ALCAÇÚS
Falando de alcaçúz, poucos hoje saberiam escrever corretamente
o nome desta planta. Mas ela apresenta outras curiosidades. Quem, por
exemplo, saberia responder a esta pergunta: o que tem a ver o alcaçúz
com bombeiro? A resposta é: ele é usado como agente espumante em
extintores. Com a mesma finalidade é usado também na fabricação de
certas cervejas. Em cervejas, bebidas não alcoólicas e produtos
farmacêuticos, é ainda usado como aromatizante. E aqui aparece seu uso
certamente menos nobre: é usado para aromatizar tabaco.
O que é afinal este alcaçúz? Seu nome científico é bem
complicado: Glycyrrhisa glabra, da família Leguminosae. Os livros
dizem que se parece com a ervilha-de-cheiro. É originário da Ásia Menor
e das regiões mediterrâneas. Os monges beneditinos o levaram para a
Inglaterra, onde o cultivaram e onde também ficou famoso por causa
dumas pastilhas fabricadas com ele. Entre nós, os antigos de origem
alemã se lembram duns bastões escuros, extremamente doces, chamados
lakritz, os quais se cortavam em pedacinhos que se deixavam derreter na
boca para tratar problemas respiratórios. A substância principal do
alcaçúz é a glicirrizina, conforme uns 50, conforme outros 5 vezes mais
doce que a sacarose, e que tem efeitos semelhantes à cortisona.
A parte que se usa do alcaçúz é a raiz. Nela estão as propriedades
medicinais, usadas desde a antiguidade. Egípcios, gregos e romanos o
usavam como peitoral, a mais importante das propriedades que a ele são
atribuídas, tratando-se com ele principalmente a asma, tosse e bronquite,
sendo um poderoso expectorante. Muito usado também como
estimulante digestivo e receitado para inflamação gástrica. Utiliza-se
ainda como antiinflamatório nas artrites e nos transtornos alérgicos.
Favorece a função suprarenal, sendo usado na doença de Addison, que é
a deficiência desta glândula. O extrato solidificado, que se vende em
forma de barras, constitui a base de muitos laxantes comerciais,
estimulando o fluxo biliar, com ação suave sobre a prisão-de-ventre.
O uso excessivo pode produzir retenção de água, com aumento
da pressão sangüínea.
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ALECRIM
O alecrim ou alecrim-de-jardim, cujo nome cientifico é
Rosmarinus officinalis, é mais conhecido como tempero. Nesse sentido é
usado principalmente para temperar carnes. "Porco, cabrito e carneiro
ficam uma delícia temperados com molho de alecrim. Por ter um sabor
muito forte, deve ser empregado com moderação", diz o Guia Rural
‘Ervas e Temperos’. Ou como diz Dalmo Giacometti em ‘Ervas
Condimentares e Especiarias’: "Na Itália, Grã-Bretanha e Estados
Unidos o alecrim é indispensável nos assados e grelhados de frango e de
porco. Universalmente é usado para temperar molhos com suco de limão
para saladas, carnes, e frangos guisados".
Mas o que nos interessa aqui é seu valor medicinal. Como tal
tem também muitas aplicações, sendo as principais: acalma os nervos e
levanta o ânimo; reduz gases intestinais e estimula a digestão,
aumentando a secreção biliar; é estimulante cardíaco e ativador da
circulação; externamente é um ótimo desinfetante e alivia dores
reumáticas.
Uma propriedade extraordinária do alecrim foi confirmada
recentemente por pesquisadores da Universidade Federal de
Pernambuco. Na tradição popular já se sabia que o alecrim era eficaz no
tratamento das hemorróidas, mal que atormenta uns 40% da população
brasileira, segundo levantamento da mesma Universidade. Submetida a
experimentação, a tradição popular foi confirmada cientificamente e o
preparado à base de alecrim se mostrou tão eficiente e constante, a ponto
de surpreender pacientes e médicos. Isto é ainda mais surpreendente
considerando-se que a preparação e o uso da planta é facílimo, acessível
a qualquer um. Basta identificar o verdadeiro alecrim, colocar 20 gramas
de folhas secas em um litro de álcool próprio para consumo (álcool de
cereais ou cachaça), guardar uns 5 dias, coar e tomar 10 gotas em um
pouco de água 3 vezes ao dia. Segundo as informações, todos os
pacientes que tomaram o preparado durante 10 a 15 dias se livraram da
doença.
