Os segredos de saúde dos Hunzas - parte 3


elegância e uma surpreendente energia muscular e
nervosa.
Os Hunzas comem, pois, muito pouco. Mas o que
comem eles concretamente ? Os Hunzas alimentam-se
principalmente de cereais, incluindo a cevada, o milho
miúdo, o trigo mourisco e o trigo candial. Consomem
igualmente, com regularidade, fruta e legumes que, de
um modo geral, comem frescos e crus ou cozidos
apenas muito ligeiramente. Entre os seus frutos e
legumes predilectos, contam-se a batata, as ervilhas, o
feijão, a cenoura, o nabo, a abóbora, os espinafres, a
alface, a maçã, a pêra, o pêssego, o alperce, as cerejas e
as amoras. O caroço do alperce é particularmente
apreciado. Os Hunzas consomem a amêndoa do caroço
do alperce ao natural ou extraem-lhe o óleo através de
um processo transmitido de geração em geração. O leite
e o queijo são para os Hunzas uma importante fonte de
proteínas animais. Quanto à carne (e isto é sem dúvida
determinante na perfeição do tubo digestivo deste povo)
não é completamente banida da mesa, mas só é
consumida em ocasiões raras, por exemplo, em
casamentos ou em festas, e mesmo ai as porções são
extremamente reduzidas. A carne é cortada em
pequenos bocados e cozida muito lentamente. A carne
de vaca e de carneiro são raras, já que a de criação é
mais acessível. Mas o que é mais importante reter é que,
sem serem totalmente vegetarianos, os Hunzas, em
grande parte devido a razões exteriores, não concedem
lugar à carne no seu menu quotidiano. É exactamente o
contrário do que fazem os ocidentais, que são
verdadeiros carnívoros... A carne, em geral, e sobretudo
as carnes vermelhas, levam mais de três horas a ser
digeridas. Com o tempo, e especialmente com o estilo
de vida sedentário que levamos, este consumo excessivo
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de carne engordura e debilita perigosamente o nosso
aparelho digestivo.
O organismo acumula as inúmeras toxinas contidas
na carne. Além disso, a carne, sobretudo as carnes
vermelhas, pois as brancas são mais inofensivas, é um
dos factores importantes no aparecimento do colesterol
e das doenças cardiovasculares. O entupimento das
artérias deve-se, em grande parte, à absorção abusiva de
carne. O erro dos Ocidentais é pensar que é necessário
consumir diariamente carne. Os Hunzas sabem muito
bem prescindir da carne, não a consumindo nem sequer
uma vez por semana e a sua longevidade é maravilhosa.
Sem termos obrigatoriamente de ir tão longe como os
Hunzas, deveríamos contentar-nos com duas refeições
de carne por semana.
O iogurte ocupa, tal como os legumes, um lugar
importante na alimentação dos Hunzas. A sua acção
macrobiótica é extremamente benéfica para o
organismo. Aliás, não foram só os Hunzas que
compreenderam as suas propriedades. Os Búlgaros, que
são grandes adeptos do iogurte, contam na sua
população mais de 1666 nonagenários por milhão de
habitantes. No ocidente, para uma mesma percentagem
temos apenas nove. A diferença, que é considerável, dá
que pensar e incentiva certamente o consumo de
iogurtes. Felizmente é um produto facilmente acessível
no ocidente e que se pode mesmo preparar em casa,
com reduzido dispêndio de dinheiro e de tempo. Além
disso, pode servir de base à preparação de receitas
deliciosas. Obras especializadas na matéria sugerir-lheão
uma quantidade de receitas que podem satisfazer
todos os gostos.
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As nozes, as amêndoas, as avelãs, os frutos da laia do
norte, etc. ocupam um lugar importante no menu hunza.
Acompanhados de fruta ou de verduras, por exemplo
numa salada, constituem na mesa dos Hunzas uma
refeição completa. Isto é, sem dúvida, algo que pode
surpreender os nossos apetites vorazes, que certamente
fatiamos desta salada apenas uma modesta entrada,
antes de atacar o prato principal que, aliás, seria
considerado bastante supérfluo aos olhos dos Hunzas.
