O plano astral - parte 5


O método adotado foi tomar alguma pessoa comum, depois da morte, despertá-la completamente no plano astral, instruí-la até certo ponto quanto aos poderes e possibilidades que lhe pertenciam, e então colocar a seu cargo um círculo espírita. Ela, por sua vez, "desenvolveu" dentro das mesmas linhas outras personalidades falecidas, e todas agiram sobre os que freqüentavam suas sessões, "desenvolvendo-os" como médiuns. Os líderes do movimento, sem dúvida alguma, manifestavam--se ocasionalmente sob forma astral, naqueles círculos, mas na maioria dos casos apenas dirigiam e guiavam conforme consideravam necessário. Pouco se duvida de que o movimento cresceu tanto que depressa foi além de seu controle. Por muitos dos desenvolvimentos posteriores, portanto, só podem ser tomados como indiretamente responsáveis.

A intensificação da vida astral dos "controles" que tomaram os círculos a seu cargo retardou claramente seu progresso natural e, embora aquilo fosse tomado como integral compensação para tal perda através do resultado do bom karma trazido pelo fato de conduzir outros à verdade, depressa se soube que era impossível fazer uso do "espírito--guia" por qualquer espaço de tempo sem lhe causar sério e permanente dano.

Em alguns casos, tais "guias" foram retirados e substituídos por outros. Em outros casos, contudo, foi considerado indesejável fazer tal mudança e então um notável expediente foi adotado, dando início a uma curiosa classe de criaturas chamadas "artificiais humanos".

Deixou-se que os princípios superiores continuassem sua lenta evolução ao mundo celestial, mas a Sombra (a que nos referimos antes) que havia ficado atrás; foi tomada, sustentada e manipulada de forma a continuar a aparecer no círculo, tal como antes.

De início, isso parece ter sido feito por membros da loja, mas finalmente se decidiu que a pessoa falecida que tinha sido apontada para suceder ao antigo "espírito-guia" ainda o fosse, mas tomasse posse da Sombra deste último, sombra ou cascão, e simplesmente usasse sua aparência. É a isso que se chama uma entidade "humana artificial".

Em alguns casos, mais do que uma modificação parece ter sido feita sem levantar suspeitas, mas por outro lado algumas investigações do espiritismo observaram que depois de um tempo considerável as modificações apareceram subitamente nas maneiras e nas disposições do "espírito".

Nenhum dos membros da Irmandade do Himalaia jamais empreendeu a formação de uma entidade artificial desse tipo, embora não s pudessem interferir com ninguém que se julgasse no direito de tomar tal resolução.

Além da decepção envolvida, um ponto fraco no arranjo é que outras lojas, que não a original, podem adotar o plano, e nada poderá ; impedir que magos negros se supram de espíritos comunicantes, como aliás, sabe-se, têm efeito.


CAPÍTULO XXII


Espiritismo


A palavra "espiritismo" está sendo usada atualmente para denotar comunicações de muitas maneiras diferentes com o mundo astral, através de um médium.

A origem e a história do movimento espírita já foram descritas no capítulo XXI.

O mecanismo etérico que torna possível os fenômenos espíritas foram amplamente descritos em O Duplo Etérico, obra à qual remetemos o estudante.

Resta-nos agora considerar o valor, se algum existe, desse método de comunicação com o mundo invisível e a natureza das fontes através da qual essa comunicação pode vir.

Nos dias iniciais da Sociedade Teosófica, H. B. Blavatsky escreveu com grande veemência sobre a questão do espiritismo, dando grande ênfase à incerteza de tudo aquilo e à preponderância das aparências de personalidade sobre as personalidades verdadeiras. Pouco se pode duvidar de que essas opiniões estavam largamente coloridas e determinadas pela atitude desfavorável da maioria dos membros da Sociedade Teosófica quanto ao espiritismo como um todo.

O bispo Leadbeater, por outro lado, afirma que sua própria experiência pessoal foi mais favorável. Passou muitos anos fazendo experiências espíritas e acredita que ele próprio viu repetidamente todos os fenômenos sobre os quais se pode ler na literatura sobre o assunto.

Em sua experiência, ele descobriu que uma nítida maioria das aparições era autêntica. As mensagens que elas dão são com freqüência desinteressantes e seus ensinamentos religiosos são descritos por ele como sendo "cristianismo aguado" — contudo, tanto quanto se vê, eles são liberais, adiantados em relação à fanática posição ortodoxa.

Leadbeater faz sentir que os espíritas e teosofistas têm terreno importante em comum, como, por exemplo:

(l) que a vida depois da morte é real, vívida, uma certeza sempre presente; e

(2) que o progresso eterno e a felicidade definitiva, para cada qual, bons e maus que sejam, é também uma certeza.


Esses dois itens são de tão tremenda e suprema importância, constituindo, como constituem, tão imenso avanço sobre a posição ortodoxa comum, que parece lamentável que os espíritas e teósofos não possam unir as mãos sobre esses amplos pontos e concordar, pelo tempo presente, em diferir quanto a pontos menores, até que o mundo pelo menos se converta a essa

porção da verdade. Em tal trabalho há amplo espaço para os dois corpos de investigadores da verdade.

Os que desejam ver os fenômenos e os que em nada podem acreditar sem a demonstração ocular irão gravitar naturalmente em direção do espiritismo. Por outro lado, os que desejam mais filosofia do que o espiritismo habitualmente fornece, irão voltar-se naturalmente para a Teosofia. Ambos os movimentos atraem mentes liberais e abertas, mas diferentes espécies de tais mentes. Contudo, a harmonia e a concórdia entre os dois movimentos parecem desejáveis em vista dos grandes fins que estão em jogo.

Devemos dizer, para crédito do espiritismo, que ele alcançou o propósito, convertendo muitas pessoas, que tinham crença que em nada se fixava, para uma crença, uma fé firme em algum tipo de vida futura. Isso, como dissemos no último capítulo, é indubitavelmente um magnífico resultado, embora haja os que acreditam que foi obtido a um grande custo.

Não há dúvida de que há perigo no espiritismo para as naturezas emocionais, nervosas e facilmente influenciáveis, e é sensato não levar as investigações longe demais, por motivos que a esta altura já devem ser óbvias para o estudante. Não há porém maneira mais pronta para romper a descrença em tudo quanto não pertença ao plano físico do que tentar uns poucos experimentos, e talvez valha a pena correr alguns riscos, ao efetuá-los.

Leadbeater honestamente afirma que, a despeito da fraude e decepção que indubitavelmente têm ocorrido em alguns casos, há grandes verdades dentro do espiritismo, verdades que podem ser descobertas por quem quer que deseje devotar o tempo requerido e também a paciência necessária às suas investigações. Há naturalmente uma literatura crescente sobre o assunto.

Além disso, bom trabalho, similar ao que é feito pelos Auxiliares Invisíveis (ver capítulo XXVIII), foi feito às vezes através de um  médium ou de alguém presente às sessões. Assim, embora o espiritismo tenha, com demasiada freqüência, detido almas que, a não ser por isso, teriam conseguido mais rápida liberação, também tem fornecido os meios de evasão para outras, abrindo assim o caminho do progresso para elas. Houve casos em que pessoas mortas puderam aparecer, sem a assistência de um médium, aos seus parentes e amigos e explicar-lhes o que desejavam. Mas tais casos são raros, e na maioria as almas ligadas à terra podem aliviar suas ansiedades apenas através dos serviços de um médium, ou de um "Auxiliar Invisível" consciente.

É, pois, errado observar apenas o lado obscuro do espiritismo: não devemos esquecer que ele tem feito muito bem nessa espécie de trabalho, dando aos mortos uma oportunidade de arranjar seus assuntos depois de uma súbita e inesperada partida.

O estudante destas páginas não se deveria surpreender ao saber que entre os espíritas estão alguns que nada sabem, por exemplo, sobre reencarnação, embora haja escolas de espiritismo que ensinem isso. Já vimos que, quando um homem morre, quase sempre recorre à companhia daqueles que conheceu na terra; move-se entre eles exatamente da mesma maneira que as pessoas usam quando em vida física. Daí tal homem dificilmente saberá ou reconhecerá o fato da reencarnação após a morte mais do que antes dela. A maioria dos homens está fechada a todas as

idéias novas por uma porção de preconceitos: levam para o mundo astral esses preconceitos e não se mostram mais sensíveis à razão e ao senso comum do que o foram no mundo físico.

Naturalmente, o homem que tem a mente aberta pode aprender muitíssimo no plano astral: pode relacionar-se rapidamente com o conjunto dos ensinos teosóficos, e há homens mortos que fazem isso. Por isso é que acontece aparecerem alguns desses ensinamentos entre as comunicações espíritas.

Devemos também ter em mente que há um espiritismo mais alto, do qual o público nada sabe, e que jamais publica relatórios de seus resultados. Os melhores círculos são estritamente particulares, restringidos a um pequeno número de freqüentadores. Em tais círculos as mesmas pessoas se encontram sempre, e ninguém de fora é jamais admitido para evitar qualquer modificação no magnetismo. As condições estipuladas são assim singularmente perfeitas e os resultados obtidos mostram-se, muitas vezes, do mais surpreendente caráter. Com freqüência, os chamados mortos são uma parte tão comum da vida diária da família como os vivos. O lado oculto de tais sessões é magnificente: as formas-pensamentos que as rodeiam são boas e calculadas para elevar o nível mental e espiritual do distrito em que trabalham.

Nas sessões públicas, uma classe bastante inferior de pessoas mortas aparece, por causa da confusão e promiscuidade do magnetismo.

Uma das objeções mais sérias à prática geral do espiritismo é a de que, no homem comum, depois da morte, a consciência vai-se erguendo com firmeza da parte inferior da natureza para a parte mais alta: o ego, conforme repetidamente dissemos, está sempre retraindo-se dos mundos inferiores. Obviamente, portanto, não pode ser de auxílio para a sua evolução ter a sua parte inferior despertada da inconsciência natural e desejável para a qual está passando e arrastada de volta ao contato com a terra, a fim de se comunicar através de um médium.

Assim, é uma bondade cruel o trazer de novo para a esfera terrestre alguém cujo manas inferior ainda anseia pelas satisfações kâmicas, ou desejos, porque isso retarda sua evolução e interrompe o que devia ser um progresso bem ordenado. O período em kamaloka é assim alongado, o corpo astral é alimentado e seu domínio sobre o ego é mantido. Com isso a libertação da alma é retardada, "a Andorinha imortal sendo ainda mantida pelo visco da terra".

Especialmente em casos de suicídio ou mortes súbitas, é muitíssimo indesejável reacordar Trishna, ou o desejo da existência sensível.

O perigo peculiar a isso aparecerá quando se recordar que, desde que o ego se retrai para si mesmo, torna-se cada vez menos capaz de influenciar ou guiar a porção inferior da sua consciência, que, apesar disso, até que a separação se complete, tem o poder de gerar karma, e sob circunstâncias tais tende mais depressa a acrescentar mais mal do que bem ao seu registro.

Além disso, as pessoas que levaram uma vida má e estão cheias de anseios pela vida terrena que deixaram e pelos deleites animais que já não podem fruir diretamente, inclinam-se a se reunir em torno de médiuns ou de sensitivos, utilizando-os para sua própria satisfação. Esses estão entre

as forças mais perigosas que tão temerariamente enfrentam os irreflexivos e os curiosos.

Uma entidade astral desesperada pode apoderar-se de um sensitivo e obcecá-lo, ou pode mesmo segui-lo até sua casa e apoderar-se de sua esposa ou filha. Houve muitos desses casos, e habitualmente é quase impossível alguém livrar-se de tão obsessora entidade.

Já vimos que o desgosto apaixonado e os desejos dos amigos da terra tendem a induzir as entidades falecidas a descerem novamente para a esfera da terra, causando assim agudo sofrimento aos mortos, bem como interferindo no curso normal da evolução.

Voltando-nos agora para os tipos de entidades que se podem comunicar através de um médium, podemos classificá-las como se segue:

Seres humanos mortos, no plano astral. Seres humanos mortos, no devacan.
Sombras.

Cascões.

Cascões vitalizados. Espíritos-da-natureza. O ego do médium.
Adeptos.

Nirmanakáyas.


Visto que a maioria já foi descrita no capítulo XIV, Entidades Astrais,
pouco mais é necessário dizer sobre eles.

É teoricamente possível para qualquer pessoa morta, no plano astral, comunicar-se através de um médium, embora seja muito mais fácil dos níveis inferiores, tornando-se mais difícil à proporção que a entidade se eleva para subplanos superiores. Daí, sendo idênticas outras coisas, é natural esperar que a maioria das comunicações recebidas nas sessões venham dos níveis inferiores e portanto de entidades relativamente pouco desenvolvidas.

O estudante recordará — pelo que já ficou dito — que os suicidas e outras vítimas de morte súbita, inclusive os criminosos executados, tendo sido cortados do fluxo integral da vida física, estão especialmente sujeitos a ser atraídos para um médium, na esperança de satisfazerem seu Trishna, ou sede de vida.

Conseqüentemente, o médium é a causa do desenvolvimento, nelas, de uma nova série de Skandkas — ver cap. XXIV — um novo corpo com tendências e paixões piores do que as que tinham perdido. Isso trará males

inenarráveis para o ego e o levará a renascer numa existência muito pior do que a anterior.

A comunicação com uma entidade que está no devacan, isto é, no mundo celestial, necessita de alguma explicação a mais. Quando um sensitivo, ou médium, é de natureza pura e elevada, seu ego liberto pode erguer-se até o plano devacânico e ali fazer contato com a entidade que está no devacan. Tem-se, com freqüência, a impressão de que a entidade no devacan veio ter com o médium, mas a verdade é exatamente o contrário: é o ego do médium que se eleva ao nível da entidade no devacan.

