PLANTAS MEDICINAIS USOS POPULARES TRADICIONAIS - parte 5


Seu nome científico é Maytenus ilicifolia, da família
Celastraceae.
Muitos lhe dão o nome popular de cancorosa, inclusive os
Argentinos que a chamam gongorosa ou gangorosa. Isto, claro, traz
muita confusão, porque a erva-cancrosa ou cancerosa é bem outra planta.
A espinheira-santa é um caso em que a experiência e a sabedoria
populares foram comprovadas pela ciência, pois é a primeira planta
brasileira aprovada para uso medicinal em 1988, dentro do programa da
CEME (Central de Medicamentos). Em experiências com ratos e testes
clínicos com seres humanos a espinheira-santa mostrou-se eficiente na
cura de úlcera e no tratamento de problemas digestivos de forma geral,
além de se mostrar completamente atóxica. Outros usos: internamente,
como antiasmática, anticonceptiva, em tumores estomacais e contra
ressaca alcoólica. Externamente, como antisséptica em feridas e úlceras.
Outra indicação resume suas principais propriedades: pode-se empregar
esta planta para curar ou aliviar úlceras no trato digestivo, gastrite,
gastralgias, azia, má digestão, flatulência, fermentação e inflamações
intestinais, hepatite, insuficiência hepática, anemia, fraqueza, doenças
dos rins e bexiga, feridas, tumores, acne, eczemas etc.
Precisa mais? Então só mais uma receita, bem prática e oportuna.
Contra úlcera interna: misturar 30g de folhas em pó em 1 1/2 xícara
(chá) de água fervente; cobrir e deixar esfriar; coar; tomar diariamente.
Encontra-se nos estados do sul do Brasil, mas não se deixe
enganar por amadores, que lhe queiram vender qualquer folha espinhenta
como espinheira-santa.
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FUNCHO
O funcho é sem dúvida uma planta muito conhecida. Nem tanto
parecem ser suas muitas propriedades e utilidades. É conhecido
cientificamente como Foeniculum vulgare, da família Umbelliferae.
Com seu porte de mais de um metro, sua cor verde-clara, suas
folhas finamente recortadas, encimadas pelas umbelas de múltiplas flores
amarelas, é um verdadeiro ornamento na horta ou no jardim. Suas
sementes são muito usadas como tempero em vários alimentos. É usado
também como alimento o chamado funcho-doce, com a base engrossada
e comestível. Já Dioscórides, no tempo dos romanos, se referia a ele
quando dizia que há o funcho selvagem e o cultivado. "Entre o funcho
cultivado, diz textualmente, há um doce em extremo, que comemos
ordinariamente ao fim das refeições em Roma; o qual nasce da semente
do rústico metida dentro de um figo seco e assim semeada."
Deste tempo vem também a crença que as serpentes chupam o
suco da planta para melhorar sua vista, depois de trocar a pele. A crença
nesta propriedade acompanhou o funcho até a América do Sul, onde, no
Pampa Argentino, se diz que mães mascam funcho e sopram nos olhos
dos filhinhos, na crença de que com esta prática os preserve de contrair
oftalmias. Outra propriedade esquecida hoje é a que consta de uma
receita do Século XVI de que " as sementes, as folhas e a raiz do nosso
funcho cultivado se utilizam muito em bebidas e caldos para aqueles que
são gordos."
Desde os egípcios, gregos e romanos, o funcho é usado e
recomendado como planta medicinal. Resumindo o que um autor do
século XVI dizia e que vale ainda hoje, pode-se dizer que o funcho é
conveniente contra a dispepsia, as flatulências, a falta de apetite, as dores
da menstruação, oftalmias, doenças biliares e hepáticas, deficiente
secreção de leite, intranquilidade nervosa, úlceras e peitos inflamados.
Uma das indicações mais freqüentes para o uso do funcho é de que é
carminativo, isto é, combate flatulências ou gases intestinais, dizendo um
autor atual que "durante la Edad Media se masticaban las semillas para
acallar los ruidos gástricos durante los sermones religiosos". Da mesma
época é outra expressão na língua científica de então, o latim, que diz:
"Semen foeniculi pellit spiracula culi", o que em tradução livre significa
que a semente do funcho provoca a expulsão dos gases intestinais, o que
certamente não seria conveniente durante os tais sermões.
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GENGIBRE
Quando se fala do gengibre é preciso primeiro distinguir entre o
verdadeiro e o falso. Ambos são da família botânica Zingiberaceae. O
nome científico do verdadeiro é Zingiber officinale. É de pequeno porte,
folhas estreitas, flores alaranjadas. A parte subterrânea, o rizoma, que
popularmente é chamado raiz, tem forma irregular característica, igual à
do falso, porém de cor amarelada, cheiro perfumado e gosto muito forte
e picante. Este verdadeiro só existe cultivado entre nós. Já o falso é
aquele que cresce em abundância em lugares úmidos, principalmente na
beira de arroios e rios. É também chamado lírio-do-brejo e seu nome
científico é Hedychium coronarium.
