PLANTAS MEDICINAIS USOS POPULARES TRADICIONAIS - parte 3


CALÊNDULA
A calêndula é uma planta não muito conhecida pela nossa
população. Entretanto foi muito famosa em outros tempos, usada de
maneiras múltiplas e objeto de histórias e lendas. Ainda hoje dela se fala
em todos os livros sobre plantas medicinais, cosméticas e ornamentais.
Seu nome científico é Calendula officinalis, da família Compositae. É
originária do sul da Europa.
O que em primeiro lugar chama nela atenção é a cor amarela a
alaranjada de suas vistosas flores. É cultivada para produção de flores de
corte, prestando-se também para bordaduras e para formar maciços em
canteiros. Em 1551 dizia um autor: "Alguns a usam para tingir seu
cabelo de amarelo... não estando satisfeitos com sua cor." E já no século
XII se recomendava olhar simplesmente para a planta para melhorar a
vista, aliviar a cabeça e induzir alegria.
A calêndula tem também uso na culinária. As pétalas podem ser
tomadas frescas em saladas. São, porém, mais usadas para dar uma cor
de açafrão e um leve gosto picante ao arroz, sopas de peixe e de carne,
queijo, manteiga, bolos e pães doces.
Um de seus principais usos é na cosmética, onde é usada em
cremes e loções para peles sensíveis e impuras, produtos pós barba e pós
depilação, xampus, condicionadores capilares, sabonetes, no tratamento
da acne e na prevenção e tratamento de assaduras de crianças. É ainda
protetor da radiação ultra violeta.
Medicinalmente é antinflamatória e tem propriedades
cicatrizantes, sendo usada para ulcerações da pele e ferimentos,
queimaduras suaves, queimaduras do sol. É também útil para aliviar
cólicas, dores de estômago, resfriados e até tuberculose.
Nos séculos XVII e XVIII foi tão estimada para o tratamento de
tal quantidade de enfermidades, que os herboristas deviam ter sempre à
disposição tonéis da mesma. Externamente foi usada como verrucária,
quer dizer para tirar verrugas, e até meados do século XIX, como "herba
cancri", foi um conhecido remédio contra o câncer, caindo depois no
esquecimento.
Ainda hoje, homens do campo usam as flores da calêndula como
barômetro: se as flores depois das 7hs da manhã ainda estão fechadas,
anunciam chuva; se abrem entre as 6hs e as 7hs, prometem um dia
ensolarado.
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CAMOMILA
Esta planta medicinal é ima das de uso mais universal. De tão
universal e comum sofre o perigo de, no fim, não se saber mais
exatamente para que, afinal, é indicada. Seu nome científico é
Matricaria chamomilla. Popularmente é também chamada camomilados-
alemães, camomila vulgar e maçanilha, e se distingue da camomilaromana
ou camomila-nobre, que é outra planta, de nome científico
Anthemis nobilis.
A camomila é uma erva que deve ser semeada a cada ano.
Atinge cerca de meio metro de altura, com folhas muito repartidas, flores
com uma cabecinha amarela, oca, e pétalas brancas ao redor. O que se
aproveita é esta cabecinha, que tem um cheiro característico próprio da
camomila e inconfundível.
A camomila é certamente uma das plantas mais usadas em todos
os lugares e desde tempos antiquíssimos. Já era apregoada por
Dioscórides, médico grego do exército romano de Nero. Em sua obra
‘Matéria Médica’ diz textualmente: “As raízes, as flores e, em suma toda
a erva, têm força de aquecer e afinar. Provocam a menstruação, o parto, a
urina e também a pedra se bebem ou o enfermo se senta sobre seu
cozimento. Dão a beber contra as ventosidades e contra a doença ilíaca.
Curam a icterícia e as enfermidades do fígado. Serve seu cozimento de
muito útil fomentação contra doenças da bexiga.” Comparando estas
indicações antigas com a atual, vemos que essencialmente são as
mesmas: “A camomila é sedativa, antinflamatória, analgésica, age contra
cólicas do estômago e do intestino e também estimula a menstruação.”