Devido às condições peculiares de consciência das entidades no devacan (das quais não podemos tratar neste livro), as mensagens assim obtidas não podem ser inteiramente aceitas como verdadeiras: no máximo o médium, ou sensitivo, pode saber, ver e sentir apenas o que aquela entidade no devacan sabe, vê e sente. Daí, se houver generalizações, há muita possibilidade de erro, desde que cada entidade no devacan vive em seu próprio departamento particular no mundo celestial.

Além dessa fonte de erros, embora os pensamentos, o conhecimento e os sentimentos da entidade devacânica formem a substância, é possível que a própria personalidade do médium e suas idéias preexistentes rejam a forma de comunicação.

Uma sombra pode freqüentemente aparecer e comunicar-se, nas sessões, tomando a aparência exata da entidade falecida, possuindo sua memória, idiossincrasias etc., sendo com freqüência tomada como a própria entidade, embora esta não esteja consciente de qualquer representação. Não passa, na realidade, de "um punhado das qualidades inferiores" da entidade.

Um cascão também se parece exatamente com a entidade falecida, embora não seja mais do que um cadáver astral da entidade, já não existindo ali cada partícula da mente. Chegando ao alcance da aura do médium, ela pode ser galvanizada por alguns momentos numa caricatura da entidade real.

Tais "fantasmas" são desprovidos de consciência, não têm bons impulsos, tendem para a desintegração e, conseqüentemente, só podem trabalhar para o mal, seja que os vejamos como prolongando sua vitalidade vampirizando nas sessões, ou poluindo o médium e os freqüentadores com conexões astrais de um tipo completamente indesejável.

Um cascão vitalizado pode também comunicar-se por intermédio de um médium. Conforme vimos, ele consiste num cadáver astral animado por um elemental artificial, e é sempre malevolente. Constitui, obviamente, uma fonte de grande perigo para as sessões espíritas.

Suicidas, sombras e cascões vitalizados, sendo vampiros menores, sugam a vitalidade dos seres humanos que podem influenciar. Daí tanto o médium como os freqüentadores se sentirem, com freqüência, fracos e exaustos após uma sessão física. Ensina-se a um estudante de ocultismo como se defender dos seus ataques, mas sem esse conhecimento é difícil, para quem se coloca em seu caminho, evitar de fazer maior ou menor contribuição em seu benefício.

É o uso de sombras e cascões, nas sessões, que faz com que se tornem mescladas de esterilidade intelectual tantas comunicações espíritas. Sua

intelectualidade aparente só apresentará reproduções; a marca da não- originalidade estará presente, não havendo sinais de pensamento novo e independente.

Espíritos-da-natureza. A parte que essas criaturas com tanta freqüência assumem nas sessões já foi descrita anteriormente.

Muitos dos fenômenos de sessões espíritas são claramente mais atribuíveis racionalmente a astuciosas fantasias de forças subumanas do que a atos de "espíritos" que, enquanto no corpo, certamente seriam incapazes de tais inanidades.

O ego do médium. Se o médium é puro, lutando ansiosamente pela luz, tal aspiração chega a pô-lo em contato com sua natureza superior e descer a luz da corrente superior, que ilumina a consciência inferior. Então a mente inferior fica, nessa ocasião, única com seu pai, a mente superior, e transmite tanto conhecimento da mente superior quanto a outra tiver capacidade de reter. Assim, algumas comunicações através de um médium podem vir do próprio ego superior desse médium.

A classe de entidade atraída para as sessões depende, como é natural, e muito, do tipo do médium. Médiuns de tipo inferior inevitavelmente atraem visitantes eminentemente indesejáveis, cuja vitalidade, que esmorece, é revigorada nas sessões espíritas. E isso não é tudo: se em tais sessões estiver presente um homem, ou uma mulher, cujo desenvolvimento também seja baixo, o fantasma será atraído para essa pessoa e pode apegar-se a ela, instalando assim correntes entre o corpo astral da pessoa viva e o corpo astral moribundo da pessoa morta, o que vem a ter resultados deploráveis.

Um Adepto, ou Mestre, com freqüência se comunica com os seus discípulos, sem usar os métodos comuns de comunicação. Se um médium foi discípulo de um Mestre, é possível que a mensagem proveniente dele venha a ser tomada como proveniente de um "espírito" comum.

Um Nirmanakaya é alguém que se aperfeiçoou, que pôs de parte seu corpo físico, mas reteve outros princípios inferiores, permanecendo em contato com a terra apenas para ajudar a evolução da humanidade. Essas grandes entidades podem — e algumas vezes o fazem — comunicar-se através de um médium, mas só se este último for de natureza pura e elevada. Isso, porém, só se dá raramente.

A não ser que um homem tenha ampla experiência de mediunidade, achará difícil acreditar quantas são as pessoas comuns, no plano astral, que ardem no desejo de se apresentarem como grandes mestres do mundo. Habitualmente, são honestos em suas intenções e pensam realmente que têm ensinamentos a dar para a salvação do mundo. Tendo compreendido a inutilidade dos objetos meramente mundanos sentem — e nisso estão bastante certos — que se pudessem influir na humanidade com suas próprias idéias, o mundo inteiro se tornaria imediatamente um lugar muito diferente.

Lisonjeando o médium com a idéia de que ele é o único medianeiro para algum ensinamento transcendente e exclusivo, e tendo recusado modestamente qualquer grandeza para si próprio, uma dessas entidades comunicadoras é tomada muitas vezes por um arcanjo, no mínimo, ou ainda por alguma manifestação mais direta da Deidade, entre os freqüentadores

das sessões. Infelizmente, contudo, essa entidade esquece, sempre, que quando estava viva, no mundo físico, outras pessoas faziam comunicações similares através de vários médiuns, e que então ela não dava a essas pessoas a menor atenção. Não compreende que outros também ainda engolfados nos assuntos do mundo não lhe dão maior atenção e não se deixarão impressionar pelas suas declarações.

Às vezes, tais entidades assumem alguns nomes notáveis, como o de George Washington, Júlio César ou o Arcanjo Miguel, pelo perdoável motivo de que seus ensinamentos terão mais oportunidade de ser aceitos do que se viessem de um simples João da Silva ou Tomás dos Santos.

Às vezes, também, uma dessas entidades, vendo a mente dos outros cheia de reverência pelos Mestres, tomará a personalidade desses mesmos Mestres, a fim de impor mais facilmente a aceitação das idéias que deseja difundir.

Há ainda as que tentam prejudicar o trabalho do Mestre tomando Sua forma e influenciando Seu discípulo. Embora tenham possibilidade de conseguir uma aparência física quase perfeita, é-lhes inteiramente impossível imitarem o corpo causal do Mestre e, conseqüentemente, quem possuir visão causal jamais será iludido por essas representações de personalidade.

Em alguns poucos casos, os membros da loja dos ocultistas que originou o movimento espírita (conforme ficou dito atrás) têm dado ensinamentos valiosos sobre assuntos de profundo interesse, através de um médium. Mas isso tem acontecido em sessões de família, estritamente particulares, jamais em realizações públicas, pelas quais se paga.

A Voz do Silêncio exorta, sabiamente: "Não busques teu Guru nessas regiões mayávicas". Nenhum ensinamento vindo de preceptor autoproclamado do plano astral deve ser cegamente aceito: todas as comunicações e conselhos que dali vêm devem ser recebidos exatamente como se recebem conselhos similares provenientes do mundo físico. Os ensinamentos devem ser tomados pelo que valem, depois de examinados pela consciência e pelo intelecto.

Um homem não é mais infalível porque lhe acontece estar morto do que o era quando fisicamente vivo. Ele pode passar muitos anos no plano astral e ainda assim não saber mais do que quando deixou o plano físico. De acordo com isso, não devemos dar mais importância às comunicações vindas do mundo astral, ou de qualquer plano mais elevado, do que daríamos a uma sugestão feita no plano físico.

Um "espírito" que se manifesta é, quase sempre, exatamente o que diz ser; muitas vezes, também quase sempre, não é nada daquilo que diz ser. Para o freqüentador comum não há meio de distinguir o verdadeiro do falso, já que os recursos do plano astral podem ser usados para iludir pessoas do plano físico, numa tal extensão que não pode ter confiança nem mesmo nas provas que parecem mais convincentes. Nem por um momento estamos negando que comunicações importantes têm sido feitas em sessões, por entidades autênticas, mas o que dizemos é ser praticamente impossível para um freqüentador comum ter bastante certeza de que não está sendo enganado em meia dúzia de maneiras diferentes.

Do que ficou dito acima veremos como são variadas as fontes através das quais as comunicações vindas do mundo astral podem ser recebidas. Conforme disse H. P. Blavatsky: "A variedade das causas dos fenômenos é

grande, e precisamos ser um Adepto e realmente olhar para elas, examinar o que transpira, a fim de estarmos em condições de explicar cada caso quanto ao que ele traz subjacente".

Completando o que foi citado, podemos dizer que o que a pessoa mediana pode fazer no plano astral, depois da morte, também pode fazer na vida física: comunicações podem ser obtidas mais facilmente através da escrita, em transe, ou utilizando os poderes desenvolvidos e treinados do corpo astral de pessoas, portadoras ou não de um corpo. Seria portanto mais prudente desenvolver dentro de si próprio os poderes da própria alma, em lugar de mergulhar com ignorância em experimentos perigosos. Dessa maneira o conhecimento pode ser seguramente acumulado e a evolução acelerada. O homem deve aprender que a morte não tem real poder sobre ele: a chave do cárcere do corpo está em suas próprias mãos e ele pode aprender a usá-la, se assim o quiser.

Pesando cuidadosamente todas as evidências disponíveis, tanto a favor como contra o espiritismo, pareceria que, se empregado com cuidado e discreção, ele pode ser justificável, simplesmente para romper o materialismo. Desde que tal propósito é obtido, seu uso parece demasiado carregado de perigos, tanto para os vivos como para os mortos, para que se torne aconselhável, como regra geral, embora em casos excepcionais possa ser praticado com segurança e benefício.


CAPÍTULO XXIII


Morte Astral


Chegamos agora ao fim da história da vida do corpo astral e pouco resta a dizer no que se refere à sua morte e dissolução final.

O contínuo desprendimento do ego, conforme vimos, causa, num espaço de tempo que varia dentro de limites muito amplos, a cessação gradual da função das partículas do corpo astral, tendo lugar este processo, na maioria dos casos, em camadas dispostas em ordem de densidade, das quais a mais densa é a exterior.

O corpo astral vai, assim, desgastando-se lentamente e se desintegra conforme a consciência vai gradualmente se desprendendo dele pelo semi- inconsciente esforço do ego. Assim, o homem se livra, passo a passo, de quanto o prende longe do mundo celestial.

Durante o estágio no plano astral, em kamaloka, a mente, tecida com as paixões, emoções e desejos, purificou-os e assimilou sua parte pura, absorvendo em si própria tudo quanto é apropriado para o ego superior, de forma que a porção remanescente de Kama se faz mero resíduo, do qual o ego, a Imortal Tríade de Atma-Buddhi-Manas (conforme é muitas vezes chamado) pode facilmente livrar-se. Lentamente, à Tríade, ou Ego, traz para si as memórias da última vida terrena, seus amores, esperanças, aspirações etc., e prepara-se para passar do kamaloka para o estado de beatitude do devacan, a "morada dos deuses", o "mundo celestial".

Na história do homem que chegou ao mundo celestial não podemos entrar agora, já que fica para além do escopo deste livro: esperamos, contudo, tratar dela num terceiro volume desta série.

No momento, contudo, pode ser dito brevemente que o período passado no devacan é o tempo para a assimilação das experiências da vida, a reaquisição do equilíbrio, antes que um novo período de encarnação seja empreendido. É, assim, o dia que antecede à noite da vida terrena, o período subjetivo em anteposição com o período objetivo da manifestação.

Quando um homem sai do kamaloka para entrar no devacan, não pode levar consigo as formas-pensamentos de tipo mau. Matéria astral não pode existir no devacânico nível e a matéria devacânica não pode responder às grosseiras vibrações das más paixões e desejos. Conseqüentemente, tudo quanto o homem pode levar consigo quando finalmente se desprende dos remanescentes de seu corpo astral, serão os germes latentes ou tendências que, ao encontrarem nutrição ou vazão, manifestam-se como maus desejos e paixões no mundo astral. Isso ele leva consigo, e eles permanecem latentes através de sua vida devacânica, no átomo astral permanente. Ao fim da vida kamalókica, a tela dourada, de vida desprende-se do corpo astral, deixando que ele se desintegre e envolva o átomo permanente, que então se retrai para o corpo causal.

A luta final com o elemental de desejo tem lugar ao fim da vida astral, porque o ego está então tentando atrair para si mesmo tudo quanto deixou ao encarnar, no início da vida que acaba de terminar. Quando consegue

fazer isso, encontra firme oposição do elemental de desejo, que ele próprio criou e alimentou.

No caso de todas as pessoas comuns, algum tanto da matéria mental tornou- se tão entretecida com a sua matéria astral que lhes é impossível ficar inteiramente livres. O resultado da luta é, portanto, ficar certa porção de matéria mental e mesmo de matéria causal (mental superior) retida no corpo astral depois que o ego se destacou dele completamente. Se, por outro lado, um homem durante sua vida dominou de todo seus desejos inferiores e conseguiu livrar por completo o mental inferior do desejo, não há luta praticamente e o ego está capacitado para reter não só tudo quanto, "investiu" naquela encarnação em particular, mas todos os "proveitos", isto é, as experiências, faculdades etc. que tenha adquirido. Há também casos extremos em que o ego perde tanto o "capital" investido como os "juros", sendo esses casos conhecidos como os das "almas-perdidas" ou elementares. (Ver capítulo XVI).

