O plano astral


O PLANO ASTRAL
Arthur E. Powell

SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 3
CAPÍTULO I 4
Descrição Geral 4
CAPITÚLO II 6
Composição e Estrutura 6
CAPÍTULO III 11
Cores 11
CAPÍTULO IV 19
Funções 19
CAPÍTULO V 25
Chacras 25
CAPÍTULO VI 30
Kundalini 30
CAPÍTULO VII 33
Formas - Pensamentos 33
CAPÍTULO VIII 47
A Vida Física 47
CAPÍTULO IX 59
A Vida no Sono 59
CAPÍTULO X 66
Os Sonhos 66
CAPÍTULO XI 74
Continuidade de Consciência 74
CAPÍTULO XII 76
A Morte e o Elemental do Desejo 76
CAPÍTULO XIII 79
A Vida depois da Morte: Princípios 79




INTRODUÇÃO

O objetivo deste livro é apresentar aos estudantes de Teosofia uma síntese de todo o conhecimento, que possuímos até hoje (1926), do Corpo Astral do homem, juntamente com uma descrição e explanação do mundo astral e seus fenômenos. Por conseguinte, esta obra vem a ser uma continuação natural de O Duplo Etérico e Seus Fenômenos, publicada em julho de 1925.

Como no caso de O Duplo Etérico, o compilador reuniu material de um grande número de obras, das quais fornecemos uma lista à parte. Organizou-se esse material (que abarca um campo muito extenso e extraordinariamente complexo) o mais metodicamente possível. Espera-se que, desta maneira, os estudantes desse assunto, atuais e futuros, economizarão muito trabalho e tempo, posto que encontrarão não apenas a informação de que precisam, apresentada num volume relativamente pequeno, mas também referências às fontes originais através de citações no decorrer da leitura.

Para que a obra não resultasse demasiado volumosa e, ao mesmo tempo, satisfizesse plenamente o objetivo em vista, foi adotado um plano geral de expor os princípios subjacentes aos fenômenos astrais, omitindo-se exemplos ou casos particulares. Os conferencistas e outros que desejarem ilustrações específicas dos princípios enunciados poderão encontrá-las nas obras que nos serviram para esta compilação, relacionadas no final do presente livro.

Além disso, à medida que o permitem a complexidade e ramificações do tema, o método adotado consiste em expor primeiramente o aspecto forma, depois o aspecto vida; ou seja, primeiro se descreve do fenómeno e depois as atividades de consciência expressas por meio desse mecanismo. Se o estudante levar isto em conta, não se surpreenderá ao encontrar passagens que à primeira vista parecem repetições, mas que são descrições de um mesmo fenômeno, primeiramente do ponto de vista da forma material externa e depois do ponto de vista do Espírito ou consciência.

Esperamos suplementar este volume com outros similares, que tratem dos corpos Mental e Causal do homem, completando assim toda a informação disponível relativa à constituição do homem ao nível Causal e Mental Superior.

Existe atualmente uma grande quantidade de informações sobre esses temas e outros análogos, porém disseminada em numerosos livros. Por isso, então, cremos satisfazer essa urgente necessidade ao colocarmos todo esse material à disposição do estudante cujo tempo é limitado.

"O verdadeiro estudo da humanidade é o homem." E o tema é tão extenso, tão absorvente e tão importante que cabe fazer todo o possível para pôr ao fácil alcance de todos quantos anseiam por tal conhecimento, todo o material acumulado até o presente.




CAPÍTULO I

Descrição Geral

Antes de iniciar um estudo detalhado do corpo astral e dos fenômenos relacionados com o mesmo, é conveniente que apresentemos ao estudante um breve perfil da área que nos propomos abarcar, a fim de que obtenha uma rápida visão do todo e da relativa dependência entre as suas diferentes partes.

De maneira resumida, o corpo astral do homem é um veículo que, à visão do clarividente, não aparece muito diferente do corpo físico, está rodeado de uma aura de cores cintilantes e é composto de matéria muito mais fina que a física: é o veículo por meio do qual o homem expressa seus sentimentos, paixões, desejos e emoções, servindo como uma ponte ou meio de transmissão entre o cérebro físico e a mente, a qual atua em um veículo de ordem superior — corpo mental.

Não obstante todo ser humano possuir e utilizar um corpo astral, comparativamente, bem poucos estão conscientes da existência do mesmo ou são capazes de controlá-lo e atuar nele com plena consciência. Na imensa maioria das pessoas, quase não passa de uma massa amorfa de matéria astral, da qual os movimentos e atividades não estão sob o domínio do próprio homem, ou seja, o Ego. Em outros, entretanto, o corpo astral é um veículo bem desenvolvido e completamente organizado, possuindo vida própria e conferindo ao seu possuidor muitos e úteis poderes.

Durante o sono do corpo físico, o homem não-desenvolvido vive uma existência vaga e fantasista em seu corpo astral relativamente primitivo, e ao despertar em seu corpo físico, recorda muito pouco ou nada de sua vida durante o sono.

Por outro lado, a vida do homem desenvolvido, no corpo astral, enquanto o físico dorme, é ativa, interessante e útil, da qual a lembrança pode, sob certas condições, ser trazida à memória do cérebro físico. A vida de uma pessoa, assim, deixa de ser uma série de dias de consciência desperta e noites de esquecimento, para converter-se em vida permanente de consciência ininterrupta, que se alterna entre os planos ou mundos físico e astral.

Uma das primeiras coisas que aprende o homem a fazer no corpo astral é viajar através dele, pois tal corpo possui grande mobilidade e pode trasladar-se a grandes distâncias do corpo físico mergulhado no sono. Uma compreensão deste fenómeno arroja . muita luz sobre um grande número dos chamados fenômenos "ocultos", tais como "aparições" de diversos tipos, conhecimento de lugares nunca visitados fisicamente, etc.

Como o corpo astral é par excellence o veículo dos sentimentos e emoções, um entendimento da sua composição e de como ele atua é de grande. valor para compreender muitos aspectos da psicologia humana, tanto individual como coletiva; proporciona, ademais, uma explicação simples do mecanismo de muitos fenômenos revelados pela Psicanálise moderna.

A clara compreensão da estrutura e natureza do corpo astral, de suas possibilidades e limitações, é. essencial para se entender a vida para a qual passam os seres humanos ao morrerem fisicamente. Os diversos tipos de "céus", "infernos" e "purgatórios", nos quais acreditam seguidores de inúmeras religiões, podem ser classificados e se tornam inteligíveis tão logo se conheça a natureza do corpo e do mundo astrais.

O estudo do corpo astral ajuda-nos também g compreender muitos dos fenômenos das "sessões" espíritas, bem como certos métodos físicos e não- físicos de curar enfermidades. Aqueles que tenham interesse na chamada quarta dimensão também encontrarão a confirmação de muitas das teorias formuladas através da Matemática e da Geometria no estudo dos fenômenos do mundo astral, tal como são descritos por quem os tenham observado.