Além das funções medicinais tem a camomila também funções
cosméticas, como diz,por exemplo, o mesmo livro de Dioscórides, agora
atualizado por Pio Font Quer: “A flor da camomila se utiliza também
para dar cor ruiva ao cabelo ou para conservá-lo desta cor. Para isto se
recomenda a infusão concentrada da camomila.”
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CAPIM-CIDRÓ
Esta erva medicinal é muito conhecida do nosso povo e muito
cultivada e usada. Tem ainda os nomes populares de capim-limão,
capim-cidreira, capim-santo e outros. Seu nome científico é
Cymbopogon citratus, da família Gramineae. Os alemães e os ingleses o
chamam de capim-da-febre, aludindo a uma de suas principais
propriedades que é a de baixar a febre. Na literatura universal é
conhecido como “lemon grass”, que corresponde ao nosso capim-limão.
Como seu nome diz, é um capim que cresce em touceiras vigorosas, até
cerca de um metro de altura. A touceira é formada por numerosas
brotações, que fazem que ela se alargue rapidamente. Não se observa
floração e por isso também não há sementes. A reprodução é feita
facilmente dividindo-se as touceiras, formando cada brotação uma nova
muda. Porque é fácil de reproduzir e porque as touceiras são largas e
firmemente enraizadas, o capim-cidró é muito plantado em lavouras, ao
longo das curvas de nível, para evitar erosão e ao longo de rodovias para
firmar os barrancos, donde lhe vem ainda o nome de chá-de-estrada.
O capim-cidró tem um aroma característico e muito agradável,
que lembra tanto o do limão, como o da melissa ou erva-cidreira, o que
explica seus nomes populares. Na indústria se extrai dele um óleo
essencial, que é usado em perfumaria e produtos farmacêuticos. Há
pesquisas que provam que tem propriedades inseticidas. Como planta
medicinal tem vários usos. Para começar, é uma bebida que, por seu
gosto, é agradável de tomar, tanto quente como gelada. Muito usado
adicionado ao chimarrão. É digestivo, calmante, sudorífero, febrífugo,
sendo usado também contra dores musculares e gases intestinais.
É sabido que abaixa a pressão sangüínea, pelo que se recomenda
cautela aos que tem pressão baixa.
Durante a secagem se perde em grande parte o aroma do capimcidró.
Por isso, bom mesmo é ter um pé plantado em algum espaço perto
de casa.
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CAPUCHINHA
A capuchinha, também chamada popularmente chagas, é uma
planta que merecia mais atenção e aproveitamento. É ao mesmo tempo
medicinal, comestível e ornamental. Sua origem é sul-americana, tendo
sido levada do Peru para a Europa. Seu nome científico é Tropaeolum
majus, da família Tropaeolaceae. Tem características bem marcantes
Seus caules rastejantes com suas folhas e flores de pecíolos longos
cobrem barrancos, muros e depósitos de restos de construção, pelos quais
parecem ter predileção. As flores têm cores variadas, predominando o
amarelo e o vermelho. Sobre as folhas orbiculares, colocadas
horizontalmente, costuma acumular-se água da chuva, sem elas se
molharem.
Por causa das folhas e flores é uma planta ornamental muito
chamativa. É anual, mas não precisa ser replantada, porque as sementes,
três em cada fruto, caindo ao solo, renascem espontaneamente todos os
anos.
Como alimento servem as folhas, flores e frutos. As folhas são
ótima salada, de sabor picante e muita vitamina C. Mais saborosas ainda
são as próprias flores. Os botões florais e também os frutos novos são
preparados em conserva de sal e vinagre, sendo conhecidos como
alcaparra dos pobres, usados como aperitivo.
Desde sua descoberta no Peru e sua transferência para a Europa,
começou também a ser usada como planta medicinal. Rica em vitamina
C, é eficiente no tratamento do escorbuto. Os marinheiros cultivavam-na
em caixas nos navios para consumi-lá durante as viagens. Segundo
pesquisas recentes, toda a planta tem ação anti-bacteriana e antimicótica.