O tratamento completo do método através do qual o ego larga uma porção de si próprio na encarnação e então tenta retirar de novo essa porção, deve ser reservado para o terceiro e quarto volumes desta série, que tratam dos corpos mental e causal.

A saída do corpo astral e do plano astral é, assim, uma segunda morte, deixando o homem um cadáver astral que por seu turno se desintegra, sendo sua matéria restituída ao mundo astral, tal como a matéria do corpo físico ao mundo físico.

O cadáver astral e as suas várias possibilidades já foram tratados no capítulo XIX, Entidades Astrais, sob Sombras, Cascões e Cascões Vitalizados.


CAPÍTULO XXIV


Renascimento


Depois que as causas que levaram o ego ao devacan se esgotaram e as experiências reunidas foram totalmente assimiladas, ele começa a sentir novamente sede da vida sensível, material, que só pode ser usufruída no plano físico. A essa sede os hindus chamam Trishna.

Isso deve ser considerado em primeiro lugar como um desejo de expressão e em segundo lugar como um desejo de receber aquelas impressões externas que são as únicas a levá-lo a capacitar-se de que está vivo. Essa é a lei da evolução.

Trishna aparece para operar através de kama, que, para o indivíduo como para o Cosmos, é a causa primária da reencarnação.

Durante o repouso devacânico, o ego esteve livre de qualquer dor ou desgosto, mas o mal que tinha feito na vida anterior se conservou num estado, não de morte, mas de animação suspensa. As sementes das más tendências passadas começam a germinar assim que a nova personalidade se vai formando para a nova encarnação. O ego tem de carregar a carga do passado, chegando os germens ou sementes como colheita da vida passada, que os budistas chamam skandhas.

Kama, com seu exército de Skandhas, espera assim no limiar do devacan quando o ego torna a emergir a fim de assumir uma nova encarnação. Os skandhas consistem em qualidades materiais, sensações, idéias abstratas, tendências mentais, poderes mentais.

O processo é realizado através do ego, que volta a sua atenção primeiro para a unidade mental, que imediatamente assume a sua atividade, e depois para o átomo permanente astral, no qual coloca a sua vontade.

As tendências que, conforme vimos, estão em estado de animação suspensa, são exteriorizadas pelo ego quando retorna ao nascimento e reúnem em torno de si primeiro a matéria do plano mental e também essência elemental do segundo grande reino, que expressam exatamente o desenvolvimento mental que o homem ganhou ao fim da sua última vida celestial. Ele começa, assim, a esse respeito, exatamente onde parou.

A seguir, ele atrai para si matéria do mundo astral e essência elemental do terceiro reino, obtendo assim as matérias com as quais o novo corpo astral será construído, e causando o reaparecimento dos apetites, emoções e paixões que trouxe de suas vidas passadas.

A matéria astral é reunida pelo ego que desce para o renascimento, não conscientemente, como é natural, mas automaticamente.

Esse material é, ademais, uma reprodução exata da matéria no corpo astral do homem ao fim de sua vida astral. O homem, assim, reassume sua vida em cada mundo, tal como onde a deixou da última vez.

O estudante reconhecerá, no que ficou dito acima, uma parte dos trabalhos da lei kármica, na qual não precisamos entrar no presente volume. Cada encarnação é inevitável, automática e justamente vinculada às vidas precedentes, de forma que a série toda forma uma corrente contínua, ininterrupta.

A matéria astral assim reunida em torno do homem não é ainda formada como um corpo astral definido. Toma em primeiro lugar o feitio daquele ovóide que é a expressão mais aproximada que podemos compreender da verdadeira forma do corpo causal. Assim que o corpo físico do bebê está formado, a matéria física exerce violenta atração sobre a matéria astral que estava antes bastante igualmente distribuída sobre o ovóide e concentra assim o maior volume dela dentro da periferia do corpo físico.

À proporção que o corpo físico cresce, a matéria astral acompanha cada modificação e 99 por cento dela se concentra dentro da periferia do corpo físico, apenas um por cento enchendo o resto do ovóide e constituindo a aura, tal como vimos num capítulo anterior.

O processo da reunião de matéria em torno do núcleo astral às vezes tem lugar rapidamente e às vezes causa longos atrasos. Quando se completa, o ego fica envolvido na vestidura kármica que preparou para si próprio, pronto para receber dos Senhores do Karma o duplo etérico, no qual, como em um molde, o novo corpo físico será construído.

As qualidades do homem não entram em ação, de início. São simples germens de qualidades, que garantiram para si um possível campo de manifestação na matéria dos novos corpos. Se nesta vida se desenvolverem com as mesmas tendências da última, isso dependerá amplamente do encorajamento, ou ao contrário, do que lhes for dado pelo ambiente da criança durante seus primeiros anos. Quaisquer delas, boas ou más, podem ser facilmente estimuladas à atividade pelo encorajamento, ou, por outro lado, podem deperecer pela carência desse mesmo encorajamento. Se estimuladas, tornam-se desta vez um fator mais poderoso na vida do homem do que foram na existência anterior. Se sofrerem deperecimento, permanecem apenas como gérmen estéril, que acaba por atrofiar-se e morrer, e não faz seu aparecimento, absolutamente, nas encarnações que se sucederem.

Não se pode dizer que a criança já tenha um corpo mental definido ou um definido corpo astral, mas tem, em torno e dentro de si, o material de que ambos são feitos.

Assim, por exemplo, suponhamos que um homem tenha sido um ébrio em sua vida passada: em kamaloka ele queimaria o desejo da bebida e se libertaria definitivamente dela. Mas, embora o desejo em si mesmo esteja morto, ainda permanece a mesma fraqueza de caráter que tornou o fato desse homem ser subjugado por ele. Na próxima vida seu corpo astral conterá matéria capaz de dar expressão a esse mesmo desejo, mas ele não é de forma alguma forçado a usar tal matéria da mesma maneira como a usou antes. Nas mãos de pais cuidadosos e capazes, na verdade, sendo educado para ver tais desejos como maus, ele ganhará controle sobre eles, irá reprimi-los ao aparecerem, e assim a matéria astral permanecerá sem vivificação e se tornará atrofiada por falta de uso. Devemos recordar que a matéria do corpo astral está lenta mas constantemente se desgastando e sendo substituída, precisamente como a do corpo físico e, conforme a matéria atrofiada desaparece, será substituída por matéria de ordem mais refinada. Assim os vícios são finalmente dominados e tornados

virtualmente impossíveis para o futuro, com o estabelecimento da virtude oposta, a do autocontrole.

Durante os primeiros anos da vida de um homem, o ego pouco domínio tem sobre seus veículos, e ele portanto espera que seus pais o ajudem a obter um domínio maior, fornecendo-lhe as condições apropriadas para isso.

É impossível exagerar a plasticidade desses veículos ainda não formados. Muito do que se pode fazer com o corpo físico nos primeiros anos, como no caso de crianças treinadas para acrobatas, por exemplo, não é tanto como o que se pode fazer com os veículos mental e astral. Eles se excitam em resposta a todas as vibrações que os tocam 'e são ansiosamente receptivos a todas as influências, boas ou más, que emanara daqueles que os rodeiam. Ademais, embora na primeira juventude

183sejam tão suscetíveis e tão facilmente moldados, depressa se afirmam e endurecem, adquirindo hábitos que, uma vez firmemente estabelecidos, só com grande dificuldade podem ser alterados. Assim, numa extensão bem maior do que é compreendido mesmo pelos mais afetuosos pais, o futuro da criança está sob seu controle.

Só o clarividente sabe como o caráter de uma criança progrediria, enorme e rapidamente, se ao menos o caráter dos adultos fosse melhor.

Um exemplo muito impressionante é registrado no caso em que a brutalidade de um professor lesou irreparavelmente os corpos de uma criança, tornando impossível para ela, nesta vida, fazer todo o progresso que para ela se esperava.

Tão vitalmente importante é o primeiro ambiente de uma criança, que a vida em que o Adeptado é conseguido deve ter ambiente absolutamente perfeito na infância.

No caso de mônadas de classe inferior com corpos astrais excepcionalmente fortes e que reencarnam após curto intervalo, acontece às vezes que a sombra ou cascão que deixaram da última vida astral ainda persistem e, neste caso, inclinam-se a ser atraídos para a nova personalidade. Quando tal coisa se dá, traz consigo fortemente os velhos hábitos e as velhas maneiras de pensar e às vezes mesmo a lembrança da vida passada.

No caso do homem que levou vida tão má a ponto de seus corpos mental e astral se destacarem do ego depois da morte, o ego, não tendo corpos nos quais viver nos mundos astral e mental, deve formar novos corpos rapidamente. Quando os novos corpos astral e mental são formados, a afinidade entre eles e os antigos, que ainda não se desintegraram, afirma-se, e os velhos corpos astral e mental tornam-se a forma mais terrível do que é conhecido como "morador do umbral".

No caso extremo de um homem que volta para o renascimento, e que, pelos apetites viciosos, ou ao contrário, formou vínculo forte com qualquer tipo de animal, ele pode ser vinculado, por afinidade magnética, ao corpo astral do animal cujas qualidades ele encorajou, e tornar-se um prisioneiro do corpo físico desse animal. Assim encadeado, não pode seguir em direção ao renascimento: está consciente no plano astral, tem suas faculdades humanas, mas não pode controlar o corpo do bruto com o qual se relacionou, nem se expressar através daquele corpo no plano físico. O organismo animal é, assim, um carcereiro, mais do que um

veículo. A alma animal não é ejetada, mas permanece como proprietária adequada e controladora de seu próprio corpo.

Tal aprisionamento não é reencarnação, embora seja fácil ver que casos dessa natureza explicam, pelo menos parcialmente, a crença freqüentemente encontrada nos países orientais de que o homem pode, sob certas circunstâncias, reencarnar num corpo de animal.

Nos casos em que o ego não se degradou o bastante para o aprisionamento absoluto, mas nos quais o corpo astral está fortemente animalizado, é possível passar, normalmente, para a reencarnação humana, mas as características animais serão amplamente reproduzidas no corpo físico — como testemunham as pessoas que têm às vezes o rosto de um porco, de um cão etc. O sofrimento que isso traz para a entidade humana consciente, assim temporariamente afastada do progresso e da auto-expressão, é muito grande, embora naturalmente reformatório em sua ação. É sofrimento de certa forma similar ao suportado por outros egos, que estão ligados a corpos humanos com cérebros doentes, isto é, idiotas, lunáticos etc., embora a idiotia e a loucura sejam os resultados de outros vícios.


CAPÍTULO XXV


O Domínio da Emoção


Este livro terá sido compilado em vão se o estudante não tiver ficado impressionado pela necessidade de, primeiro, controlar o corpo astral; em segundo lugar, de treiná-lo gradualmente para ser o veículo da consciência, completamente submetido à do homem real, o ego; e, em terceiro lugar, no devido tempo, de continuamente desenvolver e aperfeiçoar os vários poderes desse corpo.

A pessoa mundana média pouco sabe e pouco se importa com o que se refere a tais assuntos: mas para o estudante de ocultismo é claramente de importância fundamental que ele atinja o domínio integral de todos os seus veículos — o físico, o astral e o mental. E, embora para propósitos de análise e estudo seja necessário separar esses três corpos e estudá- los individualmente, na vida prática, ainda assim veremos que em grande parte o treinamento de todos eles pode ser levado a efeito, simultaneamente, de modo que qualquer poder desenvolvido num deles ajude de certa forma o treinamento dos outros dois.

Já vimos o quanto é desejável a purificação do corpo físico, por meio do alimento, da bebida, da higiene etc., a fim de se tornar ligeiramente menos difícil o controle do corpo astral. O mesmo princípio se aplica, ainda com maior força, ao corpo mental, porque é, em última análise, apenas pelo uso da mente e da vontade que os desejos, emoções e paixões do corpo astral podem ser levados à perfeita submissão.

Para muitos temperamentos, pelo menos, um cuidadoso estudo da psicologia da emoção é de auxílio muito grande, pois é claramente muito mais fácil trazer sob controle uma força cuja gênese e natureza são integralmente compreendidas.

Com esse propósito, o presente escritor recomenda, muito veementemente, um estudo completo dos princípios que se expõem naquele tratado magistral que é The Science of the Emotions, de Bhagavan Das.

(Uma súmula admirável desse trabalho foi escrita por K. Browning M. A., sob o título An Epitome of the Science o f the Emotions.) A tese principal pode ser resumida como se segue:

GÊNESE DAS EMOÇÕES


Toda existência manifestada pode ser analisada no eu, no não-eu e no relacionamento entre os dois.

Esse relacionamento pode ser dividido em:

cognição (Gnyânam);

desejo (Ichchâ); e

ação (Kriyâ). Saber, desejar e esforçar-se ou agir compreendem, todos os três, o todo da vida consciente.

De duas qualidades são os sentimentos e as emoções: agradáveis ou dolorosos. O prazer, fundamentalmente uma sensação de plenitude, produz atração, amor (râga); a dor, fundamentalmente um senso de diminuição, produz repulsa, ódio (dvesha).

Da atração procedem todas as emoções de amor; da repulsa procedem todas as emoções do ódio. Todas as emoções surgem do amor ou do ódio, ou de ambos, em vários níveis de intensidade.

