Se durante a sua vida física não se ocupou senão da tagarelice vazia, do esporte, dos negócios ou dos trajos, quando tais coisas não forem mais possíveis, ele se irá encontrar, naturalmente, com o tempo a lhe pesar nas mãos.
Entretanto, um homem que tem fortes desejos de qualidade inferior, que foi, por exemplo, um bêbado ou um sensual, estará em condições bem piores. Não só seus anseios e desejos permanecerão com ele (lembremo-nos de que os centros de sensação estão situados em Kama e não no corpo físico), como serão mais fortes do que nunca, porque sua força integral expressa-se na matéria astral, e não se está mais empregando parte dessa matéria para pôr em movimento as pesadas partículas físicas.
Estando na mais baixa e depravada condição da vida astral, um homem assim parece com freqüência estar ainda suficientemente próximo do físico para ser sensível a certos odores, embora a titilação produzida seja suficiente apenas para excitar ainda mais seu louco desejo e tantalizá-lo ao ponto do frenesi.
Porém, como não mais possui o corpo físico, através do qual e apenas através dele seus desejos podem ser saciados, não tem possibilidade de aplacar sua terrível sede. Daí as inumeráveis tradições do fogo do purgatório, encontradas em quase todas as religiões, que não deixam de ser adequadas como símbolos para as torturantes condições que descrevemos. Tais condições podem durar por longo tempo, já que só desaparecem paulatinamente, por exaustão.
A base racional e a justiça automática de todo o processo é clara: o homem criou, ele próprio, as suas condições, por suas próprias ações, e determinou o grau exato de seu poder e duração. Ademais, essa é a única forma pela qual ele pode livrar-se de seus vícios, porque, se reencarnasse imediatamente, iniciaria sua próxima vida precisamente como terminou a precedente, isto é, como escravo de suas paixões e apetites; e a possibilidade de jamais conseguir o domínio de si mesmo estaria consideravelmente reduzida. Mas, tal como as coisas são, havendo-se exaurido seus apetites, ele poderá começar sua próxima encarnação sem a carga em que eles se constituem, e seu ego, tendo recebido uma severa lição, provavelmente fará todos os esforços possíveis para refrear seus veículos inferiores quanto à repetição daqueles erros.
Um ébrio habitual consegue às vezes rodear-se de um véu de matéria etérica e assim materializar-se parcialmente. Pode, então, sentir o cheiro do álcool, mas não da mesma maneira pela qual nós o sentimos. Daí ficar ansioso para forçar outros a se embriagarem, de forma que ele possa, parcialmente, entrar em seus corpos físicos e obsedá-los, sentindo, através daqueles corpos, diretamente o sabor e as outras sen- sações pelas quais anseia.
A obsessão pode ser permanente ou temporária. Tal como acabamos de mencionar, um sensual morto pode agarrar qualquer veículo que consiga furtar a fim de afagar seus grosseiros desejos. Em outras ocasiões um homem pode obsedar alguém como um ato calculado de vingança: registrou-se um caso em que um homem obsedou a filha de um inimigo.
A melhor maneira de evitar a obsessão ou resistir a ela está no exercício da força de vontade. Quando o fato ocorre é porque quase sempre a vítima, em primeiro lugar, deixou-se dominar voluntariamente pela influência
invasora; o primeiro passo a dar é reagir contra essa submissão. A mente deve colocar-se com firmeza, em determinada resistência contra a obsessão, compreendendo fortemente que a vontade humana é mais forte do que qualquer má influência.
Tal obsessão é naturalmente muitíssimo afastada do natural e, para ambas as partes, prejudicial em grau muito elevado.
O efeito do uso excessivo do fumo sobre o corpo astral é notável. O veneno de tal forma enche o corpo astral que ele se enrijece sob a sua influência e se torna incapaz de mover-se livremente. Durante algum tempo o homem fica paralisado, capaz de falar, ainda assim privado de qualquer movimento e quase que inteiramente desligado de influências superiores. Quando a parte envenenada de seu corpo astral se exaure, ele emerge daquela desagradável condição.
O corpo astral muda as suas partículas, tal como o faz o corpo físico, mas nada há que corresponda a comer ou digerir alimento. As partículas astrais que se desprendem são substituídas por outras, tiradas da atmosfera ambiente. Os desejos puramente físicos que trazem a fome e a sede já não existem ali; mas o desejo do glutão que quer ter a sensação do paladar, e o desejo do ébrio pelas sensações que se seguem à absorção do álcool, sendo ambos astrais, ainda persistem. E, como ficou dito antes, podem causar grande sofrimento devido à ausência do corpo físico, somente através do qual tais desejos podem ser satisfeitos.
Muitos mitos e tradições existem, exemplificando as condições descritas. Um deles é o de Tântalo, que sofreu sede enlouquecedora e estava condenado a ver a água recuar exatamente quando ia tocá-la com os lábios. Outro exemplo, tipificando a ambição, é o de Sísifo, condenado a rolar uma pesada pedra até o topo de uma montanha e
112vê-la rolar novamente para baixo. A pedra representa os planos ambi- ciosos que tal homem continua a formar, apenas para compreender que não tem um corpo físico com que possa levá-los adiante. Ele acaba, finalmente, por exaurir sua egoística ambição, compreende que não precisa rolar sua pedra e deixa que ela fique em paz na base da montanha.
Outra história é a de Titio, um homem que foi amarrado a um rochedo e tinha seu fígado bicado por abutres, que o comiam. Mas aquele fígado tornava a crescer sempre, tão depressa quanto era comido. Isso simboliza o homem torturado pelas bicadas do remorso trazido por pecados cometidos na terra.
O pior que o homem comum do mundo habitualmente arranja para si próprio depois da morte é uma existência inútil e altamente cansativa, sem interesses racionais — seqüela natural de uma vida desperdiçada em auto- satisfação, futilidades e falatório ocioso, aqui na terra.
As únicas coisas de que gosta já não lhe são possíveis, porque no mundo astral não há negócios a fazer e, embora possa ter todo o companheirismo que deseje, a sociedade é agora, para ele, uma coisa muito diferente, porque todas as suas pretensões, no que a ela se referem e estão habitualmente baseadas neste mundo, já não são possíveis.
O homem faz assim, para si mesmo, seu próprio purgatório e seu próprio céu, e tais coisas não são lugares, mas estados de consciência. O inferno
não existe: é apenas uma ficção da imaginação teológica. Nem o purgatório nem o inferno podem ser eternos, porque uma causa finita não pode produzir resultado infinito.
Apesar disso, as condições do pior tipo de homem depois da morte talvez sejam melhor descritas pela palavra "inferno", embora tais condições não sejam intérminas. Assim, por exemplo, acontece às vezes que um assassino é seguido por sua vítima, jamais podendo escapar dessa presença obsessionante. A vítima (a não ser que também ela seja de tipo inferior) está envolvida em inconsciência e essa mesma inconsciência parece acrescentar um novo horror àquela perseguição mecânica.
Tais fatos não acontecem arbitrariamente, mas são o resultado inevitável de causas postas em movimento pelas pessoas. As lições da natureza são severas, mas com o andar do tempo revelam-se misericordiosas, porque levam à evolução da alma e são rigorosamente corretivas e salutares.
Para a maioria das pessoas, o estado em que se encontram após a morte é muito mais feliz do que a vida que tiveram sobre a terra. A primeira sensação de que o morto tem consciência é habitualmente a de uma liberdade maravilhosa e deleitante. Nada há para afligi-lo, não lhe são impostos deveres, a não ser aqueles que ele próprio se impõe.
Observado o caso desse ponto de vista, está claro que há ampla justificativa para a afirmação de que as pessoas fisicamente "vivas", sepultadas e comprimidas em corpos físicos, estão, no verdadeiro sentido, muitíssimo menos "vivas" do que aquelas que habitualmente chamamos mortas. Os chamados mortos são muito mais livres e, estando menos constrangidos pelas condições materiais, podem trabalhar com muito maior eficiência e cobrir campo maior de atividade.
Um homem que não permitiu a redistribuição de seu corpo astral está livre de todo o mundo astral, não o encontra exageradamente povoado porque o mundo astral é muito maior do que a superfície do mundo físico e sua população é de certa forma menor, sendo a vida média da humanidade no mundo astral mais curta do que a média da vida no mundo físico.
Além dos mortos, há ainda no plano astral cerca de um terço de vivos que deixaram temporariamente seu corpo enquanto dormem.
Embora todo o plano astral esteja aberto a qualquer dos seus habitantes que não permitiram a redistribuição de seu corpo astral, ainda assim a grande maioria permanece próxima da superfície da terra.
Passando para um tipo superior de homem, podemos considerar um que tenha algum interesse de natureza racional, isto é, música, literatura, ciência etc. Não mais existindo a necessidade de passar uma grande proporção de cada dia "ganhando a vida", o homem está livre para fazer precisamente aquilo de que gosta, tanto quanto for capaz de realização sem a matéria física. Na vida astral é possível não só ouvir os maiores músicos, mas ouvir muito mais música do que antes, porque há no mundo astral outras e mais amplas harmonias do que os ouvidos físicos, relativamente embotados, podem captar. Para o artista, todo o encantamento do mundo astral superior está aberto para seu gozo. Um homem pode rápida e facilmente mover-se de um lugar para outro e ver as maravilhas da Natureza, com muito maior facilidade, é óbvio, do que jamais poderia fazê-lo no plano físico. Se ele é um historiador ou um cientista, as bibliotecas e os
laboratórios do mundo estão à sua disposição; sua compreensão dos processos naturais será mais completa do que jamais fora, porque ele agora pode ver tanto o interior como o exterior dos trabalhos e muitas das causas das quais antes apenas conhecia os efeitos. Em todos esses casos, sua satisfação é grandemente aumentada porque não há fadiga possível.
Um filantropo pode continuar seu trabalho beneficente mais vigorosamente do que jamais o fÍ2era e sob melhores condições do que no mundo físico. Há milhares de criaturas que ele pode auxiliar e com maior certeza de estar propiciando real benefício.
É bastante possível, para qualquer pessoa, depois da morte, dispor-se ao estudo, no plano astral, adquirindo assim idéias inteiramente novas. Desta forma, há pessoas que podem tomar conhecimento da Teosofia pela primeira vez, no mundo astral. Há registro de um caso em que uma pessoa dedicou-se ao estudo da música naquele plano, embora tal coisa seja pouco comum.
Em geral, a vida no plano astral é mais ativa do que no plano físico, sendo a matéria astral mais vitalizada do que a matéria física, e a forma apresentando-se mais plástica. As possibilidades, tanto de entretenimento como de progresso, são sob todos os aspectos muito maiores no plano astral do que no plano físico. Tais possibilidades, porém, são de classe mais elevada e exigem inteligência maior para se fazerem proveitosas. Um homem que durante sua estada na terra devotou todo o seu pensamento e toda a sua energia apenas às coisas materiais, pouco provavelmente terá capacidade para se adaptar a condições mais adiantadas, pois sua mente semi-atrofiada não será forte o bastante para captar as possibilidades mais amplas de uma vida maior.
Um homem cuja vida e interesses foram de tipo superior, estará em condições de fazer progresso maior em poucos anos de vida astral do que jamais poderia fazer nos anos da mais longa das vidas físicas.
Sendo os prazeres astrais muito maiores do que os do mundo físico, há o perigo de que as pessoas se voltem para eles, em prejuízo do caminho do progresso. Mesmo as satisfações da vida astral, entretanto, não apresentam sério perigo para os que compreenderam um pouco daquilo que é mais alto. Depois da morte, um homem deve tentar passar através dos níveis astrais o mais rapidamente possível, de forma compatível com a sua utilidade, e não ceder aos refinados prazeres que eles oferecem, como não cederia aos do mundo físico.
Qualquer homem desenvolvido é, sob todos os aspectos, tão ativo durante a vida astral após a morte como o foi em sua vida física. Pode, indiscutivelmente, ajudar ou bloquear seu próprio progresso e o de outros, tanto após a vida como antes, e conseqüentemente está todo o tempo gerando karma da mais alta importância.
Na verdade, a consciência de um homem que está vivendo inteiramente no mundo astral é habitualmente muito mais definida do que o foi durante sua vida astral quando adormecido, o que o capacita mais a pensar e agir com determinação, de forma que suas oportunidades de criar bom ou mau karma são maiores.
Em geral, pode-se dizer que um homem é capaz de criar karma onde quer que sua consciência esteja desenvolvida, ou onde quer que possa agir ou escolher. Assim, as ações realizadas no plano astral podem produzir frutos kármicos para a próxima vida terrena.
No mais baixo dos subplanos astrais, tendo outras coisas a distrair-lhe a atenção, um homem pouco se preocupa com o que acontece no mundo físico, a não ser quando busca antros de vício.
No subplano seguinte, o sexto, estão homens que, enquanto vivos, centralizaram seus desejos e pensamentos principalmente nos assuntos mundanos. Conseqüentemente, ainda pairam em torno das pessoas e lugares com os quais estiveram mais ligados quando na terra, e podem ter consciência de muitas coisas sobre eles. Nunca, todavia, vêem a própria matéria física, mas sempre a sua contraparte astral.