É empregada em infecções do sistema genito-urinário e do
sistema respiratório. Especialmente as sementes são ricas em princípios
ativos, sendo um antibiótico vegetal, ativo contra os microorganismos
dos gêneros Estafilococo, Proteus, Estreptococo e Salmonela. Além
disso, a capuchinha tem ainda uma propriedade muito solicitada também
em nossos dias, como diz um autor do começo do século: “... toda la
planta, es decir, tallos, hojas y sus rabillos y flores, machacada en un
mortero y formando emplasto, estimula la actividad del bulbo piloso,
previene la caida del cabello y favorece su salida. Para ello, empléese
siempre la planta recién cogida, córtese el pelo previamente y aféitese la
cabeza antes de aplicar el emplasto.”
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CARDO-MARIANO
Pouca gente conhece o cardo-mariano. Entretanto ele é o tipo de
planta muito medicinal e muito ornamental. Por isso deveria ser mais
conhecida, mais plantada e mais usada. É planta anual, que se reproduz
facilmente por sementes, que são produzidas em quantidade, mas que são
um tanto difíceis de ser colhidas nas cachopas muito espinhentas,
semelhantes às da alcachofra. Seu nome científico é Silybum marianum,
da família Compositae (Asteraceae). Produz folhas grandes, onduladas,
de bordos espinhentos, de cor verde, rajadas de branco. Do meio da
massa de folhas sobe uma haste longa, às vezes ramificada, que termina
na cachopa espinhenta com flores lilases.
O valor ornamental desta planta está muito bem resumido nesta
citação: “Existen algunas plantas anuales que, aunque merece la pena
cultivarlas, son poco conocidas y es dificil encontrar sus semillas. Entre
ellas está una de características realmente llamativas, Silybum marianum,
el cardo mariano o cardo lechal”.
O valor medicinal do cardo-mariano já foi conhecido na
antigüidade e hoje é cada vez mais reconhecido. Os romanos já o usavam
pelo menos no primeiro século depois de Cristo, como atesta
Dioscórides, médico grego do exército de Nero. O reconhecimento atual
do valor medicinal desta planta se constata muito bem pelo que diz um
livro publicado em 1990 por dois médicos ingleses. Quando tratam da
hepatite, afirmam: “O cardo-mariano comum contém silimarina, um dos
remédios hepáticos mais potentes conhecidos,” Em estudos com o ser
humano, a silimarina demonstrou ter efeitos positivos no tratamento de
várias doenças, inclusive cirrose, hepatite crônica, infiltração gordurosa
do fígado (induzida por produtos químicos e álcool), colestase subclínica
da gravidez e inflamação da vesícula biliar.
O chá do cardo-mariano se faz com as sementes, trituradas ou
inteiras, e as folhas. Estas também podem ser usadas em saladas. São
muito tenras. A única dificuldade é cortar os espinhos, muito agudos, ao
longo de todo o bordo da folha, muito ondulada.
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CARQUEJA
Muito abundante em nosso estado, a carqueja é também muito
familiar para a maioria da população, sendo usada basicamente para
problemas digestivos. A carqueja pertence a um grupo muito grande de
plantas, do qual faz parte também, por exemplo, a vassoura comum, tão
usada para varrer o pátio e para esquentar o forno de pão. São duas as
espécies muito usadas como medicinais. Uma é a que geralmente é
chamada simplesmente carqueja, que tem o nome científico Baccharis
trimera. A outra é chamada carquejinha, com o nome científico
Baccharis articulata. Ambas são da família das Compostas. Encontramse
em potreiros, em roças abandonadas, em capoeiras baixas, enfim em
lugares ensolarados.
As duas têm uma coisa em comum: elas não têm propriamente
folhas. Ao longo dos galhinhos muito ramificados, mais na carquejinha
que na carqueja, se estendem umas aletas, que substituem as folhas. Na
carqueja são três e na carquejinha duas. As aletas da carqueja são mais
largas e de um verde claro. A carquejinha tem aletas bem estreitas e a cor
é de um verde acinzentado. Estas carquejas não são árvores. A
carquejinha tem porte ereto, com raminhos fortes, com até mais de um
metro de altura. A carqueja tem os raminhos finos e fracos e por isso
costuma formar touceiras deitadas.
