Pare de fumar


Capítulo 1
O Testemunho

Contato

Meu primeiro contato com o fumo foi aos dois anos de idade, quando comi vários cigarros, antes de minha mãe perceber e tirá- los do meu alcance, mas minha primeira percepção real do que era o fumo ocorreu aos sete anos.

Um tio meu foi passar alguns dias em minha casa. Ele fumava muito e percebi que o cheiro era horrível. Fiquei preocupada e comecei a lhe falar que ele iria morrer, por estar fumando. Nada do que eu disse lhe comoveu, daí resolvi esconder os seus cigarros. Meu tio ficou totalmente atormentado, mas eu fiquei orgulhosa, achando que tinha feito a coisa certa.

Anos mais tarde, fomos morar próximo desse tio, que tinha acabado de se casar. Para minha surpresa, eu havia ganhado uma tia maravilhosa, que me paparicava com presentes e afeto. Como meu tio, ela também fumava muito, mas nunca abordei nada sobre  o cigarro, pois minha admiração por ela era imensa e, por incrível que pareça, comecei a admirar por tabela o fato de fumar. Até mesmo o cheiro não me incomodava mais.

Meu pai também fumava, apesar de serem cigarros mais “fracos”. Quando eu mexia no seu maço de cigarros ou reclamava do fato dele fumar, a resposta era sempre a mesma: “Sei que estou errado e um dia pararei de
fumar”. Com o tempo ele realmente diminuiu a quantidade, o tipo do fumo e certo dia ele parou por completo, mas sua referência permaneceu.

Aos dez anos comecei a simular o ato de fumar: na hora do banho, acendia o aquecedor do banheiro com um fósforo e depois o levava a boca ainda acesso, ficava puxando o ar, sentia um gosto de pólvora e fumaça.

Fumando

Então, quando fiz treze anos, resolvi fumar. Achava bonito, queria imitar os adultos. Em apenas seis anos havia me esquecido que um dia levantei a bandeira contra o cigarro. Sem qualquer motivação adicional, comprei um maço na padaria mais próxima, fui ate a garagem do meu prédio e iniciei a minha vida de fumante.

Fumei apenas dois cigarros. Na mesma hora fiquei tonta, sentei no chão e, ingenuamente, adorei a sensação. Fui para casa, lavei bem as mãos e escovei os dentes para os meus pais não perceberem qualquer vestígio do fumo. Com o tempo foi ficando difícil disfarçar o odor que exalava de mim, pois eu aumentara a quantidade de cigarros. Minha mãe logo percebeu e, com medo de ser descoberta, comecei a mentir: cheguei a inventar que o cheiro vinha de uma amiga, que eu era apenas uma fumante passiva.
Não durou muito para meus pais descobrirem a verdade. Eles brigaram um

pouco, mas liberaram que eu fumasse, contanto que fosse do lado de fora de casa. Naturalmente, em pouco tempo já estava fumando em todo lugar.

Faltava apenas minha mãe fumar, o que não demorou, pois pouco tempo depois meus pais se separaram e o cigarro passou a ser seu companheiro nefasto. Não bastasse isso, ela se aproximou de uma pessoa que fumava também. E muito.

Éramos três fumantes, a casa dominada pela fumaça e assim passei até os 16 anos, quando, certo dia, me dei conta das minhas mãos amareladas, dos meus cabelos mal cheirosos e de uma terrível falta de ar. Achei aquilo demais para alguém da minha  idade, que deseja intensamente se sentir bonita e cheia de saúde. Resolvi parar de fumar. Já não achava mais graça, todo o glamour havia passado. Estava incomodada, me sentindo escrava do vício. Simplesmente deixei o cigarro para lá, de uma maneira bem fácil.

Passei algumas semanas me sentindo bem, livre, mais bonita. Infelizmente, nessa idade eu estava cercada de amigos fumantes e com essa convivência voltaram todas as sensações do fumo: o odor, os gestos, a impressão de prazer. Logo voltei a fumar, por puro hábito do grupo, como forma de socialização.
Aos dezoito anos comecei a trabalhar em uma atividade que não permitia pausas para o fumo. Precisava ficar horas sem fumar, para mim era um martírio. À noite eu ia para a academia de ginástica e, no trajeto que fazia a pé, me sentia sem fôlego. Na verdade, chegava exausta e não me enganava: já sabia nessa época que era por causa do fumo. Na musculação quase não respirava mais, até as escadas me cansavam, me sentia ruim por dentro, mas com um corpo jovem, com aparência “saudável”. Por que os males do cigarro não se mostram muito claramente no nosso corpo? Tudo acontece internamente e parece que estamos bem de saúde, quando na verdade estamos morrendo lentamente por dentro.