Assim, por exemplo, um teatro cheio de gente tem sua contraparte astral, que é visível às entidades astrais. Não poderiam, contudo, ver, tais como os vemos, os costumes ou as expressões dos atores e as emoções dos artistas, já que são simuladas e não reais, e não podem fazer impressão no plano astral. Os que estão no sexto subplano, que fica sobre a superfície da terra, encontram-se rodeados pelas réplicas astrais das montanhas, árvores e lagos que fisicamente existam. Nos dois subplanos seguintes, o quinto e o quarto, essa consciência dos acontecimentos físicos também é possível, embora em grau que vai rapidamente diminuindo. Nos dois subplanos seguintes, o terceiro e o segundo, o contato com o plano físico só pode ser obtido por um esforço especial de comunicação através de um médium. Do primeiro subplano, o mais alto, mesmo a comunicação através de um médium seria muito difícil. Os que vivem em subplanos mais altos quase sempre se munem das cenas que desejam. Assim, num trecho do mundo astral há homens que se rodeiam de paisagem de sua própria criação; outros aceitam paisagens já feitas, construídas por outros. (Uma descrição dos vários níveis ou subplanos será dada no capítulo XVI.)
Há casos em que homens constróem para si próprios cenas descritas em suas várias escrituras religiosas, tentando a desajeitada fabricação de jóias nascendo de árvores, de mares de vidro mesclado com fogo, de criaturas cheias de olhos por dentro, e de deidades com centenas de braços e cabeças.
No lugar que os espíritas chamam Terra de Verão, as pessoas da mesma raça e da mesma religião tendem a manter-se reunidas depois da morte, tal como o eram na vida terrena, de forma que há uma espécie de rede de terras de verão sobre países a que pertenceram as pessoas que os criaram, sendo formadas comunidades, amplamente diferentes umas das outras, tal como se dá com comunidades semelhantes na terra. Isso se deve não só à afinidade natural, mas também ao fato de que as barreiras da linguagem ainda existem no plano astral.
Esse princípio se aplica realmente ao plano astral em geral. Assim, numa sessão espírita no Ceilão, verificou-se que as entidades que se comunicavam eram budistas e que, para além do túmulo, tinham encontrado a confirmação de suas preconcepções religiosas, exatamente como os membros das várias seitas cristãs da Europa. Os homens encontram no plano astral não apenas suas formas-pensamentos, mas as que foram feitas por outros —
sendo estas, em alguns casos, o produto de gerações de pensamentos de milhares de pessoas, todas seguindo a mesma linha.
Não é fora do comum, para os pais, empenharem-se em imprimir seus desejos sobre os filhos, isto é, no que se refere a algum relacionamento especial que eles desejam. Tal influência é insidiosa, já que um homem comum pode tomar essa pressão contínua como seu próprio desejo subconsciente.
Em muitos casos, os mortos se constituíram em anjos da guarda dos vivos, mães muitas vezes protegendo seus filhos, maridos protegendo, suas esposas e assim por diante, durante muitos anos.
Em outros casos, um escritor ou compositor musical mortos podem imprimir suas idéias sobre um escritor ou um compositor que estejam nó mundo físico, de forma que muitos livros levados ao crédito dos vivos são, realmente, o trabalho dos mortos. A pessoa que realmente escreve pode estar consciente da influência, ou pode estar inteiramente inconsciente dela.
Um romancista conhecido diz que suas histórias lhe surgem não sabe de onde e que, na realidade, não são escritas por ele, mas através dele. Reconhece isso. Há muitos outros provavelmente na mesma situação, porém que são inconscientes dela.
Um médico que morre, muitas vezes continua depois da morte a interessar- se pelos seus pacientes, tentando curá-los lá do outro lado ou ao seu sucessor métodos de tratamento que, com suas faculdades astrais recentemente obtidas, sabe que lhes serão úteis.
Embora a maioria das pessoas "boas" comuns, que morrem de morte natural, deixem de ter provavelmente qualquer consciência do que quer que seja físico, já que atravessam rapidamente os estágios inferiores antes de terem despertada a consciência astral, ainda assim, mesmo entre essas pessoas, algumas podem ser atraídas de volta a ter contato com o mundo físico em virtude de grande ansiedade sobre alguém que ali ficou.
O desgosto de parentes e amigos também pode atrair a atenção de quem passou para o plano astral e tende a trazê-lo de volta ao contato com sua vida terrena. Essa tendência a descer cresce com o uso, e o homem irá com certeza usar sua vontade para se manter ligado ao mundo físico. Durante algum tempo, seu poder de observar as coisas terrenas aumentará, mas a seguir irá diminuindo e ele sofrerá provavelmente ao sentir esse poder evadindo-se dele.
Em muitos casos, as pessoas não só causam a si próprias uma quantidade imensa de dor inteiramente desnecessária, mas também com freqüência prejudicam seriamente aqueles pelos quais choram com intenso e incontrolado desgosto.
Durante todo o período da vida no plano astral, seja ele curto ou longo, o homem está ao alcance das influências terrenas. Nos casos que acabamos de mencionar, a dor apaixonada e os desejos de amigos da terra enviam vibrações ao corpo astral do homem que morreu e assim alcançam e acordam sua mente, ou Manas inferior. Acordado assim de seu estado sonhador para a recordação vívida da vida terrena, ele pode tentar comunicar-se com seus amigos da terra, possivelmente através de um médium. Tal despertar é
muitas vezes acompanhado de agudo sofrimento e, seja como for, o processo natural de recessão do ego é retardado.
O ensinamento oculto nem por um momento aconselha que se esqueça o morto; mas sugere que a lembrança afetuosa dele é uma força que, se dirigida apropriadamente na intenção de ajudar seu progresso em direção do mundo celestial e sua passagem através de um estado intermediário, pode ser de real valor para ele, enquanto os lamentos não só são inúteis, mas prejudiciais. É com instinto verdadeiro que a religião hindu realiza suas cerimônias Shrâddha e a Igreja Católica suas preces pelos mortos.
As preces, com as cerimônias que as acompanham, criam elementais que golpeiam o corpo astral da entidade kâmalóquica e apressam-lhe a desintegração, dirigindo-a, assim, para o mundo celestial.
Quando, por exemplo, uma missa é oferecida com a definida intenção de ajudar a pessoa morta, ela será sem dúvida beneficiada pelo afluxo de força: o pensamento forte fixado nela atrai inevitavelmente sua atenção, e quando é atraído à Igreja toma parte na cerimônia e goza de uma boa porção de seus resultados. Mesmo que ainda esteja inconsciente, a vontade do padre e suas orações dirigem uma corrente de força para a pessoa em questão.
Mesmo a sincera oração geral pelo bem dos mortos, como um todo, embora seja provavelmente vaga e portanto menos eficiente do que um pensamento mais definido, tem ainda no produto adicional um efeito cuja importância seria difícil exagerar. A Europa pouco sabe do quanto deve àquelas grandes ordens religiosas que se devotam, noite e dia, a orações contínuas pelos fiéis desaparecidos.
CAPÍTULO XV
A Vida depois da Morte: Casos Especiais
Não há, virtualmente, depois da morte, diferença entre a consciência de um psíquico e a de um homem comum, a não ser que o psíquico, sendo, como é provável, mais familiarizado com a matéria astral, irá sentir-se mais à vontade em seu novo ambiente. Ser psíquico significa possuir um corpo físico sob vários aspectos mais sensível do que o da maioria das pessoas; conseqüentemente, quando o corpo físico é descartado, essa desigualdade desaparece.
A morte súbita, tal como a que se dá por um acidente, não deve necessariamente afetar a vida astral para pior, de qualquer maneira. Ao mesmo tempo, para a maioria das pessoas, a morte natural é preferível, porque o lento desgaste da idade ou a devastação produzida por uma prolongada doença são quase que invariavelmente acompanhadas por considerável afrouxamento e dissipação das partículas astrais, de forma que, quando o homem recupera a consciência no plano astral, verifica que, seja como for, um pouco do seu trabalho principal já foi feito para ele.
Na maioria dos casos, quando a vida terrena é subitamente cortada por acidente ou por suicídio, o elo entre Kama (desejo) e Prana (vitalidade) não é facilmente rompido, e o corpo astral sente-se, assim, fortemente vivificado.
A retirada dos princípios de seu invólucro físico, devido a morte súbita, em qualquer caso, foi corretamente comparada à retirada do caroço de uma fruta ainda não madura. Uma grande quantidade da mais grosseira espécie de matéria astral ainda rodeia a personalidade, que, conseqüentemente, é mantida no sétimo subplano astral, isto é, no mais baixo deles.
O terror mental e a perturbação que às vezes acompanham a morte acidental são naturalmente preparação muito desfavorável para a vida astral. Em certos e raros casos, a agitação e o terror podem persistir por algum tempo após a morte.
A vítima da pena de morte, além do dano que lhe é feito com o súbito arrancar do corpo astral em relação ao corpo físico, quando aquele corpo está latejando com sentimentos de ódio, paixão, vingança e tudo o mais, constitui um elemento peculiarmente perigoso no plano astral. Por desagradável a uma sociedade que possa ser um assassino em seu corpo físico, ele se torna obviamente muito mais perigoso quando é subitamente expelido desse corpo; e, embora a sociedade se proteja dos assassinos em corpo físico, torna-se indefesa, agora, contra assassinos subitamente projetados no plano astral quando em pleno referver de suas paixões.
Tais homens podem bem agir como instigadores de outros assassinos. É bem sabido que os assassínios de um tipo particular são às vezes repetidos muitas e muitas vezes na mesma comunidade.
A posição do suicida é muito mais complicada pelo fato de que seu gesto insensato diminuiu imensamente o poder do ego superior para recolher em si próprio sua porção inferior e, assim, levou-o a ficar exposto a
grandes perigos. Apesar disso, devemos lembrar, como já foi dito, que a culpa do suicídio difere consideravelmente, segundo as circunstâncias, desde o ato moralmente isento de culpa de Sócrates, até, através de todos os graus, o de um infeliz que se suicida a fim de escapar aos resultados físicos de seus próprios crimes e, sendo assim, a posição depois da morte varia de acordo com as referidas circunstâncias.
As conseqüências kármicas do suicídio são habitualmente graves: afetarão certamente a próxima vida e provavelmente outras ainda depois dessa. É um crime contra a Natureza interferir no período determinado para a vida física. Para cada pessoa há um fim de vida determinado por uma teia intrincada de causas anteriores, isto é, pelo Karma, e aquele termo deve chegar até o esgotamento, antes da dissolução da personalidade.
A atitude mental por ocasião da morte determina a posição subsequente da pessoa. Assim, há uma profunda diferença entre o que entrega sua vida por motivos altruísticos e o que deliberadamente destrói sua vida por motivos egoístas, tais como medo etc.
Os homens cuja mente é pura e espiritual, se forem vítimas de um acidente etc., dormem tranqüilamente até o termo de sua vida natural. Em outros casos permanecem conscientes — muitas vezes enleados na cena final de sua vida física durante algum tempo, mantidos naquela região com que estejam relacionados pelas camadas mais externas de seu corpo astral. Sua vida kâmalóquica normal só começa depois que a teia da vida terrena é desfeita, e eles ficam nitidamente conscientes tanto de seu ambiente físico como de seu ambiente astral.
Nem por um momento, portanto, deve-se supor que, por causa das muitas superioridades da vida astral sobre a vida física, um homem tenha justificativa para o suicídio ou para procurar a morte. Os homens são encarnados num corpo físico com um propósito que só nesse corpo pode ser atingido. Há lições a serem aprendidas no mundo físico, lições que não podem ser aprendidas em nenhum outro lugar, e quanto mais cedo as aprendamos mais cedo estaremos livres da necessidade de retornar a uma vida inferior e limitada. O ego tem de se dar a muito trabalho a fim de encarnar-se num corpo físico, e também para viver o cansativo período da primeira infância, durante o qual está ganhando algum controle sobre seus novos veículos, gradualmente, e com muito esforço. Tais esforços não devem, portanto, ser insensatamente desperdiçados. A esse respeito, o instinto natural de autopreservação deve ser obedecido, sendo dever do homem conservar ao máximo a sua vida terrena, por tanto tempo quanto as circunstâncias o permitam.
Se um homem que foi subitamente assassinado levou uma existência baixa, brutal, egoísta e sensual, estará inteiramente consciente no sétimo subplano astral e tenderá a se transformar numa entidade terrivelmente perversa. Inflamado por apetites que já não pode satisfazer, tentará talvez saciar suas paixões através de um médium ou de uma pessoa sensitiva que possa obsedar. Tais entidades sentem um prazer demoníaco ao usarem de todas as artes da ilusão astral e com isso levam outros aos mesmos excessos que eles próprios se permitiram. Desta classe e dos cascarões vitalizados é que saem os tentadores — os demônios da literatura eclesiástica.
O que se segue é uma descrição, vigorosamente feita, das vítimas de morte súbita, seja em se tratando de suicidas, seja em se tratando de mortos em
acidentes, quando tais vítimas são depravadas e grosseiras. "Sombras infelizes, se foram pecadoras ou sensuais, ficam vagando. .. até que chegue o momento em que sua morte deve ocorrer. Mortos quando no fluxo integral das paixões terrenas que os prendem a cenas familiares, são acicatados pelas oportunidades de satisfazê-las por substituição, oportunidades estas que lhes são fornecidas pelos médiuns. São os Pischachas, os íncubos, os súcubos da época medieval: os demônios da sede, da gula, da luxúria e da avareza, elementares de astúcia, perversidade e crueldade intensificadas, induzindo suas vítimas a crimes horrendos e regalando-se com a sua perpetração.