Vemos, pois, que o estudo do corpo astral do homem abre um vasto campo e expande de maneira extraordinária uma concepção da vida baseada tão- somente no mundo físico e nos sentidos puramente físicos. À medida que avancemos em nossos estudos, veremos que os sentidos físicos, embora sejam valiosos, não representam de maneira alguma o limite daquilo que os veículos do homem podem ensinar-lhe a respeito dos mundos em que ele vive. O despertar para o funcionamento das faculdades astrais revela um mundo novo dentro do velho, e, quando um homem se torna capaz de entender corretamente os seus significados, esse homem alcançará uma visão mais ampla de sua própria vida e de toda a Natureza, bem como se dará conta plenamente das possibilidades, quase ilimitadas, latentes em sua própria natureza. Deste conhecimento virá, mais cedo ou mais tarde, mas inevitavelmente, ao homem o impulso e depois a firme determinação de dominar esses mundos e a si próprio, tornar-se superior a seu destino terrestre e converter-se num inteligente cooperador daquilo que, com propriedade, se tem chamado a Suprema Vontade em Evolução.

Agora, procederemos a estudar, em detalhes, o corpo astral e muitos fenômenos astrais estreitamente relacionados com o mesmo.




CAPITÚLO II

Composição e Estrutura

A matéria astral existe em sete graus, ou ordens de espessura, correspondentes aos sete graus da matéria física, que são: sólido, líquido, gasoso, etérico, superetérico, subatômico e atômico. Não tendo sido ainda planejados nomes para esses estados astrais, é comum serem descritos pelo número do grau ou subplano, sendo o mais fino o Número 1 e o mais espesso o Número 7, ou pelo grau físico correspondente. Falamos, por exemplo, da matéria sólida astral, referindo-nos à sétima ou mais baixa variedade e dizemos matéria etérica astral quando nos referimos ao quarto grau a partir do mais fino. E assim por diante.

A matéria astral, sendo muito mais fina do que a matéria física, interpenetrada, cada átomo físico, portanto, flutua num mar de matéria astral, que o circunda, enchendo cada interstício da matéria física. Naturalmente, sabe-se bem que mesmo na substância mais dura dois átomos jamais tocam um no outro, sendo o espaço entre dois átomos adjacentes imensamente maior, na realidade, do que os próprios átomos. A ciência física ortodoxa de há muito pressupôs um éter que interpenetra todas as substâncias conhecidas, tanto a mais densamente sólida como o gás mais rarefeito; e, tal como esse éter se move com perfeita liberdade entre as partículas da mais densa matéria, a matéria astral interpenetra-a, por sua vez, e se move com perfeita liberdade entre suas partículas. Assim, um ser, vivendo no mundo astral, pode estar ocupando o mesmo espaço ocupado por um ser que vive no mundo físico; entretanto cada qual seria inteiramente inconsciente do outro, e não impediria a sua livre movimentação. O estudante deve familiarizar-se perfeitamente com essa concepção fundamental, pois, a não ser que a aprenda com clareza, não lhe será possível entender grande número de fenômenos astrais.

O princípio de interpenetração torna claro que as diferentes regiões da natureza não estão separadas no espaço, mas existem entre nós, aqui e agora, de forma que para percebê-las e investigá-las não há necessidade de movimento no espaço, mas apenas uma abertura, dentro de nós mesmos, de sentidos através dos quais elas podem ser percebidas.

O mundo, ou plano astral, é, pois, uma condição da natureza, mais do que uma localização.

Devemos notar que um átomo físico não pode ser rompido, diretamente, fazendo-se átomos astrais. Se a força que faz girar catorze milhões (aproximadamente) de "bolhas", tornando-as em derradeiro átomo físico, for pressionada de volta, por um esforço da vontade, por sobre o limiar do plano astral, o átomo desaparece, libertando as "bolhas". A mesma força, trabalhando então em plano mais alto, expressa-se, não através de um átomo astral, mas através de um grupo de quarenta e nove desses átomos.

Relacionamento similar, representado pelo número 49, existe entre os átomos de quaisquer outros dois planos contíguos da natureza: assim, um átomo astral contém 495, ou 282 475 249 "bolhas", um mental contém 494 bolhas, e assim por diante.

Há razões para que se acredite que os elétrons são átomos astrais. Os físicos declaram que um átomo químico de hidrogênio contém, provavelmente, de 700 a l 000 elétrons. Pesquisa oculta afirma que um átomo químico de hidrogênio contém 882 átomos astrais. Pode ser uma coincidência, mas não parece provável que o seja.

Deve-se notar que os derradeiros átomos físicos são de duas espécies. macho e fêmea: no macho, a força vem do mundo astral, passa através do átomo para o mundo físico; na fêmea, a força passa do mundo físico, através do átomo, para o mundo astral, desaparecendo, assim, do mundo físico.

A matéria astral corresponde, com curiosa exatidão, à matéria física que a interpenetra, cada variedade de matéria física atraindo matéria astral da densidade correspondente Assim, a matéria física sólida é interpenetrada pelo que chamamos de sólida matéria astral; a matéria física líquida por matéria astral líquida, isto é, por matéria do sexto subplano, e, da mesma forma, a matéria gasosa, e os quatro graus de matéria etérica estão interpenetrados pelo grau correspondente de matéria astral.

Tal como é necessário que o corpo físico contenha em sua constituição matéria física em todas as suas condições — sólida, líquida, gasosa e etérica — é indispensável também que o corpo astral contenhapartículas dos sete subplanos astrais, embora naturalmente as proporções possam variar muitíssimo, conforme os casos.

O corpo astral do homem, sendo assim composto de matéria dos sete graus, é possível, para ele, experimentar uma grande variedade de (desejos, dos mais altos aos mais baixos, e em seu mais extenso grau. Essa capacidade peculiar para a reação, própria do corpo astral, capacita-o a servir de invólucro no qual o Eu pode obter a experiência da sensação.

Além da matéria comum do plano astral, a que é conhecida como n Terceiro Reino Elemental, ou. simplesmente, como Essência. Elemental do plano astral, também entra largamente na composição do corpo astral do homem, e forma o que é chamado o "Desejo Elemental", do qual nos ocuparemos mais amplamente em capítulos posteriores.

A essência elemental astral consiste em matéria dos seis níveis mais baixos do plano astral, vivificados pelo Segundo Fluxo, vindo da Segunda Pessoa da Trindade. A matéria astral do mais alto nível atômico, igualmente vivificada, é conhecida como Essência Monádica.

Num homem não desenvolvido, o corpo astral é massa de matéria astral nevoenta, frouxamente organizada, vagamente delineada, com uma grande predominância de substâncias, dos graus mais baixos. E tosca, escura e densa — às vezes tão densa que o contorno do corpo físico quase desaparece nela — e é, assim, preparada para responder a estímulos relacionados com paixões e apetites. Em tamanho, estende-se para todas as direções em cerca de dez a doze polegadas para além do corpo físico.

Num homem de mediano nível moral e intelectual, o corpo astral é consideravelmente maior, estendendo-se por cerca de 18 polegadas de cada lado do corpo; sua matéria é mais equilibrada e de qualidade mais fina, a presença de qualidades mais raras dando certa luminosidade ao todo. Seu contorno é claro e definido.

No caso de um homem espiritualmente desenvolvido, o corpo astral é ainda maior em tamanho e compõe-se das mais finas partículas de cada grau de matéria astral, predominando amplamente a mais alta.

Há tanto que dizer no que se refere às cores dos corpos astrais que o assunto fica reservado para um capítulo especial. Aqui, contudo, podemos afirmar que nos tipos não-desenvolvidos as cores são grosseiras e turvas, tomando-se aos poucos cada vez mais luminosas à proporção que o homem se desenvolve emocional, mental e espiritualmente. O próprio nome "astral", herdado dos alquimistas medievais, significa "estelar", referindo-se à aparência luminosa da matéria astral.