O gengibre lembra logo a gengibirra ou cerveja de gengibre, na
composição da qual se usa tanto o verdadeiro como o falso. É usado
também no quentão. Na culinária o gengibre é usado como tempero,
como diz um livro espanhol: “... su valor reside en sus cualidades
pungentes y aromáticas. El jenjibre se emplea en la cocina para
aromatizar diversos alimentos en los diversos paises, y es uno de los
ingredientes más importantes de la salsa curry.”
Tem também muito valor medicinal. As indicações mais comuns
são para o aparelho digestivo e respiratório. Diz um livrinho popular que
a raiz mais se usa como digestivo, excitante do estômago, contra cólicas
e gases intestinais. Autores ingleses modernos afirmam:
“Historicamente, a maioria das queixas para as quais o gengibre comum
é usado dizem respeito ao sistema gastrointestinal. O gengibre em geral é
conhecido como excelente carminativo (substância que promove a
eliminação dos gases intestinais) e espasmolítico intestinal (substância
que relaxa e suaviza o trato intestinal). O gengibre é ainda amplamente
conhecido como eficiente para combater náuseas e enjoos. Já os
marinheiros o usavam para este fim e ainda hoje se diz que “masticar un
trozo de jenjibre cristalizado alivia las náuseas y previene el mareo en los
viajes”. Além disso o gengibre tem uma longa tradição de ser muito útil
para aliviar os sintomas de angústia gastrointestinal, inclusive náusea e
vômitos típicos de gravidez.
Cubinhos de gengibre cristalizados, encontrados principalmente
em casas naturais são também recomendados para inflamação da
garganta, para prevenir resfriados e gripes.
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GINKGO
Torna-se cada vez mais conhecida e usada entre nós uma árvore
famosa sob muitos aspectos. É o ginkgo, cientificamente Ginkgo biloba,
da família Ginkgoaceae. Para os botânicos é antes de mais nada um
fóssil vivo ou árvore relíquia, como o chamava Darwin. Os chineses o
chamavam árvore do avô e do neto, referindo-se à plantação da árvore,
cujos frutos comeriam as gerações seguintes, por causa do seu lento
desenvolvimento. Há 250 milhões de anos já existiam na terra os
ginkgos, e na medicina chinesa há registros de 3000 anos atrás que
indicam seu uso para problemas do pulmão e coração. A medicina
moderna só recentemente começou, e continua, a pesquisar suas
propriedades, mais exatamente a partir da década de 80. Hoje existem
plantações de ginkgo só para pesquisas. Descobriram-se nele compostos
químicos só conhecidos nesta árvore e que ainda não foram sintetizados.
Em 1989 um estudo indicava que esta era a planta mais receitada na
França e na Alemanha.
O ginkgo demonstrou ser muito eficaz em grande número de
transtornos relacionados com a velhice. Atua sobre o cérebro,
aumentando o fluxo sangüíneo, facilita a cura de casos de apoplexia,
melhora a memória e é indicado para pacientes que padecem de
vertigens e enjoos. Também aumenta a irrigação sangüínea no ouvido
interno, pelo que se usa em casos de surdez coclear, que afeta, sobretudo,
pessoas de idade avançada. Melhora a agudeza visual dos anciãos. Sobre
o coração reduz o risco de infarto do miocárdio. Também é eficaz
medicamento para prevenir ataques de asma e se administra em casos de
impotência. Entre suas mais interessantes virtudes consta a de ser um
poderoso antioxidante, a capacidade de destruir os radicais livres
presentes no sangue. Ainda não se demonstrou sua ação anticancerígena.
Há disponíveis no mercado diversas formas de preparados à base
de ginkgo. Segundo alguns autores o melhor preparado é o extrato
alcoólico em forma de tintura, que se toma em gotas na água.
O ginkgo é ainda uma bela e grande árvore ornamental, com suas
folhas características, que adquirem uma coloração dourada, antes de
caírem no outono.
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GUACO
Com a chegada do inverno aumentam muito os problemas
respiratórios. Ganha importância então uma planta medicinal eficiente no
combate a estes problemas, que é o guaco. Muito conhecido da
população do interior, é uma planta trepadeira nativa, fácil de encontrar
nas nossas matas. É também fácil de cultivar em casa. Um pedaço do
cipó maduro, de mais ou menos um palmo, serve de muda que pega
facilmente. Em terra boa cresce vigorosamente. É bom plantá-la em
cercas ou caramanchões; se cresce sobre árvores pequenas ou médias,
toma conta delas e as abafa.
A espécie usada entre nós tem o nome científico Mikania
laevigata e é da família das Compostas. Tem folhas grandes, bastante
grossas e brilhantes, alargadas na base, de onde partem três nervuras
salientes, e terminando em ponta bem alongada e encurvada. Tem cheiro
bom e característico. Demoram muito para secar; machucá-las um
pouco, esfregando-as entre as mãos, acelera a secagem.