A precisa natureza de uma emoção particular é também determinada pelo relacionamento entre quem sente a emoção e o objeto que é o motivo da emoção. O que sente a emoção pode ser, no que concerne às circunstâncias vinculadas com a emoção particular, maior que, igual a, ou menor que o objeto.

Seguindo essa análise, chegamos aos seis possíveis tipos de elementos- emoções dados na coluna três da tabela que se segue. A coluna quatro dá subdivisões dos elementos primários em vários graus de intensidade, os mais fortes estando à frente e os mais fracos ao pé de cada grupo.

Todas as emoções humanas consistem de um desses seis elementos-emoções, ou mais freqüentemente, de dois ou mais deles combinados. O estudante deve agora ser remetido ao tratado acima mencionado para uma elaboração pormenorizada dos princípios fundamentais da gênese das emoções. Seu trabalho terá ampla recompensa.

Outra linha valiosa de estudo, para o estudante que pretende o autoconhecimento a fim de chegar ao autodomínio, é o da consciência coletiva, ou da multidão. O melhor livro, entre os melhores que o presente autor conhece, sobre esse interessante assunto, é The Crowd in Peace and War ("A Multidão na Paz e na Guerra"), de Sir Martin Conway.

Com maravilhosa lucidez e riqueza ilustrativa, Sir Martin demonstra os seguintes fatos fundamentais:

(l) Em sua grande maioria, os homens são educados em meio de, e suas vidas pertencem, a certas "multidões" psicológicas, isto é, a grupos de pessoas que pensam e, sobretudo, sentem de maneira similar. Tais multidões estão no lar, nos amigos e associados, nas escolas e universi- dades, nas profissões, nas seitas religiosas, nos partidos políticos, na escola de pensamento, nas nações, nas raças e assim por diante. Até os que lêem os mesmos jornais formam uma "multidão" psicológica.

Essas multidões são formadas, nutridas e dominadas principalmente pelos sentimentos e emoções — não pelo pensamento. A multidão tem todas as emoções, mas não tem intelecto: pode sentir mas não pode pensar. Raramente, ou nunca, as opiniões da multidão alcançam a razão. São apenas paixões contagiosas que percorrem todo o corpo como corrente elétrica,

originando-se tal corrente, freqüentemente, em um único cérebro. Uma vez envolvido pela multidão, o indivíduo rapidamente perde seu poder de pensar e sentir individualmente e torna-se um com a multidão, participando de sua vida, de suas opiniões, de suas atitudes, de seus preconceitos e coisas assim.

Poucos são os que já tiveram a coragem ou a força de romper as ligações com as várias multidões a que pertencem: a vasta maioria permanece durante toda a sua vida sob o domínio dos grupos que a absorveram.

Nosso autor começa então a enumerar e descrever as várias virtudes da multidão e a mostrar que elas diferem das virtudes do indivíduo, sendo no todo de nível bem inferior e mais primitivo.

Cada multidão, sendo incapaz de conduzir a si própria, precisa e encontra um líder. De tais líderes, há três tipos:

O dominador da multidão. É o que domina e lidera a multidão, impondo- lhe suas próprias idéias através da força de sua própria personalidade. Exemplos disso são Napoleão, Disraeli, César, Carlos Magno.

O intérprete da multidão. Este tipo, totalmente diferente do dominador da multidão, é o que sente, através de sensibilidade natural, o que a multidão sente ou vai sentir, o que expressa em linguagem quase sempre clara e gráfica, as emoções da multidão, linguagem que, por si mesma, é inarticulada. Tais homens raramente pensam em um problema e imediatamente se põem a pregar seu evangelho. Preferem esperar que as emoções da multidão tomem forma: mergulham, então, no bojo da luta, e dizem, com eloquência, poder e entusiasmo, aquilo que o povo que o rodeia está vaga e veladamente sentindo. Exemplos desse tipo são muito comuns, especialmente no terreno da política.

O representante do povo. Líderes da multidão deste tipo são antes pitorescas figuras-de-proa do que forças individuais. Exemplos típicos são os reis constitucionais, um cônsul, um embaixador, um juiz (pelo menos na Inglaterra). Esses homens são meramente o povo, a "opinião pública" personificada: falam com a voz do povo, atuam por ele e postam- se, por ele, aos olhos do mundo. Devem suprimir ou ocultar suas opiniões individuais e dar a impressão de sentirem como o público sente, e agirem de conformidade com os desejos e sentimentos do público.


O que ficou acima é um simples esboço dos princípios de liderança enunciados no livro mencionado, obra extremamente feliz, e insistimos com o estudante para que faça, por si mesmo, um cuidadoso estudo daquele trabalho. Ele o ajudará, não só a apreciar com maior justiça as forças através das quais "o público" é movimentado, mas também a valorizar pelo seu verdadeiro valor suas próprias crenças, opiniões e atitudes em relação a muitas questões do momento.

É evidentemente da maior importância que, em todos os seus sentimentos e pensamentos, o estudante de ocultismo atue deliberada e conscientemente. A expressão grega Gnothi seauton — Conhece a ti mesmo — é um conselho excelente, porque o autoconhecimento é absolutamente necessário a qualquer candidato, se tem de progredir. O estudante não deve consentir

em ser arrastado, submergindo na emoção coletiva — ou formas-de- pensamento que produzem um tipo de atmosfera através da qual tudo é visto e pela qual tudo adquire coloração, e que tão claramente domina e movimenta as muitas multidões entre as quais se movem. Não é coisa fácil manter-se contra a inclinação popular, devido ao choque incessante que sofremos por parte das formas--pensamentos e das correntes de pensamento que enchem a atmosfera; ainda assim, o estudante de ocultismo deve aprender a fazer isso.

Ele deve, ademais, ter a capacidade de reconhecer os vários tipos de líderes da multidão, e a de recusar-se a se deixar dominar, persuadir ou lisonjear a fim de aceitar idéias ou seguir linhas de ação, a não ser que faça isso bastante deliberadamente, e com suas próprias faculdades alerta.

As influências das multidões psicológicas e dos líderes das multidões no mundo de hoje, bem como provavelmente em todos os tempos, é realmente muito grande; as forças que manejam são sutis e de longo alcance, de forma que o estudante que pretende o autodomínio e que deseja conduzir sua própria vida emocional e intelectual deve estar continuamente em guarda contra essas insidiosas influências.

O presente escritor é de opinião que um estudo dos livros The Science of the Emotions e The Crowd in Peace and War forma um preliminar inestimável para a tarefa de treinar e desenvolver o corpo astral até que ele se torne um servo útil e obediente frente à vontade soberana do ego.

Insistimos também em outra linha de estudo, a da mente subconsciente, hoje muitas vezes chamada "inconsciente". Com esse propósito, como introdução ao assunto, se recomenda o livro The Law of Psychic Pkenomena ("A Lei dos Fenômenos Psíquicos"), de T. T Hudson.

Estudando aquele livro, o estudante deve ter em mente que ele foi escrito em 1892. À luz do conhecimento presente não será necessário subscrever o todo das análises, classificações ou terminologia de Hudson. Ademais, na opinião do presente escritor, Hudson sobrecarrega demasiadamente as suas premissas e estende suas teorias bem para além do ponto de resistência. Contudo, o livro é de grande valor, primeiro por encorajar um saudável ceticismo quanto a aceitar muito facilmente explicações plausíveis e fluentes sobre muitos fenômenos psíquicos e, em segundo lugar, por trazer ao ponto, com grande força, as tremendas potencialidades latentes na parte subconsciente da natureza do homem e que podem ser utilizadas pelo estudante prudente e discreto com efeito considerável no controle de sua própria natureza astral, purificando e fortalecendo, em geral, seu próprio caráter. Há naturalmente uma quantidade de livros mais modernos que também o auxiliarão nesse sentido.


Resumindo, Hudson declara:

(l) Que a mentalidade do homem é claramente divisível em duas partes, cada uma delas com seus próprios poderes e funções. Chama-se mente objetiva e mente subjetiva.

A mente objetiva é aquela que toma conhecimento do mundo objetivo, usando como meio de observação os sentidos físicos e tendo sua função mais alta na razão.

Que a mente subjetiva toma conhecimento do ambiente por meios que são independentes dos sentidos físicos. Ela é a sede das emoções e o depósito da memória. Realiza suas mais altas funções quando os sentidos objetivos estão em temporária inatividade, isto é, num estado de sonambulismo ou hipnotismo. Muitas das outras faculdades atribuídas à mente subjetiva por Hudson são claramente as do corpo astral, isto é, a capacidade de viajar para longas distâncias, de ler os pensamentos etc.

Ademais, ao passo que a mente objetiva não é controlável pela "sugestão" contra a razão, a mente subjetiva é constantemente acessível ao poder da sugestão, seja a que vem de outras pessoas ou a que vem da mente objetiva de seu próprio dono.

Com o auxílio do moderno conhecimento relativo aos nossos corpos mental e astral e à natureza e uso das formas-pensamentos-e-emoções, o estudante encontrará aqui muitas confirmações independentes e interessantes daquilo que aprendeu das autoridades teosóficas e, como já foi dito, estará melhor capacitado para compreender os virtualmente ilimitados poderes latentes em sua própria estrutura psicológica, que ele pode usar ao longo das linhas estabelecidas pelos ocultistas de renome: tais como as da meditação, por exemplo. Compreenderá também, talvez bem mais vividamente do que antes, a forma pela qual kama, ou desejo, e manas, ou mente, estão entretecidos, e como podem ser desembaraçados para o grande benefício de serem ambos fortalecidos.

Devemos recordar que é pelo pensamento que o desejo pode ser transformado e, finalmente, dominado. Conforme a mente aprende a afirmar seu controle, o desejo se transforma em vontade; a influência não vem então de objetos externos que atraem ou repelem, mas do espírito do homem, do ego, do governante interno.
Retornaremos agora às nossas mais específicas autoridades "teosóficas" e continuaremos a considerar certos outros fatores que entram no desenvolvimento e treinamento do corpo astral.

É óbvio que o estudante deveria visar o domínio e eliminação de certos defeitos menores, tais como fraqueza emocional e vícios. Nessa tarefa é importante recordar que um vício, tal como a irritabilidade, por exemplo, que se tornou hábito através de repetido consentimento, está armazenado, não no ego como qualidade inerente, mas no átomo astral permanente. Seja qual for a força que ali se acumulou, é uma certeza científica a que diz que a perseverança, no devido tempo, terá a vitória. Do lado do ego há a força de sua própria vontade e através dela a força infinita do Próprio Logos, porque o progresso através da evolução é a Sua vontade. A compreensão da idéia de unidade assim exposta dá ao homem motivo adequado para a tarefa, indubitavelmente dura e às vezes desagradável, da construção do caráter. Por muito grande que seja a luta, estando as forças do Infinito de seu lado, ele tenderá definitivamente a dominar as forças finitas do mal que armazenou em suas vidas passadas.

Um homem que procura matar o desejo, a fim de equilibrar perfeitamente seu karma e dessa forma obter a própria liberação, pode atingir esse objetivo. Não pode contudo escapar à lei da evolução e mais cedo ou mais tarde será arrastado de novo para a frente, para a corrente, pela sua

pressão irresistível, e forçado assim a renascer. Matar o desejo não é o caminho do verdadeiro ocultista.

Amores pessoais não devem ser mortos, mas devem ser expandidos até que se tornem universais: amores devem ser erguidos de nível, não rebaixados. A falta de compreensão neste ponto e as tremendas dificuldades da tarefa, quando compreendidas, levam, em alguns casos, à sufocação do amor e não ao seu crescimento. Será o transbordamento do amor, não o desamor, o que salvará o mundo. Um Mahatma é um oceano da Compaixão; não um iceberg. Tentar matar o amor é o método usado no caminho da esquerda.

Também foi dito que devemos exterminar a "forma lunar", isto é, o corpo astral. Isso não significa que todos os sentimentos e emoções devam ser destruídos, e sim, que o corpo astral deve estar inteiramente sob controle, e devemos estar capacitados para matar a forma lunar quando quisermos. À proporção que o homem se desenvolve, coloca a sua vontade em unidade com a vontade do Logos, e o Logos deseja evolução. É inútil dizer que tal unificação elimina, ipso facto, desejos tais como ambição, anseio de progresso e outras coisas assim.

A Voz do Silêncio nos alerta para o fato de haver, sob cada flor do mundo astral, por muito bela que seja, a serpente enrolada do desejo. No caso da afeição, por exemplo, tudo o que tenha natureza de apego deve ser inteiramente transcendido; mas a afeição pura, elevada, destituída de egoísmo, jamais pode ser transcendida, já que é uma característica do Próprio Logos, e qualificação necessária para o progresso ao longo do Caminho, que leva aos Mestres e à Iniciação.


CAPÍTULO XXVI


Desenvolvimento de Poderes Astrais


A posse de poderes psíquicos ou de força física não envolve necessariamente um elevado caráter moral, nem são os poderes psíquicos, em si mesmos, um sinal de grande desenvolvimento em qualquer outra direção, por exemplo, a do intelecto.

Embora, portanto, não seja verdade que um grande psíquico seja uma pessoa espiritual, é verdade, por outro lado, que uma pessoa grandemente espiritual é inevitavelmente um psíquico.

Poderes psíquicos podem ser desenvolvidos por qualquer um que deseje se dar a esse trabalho, e um homem pode aprender clarividência ou mesmerismo tal como pode aprender a tocar piano, se estiver disposto a passar pelo duro trabalho necessário.