Como já foi dito, o corpo astral de um homem não só penetra no corpo físico como também se estende ao redor dele, como uma nuvem.

Essa porção do corpo astral que se estende para além dos limites do corpo físico é chamada, habitualmente, de "aura" astral.

Os sentimentos intensos correspondem a uma grande aura. Podemos mencionar, aqui, que o tamanho aumentado da aura é um pré-requisito para a Iniciação, e, nela, as "Qualificações" devem ser visíveis. A aura aumenta, naturalmente, a cada Iniciação. A aura de Buda — diz-se — tem uma irradiação de três milhas.

A matéria do corpo físico sente forte atração para a matéria do corpo astral, e daí segue-se que a maior parte (cerca de 99%) das partículas astrais ficam comprimidas dentro da periferia do corpo físico, e só o remanescente 1% enche o resto do ovóide e forma a aura.

A porção central do corpo astral toma, assim, a forma exata do corpo físico e é, na verdade, muito sólida e definida, e bem claramente distinguível da aura circundante. Habitualmente, é chamada a contra-parte astral do corpo físico. A exata correspondência do corpo astral com o físico, entretanto, é apenas questão de forma externa e não envolve qualquer similaridade de função nos vários órgãos, como veremos mais amplamente no capítulo sobre os Chakras.

Não só o corpo físico do homem, mas tudo quanto é físico, tem seu correspondente de matéria astral em constante associação, e não é separado a não ser mediante considerável esforço de força oculta, e, mesmo então, só se manterá separado enquanto seja exercida, positivamente, essa força e com esse fim. Em outras palavras, cada objeto físico tem sua contraparte astral. Porém, como as partículas astrais estão em constante movimento entre si, tão facilmente como um líquido físico, não há associação permanente entre qualquer partícula física e a quantidade de matéria astral que aconteça, em dado momento, estar agindo como sua contraparte.

Habitualmente, a porção astral de um objeto projeta-se um tanto para além de sua parte física e, assim, metais, pedras etc. são vistos circundados por uma aura astral.

Se alguma parte do corpo físico do homem for removida, por amputação, digamos, a coerência já matéria astral viva é mais forte do que sua atração para a porção amputada do corpo físico. Conseqüentemente, a contrapartida astral do membro não será retirada com o membro físico amputado. Já que a matéria astral adquiriu o hábito de manter aquela forma particular, continuará a reter o feitio original, mas depressa se

retrairá para dentro os limites da forma mutilada. O mesmo fenómeno se dá no caso de uma árvore da qual um galho seja removido.

Contudo, no caso de um corpo inanimado — tal como uma cadeira ou uma bacia — não há a mesma espécie de vida individual para manter a coesão. Conseqüentemente, quando um objeto físico se quebra, sua contraparte astral também se divide.

Inteiramente à parte dos sete graus da matéria, arranjados por ordem de finura, há uma classificação totalmente diferente da matéria astral, conforme seu tipo. Na literatura teosófica, o grau de finura é habitualmente designado como divisão horizontal, e o tipo como divisão vertical. Os tipos, dos quais existem sete, estão completamente mesclados como o estão os componentes da atmosfera, e em cada corpo astral há matéria dos sete tipos, a proporção entre eles mostrando o temperamento do homem, se é devocional ou filosófico, artístico ou científico, pragmático ou místico.

O conjunto da porção astral de nossa terra e dos planetas físicos, reunido aos planetas puramente astrais do nosso Sistema, forma coletivamente o corpo astral do Logos Solar mostrando assim que a antiga concepção panteísta era verdadeira.

Similarmente, cada um dos sete tipos de matéria astral é, até certo ponto, visto como um todo, um veículo separado, e é possível também imaginá-lo o corpo astral de uma Deidade ou Ministro subsidiário, que é, ao mesmo tempo, um aspecto da Deidade, uma espécie de seu gânglio ou centro de força. Daí ser o mais ligeiro pensamento, movimento, ou alteração de qualquer espécie, na Deidade subsidiária. instantaneamente refletido, de uma forma ou de outra, em toda a matéria do tipo correspondente. Tais modificações psíquicas ocorrem periodicamente: talvez correspondam à inalação e expiração, ou ao pulsar do nosso coração no plano físico. Observou-se que os movimentos dos planetas físicos fornecem uma pista para a operação das influências que fluem dessas modificações: daí o que há de racional na ciência astrológica. Daí também o fato de qualquer dessas modificações deverem alterar, até certo ponto, os homens, na proporção da quantidade daquele tipo de matéria que eles possuam em seu corpo astral. Assim, uma das modificações afeta as emoções ou a mente, ou ambas; outra pode intensificar a excitação e irritabilidade nervosas, e assim por diante. Essa proporção é que determina em cada homem, animal, planta ou mineral, certas características fundamentais que jamais se modificam — às vezes chamadas sua tónica, sua cor, sua radiação.

O prosseguimento desta interessante linha de ideias nos levaria para além do escopo deste livro; assim, o estudante é remetido ao livro: O Lado Oculto das Coisas, pp. 31-36.

Há sete subtipos em cada tipo, formando quarenta e nove subtipos ao todo.

O tipo, ou radiação, é permanente através de todo o esquema planetário, de forma que a essência elemental do tipo A. em seu devido tempo, animará minerais, plantas e animais do tipo A. e daí emergirão os seres humanos do mesmo tipo.

O corpo astral também se gasta, lenta e constantemente, tal como se dá com o corpo físico, mas em lugar do processo de ingestão e digestão de alimentos, as partículas que tombam são substituídas por outras,

retiradas da atmosfera circundante. Apesar disso, o sentimento de individualidade é comunicado às novas partículas, conforme entram, e também a essência elemental incluída em cada corpo astral de homem sente- se como uma espécie de entidade, indubitavelmente, e atua de acordo com o que considera de seu próprio interesse.




CAPÍTULO III

Cores

Para a visão clarividente, uma das principais características do corpo astral consiste em cores que estão nele constantemente em movimento, cores que correspondem e são a expressão de sentimentos, paixões, e emoções, na matéria astral.

Todas as cores conhecidas, e muitas que presentemente não conhecemos, existem, em cada um dos planos superiores da natureza, mas, conforme subimos de um estágio para outro, tornam-se mais delicadas e mais luminosas, de sorte que podem ser descritas como oitavas de cor. Não sendo possível representar fisicamente no papel essas oitavas, os fatos acima devem ser tidos em mente quando se considerar as ilustrações coloridas do corpo astral a que nos referiremos abaixo.

O que se segue é uma lista das cores principais e das emoções que elas expressam:

Preto: em nuvens espessas: ódio, malícia.

Vermelho: centelhas de um vermelho profundo, habitualmente sobre fundo preto: cólera.

Nuvem escarlate: irritabilidade.

Escarlate brilhante: sobre o fundo habitual da aura: "nobre indignação".

Vermelho acobreado e sanguíneo: indiscutivelmente, embora não seja de fácil descrição: sensualidade.

Marrom acinzentado: um marrom acinzentado opaco e escuro: egoísmo, uma cor das mais comuns no corpo astral.

Marrom avermelhado: opaco, quase ferrugem: avareza, quase sempre apresentada em listas paralelas através do corpo astral.

Marrom esverdeado: iluminado por cintilações de um vermelho profundo ou escarlate: ciúmes. No caso do homem comum há, quase sempre, muita dessa cor presente, quando ele está "amando".