Soldados mortos em combate não pertencem inteiramente a essa classificação, porque, seja a causa pela qual estão lutando justa ou injusta, em abstrato, eles a consideram justa: para eles é o dever que os chama, e a ele sacrificam suas vidas, voluntariamente e sem egoísmo. A despeito de seus horrores, portanto, a guerra pode ser, apesar disso, um fator poderoso na evolução, em certo nível. Aí está também o grão de verdade existente na idéia do muçulmano fanático segundo a qual o homem que morre lutando pela fé segue diretamente para uma vida muito boa, no mundo seguinte.
No caso de crianças que morrem cedo, é pouco provável que demonstrem afinidade com as mais baixas subdivisões do mundo astral, e raramente são encontradas nos subplanos inferiores do astral.
Há pessoas que se agarram tão desesperadamente à existência material que, por ocasião da morte, seus corpos astrais não se podem separar do etérico e, conseqüentemente, acordam ainda rodeados pela matéria etérica. Tais pessoas ficam em situação muito desagradável: estão fora do mundo astral por causa do envoltório etérico que as rodeia e ao mesmo tempo estão, como é natural, igualmente fora da vida física comum, porque já não têm os órgãos físicos dos sentidos.
O resultado é ficarem a vagar, solitárias, silenciosas e aterrorizadas, incapazes de se comunicarem com entidades de qualquer dos planos. Não podem compreender que, se não se agarrassem freneticamente à matéria, passariam depois de alguns momentos de inconsciência para a vida habitual do plano astral. Agarram-se, porém, ao seu mundo cinzento, com sua mísera semiconsciência e preferem isso a mergulharem naquilo que imaginam ser a completa extinção ou mesmo o inferno que lhes ensinaram existir.
Com o correr do tempo, o envoltório etérico se desgasta e o curso normal da Natureza se reafirma, apesar daquelas lutas; às vezes, de puro desespero, abandonam-se arrojadamente, preferindo a idéia da aniquilação à sua existência presente — e o resultado é dominadora e surpreendentemente agradável.
Em alguns casos, outras entidades astrais podem conseguir ajudá-las, persuadindo-as a abandonar o que para elas é a vida, e mergulhar para fora dela.
Em outros casos, elas podem ter a infelicidade de descobrir meios para retomar, até certo ponto, contato com a vida física através de um médium, embora em regra geral o "espírito-guia" do médium muito acertadamente lhes proíba esse acesso.
O "guia" está certo em sua ação, porque tais entidades, em seu terror e necessidade, tornam-se muito carentes de escrúpulos e chegam a obsedar e mesmo enlouquecer o médium, lutando pela vida como um homem que se está afogando luta. Só podem ter êxito se o ego do médium enfraqueceu o domínio sobre seus veículos, permitindo-se manter pensamentos ou paixões indesejáveis.
Às vezes, uma entidade pode conseguir agarrar o corpo de um bebê, expulsando a frágil personalidade para a qual tal corpo estava destinado, ou chega mesmo a obsedar o corpo de um animal, o fragmento da alma-grupo que, no animal, está em lugar de um ego, tendo domínio do corpo menos forte do que o de um ego. Tal obsessão pode ser completa ou parcial. A entidade obsessora entra em contato, assim, uma vez mais com o plano físico, vê através dos olhos do animal e sente a dor infligida ao animal
e na verdade, pelo menos no que se refere à sua própria consciência, essa entidade é o animal, nessa ocasião.
O homem que assim se liga a um animal, não pode abandonar o corpo desse animal quando quiser, mas só gradualmente e com esforço considerável que talvez se prolongue por muitos dias. Habitualmente, ele se liberta apenas com a morte do animal e mesmo então permanece uma ligação astral que precisa ser desprendida. Depois da morte do animal, essa entidade procura às vezes obsedar outro membro da mesma espécie ou realmente qualquer outra criatura que possa agarrar, em seu desespero. Os animais mais comumente tomados parecem ser os menos evoluídos — gado, ovelhas e porcos. Criaturas mais inteligentes, como cães, gatos e cavalos, parecem não ser tão facilmente despojados, embora ocorram casos assim, ocasionalmente.
Todas as obsessões, sejam as de um corpo humano, sejam as de um corpo animal, são um mal e um prejuízo para a alma obsessora, já que fortalecem temporariamente seu apego ao material e retardam assim seu progresso natural em direção à vida astral, além de criarem para ela vínculos kármicos indesejáveis.
No caso de um homem que, por causa de apetites depravados ou outra razão semelhante, forma um vínculo muito forte com qualquer tipo de animal, mostra em seu corpo astral características animais e pode assemelhar-se, em seu aspecto, ao animal cujas qualidades foram encorajadas durante a vida terrena. Em casos extremos, o homem pode ficar ligado ao corpo astral do animal e tornar-se encadeado como um prisioneiro ao corpo físico do animal. O homem é consciente no mundo astral, tem suas faculdades humanas, mas não pode controlar o corpo animal nem expressar- se através daquele corpo no plano físico. O organismo animal ali está como um carcereiro, mais do que como um veículo e, além disso, a alma animal não é expulsa, mas permanece como o verdadeiro ocupante de seu corpo.
Casos desse tipo explicam, pelo menos parcialmente, a crença muitas vezes encontrada em países orientais, segundo a qual um homem pode, sob certas circunstâncias, reencarnar-se no corpo de um animal.
Destino idêntico pode caber ao homem que retorna ao plano astral em seu caminho para o renascimento, e isso está descrito no capítulo XXIV sobre Renascimento.
A classe de pessoas decididamente apegadas à terra pela ansiedade é muitas vezes chamada de "carnal": conforme diz St. Martin, tais homens são "permanecedores", não "retornadores", sem capacidade para se separarem inteiramente da matéria física até que apareça um assunto que lhes mereça especial interesse.
Já vimos que após a morte física o homem verdadeiro vai-se retirando, com firmeza, de seus corpos exteriores, e que, em particular, Manas, ou mente, tenta desembaraçar-se de Kama, ou desejo. O elo entre o mental inferior e o superior, "o cordão de prata que liga ao Mestre", parte-se em dois, em certos — e raros — casos em que a personalidade, ou homem inferior, esteja de tal forma controlada por Kama que o Manas inferior se tenha tornado inteiramente escravizado, e não consiga desembaraçar-se. A isso, em ocultismo, dá-se o nome de "perda da alma". É a perda do eu pessoal, que foi separado de seu progenitor, o ego superior, e assim se condenou a perecer.
Em tal caso, mesmo durante a vida terrena, o quaternário inferior é violentamente separado da Tríada, isto é, os princípios inferiores, encabeçados pelo Manas inferior, são desligados dos princípios supe- riores, Atma, Buddhi e Manas superior. O homem está dividido em dois, o bruto libertou-se e atira-se para a frente, desaçaimado, levando consigo os reflexos daquela luz manásica que deveria ser seu guia através da vida. Tal criatura, já que possui mente, é mesmo mais perigosa do que um animal não-evoluído; embora humano em sua forma, é um bruto em sua natureza, sem senso de verdade, amor ou justiça.
Depois da morte física, tal corpo astral é uma entidade de terrível potência e tem a particularidade de, sob certas circunstâncias, embora as condições sejam raras, poder reencarnar-se no mundo dos homens. Sem outros instintos que não sejam os do animal, levado apenas pelas paixões, nunca pela emoção, com uma astúcia que bruto algum pode emular, uma perversidade que é deliberada, chega ao máximo da vileza, e torna-se o inimigo natural de todos os seres humanos normais. Um ser dessa classe — conhecido como um Elementar — desce cada vez mais baixo a cada encarnação sucessiva, até que a força maligna ^se desgasta e perece, separando-se da fonte da vida. Desintegra-se, e assim está perdido como existência separada.
Do ponto de vista do ego não houve colheita de experiências úteis daquela personalidade: o "raio" nada levou ao voltar, a vida inferior foi um fracasso total e completo.
A palavra Elementar foi empregada por vários escritores em muitos sentidos diferentes, mas é recomendável que se confine esse nome à entidade acima descrita.
CAPÍTULO XVI
O Plano Astral
Este capítulo se restringirá, tanto quanto o permitam as complexidades do assunto, a uma descrição da natureza, aparências, propriedades etc., do plano ou mundo astral.
O estudante inteligente compreenderá a imensa dificuldade de se dar, em linguagem física, uma descrição adequada do mundo astral. A tarefa tem sido comparada à de um explorador de alguma desconhecida floresta tropical, a quem pedem que dê uma descrição completa da região que atravessou. As dificuldades de descrever o mundo astral ainda são complicadas por dois fatores:
(l) a dificuldade de transpor corretamente do plano astral para o físico a lembrança do que foi visto; e
(2) o fato de a linguagem do plano físico ser inadequada para expressar muito do que há para se dizer.
Uma das mais importantes características do mundo astral é a de estar cheio de formas que se modificam constantemente: vemos que ali existem não apenas formas-pensamentos, compostas de essência elemental e animadas por um pensamento, mas também vastas massas de essência elemental das quais as formas constantemente emergem e nas quais elas constantemente desaparecem. A essência elemental existe em centenas de variedades em cada subplano, como se o ar fosse visível e estivesse em constante movimento ondulatório, mostrando um colorido igual ao da madrepérola. Correntes de pensamentos estão continuamente agitando essa matéria astral, os pensamentos fortes persistindo como entidades durante muito tempo, os mais fracos vestindo-se de essência elemental e dissolvendo-se novamente.
Já vimos que a matéria astral existe em sete ordens de textura, correspondendo aos sete graus físicos de sólido, líquido, gasoso etc. Cada uma dessas sete ordens de matéria é a base de um dos sete níveis, subdivisões, ou subplanos (como são diferentemente chamados) do plano astral.
Tornou-se habitual falar-se desses sete níveis como sendo arranjados uns sobre os outros, ficando o mais denso na base e o mais fino no topo. Em muitos diagramas eles são realmente desenhados dessa maneira. Há uma certa verdade nesse método de representação, mas não toda a verdade.
A matéria de cada subplano interpenetra a do subplano que lhe está abaixo; conseqüentemente, na superfície da terra, todos os sete subplanos existem juntos, no mesmo espaço. Em todo o caso, também é verdade que os subplanos astrais superiores se estendem mais para longe da terra física do que os subplanos mais densos.
Uma analogia bastante boa da relação entre os subplanos astrais nós temos no mundo físico. Em considerável medida os líquidos interpenetram os
sólidos. Por exemplo, a água se infiltra no solo, os gases interpenetram os líquidos (a água contém, habitualmente, volume considerável de ar), e assim por diante. Não obstante, é substancialmente verdadeiro que o volume maior de água está nos mares, nos rios, etc., acima da terra sólida. Da mesma maneira, o volume maior da matéria gasosa fica acima da superfície da água, e vai muito mais além, no espaço, do que o sólido e o líquido.
O mesmo acontece com a matéria astral. Positivamente, a mais densa agregação de matéria astral está dentro dos limites da esfera física. Nessa conexão devemos notar que a matéria astral obedece às mesmas leis gerais que regem a matéria física e gravita em direção do centro da terra.
O sétimo, ou mais baixo subplano astral, penetra até certa distância no interior da terra, de forma que as entidades que nele vivem podem encontrar-se, realmente, dentro da crosta terrestre.
O sexto subplano é parcialmente coincidente com a superfície da terra.
O terceiro subplano, aquele que os espíritas chamam "Terra de Verão", estende-se por muitas milhas acima, na atmosfera.
O limite externo do mundo astral estende-se aproximadamente até a distante média da órbita lunar, de forma que, quando do perigeu, os planos astrais da terra e da lua habitualmente se tocam, mas não no apogeu. (Nota: A Terra e a Lua estão a uma distância de aproximadamente
240 000 milhas.) Daí o nome que os gregos davam ao plano astral: o mundo sublunar.
As sete subdivisões entram, naturalmente, em três grupos:
a sétima, ou a mais baixa;
a sexta, a quinta e a quarta; e
a terceira, a segunda e a primeira. A diferença entre os membros de um grupo pode ser comparada à que existe entre dois sólidos, por exemplo, aço e areia, e a diferença entre os grupos pode ser comparada à que existe entre um sólido e um líquido.
O subplano 7 tem o mundo físico como seu ambiente, embora apenas uma visão parcial e distorcida dele possa ser vista, já que tudo quanto é luminoso, bom e belo parece invisível. Há quatrocentos anos o escriba Ani descreveu-o assim, num papiro egípcio: "Que tipo de lugar é esse ao qual cheguei? Não tem água, não tem ar, é profundo, insondável, mais negro do que a mais negra noite, e os homens perambulam, desamparadamente, por ele. Neste lugar um homem não pode viver com o coração tranqüilo".
Para o ser infeliz que está naquele nível, é verdade realmente que "toda a terra está cheia de escuridão e de moradias cruéis", mas é uma escuridão que irradia dele próprio e leva-o a passar sua existência em noite perpétua de mal e horror — um inferno muito real, embora, como todos os outros infernos, seja inteiramente uma criação do homem.
A maioria dos estudantes considera a pesquisa nessa seção como tarefa extremamente desagradável, pois ali parece haver uma sensação de
densidade e de grosseiro materialismo, que é indescritivelmente repulsiva para o corpo astral liberado, dando a impressão de que o caminho é feito, forçadamente, através de um fluido negro, viscoso, enquanto os habitantes e as influências ali encontrados também se mostram inexcedivelmente indesejáveis.
O homem comum, decente, pouco encontraria para se deter provavelmente no sétimo subplano, sendo os alcoólatras, os sensuais, os criminosos violentos e outros assim, as únicas pessoas que acordam normalmente naquele subplano, pois são aquelas tomadas de desejos grosseiros e brutais.