Na tradição popular as duas carquejas são tomadas como chás
em caso de problemas digestivos. É comum usá-las no chimarrão. No
livro ‘Medicina campeira e povoeira’ de Hélio Moro Mariante, a
carqueja é febrífuga, estomacal, diurética e fortificante, e a carquejinha
febrífuga e digestiva. Um verso de Luiz Alberto Ibarra ensina: "A
contra-erva e a carqueja prá o vidente que deseja fortificar a carcaça".
Um livro argentino, que trata das plantas usadas na medicina popular, diz
isto da carqueja: "Los tallos contienen un ácido resínico y absintina,
sustancias que, a pesar de sus nombres difíciles, hacen de esta planta un
excelente colagogo y un buen diurético".
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CARURU
Existem várias espécies de carurus, conhecidas principalmente
pelos agricultores, porque são consideradas ervas invasoras. Mas, como
outras invasoras, os carurus têm também outras propriedades, pois
podem ser ornamentais, comestíveis e medicinais. Entre os vários
carurus, um dos mais úteis e comuns é o que tem o nome científico
Amaranthus deflexus, da família Amaranthaceae.
Um representante ornamental do grupo dos carurus é o rabo-degato,
Amaranthus caudatus, que tem inflorescências vistosas, longas,
delgadas, recurvadas, vermelhas, com inúmeras flores diminutas,
formadas durante a primavera e verão.
Uma espécie de caruru muito cultivada pelos antigos habitantes
da América Central, principalmente do México, é Amaranthus
hypochondriacus. Ele fornece em quantidade pequenas sementes, usadas
principalmente como farinha, com a qual se preparam variados pratos.
Usadas também como pipoca. No Brasil várias espécies de carurus têm
uso culinário. São utilizados em refogados, molhos, pastéis e panquecas.
As folhas e os talos devem ser cozidos e depois escorridos, para eliminar
o excesso de ácido nítrico, que prejudica o sabor. Os carurus são ricos
em ferro, potássio e cálcio.
Suas propriedades medicinais são reconhecidas desde a
antigüidade quando ele era considerado símbolo da imortalidade, porque
suas flores não murcham, mesmo quando a planta morre, e, como as
flores de umas espécies têm cor vermelha viva, era usado para estancar
hemorragias. Algumas indicações de usos medicinais: a decocção das
folhas se toma em casos de problemas de fígado, tais como dores e
digestões difíceis e na retenção de urina. A salada e o suco são
diuréticos.
O pigmento vermelho de algumas espécies serve como corante
de alimentos e remédios.
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CAVA-CAVA
Tem aparecido ultimamente com freqüência nos noticiários
referências a uma planta chamada cava-cava. O nome científico desta
planta é Piper methysticum, da família Piperaceae. É uma das plantas
redescobertas na atualidade por causa de novas propriedades nela
descobertas. Mas é uma planta de uso muito antigo. Num livro editado a
primeira vez em 1841, lemos estas indicações na ortografia de então: “os
preparados de Kava... são de uma grande efficácia no tratamento das
blenorrhagias, gonorrhéias, flores brancas, purgações recentes ou
chrônicas. Todas essas doenças, se curam em poucos dias, com absoluta
discrição, sem tisanas, sem regimen, sem a mínima fadiga dos órgãos
digestivos.”
A parte usada da planta é a raiz engrossada. Os povos das ilhas
do Pacífico faziam e ainda fazem uma beberagem, mastigando a raiz e
deixando-a fermentar em água. O uso como droga recreativa e religiosa
não é infreqüente, já que em grandes quantidades produz efeitos
hipnóticos e euforizantes com sonhos confusos.
