desejam nem para o pior inimigo. O pior é não ser
compreendido por você ter essa doença da alma. Ninguém a vê,
senão pela tristeza aparente em seu olhar - e que nem sempre é
percebida.
Você ficou diferente por não ver mais graça nas coisas
prazerosas da vida e isto é difícil de entender, por se constituir
basicamente na razão do tempo que passamos aqui na terra.
Todos buscam e querem viver assim, felizes. A falta de
compreensão para com você, o faz sentir rejeitado, vem a
autopiedade e, com razão, pois quem gostaria de estar numa
situação dessa? Por estar consciente, vem o sofrimento. O louco
não tem esse problema, ele vive noutra realidade, por isso a
necessidade de colaborarmos com o nosso reestabelecimento
para não passarmos a ser mais um na categoria deles.
Os momentos agora vivenciados, não estão sendo nada
agradáveis. Mas em vez de repelir as pessoas, cative-as e
procure na medida do possível expandir o seu círculo de
relacionamento, tendo em mente que os outros gostam mais de
serem ouvidos do que escutar. Portanto, dirija suas lamentações
para os canais apropriados, poupe quem está em paz e faça-as
sentir que você está bem. Você não estará mentindo e sim
omitindo o que às vezes pode estar óbvio na sua fachada triste.
Mas lembre-se, as pessoas para se manterem longe de
problemas, fazem qualquer negócio. Enquadre-se nos padrões
normais de comportamento.
Auto-estima, autocontrole, tudo tem a ver com o
comportamento do depressivo em sua autopiedade. Daí a
34
necessidade de procurar se dosar, procurar o equilíbrio. Conheço
casos em que o autocontrole foi conseguido com a ajuda de
medicamentos e palestras, mas os pacientes tiveram que
colaborar, pois suas crises os tornavam eufóricos. O perigo da
euforia é poder levar o depressivo a atitudes extremadas, e não é
por esse caminho que se resolve o problema. Portanto, nesses
casos é mais do que necessária a monitorização por profissionais
médicos, para observar, controlar o paciente, objetivando levá-lo
a um estágio ideal de equilíbrio para enfrentar a vida. Enfrentar
é um termo bastante duro. Por que não viver a vida, não agarrarse
ao passado, ou achar que o futuro será sempre melhor? É
viver o presente com tudo que tiver direito. Não deixe que a
ilusão de um futuro melhor lhe tire o viver agora, da forma que
lhe aprouver, paciente ou freneticamente, dentro das suas
limitações. Também não adiantará dar um crédito muito grande
para o passado que foi tão rico de realizações, pois ele se foi, o
momento é agora. Pense assim: se optei por viver, quero viver
até o último momento; e que o tempo presente é o único no qual
podemos repassar o passado e construir o futuro.
Encapsular-se tipo conversar com seus botões, não o levará
a nada. Só a honestidade em suas colocações o farão melhorar,
com terapias e medicação adequados. Eles haverão de indicar os
meios para que você encontre a sua auto-estima, seu
autocontrole e deixar de lado a autopiedade. Noto que ela é
muito recorrente e infantilizada. Parece-se aos ciúmes do filho
mais velho com a chegada de um irmãozinho. A coisa fica tão à
mostra que deixa de ser importante para terceiros. Só o
depressivo realmente a sente e não tem consciência do ridículo a
que pode estar exposto.
35
Analisando nossa enfermidade mental da tristeza,
procuramos exemplos à nossa volta. Eles estão na TV, no rádio,
nos jornais, nas ruas, na casa de seu vizinho, onde
encontraremos situações piores que a nossa. No entanto, a dó de
nós mesmos nos tornam infantis, cegos, ridículos, egocêntricos,
carentes da atenção do próximo. Muitas reabilitações ocorrem, a
partir do momento em que o depressivo entende não ser ele o
centro das atenções que ele julga ser e sim uma pessoa como
outra qualquer. Além do que, é necessário adquirir a auto-estima
com o posterior autocontrole da situação.
36
Pânicos
Existem conceituações sob o ponto de vista da
psicopatologia que enfocam a afetividade (capacidade de
experimentar sentimentos e emoções) expressa através de:
medo, fobia e pânico, entre outras.
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