Quando íamos passear, geralmente ao cinema, lembro-me de um em especial, com área exclusiva para fumantes. Ficava animada  e só gostava desse cinema, pois os outros me deixavam muito mal, duas horas inteiras sem fumar. Dava até tonteira, eu perdia a vontade de estar naquele filme, de estar me divertindo, porque não queria nem por um minuto ficar me sentindo privada do meu vício.

Eu também adorava minhas viagens de avião. Quando a lei proibiu o fumo a bordo, pensei como agüentaria visitar meus parentes, no suplício que seriam 4 horas sem um cigarro. Pensava em tomar calmantes, ir de ônibus. Só de imaginar não fumar – ou estar com alguma restrição ao fumo – era horrível. Não deixei de

visitar nenhum parente em função  disso, minha vontade de revê-los era maior, mas minha alegria em viajar bem menor.

Aos dezenove anos meu vício chegou ao auge: comecei a fumar mais de um maço por dia, acordando inclusive em plena madrugada para fumar. As pessoas com quem eu convivia – minha mãe, que na época já não fumava mais, e algumas amigas - começaram a reparar e pediam insistentemente que eu pelo menos diminuísse a quantidade de cigarros, pois era um cigarro após o outro: às vezes, nem tinha intervalo, era um na boca e outro acesso no cinzeiro.

Confesso que até eu me assustava com isso, pensava aonde ia parar: dois, três maços por dia? Qual o limite? Estabeleci que mais de dois maços seria loucura. Quando o segundo maço acabava - o que sempre acontecia -, eu ficava como louca, esperando um novo dia para recomeçar a contagem dos quarenta cigarros.

Acorrentada

Junto com o fumo, veio outro vício: o cafezinho. Tomava mais de um litro por dia, muitas vezes só para estimular ainda mais a vontade de fumar. Não sentia fome alguma, o cigarro era meu alimento, horas sem ingerir nada além de cafezinho. Nada é de graça, ganhei uma gastrite com esses hábitos.
Eu estava me sentindo acorrentada, como se estivesse amarrada a um peso, sufocada por esse vício. O fumo em momento algum podia faltar: eu podia estar doente, acamada, mas ia me arrastando até onde encontrasse cigarro à venda – acho que poderia andar quilômetros. Quando eu tinha resfriado, ficava sufocada, sem ar, mas não parava, apenas diminuía o numero de cigarros, mesmo me sentindo muito mal, inalando a fumaça junto com o gosto ruim de tudo que vem junto com a gripe.

Quando eu tinha um dinheiro a mais na minha carteira, o que era raro, ao invés de comprar algo bom para mim, comprava o pacotão com 10 maços de cigarros. Era um estoque, para garantir que eu não ficaria sem fumo, mas sabe o que acontecia? Eu fumava mais e mais, pois tinha acesso fácil, ultrapassando o meu limite de dois maços ao dia.

Certa vez percebi que o cigarro havia mudado, estava mais forte, parecia mais misturado com outras substâncias. Apareceram na mídia muitas reportagens sobre esse tema, cigarros falsificados e com muita mistura, que viciavam e matavam mais rapidamente. Eu já era uma expert em fumo, a ponto de notar diferença na qualidade do produto: sabia distinguir perfeitamente o cigarro original do falsificado. Foi nesse momento que tomei consciência de quantas substâncias tóxicas existiam no cigarro e comecei realmente a preocupar-me com minha saúde.

Grávida

Aos vinte anos conheci o meu marido. Ele não fumava, gostava muito de mim e respeitava meus hábitos. Para não me magoar, não dizia nada quando eu fumava ao seu lado. Ele aceitava passivamente meu vício e logo casamos.