Na bibliografia atualizada se diz que atua como diurética, alivia
a dor, relaxa espasmos e estimula o sistema nervoso e circulatório. Além
disso é usada para infecções genitourinárias, doenças vesiculares, artrite
e reumatismo. Nos tempos modernos, ingerida ocasionalmente em
cerimônias, é mais consumida como bebida relaxante e remédio
tranqüilizante. Pesquisas científicas modernas confirmam os efeitos
benéficos da cava-cava no tratamento da ansiedade e da insônia, não
devendo ser usada indiscriminadamente, podendo ocorrer vários efeitos
colaterais. É para tratar sua ansiedade, informam as notícias, que uns 50
milhões de americanos recorrem à medicação. Infelizmente, a maioria
dos remédios para o nervosismo e os problemas do sono provoca efeitos
colaterais, como sonolência diurna e possível dependência. A cava-cava
talvez ofereça uma opção útil e natural, embora não deva ser considerada
um elixir mágico para a eliminação do estresse da vida.
Um pesquisador atual conclui que a cava-cava é um valioso
remédio feito com ervas que pode constituir-se em uma alternativa aos
remédios farmacêuticos para a ansiedade e a insônia. Mas deveria ser
usada como parte de um programa que inclua também a preocupação
pelas causas que levam à necessidade de usá-la.
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CAVALINHA
Entre as plantas nativas da nossa região existe uma pouco
conhecida como medicinal, mas que foi muito usada como tal aqui e em
todo mundo. Trata-se da cavalinha, com o nome científico Equisetum
giganteum, da família Equisetaceae. É uma planta primitiva, pertencente
ao grupo das samambaias. Aqui e em outras regiões existem várias
outras espécies, todas muito parecidas. São umas hastes finas, verdes,
muito ásperas, que só no alto apresentam finas ramificações.
Indicações que vêm da Argentina nos dizem que é uma das
plantas mais conhecidas e usadas em medicina popular. Usa-se
especialmente como diurético e dá resultados muito bons nas afecções do
fígado, dos rins e do baço. Também se emprega para combater resfriados
e certas afecções pulmonares. Usada também para lavar feridas e chagas.
É considerada uma incrível planta medicinal. Combate a dor de cabeça
graças a seu ácido acetilsalicílico. Pode ser usada em hemorragias
internas e externas. Junto com o alecrim forma uma dupla imbatível para
equilibrar a pressão e é um dos mais espetaculares chás para as mulheres
de mais de quarenta anos, pois repõe no organismo os minerais perdidos
juntamente com os hormônios, combatendo eficazmente a osteoporose.
Um texto popular resume bem as propriedades da cavalinha.
Chamada também cauda-de-cavalo, rabo-de-cavalo. Cresce de
preferência nos terrenos úmidos, à beira dos riachos. Contém sílica em
grande quantidade. É remineralizante do organismo depauperado, de
modo especial para os tuberculosos e gente que sofre dos pulmões.
Possui virtudes, propriedades hemostáticas, diuréticas, digestivas,
depurativas. Tem ainda indicações contra a tuberculose, doença dos
ossos, úlceras gástrica e intestinal, perdas de sangue; ajuda no tratamento
das moléstias da bexiga e dos rins, incontinência noturna da urina das
crianças e pessoas de idade.
Prepara-se um chá com 20 a 50g por litro e tomam-se 3 a 4
xícaras por dia. Em doses exageradas pode ser tóxica.
Como uso não medicinal podem-se lembrar duas curiosidades.
Por ser muito áspera, por causa da muita sílica, a cavalinha foi usada em
outros tempos para pulir madeira e metais, principalmente estanho. A
cavalinha concentra também ouro em seus tecidos, não em quantidades
exploráveis, mas o suficiente para servir de indicadora da presença do
nobre metal no solo.
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CEBOLA
Como diz um autor, "posso me poupar o ter que descrever o
aspecto da cebola". De fato, de tão comum em nossas cozinhas e nossas
mesas, dispensa apresentações. Seu nome científico é Allium cepa, da
família Liliaceae. Uma lenda muçulmana diz que, quando satanás
abandonou o jardim do Éden, depois da queda, o alho surgiu da sua
pegada esquerda e a cebola, da direita. Ilustra a vantagem do consumo de
cebola o fato seguinte: as melhores cebolas do mundo são as da Calábria.