Sendo planta nativa, quase nada se encontra sobre ela em livros
estrangeiros. Em nossos livros as indicações para seu uso são muito
semelhantes. A indicação principal é para o aparelho respiratório:
resfriados, bronquites, tosses crônicas, rouquidão. Toma-se
simplesmente o chá das folhas, ou em combinação com mel, suco de
limão, ou, no caso de xarope, com agrião. Guaco é também calmante. É
indicado ainda contra reumatismo, nevralgias, tanto em uso interno como
externo. Outro uso recomendado por todos é contra mordedura de
cobras. Pode ser importante para regiões bem do interior, pois nos meios
mais civilizados, a escassez de serpentes peçonhentas e a facilidade de
acesso ao socorro médico, dispensam tal uso.
Mesmo que você não tenha necessidade de tratar nenhum dos
problemas aqui referidos, não deixe de tomar seu chazinho de guaco, só
pelo gosto que tem.
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GUANXUMA
Todo agricultor conhece muito bem a guanxuma, primeiro por
ser um inço terrível e, segundo, por suas propriedades medicinais. Há
uma porção de espécies de guanxuma. A mais comum é a que tem o
nome científico Sida rhombifolia, da família Malvaceae. Planta anual ou
perene, subarbustiva, ereta, medindo 30 a 80 cm de altura, com
reprodução por sementes. É altamente daninha, e muito freqüente em
solos cultivados ou não.
Tem sistema radicular muito profundo, sendo difícil de arrancar.
É conhecida pela tenacidade de sua madeira, que serve como matéria
prima para a fabricação de palitos. Por causa da mesma tenacidade, os
seus ramos são usados em toda a área rural para a confecção de
vassouras para varrer o pátio.
As propriedades medicinais da guanxuma são variadas, como se
vê em algumas indicações. Um autor do começo do século diz que é rica
em mucilagem. Usa-se a decocção das raízes, ou do caule com as folhas,
interna ou externamente, em inflamações. Costumam mastigar as folhas
e aplicar no lugar mordido pelas vespas e outros himenópteros.
Pesquisas recentes demonstraram que suas raízes têm uma ação
eficaz sobre o colesterol e principalmente triglicerídios. São fortemente
hipotensoras, diuréticas, antiinflamatórias e febrífugas. Popularmente a
guanxuma também é usada para diminuir a queda de cabelos e para
escurecê-los. Para isto basta enxaguá-los com o chá de toda a planta.
Para alvejar panos, devem colocar-se raízes de guanxuma na água onde
são fervidos.
Um texto sobre plantas medicinais do norte da Argentina diz:
“El jugo que sueltan las hojas machacadas..... se pone en la cabeza a
modo de loción, de ese modo los calvos recuperan su cabello. Según he
oído referir a algunas personas de edad, antiguamente los gauchos
correntinos lo usaban para tener el cabello largo “.
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GUINÉ
Esta planta medicinal, muito conhecida das populações do
interior, tem ainda vários outros nomes, como guiné-pipi, pipi, tipi, caá,
erva-de-guiné, erva-das-galinhas, gambá, erva-de-alho, raiz-de-gambá. A
referência ao alho e ao gambá é justificada pelo cheiro fortíssimo que ela
desprende, principalmente a raiz. Ao cheiro de alho é ligado também seu
nome científico, Petiveria alliacea. É da família Phytolaccaceae, a
mesma do umbu.
É uma erva que chega a mais de um metro de altura, ramificada,
de folhas bem verdes, de onde sobressai uma haste longa, ao longo da
qual se formam as flores pequenas e brancas e depois as sementes, em
forma de ponta de flecha, que se pegam na roupa.
O uso mais conhecido desta planta entre a população, não é o
medicinal, mas o mágico. O brasileiro tem muita fé nos efeitos deste
vegetal, por isso frequentemente tem um pé plantado no jardim ou vaso
de sua casa, junto com a arruda e a espada-de-são-jorge. O mesmo uso
vem confirmado por um texto argentino em que se diz que é erva
silvestre e bastante cultivada em pátios e jardins, não tanto por suas
qualidades ornamentais, mas antes porque o povo lhe atribui
propriedades mágicas, servindo para preservar os habitantes da casa
contra as feitiçarias.
Sobre o valor medicinal da guiné há muita controvérsia. Em
bibliografia européia recente (1995) a guiné tem uso interno
recomendado para espasmos nervosos, paralisia, histeria, asma, tosse
convulsiva, pneumonia, bronquite, rouquidão, febre, enxaqueca, gripe,
cistite, enfermidades venéreas, problemas menstruais e abortos. Numa
bibliografia popular nossa as indicações são: afecções da cabeça,
enxaqueca, falta de memória, reumatismo, paralisia, estados nervosos; a
raiz tira dor de dente. Seu abuso afeta a vista, leva à cegueira.
Comprovado contraveneno de cobra, ajuda nas menstruações difíceis; é
abortiva. Um livrinho diz textualmente: É planta tóxica. Sua raiz, na
forma de pó, era usada, durante a escravatura para ‘amansar’ os senhores
de engenho, colocada pelos escravos em pequenas doses, em seu
alimento. Entretanto, uma grande autoridade no assunto de nossos dias,
diz que a pesquisa tem demonstrado que este vegetal é imunoestimulante
e com propriedades antitumorais, não apresentando os
sintomas que os escravos preconizavam: causar superexcitação,
alucinação, convulsão, imbecilidade e até a morte.