Aos vinte e um anos, fiquei grávida da minha primeira filha. Eu me sentia péssima, estava gerando uma criança e continuava a fumar. Sabia que minha filha sentia  todo aquele mal, sabia que o cigarro poderia afetar o desenvolvimento do feto, sabia que o bebê poderia nascer doente, antes do tempo, mal formado, pequeno, ou mesmo abortar “naturalmente”, mas nem assim consegui parar de fumar. Foi uma gestação bem difícil: sentia enjôos fortes, não conseguia me alimentar, vomitava bastante. Perdi seis quilos nos primeiros quatro meses da gravidez. Eu parecia uma caveira, não estava bonita e não me sentia saudável, como imaginava que uma grávida deveria se sentir. Afinal, gravidez não é doença. Minha doença era o fumo.

Quando eu andava na rua, as pessoas olhavam para mim ao acender um cigarro. Era um olhar de repreensão, de “como pode uma grávida fumar”, um olhar de julgamento. Sentia-me envergonhada, sabia que  elas tinham razão: minha filha nem havia nascido e eu estava sendo uma péssima mãe. Ao invés de parar de fumar, para me defender, disfarçava o
cigarro, escondia atrás do meu corpo e até evitava fumar em locais com muitas pessoas. O olhar me incomodava.

Deus é tão misericordioso que, apesar do fumo, minha filha nasceu perfeita, saudável - nada de ruim aconteceu ao meu bebê. Entretanto, o vício era tão forte que nos preparativos para o nascimento fiquei mais preocupada com a impossibilidade de fumar do que com a recuperação da cesárea próxima. Entre fraldas, roupinhas e lembrancinhas, coloquei alguns maços na bolsa. Após o parto, senti uma enorme vontade de fumar. Comecei a me sentir mal e tentei levantar. Os pontos da operação doíam muito, mas eu queria fumar de qualquer jeito. Então, ainda na maternidade, resolvi testar minhas forças. Na primeira oportunidade, fui curvada até o banheiro, onde havia uma pequena janela. Apoiei-me nela, fumei. Minha filha, no berçário.

Para estimular a recuperação da cesárea, o médico recomendou andar pelo corredor da maternidade. Mesmo toda dolorida, eu esticava até a saída – corredor, elevador, corredor  -, para poder fumar livremente. Claro que inventei várias vezes de retornar àquele lugar somente para fumar.

O Isolamento

Ao retornar para minha casa, além da recém-nascida, vieram os cigarros. Logo meu marido reclamou, pois não admitia o fumo na presença do bebê. O adulto pode decidir se aceita ou não ser um fumante passivo, pelas pessoas de que gosta. As crianças, e em especial os bebês, não podem exercer esse poder de escolha. Assim, entendi o pedido dele e estabeleci um limite territorial ao cigarro: não fumaria mais dentro de casa e jamais perto da criança. Também estabeleci um limite de um maço por dia.

Apenas cinco meses depois estava grávida do meu segundo filho. Logicamente, continuei fumando e passei por tudo de novo: vômitos, enjôos, perda de peso, só que agora com mais um agravante: como não podia fumar dentro de casa, passava o dia inteiro num vai-e-vem da casa para o corredor do prédio. Eu deixava de estar com a minha filhinha, de brincar com ela, trocar a sua fraldinha, para fumar, isolada, muitas vezes ao dia. É incrível o que se descobre ao fazer uma pequena conta: eu levava dez minutos por cigarro, no mínimo. A cada maço, vinte cigarros, 200 minutos, mais de três horas longe da presença da minha filha, no momento que ela mais precisava de mim. E com outro no ventre.

Quando eu ia pegar no bebê, desinfetava minhas mãos, escovava os meus dentes, passava perfume no cabelo, tudo muito
trabalhoso. Eu me sentia tão mal, inadequada, queria mudar aquela situação, mas não me sentia forte o suficiente para lutar contra os sintomas da abstinência. Meu segundo filho nasceu, uma criança linda e saudável, novamente Deus abençoou minha família. E a história se repetiu, minhas caminhadas pela maternidade, apesar das dores, e a mesma janela pequena.

Por esse tempo, por imposição legal, houve uma série de medidas contra o fumo, como forte redução na veiculação de propagandas de marcas de cigarros, obrigatoriedade de embalagens com advertências escritas e visuais sobre efeitos da nicotina e proibição de fumar em locais fechados. Com o respaldo da lei e certa consciência coletiva, pessoas que antes aturavam passivamente a proximidade de fumantes, começaram a demonstrar intolerância com aqueles que fumavam publicamente. Mesmo em ambientes abertos, muitas delas olhavam para mim de uma forma agressiva, quando eu acendia um cigarro, pior ainda se acompanhada de meus filhos.