Nesta região, por causa do consumo intenso de cebola em todas as faixas
etárias, a incidência de hipertensão arterial e enfarte do miocárdio é
pequena e surpreendente o elevado nível regional de longevidade
humana.
Infelizmente poucos dos consumidores costumeiros de cebola,
que somos quase todos nós, sabem dos valores medicinais que elas têm
para a saúde. É uma pena, diz um autor, que as cebolas frescas tenham
tão escassa utilização medicinal, já que atuam estimulando as secreções,
favorecendo a digestão, abrindo o apetite, como diurético, cicatrizante e
como excelente profilático contra a gripe e o catarro, a amigdalite e a
tosse. Estas indicações, tão abandonadas pela medicina acadêmica, são
aproveitadas pelo popular em forma de remédios caseiros. Assim, ela é
usada como antibiótica, diurética, expectorante, hipotensora,
estomáquica, antiespasmódica, hipoglicêmica, útil no tratamento da
tosse, resfriados, bronquite, laringite e gastroenterite. Reduz a pressão
sangüínea e o nível de açúcar no sangue.
Consideradas todas estas virtudes da cebola, é lógica a conclusão
que tira um autor alemão atual (1996) quando diz: "Quem se mostrava
até agora receoso quanto ao uso da cebola nos alimentos, é provável que
mantenha agora uma opinião mais favorável. Não há nenhum
condimento que seja mais sadio que a cebola (se prescindimos do alho).
Crua, frita ou cozida, em rodelas, picada, em molho, com assados, com
manteiga e nas saladas. Combina com tudo. Não somente serve para
temperar, mas, com um uso adequado na cozinha, ajuda a viver com
mais saúde. O único vilão nesta história é o tiopropionaldeído, que é a
substância responsável pelas lágrimas que a cebola produz ao ser
cortada.
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CELIDÔNIA
Esta é uma planta medicinal muito importante, mas também
muito discutida. Vejamos, por isso, o que dizem os livros de uso popular
e os de cunho científico.
O nome científico da celidônia é Chelidonium majus, da família
Papaveraceae. É uma erva comum no mundo todo, onde recebe os mais
diversos nomes, ligados às suas propriedades e às lendas a seu respeito.
Entre os nomes populares são característicos os de iodina ou iodo
vegetal, por causa do suco amarelo-alaranjado das folhas e raízes.
Suas propriedades medicinais são indicadas num livro bem
popular da seguinte maneira: “Calmante do fígado, cãimbra do
estômago, crises asmáticas; o suco das folhas e raizes serve para fazer
desaparecer verrugas, calos, espinhas do rosto. Recomendada contra a
pressão alta e curar o câncer”. É recomendada também para ativar as
funções hepáticas e biliares e eliminar cálculos biliares; como
normalizador e regulador da taxa de colesterol. Livro europeu recente
(1995), traz a seguinte indicação: Uso interno: inflamação da vesícula e
conduto biliar, icterícia, hepatite, gota, artrite e reumatismo; febres
renitentes, tosse espasmódica e bronquite; erupções cutâneas, úlceras e
câncer (em especial da pele e estômago). Uso externo: inflamações
oculares e cataratas, machucaduras, verrugas, psoríase e tumores
malignos. Observa ainda que em excesso pode provocar sonolência,
irritação cutânea, tosse irritante e dificuldades respiratórias. É de
estranhar que muitos livros considerem a celidônia como uma planta
perigosa, tóxica. Um livro francês até aconselha usar luvas para
manuseá-la.
Vem a calhar aqui as palavras da autora do livro sobre plantas
medicinais mais vendido na Europa, Maria Treben, quando fala da
celidônia: “Antigamente gozava a celidônia de grande prestígio,
enquanto hoje muitos a tomam por planta venenosa. Este desprezo só me
posso explicar considerando o efeito que teve a campanha de propaganda
que lançou a indústria farmacêutica em seus começos contra as melhores
plantas, para desviar o povo das ervas curativas e introduzir os
medicamentos químicos.”