Uma pequena receita para a garganta inflamada:1 xícara de água,
1 cm de raiz de guiné e 1 folha de baleeira. Dar uma leve fervura, deixar
amornar e fazer gargarejos.
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HORTELÃ
A hortelã é sem dúvida uma das plantas medicinais mais
conhecidas e mais usadas em todo mundo e desde os tempos mais
antigos. Não é, porém, uma hortelã, mas muitas, todas semelhantes nas
características e também nas propriedades. São de fato tantas que, se diz
que, se um botânico afirma que reconhece e distingue todas elas, não é
de confiança. E já no século XII um botânico dizia que "se alguém é
capaz de relacionar todas as propriedades da hortelã, sem dúvida saberá
também quantos peixes nadam no Oceano Índico". Tem ainda os nomes
de hortelã-pimenta e menta. O nome científico da espécie mais
conhecida e usada é Mentha piperita, e a família Labiatae (ou
modernamente Lamiaceae). As hortelãs são ervas baixas, de ramos finos,
geralmente rastejantes, que enraízam ou se propagam por baixo da terra,
sendo facilmente reproduzidas por mudas. A hortelã, além do uso
medicinal, é também uma bebida gostosa de tomar, por seu aroma
agradável e gosto característico e picante.
Como medicinal tem inúmeras propriedades, que de modo geral
agem sobre o sistema digestivo e nervoso. Os ingleses a trouxeram para
a América com a fama de "chá para todas as doenças". Um livrinho
popular sobre plantas medicinais diz: "estimulante, tônica, digestiva,
prisão de ventre, vermes, calmante e contra reumatismo; com o bagaço
limpam-se feridas". Outro livro, este científico, diz: "internamente em
distúrbios digestivos com náuseas e cólicas, nas diarréias, resfriados,
dores de cabeça, musculares, da garganta e dentes". Um chá de hortelã,
feito com leite em lugar de água, é um conhecido remédio contra vermes
em crianças.
Um livro em espanhol diz: "las hojas y sumidades poseen
propiedades estimulantes, digestivas, carminativas, antisépticas,
etcetera". Segundo um livro inglês, a hortelã é usada no tratamento de
diversos transtornos gastrintestinais, quando se requerem suas
propriedades antiflatulentas, antiespasmódicas e aperitivas. Usada
também para dores de cabeça nervosas e agitação. Dois autores tchecoeslovacos
dizem que a hortelã estimula a secreção de sucos digestivos,
diminui os gases e as diarréias, atenua as cólicas do aparelho digestivo e
estimula a secreção biliar.
Industrialmente a hortelã é produzida em grande escala para
extração de óleos e essências, usados em produtos farmacêuticos,
cosméticos e alimentares.
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LINHAÇA
A linhaça é a semente do linho. O linho se conhece como fibra
para confecção de tecidos. Por isso é mais conhecido o linho. A linhaça
como medicinal, já foi mais conhecida e usada antigamente, mas
recentemente voltou a ser apreciada por certas propriedades.
O nome científico da planta é Linum usitatissimum, e é
muitíssimo usado, da família Linaceae. É planta cultivada pelo menos
desde 5.000 anos a.C., e as propriedades medicinais das sementes já
eram conhecidas pelos gregos. Hipócrates as recomendava para as
inflamações das membranas mucosas. Carlos Magno publicou leis que
impunham o consumo das sementes para que seus súditos conservassem
a saúde e, modernamente, Mahatma Ghandi dizia que onde a linhaça se
convertesse em um alimento habitual para o povo melhoraria a saúde.
Uma receita popular diz que o chá da semente usa-se contra
diabete, inflamações do estômago, bexiga, colites, intestinos,
hemorróidas e da garganta. Uma colher de semente em jejum de manhã
faz bem na prisão de ventre. Um autor moderno confirma estes usos,
especificando que para a prisão de ventre se comem 1 a 2 colheres de
sementes seguidas de um ou dois copos de água; as sementes incham no
trato digestivo produzindo um laxante de massa suave.
As informações tradicionais sobre o uso medicinal da linhaça são
confirmados e ampliados por dados da pesquisa moderna, segundo a qual
a linhaça constitui uma substância nutricional valiosa para a saúde,
porque além de proporcionar uma rica fonte de fibras solúveis e
insolúveis, a linhaça oferece importantes ácidos graxos ômega-3. Por
isso, acrescentar linhaça à alimentação pode ajudar a baixar níveis de
colesterol sérico, tanto nos animais como nos seres humanos.
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LOSNA
A losna é planta medicinal muito conhecida. Em qualquer
propriedade em que se plantem chás, é quase certo que um deles é a
losna. Ela tem propriedades muito boas, mas também muito fortes, a
ponto de chegar a ser tóxica. Por isso deve ser tomada sempre com
precauções. Cabe lembrar aqui como é falso aquele princípio, que muitos
seguem no uso de plantas medicinais, de que “se bem não faz, mal
também não faz”.