Cinza: pesado, chumbo: depressão. Como o marrom avermelhado da avareza, disposto em linhas paralelas, dando a impressão de uma gaiola.

Cinza, lívido: coloração repulsiva e assustadora: medo. Carmesim: opaco e pesado: amor egoísta.

Cor-de-rosa. amor sem egoísmo. Quando excepcionalmente brilhante, tocado de lilás: amor espiritual pela humanidade.

Laranja: orgulho ou ambição. Muitas vezes encontrado ao lado da irritabilidade.

Amarelo: intelecto: varia do tom profundo e opaco para o ouro brilhante, limão-claro e luminoso, ou amarelo claro, desmaiado. Amarelo-ocre opaco implica na direção das faculdades para propósitos egoístas; amarelo-claro dourado indica um tipo distintamente superior; amarelo-claro denota intelecto devotado a fins espirituais; ouro indica intelecto puro, aplicado à filosofia ou à matemática.

Verde: em geral, varia muitíssimo em sua significação, e necessita estudo a sua interpretação correta: quase sempre indica adaptabilidade. Verde- cinza, de aparência viscosa: engano e astúcia. Verde-esmeralda: versatilidade, engenhosidade, habilidade, aplicadas sem egoísmo. Verde- azulado pálido, luminoso: profunda simpatia e compaixão, com o poder de perfeita adaptabilidade que só ela pode dar. Verde-maçã brilhante: parece acompanhar sempre uma vigorosa vitalidade.

Azul: escuro e claro: sentimento religioso. Pode acontecer que tenha toques de muitas outras qualidades, tomando assim qualquer tonalidade, do anil ou de um rico e profundo violeta até um fosco azul-acinzentado. Azul-claro, tal como ultramarino ou cobalto: devoção a um nobre ideal espiritual. Um toque de violeta indica mescla de afeição e devoção. Azul- lilás luminoso: habitualmente acompanhado de cintilantes estrelas douradas: a mais alta espiritualidade, com elevadas aspirações espirituais.

Ultravioleta: desenvolvimentos mais altos e mais puros das faculdades psíquicas.

Ultravermelho: faculdades psíquicas inferiores de quem cultiva as formas egoísticas e más da magia.

A alegria aparece em resplandecência e fulgor geral, tanto no corpo astral como no corpo mental, e numa ondulação característica da superfície do corpo. A jovialidade revela-se numa forma borbulhante e modificada daquela última, e também em estável serenidade.

A surpresa mostra-se em aguda contração do corpo mental, habitualmente comunicada tanto ao corpo astral como ao físico, acompanhada por crescente refulgir da faixa de afeição, se a surpresa for agradável, e por um aumento do marrom e do cinza, se a surpresa for desagradável. A contração causa com frequência sensações desagradáveis, afetando muitas vezes o plexo solar, causando abatimento e doença; outras vezes afeta o centro cardíaco, levando a palpitações, e mesmo à morte.

Deve-se compreender que, sendo as emoções humanas quase sempre mescladas, aquelas cores raramente se mostram perfeitamente puras, fazendo-se, mais comumente, tons misturados. Assim, a pureza de muitas cores é nublada pelo duro tom marrom-acinzentado do egoísmo, ou tocado pelo laranja profundo do orgulho.

Para ler a completa significação das cores, outros pontos também devem ser levados em consideração, por exemplo: o brilho geral do corpo astral; a previsão ou imprecisão relativas do seu contorno; o brilho relativo dos diferentes centros de força (ver Capítulo V).

O amarelo do intelecto, o rosa do afeto e o azul da devoção encontram-se sempre na parte superior do corpo astral: as cores do egoísmo, da avareza, do engano, do ódio, estão na parte mais baixa; a massa das sensações sensuais flutua, geralmente, entre os dois pontos.

Daí segue-se que, no homem não-desenvolvido, a parte inferior do ovóide tende a ser maior do que a superior, de forma que o corpo astral tem a aparência de um ovo com a ponta mais fina para cima. No homem mais desenvolvido o caso é ao reverso, a ponta mais fina do ovo apontando para baixo. A tendência é sempre para a simetria do ovóide, obtida de grau em grau, de forma que tais aparências são apenas temporárias.

Cada qualidade, expressa por uma cor, tem seu próprio tipo de matéria astral, e a posição mediana dessas cores depende da gravidade específica dos respectivos graus da matéria. O princípio geral é o de que o mal ou as qualidades egoísticas se expressam em vibrações relativamente lentas de matéria tosca, enquanto as boas e não-egoísticas funcionam através de matéria mais fina.

Sendo assim, felizmente para nós, as boas emoções persistem ainda por mais tempo do que as más, o efeito de um sentimento forte de amor ou devoção permanecendo no corpo astral muito tempo depois que a ocasião que os causou já está esquecida.

Ë possível, embora não comum, ocorrerem dois graus de vibrações atuando fortemente no corpo astral ao mesmo tempo; por exemplo, amor e cólera. Os efeitos posteriores serão paralelos, mas um estará em nível muito mais alto do que o outro, persistindo portanto por mais tempo.

A afeição e devoção elevadas e sem egoísmo pertencem ao mais alto (atômico) subplano astral e se refletem na matéria correspondente do plano mental. Assim, tocam o corpo causal (mental superior) e não o mental inferior. Este é um ponto importante ao qual o estudante deve dar especial atenção. O Ego, que reside no plano mental superior, é assim afetado apenas pelos pensamentos não-egoísticos. Os pensamentos inferiores afetam, não o Ego, mas os átomos permanentes.

Em consequência, no corpo causal haverá vácuos, e não cores más, correspondendo aos sentimentos e pensamentos inferiores. O egoísmo, por exemplo, mostra-se como a ausência de afeição ou simpatia: assim que o egoísmo é substituído pelo seu oposto, o vácuo do corpo causal ficará preenchido.

Uma intensificação das cores rudes do corpo astral, representando emoções baixas, embora não encontre expressão direta no corpo causal, nem por isso deixa de enevoar a luminosidade das cores que representam, no corpo causal, as virtudes opostas.

A fim de que se compreenda a aparência do corpo astral, é preciso que se tenha em mente que as partículas de que ele é composto estão sempre em rápido movimento; na vasta maioria dos casos, as nuvens de cores fundem- se umas nas outras e estão todo o tempo rolando umas sobre as outras, a superfície da luminosa mistura assemelhando-se, de certa forma, à superfície de água que ferve violentamente. As várias cores, portanto, de forma alguma retêm as mesmas posições, embora haja uma posição normal à qual tendem a retornar.

As características principais dos três tipos ilustrados — não- desenvolvido, comum e desenvolvido — podem ser resumidas como se segue:

Não-desenvolvido. — Uma grande proporção de sensualidade: engano, egoísmo e ganância são evidentes: a cólera violenta revela-se por manchas e salpicos de um tom escarlate opaco: poucos são os afetos que aparecem, e

os sentimentos intelectuais e religiosos existentes são da mais baixa qualidade. O contorno é irregular e as cores borradas, espessas e pesadas. Todo o corpo mostra-se, evidentemente, mal regulado, confuso e desordenado.

Homem comum. — O sensualismo, embora menor, ainda é proeminente, como também o é o egoísmo, havendo certa capacidade de engano para fins pessoais, embora o verde comece a dividir-se em duas qualidades diferentes, mostrando que a astúcia vai, paulatinamente, se tornando adaptabilidade. A cólera ainda é marcada: a afeição, o intelecto, a devoção, são mais notáveis e de mais alta qualidade. As cores, como um todo, estão melhor definidas e são mais brilhantes, embora nenhuma delas se mostre perfeitamente clara. O contorno do corpo astral é mais definido e regular.