Em recente conversa com um amigo, ao mostrar-lhe o material
sobre o alecrim como receita para curar hemorróidas, disse-me ele: "Isto
aí me tirou da mesa de operação. Tinha marcado cirurgia para depois de
uma semana, quando me ensinaram esta receita. Tomei o chá,
desmarquei a cirurgia e estou bom até hoje."
Se você ainda não tem um pé de alecrim em sua propriedade,
acho bom providenciar um.
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ALFAZEMA
A alfazema é uma planta que era mais conhecida e usada em
outros tempos que nos nossos dias. É, contudo, uma erva que é preciso
revalorizar, por causa de suas múltiplas propriedades, algumas delas
muito importantes para o nosso tempo. A alfazema é chamada também
lavanda e o seu nome científico é Lavandula officinalis ou também
Lavandula angustifolia, da família Labiatae. É em primeiro lugar uma
planta ornamental, com suas múltiplas ramificações, cobertas de folhas
pequenas e estreitas, semelhantes às do alecrim, porém de coloração
esbranquiçada.
Os primeiros usos da alfazema foram provavelmente como
planta aromática. Como tal era amplamente usada por gregos e romanos,
que preparavam com ela os seus banhos. Ainda hoje seu uso como
cosmético é muito difundido. “As águas de lavanda, diz uma autora, são
conhecidas no mundo inteiro e são anti-sépticas e refrescantes. Sachês de
lavanda são um luxo adicional a qualquer banho, e colocados nos
armários e nas gavetas deixam a roupa com um cheirinho delicioso. E,
para completar, além do aroma divino, a lavanda repele as traças e todos
os insetos comedores de roupas, carpetes e cortinas”.
Como medicinal, a alfazema tem muitas indicações. Age sobre
os brônquios, sendo anti-séptico respiratório eficaz no tratamento da
tosse. O óleo essencial age sobre o mesencéfalo estimulando-o através
do nervo olfativo, o que confere uma ação calmante. Na medicina
popular é usada internamente como calmante suave, no combate à tosse,
ou em casos de perturbação gástrica caracterizada pela flatulência.
Indicada também para doenças respiratórias como asma, bronquite,
catarro, gripe, além de sinusite, enxaqueca, depressão, tensão nervosa,
insônia, inapetência, vertigens, dermatites, eczemas, abcessos,
pediculose e psoríase, queimaduras, leucorréia, e para aliviar picadas de
insetos. Sobre o efeito calmante da alfazema diz uma autora canadense
com humor: os banhos de alfazema acalmarão nossos pequenos diabos,
provocando neles um sono profundo e reparador.
Muito forte é o efeito antiparasitário do óleo essencial da
alfazema. Segundo a mesma autora é de incrível eficácia contra as
infestações periódicas de piolhos que se propagam ainda em nossos dias
nos meios escolares de todas as classes sociais. A solução é passar óleo
essencial e pente fino nas cabeças infestadas, uma vez por dia, até o
desaparecimento completo dos piolhos.
Ainda uma receita, esta para estudantes: excitante nervoso, o
óleo essencial da alfazema substitui muito bem a cafeína em períodos de
exames; antevendo longas noites em claro, use o óleo em massagens do
couro cabeludo.
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ALHO
Há poucas plantas tão conhecidas como o alho. Assim diz um
autor espanhol ao apresentá-lo: "O benévolo leitor queira excusar a falta
de uma figura que represente o alho comum; mas esta espécie não é
nativa, senão de terras cultivadas, e na Espanha é tão conhecida, que não
são necessárias imagens dela para que todo mundo saiba de que se trata."
São também por demais conhecidas as suas múltiplas propriedades
medicinais. Como diz o mesmo autor: "No decurso dos séculos, as
virtudes atribuídas ao alho são pouco menos que inumeráveis."
Originário da Ásia, o alho foi cultivado principalmente nos países ao
redor do Mediterrâneo e há notícias do seu uso há quatro ou cinco mil
anos. Seu nome científico é Allium sativum, da família Liliaceae.
É famoso o seu uso como alimento e condimento no tempo dos
gregos e romanos, e a saúde dos construtores das pirâmides do Egito era
garantida à base do farto consumo de alho. Como condimento o alho
aumenta o sabor da maioria das carnes, mariscos e muitas verduras. É
um ingrediente essencial de pratos regionais em muitas partes do mundo,
em especial o sul da Europa, Oriente Próximo, Extremo Oriente, Caribe,
México e América do Sul.