Reconhece-se a losna como uma erva baixa bem ramificada, de
coloração geral verde-acizentada, de folhas recortadas e, principalmente,
por seu cheiro forte e característico. Seu nome científico é Artemisia
absinthium, da família Compositae (Asteraceae).
Segundo os livros, a losna é usada há pelo menos 3.500 anos
para expelir vermes intestinais, sendo até hoje usada com esta finalidade.
Do tempo dos romanos sabe-se que a plantavam ao longo das estradas e
que os soldados usavam raminhos dela nas sandálias para combater a dor
nos pés durante as longas marchas.
Um dos usos medicinais da losna é na composição de bebidas
alcóolicas amargas, como o conhecido vermute. Entretanto, todos os
autores alertam sobre os problemas que resultam do uso exagerado de
tais aperitivos. O uso prolongado leva a um processo de degeneração
nervosa irreversível. Por isso, um tratamento à base de losna não deve
exceder três semanas. Usada em altas doses é psicoestimulante,
provocando perturbações psíquicas e alucinações. Apesar da
recomendação destas precauções, não é preciso deixar de usar a losna,
que tem propriedades benéficas poderosas. Como outras plantas
amargas, usa-se a losna em tratamentos internos, seja pura ou em
misturas, para estimular o apetite, a secreção dos sucos gástricos e da
bile, contra cólicas intestinais, ou, como diz outro autor, para o
tratamento de doenças gástricas com produção diminuída de ácido, e
para os transtornos hepáticos ou biliares com perda de apetite, sensação
de repleção e mau hálito. E ainda uma observação: os aperitivos amargos
agem principalmente através da mucosa bucal, para estimular a secreção
estomacal. Por isso devem ser bem ensalivados.
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MAÇÃ
A maçã é a fruta da macieira. Tanto a fruta (pseudo-fruto ou
pomo para os botânicos) como as folhas da árvore têm valor medicinal.
Quase não se fala do valor das folhas. Um livrinho popular diz: chá das
folhas nutre o baço e o sistema nervoso, produz sono calmo, é um
desinfetante para a boca.
A fruta tem valor medicinal bem grande, embora
tradicionalmente seja consumida como alimento. Já os antigos tinham
um provérbio que em várias línguas diz o mesmo: uma maçã ao dia,
mantém afastado o médico. O nome científico da macieira é hoje Pyrus
malus, da família Rosaceae. Vem sendo cultivada desde o tempo dos
Romanos, que empregavam as maçãs maduras como laxante e as verdes
contra a diarréia. Um livro bem popular diz: a maçã é fruta gostosa,
tônica, nutritiva, de digestão fácil. O vinagre de maçã ajuda a emagrecer,
tomado duas vezes ao dia, uma colher de sopa por vez. Uma receita
popular do norte da Argentina diz que para acalmar ou prevenir a acidez
estomacal resulta muito eficaz comer uma maçã antes de dormir. Já um
livro inglês atual informa que um estudo de 1983 mostrou que as maçãs
podem reduzir o nível de colesterol no sangue. Na composição da maçã
se encontram de 10 a 15% de açúcares e uns 5% de proteínas. Além
disso é rica em pectina, vitaminas, ácido málico, tartárico e gálico, assim
como em sódio, potássio, magnésio e ferro. Grande parte das vitaminas e
minerais se localizam na casca ou logo abaixo dela, pelo que, para obter
todos os seus princípios nutritivos devem ser consumidas sem descascar.
Daí um alerta para os diabéticos: os açúcares da maçã se assimilam
facilmente. Mas a rapidez da absorção é um inconveniente para pessoas
diabéticas: neste caso se recomenda comer a maçã com casca, já que esta
contém a maior parte da pectina (fibra dietética solúvel) a qual ajuda a
atrasar a absorção destes açúcares.
Por fim, um apelo: se você tem um amigo que planta maçãs,
insista com ele para reduzir ao máximo as pulverizações com
agrotóxicos, para se poder comer tranqüilamente suas maçãs sem
descascá-las.
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MACELA
Esta planta medicinal, tão comum em nossos campos, capoeiras,
beiras de estradas e roças abandonadas, pode ser também chamada de
marcela. Bem complicado é seu nome científico: Achyrocline
satureioides. Esta é a macela mais comum. Existe também por aqui uma
outra, menos freqüente, que se distingue da primeira por suas estruturas
ao longo dos caules e ramos, que os botânicos chamam alas
membranáceas, enquanto a comum é bem lisa. Nota-se também uma
diferença na cor das flores, sendo o amarelo da segunda um pouco mais
carregado. As propriedades medicinais de ambas são as mesmas. E essas
propriedades e usos da macela são tão populares em nossa região, que
são certamente do conhecimento de todos. Em todo caso o uso popular e
as indicações da literatura coincidem em recomendar a macela para
problemas digestivos. E uma macelinha no chimarrão ou um chazinho
dela continuam a resolver muitos problemas do estômago, do fígado e
dos intestinos.