Os subplanos 6, 5 e 4 têm por ambiente o mundo físico com o qual estamos familiarizados. A vida no número 6 é como a vida física habitual, com o corpo e suas necessidades a menos. Os números 5 e 4 são menos materiais e mais afastados do mundo inferior e seus interesses.
Como acontece com o físico, a matéria astral mais densa é densa demais para as formas habituais da vida astral, mas nesse mundo moram outras formas que lhe são próprias e inteiramente desconhecidas dos estudantes da superfície.
No quinto e quarto subplanos as associações meramente terrenas vão-se tornando cada vez menos importantes e as pessoas que ali estão tendem, sempre mais e mais, a modelar seu meio ambiente em concordância com os seus pensamentos mais persistentes.
Os subplanos 3, 2 e l, embora ocupando o mesmo espaço, dão a impressão de estarem muito distantes do mundo físico e, por conseguinte, menos materiais. Nesses níveis as entidades perdem de vista a terra e seus assuntos. Ficam, habitualmente, profundamente absorvidas em si mesmas e criam, em grande parte, seu próprio ambiente, embora este seja suficientemente objetivo para ser percebido por outras entidades.
Assim, estão pouco alertas para as realidades do plano, mas vivem em cidades imaginadas por elas próprias, em parte criando-as com seus pensamentos, em parte herdando e acrescentando algo às estruturas criadas pelos seus predecessores.
Ali se encontram as felizes regiões de caça do Pele Vermelha, o Valhalla dos nórdicos, o paraíso repleto de huris dos muçulmanos, a entrada de ouro e pedras preciosas da Nova Jerusalém dos cristãos, o céu cheio de escolas do reformador materialista. Ali também está a "Terra de Verão" dos espíritas, na qual existem casas, escolas, cidades etc., que, bastante reais como se mostram nessa ocasião, tornam-se, para uma percepção mais clara, deploravelmente diferentes daquilo que seus deleitados criadores imaginam que sejam. Apesar disso, muitas das criações mostram-se de uma beleza real, embora temporária, e um visitante que não conhecesse nada mais alto poderia perambular alegremente pelo cenário natural arranjado, que, seja como for, é muito superior a tudo que existe no mundo físico. Ou talvez esse visitante preferisse construir seu cenário de acordo com a sua própria fantasia.
O segundo subplano é a morada, especialmente, do beato egoísta e nada espiritual. Ali ele usa sua coroa de ouro e cultua sua própria representação, grosseiramente material, da deidade particular de seu país, na ocasião.
O primeiro subplano é apropriado especialmente para os que, durante a vida na terra, dedicaram-se a trabalhos materialistas, mas intelectuais, fazendo-o não para ajudar seus semelhantes, mas por ambição egoísta ou simplesmente por amor do exercício intelectual. Tais pessoas podem permanecer nesse subplano por muitos anos, felizes por desenvolver seus problemas intelectuais, mas sem fazer bem a ninguém e tendo pequeno progresso em seu caminho para o mundo celestial.
Neste último, o subplano atômico, os homens não constróem para si próprios concepções imaginárias, como fazem nos planos inferiores.
Pensadores e homens de ciência muitas vezes utilizam, para fins de seus estudos, quase todos os poderes do plano astral por inteiro, já que podem descer quase até o físico, dentro de certos limites. Assim, podem descer rapidamente sobre a contraparte astral de um livro físico, e extrair dela a informação desejada. Com facilidade entram em contato com a mente de um autor, gravam nela as suas idéias e, em troca, recebem as dele. Às vezes retardam seriamente sua partida para o mundo celestial, pela avidez com que seguem as linhas de um estudo e de uma experiência, no plano astral.
Embora falemos da matéria astral como sólida, ela nunca o é, realmente, mostrando-se apenas relativamente sólida. Os alquimistas medievais simbolizavam a matéria astral pela água, por causa da sua fluidez e penetrabilidade. As partículas na matéria astral mais densa , ficam bem separadas, relativamente ao seu tamanho, mais do que mesmo as partículas gasosas. Daí ser mais fácil para dois corpos da mais densa matéria astral passarem um pelo outro, do que seria para o mais leve gás o difundir-se no ar.
As pessoas no plano astral podem passar, e passam umas através das outras constantemente, bem como através de objetos astrais fixos. Não pode haver nunca o que chamamos colisão, e sob circunstâncias comuns dois corpos que se interpenetram nem sequer são afetados de forma apreciável. Se, entretanto, a interpenetração se prolonga por algum tempo, tal como quando duas pessoas se sentam lado a lado numa igreja ou num teatro, um efeito considerável pode ser produzido.
Se um homem pensou numa montanha como num obstáculo, não pode passar através dela. Aprender que aquilo não é um obstáculo é precisamente o objetivo de uma parte do que é chamado "teste da terra".
Uma explosão no plano astral pode ser temporariamente desastrosa, tanto como uma explosão de dinamite no plano físico, mas os fragmentos astrais rapidamente se reúnem outra vez. Assim, não pode haver um acidente no plano astral, em nosso sentido da palavra, porque o corpo astral, sendo fluídico, não pode ser destruído ou permanentemente lesado, como acontece com o corpo físico.
Um objeto puramente astral pode ser movido através de uma mão astral, se a pessoa o quiser, mas o mesmo não acontece com a contraparte astral de um objeto físico. Para mover essa contraparte seria necessário materializar a mão e mover o objeto físico. Então, a contraparte astral o acompanharia naturalmente. Á contraparte astral ali está porque o objeto físico também está ali, tal como o perfume de uma rosa é sentido num aposento porque a rosa ali se encontra. Não se pode mover um objeto
físico movendo sua contraparte astral, assim como não se pode mover uma rosa movendo seu perfume.
No plano astral não se toca nunca a superfície das coisas, como para sentir se são duras ou macias, ásperas ou lisas, frias ou quentes, mas entrando em contato com a substância interpenetrante vem a consciência de um ritmo diferente de vibração, que pode naturalmente ser agradável ou desagradável, estimulante ou depressiva.
Assim, se alguém está de pé sobre a terra, parte de seu corpo astral interpenetra o chão, sob os pés, mas o corpo astral não terá consciência disso através de alguma coisa que corresponda a uma sensação de dureza, ou por qualquer diferença no poder de se movimentar.
No plano astral não se tem a impressão de saltar sobre um precipício, mas, e simplesmente, a de flutuar sobre ele.
Embora a luz de todos os planos venha do sol, ainda assim o efeito que ela produz no plano astral é inteiramente diferente do que lhe daria o físico. No mundo astral há uma luminosidade difusa, que, é evidente, não emana de qualquer direção especial. Toda matéria astral é luminosa em si mesma, embora um corpo astral não se pareça a uma esfera pintada, e sim, antes, a uma esfera de fogo vivo. Jamais há escuridão no plano astral. A passagem de uma nuvem, no plano físico, diante do sol, não faz qualquer diferença no plano astral, como também não faz a sombra que aqui na terra chamamos noite. Todos os corpos astrais são transparentes; não há sombras.
As condições climáticas e atmosféricas não têm diferença virtual para o trabalho nos planos astral e mental. Estar numa grande cidade faz uma grande diferença, por causa das massas de formas-pensamentos.
No plano astral há muitas correntes que tendem a levar consigo pessoas destituídas de vontade, e mesmo aquelas que têm vontade mas não sabem como usá-la.
Não há nada que se pareça ao sono, no mundo astral.
É possível esquecer, no plano astral, da mesma forma como o é possível no físico. Talvez seja ainda mais fácil esquecer no plano astral do que no físico, porque aquele mundo é muito movimentado e populoso.
Conhecer uma pessoa no plano astral não significa conhecê-la no mundo físico.
O plano astral tem sido chamado, com freqüência, o reino da ilusão — não porque em si próprio seja mais ilusório do que o mundo, físico, mas por causa da extrema insegurança que causam impressões trazidas de lá por videntes não treinados. Isso se explica através de duas notáveis características do mundo astral:
(l) muitos dos seus moradores têm o maravilhoso poder de modificar sua forma com versátil rapidez, e também o de fascinar ilimitadamente aqueles com os quais desejam divertir-se; e
(2) a visão astral é muito diferente e muito mais extensa do que a visão física.
Assim, com a visão astral um objeto é visto, por assim dizer, por todos os lados ao mesmo tempo, sendo cada partícula no interior de um sólido tão claramente aberta à vista como as que estão por fora, e tudo inteiramente livre da distorção da perspectiva.
Se olharmos para um relógio astralmente, veremos a face e todas as rodas separadamente, mas nada sobre outra coisa qualquer. Olhando para um livro fechado veremos cada página, não através das outras páginas, adiante ou atrás delas, mas veremos diretamente cada página, como se fosse a única a ser vista.
É fácil ver que, sob tais condições, mesmo os objetos mais familiares podem ser inteiramente irreconhecíveis de início e que um visitante sem experiência pode bem encontrar muitíssima dificuldade para compreender o que realmente está vendo, e ainda mais para traduzir sua visão para a muito inadequada linguagem do falar comum. Ainda assim, um momento de consideração mostrará que a visão astral se aproxima muito mais da verdadeira percepção do que a visão física, que está sujeita a distorções da perspectiva.
Além dessas possíveis fontes de erro, as coisas ainda se complicam mais pelo fato de a visão astral conhecer formas de matéria que, embora ainda puramente físicas, são apesar disso invisíveis sob condições comuns. Assim, por exemplo, são as partículas que compõem a atmosfera, todas as emanações que estão sendo continuamente libertadas por tudo quanto tem vida e também os quatro graus de matéria etérica.
Ademais, a visão astral traz à visão outras e diferentes cores, para além dos limites do espectro comum visível, os raios infravermelhos e ultravioletas, conhecidos pela ciência física, sendo claramente visíveis para a visão astral.
Para tomar um exemplo concreto, uma rocha, vista com visão astral, não é apenas massa inerme de pedra. Com a visão astral:
(l) o todo da matéria física é visto, e não apenas uma pequena parte dela;
as vibrações das partículas físicas são perceptíveis;
a contraparte astral, composta de vários graus de matéria astral, todas em constante movimento, é visível;
a vida universal (Prana) é vista circulando através da rocha e irradiando dela;
uma aura será vista a envolvê-la;
sua essência elemental própria é vista impregnando-a, sempre ativa, mas sempre flutuando.
No caso dos reinos vegetal, animal e humano, as complicações são, como é natural, muito mais numerosas. Um bom exemplo do tipo de erro que «tende a ocorrer no plano astral é a freqüente inversão de qualquer número que o vidente tenha registrado, de forma que é possível dizer, vejamos, 139 por 931, e assim por diante. No caso de um estudante de ocultismo treinado
por um Mestre competente, tal erro seria impossível, a não ser que fosse devido a uma grande pressa ou negligência, pois esse aluno tem de passar através de longo e variado curso de instruções nessa arte de ver corretamente. Um vidente treinado em tempo adquire uma certeza e confiança no trato com os fenômenos do plano astral, que excedem a qualquer coisa possível na vida física.
É um grande erro falar com desprezo do plano astral e pensar que ele é indigno de atenção. Seria natural e certamente, bastante desastroso para qualquer estudante negligenciar seu desenvolvimento maior e ficar satisfeito com ter atingido a consciência astral. Em alguns casos é realmente possível desenvolver primeiro as mais altas faculdades mentais, ultrapassando o plano astral por um tempo, por assim dizer. Mas esse não é o método habitual adotado pelos Mestres da Sabedoria com seus discípulos. Para a maioria, o progresso aos saltos não é possível. Será necessário, portanto, proceder vagarosamente, passo por passo.
Na Voz do Silêncio fala-se em três vestíbulos. O primeiro, o da ignorância, é o plano físico; o segundo, o Vestíbulo do Aprendizado, é o plano astral, assim chamado porque a abertura dos Chakras astrais revela tanto mais do que é visível no plano físico que o homem sente estar mais perto da realidade da coisa; ainda assim, ali ainda é um lugar de aprendizado probatório. Mais real ainda é o conhecimento preciso que ele adquire no Vestíbulo da Sabedoria, que é o plano mental.
Uma parte importante do cenário do plano astral consiste daquilo que, erradamente mas com freqüência, é chamado Registros da Luz Astral. Esses registros (que, na verdade, são uma espécie de materialização da memória divina — uma representação fotográfica viva de tudo que já aconteceu) são real e permanentemente impressos sobre um nível muito mais alto e só se refletem de forma mais ou menos espasmódica no plano astral. Assim, alguém cujo poder de visão não vai além disso só poderá obter quadros ocasionais e desconexos do passado, em lugar de uma narrativa coerente. Sem embargo, esses quadros refletidos de toda a espécie de eventos pretéritos estão sendo constantemente reproduzidos no mundo astral e formam parte importante daquilo que ali rodeia o investigador.
A comunicação no plano astral é limitada pelo conhecimento da entidade, tal como o é no mundo físico. Quem tem possibilidade de usar o corpo mental pode comunicar seus pensamentos às entidades humanas que ali estão, mais facilmente e mais rapidamente do que na terra, por meio de impressões mentais. Os moradores comuns do mundo astral não estão habitualmente capacitados para exercer esse poder. Parecem restringidos por limitações similares àquelas que prevalecem na terra, embora talvez menos rígidas. Conseqüentemente (tal como foi anteriormente mencionado) são encontrados ali, tal como aqui, em grupos que se reuniram pelas simpatias, crenças e linguagem comum.