As múltiplas propriedades medicinais podem-se resumir assim:
Uso interno: previne infecções e cura resfriados, bronquite, gripe, tosse
convulsiva, gastroenterite e disenteria. Uso externo: problemas cutâneos,
em especial acne e infecções por fungos. Além desses usos tradicionais,
faz pouco que se descobriu que o alho reduz o metabolismo da glicose
nas diabetes, retarda o desenvolvimento da arterioesclerose e reduz o
risco de enfartes ulteriores em pacientes que sofreram um enfarte do
miocárdio. Textualmente diz um autor atual: "Muito estimado desde pelo
menos cinco mil anos, faz muito tempo que se sabe que o alho reduz o
nível de colesterol no sangue. Inclusive a medicina ortodoxa reconhece
que a planta reduz o risco de ulteriores ataques nos pacientes do coração;
é também um estimulante do sistema imunitário e um antibiótico." O
forte odor do alho se deve em grande medida a compostos sulfurosos que
são os responsáveis pela maior parte de suas propriedades medicinais; os
preparados desodorizados são significativamente menos eficazes.
Existem disponíveis no mercado pérolas de óleo de alho, fáceis
de consumir. Estas podem ser substituídas com vantagem por cápsulas,
que contêm pó de alho, mais eficazes. Os poderosos compostos
aromáticos do alho se excretam através dos pulmões e da pele. Pode-se
reduzir o odor desagradável do hálito dos consumidores de alho
mastigando folhas frescas de salsa.
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ARNICA
A planta medicinal chamada arnica é muito falada, mas também
objeto de muita confusão, tanto na tradição oral como na escrita. Esta
confusão não é só nossa e nem só de hoje. Para uns, arnica é toda planta
que tem flores amarelas; ou então é considerada arnica toda planta que se
usa para afomentar machucaduras. Um livro espanhol diz: “Enfin,
qualquier planta de esta família, com tal que sus flores sean amarillas,
puede passar por árnica, y no solo en nuestro país, sino en otros muchos
paises europeos. Y, a menudo, la persuasión de las gentes es tan firme,
que se irritan cuando se niega veracidad a sus asertos y se les dice que su
árnica no es árnica ni mucho menos.”
A arnica a que se referem os livros estrangeiros e também os
nacionais, é a que os botânicos chamam Arnica montana, da família
Compositae. É uma planta tipicamente européia e não há informação que
exista espontânea ou cultivada em nossa região.
Em relação a seu uso, uma informação importante e que aparece
praticamente em todos os livros, é que ela é tóxica, e por isso seu uso
interno está condicionado à orientação médica. Nesta forma é usado, por
exemplo, para problemas cardíacos, derrames e outros. Seu uso mais
universal é externo. Assim diz uma bibliografia bem nacional: “A raiz,
as folhas e, sobretudo, as flores desta planta, contêm diversas
substâncias, entre as quais se destaca a arnicina, abortiva e veneno
enérgico, que torna perigoso seu uso pelos leigos.” Na atualidade o seu
emprego está limitado principalmente aos golpes, quedas e contusões de
qualquer natureza.
Um dos nomes antigos da arnica é tabaco das montanhas.
Tabaco, porque suas folhas secas eram fumadas como substituto do
fumo. Das montanhas, porque se dizia que crescia convenientemente ao
pé das montanhas, onde as quedas e respectivos arranhões eram mais
freqüentes.
Entre as plantas que no Brasil recebem o nome de arnica está
principalmente a erva-lanceta, Solidago chilensis (S. microglossa), que
se usa muito contra machucaduras, quedas, contusões, derrame de
sangue interno, hemorragias. A nossa arnica tem sobre a arnica européia
a vantagem de não ser tóxica.
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ARRUDA
A arruda é uma planta por demais conhecida da maioria do povo.
Quanto mais a gente a estuda, tanto mais se fica em dúvida se deve
divulgá-la, escrever sobre ela, ou não. É que se trata de uma planta muito
forte, de poderes positivos, mas também muito negativos. Por isso, de
um lado seria melhor se não fosse divulgada, conhecida. Por outro lado,
como já é por demais conhecida, é preciso chamar atenção sobre ela,
para prevenir aqueles que não a conhecem suficientemente, e a usam sem
precaução. Muitos autores nem a colocam em seus livros de plantas
medicinais, outros a colocam entre as plantas tóxicas; mas a maioria
previne que se deve usá-la com muito cuidado.