Os sentidos astrais existem em todos os homens, mas são latentes na maioria; em geral têm de desenvolvê-los artificialmente os que intentem utilizá-los no presente estágio de evolução. Em alguns, poucos tornam-se ativos sem qualquer impulso artificial. Em muitíssimos podem ser artificialmente despertados e desenvolvidos. A condição da atividade dos sentidos astrais, em todos os casos, é a passividade dos sentidos físicos, e quanto mais completa a passividade física, maior a possibilidade de atividade astral.

A clarividência é, muitas vezes, possuída por pessoas simples. Isto é chamado às vezes psiquismo inferior, e não representa de forma alguma a mesma coisa que a faculdade possuída por homens mais adiantados e adequadamente treinados, nem se desenvolve da mesma maneira.

O aparecimento ocasional do psiquismo numa pessoa não-desenvolvida é um tipo de sensação maciça, estendendo-se vagamente a todo o veículo, em vez de uma percepção exata e definida que vem através de órgãos especializados. Isso foi especialmente característico na quarta Raça-Raiz (a Atlante). Não funciona através dos Chakras astrais, mas através dos centros astrais que estão em conexão com os sentidos físicos. Tais centros não são positivamente astrais, embora sejam um aglomerado de matéria astral no corpo astral. Têm a natureza de pontes de ligação entre os planos físico e astral, e não são sentidos astrais desenvolvidos na própria acepção da palavra. A "segunda vista" pertence a esse tipo de sensitividade; e com freqüência é simbólica, porquanto o perceptor transmite seu conhecimento dessa curiosa forma simbólica. Estimular centros que são pontes, em lugar de desenvolver os Chakras, que são os órgãos astrais, é um engano completo; Esse psiquismo inferior está também associado com o sistema nervoso simpático, enquanto o psiquismo superior está associado com o sistema cérebro-espinal. Reviver o controle do sistema simpático é um passo para trás, não para a frente.

Com o correr do tempo o psiquismo inferior desaparece, para retornar num estágio posterior, quando pode ser controlado pela vontade.

Pessoas histéricas e muito nervosas podem tornar-se clarividentes, ocasionalmente, sendo o fato sintoma de sua doença e devido ao enfraquecimento do veículo físico a um tal grau que já não oferece obstáculo a uma certa medida de visão astral ou etérica. O delirium- tremens é um exemplo extremo dessa classe de psiquismo, podendo as vítimas da doença ver temporariamente certos elementais e entidades etéricas odiosos.

Para os que ainda não desenvolveram visão astral, é aconselhável apreciar intelectualmente a realidade do mundo astral e compreender que seus fenômenos estão abertos à observação competente, tal como estão os do mundo físico.

Existem métodos definidos de Ioga através dos quais os sentidos astrais podem ser desenvolvidos de forma racional e saudável. Mas isso não só é inútil como também pode ser perigoso tentar tal coisa antes que o estágio de purificação tenha passado. Tanto o corpo físico como o corpo astral devem primeiro ser purificados, rompendo os laços dos maus hábitos de alimentação, de bebida, e abandonando emoções de cólera de todos os tipos etc.

Generalizando, não é aconselhável forçar o desenvolvimento do corpo astral por meios artificiais, porque até que a força espiritual seja obtida, a intrusão de visões astrais, bem como a de sons e outros fenômenos, podem perturbar e mesmo se fazerem alarmantes.

Mais cedo ou mais tarde, de acordo com o karma do passado, alguém que siga o caminho "antigo e real" verá que o conhecimento dos fenômenos astrais virá ter com ele, gradualmente: sua visão mais aguda despertará, e novos aspectos de um universo mais amplo se desdobrarão ante ele, de todos os lados. É uma ilustração para a frase: "Procura primeiro o Reino do Céu, e todas as outras coisas te serão acrescentadas".

A obtenção dos poderes astrais como um fim em si mesma leva inevitavelmente ao que se chama no Oriente o método de desenvolvimento laukita: os poderes obtidos são apenas para a personalidade presente, e, não havendo salvaguardas, é bastante possível que o estudante faça deles uso errado. À essa classe pertencem as práticas de Hatha Ioga, Pranayama ou controle da respiração, invocação de elementais e todos os sistemas que envolvem o entorpecimento dos sentidos físicos, de certa maneira, ativamente, pelas drogas (por exemplo, bangue, haxixe etc.), pela auto- hipnose, ou, como entre os dervixes, girando numa dança louca de fervor religioso até que a vertigem e a insensibilidade venham. Ou passivamente, deixando-se mesmerizar — de forma que os sentidos astrais possam vir à superfície. Outros métodos são a contemplação do cristal (que leva apenas ao mais baixo tipo de clarividência), a repetição de invocações, ou o uso de cerimônias ou amuletos.

O homem que se põe em transe pela repetição de palavras ou amuletos pode retornar, na próxima existência, provavelmente como um médium, ou ser, de qualquer forma, mediúnico. A mediunidade não deve ser vista de forma alguma como posse de poderes psíquicos, porque um médium, longe de exercer o poder, abdica, pelo contrário, de seu próprio corpo, em favor de outra entidade. A mediunidade não é um poder, e sim uma condição.

Há muitas histórias de misteriosos ungüentos ou drogas que, quando aplicados nos olhos, capacitam o homem a ver fadas etc. Ungir os olhos

pode estimular a visão etérica, mas é coisa que não pode, de modo algum, abrir a visão astral, embora certos ungüentos esfregados em todo o corpo ajudem, grandemente, a saída do corpo astral do corpo físico, em completa consciência — um fato cujo conhecimento parece ter sobrevivido dos tempos medievais, como pode ser visto na evidência dada em alguns julgamentos por feitiçaria.

O método lokottara consiste de práticas de Raja Ioga, ou progresso espiritual, e é inquestionavelmente o melhor método. Embora mais lento os poderes conferidos pertencem à individualidade permanente e jamais se perdem, pois a orientação do Mestre garante perfeita segurança desde que suas ordens sejam escrupulosamente obedecidas.

Outra grande vantagem de ,ser treinado por um Mestre está no fato de que, sejam quais forem as faculdades que o discípulo possa obter, elas estão definitivamente sob seu comando e podem ser usadas integral e constantemente, quando necessário, enquanto que no caso de um homem não- treinado tais poderes se manifestam com freqüência apenas parcial e espasmodicamente. Aparecem, chegam e partem, por assim dizer, por sua própria e livre vontade.

O método temporário é como aprender a cavalgar insensibilizando o cavalo; o método permanente é como aprender a cavalgar corretamente, de forma que qualquer cavalo possa ser montado. O método permanente significa evolução real; o outro não envolve necessariamente nada disso, já que os poderes obtidos morrem com o corpo.

A visão mais ampla do plano astral não é uma bênção pura, pois que revela o sofrimento e a angústia, o mal e a avidez do mundo. As palavras de Schiller saltam à mente: "Por que me atiraste assim à cidade dos cegos eternos, para proclamar teu oráculo com os sentidos abertos? Toma de volta essa triste clarividência, tira de meus olhos essa luz cruel! Devolve-me a minha cegueira — a feliz escuridão de meus sentidos. Leva de volta teu horrível dom!"

O poder clarividente, se usado com propriedade e sensibilidade, pode ser uma bênção e um auxílio. Mal usado, pode ser uma perturbação e uma maldição. Os perigos principais que se envolvem nele vêm do orgulho, da ignorância e da impureza. É loucura para um clarividente, obviamente, imaginar que é o único assim dotado e a pessoa especialmente selecionada sob orientação angélica para fundar uma nova dispensação, e assim por diante. Além disso, há sempre muitíssimas entidades astrais travessas e maliciosas, prontas e ansiosas para animar tais ilusões e realizar qualquer papel que lhes seja atribuído.

É útil para um clarividente saber algo da história do assunto e compreender algo das condições dos planos superiores, e, se possível, ter algum conhecimento de caráter científico.

Ademais, um homem de vida impura ou motivos impuros inevitavelmente atrai para si os piores elementos do mundo invisível. Um homem puro em pensamento e vida, por outro lado, está, por esse fato, defendido da influência de entidades indesejáveis dos outros planos.

Em muitos casos um homem pode ter ocasionalmente relances de consciência astral sem que isso leve ao despertar da visão etérica. Essa irregularidade no desenvolvimento é uma das causas principais da extrema

possibilidade de erros em assuntos de clarividência, pelo menos nos estágios iniciais.

No curso normal das coisas as pessoas acordam para as realidades do plano astral muito lentamente, tal como um bebê se desperta para as realidades do plano físico. Os que, deliberadamente, e, por assim dizer, prematuramente, entram no Caminho, estão desenvolvendo esse conhecimento anormalmente, e em consequência estão sujeitos a errar de início.

Perigo e dano poderiam surgir facilmente se todos os discípulos sob um treinamento adequado não estivessem assistidos e guiados por instrutores competentes que já estão habituados ao plano astral. Essa é a razão pela qual toda a sorte de horríveis visões etc. são mostradas ao neófito, como testes, de forma que ele possa entendê-las e habituar-se a elas. A não ser que isso seja feito, o discípulo poderia receber um choque que não só o impediria de fazer trabalho útil como seria positivamente perigoso para seu corpo físico.

A primeira introdução ao mundo astral pode surgir de várias maneiras. Algumas pessoas apenas uma vez em toda a sua vida tornam--se sensitivas o bastante para experimentar a presença de uma entidade astral ou de algum fenômeno astral. Outras se encontram com freqüência cada vez maior vendo e ouvindo coisas para as quais os outros são cegos e surdos; ainda outros começam a recordar suas experiências durante o sono.

Quando uma pessoa está começando a se tornar sensível às influências astrais, poderá ocasionalmente encontrar-se dominada por um inexplicável terror. Isso vem, parcialmente, da hostilidade natural do mundo elemental contra o humano, por causa dos muitos trabalhos destrutivos do homem no plano físico, coisas que reagem no astral, e, em parte, nos muitos e inamistosos elementais artificiais, nutridos pela mente humana.

Algumas pessoas começam por tornar-se intermitentemente conscientes das cores brilhantes da aura humana; outras podem ver rostos, paisagens ou nuvens coloridas flutuando diante de seus olhos, no escuro, antes de mergulharem no sono. Talvez a experiência mais comum seja começar a recordar, com clareza crescente, as experiências de outros planos adquiridas durante o sono.

Às vezes uma pessoa, uma única vez em sua vida, perceberá, por exemplo, a aparição de um amigo por ocasião da morte deste. Isso pode ser devido a duas causas, em cada uma das quais o desejo intenso do moribundo vem a ser a força compulsora. Essa força pode ter capacitado o agonizante a materializar-se por um momento, caso em que naturalmente não há necessidade de um clarividente. Mais provavelmente tal força pode ter agido mesmericamente sobre quem vê e momentaneamente, amortecendo-lhe o físico e estimulando sua sensitividade superior.

Um homem que desenvolveu visão astral já não está limitado, como é natural, à matéria física: vê através dos corpos físicos, sendo as substâncias fisicamente opacas, para ele, transparentes como vidro. Num concerto, vê gloriosas sinfonias de cores; numa conferência, vê os pensamentos do conferencista em cor e forma, e está portanto na posição de compreendê-lo mais completamente do que os que não possuem visão astral.

Um pequeno exame revelará que muitas pessoas ganham de um conferencista mais do que as simples palavras indicam, e muitas encontrarão na sua memória mais do que o conferencista expôs. Tais experiências indicam que o corpo astral se está desenvolvendo e tornando-se mais sensitivo, respondendo às formas-pensamentos criadas pelo conferencista.

Alguns lugares fornecem maiores facilidades do que outros para os trabalhos ocultos: assim, a Califórnia tem um clima muito seco, com muita eletricidade no ar, que é favorável ao desenvolvimento da clarividência.

Alguns psíquicos precisam de uma temperatura elevada para fazer melhor o seu trabalho, enquanto outros não funcionam bem a não ser em temperatura mais baixa.

Sendo um clarividente treinado capaz de ver o corpo astral de um homem, segue-se que, no plano astral, ninguém pode esconder-se ou disfarçar-se. O que o homem realmente é aparece diante de um observador sem preconceitos. É necessário dizer sem preconceitos, porque um homem vê outro por intermédio de seus próprios veículos, o que é, de certa forma, como ver uma paisagem através de vidros coloridos. Enquanto ele não aprender a descontar essa influência, um homem tende a considerar como mais importante em outro homem as características a que ele próprio responde facilmente. É necessário ter prática de liberar-se da distorção produzida por seus próprios pontos de vista, de forma a poder observar clara e exatamente.

A maioria dos psíquicos que ocasionalmente obtêm relances do mundo astral, bem como a maioria das entidades que se comunicam nas sessões espíritas, deixam de relatar muitas das complexidades do plano astral que são descritas neste livro. O motivo está no fato de poucas pessoas verem as coisas como realmente são, no plano astral, enquanto não têm experiência bastante longa. Mesmo os que vêem integralmente ficam às vezes demasiado confusos e estonteados para compreender ou recordar, e poucos conseguem traduzir suas lembranças para a linguagem do plano físico.

Também, como temos visto, os habitantes travessos do mundo astral gostam de pregar peças, e contra eles a pessoa não-treinada quase sempre fica sem defesa.

No caso de uma entidade astral que constantemente trabalha através de um médium, seus sentidos astrais mais finos podem até tornar-se tão grosseiros a ponto de ficarem insensitivos aos graus superiores da matéria astral.

Só o visitante treinado que vem do plano físico e que possui integral consciência de ambos os planos, pode estar certo de ver clara e simultaneamente tanto o plano físico como o astral.