Homem desenvolvido. — As qualidades indesejáveis estão quase desaparecidas: através da parte superior do corpo há uma faixa lilás, indicando aspirações espirituais: acima da cabeça, e envolvendo-a, há uma nuvem com o amarelo brilhante do intelecto: abaixo dela existe uma larga faixa com o rosa da afeição, e na parte mais baixa do corpo uma grande quantidade do verde da adaptabilidade e simpatia encontra seu lugar. As cores são brilhantes, luminosas, em tiras claramente marcadas; o contorno é bem definido, e todo o corpo astral dá a impressão de estar em boa ordem e sob perfeito controle.

Embora neste livro não estejamos tratando do corpo mental, ainda assim deve ser mencionado que, conforme um homem se desenvolve, seu corpo astral cada vez mais se assemelha ao seu corpo mental, até que se torna pouco mais do que um reflexo deste último, na matéria mais densa do plano astral. Isso, naturalmente, indica que o homem tem seus desejos sob seguro domínio da mente, e já não tende a ser arrastado pelos impulsos emocionais. Um homem assim estará, sem dúvida, sujeito a uma irritabilidade ocasional e a desejos indesejáveis de vários tipos, mas agora já sabe o bastante para reprimir essas manifestações inferiores e não ceder a elas.

Em um estágio mais adiantado, o próprio corpo mental torna-se um reflexo do corpo causal, já que o homem aprende a seguir apenas as sugestões do Eu superior, e a guiar sua razão exclusivamente por meio delas.

Assim, a mente e o corpo de um Arhat teriam muito poucas das cores características que lhe são próprias, mas essas cores seriam reproduções do corpo causal até o ponto em que suas oitavas mais baixas pudessem expressá-las. Haveria uma bela iridescência, um efeito parecido à tonalidade opalescente da madrepérola, que fica muito além de qualquer descrição ou representação.

Um homem desenvolvido tem cinco graus de vibração em seu corpo astral; um homem comum possui pelo menos nove vibrações, com o acréscimo de tonalidades variadas. Muitas pessoas têm de 50 a 100 graus, estando toda a superfície partida numa infinidade de pequenos remoinhos e correntes cruzadas, todos batendo-se uns contra os outros, em adoidada confusão. Ë o resultado de emoções e preocupações desnecessárias, sendo a pessoa comum do Ocidente uma massa dessas coisas, através da qual muito de sua força é dispersada.

Um corpo astral, que vibra de cinquenta maneiras ao mesmo tempo, não só é feio, mas também um sério incómodo. Pode-se compará-lo a um corpo físico

que sofre de uma forma grave de paralisia espástica, com todos os músculos contraindo-se aos arrancos, simultaneamente, em diferentes direções. Tais efeitos astrais são contagiosos e afetam todas as pessoas sensíveis que se aproximam, comunicando-lhes uma sensação desagradável de inquietude e preocupação. Exatamente pelo fato de milhões de pessoas estarem assim desnecessariamente agitadas por todo tipo de tolos desejos e sentimentos, é que se torna tão difícil, para uma pessoa sensível, viver numa grande cidade ou mover-se entre multidões. As perpétuas perturbações astrais podem mesmo reagir através do duplo etérico e originar doenças nervosas.

Os centros de inflamação do corpo astral são, para ele, como os furúnculos para o corpo físico — não só agudamente incómodos, mas também pontos fracos através dos quais a vitalidade se extravasa. Eles, praticamente, não oferecem resistência às más influências, e impedem que as boas influências os beneficiem. Esta é uma condição dolorosamente comum: o remédio está em eliminar as preocupações, o medo e os aborrecimentos. O estudante de ocultismo não deve ter sentimentos pessoais que possam ser afetados assim, seja em que circunstâncias for.

Só uma criança muito nova tem uma aura branca ou relativamente destituída de cores, as quais só começam a aparecer quando as qualidades se desenvolvem. O corpo astral de uma criança é, com frequência, uma das coisas mais belas — puro e brilhante em suas cores, livre das manchas da sensualidade, da avareza, da má vontade e do egoísmo. Também ali podem estar, latentes, os germes e tendências que vieram de sua vida passada, alguns deles maus, outros bons. Assim, as possibilidades da vida futura da criança podem ser vistas.

O amarelo do intelecto, encontrado sempre próximo da cabeça, é a origem da idéia da auréola, ou glória, que se encontra ao redor da cabeça de um santo, pois esse amarelo é a cor mais evidente entre as do corpo astral, a que mais facilmente é percebida pela pessoa que está desenvolvendo clarividência. Às vezes, devido a uma atividade pouco comum do intelecto, o amarelo pode tornar-se visível mesmo na matéria física, de forma a fazer-se perceptível à visão física habitual.

Já vimos que o corpo astral tem uma certa ordenação normal, na qual suas várias partes tendem a agrupar-se. Um súbito ímpeto de paixão ou sentimento, contudo, pode temporariamente forçar toda ou quase toda a matéria do corpo astral vibrar a um certo grau, produzindo assim resultados surpreendentes. Toda a matéria do corpo astral é sacudida como por um violento furacão, e a esse tempo as cores ficam muitíssimo misturadas. Exemplos coloridos desse fenómeno são dados no livro Man Visible and Invisible (O Homem Visível e Invisível):

Ilustração XI, p. 48/9: Súbito ímpeto de afeição. Ilustração XII, p. 48/9: Súbito ímpeto de devoção. Ilustração XIII, p. 48/9: Cólera intensa.
Ilustração XIV, p. 49: Choque de medo.

No caso de uma onda de pura afeição, quando, por exemplo, a mãe arrebata o bebê e o cobre de beijos, todo o corpo astral é atirado, num momento, a uma violenta agitação, e as cores originais naquela ocasião ficam quase que obscurecidas.

A análise descobre quatro efeitos separados:

Certos remoinhos ou vórtices, e de cor viva, são vistos, bem definidos e com aparência sólida, resplandecentes por uma luz intensa que vem de dentro. Cada um deles é, na realidade, uma forma-pensa-mento de intensa afeição, gerada dentro do corpo astral e saindo dele para derramar-se sobre o objeto daquele sentimento. As nuvens rodo-piantes de luz viva são indescritivelmente belas, embora difíceis de descrever.

Todo o corpo astral é cruzado por linhas latejantes de luz carmesim, ainda mais difícil de descrever, pela rapidez excessiva de seu movimento.

Uma espécie de película cor-de-rosa cobre a superfície de todo o corpo astral, de forma que tudo quanto há dentro é visto através dela, como através de um vidro colorido.

Uma espécie de coloração carmesim enche todo o corpo astral, colorindo até certo ponto as demais cores, e aqui e ali condensando-se em flocos flutuantes, como nuvens formadas a meio.

Essa exibição provavelmente durará apenas alguns segundos, e então o corpo rapidamente reassume sua condição normal, os vários graus de matéria dispondo-se de novo em suas zonas habituais, segundo sua gravidade específica. Ainda assim, esses ímpetos de sentimentos acrescentam um pouco do tom carmesim à parte mais alta do oval e torna um pouco mais fácil, para o corpo astral, responder à próxima onda de afeto que pode vir.