Não se pode falar devidamente da alimentação dos
Hunzas sem fazer referência a um alimento que
constitui a sua base, ou seja, um pão especial que
curiosamente se chama o chapatti. Os Hunzas comem
este pão a todas as refeições, o que leva a pensar que
este é o principal factor, ou pelo menos uma causa
extremamente decisiva, da sua longevidade. Os
especialistas acreditam, em todo o caso, que o consumo
regular deste pão especial tem influência no facto de um
Hunza de 90 anos ainda conseguir fecundar uma
mulher, o que, no Ocidente, não passaria de uma
fantástica proeza.
O chappatti contém realmente todos os elementos
essenciais. Na sua composição entra a farinha de trigo
candial, de cevada, de trigo-mourisco ou de milho
miúdo. Mas o que é mais importante, sem dúvida ainda
mais importante que o tipo de farinha que entra na sua
composição, é o facto de esta farinha ser integral, não
ser refinada e sobretudo não ter sido submetida ao
processo de peneiração que os Ocidentais utilizam e
cuja finalidade é eliminar a fracção reprodutora do grão,
ou seja o germe. O germe é a parte que dá a cor
castanha à farinha, aquilo que, injustificadamente, os
povos ditos civilizados raramente comem, porque
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erradamente associam a brancura da farinha à sua
pureza. Mas também há uma razão prática. A presença
do germe toma a armazenagem muito difícil, o que
complica a vida às indústrias, que preferem, por isso,
fornecer-nos uma farinha branca, destituída das suas
propriedades mais importantes.
Com efeito, o germe do grão tem propriedades
nutritivas espantosas. Dá-nos a vitamina E, aquela cuja
virtude singular consiste em manter as capacidades
sexuais dos animais que a incluem na sua alimentação.
A qualidade da actividade sexual, que está ligada ao
bom funcionamento do sistema hormonal, é vital para a
saúde.
Provavelmente pensa que este pão, por mais virtudes
maravilhosas que possua, não é possível chegar à
padaria da esquina e pedir o seu cacete de chapatti.
Assim, para evitar isso, indicamos – lhe a receita base
deste pão, sem dúvida grosseiro na sua aparência, mas
cujo uso regular terá para si o mesmo efeito que para os
Hunzas.
As quantidades que indicamos dão para dez doses. A
preparação não é muito demorada, exigindo menos de
uma hora. Em primeiro lugar, obtenha grãos de moagem
recente. Uma mistura de 250 gramas de trigo candial e
de trigo mourisco dá excelentes resultados nas seguintes
proporções: 1/3 de trigo candial e 2/3 de trigo mourisco,
ou seja, no caso que apresentamos, cerca de 80 gramas
de trigo candial e 170 gramas de trigo mourisco, meia
colher de café de sal grosso e 100 gramas de água.
Comece por misturar o sal com a farinha. Deite
lentamente a água, misturando bem para obter uma
mistura homogénea, sem grumos. Logo que acabe de
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deitar toda a água, trabalhe a massa sobre uma
superfície enfarinhada, até ela deixar de se colar aos
dedos. Embrulhe-a num pano húmido e deixe-a em
repouso durante meia hora.
Em seguida faça bolas de cerca de 4 cm de diâmetro
e calque-as de modo a formar uma espécie de bolachas
muito tinas. Coza-as em fogo brando, sobre uma grelha
fina ligeiramente untada, e vire-as a meio da cozedura.
Esta receita é simples, não é verdade ? Experimentea.
O chapatti pode ser servido de diversas maneiras –
com queijo, com compotas, com mel... Depende de si
fazer dele a base da sua nova alimentação. Basta
arranjar grãos de moagem recente, integrais, que
encontrará facilmente nas lojas de produtos naturais, a
menos que tenha um tio ou um primo agricultor...
Ainda mais uma coisa acerca deste pão que os
Ocidentais, à primeira vista, julgarão, sem dúvida,
grosseiro. Os Hunzas são verdadeiros adeptos
incondicionais do chapatti. A tal ponto que, a título
algum, aceitam comer pão branco. A verdade é que
preferem nem comer. Talvez um dia, depois de ter
descoberto as maravilhosas propriedades deste pão,
você chegue a um estado de pureza idêntico.


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