Os segredos de saúde dos Hunzas - parte 5


Um dia normal dos Hunzas começa muito cedo, às
cinco horas da manhã. A verdade é que os Hunzas
vivem com o sol, já que se deitam ao anoitecer e isso
pela razão simples de que não dispõem de qualquer
sistema de iluminação: nem azeite, nem gás, nem
electricidade, neste recanto perdido nos confins dos
Himalaias. E daí também nós podemos extrair uma
lição. Os Hunzas vivem ao ritmo da natureza. É
evidente que para nós seda difícil, ou mesmo
impossível, fazer o mesmo, devido às obrigações da
nossa vida moderna, mas lembre-se que as melhores
horas de sono são antes da meia-noite..
Porquê envelhecer?
Esta questão pode parecer surpreendente e ao mesmo
tempo ingénua. A maior parte das pessoas responderão
muito simplesmente dizendo que isso é algo de
inevitável, que é uma lei da vida. A maioria aceita esta
“evidência” por lhe parecer uma verdade absoluta. O
único problema é que os Ocidentais envelhecem muito
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mais depressa, e em geral muito pior, do que deviam. O
principal obstáculo à sua longevidade está na sua
cabeça. A maior parte das pessoas (e a sociedade
encarrega-se disso por elas, caso elas se esqueçam)
programam-se para viver até aos 70 anos. A esperança
de vida, nos países industrializados, situa-se, conforme
dissemos, muito próximo desta idade. Mal as pessoas
ultrapassam uma certa idade, pensam que receberam um
dádiva do céu. E a família e os amigos não ficam muito
tristes nem muito admirados quando chega a hora da
morte, porque, conforme dizem, já lá tinha a sua conta.
Esta concepção, tão divulgada, é deplorável e é a
fonte do mal, visto que não há razão biológica ou
científica para que uma pessoa seja considerada velha
com 70 ou 80 anos de idade. Os Hunzas são a prova
viva de que a vitalidade da maturidade pode ser
consideravelmente prolongada. De facto, vários
centenários Hunzas são, sob todos os pontos de vista,
quer físicos quer mentais, mais jovens do que os
quadragenários ocidentais.
De resto, todos os Hunzas têm sobre o
envelhecimento uma concepção diametralmente oposta
ao conceito comum. Cientistas ocidentais emitiram
hipóteses que se assemelham de forma perturbadora à
filosofia deste povo misterioso. O sábio americano
Joseph W. Still defende que o envelhecimento é apenas
uma doença. Assim, para ser rigoroso, não é normal
envelhecer, já que a saúde deveria ser a norma. Um
outro sábio americano, ainda mais audacioso nas suas
concepções, não hesita em declarar que se conseguirmos
manter a forma dos nossos 20 anos, conseguiremos
viver durante séculos... Mas isso é puramente
hipotético, dir-me-á você, porque, de qualquer forma, é
impossível conservar durante muito tempo a forma dos
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nossos 20 anos, já que a degenerescência celular e
muscular começam precisamente nessa idade. Além
disso, viver durante séculos, teremos de contrapor, seda,
pelo menos excessivo...
No entanto, os Hunzas são a prova de que se pode
viver um século, e mesmo muito mais, e que é possível
ter uma vida saudável, factor fundamental. Tal como
afirmámos, não é apenas o número de anos de vida dos
Hunzas que é excepcional, é também a sua qualidade de
vida.
A investigação científica actual desvenda realidades
completamente novas, e muitas vezes perturbadoras,
sobre o envelhecimento. Até há alguns anos atrás, a
maioria dos sábios partilhava da convicção de que os
homens e, de um modo geral, os seres vivos, eram
dotados de um programa interno, de uma espécie de
relógio que limitava a existência. Porém, cada vez mais
esta concepção está a ser posta de lado.
Os cientistas ocidentais estão cada vez mais
inclinados apensar que a idade é essencialmente um
estado de espírito. No entanto, uma coisa é certa, e foi
provada pela medicina moderna: logo que a parte
mental enfraquece, se entorpece e não encontra mais
nada na vida, nem uma curiosidade constante, nem uma
fonte de estímulo, o organismo enfraquece rapidamente,
tanto a nível muscular, como circulatório e celular.
E foi isso que os Hunzas compreenderam há já muito
tempo. De facto, a sua filosofia de vida é muito
diferente da nossa. Por exemplo, a sua concepção de
idade contrasta singularmente com a que é aceite pelas
nossas sociedades, É esse verdadeiramente o mundo
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virado do avesso, conforme irá vê-lo. Assim, para os
Hunzas, a idade não é senão a maturidade crescente do
corpo e do espírito. A idade de uma pessoa é
estabelecida de uma forma bem diferente, pois é
avaliada em função das capacidades que ela adquiriu.
Quanto mais capacidades e experiência tiver um
homem, maior será a sua maturidade e mais alto será o
seu valor.
A tal ponto isso é verdade que, entre os Hunzas, toda
a gente rejubila perante a ideia de vir a ter mais um ano
de vida. Nas nossas sociedades, a terceira idade, que nós
designamos também pela idade de ouro, são mais ou
menos indivíduos abandonados à sua sorte. A partir do
momento em que se chega à idade da reforma, aliás
numa idade que faria rir os Hunzas, as pessoas são
literalmente postas “a um canto”. Perdem toda a
utilidade e, por conseguinte, todo o seu valor económico
e social. De facto, e é preciso dizê-lo, retira-se-lhes
praticamente a sua dignidade, pois não é verdade que é
no trabalho que o homem mais profundamente se sente
realizado ?
Na maioria dos países, mesmo as pessoas saudáveis,
não têm escolha, já que, na idade antecipadamente
fixada, a reforma é obrigatória, independentemente da
saúde da pessoa que se vê forçada a depor as armas...
Aliás, os reformados são muitas vezes alvo de uma
espécie de ostracismo ao serem isolados em lares e
casas de repouso, verdadeiras ante-câmaras do além,
onde o anjo da morte encontra presas fáceis.
Ficou aliás provado que o período da reforma dos
Ocidentais era muitas vezes seguido de um
enfraquecimento rápido de todas as suas faculdades, de
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um sentimento profundo de contrariedade e inutilidade,
que leva rapidamente ao cemitério. De facto, não há
nada mais penoso do que aquilo a que chamamos
reforma e que seda certamente mais justo apelidar do
terrível nome de paragem para a morte.
Entre os Hunzas, não existe nada que se assemelhe à
reforma. É óbvio que, quando atingem uma determinada
idade, os velhos Hunzas deixam de se poder entregar a
tarefas árduas. Mas o que é importante é que os Hunzas
não se reformam. Isto não fada nenhum sentido para
eles. Os anciãos são alvo de uma grande admiração por
parte dos jovens. Em vez de interromperem
bruscamente as suas actividades, eles optam por
modificar gradualmente a natureza das mesmas, o que,
de resto, não os dispensa sequer das actividades físicas
às quais se entregam até uma idade avançada. Só muito
tarde conhecem os primeiros sinais de senilidade.
“Living is moving”, dizem os americanos. Vida é
movimento. Os Hunzas compreenderam isso e mantêmse
activos.
O termo que utilizam para designar a terceira idade é,
aliás, extremamente significativo. São os chamados
anos da plenitude, porque coroam literalmente a sua
existência. Aos primeiros anos chamam os anos da
juventude, e estes prolongam-se até aos... 50 anos.
Seguem-se os anos intermédios, que vão até cerca dos
80 anos... Em seguida, vem a idade de ouro que, só
entre os Hunzas, assume todo o seu significado...


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