Esta autora, além de confirmar que a celidônia é o remédio mais
eficaz para curar os graves transtornos do fígado, diz que com ela se cura
leucemia, cataratas, câncer da pele, além de outras doenças menores.
É preciso reabilitar a celidônia.
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CENTELA-ASIÁTICA
Esta planta era mais ou menos desconhecida até há pouco tempo,
e nem consta nos livros populares de plantas medicinais. Quando suas
propriedades foram constatadas cientificamente na década de 40, e seu
uso foi aprovado no tratamento da celulite, tornou-se das mais
conhecidas. Foi usada há milênios nos países orientais, principalmente
para lesões cutâneas. Seu nome científico é quase idêntico ao popular,
Centella asiatica, da família Umbelliferae. É uma erva daninha, rasteira,
que aparece em tudo que é lugar, no meio da grama, nos jardins, terrenos
baldios, beiradas de prédios, calçamentos, etc. As folhas são
arredondadas, parecidas com as da violeta-de-jardim, ou lembrando uma
pata de cavalo, que é um dos seus nomes populares, que aliás são muitos.
Sobre suas propriedades medicinais diz um livro europeu de
1995: Erva rejuvenecedora diurética que purifica toxinas, reduz
inflamações e febres, melhora a cura e imunidade e tem efeito
equilibrador sobre o sistema nervoso. Usada internamente para feridas,
condições cutâneas crônicas (incluindo lepra), enfermidades venéreas,
malária, varizes, úlceras, problemas nervosos e senilidade. Externamente
é usada para hemorróidas, feridas e articulações reumáticas.
A maior procura e uso da centela-asiática é para o tratamento da
celulite. E ela não é apenas mais uma planta da moda ou uma onda
popular passageira. Num livro recente (1994) de dois médicos ingleses
se encontram informações seguras sobre sua eficiência. Dizem eles:
“Existem muitas fórmulas cosméticas e preparações à base de ervas no
mercado que afirmam ser efetivas na cura da celulite. Contudo, a maioria
dessas fórmulas não tem base científica que apoie seu uso. Entretanto,
vários compostos vegetais tem efeitos confirmados no tratamento da
celulite. Vários estudos experimentais demonstram que a centela-asiática
exerce uma ação normalizadora sobre o tecido conjuntivo. Um extrato de
centela-asiática contendo suas substâncias ativas demonstrou resultados
clínicos impressionantes quando administrado por via oral no tratamento
da celulite”. Quando tratam do problema das veias varicosas ou varizes,
afirmam novamente: “Quando administrado oralmente, um extrato
purificado de centela-asiática demonstrou resultados clínicos
impressionantes no tratamento da insuficiência venosa dos membros
inferiores e das veias varicosas. Seu efeito na insuficiência venosa e nas
varizes parece estar relacionado com sua capacidade de ampliar a
estrutura do tecido conjuntivo, reduzir a esclerose e melhorar o fluxo
sangüíneo através dos membros afetados”.
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CHÁ-DE-BUGRE
No início da primavera em muitos locais o ar fica todo
perfumado com a floração de uma árvore baixa de copa larga, que é um
chá muito apreciado. Tem muitos nomes populares como chá-de-bugre,
erva-de-bugre, guaçatonga, carvalhinho, pau-de-lagarto, erva-dapontada,
cafezeiro-do-mato, e outros. Felizmente, como todas as plantas,
tem um só nome científico, que é Casearia sylvestris. Pertence a uma
família de nome complicado: Flacourtiaceae. Esta árvore se conhece
facilmente pela distribuição das folhas e flores. As folhas, pequenas e
simples, estão colocadas alternadamente de cada lado dos raminhos
finos, formando duas filas horizontais. Na inserção de cada folha no
raminho agrupam-se conjuntos de dezenas de pequenas flores.
O chá-de-bugre tem muitas utilidades. É ornamental, podendo
ser plantado em pequenos espaços. Suas flores são melíferas. Bem
variado é seu uso medicinal.
