Passemos então em resumo os grandes princípios e as
principais componentes da alimentação dos Hunzas,
certamente a principal fonte da sua excepcional
longevidade.
Primeira regra, a frugalidade. Normalmente
comemos muito, demasiado até, por vezes duas a três
vezes mais do que o nosso organismo necessita, já para
Os segredos de saúde dos Hunzas
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não falar daqueles que sofrem de um problema de
obesidade e que ultrapassam ainda mais os limites.
Inspire-se na sabedoria deste povo das altas montanhas,
que só come duas refeições por dia, muito ligeiras, e que
se entrega, durante horas, a trabalhos que exigem grande
esforço físico, além de praticar desportos violentos e
fazer grandes passeios na montanha. E, no entanto, não
se sentem fracos nem anémicos. Muito pelo contrário, a
sua resistência e longevidade são lendárias. De facto,
uma forma muito eficaz de regenerar o seu organismo e
de repousar o seu aparelho digestivo, consiste em fazer
um jejum de um dia por semana ou uma cura de sumos.
Todos os anos, na primavera, os Hunzas fazem um
jejum de vários dias. Sem ir tão longe, (e se tentar fazer
um jejum prolongado, faça-o apenas sob vigilância
médica) inspire-se nesta disciplina alimentar.
Consuma uma grande quantidade de frutos, legumes
e saladas, o mais frescas possível. No que se refere aos
legumes, coma-os, tanto quanto possível, crus ou
cozidos apenas muito ligeiramente no vapor. Diminua o
seu consumo de carne Por fim, experimente o chapatti,
ou então substitua o pão refinado por pão natural. Um
jejum semanal de um dia e um regime alimentar
inspirado nos Hunzas são um factor de longevidade e
juventude inegável. Irá mesmo ter a impressão de estar a
renascer de novo, tanto a nível mental como físico.
Sentir-se-á transformado e, tal como os Hunzas,
reencontrará a serenidade e a paz de espírito.
Os segredos de saúde dos Hunzas
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Exercício físico diário
Um outro dos grandes segredos da saúde dos Hunzas
é o tempo considerável que eles dedicam diariamente ao
exercício físico. Este exercício, que eles praticam
geralmente ao ar livre, o que traz, evidentemente,
benefícios suplementares, é sobretudo devido ao seu
trabalho nos campos. Mas para eles isso não é suficiente
e regularmente dedicam-se à marcha. De facto, chegam
facilmente a andar entre 15 e 25 quilómetros por dia. É
óbvio que não o fazem diariamente, mas isso também
não constituiria para eles um esforço. Convém ainda
não esquecer que a marcha na montanha é um exercício
muito mais exigente que em terreno plano. É lógico que
está fora de questão mudarmos completamente a nossa
maneira de viver e irmos, por exemplo, trabalhar para o
campo. Porém, os hábitos de vida dos Hunzas provam,
se tal for necessário, a importância do exercício físico
regular. Por exemplo, se você puder andar diariamente
durante uma hora, isso será excelente sob todos os
pontos de vista. A marcha é, de facto, o exercício mais
simples e mais acessível, além de ser o mais barato. E
contrariamente àquilo em que geralmente se acredita, é
um exercício completo. Faça como os Hunzas:
caminhe!...
Os Hunzas praticam igualmente inúmeros desportos
e, conforme vimos, conseguem fazê-lo até uma idade
muito avançada, já que não é raro verem-se centenários
a jogar vólei ou polo, aliás um desporto muito comum
entre eles. Além disso, os Hunzas nadam regularmente,
mesmo com tempo frio.
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Ao exercício físico constante, os Hunzas aliam certas
técnicas fundamentais do yoga, por muito estranho que
isso possa parecer. De facto, praticam uma respiração
que se inspira, literalmente, em princípios yoga. Uma
respiração lenta, profunda e ritmada. Não vamos aqui
expor esta ciência maravilhosa que vem de tempos
imemoriais mas é fácil encontrar manuais de yoga na
maioria das livrarias. O yoga é um meio muito eficaz de
combater o stress da vida actual.
Uma outra arte que os Hunzas praticam, e que é
igualmente aparentada com o yoga, é a da relaxação,
uma prática extremamente importante. Actualmente, a
maior parte das pessoas vive num estado de stress de
que nem elas próprias têm consciência, tal isso lhes
parece “natural”... A vida moderna transformou-se
numa corrida louca, que multas vezes acaba
bruscamente com um enfarte do miocárdio ou uma
depressão nervosa...
Aliás, o Ocidental médio corresponde bem ao retrato
lacónico que Freud descreveu: “O homem é um animal
doente”. E por esse conceito, Freud entendia
psiquicamente doente, embora o mesmo seja válido para
o aspecto físico e sobretudo nervoso. O homem
moderno tem o seu sistema nervoso esgotado,
sobrecarregado, problema que está na origem das suas
inúmeras doenças psicossomáticas, em que o recurso
artificial e ilusório à farmacopeia é praticamente
alucinante.
A relaxação é a chave da saúde. Os Hunzas, jovens
ou não, praticam-na. Chegam mesmo a entregar-se
diversas vezes por dia a exercícios de meditação.
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Quanto a isto, não me cabe aqui fazer mais do que
sugerir-lhe a leitura de alguns manuais especializados.
Apesar dos trabalhos pesados que diariamente
executam, os Hunzas possuem a arte da relaxação e de
saberem poupar a sua saúde. Em geral, trabalham muito
lentamente, quase ao ralenti, diríamos nós, o que não os
impede de (e até pelo contrário, o que lhes permite)
realizar uma quantidade de trabalho considerável. A
verdade é que os Hunzas compreenderam que é possível
trabalhar mais, durante mais tempo, se o trabalho for
efectuado sem impaciência. A tensão nervosa e
muscular leva a um desperdício de energia considerável.
Além de trabalharem lentamente, os Hunzas conseguem
sempre arranjar tempo para fazerem pausas, durante as
quais recuperam as suas forças. Quando param o seu
trabalho, por vezes apenas por breves momentos, mas
nem por isso menos essenciais, os Hunzas entregam-se
a pequenos exercícios de relaxação e meditação. E o que
é que nós fazemos em vez disso, para conseguirmos um
momento de descanso ? A maioria das vezes, fumamos
um cigarro, tomamos um café ou um pequeno
“fortificante”... Que bela mentalidade, um verdadeiro
paradoxo, já que todos eles são, evidentemente,
estimulantes...
Com o hábito, rodas as pessoas devidamente
treinadas podem entrar rapidamente em estado de
relaxação profunda. Isso é fundamental. Durante estas
pausas, os Hunzas calam-se e contentam-se em escutar
o silêncio da sua alma. Inspire-se nesta sabedoria antiga.
Aprenda a conseguir, ao longo do seu dia, momentos de
pausa e relaxação. Por vezes, respirar fundo umas vinte
vezes pode permitir-lhe reencontrar-se. Lembre-se que é
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preciso saber parar. E para isso é necessário uma
sabedoria intuitiva.
Os Ocidentais perderam o contacto com esta
sabedoria do corpo. E o que há de infeliz e por vezes
trágico é que o corpo, reclamando o repouso a que tem
direito, acabando sempre por parar, de qualquer
maneira. A doença e a depressão nervosa batem-nos à
porta e, por vezes, o organismo pára definitivamente: é
o caso, por exemplo, do enfarte fatal...
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