Segundo antiga tradição entre nós a macela se coleta na
madrugada da Sexta-Feira Santa. Tem este costume uma base no fato de
ela florescer por esta época e são exatamente as flores que se coletam e
se usam. Mas por razões climáticas ela pode, por exemplo, florescer mais
cedo, sendo então indicado colhê-la antes para não colhê-la passada.
Importante é também cuidar com os locais onde se coleta. É muito
tentador descer do carro, estacionado no acostamento, e catá-la à beira da
estrada ou da faixa, onde se encontra frequentemente e em abundância.
Mas isto só se pode fazer em estradas do interior, porque nas rodovias de
grandes tráfegos toda ela está infelizmente poluída e contaminada pela
fumaça dos carros, imprópria, portanto, para o uso. Além do uso
medicinal a macela entra também em preparos cosméticos,
principalmente para clarear e acentuar a cor do cabelo. Um uso
interessante da macela é ainda em travesseiros aromáticos, onde, sozinha
ou em composição com outras ervas, tem efeito tranqüilizante sobre o
sono. Ainda recentemente um amigo me afirmava que, quando usava seu
travesseiro de macela, sonhava tudo colorido.
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MAMÃO
Todos conhecem o mamão, fruto do mamoeiro, como alimento.
Fruta gostosa, consumida de diversas maneiras. Como é uma fruta tão
nossa, vale a pena conhecer também, algumas de suas propriedades
medicinais, certamente menos conhecidas.
O mamoeiro, de nome científico Carica papaya, da família
Caricaceae, é originário do noroeste da América do Sul, de onde se
espalhou por todo o Brasil, e daí para a África e as Índias.
O mamão consumido como fruta já tem valor medicinal. A sua
polpa é por excelência a fruta do cardápio nutrológico do paciente com
úlcera péptica, gota, obesidade, diabetes, sendo largamente usado nestas
doenças. Possui o mamão inúmeras virtudes medicinais, devido ao seu
rico teor em vitaminas A, C, todo o complexo B, proteínas, açúcar,
cálcio, ferro, fósforo, sódio, potássio e a enzima papaina. À respeito dela
já dizia um livro do início do século, que o tronco da árvore, o fruto e as
folhas fornecem pela incisão um suco lácteo, que é aconselhado
externamente contra as sardas. Misturado com água, este suco tem a
singular propriedade de amolecer em poucos minutos a carne que se
mergulhou nele. É de uso imemorial na Índia juntar pequena quantidade
deste suco à carne quando é dura e coriácea, para torná-la tenra, mais
agradável e de digestão fácil. Basta mesmo, para obter este resultado,
envolvê-la nas folhas da árvore por pouco tempo: este último processo
aplica-se em algumas partes do Brasil, para tornar tenra a caça. Um livro
recente de Cuba tem estas indicações medicinais: o principal uso
farmacêutico do mamão é como digestivo, já que favorece a digestão das
proteínas e é útil em casos de dispepsia crônica; seu uso externo
contribui para a cicatrização das feridas. Também pode empregar-se em
cirurgia para reduzir a incidência de coágulos de sangue, assim como
para o tratamento local das enfermidades da boca, faringe e laringe, e um
dos usos mais antigos como anti-helmíntico. Além disso é usado para
clarificar cervejas e para a maceração de couros. E ainda uma receita
popular do norte da Argentina: a infusão das flores do mamão macho, ou
seja as do pé masculino, se usa muito comummente contra a tosse
comum, a tosse convulsiva e a asma.
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MANJERICÃO
É muito provável que poucos conheçam o manjericão como
planta medicinal. Realmente ele é mais conhecido como tempero, por
exemplo como o principal ingrediente do clássico pesto Genovese. Não
deixa, porém, de ser também uma interessante planta medicinal.
O nome científico da variedade mais comum é Ocimum
basilicum, da família Labiatae (Lamiaceae). Do seu nome específico
basilicum surgiram mal entendidos e lendas ligadas a ele, e isto séculos
antes de Linneu lhe dar este nome. Basilisca era e é o nome latino
popular do manjericão. Basiliscus é uma serpente fabulosa, que,
segundo a lenda, matava com os olhos. Desta confusão de nomes
surgiram as crenças mais esquisitas, como a de que, para que a planta se
desenvolva bem, deve-se plantá-la proferindo pesados palavrões. Diziase
que os escorpiões gostavam de esconder-se nos vasos de manjericão, e
que um broto deixado debaixo do vaso se transformava num escorpião.
Ou ainda, que, aspirando o pó das folhas como rapé, escorpiões se
aninhavam no cérebro. Interessante é uma receita popular do manjericão
do norte da Argentina que diz textualmente que “cuando se agusana la
parte interna de la nariz, se hacen oler hojas estrujadas entre los dedos;
luego de repetir varias veces el tratamiento, las larvas se desprenden
solas”. Lembro que gusanos são vermes. Para lombrigas a receita de uma
curandeira é comum: esmagar plantas de manjericão num recipiente e
acrescentar leite fervendo; deixar amornar, coar e tomar em jejum vários
dias.