Da mesma maneira, um homem que sente, com frequência, alta devoção, vem a ter uma grande área de azul em seu corpo astral. Os efeitos de tais impulsos são, assim, cumulativos: além da radiação de vividas vibrações de amor e alegria, produzem boa influência em outros.

Com a substituição do azul pelo carmesim, um súbito acesso de devoção, envolvendo uma religiosa entregue à contemplação, produz quase que o mesmo efeito.

No caso de cólera intensa, o fundo comum do corpo astral é obscurecido por remoinhos ou vórtices de massas pesadas, tempestuosas, de um negrume fuliginoso, iluminado pela parte de dentro com o clarão sinistro do ódio em atividade. Flocos da mesma cor escura são vistos percorrendo todo o corpo astral, enquanto flechas de fogo da cólera desatada são atiradas entre eles como fulgores de relâmpagos. Esses fulgores terríveis são capazes de penetrar em outros corpos astrais como se fossem espadas, causando, assim, danos a outras pessoas.

Nesse caso, como em outros, cada explosão de raiva predispõe a matéria do corpo astral inteiro a responder, por assim dizer, mais prontamente do que antes a essas vibrações muitíssimo indesejáveis.

Um repentino choque de terror, num instante, envolve todo o corpo numa curiosa neblina de um cinzento pálido, enquanto linhas horizontais da mesma coloração aparecem, mas vibrando com tal violência que dificilmente são reconhecidas como linhas separadas. O resultado é indescritivelmente horrendo: toda a luz desaparece durante esse tempo daquele corpo e o todo da massa cinzenta estremece, irresistivelmente, como gelatina.

Um fluxo de emoção não afeta grandemente o corpo mental, embora, por algum tempo, se torne quase impossível que qualquer das atividades mentais possam atingir o cérebro físico, porque o corpo astral, que funciona como ponte entre o corpo mental e o cérebro, está vibrando tão inteiramente em determinado ritmo que o incapacita de receber qualquer ondulação que não esteja em harmonia com ele.

Os exemplos acima são dos efeitos de súbitos e temporários ímpetos vindos do sentimento. Há outros efeitos, de certa forma similares, e de caráter mais permanente, produzidos por certas disposições ou tipos de caráter.

Assim, quando um homem comum se apaixona, seu corpo astral de tal forma se modifica que mal pode ser reconhecido como pertencente àquela mesma pessoa. O egoísmo, a falsidade e a avareza desaparecem, e a parte mais baixa do oval enche-se com um grande desenvolvimento de paixões animais. O verde da adaptabilidade foi substituído pelo marrom esverdeado peculiar ao ciúme, e a extrema atividade desse sentimento mostra-se em relâmpagos brilhantes de cólera, de cor escarlate, que o penetram. Contudo, as modificações indesejáveis são mais ou menos contrabalançadas pela esplêndida faixa carmesim que enche uma grande parte do oval. Essa é, na ocasião, a característica predominante, e todo o corpo astral resplandece com sua luz. Sob sua influência, o aspecto enublado do corpo astral habitual desapareceu, e os coloridos são brilhantes e claramente marcados, tanto os bons como os maus. Trata-se de uma intensificação da vida em todas as direções. O azul da devoção também melhora claramente, e mesmo um toque de violeta-pálido aparece no ponto mais alto do ovóide, indicando certa capacidade de resposta a um ideal realmente alto e destituído de egoísmo. O amarelo do intelecto, contudo, desaparece inteiramente nessa ocasião — fato que os cínicos podem considerar como uma característica da condição!

O corpo astral de um homem irritável mostra, habitualmente, uma larga faixa escarlate como elemento predominante e, além disso, todo o corpo astral está coberto de pequenos flocos escarlates, parecidos a um ponto de interrogação.

No caso de um sovina, a avareza, o egoísmo, a falsidade e a adaptabilidade são naturalmente intensificados, mas a sensualidade diminui. A modificação mais notável, entretanto, é uma curiosa série de linhas horizontais paralelas através do oval, dando a impressão de uma gaiola. As barras são de cor marrom profundo, quase um castanho queimado. O vício da avareza parece ter o efeito de deter completamente o desenvolvimento durante esse tempo, e é muito difícil de ser repelido desde que consiga firmar-se.

Depressão profunda produz um efeito cinzento, em lugar do marrom, muito semelhante ao do avaro. O resultado é indescritivelmente sombrio e depressivo para o observador. Não há condição emocional mais infecciosa do que o sentimento de depressão.

No caso do homem não-intelectual, que é decididamente religioso, o corpo astral assume uma aparência característica. Um toque de violeta sugere a possibilidade de resposta a um alto ideal. O azul da devoção é extraordinariamente desenvolvido, mas o amarelo do intelecto mostra-se escasso. Há uma proporção razoável de afeto e adaptabilidade, porém mais do que a quantidade média de sensualidade, sendo a falsidade e o egoísmo também predominantes. As cores se mostram irregularmente distribuídas,

mesclando-se umas às outras, e o contorno é vago, indicando a imprecisão das concepções do homem devoto.

A sensualidade extrema e o temperamento devoto são vistos, frequentemente, em associação: talvez porque esses tipos de homens vivem, principalmente, em seus sentimentos, e são governados por eles, em lugar de dominá-los pela razão.

Um grande contraste surge no homem de tipo científico. A devoção está inteiramente ausente, a sensualidade fica abaixo da média, mas o intelecto é desenvolvido em grau fora do comum. A afeição e a adaptabilidade mostram-se em pequena quantidade e em má qualidade. Grande dose de egoísmo e avareza estão presentes, bem como o ciúme. Um cone imenso, cor de laranja brilhante, no meio do amarelo dourado do intelecto, indica orgulho e ambição, relacionados com o conhecimento adquirido. O hábito ordenado e científico da mente leva ao arranjo das cores em faixas regulares, sendo as linhas de demarcação bastante definidas e claramente marcadas.

Do estudante se solicita que estude, ele próprio, o livro admirável do qual foi retirada a informação acima, sendo aquele trabalho um dos mais valiosos entre os muitos produzidos pelo grande e talentoso escritor C.
Leadbeater.

Já que estivemos tratando das cores no corpo astral, podemos mencionar que os meios de comunicação com os elementais. que estão associados tão intimamente com o corpo astral do homem, se faz através de sons e de cores. Os estudantes podem recordar alusões obscuras, aqui e ali, sobre uma linguagem das cores, e o fato de os antigos manuscritos sagrados do Egito serem escritos em cores, sendo os erros de cópia castigados com a morte. Para os elementais, as cores são tão inteligíveis como as palavras o são para o homem.





CAPÍTULO IV

Funções

As funções do corpo astral podem ser toscamente agrupadas sob três títulos:

Tornar possível a sensação.

Servir de ponte entre a mente e a matéria física.

Agir como veículo independente de consciência e ação. Trataremos dessas três funções em sequência.
Quando um homem é analisado em seus "princípios", isto é pelo modo de manifestar a vida, descobrimos os quatro princípios interiores, às vezes chamados "Quaternário Inferior", que são:

Corpo físico.

Corpo etérico.