CAPÍTULO XVII
Diversos Fenômenos Astrais
Há razões para se supor que pode não se passar muito tempo antes que uma ou duas forças superfísicas venham a ser conhecidas pelo mundo em geral. Uma experiência comum em "sessões" espíritas é a do emprego de força praticamente irresistível nos movimentos instantâneos de pesos enormes, por exemplo, e assim por diante. Há várias formas de se conseguir esse resultado. Podemos sugerir quatro delas:
Existem as grandes correntes etéricas à superfície da terra, fluindo de pólo a pólo, em volumes que fazem seu poder tão irresistível quanto o das marés montantes, e há métodos através dos quais essa estupenda força pode ser utilizada com segurança, embora tentativas pouco hábeis no sentido de controlá-la possam ser carregadas do maior perigo.
Existe uma pressão etérica, algo que corresponde, embora seja muitíssimo maior, à pressão atmosférica. O ocultismo prático ensina como determinado corpo de éter pode ser isolado do resto, de forma que a tremenda força da pressão etérica possa ser levada a agir.
Existe um vasto armazenamento de energia potencial, que se vem mantendo adormecida na matéria durante a involução do sutil para o grosseiro. Pela modificação da condição da matéria alguma dessa energia pode ser liberada e utilizada, mais ou menos como a energia latente sob a forma de calor pode ser liberada mediante uma modificação na condição da matéria visível.
Muitos resultados podem ser obtidos através do que é conhecido como vibração simpática. Fazendo ressoar a nota tônica da classe de matéria que se deseja afetar, uma quantidade imensa de vibrações simpáticas pode ser produzida. Quando isso é feito no plano físico, isto é, fazendo-se ressoar uma nota na harpa e levando outras harpas afinadas na mesma tonalidade a responderem simpaticamente, não há energia adicional desenvolvida. No plano astral, entretanto, a matéria é muitíssimo menos inerte, de forma que, quando chamada à ação pelas vibrações simpáticas, acrescenta sua própria força viva ao impulso original, que, assim, pode ser multiplicado muitíssimas vezes. Através de ulterior repetição rítmica do impulso original, as vibrações podem ser de tal modo intensificadas que o resultado fica aparentemente fora de proporção com a causa. Parece que dificilmente há qualquer limite às realizações concebíveis dessa força em mãos de um grande Adepto que compreenda integralmente suas possibilidades, já que a própria construção do Universo não foi senão o resultado de vibrações postas em movimento pela Palavra Falada.
O tipo de mantras ou encantamentos que produz resultados sem ser através do controle de algum elemental, mas apenas pela repetição de certos sons, também depende, para sua eficácia, dessa ação das vibrações simpáticas.
Os fenômenos de desintegração também podem ser produzidos pela ação de vibrações extremamente rápidas, que se sobrepõem à coesão das moléculas
do objeto que está sendo tratado. Uma vibração ainda mais alta, de um tipo algo diferente, separará essas moléculas em seus átomos constituintes. Um corpo assim reduzido à condição etérica pode ser movido de um lugar para o outro com uma rapidez muito grande. E, no momento em que a força exercida é retirada, ele será forçado pela pressão etérica a reassumir sua condição original.
É necessário explicar como a forma de um objeto é preservada ao ser ele desintegrado e depois rematerializado. Se uma chave de metal, por exemplo, for levada à condição vaporosa pelo calor, quando o calor é retirado o metal se solidificará, mas em lugar de termos uma chave teremos um pedaço de metal. Isso acontece porque a essência elemental que dá forma à chave foi dissipada pela alteração na sua condição. Não quer dizer que a essência elemental possa ser afetada pelo calor, mas que, quando seu corpo temporário é destruído em sua qualidade de sólido, a essência elemental volta ao grande reservatório dessa essência, tal como os superiores princípios do homem, embora inteiramente intocados pelo frio ou pelo calor, ainda assim são expulsos do corpo físico quando este último é destruído pelo fogo.
Conseqüentemente, quando o metal da chave esfria e retorna à condição de sólido, a essência elemental "terra" que volta para ela não é a mesma que ali estava antes, portanto não há razão para que o feitio da chave seja conservado.
Mas um homem que desintegrasse uma chave a fim de levá-la de um lugar para outro, teria o cuidado de manter a essência elemental exatamente na mesma forma até que a transferência se completasse e, então, quando a força de sua vontade fosse removida, ela aluaria como um molde no qual as partículas solidificantes seriam reagregadas. Assim, a não ser que falhasse o poder da vontade do operador, o formato seria perfeitamente preservado.
Aportes, ou o transporte quase instantâneo de objetos que estão a grande distância, para as sessões espíritas, são, às vezes, produzidos dessa maneira, porque é óbvio que, quando desintegrados, poderiam passar com perfeita facilidade através de substância sólida, tal como a parede de uma casa ou o lado de uma caixa fechada. A passagem da matéria através da matéria é, assim, quando compreendida, tão simples como a passagem da água através de um crivo ou a de um gás através de um líquido.
A materialização, ou a mudança de um objeto do estado etérico para o sólido, pode ser produzida por uma inversão do processo acima. Nesse caso, também um esforço contínuo da vontade é necessário para evitar que a matéria materializada recaia na condição etérica. Os vários tipos de materialização serão descritos no capítulo XXVIII, Auxiliares Invisíveis.
Perturbações elétricas de qualquer espécie apresentam dificuldade tanto para a materialização como para a desintegração, presumivelmente pelo mesmo motivo que leva a luz brilhante a torná-las quase impossíveis — o efeito destrutivo da vibração forte.
A reduplicação é produzida pela formação de uma imagem mental perfeita do objeto a ser copiado e, então, seguindo-se a isso, vem a colheita da necessária matéria astral e física para o molde. O fenômeno requer considerável poder de concentração para realizar-se, porque cada partícula, seja interna ou externa do objeto a ser duplicado, deve ser
mantida perfeita e simultaneamente à vista. Uma pessoa que seja incapaz de extrair a matéria desejada diretamente do éter circundante pode, às vezes, obtê-la do material do artigo original, que seria, então, diminuído correspondentemente, em seu peso.
A precipitação de letras etc. pode ser produzida de várias maneiras. Um Adepto pode colocar uma folha de papel diante de si, formar uma imagem mental da escrita que deseja ver surgir nele e retirar do éter a matéria com a qual tornará a imagem objetiva. Ou pode, com a mesma facilidade, ter o mesmo resultado sobre uma folha de papel que esteja diante de seu correspondente, seja qual for a distância existente entre eles.
Um terceiro método, mais rápido, portanto com maior freqüência adotado, é imprimir toda a substância da carta na mente de algum discípulo e deixar para ele o trabalho mecânico da precipitação. O discípulo imaginará então que vê a carta escrita no papel que está nas mãos de seu Mestre e torna objetiva a escrita, tal como acabamos de descrever. Se ele achar difícil retirar matéria do éter e precipitar a escrita no papel, simultaneamente, pode ter à mão tinta ou pó colorido, do qual ele pode retirá-la mais facilmente.
É também fácil imitar a caligrafia de outra pessoa, e seria impossível detectar tal falsificação pelos meios comuns. O discípulo de um Mestre tem um teste infalível que pode aplicar, mas para outros a prova de origem deve estar apenas no conteúdo da carta e o espírito que a anima, porque a caligrafia, por muito bem imitada que seja, não tem valor como evidência.
Um discípulo novo no trabalho poderia provavelmente imaginar só algumas palavras de cada vez, mas um que tivesse mais experiência poderia visualizar toda a página, ou mesmo toda a carta, ao mesmo tempo. Dessa forma, cartas bastante longas são às vezes produzidas em alguns segundos, nas sessões espíritas.
Quadros são precipitados da mesma maneira, a não ser que, nesse caso, é necessário visualizar toda a cena de uma vez; e se muitas cores forem usadas, elas têm de ser manufaturadas, mantidas em separado e corretamente aplicadas. Evidentemente, aqui há campo para a faculdade artística, e aqueles que tiverem experiência como artistas terão mais êxito do que os que não possuem tal experiência.
A escrita em lousas é produzida às vezes por precipitação, embora mais freqüentemente minúsculos pontos da mão dos espíritos possam ser materializados apenas o bastante para segurarem o pedaço de lápis.
A levitação, que é a flutuação de um corpo humano no ar, é com freqüência realizada em sessões por "mãos de espíritos" que sustentam o corpo do médium. Pode ser conseguida igualmente com o auxílio dos elementais do ar e da água. No Oriente, contudo, sempre se emprega outro método, que aqui é ocasionalmente empregado. Sabe a ciência oculta que há um método para neutralizar e mesmo inverter a força da gravidade, que é um fato de natureza magnética através do qual a levitação pode ser facilmente produzida. Sem dúvida, esse método foi usado para erguer algumas naves aéreas da antiga índia e da Atlântida, e não é improvável que método semelhante tenha sido empregado na construção das Pirâmides e de Stonehenge.
A levitação também se dá em alguns ascetas da índia, e alguns dos maiores santos cristãos, quando em profunda meditação, foram erguidos do solo — por exemplo, Santa Teresa e São José de Cupertino.
Já que a luz consiste em vibrações do éter, é óbvio que alguém que seja conhecedor de como produzir essas vibrações pode produzir "luzes de espíritos", seja a suave fosforescência ou a deslumbradora variedade elétrica, ou aqueles globos dançantes de luz nos quais certa classe de elementais do fogo tão facilmente se transformam.
O fato de se manejar fogo sem sofrer dano pode ser conseguido fazendo-se a cobertura da mão com a mais delgada camada de substância etérica, manipulada para ser impermeável ao calor. Há ainda outras formas que podem ser usadas.
A produção de fogo também está dentro dos recursos do plano astral, bem como a forma de neutralizar seus efeitos. Parece haver pelo menos três maneiras de se fazer isso:
(l) estabelecer e manter o ritmo necessário de vibração, quando a combustão vai ser produzida;
introduzir, de forma quadridimensional, minúsculos fragmentos de matéria resplandecente e então soprá-los até que se expandam em chamas;
introduzir constituintes químicos que produzam combustão.
A transmutação de metais pode ser obtida reduzindo-se a peça de metal à condição atômica e tornando a arranjar os átomos em outra forma.
A repercussão, da qual trataremos no capítulo sobre Auxiliares Invisíveis, também se deve ao princípio de vibração simpática descrito acima.
CAPÍTULO XVIII
A Quarta Dimensão
Há muitas características do mundo astral que concordam, em notável exatidão, com um mundo de quatro dimensões, tal como a concebem a geometria e a matemática. Tão íntima, na verdade, é essa concordância, que se conhecem casos em que um estudo puramente intelectual da geometria da quarta dimensão despertou a visão astral no estudante.
Os livros clássicos no assunto são os de C. H. Hinton: Scientific Romances, vols. I e II, e A New Era of Thought: The Fourtb Dimension. São livros muito recomendados por C. W. Leadbeater, e ele declara que o estudo da quarta dimensão é o melhor método que conhece para se obter a concepção das condições existentes no plano astral, e que a exposição de
C. H. Hinton sobre a quarta dimensão é a única que dá, aqui, qualquer espécie de explicação de fatos constantemente observados pela visão astral.
Outros livros posteriores são vários, de Claude Bragdon: The Beautiful Necessity, A Primer of Higher Space, Fourth Dimensional Vistas etc. Há, de P. D. Ouspensky, Tertium Organum (livro dos mais esclarecedores). E, sem dúvida, muitos outros mais.
Para os que não fizeram estudo algum do assunto podemos dar, aqui, o mais simples delineamento de alguns dos aspectos principais subjacentes na quarta dimensão.
Um ponto que tem "posição" mas não "magnitude" não tem dimensões; uma linha, criada pelo movimento de um ponto, tem uma dimensão, comprimento; uma superfície, criada pelo movimento de uma linha, em ângulos retos consigo mesma, tem duas dimensões, comprimento e largura; um sólido, criado pelo movimento de uma superfície em ângulos retos consigo mesma, tem três dimensões, comprimento, largura e espessura.
Um tesseract é um objeto hipotético, criado pelo movimento de um sólido, em nova direção, em ângulos retos consigo mesmo, tendo quatro dimensões: comprimento, largura, espessura e uma outra, em ângulos retos com essas três, mas incapaz de se fazer representar em nosso mundo de três dimensões.
Muitas das propriedades de um tesseract podem ser deduzidas de acordo com o seguinte quadro:
Pontos Linhas Superfíci es Sólidos
Um Ponto tem ... 1 - - -
Uma Linha tem... 2 1 - -
Uma Superfície de quatro lados tem ... 4 4 1 -
Um Cubo tem ... 8 12 6 1
Um Tesseract tem... 16 32 24 8
O tesseract, tal como é descrito por C. H. Hinton, foi declarado uma realidade por C. W. Leadbeater, sendo figura bastante familiar no plano astral. No livro Some Occult Experiences, de J. Van Manen, o autor faz uma tentativa para representar graficamente um globo em quatro dimensões.
Há um íntimo e sugestivo paralelo entre fenômenos que podem ser produzidos por meio de objetos tridimensionais, num mundo hipotético de duas dimensões, habitado por um ser consciente apenas de duas dimensões, e muitos fenômenos astrais tal como aparecem a nós, que vivemos num mundo tridimensional.
Assim:
Objetos levantados através da terceira dimensão poderiam ser levados a aparecer ou desaparecer de um mundo bidimensional, à vontade.
Um objeto completamente cercado por uma linha poderia ser erguido para fora do espaço que o encerrasse através da terceira dimensão.