Passando do lendário e popular ao erudito e, supondo conhecidos
os usos culinários do manjericão, vejamos alguns de seus principais e
comuns usos medicinais. Uso interno: enfermidades febris (em especial
resfriados e gripes), má-digestão, náusea, caimbras abdominais,
gastroenterite, enxaqueca, insônia, depressão e esgotamento. Uso
externo: acne, perda de olfato, picadas de insetos e serpentes e infecções
cutâneas. Gargarejos e bochechos com o chá morno fazem desaparecer
as aftas.
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MARROIO
Esta planta medicinal é certamente menos conhecida entre nós
do que merecia, porque, além de ter muitas propriedades medicinais, é
também uma bela planta ornamental. Cresce em tufos de muitas hastes.
As folhas, cinzentas e peludas, nascem aos pares, opostas, acima das
quais se formam ao longo da haste uns anéis engrossados, formados por
muitas flores brancas. Seu nome científico é Marrubium vulgare, da
família Labiatae.
É planta conhecida e usada desde a antiguidade. Contém um
expectorante poderoso e foi usada por primeiro como remédio contra
tosse no antigo Egito. É uma das ervas amargas que os judeus comiam
por ocasião das festas da páscoa. Na idade média já se dizia que “um
xarope feito com as folhas verdes e frescas do marroio e açúcar é um
remédio extraordinário contra a tosse e os pulmões ofegantes”. Em
qualquer livro que se pesquisa se encontram as mais variadas receitas à
base de marroio, como estas: “Para curar a dor de estômago, nossos avós
bebiam vinho branco no qual se deixavam macerar inflorescências de
marroio durante toda a noite”. “A medicina popular sempre contou com
o marroio para curar bronquite, tosse e catarro crônico. Os herboristas
recomendam-no para melhorar a circulação, para aliviar problemas do
fígado e cólicas menstruais. Em todos esses casos, faça uma bebida
padrão e adoce-a com mel; tome duas colheres de sopa três a quatro
vezes ao dia.” “Ao primeiro sinal de constipação, picar nove folhas
pequenas de marroio, misturar com uma colher de sopa de mel e comer
lentamente, para aliviar a irritação da garganta e a tosse. Se necessário,
repetir várias vezes,” O marroio foi considerado a cura ao mesmo tempo
para uma variedade impressionante de males, desde mordida de cão
raivoso a tumores e falha de visão. Tomado frio o marroio promove a
secreção biliar, ajudando todo o processo digestivo, e foi por causa do
seu efeito tônico que o marroio foi tradicionalmente fermentado e bebido
nas regiões orientais da Inglaterra. O marroio era outrora adicionado a
alimentos cozidos, saladas e molhos, mas o seu sabor amargo de mentol
não é para o gosto de qualquer um.
A forma mais popular de ingerir o marroio na atualidade é como
caramelo; chupa-se para aliviar a tosse bronquial e a bronquite.
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MASTRUÇO
O mastruço é uma daquelas plantas que são duplamente utéis:
são medicinais e comestíveis. O mastruço recebe também outros nomes,
como mastruz, mentruz, mentrusto. Há bastante confusão em relação a
estes nomes: assim como o mastruço tem vários nomes, várias outras
plantas recebem o nome de mastruço. Em muitas regiões do Brasil é
chamada mastruço outra planta, que nós conhecemos como erva-desanta-
maria, que é um chá contra vermes, de cheiro muito forte e usado
também para espantar insetos. O nosso mastruço tem o nome científico
Coronopus didymus, da família Cruciferae.
Como alimento é geralmente usado em saladas, quando as folhas
são novas. Sendo de gosto muito picante, é bom misturá-lo, em menor
quantidade, com outras saladas. É também muito usado na cachaça, tanto
como aperitivo como para afomentações. Tem boa quantidade de
vitamina C e é muito rico em cálcio e ferro. Pode ser usado em omeletes
e refogados.
O mastruço é de origem sul-americana e muito conhecido e
usado nos países do Prata. Por isso são muitas as informações sobre seu
valor medicinal e alimentício na língua destes países, como as seguintes:
“El mastuerzo es muy digestivo, amargo, aromático, algo picante y muy
buscado por ciertas personas que lo consumen en salada. Es muy usado
tambien como antiescorbútico por el elevado contenido de vitamina C
que posee. Se emplea toda planta en cocimiento.” “La infusión de la
planta, o ésta puesta en el agua para el mate, se toma como hepático y
digestivo. El decoctado, en tomas fuertes, sirve como remedio para
golpes, y con el agregado de azúcar, suele ser recetado por algunos
curanderas contra la tos convulsiva y el empacho de las criaturas.”
Um autor gaúcho, num livro de 1910, conclui assim: “Usa-se
toda planta em infusão como excitante, anti-escorbútica, antituberculosa.
O suco é vermicida. Também comem a planta crua.”
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MELÃO-DE-SÃO-CAETANO
Existe em nossas capoeiras e roças uma trepadeira, que é pouco
conhecida pela população, sendo menos conhecidas ainda as suas
propriedades medicinais, talvez totalmente desconhecidas para a maioria.