Prana, ou Vitalidade. Kama, ou Desejo.
O quarto princípio, Kama, é a vida manifestando-se no corpo astral e condicionada por ele: sua característica é o atributo do sentimento, que, em forma rudimentar, é sensação e, em forma complexa, emoção, com muitos graus entre as duas formas. Isto às vezes se resume como desejo, aquilo que é atraído ou repelido por objetos, segundo eles causem prazer ou dor.
Kama inclui, assim, sentimentos de toda espécie, e pode ser descrito como de natureza passional e emocional. Compreende todos os apetites animais, tais como a fome, a sede, o desejo sexual; todas as paixões, tais como as formas inferiores do amor, o ódio, a inveja, o ciúme; é o desejo de existência senciente, de experimentar alegrias materiais — "a luxúria da carne, a luxúria dos olhos, o orgulho da vida.

Kama é o bruto em nós, o "símio e o tigre" de Tennyson, a força que mais nos prende à terra e sufoca em nós todas as aspirações mais altas, usando para isso as ilusões dos sentidos. Ê o que há de mais material na natureza do homem, e o que o liga mais fortemente à vida terrena. "Não é matéria molecularmente constituída, e ainda menos que tudo o corpo humano, Sthula Sharira, que é o mais grosseiro de todos os nossos princípios, mas verdadeiramente o princípio médio, o verdadeiro centro animal, enquanto que nosso corpo é apenas uma casca, o fator irresponsável e o meio através do qual a besta em nós atua em toda a sua vida" [Secret Doutrine (Doutrina Secreta), I, 280-1].

Kama ou Desejo também é descrito como um reflexo do aspecto inferior de Atma ou Vontade; a diferença é que a Vontade é autodeterminada, enquanto que o Desejo é ativado pelas atrações ou repulsas causadas por objetos

circundantes. O Desejo é, assim, a Vontade destronada, o cativo, o escravo da matéria.

Outra forma de encarar Kama foi bem expressa por Ernest Wood em seu livro esclarecedor The Seven Rays (Os Sete Raios): Kama "significa todo o desejo. E o desejo é o aspecto do amor voltado para fora, o amor das coisas dos três mundos, enquanto que o próprio amor é amor da vida e amor do divino, pertencendo ao eu superior ou voltado para dentro".

Para os nossos propósitos neste livro, as palavras desejo e emoção são usadas amiúde como se praticamente fossem sinónimas: estritamente, contudo, emoção é o produto do desejo e do intelecto.

O corpo astral é muitas vezes conhecido como Kama Rupa: e às vezes, em nomenclatura mais antiga, como Alma Animal.

Impactos externos, atingindo o corpo físico, são recebidos como vibrações pela ação de Prana ou Vitalidade, mas permaneceriam apenas como vibrações, simples movimentos do plano físico, se Kama, o princípio da sensação, não traduzisse essa vibração em sentimento. Assim, prazer e dor não surgem enquanto o centro astral não é atingido. Daí Kama reunido a Prana ser chamado de "alento de vida", o princípio vital senciente espalhado sobre cada partícula do corpo.

Parece que certos órgãos do corpo físico estão especificamente associados com as ações de Kama: entre eles estão o fígado e o baço.

Devemos fazer notar, aqui, que Kama, ou desejo, está começando apenas a ser ativo no reino mineral, quando ele se expressa como afinidade química.

No reino vegetal ele está, naturalmente, muito mais desenvolvido, indicando uma capacidade muitíssimo maior de utilizar a matéria astral inferior. Os estudantes de botânica têm consciência de que simpatias e antipatias, isto é, desejo, são muito mais predominantes no mundo vegetal dó que no mineral, e que muitas plantas mostram uma grande dose de engenhosidade e sagacidade para atingir seus fins.

As plantas respondem bem depressa aos cuidados amorosos e são claramente afetadas pelos sentimentos do homem a seu respeito. Deleitam-se com a admiração e a ela respondem. São capazes também de se apegarem individualmente, como são capazes de cólera ou antipatia.

Os animais podem sentir, em alto grau, os desejos, inferiores, mas sua capacidade quanto a desejos mais altos é limitada. Entretanto, tal capacidade existe e, em casos excepcionais, um animal é capaz de manifestar um tipo muitíssimo elevado de afeto e devotamento.

Passando, agora, à segunda função do corpo astral — atuar como ponte entre a mente e o corpo físico — notamos que um impacto sofrido pelos sentidos físicos é transmitido para o interior por Prana, e torna-se uma sensação pela ação dos centros sensórios que estão situados em Kama, e esse impacto é percebido por Manas, ou Mente. Assim, sem a ação geral através do corpo astral, não haveria conexão entre os impactos físicos e a percepção desses mesmos impactos pela mente.

Inversamente, sempre que pensamos, pomos em movimento a matéria mental que está dentro de nós; as vibrações assim geradas são transmitidas à

matéria de nosso corpo astral, a matéria astral afeta a matéria etérica, que, por sua vez, atua sobre a densa matéria física, a matéria cinzenta do cérebro.

O corpo astral é, assim, verdadeira ponte entre nossa vida mental e nossa vida física, servindo como transmissor de vibrações, tanto do físico pára o mental como do mental para o físico, e é, na verdade, desenvolvido principalmente por essa constante passagem de vibrações de um ponto para outro.

No curso da evolução do corpo astral do homem há dois estágios distintos: o corpo astral tem de ser primeiro desenvolvido até um ponto razoavelmente elevado como um veículo transmissor: então, deve ser desenvolvido como corpo independente, no qual o homem possa funcionar no plano astral.

No homem, a inteligência normal do cérebro é produzida pela união de Kama com Manas, ou Mente, sendo essa união chamada, com frequência, Kama- Manas. Kama-Manas é descrita por H, P. Blavatsky como "intelecto racional, porém terreno ou físico do homem, encaixado e ligado à matéria, portanto sujeito à influência desta última". Esse é o "eu inferior", que, agindo nesse plano de ilusão, imagina-se ele próprio o verdadeiro Ser ou Ego, e cai naquilo que a filosofia budista chama a "heresia da separatibilidade".

Kama-Manas, que é Manas com desejo, também é descrito curiosamente como "manas interessado em coisas externas".

Podemos notar, de passagem, que um claro entendimento do fato de Kama- Manas pertencer à personalidade humana e funcionar nessa personalidade através do cérebro físico, é essencial para a compreensão do processo da reencarnação, e mostra-se suficiente, por si próprio, para explicar o porquê de não haver lembrança de vidas anteriores, já que a consciência não se pode erguer para além do mecanismo do cérebro, sendo que esse mecanismo, ligado ao de Kama, forma-se de novo a cada vida, não tendo portanto ligação direta com as vidas passadas.

Manas, por si só, não pode afetar as células do cérebro físico, mas quando unida a Kama é capaz de dar movimento às moléculas físicas, produzindo assim a "consciência do cérebro", inclusive a memória do cérebro e todas as funções da mente humana, tal como normalmente as conhecemos. Não se trata, naturalmente, de Manas superior, e sim de Manas inferior (isto é, matéria dos quatro níveis inferiores do plano mental) que se associa a Kama. Na psicologia ocidental, esse Kama-Manas se torna parte daquilo que naquele sistema é chamado Mente. Kama-Manas, formando o vínculo entre a natureza superior e a natureza inferior do homem, é o campo de batalha durante a vida e também, como veremos mais tarde, tem parte importante na existência após a morte.