Clarividência verdadeira, treinada e absolutamente digna de confiança demanda faculdades que pertencem a um plano superior ao astral. A faculdade de previsão exata também pertence a plano superior. Contudo, relances ou reflexos dela mostram-se freqüentemente à pura visão astral, mas especialmente entre as pessoas de mentalidade simples, que vivem em condições adequadas — o que é chamado segunda-visão entre os habitantes dos planaltos da Escócia, sendo este um exemplo bem conhecido.

Há pessoas cegas, tanto astralmente como fisicamente, de forma que muitos dos fenômenos astrais escapam à visão astral comum. De início, de fato, muitos enganos podem surgir quando se usa a visão astral, tal como uma criança comete enganos quando começa a usar seus sentidos físicos, embora depois de algum tempo se possa ver e ouvir tão exatamente no plano astral como no plano físico.

Outro método para desenvolver a clarividência — que é aconselhado por todas as religiões e que, se adotado cuidadosa e reverentemente não pode fazer mal ao ser humano — é o da meditação, por meio da qual um tipo muito puro de clarividência pode às vezes ser desenvolvido. Uma descrição resumida do processo envolvido na meditação é dada no livro O que há além da Morte, de C. W. Leadbeater, e também naturalmente em muitos outros livros.

Por meio da meditação, se pode desenvolver extrema sensitividade e, ao mesmo tempo, equilíbrio perfeito, sanidade e saúde.

O estudante compreenderá facilmente que a prática de determinada meditação constrói tipos superiores de matéria, nos corpos. Grandes emoções podem ser sentidas, vindas do nível búdico, isto é, do plano astral seguinte ao mental, e refletem-se no corpo astral. É necessário todavia desenvolver os corpos mental e causal a fim de manter o equilíbrio. Um homem não pode saltar da consciência astral para a búdica sem desenvolver os veículos intermediários. Com o sentimento apenas, jamais pode obter perfeito equilíbrio ou firmeza; grandes emoções que nos moveram para a direção certa podem bem facilmente tornar-se um tanto enviesadas e mover-nos para linhas menos desejáveis.

As emoções fornecem força de motivação, mas o poder dirigente vem da sabedoria e da firmeza.

Há uma íntima conexão entre os planos astral e búdico, sendo o corpo astral, de certa forma, um reflexo do corpo búdico.

Um exemplo desse íntimo relacionamento entre os planos astral e búdico é encontrado na Missa cristã. No momento da consagração da hóstia, uma força desce, a mais forte no plano búdico, embora também poderosa no mundo mental superior; além disso, sua atividade é marcada nos primeiro, segundo e terceiro subplanos astrais, embora isso possa ser um reflexo do mental ou um efeito de vibração simpática. O efeito pode ser sentido por pessoas mesmo bem distantes da igreja, passando uma grande onda de paz espiritual e de força por toda a região, embora muitos jamais relacionem tal coisa com a Missa que está sendo celebrada.

Além do que ficou dito acima, outro efeito é produzido como resultado da intensidade do sentimento consciente de devoção de cada indivíduo durante a celebração, e na proporção a isso correspondente. Um raio como que de fogo é despedido da Hóstia levantada e faz com que a parte superior do corpo astral cintile intensamente. Através do corpo astral, dada a sua íntima relação com ele, o veículo búdico também é fortemente afetado. Assim, tanto o veículo búdico como o veículo astral reagem um sobre o outro.

Efeito similar ocorre quando uma bênção é dada com o Santíssimo Sacramento.


CAPÍTULO XXVII


Clarividência no Tempo e no Espaço


Há quatro métodos pelos quais é possível observar acontecimentos que estão tendo lugar a distância.

l. Por meio de uma corrente astral. Este método é de certa forma análogo ao da magnetização de uma barra de aço, e consiste no que pode ser chamado polarização, por um esforço da vontade, de algumas linhas paralelas de átomos astrais, do observador para a cena que ele deseja observar. Todos os átomos são mantidos com seus eixos rigidamente paralelos uns aos outros, formando uma espécie de tubo temporário, ao longo do qual o clarividente pode olhar. A linha tende a desarranjar-se ou mesmo a ser destruída por uma corrente astral suficientemente longa que aconteça cruzar pelo seu caminho. Isto, contudo, raramente acontece.

A linha é formada pela transmissão da energia, de partícula a partícula, ou pelo uso de força que vem de um plano mais alto e que atua sobre toda a linha simultaneamente. Este último método implica em um desenvolvimento muito maior, envolvendo o conhecimento de forças de nível considerável e o poder de usá-las. Um homem que pudesse fazer tal linha, para seu próprio uso, não teria necessidade dela, porque poderia ver longe mais facilmente, e inteiramente através de faculdades superiores.

A corrente, ou tubo, pode ser formada bastante inconscientemente, sem nascer de uma determinada intenção, e é, com freqüência, o resultado de um pensamento ou de uma emoção muito forte, projetado de uma extremidade ou de outra — ou pelo vidente ou pela pessoa que é vista. Se duas pessoas estão unidas por forte afeição, é provável que um fluxo razoável de pensamento mútuo esteja constantemente fluindo entre elas, e alguma necessidade súbita ou um transe terrível da parte de uma delas pode carregar aquela corrente, temporariamente, com o poder polarizante necessário para criar o telescópio astral.

A visão obtida por esse meio não é diferente da que se vê através de um telescópio. Figuras humanas, por exemplo, aparecem, habitualmente, muito pequenas, mas perfeitamente claras: às vezes, mas não comumente, é possível ouvir tão bem quanto se vê, com este método.

O método tem claras limitações, já que o telescópio astral revela a cena apenas de uma direção, e tem um campo de visão limitado e particular. Na verdade, a visão astral dirigida ao longo de tal tubo é tão limitada quanto o seria a visão física sob circunstâncias idênticas.

O tipo de clarividência pode ser grandemente facilitado se usarmos um objeto físico como ponto de partida — um foco para a força de vontade. Uma bola de cristal é o mais comum e o mais eficaz dos focos, porque tem um arranjo peculiar de essência elemental, e possui também, em si mesma, qualidades que estimulam a faculdade psíquica. Outros objetos também são usados com o mesmo propósito, tais como uma taça, um espelho, um pocinho de tinta, uma gota de sangue, uma vasilha de água, um tanque, água em vasilha de vidro, ou quase toda superfície polida. Também serve uma

superfície inteiramente negra, produzida por um punhado de carvão em pó num pires.

Há quem determina o que vê à sua vontade e é como se apontassem seu telescópio ao sabor de seu desejo; a grande maioria, entretanto, forma um tubo eventual e vê o que se apresenta na outra extremidade da mesma.

Alguns psíquicos só podem usar o método do tubo quando estão sob a influência do mesmerismo. Há duas variedades de tais psíquicos:

os que podem fazer pessoalmente o tubo;

os que vêem através do tubo feito pelo mesmerizador.

Ocasionalmente, embora seja raro acontecer, também é possível obter ampliação por meio do tubo, embora nesses casos seja provável que um poder inteiramente novo esteja começando a se manifestar.

Pela projeção de uma forma-pensamento. Este método consiste na projeção de uma imagem mental de si próprio, em torno da qual se atrai matéria astral, sendo tal conexão com a imagem retida de forma a tornar possível receber impressões por meio dela; a forma atua, assim, como uma espécie de posto avançado da consciência de quem vê. Tais impressões serão transmitidas ao pensador por vibração simpática. Num caso perfeito, o vidente pode ver quase tão bem como se ele próprio estivesse no lugar da forma-pensamento. Com esse método também é possível mudar o ponto da visão, se isso for desejado. A clariaudiência é talvez menos freqüentemente associada com esse tipo de clarividência do que com o primeiro tipo. No momento em que a firmeza do pensamento cai, toda a visão se vai, e será necessário construir de novo uma forma-pensamento para que ela retorne. Esse tipo de clarividência é mais rara do que o primeiro tipo, por causa do controle mental exigido e da natureza mais refinada das forças empregadas. É cansativo, a não ser para curtas distâncias.

Viajando no corpo astral, seja durante o sono, seja em transe. Esse processo já foi descrito em capítulos precedentes.

Viajando no corpo mental. Neste caso, o corpo astral é deixado com o físico, e, se a pessoa quiser mostrar-se no plano astral, forma para si um corpo astral temporário, ou mayavirupa, conforme descrevemos páginas atrás.

É possível também obter informação referente a acontecimentos que se passam a distância, invocando ou evocando uma entidade astral, tal como um espírito-da-natureza, e induzindo-a ou compelindo-a a empreender a investigação. Isso, está claro, não é clarividência, é magia,

A fim de encontrar uma pessoa no plano astral, é necessário pôr-se em sintonia com ela, sendo suficiente uma pequeníssima pista, quase sempre, como uma fotografia, uma carta escrita por ela, um objeto que lhe pertenceu. O operador então faz soar a nota tônica da pessoa e, se ela está no plano astral, virá resposta imediata.

A nota tônica da pessoa que está no plano astral é uma espécie de tom médio que emerge de todas as diferentes vibrações que são habituais naquele plano. Há, também, um tom médio similar para o corpo mental e os

outros corpos de cada homem, formando todas as tônicas reunidas o acorde do homem — um acorde místico, como muitas vezes é chamado.

O vidente treinado afina seus próprios veículos, no momento, exatamente pela nota da pessoa, e então, por um esforço da vontade, envia aquele som. Seja em qual for dos três mundos que a pessoa procurada esteja, sua resposta instantânea vem. Essa resposta é de pronto visível para o vidente, de forma que ele pode formar uma linha magnética de conexão com a pessoa.

Outra forma de clarividência permite ao vidente perceber acontecimentos do passado. Há vários graus desse poder, desde o homem treinado que pode consultar os Registros Akásicos por si mesmo, quando quiser, até a pessoa que ocasionalmente percebe apenas relances. O psicômetro comum precisa de um objeto fisicamente relacionado com a cena do passado que deseja ver, ou naturalmente pode usar um cristal ou outro objeto como seu foco.

Os Registros Akásicos representam a memória Divina, que já mencionamos brevemente neste livro. Os registros vistos no plano astral, não passando de reflexo de um reflexo de um plano muito mais alto, são muitíssimo imperfeitos, extremamente fragmentados e quase sempre seriamente distorcidos. Têm sido comparados aos reflexos na superfície da água encrespada peio vento. No plano mental, os registros são completos e exatos e podem ser lidos com clareza. Mas isso, como é evidente, pede faculdades relativas ao plano mental.


CAPÍTULO XXVIII

Auxiliares Invisíveis


O estudante das páginas precedentes terá percebido, a esta altura, que os casos de "intervenção" de agentes invisíveis nos assuntos humanos, que ocorrem de tempos em tempos, e que são naturalmente bastante inexplicáveis para o ponto de vista materialista, podem ser facilmente explicados, racional e simplesmente, por alguém que entenda alguma coisa do plano astral e de suas possibilidades.

No Oriente, a existência de "auxiliares invisíveis" sempre foi reconhecida; mesmo na Europa tivemos as velhas histórias gregas da interferência dos deuses nos negócios humanos, e a lenda romana de Castor e Pollux guiou a legião da república nascente na Batalha do Lago de Regillus. Nos tempos medievais havia muitas histórias de santos que apareciam em momentos críticos e mudavam a sorte em favor das hostes cristãs — tal como São Tiago liderando as tropas espanholas — e os anjos da guarda que às vezes salvavam um viajante de sérios perigos e mesmo da morte.

Auxílio pode ser dado aos homens por várias classes de habitantes do plano astral. Ele pode vir de espíritos-da-natureza, de devas, dos fisicamente mortos, ou daqueles que, embora ainda fisicamente vivos, podem funcionar livremente no plano astral.

Os casos nos quais o auxílio aos homens é dado por espíritos-da-natureza são poucos. Os espíritos-da-natureza evitam os redutos do homem, detestando suas emanações, sua azáfama, sua inquietação. Também, a não ser os de ordem mais alta, são geralmente inconseqüentes e impensados, mais se parecendo a crianças descuidadas que brincam do que a entidades sérias e responsáveis. Em geral não se pode confiar neles para nada que represente firme cooperação nessa classe de trabalho, embora um deles ocasionalmente se torne apegado a um ser humano e lhe preste bons serviços.

O trabalho do Adepto ou Mestre se desenvolve principalmente nos subplanos superiores do plano mental, onde Ele pode influenciar a verdadeira individualidade dos homens, e não a mera personalidade, que é tudo quanto pode ser alcançado nos mundos astral e físico. Raramente, contudo, o Adepto acha necessário, ou desejável, trabalhar num plano tão baixo quanto o astral.

A mesma consideração pode ser feita a propósito dos devas, sendo que os dessa classe de entidade, que às vezes respondem aos apelos e às súplicas mais altas do homem, trabalham antes no plano mental do que no astral ou físico e, mais freqüentemente, em períodos entre encarnações do que durante a existência física.

Auxílios vêm, às vezes, dos que tiveram morte física recente e ainda permanecem em íntimo conta to com os negócios terrenos. O estudante perceberá facilmente, contudo, que o volume de tal auxílio deve ser, na natureza das coisas, excessivamente limitado, porque as pessoas menos egoístas e prestativas são as que menos provavelmente são encontradas

depois da morte detendo-se, em integral consciência, nos níveis inferiores do plano astral, aos quais a terra se faz mais acessível.

Ademais, para que uma pessoa morta possa influenciar outra que está fisicamente viva, ou esta última deve ser de uma sensitividade fora do comum ou o auxiliar deve possuir um certo conhecimento e habilidade. Tais condições, como é evidente, raramente são encontradas.

Segue-se, então, que presentemente o trabalho de auxílio nos planos mental e astral inferiores está principalmente em mãos dos discípulos dos Mestres e de quaisquer outros que tenham evoluído o bastante para funcionar conscientemente nesses dois planos.