Eu me sentia fora de moda, literalmente, pois o moderno era ser saudável, ser natural e isso não incluía o fumo. Eu estava socialmente deslocada: fazia ginástica e quando saia da academia logo acendia um cigarro. Minha respiração era difícil, meu pulmão reclamava, meu corpo não aguentava mais aquela situação

e dava vários sinais de falência. Eu ignorava seus avisos.

Quando acordava pela manhã, eu sentia muita vontade de fumar e não conseguia deixar de fazê-lo. Então, eu chorava, sentia nojo de mim e do cigarro, vomitava. Aquilo se repetia dia após dia, por meses, vivia sentindo revolta, nojo, fracasso.

Na Igreja, ao ouvir a palavra de Deus, que é baseada no amor aos outros e a si próprio, me sentia ainda pior. O Espírito Santo falava pra mim, diretamente, o quanto eu estava errada, o quanto eu não me amava e eu me sentia envergonhada, pois, nesse momento, Deus tirava as vendas dos meus olhos, me fazendo enxergar a verdade. Estava desobedecendo às suas leis, cometendo suicídio aos poucos, o que é contrário aos seus ensinamentos. Apenas Ele tem autoridade para nos tirar à vida.

Então, aos vinte e quatro anos, veio a compreensão: eu estava fraca, triste, cansada, mal cheirosa, num ponto limítrofe. Em um ato heróico, resolvi que iria mudar, definitivamente, dar um basta naquilo. Não havia nascido fumando e não iria morrer fumando. Começou minha guerra contra o fumo. Ainda não sabia o que me esperava, quantas batalhas teria que travar, mas havia decidido vencer esse desafio de qualquer maneira.
Parando de fumar

Comecei a ler sobre o fumo, principalmente sobre os males que ele provocava. A cada nova informação mais repulsa sentia deste vicio e me perguntava por que fui tão ignorante, tão fraca e sem amor por mim mesmo. Pesquisei na Internet vários métodos que me prometiam ajudar a parar de fumar e resolvi colocá-los em prática

Meu primeiro método foi tentar diminuir a quantidade de cigarros: de um maço por dia, passei para meio, mas quando tentei diminuir ainda mais, não consegui. Ao menor sinal de stress, mesmo diante de um problema de fácil resolução, logo aumentava a quantidade de cigarros e voltava para o início. Entendi que isso não ia funcionar para mim: eu queria PARAR de fumar e não diminuir. Mesmo assim continuei em estratégias de diminuição gradual do vício.

No segundo método, troquei a marca do cigarro, de um forte para o mais “fraco” que existia na época. Foi bem estranho, pois eu puxava e não sentia a fumaça entrar nos meus pulmões, parecia que não estava fumando, ficava com enjôo. Era como se alguém que desejasse parar de tomar refrigerantes resolvesse ingeri-los misturado com água. Não sacia a vontade e tem um gosto horrível. Novamente não consegui seguir em frente.

Parti para um terceiro método: filtros chamados de piteiras, para serem colocados sobre os filtros do cigarro. O efeito foi o mesmo efeito do cigarro mais fraco, um fumar aguado e sem gosto, dava muito enjôo. Tantos que pensei se isso não era uma boa opção: vomitar o cigarro ate não suportá-lo mais. Foi à base para o método seguinte.

Piquei vários cigarros em um copo de água, esperei algumas horas, coei e bebi o “caldo de fumo”. Esse quarto método foi uma tortura. Logo no primeiro gole coloquei tudo pra fora, vomitei sem parar. Só de pensar em ingerir mais um gole já enjoava. Eu havia lido na Internet relatos de pessoas que largaram o cigarro dessa maneira, criando enjôo. Infelizmente não funcionou para mim: após uma hora fiquei com vontade de fumar e não enjoei nem um pouco, fumei naturalmente como antes. Reforcei a idéia de que esses métodos graduais não funcionariam para mim. Pensei que deveria me livrar logo do cigarro e não aos poucos, então partir para o próximo método.