Entretanto, como medicinal, ela pode ter um futuro brilhante. É o melãode-
são-caetano, com o nome científico de Momordica charantia, da
família Cucurbitaceae, parente portanto do pepino e da melancia, o que
se nota facilmente pelo formato da folha e da flor. O fruto é
característico e inconfundível: é alongado, afinado nas pontas, de uns 15
cm de comprimento; é todo recoberto por saliências que lhe dão o
aspecto peculiar. Quando verde é branco, ao amadurecer adquire uma
linda cor amarelo-dourada. Racha em três pontas, e então aparecem,
presas no interior, as sementes, cobertas por uma substância vermelha,
que é comestível. As sementes, achatadas, têm lindos desenhos em alto
relevo.
Originária da Ásia e da África, a planta se aclimatou muito bem
no Brasil, para onde foi trazida pelos escravos, que a teriam cultivado ao
redor de uma capela dedicada a São Caetano, de onde o seu nome. O
melão-de-são-caetano é usado de diversas maneiras. Até suas fibras são
usadas para estofados e tecidos. Suas folhas branqueiam e tiram manchas
dos tecidos, por isso é chamado também erva-das-lavadeiras. É também
usado como alimento. Enquanto novos, os melões podem ser
consumidos crus em saladas, fritos ou cozidos. Na Europa é cultivado
em larga escala, pois consomem-se seus frutos em estado natural ou em
forma de picles.
O principal uso, porém, é na medicina. É tomado o chá como
preventivo da gripe, contra febres; as folhas na leucorréia, cólicas dos
vermes, nas menstruações; o revestimento das sementes com vaselina dá
um ungüento supurativo. O suco do fruto é purgativo, vermífugo e contra
hemorróidas; o chá das folhas combate o diabetes. Estas indicações são
de um livrinho popular, como também a seguinte: “No diabetes.
Decocção: 20 g de folhas picadas (frescas ou secas) em um litro de água
durante um minuto. Deixar em infusão durante 10 minutos. Tomar uma
xícara (chá) pela manhã e outra antes do jantar.” Estas indicações
populares são hoje confirmadas por pesquisas e testes científicos, que um
livro inglês atual resume desta maneira: O melão-de-são-caetano é um
vegetal tropical amplamente cultivado na Ásia, África e América do Sul,
e tem sido usado extensamente na medicina popular como um remédio
para o diabetes. A ação diminuidora do açúcar sangüíneo do suco fresco
ou do extrato da fruta verde foi claramente estabelecida em estudos
clínicos e experimentais.
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MIL-FOLHAS
Esta planta medicinal é também muito ornamental por causa de
suas flores brancas e folhas finamente recortadas, o que justifica seu
nome. É usada desde os tempos mais remotos até hoje. Além de milfolhas
é chamada ainda mil-em-rama, mil-folhada e milefólio. Seu nome
científico é Achillea millefolium, da família Compositae. Achillea vem
das lendas ligadas ao herói grego Aquiles, que teria curado com ela as
feridas do rei Telefo, dos seus soldados e o seu próprio calcanhar. Uma
lenda mais fantasiosa diz que sua mãe o mergulhou num banho de milfolhas
para o tornar invulnerável a ferimentos. Como ela o segurou pelo
calcanhar, este se tornou seu ponto fraco. Sua fama de curar feridas lhe
deu outros nomes, como erva-dos-militares, erva-do-bom-Deus, erva-de-
São-João e salvação-do-mundo, isto porque, ainda segundo uma lenda,
quando São José, carpinteiro, se feriu, o menino Jesus foi buscar uma
planta para curá-lo, e esta planta era a mil-folhas. Conforme diz um livro
atual “é uma planta medicinal por excelência e possui qualidades
antissépticas fantásticas. Com ela não existe infecção e poderia ser
chamada de iodo ou mercúrio-cromo da natureza. Suas folhas e flores
são consideradas tônico digestivo, remédio contra cálculos renais,
calmante cardíaco, enfim no uso interno é um verdadeiro cura-tudo. No
uso externo, como se viu antes, desde Aquiles vem curando toda a sorte
de ferimentos, úlceras, contusões, hemorragias do nariz e hemorróidas”.
Em resumo, ela merece realmente seu nome mais recente,
pronto-alívio, porque cura ferimentos, estanca hemorragias, alivia dores
(de dente, por exemplo), combate gripes e resfriados, é um tônico
digestivo, abaixa a febre, é útil nos transtornos urinários e problemas
menstruais. E existem ainda outros usos para a mil-folhas. Com ela se
faz um vinho e também um licor. Nos meios rurais é utilizada não só
devido às suas numerosas propriedades medicinais, mas ainda para
conservar o vinho, introduzindo no tonel um pequeno saco com
sementes.
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MORRIÃO-DOS-PASSARINHOS
Há uma plantinha, muito comum principalmente nas lavouras,
mas ocorrendo também em qualquer espaço, que parece tão sem
importância, que poucos conhecem o seu nome, muito menos sua
utilidade. Pela maioria é considerada simplesmente um inço, quando não
passa de todo despercebida. Seu nome científico é Stellaria media, da
família Caryophillaceae.


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