Variada como é essa classe de trabalho no plano astral, todo ele é dirigido naturalmente para impulsionar a evolução. Ocasionalmente está vinculado com o desenvolvimento dos reinos inferiores, o elemental, bem como o vegetal e o animal, desenvolvimento esse que pode ser acelerado sob certas condições. Na verdade, em alguns casos é apenas através da conexão com o homem ou com o uso do homem que o progresso desses reinos inferiores tem lugar. Assim, por exemplo, um animal pode individualizar- se somente através de certas classes de animais que foram domesticados pelo homem.

A mais importante parte do trabalho é se relacionar de uma forma ou outra com a humanidade, principalmente com o seu desenvolvimento espiritual; não obstante, algumas vezes também se dá ajuda puramente física.

No livro clássico sobre o assunto, Auxiliares Invisíveis, de C. W. Leadbeater, alguns exemplos típicos de intervenção física são dados. Às vezes um auxiliar invisível, com sua visão mais ampla, pode perceber o perigo que está ameaçando alguém e imprimir a idéia na pessoa ameaçada, ou sobre um amigo que irá ajudá-la. Dessa maneira, naufrágios têm sido às vezes evitados. Em outras ocasiões, o auxiliar pode materializar-se ou ser materializado por um auxiliar mais experiente, de forma suficiente para afastar alguém do perigo, como, por exemplo, tirar uma criança de um edifício em chamas, evitar que alguém tombe num precipício, reconduzir ao lar crianças perdidas, e assim por diante. Temos o exemplo de um auxiliar que, encontrando um menino que tombara sobre um rochedo e tivera uma artéria cortada, foi materializado para que pudesse atar uma ligadura e assim deter a hemorragia, que, de outra forma, teria sido fatal, e, ao mesmo tempo, outro auxiliar levou à mente da mãe o perigo em que se encontrava o filho, conduzindo-a então ao lugar do acidente.

Pode-se perguntar como uma entidade astral se torna consciente de um grito ou de um acidente físico. A resposta é que aquele grito, trazendo em si sentimento ou emoção muito forte, produz efeito sobre o plano astral e dá ali exatamente a mesma idéia que daria no plano físico. No caso de um acidente, o ímpeto de emoção causado pela dor ou pelo medo arde como uma grande luz e não poderia deixar de chamar a atenção de uma entidade astral que estivesse por perto.

A fim de levar um corpo astral à necessária materialização, de forma que atos puramente físicos possam ser realizados, um conhecimento do método usado para isso é claramente essencial.

Há três variedades definidas de materialização:

(l) a que é tangível, embora não visível aos olhos físicos comuns. Nas sessões espíritas esta é a espécie mais comum e é usada para mover pequenos objetos e para a "voz direta". Um tipo de matéria é usada, matéria que não pode refletir nem obstruir a luz, mas que sob certas circunstâncias pode ser usada para produzir sons. Uma variedade dessa classe é a que pode afetar alguns raios ultravioletas, dando assim possibilidade de serem feitas "fotografias-de-espíritos".

A que é visível, mas não é tangível.

A materialização perfeita, que é tanto visível como tangível. Muitos espíritas estão familiarizados com estes três tipos.

Tais materializações, conforme aqui estamos considerando, são realizadas por um esforço da vontade. Esse esforço, dirigido para a matéria que se modifica de seu estado natural para outro, estará temporariamente opondo- se à vontade cósmica, por assim dizer. O esforço deve ser mantido todo o tempo, porque, se a mente se afastar por meio segundo que seja, a matéria foge e retorna à sua condição original, como o clarão de um relâmpago.

Nas sessões espíritas, uma materialização completa é produzida pela utilização de matéria dos corpos físicos e etéricos do médium e também da dos presentes. Em tais casos, é claro que uma conexão muito íntima se instala entre o médium e o corpo materializado. A significação de tal coisa será considerada mais adiante.

No caso do auxiliar treinado, que acha necessário produzir uma materialização temporária, um outro método, bem diferente, é usado. Discípulo algum de um Mestre jamais teria permissão para impor tal tensão em corpo alheio, como ocorreria se a matéria desse corpo fosse usada para a materialização; nem, realmente, tal plano seria necessário. Um método muitíssimo menos perigoso é o de condensar éter circundante ou mesmo do ar físico, a quantidade de matéria que seja necessária. Esse trabalho, embora sem dúvida alguma fora do poder da entidade média que se manifesta numa sessão, não apresenta dificuldade para o estudante de química oculta.

Num caso dessa natureza, embora tenhamos a reprodução exata do corpo físico, ele é criado pelo esforço mental e de matéria inteiramente estranha ao corpo. Conseqüentemente, o fenômeno conhecido como repercussão não poderia ter lugar, como pode acontecer quando uma forma é materializada com matéria retirada do corpo de um médium.

Um dano feito a uma forma materializada por um auxiliar através do éter ou do ar não pode afetar mais o corpo físico do auxiliar pela repercussão do que um homem pode ser afetado por um dano feito a uma estátua de mármore que o reproduza.

Mas, no plano astral, se alguém for insensato bastante para pensar que um perigo referente ao físico — por exemplo, um objeto que cai — pode lesar alguém, um dano ao corpo físico, através de repercussão, é possível,

O assunto repercussão é abstruso e difícil, e ainda assim de forma alguma compreendido. A fim de compreendê-lo perfeitamente, é provável que fosse necessário compreender as leis da vibração simpática não só em um, mas em outros planos.

Não há qualquer dúvida quanto ao estupendo poder da vontade sobre a matéria de todos os planos, de forma que só se o poder da vontade for suficientemente forte, na verdade, qualquer resultado pode ser produzido por sua ação direta, sem qualquer conhecimento ou mesmo pensamento por parte da pessoa que exerce a vontade tal como ela é para fazer seu trabalho.

Não há limite para o grau até o qual a vontade pode ser desenvolvida.

Esse poder se aplica no caso de materialização, embora seja uma arte que deve ser aprendida como qualquer outra. Um homem mediano do plano astral não seria mais capaz de materializar-se sem ter previamente aprendido como fazê-lo do que o homem mediano deste plano seria capaz de tocar violino sem ter previamente tomado as lições necessárias.

Há, contudo, casos excepcionais quando intensa simpatia e firme deliberação capacita uma pessoa a efetuar uma materialização temporária, mesmo que não saiba conscientemente como fazê-la.

Vale a pena notar que esses raros casos de intervenção física por parte de um auxiliar astral são com freqüência realizados em virtude de um vínculo kármico entre o auxiliar e a pessoa auxiliada. Desta forma, velhos serviços são reconhecidos e as bondades recebidas numa vida são pagas numa vida futura, mesmo pelos métodos pouco comuns que descrevemos.

Nas grandes catástrofes, quando muitas pessoas são mortas, às vezes é permitido que uma ou duas pessoas sejam "milagrosamente" salvas, porque acontece que não é de seu "karma" morrer então, isto é, elas não devem à Lei Divina coisa alguma que precise ser paga daquela maneira particular.

Muito ocasionalmente, assistência física é dada a seres humanos, mesmo por um Mestre.

C. W. Leadbeater descreve um caso que aconteceu com ele próprio. Caminhando ao longo de uma estrada, ele ouviu subitamente a voz de seu instrutor hindu, que no momento estava fisicamente a 7 000 milhas de distância, gritando: "Salte para trás!" Ele deu violento salto para a retaguarda exatamente quando o pesado tubo de uma chaminé de metal estourou sobre o pavimento, a menos de um metro diante dele.

Outro caso notável é registrado, a propósito de uma senhora que se viu em sério risco no meio de perigoso motim de rua e que foi subitamente retirada da multidão e colocada, sem qualquer dano, numa travessa da rua, que estava vazia. Seu corpo deve ter sido erguido diretamente sobre as casas medianeiras e colocado no pavimento da rua próxima. Provavelmente um véu de matéria etérica foi atirado sobre ela, durante a passagem, de forma que não fosse visível ao passar pelo ar.

Através de uma consulta aos capítulos de A Vida Depois da Morte, temos a evidência de que há um amplo terreno para o trabalho dos auxiliares invisíveis entre as pessoas que morrem. A maioria delas está em condição de completa ignorância quanto à vida depois da morte, e muitas, pelo menos nos países ocidentais, estão também aterrorizadas com a perspectiva do "inferno" e da "danação eterna" e há muito que fazer para esclarecer as pessoas quanto ao seu verdadeiro estado e sobre a natureza do mundo astral no qual se encontram.

O trabalho principal feito pelo auxiliar invisível é o de acalmar e confortar os mortos recentes, libertando-os sempre que possível do terrível, embora desnecessário, medo que com tanta freqüência os assalta, e não só lhes causa muito sofrimento como retarda seu progresso para esferas mais altas, bem como capacitando-os, tanto quanto se pode, a compreender o futuro que têm pela frente.

Disseram que esse trabalho foi, em períodos remotos, atendido exclusivamente por uma alta classe de entidades não-humanas. Mas há algum tempo, os seres humanos que podem funcionar conscientemente no plano astral têm tido o privilégio de dar assistência a essa tarefa de amor.

Nos casos em que a reestruturação do corpo astral pelo elemental de desejo teve lugar, um auxiliar astral pode romper essa reestruturação e restaurar o corpo astral em sua condição anterior, de forma que a pessoa morta tome conhecimento de todo o plano astral e não apenas de um de seus subplanos.

Outros que têm estado por mais tempo no plano astral podem também receber auxílio sob a forma de explicações e conselhos enquanto fazem seu curso através dos diferentes estágios. Assim, eles podem ser avisados do perigo e retardamento causados pelas tentativas de se comunicarem com os vivos por intermédio de um médium e, às vezes, embora isso se dê raramente, uma entidade já atraída para o círculo espírita pode ser guiada para uma vida mais alta e mais saudável. A memória de tal ensinamento não pode naturalmente ser levada direta para a encarnação seguinte, mas sempre permanece o real conhecimento interior e, portanto, uma forte predisposição para aceitar tais ensinamentos imediatamente, quando os ouvirem de novo, na nova vida.

Alguns dos recentemente falecidos vêem-se no plano astral como realmente são e sentem-se portanto cheios de remorsos. Aqui o auxiliar pode explicar que o passado é passado, que o único arrependimento que vale a pena é resolver agir melhor para o futuro, e que cada homem deve tomar a si próprio tal como é, e com firmeza trabalhar pelo progresso, levando uma vida mais autêntica no futuro.

Outros, por sua vez, sentem-se perturbados pelo desejo de reparação por algum dano que praticaram quando na terra e querem tranqüilizar sua consciência revelando um segredo que os desacredita e que zelosamente guardaram; dizer qual é o esconderijo de dinheiro ou papéis importantes, e assim por diante. Em alguns casos é possível para o auxiliar intervir de alguma forma no plano físico e assim satisfazer o morto. Mas na maioria dos casos, o máximo que ele pode fazer é explicar que agora é tarde demais para tentar uma reparação, sendo portanto inútil sofrer por esse acontecimento, e persuadi-lo a abandonar seus pensamentos terrenos, que o mantêm preso ao chão da terra e fazer de sua nova vida o melhor que puder.

Imensa quantidade de trabalho é também feita para os vivos, levando bons pensamentos nas mentes dos que estão em condições de recebê-los.

Seria muitíssimo fácil — fácil a um ponto de parecer incrível para os que não compreendem praticamente o assunto — um auxiliar dominar a mente de um homem mediano e levá-lo e pensar exatamente como o auxiliar entendesse, sem despertar suspeitas de influência externa sobre a mente da pessoa. Tal procedimento todavia seria inteiramente inadmissível. Tudo

quanto pode ser feito é atirar o bom pensamento à mente da pessoa, entre os milhares que estão constantemente surgindo nela, e esperar que a pessoa o receba, se faça dono dele, e aja de acordo.

Assistência muito variada pode ser oferecida dessa maneira. Consolação é com freqüência dada aos que estão desgostosos ou doentes; reconciliações são tentadas entre os que têm estado separados por conflito de opiniões ou interesses; ansiosos pesquisadores da verdade são guiados para ela; quase sempre é possível dar solução a algum problema espiritual ou metafísico da mente de alguém que tem pensado ansiosamente nele. Conferencistas podem ser ajudados com sugestões e ilustrações que são materializadas em matéria mais sutil diante de quem fala, ou impressas em seu cérebro.

Um auxiliar invisível habitual depressa adquire alguns "pacientes" que ele visita toda a noite, tal como um médico da terra faz sua ronda habitual entre seus pacientes. Cada trabalhador se torna, assim, o centro de um pequeno grupo, o líder de uma turma de auxiliares para os quais ele sempre encontra trabalho. No mundo astral o trabalho pode ser encontrado para qualquer número de trabalhadores, e quem quer que o deseja — homem, mulher, criança — pode ser um deles.

Um discípulo pode ser, com freqüência, empregado como agente naquilo que virtualmente representa resposta às preces. Embora seja verdade que qualquer desejo espiritual sincero, tal como o que pode ser expresso na oração, é uma força que traz automaticamente algum resultado, também é um fato que tal esforço espiritual oferece uma oportunidade para a influência dos Poderes do Bem. Um auxiliar bem intencionado pode, assim, tornar-se o canal através do qual a energia é transportada. Isso é verdadeiro no que se refere à meditação, e amplamente aplicável.

Em alguns casos o auxiliar é tomado como o santo ao qual o suplicante rezou, e há muitas histórias para ilustrar isso.

Discípulos que estão preparados para o trabalho são empregados também para sugerir pensamentos verdadeiros e belos a autores, poetas, artistas
e. músicos.