O quinto método consistia em literalmente jogar fora os cigarros, não deixando nenhum ao alcance. Quando decidi, estava dirigindo e simplesmente joguei o cigarro pela janela do carro. Que coisa horrível, sujei a cidade, mas foi por desespero e impulsividade, como se a força do gesto fosse suficiente para me livrar do vício, como se isso criasse uma marca, uma referência no tempo a partir do
qual eu não fumaria mais. Jogar o cigarro pela janela do carro significa jogar o vício fora. Fiquei feliz por apenas quatro horas, comecei a sentir falta do fumo. Aquilo foi me consumindo, quando vi estava na padaria comprando um novo maço, pois o isqueiro eu ainda tinha. Passado alguns dias, decidi jogar novamente o cigarro fora, dessa vez acompanhado do isqueiro, em uma lixeira bem distante da minha casa. Nas mesmas 4 horas entrei em crise de abstinência e comprei cigarros e isqueiro. Tentei dessa forma por pelo menos três vezes, nada dava certo. Eu me sentia péssima.

Comecei a ouvir histórias de pessoas que Deus havia livrado do vício, que de um dia para o outro estavam curadas. Eu estava indo a Igreja, era uma mãe dedicada, boa esposa, filha atenciosa, não tinha outros vícios. Para mim, o simples fato de ser uma “boa pessoa” era motivo suficiente para que Deus me ajudasse a largar o cigarro. Eu não precisava pedir a Ele em oração, estava implícito na minha conduta que eu era merecedora de Sua ajuda. Reclamei com Deus porque isso não acontecia comigo, até cheguei a pensar que Ele gostava mais das outras pessoas do que de mim. Deus ama a todos igualmente.

Fui para o sexto método, que consistia nos famosos chicletes de nicotina. A idéia era mascar um deles sempre que tivesse vontade forte de fumar. Comprei dez de uma vez, lembro-me que eram bastante caros. Acreditei no método, achei que dessa vez ia, mas já no

quarto chiclete a vontade de fumar era imensa  e voltei ao cigarro. Tentei combinar variações de cigarros e chiclete, ora um ora outro, mas durou apenas uma semana. Tornou-se outra tentativa de diminuição gradual sem efeito algum, a não ser me deixar mais frustrada e sem esperanças. Então, resolvi tentar um método que eu havia lido nas revistas e sites da Internet, um tratamento novo e caro, porém, com determinação renovada, investi tempo e dinheiro.

Esse sétimo método era a Laserterapia. O tratamento consistia numa aplicação de laser que estimulava alguns pontos do corpo. Esses pontos são os mesmos usados pela medicina oriental. As sessões exigiam deslocamento até a clínica, no centro da cidade e duravam em média 40 minutos. Eu me sentia fora do meu corpo após cada sessão, saia da clinica como se flutuasse. Eles me deram vitamina C comestível, que era uma delicia, para  tomar três por dia durante o tratamento, mas eu comia a caixa toda de 20 unidades, porque adorava, era o meu prêmio por não fumar. Usei a vitamina como se fossem balas.

No início, pensei que o tratamento estava funcionando, porque após a primeira sessão não fumei, no segundo dia fumei só um cigarro à noite e no terceiro dia também, mas no fim do tratamento o efeito de flutuação passou, voltei ao normal, que era fumar. Simplesmente depois de comer vidros de vitamina C, gastar uma bela soma de dinheiro, perder meu tempo indo até a
clínica e ficar como abobalhada por dias. Meu chão caiu, parecia que pra mim não tinha mais jeito, era um caso sem solução, pois havia usado um método moderno e teoricamente muito eficiente. Apesar da tristeza, que durou semanas, eu não queria desistir: guerra é guerra e eu iria vencer.

Voltei a tentar uma técnica tradicional, os adesivos de nicotina, o oitavo método. Os adesivos eram para colar na pele e a vontade de fumar iria diminuir gradativamente, pois a nicotina que causa o vício estaria sendo liberada na minha corrente sanguínea. Realmente dizem que o adesivo funciona, mas no meu caso não: eu estava me drogando em dose dupla, no adesivo e no cigarro, que eu fumava normalmente sem parar. A vontade não diminuía nem um pouco, era como se não estivesse usando adesivo algum. Novamente, mais um método sem vitória.



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