Curvando um mundo bidimensional, representado por uma folha de papel, dois pontos distantes poderiam ser reunidos, ou mesmo levados a coincidirem, destruindo assim a concepção bidimensional de distância.
Um objeto manejado com a mão direita poderia ser invertido, através da terceira dimensão, e reaparecer como um objeto da mão esquerda.
Olhando da terceira dimensão para um objeto bidimensional, cada ponto deste último pode ser visto de uma só vez e livre de distorção da perspectiva.
Para um ser limitado à concepção de duas dimensões, o que ficou dito acima pareceria "milagroso" e completamente incompreensível.
O curioso é que enganos como esse estejam sendo constantemente sofridos por nós, como bem sabem os espíritas:
(l) entidades e objetos aparecem e desaparecem;
aportes de artigos vindos de grandes distâncias são feitos;
artigos são retirados de caixas fechadas;
o espaço parece ser virtualmente aniquilado;
um objeto pode ser invertido, isto é, uma mão direita se transforma em mão esquerda;
todas as partes de um objeto, de um cubo por exemplo, são vistas simultaneamente e livres de qualquer distorção de perspectiva e, da mesma forma, o todo da matéria de um livro fechado pode ser visto ao mesmo tempo.
Explica-se o surgimento da força, nos Chakras, por exemplo, que parece não vir de parte alguma, como naturalmente oriunda da quarta dimensão.
Um líquido vertido sobre uma superfície tende a espalhar-se em duas dimensões, tornando-se muito fino na terceira dimensão. Da mesma forma um gás tende a se espalhar em três dimensões e pode ser que, fazendo isso, se venha a tornar menor na quarta dimensão, isto é, a densidade do gás pode ser a medida de sua relativa espessura na quarta dimensão.
Está claro que não há necessidade de parar nas quatro dimensões: tanto quanto sabemos, pode haver infinitas dimensões no espaço. Seja como for, parece certo que o mundo astral tem quatro dimensões, o mental tem cinco dimensões e o búdico tem seis dimensões.
Deve ficar claro que, se existirem, digamos, sete dimensões, há seis dimensões sempre e em toda a parte, isto é, não há isso de um ser de três ou quatro dimensões. A diferença aparente é devida ao limitado poder de concepção da entidade em apreço e não a qualquer modificação nos objetos vistos. Essa idéia é muito bem apresentada no livro Tertium Organum, de Ouspensky.
Entretanto, um homem pode desenvolver consciência astral e ainda assim não ser capaz de perceber ou apreciar a quarta dimensão. Na verdade, é certo que o homem médio não percebe a quarta dimensão quando entra no plano astral. Sente-a apenas como algo enevoado, e a maioria dos homens passa a sua vida astral sem descobrir a realidade da quarta dimensão na matéria que os rodeia.
Entidades tais como os espíritos da natureza, que pertencem ao plano astral, têm, por sua natureza, a faculdade de ver o aspecto quadrimensional de todos os objetos, mas mesmo eles não os vêem perfeitamente, desde que só percebem neles a matéria astral e não a física, tal como nós percebemos a física e não a astral.
A passagem de um objeto através de outro não provoca a questão da quarta dimensão, mas pode ser realizada pela desintegração — método puramente tridimensional.
O tempo não é absolutamente a quarta dimensão, mas, ainda assim, visualizar o problema a partir do ponto de vista do tempo fornece ligeiro auxílio para a compreensão. A passagem de um cone através de uma folha de papel pareceria, a uma entidade que vivesse nessa folha de papel, como um círculo com o tamanho alterado. A entidade naturalmente seria incapaz de perceber todos os estágios do círculo como existindo reunidos, partes que são de um cone. Da mesma maneira, para nós, o crescimento de um objeto sólido, visto do plano búdico, corresponde à visão do cone como um todo e
assim lança alguma luz sobre a nossa ilusão de passado, presente e futuro, e sobre a faculdade de previsão.
A visão transcendental do tempo é muito bem tratada na história de C. H. Hinton, Stella, que está incluída no segundo volume do livro Scientific Romances. Também existem referências interessantes para essa concepção em A Doutrina Secreta de H. P. B., vols. I, pp. 101-102, e III, p. 464, ed. Pensamento.
Importante e interessante observação é a de que a geometria, tal como a temos agora, não passa de um fragmento, uma preparação esotérica para a realidade esotérica. Tendo perdido o verdadeiro senso do espaço, o primeiro passo a dar em direção do conhecimento é a idéia da quarta dimensão.
Podemos conceber a Mônada no início da sua evolução como capaz de mover- se e ver em infinitas dimensões, uma delas sendo cortada a cada passo descendente, até que restem apenas três para a consciência do cérebro físico. Assim, pela involução na matéria vamos perdendo o conhecimento, menos de um ponto diminuto, de todos os mundos que rodeiam, e mesmo o que fica é imperfeitamente visualizado.
Com a visão de quatro dimensões pode-se observar que os planetas isolados em nossas três dimensões estão reunidos quadrimensionalmente, sendo esses globos realmente as pontas das pétalas que são parte de uma grande flor: daí a concepção hindu do sistema solar como um lótus.
Existe também, através de uma dimensão superior, direta conexão entre o coração do sol e o centro da terra, de forma que elementos aparecem na terra sem passarem através do que chamamos superfície.
O estudo da quarta dimensão parece levar diretamente ao misticismo. Assim, C. H. Hinton usa constantemente a expressão "descartando o eu", fazendo sentir que, para apreciar um sólido quadrimensionalmente, é necessário olhar para ele não de qualquer ponto de vista, mas de todos os pontos de vista simultaneamente, isto é, o "eu" ou ponto de vista particular e isolado deve ser transcendido e substituído pela visão geral e destituída de egoísmo.
Recordemos também as famosas palavras de São Paulo (Efestos, III, 17:18): "Para que vós, que sois arraigados e fundados no amor, possais compreender, com todos os santos, o que é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade".
CAPÍTULO XIX
Entidades Astrais: Humanas
Enumerar t descrever cada tipo de entidade astral seria tarefa tão formidável como a de enumerar e descrever cada tipo de entidade física. Tudo quanto podemos tentar aqui é tabular as classes principais e dar uma breve descrição de cada uma delas.
ENTIDADES ASTRAIS: HUMANAS
Humanas Não-humanas Artificiais
Fisicamente vivas
Fisicamente Mortas
1. Pessoa comum 1 . Pessoa comum 1. Essência Elemental 1. Elementais formados inconscientemente
2. Psíquicos 2. Sombras 2. Corpo astral de animais 2. Elementais formados
conscientemente
3. Adepto ou seu discípulo 3. Cascão 3. Espíritos da natureza 3. Artificiais humanos
4. Mago negro ou
seu discípulo 4. Cascão
Vitalizado 4. Devas
5. Suicidas e vítimas de morte súbita
6. Vampiros e
lobisomnes
7. Magos negros ou seus
discípulos
8. Discípulos
aguardando reencarnação
9. Nirmanakaya
A fim de se fazer a classificação bastante completa, e necessário dizer que, além das entidades anotadas acima, Adeptos muito elevados vindos de outros planetas do sistema solar e visitantes ainda mais augustos vindos de distância ainda maior aparecem ocasionalmente, mas embora seja possível, torna-se quase inconcebível que tais Seres cheguem a se manifestar num plano tão baixo como o astral. Se quisessem fazê-lo, criariam um corpo temporário de matéria astral deste planeta.
Em segundo lugar, há também duas grandes evoluções desenvolvendo-se nesse planeta, embora pareça que não há a intenção de que elas, ou o homem, possam habitualmente estar conscientes uns dos outros. Se chegamos a ter contato com elas, provavelmente esse contato seria físico, sendo sua conexão com o nosso plano astral muito tênue. A única possibilidade de aparecerem depende de um incidente extremamente improvável em cerimônia mágica, que apenas poucos dos mais avançados magos sabem como realizar; não obstante, isso aconteceu pelo menos uma vez.
A Classe Humana: (a) Fisicamente vivos
A pessoa comum. — Essa classe consiste em pessoas cujos corpos físicos estão adormecidos e que flutuam pelo plano astral, em vários graus de consciência, conforme já foi descrito no capítulo IX, A Vida no sono.
O psíquico. — A pessoa psiquicamente desenvolvida estará, de hábito, perfeitamente consciente quando fora do corpo físico, mas por falta de um treinamento apropriado será talvez vítima de enganos quanto ao que vê. Com freqüência poderá percorrer todos os subplanos astrais, mas às vezes é especialmente atraída por um deles e raramente passa para além da influência desse plano. Suas recordações do que viu podem naturalmente variar entre perfeita nitidez, máxima distorção, ou o absoluto esquecimento. Já que a supomos fora da orientação de um Mestre, aparecerá sempre em seu corpo astral, já que não sabe como funcionar em seu veículo mental.
O Adepto e Seus discípulos. — Esta classe não emprega habitualmente o corpo astral, e sim o corpo mental, que é composto da matéria dos quatro níveis inferiores do plano mental. A vantagem deste veículo é permitir a passagem instantânea do mental para o astral e vice-versa, permitindo ainda o uso, em todas as ocasiões, do poder maior e maior agudeza dos sentidos de seu próprio plano.
Não sendo o corpo mental perceptível à visão astral, o discípulo que nele trabalha aprende a reunir em torno de si um véu temporário de matéria astral, quando deseja tornar-se visível para entidades astrais. Tal veículo, embora seja na aparência uma exata reprodução do homem, não contém nada da matéria de seu próprio corpo astral, mas corresponde a ele da mesma forma pela qual a materialização corresponde a um corpo físico.
Num estágio mais precoce de desenvolvimento, o discípulo pode ser encontrado funcionando em seu corpo astral como qualquer outro; mas, seja qual for o veículo que esteja empregando, um discípulo, sob a orientação de um Mestre competente, está sempre inteiramente consciente e pode funcionar facilmente em todos os subplanos.
O mago negro e seus discípulos. — Esta classe corresponde, mais ou menos, à do Adepto e Seus discípulos, a não ser que o desenvolvimento tenha sido para o mal e não para o bem, ou os poderes adquiridos sejam usados para propósitos egoísticos e não para fins altruísticos. Entre esta categoria inferior estão os que praticam os ritos das escolas de Obi e Vudu e dos curandeiros das várias tribos. De intelecto superior, e por isso mesmo mais censuráveis, são os magos negros tibetanos.
A Classe Humana: (b) Fisicamente mortos
A pessoa comum depois da morte. — Esta classe, obviamente muito grande, consiste em todos os níveis de pessoas, em diversas condições de consciência, como já foi integralmente descrito nos capítulos XIII a XV, A Vida Depois da Morte.
A Sombra. — No capítulo XXIII veremos que, quando a vida astral da pessoa termina, ela morre no plano astral e deixa seu corpo astral em desintegração, precisamente como, quando morre fisicamente, deixa seu cadáver físico que se deteriora.
Na maioria dos casos, o ego superior não pode retirar desses princípios inferiores o todo de seu princípio manásico (mental); conseqüentemente, uma porção da matéria mental inferior permanece presa ao cadáver astral. A porção de matéria mental que assim permanece consiste nos tipos mais grosseiros de cada subplano, que o corpo astral conseguiu arrancar do corpo mental.
Esse cadáver astral, conhecido como Sombra, é uma entidade que de forma alguma é o indivíduo real. Não obstante, guarda sua aparência exata, possui a sua memória, e todas as suas pequenas idiossincrasias. Pode, portanto, ser tomado por ele, como de fato acontece, com freqüência, nas sessões espíritas. A Sombra não é consciente de qualquer ato de impersonalização, porque, enquanto se refere ao intelecto, deve necessariamente supor que é o indivíduo. Na realidade, é apenas um feixe sem alma de suas qualidades inferiores.
A duração da vida de uma sombra varia de acordo com a quantidade de matéria mental inferior que a anima, mas tal matéria vai-se esgotando, seu intelecto diminui em quantidade, embora possa possuir uma grande dose de certa espécie de astúcia animal. E mesmo quase até o fim de sua carreira é capaz de comunicar, retirando do médium uma inteligência temporária. Por sua própria natureza, está vastamente exposta a oscilar entre toda a espécie de más influências e, estando separada de seu ego superior, nada tem em sua constituição para responder às boas influências. Portanto, deixa-se usar para vários fins de tipo inferior da espécie mais baixa de magos negros. A matéria mental que ela possui desintegra-se gradualmente e retorna para a matéria geral de seu próprio plano.
O Cascão. — Um cascão é o cadáver astral nos últimos estágios de sua desintegração, cada partícula mental já não existindo ali. Em consequência, sem qualquer tipo de consciência ou inteligência, ele deriva, passivamente, entre as correntes astrais. Pode ser mesmo então galvanizado por alguns momentos, num tipo horrível de arremedo de vida, se lhe acontecer chegar ao alcance da aura de um médium. Sob tais circunstâncias, ele ainda se parecerá exatamente com a personalidade que dele se separou, e pode até reproduzir, em certa extensão, suas expressões familiares ou sua caligrafia.
Tem, também, a qualidade de ser ainda cegamente responsivo a vibrações, geralmente de ordem inferior, tais como as que foram instaladas nela durante o último estágio de sua existência como sombra.
O Cascão vitalizado. — Essa entidade, estritamente falando, não é humana: não obstante, é classificada aqui por causa de seu aspecto
externo, o cascão passivo, destituído de sentidos, que foi, um dia, apanágio da humanidade. Vida, inteligência, desejo e vontade, tais como ele pode possuir, são os do elemental artificial que o anima, sendo esse elemental artificial, por sua vez, criação do mau pensamento do homem.
