Uma longevidade excepcional
A esperança de vida dos ocidentais ronda os 75 anos.
A longevidade dos Hunzas não tem nada a ver com
estes dados. Os representantes deste povo surpreendente
atingem a maturidade “normal”, tanto no plano físico
como no plano intelectual, na idade venerável de cem
anos... Eis um belo exemplo, se é que ainda são
necessários exemplos, da relatividade daquilo a que
chamamos a normalidade. Veremos mais adiante que a
nossa concepção habitual de idade tem um papel
determinante no envelhecimento. Os centenários
Hunzas não são, portanto, considerados velhos, nem
mesmo idosos, e o que é mais extraordinário é que,
mesmo na idade avançada, mantêm uma frescura
surpreendente sob todos os aspectos. Diz-se que não é
Os segredos de saúde dos Hunzas
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raro ver Hunzas de 90 anos procriarem e que as
mulheres com mais de 80 anos passam por mulheres
ocidentais de 40 anos, não uma qualquer ocidental de 40
anos, mas antes uma mulher de 40 anos em plena forma.
Testemunhos absolutamente dignos de crédito, entre
os quais o do intrépido Dr. Mac Carrisson, referiram ter
encontrado mulheres Hunzas com mais de 80 anos que
executavam, sem a menor aparência de fadiga, trabalhos
físicos extremamente árduos durante horas. Aliás,
vivendo nas montanhas, elas são obrigadas a subir
desníveis consideráveis para realizar as suas tarefas
quotidianas. Além disso, mesmo em idade avançada as
mulheres Hunzas permanecem esbeltas e têm um porte
de rainha, caminhando com agilidade e elegância. Uma
coisa é certa, elas nem sequer conhecem a existência da
palavra dieta e ainda menos a da obesidade. A celulite
também não tem qualquer significado para elas.
Os homens são igualmente surpreendentes. A sua
resistência, o seu vigor, apesar do peso dos anos (esta
expressão não tem, por assim dizer, sentido entre eles e
devia dizer-se antes a ligeireza, o êxtase dos anos) quase
desafiam o entendimento. No inicio, as testemunhas
ficam estupefactas, mesmo cépticas, ao vê-los carregar
pesos enormes e ao saberem que são nada menos do que
centenários. Estes anciãos também não parecem ficar
mais esbaforidos ou fatigados ao executarem estas
pesadas tarefas, do que os homens de 40 anos. Um
passeio digestivo de três horas é para eles algo de muito
agradável e fazem-no sempre que têm tempo, não como
algo que lhes pese, mas quase como uma recompensa.
Regressam sem qualquer vestígio de fadiga, para
perseguirem o seu trabalho como se não tivessem feito
nada.
Os segredos de saúde dos Hunzas
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Existem casos ainda mais excepcionais. Um Hunza
que tinha atingido a idade verdadeiramente incrível de
145 anos e que, apesar disso, as pessoas hesitavam em
qualificar de velho, ainda caminhava com uma
facilidade desconcertante, sem bengala nem qualquer
outro apoio, com o tronco bem direito, a estatura
delgada e sem a inevitável barriga que marca a silhueta
da maioria dos ocidentais de uma certa idade. Este
ancião (é assim que os Hunzas designam as pessoas da
terceira idade, que entre eles é, aliás, a verdadeira idade
de ouro) encontrava-se numa forma resplandecente,
tendo-o demonstrado de um modo absolutamente
surpreendente e a bem dizer quase inacreditável aos
nossos olhos. Com efeito, ainda jogava voleibol com os
mais “jovens”, que deviam ter à volta de 70 anos
(menos de metade da sua idade) e não parecia cansar-se
ao saltar para apanhar a bola. Um espectáculo de cortar
a respiração. No fim do jogo, não ia deitar-se nem
mesmo sentar-se para recuperar, nem sequer tinha
necessidade de recorrer aos serviços de um massagista
para eliminar a fadiga. Ia assistir ao conselho da cidade,
a titulo de ancião, deslocando-se até ao castelo do
soberano, a uma altitude de 400 metros acima do terreno
do campo de jogo !...