A arruda é originária dos países do Mediterrâneo, e espalhada
hoje por todo o mundo. É conhecida desde a antiguidade e dela foram
feitos os mais diversos usos. Segundo os livros é indicada em uso interno
principalmente para combater vermes intestinais, mas também para
outros males, porém sempre em doses moderadas, de preferência sob
indicação de uma pessoa autorizada, responsável. A arruda é
especialmente perigosa para gestantes, pois doses exageradas podem
provocar aborto e mesmo a morte. No uso externo é indicada sem
problemas para combater piolhos, lavando-se a cabeça com o chá ou
usando um sabonete de cuja composição faz parte. É usada ainda para
sarna e para lavar feridas, onde favorece a cicatrização.
As folhas da arruda têm uma coloração verde-azulada e as flores
são amarelas. Uma característica muito notável da arruda é seu cheiro
forte, penetrante e inconfundível. Provavelmente é por causa desse
cheiro forte e até certo ponto desagradável, que se atribuíram sempre à
arruda propriedades mágicas, além das medicinais. Esta crença perdura
até hoje entre o povo, e por isto é tão freqüente encontrar um pé de
arruda junto das casas, das quais afastaria os malefícios. E é muito
popular também usar um raminho de arruda atrás da orelha para a mesma
finalidade. Este cheiro forte afeta não somente as pessoas, mas também
os animais. Por isso a arruda é largamente usada como repelente para
pragas, desde insetos até cobras.
Resumindo, acho que se pode dizer: se você não tem vermes ou
piolhos incomodando, e não acredita em suas propriedades mágicas,
esqueça a arruda.
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BABOSA
A babosa, também chamada de aloés, é uma planta conhecida
popularmente como ornamental e medicinal.
Como ornamental dá um bom efeito pelas suas folhas longas,
grossas, largas na base e terminando em ponta, com espinhos nos lados,
e que nascem ao redor de um caule central. Quando floresce, nasce entre
as folhas uma longa haste, em cuja ponta se forma um cacho vermelho
ou amarelo de flores em forma de tubo, que vão caindo, enquanto novas
desabrocham. Como é uma planta perene não precisa ser replantada. Do
seu pé nascem brotos, de modo que aos poucos se forma uma touceira
bem fechada. Cada broto é uma nova muda que basta destacar e plantar.
Como medicinal a babosa é conhecida e usada desde a
antigüidade, e em nossos dias volta a ter, ou continua tendo, as mesmas
aplicações e mesmo encontrando novas. Da Bíblia sabemos que fazia
parte de uma composição para embalsamar corpos, como o de Cristo.
Gregos e romanos a usaram em suas medicinas. Árabes popularizaram
seu uso na Península Ibérica. Do suco que escorre de suas folhas
cortadas se obtém por desidratação uma resina, chamada pelos espanhóis
‘acibar’, muito empregada em outras épocas.
Talvez o uso mais importante hoje, na medicina popular, como
na clássica, é no tratamento de queimaduras. Por isso a indústria
cosmética a usa na preparação de loções contra queimaduras do sol, nos
bronzeadores. Médicos americanos usam o suco da babosa para tratar
queimaduras nucleares e de outras radiações. Uma grande empresa
petrolífera nossa, há mais de seis anos não usa outra coisa, no setor
médico, para queimadura senão a babosa. Daí a importância de ter um pé
de babosa na propriedade, e perto de casa. Acontecendo uma queimadura
é só cortar uma folha e aplicar o suco que escorre, sobre a ferida. Este
suco da babosa tira a dor, evita infecção e produz uma rápida
cicatrização, sem mesmo deixar cicatrizes. Pode-se também reduzir uma
folha a uma pasta, depois de retirar os espinhos, aplicando a pasta sobre
a queimadura. Outra maneira é cortar a folha, que é grossa, em fatias
finas e aplicar estas sobre o local ferido. Parece que a pele absorve toda a
substância da folha de maneira que fica só uma camada fina como papel.
Externamente a babosa é ainda usada em inflamações e tumores e, em
solução fraca em água, para lavar feridas e os olhos. É usada, ainda, para
queda e tratamento do cabelo.
Para uso interno da babosa recomenda-se muito cuidado. Ela é muito
forte e pode causar problemas até graves. O suco das folhas é usado para o
estômago e o fígado. É usado como laxante em preparações farmacêuticas.