Um cascão vitalizado é sempre malevolente, um verdadeiro demônio tentador, cuja má influência fica limitada apenas pela extensão de seu poder. Como a sombra, é freqüentemente usado nas formas Obia e Vudu de magia. Há escritores que se referem a ele como um "elemental".
O Suicida e a vítima de morte súbita. — Estes já foram descritos no capítulo XV, A Vida Depois da Morte. Pode-se notar que essa classe, bem como a das Sombras e dos Cascões Vitalizados, são o que se pode chamar vampiros menores, porque, ao terem oportunidade, prolongam sua existência sugando a vitalidade de seres humanos aos quais consigam influenciar.
O vampiro e o lobisomem. — Estas duas classes são hoje extremamente raras, e exemplos deles são encontrados ocasionalmente.
É, de fato, possível que um homem viva uma existência de tal forma degradada, egoísta e brutal, que o todo da mente inferior se torne emaranhado em seus desejos e acabe por se separar do ego superior. Isso é possível apenas quando o menor raio de altruísmo e espiritualidade foi abafado, e quando não há qualquer aspecto que leve à redenção.
Tal entidade perdida encontra-se bem depressa, após a morte, incapaz de conservar-se no plano astral e é irresistivelmente atraída, em plena consciência, para "seu próprio lugar", a misteriosa oitava esfera, para ali desintegrar-se lentamente, após experiências que é melhor não descrever. Se, contudo, morreu pelo suicídio ou pela morte súbita, pode sob certas circunstâncias, especialmente se sabe algo de magia negra, evitar esse destino passando à horrenda existência de vampiro.
Já que a oitava esfera não pode reclamá-lo enquanto não chega a morte do corpo, ele o preserva numa espécie de transe cataléptico, transferindo para ele o sangue que suga de outros seres humanos através de seu corpo astral semimaterializado, adiando assim seu destino final e cometendo, para tanto, mortes por atacado. O remédio mais eficaz, num caso assim, tal como a "superstição" popular corretamente supõe, é cremar o corpo, privando assim aquela entidade do seu ponto de apoio.
Quando a sepultura é aberta, o corpo aparece habitualmente bastante viçoso e sadio, e em geral o ataúde não se mostra cheio de sangue. A cremação, como é óbvio, torna impossível essa espécie de vampirismo.
O Lobisomem pode manifestar-se, de início, somente durante a vida física de um homem, e isso implica invariavelmente em algum conhecimento das artes mágicas — suficiente pelo menos para que ele consiga projetar seu corpo astral.
Quando um homem inteiramente brutal e cruel faz tal coisa, sob certas circunstâncias o corpo astral pode ser apanhado por outras entidades astrais e ser materializado, não sob forma humana, mas sob a forma de algum animal selvagem, quase sempre um lobo. Nesta condição ele perambulará pela região que o rodeia, matando outros animais e mesmo seres humanos, satisfazendo assim não só sua própria sede de sangue como também a dos demônios que o excitam.
Nesse caso, como com freqüência acontece com as materializações comuns, uma ferida feita à forma astral será reproduzida no corpo físico humano, por um curioso fenômeno de repercussão, como explicamos mais adiante. Depois da morte do corpo físico, entretanto, o corpo astral, que provavelmente continuará a aparecer da mesma forma, é menos vulnerável.
Será, entretanto, menos perigoso, e, a não ser que encontre um médium apropriado, não poderá manifestar-se integralmente. Em tais manifestações há, provavelmente, uma grande quantidade de matéria do duplo etérico, e talvez até mesmo algum do líquido dos constituintes gasosos do corpo físico, como no caso de algumas materializações. Em ambos os casos, esse corpo fluídico parece capaz de ir a distâncias maiores do corpo físico do que de outra maneira seria possível, tanto quanto se sabe, a um veículo contendo matéria etérica.
As manifestações, tanto de vampiros como de lobisomens, restringem-se quase sempre à vizinhança imediata de seus corpos físicos.
O mago negro e seus discípulos. — Esta classe corresponde, mutatis mutandis, à do discípulo à espera da reencarnação, mas, nesse caso, o homem está desafiando o processo natural de evolução, mantendo-se na vida astral através de artes mágicas — muitas vezes da mais horrível natureza.
Considera-se indesejável a enumeração ou descrição das várias subespécies, já que o estudante de ocultismo deseja apenas evitá-las. Todas essas entidades, que assim prolongam sua vida no plano astral para além do natural limite, fazem isso a expensas de outros e pela absorção de suas vidas, de uma ou de outra forma.
O Discípulo à espera da reencarnação. — Esta também e, presentemente, uma classe rara. Um discípulo que resolveu não "entrar em seu Devachan", isto é, não passar para o mundo celestial, mas continuar a trabalhar no plano físico, tem, às vezes, com a permissão apenas de uma autoridade muito alta, possibilidade de fazê-lo, sendo arranjada por seu Mestre uma reencarnação adequada para ele. Mesmo quando tal permissão é recebida, diz-se que o discípulo deve manter-se estritamente no plano astral enquanto a matéria está sendo arranjada, porque, se tocar no plano mental, mesmo por um momento que seja, pode ser arrastado por uma corrente irresistível, novamente, para a linha da evolução normal, e passar assim para o mundo celestial.
Ocasionalmente, embora raramente, o discípulo pode ser colocado diretamente num corpo adulto, cujo ocupante anterior não mais o usa. Mas só raramente há a disponibilidade de um corpo adequado.
Entretanto, o discípulo fica, naturalmente, com a consciência integral do plano astral e preparado para seguir adiante com o trabalho que lhe deu seu Mestre, ainda com maior eficácia do que quando embaraçado pelo corpo físico.
Os Nirmanakayas. — É realmente muito raro isto de um ser tão elevado como um Nirmanakaya manifestar-se no plano astral. Um Nirmanakaya é aquele que, tendo conquistado o direito de repouso, durante infinitas eras, em indescritível beatitude, ainda assim escolheu permanecer em contato com a terra, suspenso, por assim dizer, entre este mundo e o Nirvana, a fim de gerar correntes de força espiritual que possam ser
empregadas no auxílio à evolução. Se Ele desejar aparecer no plano astral, criará sem dúvida, para seu uso, um corpo astral temporário, usando a matéria atômica do plano. Isto é possível porque o Nirmanakaya retém Seu corpo causal, e também os átomos permanentes que trouxe consigo durante a Sua evolução, de forma que a qualquer momento Ele pode materializar em derredor de si os corpos mental, astral ou físico, se assim o desejar.
CAPÍTULO XX
Entidades Astrais: Não-humanas
l. Essência elemental. — A palavra "elemental" tem sido usada por vários escritores significando muitos tipos diferentes de entidades. Ela é aqui empregada para denotar, durante certos estágios de sua existência, a essência monádica, que por sua vez pode ser definida como uma efusão do espírito ou energia divina na matéria.
É da máxima importância que o estudante compreenda que a evolução dessa essência elemental está tendo lugar na curva descendente do arco, tal como ele é chamado com freqüência: isto é, ela progride em direção ao completo envolvimento na matéria que vemos no reino mineral, e não afastando-se dele. Conseqüentemente, para progredir, deve descer à matéria, em lugar de subir para planos mais elevados.
Antes que a "efusão" chegue ao estágio de individualização, em que anima o homem, já percorreu e animou seis fases anteriores de evolução: o primeiro reino elemental (no plano mental superior), o segundo reino elemental (no plano mental inferior), o terceiro reino elemental (no plano astral) e os reinos mineral, vegetal e animal. Às vezes é chamada mônada animal, vegetal ou mineral, embora isso seja claramente uma fonte de confusão, já que muito antes de chegar a qualquer desses reinos a essência se tornou não uma, mas muitas mônadas.
Estamos tratando aqui, naturalmente, apenas da essência elemental astral. Essa essência consiste de efusão divina que já se envolveu em matéria descendo ao nível atômico do plano mental, e então mergulhou diretamente no plano astral, reunindo em torno de si um corpo de matéria astral atômica. Tal combinação é a essência elemental do plano astral, pertencente ao terceiro reino elemental, o que precede imediatamente ao mineral.
No curso de suas 2401 diferenciações no plano astral, ela atrai para si própria muitas e várias combinações de matéria dos vários subplanos. Contudo, isso é apenas temporário e a essência continua a permanecer, essencialmente, um reino.
Estritamente falando, não há a tal conexão de um elemental com o grupo que estamos considerando. O que encontramos é um vasto depósito de essência elemental, maravilhosamente sensitiva aos mais fugidios pensamentos humanos, respondendo com delicadeza inconcebível, numa fração infinitesimal de segundo, a uma vibração provocada por inconsciente exercício da vontade ou desejo humano.
Mas do momento em que, pela influência de tal pensamento ou desejo, ela é moldada como força viva, torna-se um elemental e pertence à classe "artificial", a que chegaremos no próximo capítulo. Mesmo então sua existência separada é habitualmente evanescente, pois depressa, conforme seus impulsos se desprenderam, ele recai na massa indiferenciada de essência elemental de onde veio.
Um visitante do mundo astral será, inevitavelmente, impressionado pela multiplicidade de formas da maré incessante de essência elemental, sempre girando em torno dele, com freqüência ameaçadora, contudo sempre se retirando diante de um determinado esforço da vontade. E ficará estupefato diante do exército imenso de entidades temporariamente evocadas, saídas daquele oceano para uma existência separada, através dos pensamentos e sentimentos do homem, sejam eles bons ou maus.
Podemos, de forma ampla, classificar a essência de acordo com a espécie de matéria em que se encontra, isto é, em sólida, líquida, gasosa etc. São esses os "elementos" dos alquimistas medievais. Eles afirmam corretamente que um "elemental", isto é, uma porção da adequada essência elemental viva, é inerente em cada "elemento", ou parte constituinte de cada substância física.
Cada uma dessas sete classes de essência elemental pode ser também subdividida em sete subdivisões, formando assim 49 subdivisões.
Além, embora separados, dessas divisões horizontais, há também sete tipos perfeitamente distintos de essência elemental, nada tendo a ver a diferença entre eles com o grau de materialidade, antes com o caráter e a afinidade. O estudante se familiarizará com essa classificação como "perpendicular", relacionada com os sete "raios".
Há ainda sete subdivisões em cada tipo de raio, formando 49 subdivisões perpendiculares. O número total de tipos de essência elemental é assim de 49 X 49 = 2 401.
A divisão perpendicular mostra-se claramente mais permanente e fundamental do que a divisão horizontal, porque a essência elemental, no curso lento da evolução, passa através de várias classes horizontais, em sucessão, mas permanece em sua própria divisão perpendicular durante todo o tempo.
Quando qualquer porção da essência elemental permanece por alguns momentos inteiramente intocada pela influência externa — condição dificilmente obtida — não tem forma que lhe seja própria, definida. Com a mais leve perturbação, porém, ela irrompe em espantosa confusão de formas inquietas, em contínua modificação, que se plasmam, correm e desaparecem com a rigidez de bolhas à superfície de água fervente.
Essas formas evanescentes, embora geralmente as de criaturas vivas de algum tipo, humanas ou não, não expressam mais a existência de entidades separadas na essência do que as igualmente mutáveis e multiformes ondas erguidas durante alguns momentos sobre a superfície até então tranqüila de um lago, que súbita rajada de vento encrespasse. Parecem meros reflexos tirados do vasto depósito da luz astral e, ainda assim, têm habitualmente uma certa relação com o tipo de corrente de pensamento que as trouxe à existência, embora quase sempre com alguma grotesca distorção, algum aspecto aterrador ou desagradável.
Quando a essência elemental é projetada em formas apropriadas à corrente de pensamentos semiconscientes, involuntários, que a maioria dos homens permite que fluam ociosamente através de seu cérebro, a inteligência que seleciona a forma apropriada não é, isto é claro, derivada da mente daquele que está pensando, nem pode derivar da própria essência elemental, porque esta pertence a um reino que está para além ; da
individualização mesmo do mineral, inteiramente destituído de poder mental desperto.
Não obstante, a essência possui maravilhosa adaptabilidade que muitas vezes parece aproximar-se muito da inteligência e, sem dúvida, é essa propriedade que levou os livros antigos a falarem dos elementais "criaturas semi-inteligentes da luz astral".
Os reinos elementais propriamente ditos não admitem a concepção bem ou do mal. Apesar disso há uma espécie de inclinação ou tendência difundida por todas as subdivisões, que as torna mais hostis amistosas para com o homem. Daí a experiência habitual do ito no plano astral, onde vasta multidão de espectros de mutável icia avança ameaçadoramente sobre ele, mas sempre se retira ou ï, tornando-se inofensivos quando enfrentados com coragem. Condisseram os escritores medievais, essa inclinação ou tendência é provocada inteiramente por culpa do homem e causada pela sua indiferença e falta de simpatia em relação a outros seres vivos. Na "idade de ouro" do passado isso não se passava assim, como não se passará no futuro, quando, em consequência da atitude modificada do homem, tanto a essência elemental como também o reino animal novamente se tornarão dóceis e úteis para o homem, em vez de agirem ao contrário.
Fica, assim, claro que o reino elemental, como um todo, é, em muito, aquilo que o pensamento coletivo da humanidade faz dele.
Há muitos usos para os quais as forças inerentes às múltiplas variedades da essência elemental podem ser acionadas por alguém que tenha sido treinado para manejá-la. A vasta maioria das cerimônias mágicas depende quase que inteiramente dessa manipulação, seja diretamente, pela vontade do mago, ou através de alguma entidade astral mais definida que ele tenha evocado com esse propósito.