Arnildo Pott, em ‘Plantas do Pantanal’, diz: Calmante (peão quer
distância deste chá) e depurativo (diz-se que o lagarto vence a cobra se
comer a folha). É considerado antidiarréico, depurativo e antireumático,
diurético e para doenças da pele. Por conter princípios antiinflamatórios
e analgésicos é recomendado para picada de cobras e insetos.
Uma propriedade importante do chá-de-bugre é o de curar o
herpes, esta infecção viral tão comum e que incomoda nas suas variadas
manifestações. Para fazer o tratamento, basta fazer um chá das folhas do
chá-de-bugre e tomar este chá em dose normal, digamos uma xícara 3
vezes ao dia. Além disto, umedecer com algodão embebido com o chá as
partes afetadas e doloridas. Bom é fazer este tratamento assim que se
manifestam os primeiros sintomas de que vai surgir uma reincidência da
infecção.
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CHAPÉU-DE-COURO
Quem for procurar informações sobre o chapéu-de-couro na
literatura estrangeira vai encontrar muito pouco ou quase nada. Mesmo
em nossas bibliografias estas informações são bastante limitadas. Ele é
uma planta nativa da América tropical e subtropical. É encontrada, com
frequência, no Rio Grande do Sul, sempre em solos úmidos, nas beiras
de rios, arroios, lagos e em banhados.
É uma planta até bem ornamental. Tem folhas grandes de
pecíolo longo e formato ovalado ou cordiforme, com nervuras bem
destacadas e cor verde forte e brilhante. As folhas formam um tufo que
brota do chão. Daí também brotam as inflorescências, bem maiores que
as folhas, ramificadas, com flores brancas. Seu nome científico é
Echinodorus grandiflorus (ou E. macrophyllus) da família Alismataceae.
Não confundir com outra planta parecida, que vive nos mesmos
ambientes, que tem folhas grandes em forma de flecha, chamada
sagitária.
Como planta medicinal o chapéu-de-couro é de uso vastamente
popular. Usam-se normalmente as folhas, mas o rizoma também é
empregado. Um livrinho popular diz: "Contra moléstias da pele,
reumatismo, artritismo, sífilis, afecções dos rins e bexiga; depurativo do
sangue. Ajuda a baixar a pressão alta. Evita a arteriosclerose. O rizoma
triturado usa-se aplicado sobre hérnia."
Publicação do início do século já dizia quase a mesma coisa em
outras palavras: "As folhas são adstringentes, usadas em gargarejos ou
banhos respectivamente contra as inflamações da garganta e as úlceras
de mau caráter; o rizoma foi reputado útil contra a hidrofobia.
Recentemente vulgarizou-se o consumo das folhas em infusão, à guisa
de chá, a qual tem sabor agradável sendo ligeiramente laxativa,
atribuindo-se-lhe diversas propriedades medicinais (anti-artrítica, antireumática
e anti-sifilítica), útil ainda contra certas moléstias da pele e do
fígado, assim como a dizem depuradora do sangue e eliminadora do
ácido úrico. Os ervanários tiram grande vantagem deste comércio, tanto
se difundiu entre o povo a mais inabalável crença nas múltiplas virtudes
medicinais que acabamos de enumerar."
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CIPÓ-MIL-HOMENS
Há vários cipós medicinais chamados cipó-mil-homens.
Recebem também os nomes de cassaú, angelicó, papo-de-peru e outros.
Tratamos aqui do que tem o nome científico Aristolochia triangularis, da
família Aristolochiaceae. O nome científico, Aristolochia, vem do grego
e significa que é um remédio para um bom parto, o que nos lembra que
já era usado por gregos e romanos. O nome popular é explicado assim
por um historiador riograndense: “Esta trepadeira ou cipó é da família
das Aristolochiaceae e veio-lhe tão rara denominação de uma ocorrência
que tivera um curandeiro brasileiro. Expondo a energia que tem esta
planta como contra-veneno da mordedura de jararaca, disse que tinha
curado, por meio dela, mais de mil homens”.


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