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BARDANA
A bardana é uma planta medicinal muito conhecida e usada
desde a antiguidade e, como se diz, suas propriedades nunca foram
contestadas. A bardana forma uma haste vertical de até mais de um
metro, com folhas bem grandes na base e cada vez menores para cima. O
que a distingue são os cachos de flores que se transformam em
carrapichos, que se agarram fortemente à roupa. Seu nome científico é
Arctium lappa, da família Compositae.
Segundo um livro bem popular, a bardana provoca suor, é
diurética, aumenta a urina e é ótima contra cálculos renais, moléstias da
pele; grande depurativa do sangue, do fígado, dos rins; remédio antisifilítico;
folhas untadas com azeite ou seu suco, aplicam-se sobre
feridas; para reumatismo; ajuda o crescimento e evita a queda do cabelo.
Já num livro inglês recente se lê que a bardana era um purificador
tradicional do sangue, que se combinava muitas vezes nas poções
populares com o vinho de dente-de-leão. Em tempos foi popular contra a
indigestão. Na China se empregam as sementes para afastar os “males do
ar e o calor”. Também reduzem o nível de açúcar no sangue. Esta última
indicação, muito importante para os nossos dias, é acentuada em outro
livro, também inglês, que diz textualmente, na tradução espanhola:
“Hace poco que se há demostrado que los extractos de semillas reducen
el nivel de azúcar en la sangre”. O mesmo livro ainda diz que a bardana é
usada internamente para enfermidades cutâneas ou condições
inflamatórias causadas por toxicidade (em especial eczemas, psoríase,
reumatismo, gota, furúnculos e chagas). É importante lembrar que vários
autores indicam esta planta para tratar a psoríase. As palavras de outra
autora inglesa resumem e englobam os principais usos desta planta:
“Estimuladora do apetite, colagoga, sudorífera, tônica e calmante”, a
bardana sempre tem utilidade, mas a propriedade que a faz ocupar um
lugar importante na farmácia caseira é a de depuradora do sangue. Ela
retira substâncias tóxicas do organismo através de sua atuação sobre a
bilis, rins e glândulas sudoríparas, aliviando a congestão do sistema
linfático. A raiz é a parte mais usada.
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BELDROEGA
A beldroega é planta ao mesmo tempo alimentícia, medicinal e
ornamental. É conhecida e usada desde a antiguidade até nossos dias.
Existe espontânea ou cultivada em todos os continentes.
Atualmente caiu em desuso em muitos lugares, mas, por suas
propriedades, merece ser mais conhecida e usada. Além de beldroega,
tem outros nomes populares, como caruru-de-porco, bredo-de-porco,
ora-pro-nobis, salada-de-negro, caaponga, porcelana, verdolaga,
beldroega-pequena, beldroega-vermelha, beldroega-das-hortas; em
espanhol verdolaga. Seu nome científico é Portulaca oleracea, da
família Portulacaceae.
Em livros de plantas ornamentais se encontra uma beldroega
com flores grandes, amarelas ou vermelhas, que a tornam própria para
recobrir canteiros. Como alimento a beldroega foi usada desde tempos
antigos na Índia e Extremo Oriente, sendo introduzida na Europa na
Idade Média, e continua sendo coletada no estado silvestre em muitas
regiões, inclusive no Brasil. A beldroega é rica em proteínas, vitaminas
A, B e C, cálcio, fósforo e ferro. Ao longo dos séculos foi empregada na
cura do escorbuto. Um livro bem atual diz: “Las hojas se cocinan como
verdura, se embuten en vinagre, se añaden a salsas y ensaladas.”
Como planta medicinal é recomendada em muitos livros.
Exemplo: “É mucilaginosa, diurética, laxativa, vermífuga e
antiescorbútica. Em outros tempos foi muito empregada no combate às
doenças do fígado, hemoptises e cólicas nefríticas. É também
vulnerária.”
Num livro argentino vem esta indicação: “Es planta diurética,
refrescante, purgante y vermífuga. La infusón de las sumidades se usa
para combatir ciertas enfermedades de las vías urinarias y hepáticas.
Además, se puede utilizar como ensalada.”
A informação mais atual e talvez a mais importante vem num
livro de 1996: “Investigaciones recientes han demostrado que Portulaca
oleracea es una fuente rica de ácidos grasos omega-3, que se consideran
importantes para prevenir ataques cardíacos y fortalecer el sistema
inmunológico.”