Às vezes, embora mais raramente, é possível avisar pessoas sobre o perigo de alguma atividade a que se estão entregando, sobre seu desenvolvimento moral, afastar a má influência de alguma pessoa ou lugar, ou neutralizar as maquinações dos magos negros.

Há tanto trabalho para os auxiliares invisíveis no plano astral que se faz enfático o dever, para o estudante, de preparar-se, por todas as maneiras ao seu alcance, para assisti-los em sua atuação. O trabalho dos auxiliares invisíveis não seria feito a não ser que houvesse discípulos no estágio em que esse é o melhor trabalho que podem fazer. Assim que passem para além desse estágio e possam fazer trabalho superior, com certeza lhes será dado esse trabalho superior.

Devemos ter em mente que, quando o poder e o treinamento são dados a um auxiliar, eles lhe são dados sob restrições. Jamais ele deve usá-los egoisticamente, jamais deve exibi-los para satisfazer curiosidades, jamais deve empregá-los para espionar negócios alheios, jamais dar o que as sessões espíritas chamam testes, isto é, ele nada deve fazer que possa ser provado como fenômeno no mundo físico. Pode levar mensagem a um

morto, mas não pode, a não ser que tenha ordens diretas de seu Mestre para isso, levar de volta uma resposta do morto para os vivos. Assim, a turma de auxiliares invisíveis não é o escritório de um detetive nem um centro astral de informações, mas pretende apenas fazer simples e caladamente o trabalho que lhe é confiado ou que surge no seu caminho.

Um estudante de ocultismo, à proporção que progride, em lugar de dar assistência apenas a indivíduos, aprende a tratar com classes, nações e raças. Conforme adquire os poderes exigidos e o conhecimento, começa a manipular as forças maiores do akasa e a luz astral, e mostram-lhe como obter o máximo possível de cada influência cíclica favorável. É levado a relacionar-se com os grandes Nirmanakayas, e torna-se um de Seus esmoleres, aprendendo como empregar as forças, que são o fruto do Seu sublime auto-sacrifício.


Não há mistério nas qualificações necessárias para quem aspira a ser um auxiliar; até um certo ponto elas já foram descritas, mas pode ser útil expô-las ampla e categoricamente:

Unidade de propósito, às vezes chamada mente em uma só direção ou concentração. O aspirante deve fazer do trabalho de ajudar terceiros o seu primeiro e principal dever. O trabalho que o Mestre lhe destinar deve ser o grande interesse de sua vida.

Ademais, é necessário saber discernir, não só entre trabalho útil e inútil, mas, também, entre as diferentes espécies de trabalho útil. Economia de esforço é a lei primeira do ocultismo, e todo estudante deve devotar-se ao trabalho mais alto que puder realizar. É também essencial que o estudante faça o máximo do que estiver ao seu alcance, no plano físico, para favorecer os mesmos grandes fins de ajuda a seus semelhantes.

Autocontrole. — Isto compreende controle completo do temperamento, de forma que nada visto ou ouvido possa causar irritação real, porque as conseqüências de tal irritação seriam mais sérias no plano astral do que no plano físico. Se um homem com a faculdade inteiramente despertada no plano astral sentisse cólera contra uma pessoa daquele plano, iria causar-lhe sério e talvez fatal dano. Qualquer manifestação de irritabilidade, de excitação ou impaciência no mundo astral faria imediatamente do auxiliar um objeto apavorante, de forma que aqueles a quem desejasse ajudar fugiriam dele, aterrorizados.

Registrou-se um caso em que o auxiliar invisível se colocou num tal estado de excitação que seu corpo astral cresceu imensamente em tamanho, vibrando violenta e irradiantemente cores flamejantes. A pessoa recentemente falecida que ele esperava ajudar, ficou horrorizada ao ver aquela esfera enorme, ardente, flamejante, aproximando-se dela; tomou-a pelo demônio teológico em pessoa, e fugiu aterrorizada; seu terror aumentou ao ver que o suposto auxiliar a perseguia persistentemente.

Além disso, o controle nervoso é essencial, de forma que nada do que surja como visão fantástica ou terrível possa abalar a intrepidez do estudante. Como ficou dito antes, para que sejam seguros desse controle dos nervos, para que se tornem adequados para o trabalho a ser feito, é que os candidatos, hoje como nos velhos dias, são sempre levados a passar pelo que chamam testes da terra, da água, do ar e do fogo.


O estudante tem de compreender que no corpo astral a rocha mais densa não oferece impedimento à sua liberdade de movimentação, que ele pode saltar impunemente dos mais altos rochedos, mergulhar com absoluta confiança no coração de um vulcão em fúria, ou nos mais profundos abismos dos insondáveis oceanos. Essas coisas devem ser bem compreendidas pelo estudante, para que ele possa agir confiante e instintivamente.

É necessário, também, o controle da mente e do desejo. Da mente, porque sem o poder de concentração seria impossível fazer bom trabalho; do desejo, porque, no mundo astral, desejar é, com freqüência, ter, e, a não ser que o desejo seja bem controlado, o estudante pode enfrentar criações nascidas de si próprio e das quais se envergonharia profundamente.

Calma. — Isto significa ausência de aflição e depressão. Grande parte do trabalho consistindo em acalmar os perturbados e animar os tristes, está claro que o auxiliar não poderia fazer tal coisa se a sua aura estivesse constantemente vibrando, agitada e aflita, ou coberta pelo tom cinzento da depressão. A visão otimista de tudo está sempre mais próxima da visão divina, portanto da verdade, porque só o bom e o belo podem ser permanentes, enquanto o mal, por sua própria natureza, é temporário. Calma inabalável leva a uma serenidade jubilosa, e faz a depressão impossível.

Como dissemos antes, a depressão é terrivelmente contagiosa, e deve ser inteiramente eliminada por aqueles que pretendam tornar-se auxiliares invisíveis. Essas pessoas devem caracterizar-se por sua absoluta serenidade sob todas as dificuldades possíveis e pela radiante alegria com que levam auxílio aos demais.

Conhecimento. — Quanto maior seja o conhecimento de um homem sobre todos os assuntos, mais útil ele será. Deve preparar-se, pois, pelo estudo cuidadoso de tudo quanto tem sido escrito sobre o plano astral na literatura oculta, porque não pode pretender que outros, cujo tempo já está integralmente tomado, usem um pouco desse tempo para lhe explicar o que ele poderia ter aprendido por si mesmo, no mundo físico, dando-se ao trabalho de ler livros.

Não há talvez, no trabalho de um ocultista, espécie alguma de conhecimento que não tenha uso para o trabalho.

Amor. — Esta, a última e a maior das qualificações, também é a menos compreendida. Podemos dizer, enfaticamente, que não se trata de sentimentalismo molóide, transbordando em vagas e alvoroçadas generalidades que temem manter-se firmes ao lado do direito para não serem tomadas pelos ignorantes como "pouco fraternas". O que se deseja é amor bastante forte para agir sem falar nele próprio, é o intenso desejo de servir, que está sempre alerta para a oportunidade de fazê-lo, mesmo que o prefira realizar anonimamente. É o sentimento que sobe do coração de quem compreendeu o grande trabalho do Logos e, desde que o viu, sabe que para ele não pode haver, nos três mundos, outra atividade a não ser a de identificar-se com ele até o limite máximo de sua capacidade, mesmo que seja de uma forma humilde de converter-se num canal minúsculo para aquele estupendo amor de Deus, que, como a Paz de Deus, ultrapassa todo entendimento.

Devemos recordar que duas pessoas no plano astral, para se comunicarem astralmente uma com a outra, precisam ter uma linguagem comum. Portanto, quanto maior número de línguas um auxiliar do plano astral conheça, mais útil ele será.

O padrão estabelecido para um Auxiliar Invisível não é impossível. Ao contrário, pode ser obtido por todos os homens, embora possa tornar-lhes tempo. Todos conhecem algum caso de desgosto ou angústia, seja entre vivos ou entre mortos; isso não importa. Ao prepararmo-nos para dormir, devemos tomar a resolução de fazer o possível, enquanto adormecidos e usando o corpo astral, para ajudar aquela pessoa. Se a lembrança do que foi feito penetra ou não na consciência desperta, é coisa sem importância. Podemos ter certeza de que algo foi conseguido, e algum dia, mais cedo ou mais tarde, teremos a prova de que o sucesso existiu.

Com a pessoa que está inteiramente desperta no plano astral, o último pensamento antes de adormecer importa menos, porque ela tem o poder de passar facilmente de um pensamento para outro, no mundo astral. Neste caso, o fio geral do seu pensamento é o fator importante, porque tanto durante o dia como durante a noite sua mente tenderá a movimentar-se da forma acostumada.


CAPÍTULO XXIX


Conclusão


Embora no momento presente sejam relativamente poucas as pessoas que têm conhecimento direto e pessoal do mundo astral, de sua vida e de seus fenômenos, ainda assim há muitas razões para se crer que o pequeno grupo que sabe dessas coisas através de sua própria experiência, está crescendo rapidamente e tende a ser amplamente aumentado em futuro próximo.

A faculdade psíquica, especialmente entre as crianças, está-se tornando cada vez menos rara. À proporção que vai sendo gradualmente aceita e deixa de ser encarada como pouco saudável ou como um tabu, tende a aumentar tanto em extensão como em intensidade. Assim, por exemplo, foram publicados recentemente, e amplamente lidos, livros que tratam de espíritos-da-natureza, mais conhecidos como fadas, mostrando até fotografias dessas graciosas criaturas e de seus trabalhos na economia da natureza. Ademais, qualquer pesquisador cuja mente seja aberta, pouca dificuldade tem para descobrir pessoas, jovens e velhas, que vêem fadas freqüentemente, trabalhando ou brincando, bem como outras entidades e fenômenos do mundo astral.

A voga enorme do espiritismo tornou o mundo astral e muitos de seus fenômenos objetivamente reais e bastante familiares para muitos milhões de pessoas em todos os quadrantes do mundo.

A ciência física, com seus íons e elétrons, está no limiar do mundo astral, ao passo que as pesquisas de Einstein e outros vão tornando aceitável rapidamente a concepção da quarta dimensão, que há tanto tempo tem sido familiar para os estudantes do mundo astral.

No terreno da psicologia, os modernos métodos analíticos prometem poder revelar a natureza de pelo menos a fração inferior do mecanismo psíquico do homem, confirmando incidentalmente algumas declarações e ensinamentos apresentados pelos antigos livros orientais e pelos teósofos e ocultistas de hoje. Assim, por exemplo, um famoso escritor de livros de psicologia e psicanálise informou recentemente ao autor do presente trabalho que na sua opinião o "complexo" é idêntico ao "skandhâra" do sistema budista, enquanto outro psicólogo de reputação mundial disse a um amigo do autor deste livro que suas pesquisas psicológicas — não psíquicas — o haviam levado irresistivelmente ao fato da reencarnação.

Essas são algumas indicações de que os métodos da ciência ocidental ortodoxa conduzem a resultados idênticos aos que há séculos têm sido do conhecimento comum em certas regiões do Oriente e que aproximadamente durante a última metade do século foram redescobertos por um pequeno grupo de indivíduos. Estes, guiados pelos ensinamentos orientais, desenvolveram em si próprios as faculdades necessárias para a observação direta, bem como a investigação do mundo astral e a dos mundos mais altos.

Seria insistir num lugar-comum dizer que a aceitação, pelo mundo em geral, da existência do plano astral e de seus fenômenos — coisa que não pode ser adiada por muito tempo — ampliará e aprofundará imensuravelmente

a concepção que o homem tem de si próprio e de seu próprio destino, bem como revolucionará sua atitude em relação ao mundo externo, incluindo os outros reinos da natureza, fisicamente visíveis e invisíveis. Desde que o homem consiga estabelecer para sua própria satisfação a realidade do mundo astral, será compelido a reorientar-se e a estabelecer para si próprio um novo elenco de valores para os fatos que afetam sua vida e determinam suas atividades.

Mais cedo ou mais tarde, porém inevitavelmente, a ampla concepção de que as coisas meramente físicas têm um papel muito pequeno na vida da alma e do espírito humano e de que o homem é um ser essencialmente espiritual desdobrando seus poderes latentes com o auxílio de vários veículos, físico, astral e outros, veículos que de época para época ele assume, afastará todas as outras opiniões e levará os homens a uma completa reorientação de suas vidas.

Urna compreensão de sua própria e verdadeira natureza, do fato de que através de vida após vida na terra, com interlúdios em outros mundos mais sutis, ele está constantemente evoluindo e se tornando cada vez mais espiritual, lógica e inevitavelmente leva um homem a ver que, se e quando o quiser, pode deixar de entreter-se com a vida e de ficar à deriva sobre a ampla corrente evolutiva, e tomar o leme da viagem de sua própria vida. Deste ponto do crescimento de sua "percepção" das coisas e de suas próprias possibilidades inerentes, passará para o estágio em que se aproximará do Caminho "antigo e estreito", no qual encontrará Aqueles que, ultrapassando Seus companheiros, conseguiram o máximo possível de desenvolvimento humano. São os que, ansiosamente, contudo cheios de ilimitada paciência, esperam que Seus irmãos mais jovens deixem o viveiro da vida mundana comum e passem para a Sua vida superior, onde, com a Sua orientação e assistidos pela Sua compaixão e poder, o homem possa erguer- se até as alturas estupendas da espiritualidade que Eles atingiram e tornar-se por sua vez salvador e auxiliar da humanidade, acelerando assim o poderoso plano de evolução em direção à meta que ele se propõe atingir.

FIM

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