Tão íntima é a associação entre Manas e Kama, que os hindus falam do homem como possuindo cinco invólucros, cada um deles para todas as manifestações do intelecto ativo e do desejo. Esses cinco invólucros são:



1 Anandamayakosha o invólucro da beàtitude Buddhi  

  
2 Vignanamayakosha o invólucro
discriminador Manas superior    
3 Manomayakosha... o invólucro do intelecto Manas inferior    
e do desejo e Kama    
4 Pranamayakosha... o invólucro da vitalidade Prana    
5 Annamayakosha... o invólucro do alimento Corpo físico    
denso  


Na divisão usada por Manu, o pranamayakosha e o annamayakosha são classificados juntos e conhecidos como Bhütâtman, ou eu elemental, ou corpo de ação.

O vignanamayakosha e o manomayakosha são classificados por ele como corpo do sentimento, e recebe o nome de Jiva: define-o como o corpo no qual o Conhecedor, o Kshetragna, torna-se sensível ao prazer e à dor.

Em suas relações externas, o vignanamayakosha e o manomayakosha, especialmente o manomayakosha, estão relacionados ao mundo Deva. Os Devas, segundo se diz, "entraram" no homem, referência às deidades que presidem aos elementos*. Essas deidades dirigentes fazem surgir as sensações no homem, transformando os contatos externos em sensações ou levando a reconhecer esses contatos a partir de dentro, tal coisa sendo essencialmente uma ação Deva. Daí o vínculo com todos estes Devas inferiores, que, quando se obtém o controle supremo sobre eles, faz do homem um senhor em todas as regiões do Universo.

Manas, ou mente, sendo incapaz, como ficou dito acima, de afetar as partículas grosseiras do cérebro, projeta uma parte de si mesmo, isto é, Manas inferior, que se envolve em matéria astral, e então com o auxílio da matéria etérica penetra em todo o sistema nervoso da criança, antes do nascimento. A projeção de Manas é chamada, amiúde, seu reflexo, sua sombra, seu raio, e também é conhecida por outros nomes alegóricos. H. P. Blavatsky escreve (Chave da Teosofia, p. 184): "Uma vez aprisionada ou encarnada, sua essência (o Manas) torna-se dual; isto quer dizer que os raios da eterna Mente divina, considerados como entidades individuais, assumem duplo atributo, que é (a) sua característica essencial, inerente, mente que aspira ao céu (Manas superior), e (b) a qualidade humana de pensar, de cogitação animal, racionalizada devido à superioridade do cérebro humano, voltada para Kama, ou Manas inferior".

O Manas inferior é assim engolfado no quaternário e pode ser visto como agarrando Kama com uma das mãos enquanto que com a outra mantém seguro seu pai, o Manas superior. Se ele será arrastado para baixo,

completamente, por Kama e arrancado da tríade (atma-buddhi-manas) à qual pertence por sua natureza, ou se levará de volta, triunfantemente, à sua fonte, as experiências purificadas de sua vida terrena — é o problema vital enfrentado e resolvido em cada encarnação sucessiva. Esse ponto será considerado mais adiante, nos capítulos sobre A Vida Depois da Morte.

Assim, Kama fornece os elementos animais e passionais; Manas inferior racionaliza-os e acrescenta-lhes as faculdades intelectuais. No homem, esses dois princípios ficam entretecidos durante a vida e raramente atuam separadamente.

Manas pode ser visto como a chama, Kama e o cérebro físico como a mecha e o combustível que alimentam a chama. Os egos de todos os homens, desenvolvidos ou não desenvolvidos, são da mesma essência e substância: o que faz um grande homem, e o que faz outro homem vulgar e tolo, é a qualidade e a estrutura do corpo físico, e a capacidade do cérebro e do corpo para transmitirem e expressarem a luz do verdadeiro homem interior.

Em resumo, Kama-Manas é o eu pessoal do homem: Manas inferior dá o toque individualizador que faz a personalidade reconhecer-se a si própria como "Eu". Manas inferior é um raio do Pensador imortal, iluminando uma personalidade. Ê o Manas inferior que fornece o último toque de deleite aos sentidos e à natureza animal, conferindo-lhe o poder de antecipação, de memória e de imaginação.

Embora esteja fora de lugar neste livro o muito avançar pelos domínios de Manas e do corpo mental, ainda assim pode ser de auxílio para o estudante, neste estágio, acrescentar que o livre arbítrio reside em Manas, sendo Manas o representante de Mahat, a Mente Universal. No homem físico, o Manas inferior é o agente do livre arbítrio. De Manas vêm o sentimento da liberdade, o conhecimento de que podemos nos governar, de que a natureza superior pode dominar a inferior. Identificar a consciência com Manas, e não com Kama, é, assim, passo importante no caminho do autodomínio.

A própria luta de Manas para afirmar-se é o melhor testemunho de que, por natureza, ele é livre. É a presença e o poder do ego que capacita o homem para escolher entre os desejos, e dominá-los. Quando Manas inferior governa Kama, o quaternário inferior toma sua correta posição de subserviência à tríade superior — atma-buddhi-manas.

 Podemos classificar os princípios do homem da seguinte maneira:

Vamos agora considerar a terceira função do corpo astral — como veículo independente de consciência e de ação. O tratamento integral desse trecho do nosso assunto — uso, desenvolvimento, possibilidades e limitações do corpo astral em seu próprio plano — será feito passo a passo na maioria

dos capítulos que vão se seguir. No momento será suficiente enumerar, muito resumidamente, as principais formas pelas quais o corpo astral pode ser usado como veículo independente de consciência. Essas formas são as que se seguem:

Durante a consciência normal, acordada, isto é, enquanto o cérebro físico e os sentimentos estão bem despertos, os poderes dos sentidos astrais podem ser levados à ação. Alguns desses poderes correspondem aos sentidos e aos poderes de ação possuídos pelo corpo físico. Deles trataremos no próximo capítulo sobre os Chakras.

Durante o sono ou no transe é possível ao corpo astral separar-se do corpo físico e mover-se e funcionar livremente em seu próprio plano. Isso será tratado no capítulo sobre Vida no Sono.

É possível desenvolver os poderes do corpo astral a tal ponto que um homem pode, consciente e deliberadamente, a qualquer momento que o deseje, deixar o corpo físico e passar, sem interrupção de consciência, para o corpo astral. Disso trataremos no capítulo sobre Continuidade da Consciência.

Depois da morte física a consciência recolhe-se no corpo astral, e a vida, variando grandemente em intensidade e duração, dependendo de certo número de fatores, pode ser levada no plano astral. Isso será tratado nos capítulos sobre A Vida Depois da Morte.

Essas divisões do nosso assunto, com numerosas ramificações, constituirão a maior parte do que resta deste tratado.




CAPÍTULO V

Chacras

A palavra Chakra é sânscrita e significa, literalmente, uma roda ou disco giratório. Ê usada para classificar o que amiúde se chama Centros-de- Força do homem. Há desses Chakras em todos os veículos do homem, e são pontos de conexão pêlos quais a força flui de um veículo para outro. Estão ainda intimamente associados com os poderes dos sentidos dos vários veículos.

Os Chakras do corpo etérico são amplamente descritos em O Duplo Etérico, e os estudantes devem recorrer a esse livro porque um estudo dos Chakras etéricos os ajudará a compreender os Chakras astrais.

Os Chakras etéricos estão situados na superfície do duplo etérico e são habitualmente indicados pelo nome do órgão físico ao qual correspondem.

São eles:

Chakra da base da espinha.
Chakra do umbigo.
Chakra do baço.
Chakra do coração.
Chakra da garganta.
Chakra de entre os olhos.
Chakra do alto da cabeça.



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