Se estas investigações se confirmarem, vai ser necessário
cultivar beldroega em grande quantidade.
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BOLDO
Há várias plantas medicinais com o nome de boldo. Todas elas
são indicadas para problemas do estômago e do fígado. Entre nós são
três as espécies mais conhecidas. A primeira é chamada simplesmente
boldo, ou boldo-comum ou ainda falso-boldo, e tem como nome
científico Coleus barbatus, da família das Labiadas. Este boldo é muito
freqüente, cultivado em jardins. Tem folhas peludas, de um verde claro,
com cheiro forte, característico e gosto forte e desagradável. Reproduzse
facilmente com mudas feitas de estacas. Ele é perene, isto é, cresce o
ano todo, não precisando ser replantado.
Outro boldo, que existe nativo principalmente em nossos campos
e lavouras abandonadas, é o boldo-do-campo ou doce-amargo-do-campo,
que tem o nome científico Pterocaulon polystachium, da família das
Compostas. Este é anual, só existe durante o verão, quase na época da
macela. É uma erva com uma só haste fina, forte e reta, ao longo da qual
estão as folhas verdes, um tanto pegajosas, como é também a haste. No
topo forma, na época da floração, uma cachopa ramificada com muitos
cachos de flores esbranquiçadas. No todo lembra um pouco a ervalanceta.
Usam-se as folhas em chá ou tintura. Tem cheiro agradável e o
gosto é amargo, mas bom. Como é planta anual, deve ser colhida na
época da floração, secada à sombra ou em estufa e guardada para o resto
do ano.
Um terceiro boldo, este citado em livros nacionais e estrangeiros
e aparecendo na formulação de muitos remédios para estômago e fígado,
é o boldo-do-Chile. É muito raro entre nós. Seu nome científico é
Peumus boldus da família das Monimiáceas. Como seu nome popular
indica é originário do Chile. Como se lê nos livros, as folhas deste boldo
têm um perfume semelhante ao da hortelã. Os índios dos Andes sempre
as usaram para o estômago e para abrir o apetite. Este boldo, como
também os outros, estimula a secreção da bilis pelas células do fígado e
facilita o funcionamento da vesícula biliar.
Parece até mais que coincidência, que numa terra onde se come
churrasco de carne gorda, cresce também um chá providencial, o doceamargo-
do-campo.
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BOLSA-DE-PASTOR
A bolsa-de-pastor é uma erva que cresce espontânea em diversos
ambientes, ocorrendo praticamente no mundo todo, sendo em muitos
lugares considerada erva daninha. Seu nome científico é Capsella bursapastoris,
da família Cruciferae. Não é das plantas mais conhecidas, mas,
pelo que se lê em muitos autores, é de valor muito grande.
Em 1653 se dizia dela que “poucas plantas tem maiores virtudes
que esta, e ainda assim é totalmente ignorada”. Não era ignorada no
tempo dos romanos que já a usavam para estancar sangue, que é a sua
principal propriedade. Sabe-se também que os alemães, na primeira
guerra mundial, usavam um extrato dela para estancar ferimentos.
Nos livros bem populares as indicações são bem variadas e um
tanto disparatadas. Já um livro argentino diz mais brevemente: empregase
em medicina popular como planta adstringente, vulnerária e secante.
O cozimento da planta é muito indicado para combater hemorragias,
diarréias, disenteria, transtornos menstruais etc.
As indicações populares são confirmadas em livros científicos:
anti-hemorrágica; a erva tem efeito vasoconstritor e por esta razão é
empregada para tratar certas hemorragias, especialmente menstruações
excessivas. Crê-se que fomenta as contrações do útero durante o parto.
Um livro recente (1995) diz praticamente a mesma coisa: uso externo e
interno: para deter hemorragias, em especial menstruações excessivas,
sangue na urina, hemorróidas, hemorragias nasais e feridas. Também
internamente para cistite e externamente para varizes.
A bolsa-de-pastor pode também ser usada como alimento. As
folhas novas têm sabor parecido ao do agrião, sendo normalmente
consumidas como salada. Suas sementes foram encontradas no estômago
de restos humanos antiquíssimos.
A austríaca Maria Treben, no seu livro ‘Saúde pela Botica do
Senhor’ (1985) relata curas espetaculares obtidas com bolsa-de-pastor
com doenças variadas, como atrofia muscular, prolapso intestinal, hérnia
inguinal e outras.

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