Estes testemunhos (e há centenas de outros que
poderíamos citar se tivéssemos espaço) suscitam a nossa
admiração e dão que pensar. Sobretudo, levam-nos a
interrogarmo-nos. Existe um segredo, uma receita que
permita a estes homens desfrutar de uma tal longevidade
e sobretudo de uma saúde tão resplandecente ?
Os segredos de saúde dos Hunzas
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O primeiro segredo dos Hunzas
Os segredos dos Hunzas são múltiplos, mas o
primeiro e sem dúvida o mais importante é o da
alimentação. A este capítulo, a sua sabedoria faz
lembrar a sabedoria milenária do pai da medicina, o
velho Hipócrates, cuja principal prescrição era: “os
vossos remédios são os vossos alimentos”.
Há um ditado americano que diz: “You are what you
eat”. Vocé é aquilo que você come. Os Hunzas
compreenderam isso muito bem. O famoso médico
escocês não levou muito tempo a suspeitar de que a
espantosa saúde dos Hunzas, junto dos quais passou sete
anos, podia ser atribuída à sua alimentação que, como
veremos mais adiante, é extremamente singular, ainda
que felizmente possa ser adaptada, pelo menos nas suas
linhas mestras, aos nossos condicionalismos ocidentais.
Para confirmar a sua intuição, o médico realizou uma
pequena experiência, cujos resultados foram mais do
que concludentes. Seleccionou três grupos de ratos que
alimentou de forma diferente.
O primeiro foi alimentado à “Hunza”. A sua saúde
era extraordinária. O segundo foi alimentado como os
habitantes de Caxemira que, convém lembrar, é um pais
vizinho dos Hunzas. Os ratos foram atingidos por
numerosas doenças. Finalmente, o terceiro grupo foi
alimentado à inglesa, tendo os ratos rapidamente
manifestado todos os sintomas da neurastenia !
Mas como se alimentam os Hunzas ? Digamos que a
regra de base da sua alimentação, que de resto lhes foi
de certo modo ditada pelas condições especiais em que
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vivem, é a frugalidade. Uma frugalidade que não seria
excessivo qualificar de extrema. Os Hunzas só tomam
duas refeições por dia. A primeira refeição é ao meiodia.
Ora como os Hunzas se levantam todas as manhãs
por volta das cinco horas, isto pode surpreender-nos, a
nós que estamos habituados a tomar pequenos almoços
copiosos, embora a nossa vida seja essencialmente
sedentária. Os Hunzas conseguem realizar os seus
trabalhos árduos de agricultura durante toda a manhã
com o estômago vazio. De facto, contrariamente à
maioria dos ocidentais, os Hunzas comem basicamente
por uma medida de higiene, embora dediquem uma
grande atenção à preparação dos seus alimentos, que
são, aliás, deliciosos. Nós, ocidentais, pecamos muitas
vezes pela gula e comemos por hábito. Raramente
conseguimos manter o equilíbrio entre a absorção de
calorias e proteínas e o dispêndio energético. Estamos
sobrealimentados. Os nossos estômagos esgotam-se
rapidamente, pois não conhecem por assim dizer
tréguas, e o nosso sistema nervoso fica rapidamente
afectado. De resto, comemos constantemente, mesmo
quando estamos fatigados, deprimidos e doentes.
Perdemos a nossa sabedoria natural, que os animais, por
exemplo, aplicam instintivamente. Um animal doente
não come. O mesmo fazem os Hunzas que, como
veremos mais à frente, praticam também anualmente um
prolongado regime benéfico. Além disso, a sua
alimentação é perfeitamente natural e não tem qualquer
aditivo químico, como sucede com a nossa mesa
ocidental. Mas lembre-se de que a frugalidade é a
primeira lei. Já Hipócrates a prescrevia aos seus doentes
e obtinha resultados admiráveis: optimismo recuperado,
nova vitalidade, alegria de viver, sem esquecer
evidentemente as vantagens mais directas como a
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