Por meio dela quase todos os fenômenos físicos da sala de sessões espíritas são produzidos; é ela igualmente o agente em muitos casos de pedras atiradas, toques de campainhas, casas assombradas, sendo este último caso o resultado de esforços desatinados para atrair a atenção, esforços feitos por alguma entidade presa à terra, ou simples travessura maliciosa de algum dos espíritos-da-natureza menores, pertencentes à nossa terceira classe. Mas o "elemental" jamais deve ser considerado como aquele que promove, pois ele é simplesmente uma força latente que precisa de poder externo para ser posto em movimento.
O corpo astral de animais. — Esta é uma classe extremamente grande, e ainda assim não ocupa lugar importante no plano astral, já que seus membros habitualmente ficam ali por um curto espaço de tempo. A grande maioria de animais ainda não se individualizou permanentemente, e quando um deles morre, a essência monádica que se esteve manifestando através dele flui de retorno à alma-grupo de onde veio, levando consigo o avanço ou experiência que obteve durante a vida terrena. Não é, contudo, capaz de fazer isso imediatamente. O corpo astral do animal torna a arranjar- se, tal como acontece ao do homem, e o animal tem uma existência real no plano astral, existência cuja extensão, embora nunca seja grande, varia de acordo com a inteligência que ele desenvolveu. Na maioria dos casos, ele não parece estar mais do que semiconsciente, mas parece perfeitamente feliz.
Os relativamente poucos animais domésticos que já atingiram a individualização e portanto não tornarão a nascer como animais, neste mundo, têm no plano astral vida mais longa e mais animada do que seus companheiros menos adiantados.
Um animal assim individualizado, em geral, permanece próximo de seu lar terreno e em contato íntimo com seu amigo e protetor especial. Esse período será seguido de um período ainda mais feliz, que durará até que em algum mundo futuro assuma forma humana. Durante todo esse tempo ele estará em condição análoga à de um ser humano no mundo celestial, embora em nível um tanto inferior.
Uma interessante subdivisão dessa classe consiste nos corpos astrais daqueles símios antropóides mencionados em A Doutrina Secreta, que já estão individualizados e estarão prontos para tomar a encarnação humana na próxima ronda, ou talvez alguns deles façam isso ainda mais cedo.
Nos países "civilizados", esses corpos astrais de animais acrescentam muito ao sentimento geral de hostilidade no plano astral, porque a matança organizada de animais nos abatedouros, e por "esporte", manda milhões para o plano astral, cheios de terror, de horror e de ;:medo diante do homem. Nos últimos anos esses sentimentos têm sido intensificados pela prática da vivissecção.
Espíritos-da-natureza de todas as espécies. — Esta classe é tão grande e tão variada que só é possível darmos aqui alguma idéia das características comuns a todos eles.
Os espíritos-da-natureza pertencem a uma evolução muito diferente da nossa. Nunca foram nem serão membros da humanidade como s. Sua única conexão conosco está no fato de ocuparem, temporariamente, o mesmo planeta. Parecem corresponder aos animais de uma evolução superior. Estão divididos em sete grandes classes, habitando mesmos sete estados de matéria impregnados pelas variedades correspondentes de essência elemental. Assim, há espíritos-da-natureza da rã, da água, do ar, do fogo (ou éter) — entidades astrais definidas, gentes, residindo e funcionando em cada um desses meios.
Só os membros da classe do ar residem normalmente no plano mas seu número é tão prodigioso que estão presentes ali em a parte.
Na literatura medieval, os espíritos da terra são muitas vezes nados gnomos, os espíritos da água ondinas, os espíritos do ar os espíritos do éter salamandras. Em linguagem popular têm chamados, variadamente, fadas, duendes, elfos, gênios, djins, sátiros, faunos, espíritos domésticos, diabretes, trasgos etc. Suas formas são muitas e variadas, porém a mais freqüente é a humana, em tamanho diminuído. Como quase todas as entidades astrais, podem assumir qualquer aparência à vontade, embora tenham, sem dúvida alguma, suas formas prediletas que usam quando nada os leva a assumir qualquer outra. Habitualmente, são invisíveis aos olhos físicos, mas têm o poder de se tornarem visíveis pela materialização, quando desejam ser vistos.
À frente de cada uma dessas classes está o grande Ser, a inteligência dirigente e orientadora de todo o departamento da natureza, que é administrado e galvanizado pela classe de entidades sob seu controle. São conhecidos pelos hindus como Indra, o senhor do Akasha, ou éter; Agni,
senhor do fogo; Pavana, senhor do ar; Varuna, senhor da água; Kshiti,
senhor da terra.
O vasto reino dos espíritos-da-natureza, conforme ficou dito acima, está, em sua maior parte, no reino astral, embora uma grande seção dele pertença aos níveis etéricos do plano físico.
Há um número imenso de subdivisões ou raças entre eles, indivíduos que variam em inteligência e disposição, tal como acontece com os seres humanos. A maioria deles evita inteiramente o homem: seus hábitos e emanações lhes são desagradáveis e o constante ímpeto das correntes astrais produzidas pela sua inquietação, pelos seus desejos mal- regulados, os perturbam e contrariam. Ocasionalmente, contudo, podem fazer amizade com seres humanos e mesmo auxiliá-los.
A atitude auxiliadora é rara. Na maioria dos casos mostram ou indiferença ou desagrado, ou sentem uma diabólica satisfação no enganar e iludir os homens. Muitos exemplos disso podem ser encontrados nos solitários distritos montanhosos e nas sessões espíritas.
São grandemente assistidos em seus manejos pelo maravilhoso poder de encantamento que possuem, de forma que suas vítimas vêem e ouvem apenas o que essas fadas lhes imprimem, exatamente como se fossem sujeitos mesmerizados. Os espíritos-da-natureza, contudo, não podem dominar a vontade humana, a não ser nos casos de pessoas mentalmente muito fracas, ou daquelas que permitem ao terror paralisar sua vontade. Eles podem enganar apenas os sentidos e sabe-se que lançam seu encantamento sobre considerável número de pessoas ao mesmo tempo. Alguns dos mais maravilhosos feitos dos prestidigitadores hindus são realizados pela invocação do auxílio deles, para obterem alucinação coletiva.
Habitualmente, parecem ter pouco senso de responsabilidade e são, em geral, menos desenvolvidos do que o homem comum. Podem portanto ser dominados com facilidade, mesmericamente, e ser empregados para realizar os desejos do mago. Podem ser utilizados para muitos propósitos e realizarão suas tarefas dentro de seu alcance, fiel e seguramente.
Também são responsáveis, em algumas regiões montanhosas, por lançar seu encantamento sobre o viajante retardatário, de forma que ele vê, por exemplo, casas e pessoas onde sabe que nada disso realmente existe. Essas ilusões não são momentâneas, quase sempre, mas podem ser mantidas por um espaço considerável de tempo, passando o homem por uma série de aventuras imaginárias, mas impressionantes, e depois subitamente descobrindo que todo aquele brilhante ambiente desapareceu, e que ficou a sós num vale solitário ou numa planície batida pelo vento.
A fim de cultivar seu conhecimento e amizade, o homem deve estar livre das emanações físicas que eles detestam, tais como as da carne, do álcool, do tabaco, da falta geral de asseio, bem como da luxúria, da cólera, do ciúme, da avareza e da depressão, isto é, o homem deve ser limpo e irrepreensível, tanto física quanto astralmente. Sentimentos elevados e puros que ardem com firmeza e sem ímpetos selvagens, criam uma atmosfera na qual os espíritos-da-natureza adoram banhar-se. Quase todos os espíritos-da-natureza também adoram música: podem mesmo entrar numa casa a fim de gozá-la, banhando-se nas ondas sonoras, pulsando e balouçando-se em harmonia com elas.
Aos espíritos-da-natureza também podem ser atribuídos o que chamam fenômenos físicos nas sessões espíritas: realmente, muitas sessões têm sido feitas inteiramente por aquelas maliciosas criaturas. São capazes de responder perguntas, passar pretensas mensagens através de batidas e inclinações, exibindo luzes do "espírito", fazendo o transporte de objetos à distância, causando a projeção da escrita ou de desenhos, e mesmo materializações. Poderiam, naturalmente, empregar também seu poder de encantamento a fim de suplementar seus outros manejos.
Podem não pretender, de forma alguma, prejudicar ou enganar, mas regozijam-se ingenuamente com o seu sucesso no realizar a sua parte, e com o respeito temeroso da devoção e afeição que lhe são tributadas, como "queridos espíritos" e "anjos da guarda". Compartilham da satisfação dos assistentes e sentem que estão fazendo um bom trabalho, já que estão confortando os aflitos.
De vez em quando também se disfarçam em formas-pensamentos que os homens fizeram e pensam ser uma grande piada isso de exibir chifres, sacudir uma cauda bífida e soprar fogo enquanto correm de cá para lá.
Ocasionalmente, uma criança impressionável pode ficar aterrorizada com aquelas aparições, mas, para sermos justos em relação aos espíritos-da- natureza, devemos recordar que eles próprios não conhecem o medo, e, assim, não compreendem a gravidade do resultado, provavelmente pensando que o terror da criança é simulado e faz parte do jogo.
Nenhum dos espíritos-da-natureza possui uma individualidade permanente para reencarnação. Parece, portanto, que em sua evolução uma proporção muito maior de inteligência é desenvolvida, antes que a individualização tenha lugar.
Os períodos de vida das várias classes variam grandemente, sendo alguns muito curtos, outros muito mais longos do que nossa existência humana. Sua existência, no todo, parece ser simples, jovial, irresponsável, tal como as que um grupo de crianças pode viver num ambiente físico favorável.
Não há sexo entre os espíritos-da-natureza, não há doença e não há luta pela existência. Têm afeições bem fortes e podem formar amizades íntimas e duradouras. Ciúme e cólera são possíveis entre eles, mas parecem apagar-se rapidamente diante da dominadora satisfação que desfrutam de todas as operações da natureza, que é sua característica mais saliente.
Seus corpos não têm estrutura interna, de forma que não podem ser despedaçados ou machucados, e o calor e o frio não lhes produzem nenhum efeito. Parecem também estar inteiramente livres do medo.
Embora astuciosos e travessos, raramente são maliciosos, a não ser que positivamente provocados. Como um todo, não confiam no homem e geralmente ressentem o aparecimento de um recém-chegado ao plano astral, de forma que esse recém-chegado habitualmente os conhece sob forma desagradável e aterradora. Se, contudo, ele se recusa a ser amedrontado, depressa o aceitam como um mal necessário e não mais lhe dão atenção. E até alguns podem se lhe tornar amistosos.
Um dos seus mais agudos prazeres é brincar com as crianças que estão no plano astral, aquelas que chamamos "mortas". E brincam de centenas de formas diferentes.
Os que são menos infantis e mais sérios têm sido às vezes reverenciados como deuses dos bosques locais das aldeias. Esses apreciam os agrados que lhes tributam e, sem dúvida, estão dispostos a prestar pequenos serviços em retribuição.
Os Adeptos sabem como usar os serviços dos espíritos-da-natureza, e confiam-lhes alguns trabalhos, freqüentemente, mas o mago comum só pode fazer isso através de invocação, isto é, atraindo a atenção deles como um suplicante e fazendo com eles alguma espécie de permuta, ou por evocação, isto é, compelindo-os à obediência. Ambos os métodos são excessivamente perigosos, pois o operador pode provocar uma hostilidade que talvez lhe venha a ser fatal. Discípulo algum de um Mestre jamais teria permissão para tentar qualquer coisa nesse sentido.
O mais alto tipo de espíritos-da-natureza consiste nos silfos, ou espíritos do ar, que têm no corpo astral seu veículo de maior inferio- ridade. Sua inteligência iguala-se à do homem médio. O método normal através do qual atingem a individualização está em associarem-se e amarem os membros do estágio que lhes fica imediatamente superior — os anjos astrais.
Um espírito-da-natureza que deseje experiências quanto à vida humana pode obsedar uma pessoa que viva no mundo físico.
Houve tempos em que uma certa classe de espíritos-da-natureza materializou-se fisicamente e assim entrou em relacionamento indesejável com homens e mulheres. Talvez daí venham as histórias de faunos e sátiros, embora tais histórias se refiram, também, a uma evolução subumana bastante diferente.
É bom notar, de passagem, que, embora o reino dos espíritos-da-natureza seja radicalmente dessemelhante do humano — não havendo nele sexo, medo ou a luta pela existência — ainda assim o resultado eventual do seu desenvolvimento é, sob todos os aspectos, igual ao que a humanidade obtém.
Os Devas. — Os seres chamados devas pelos hindus, são denominados anjos pelos demais, e também filhos de Deus etc. Pertencem a uma evolução diferente da que rege a humanidade, uma evolução na qual podem ser vistos como um reino logo acima da humanidade.
Na literatura oriental, a palavra deva é também usada, vagamente, para classificar qualquer tipo de entidade não-humana. Aqui a usaremos no estrito sentido apontado acima.
Jamais serão humanos, porque a maioria deles já está além desse estágio, mas há alguns, entre eles, que foram humanos no passado.
Os corpos dos devas são mais fluídicos do que os dos homens, sendo a textura da aura, por assim dizer, mais frouxa. São capazes de expansão e contração muitíssimo maiores e têm certa qualidade ígnea que os torna nitidamente distinguíveis do ser humano comum. A forma dentro da aura de um deva, que é sempre aproximadamente uma forma humana, é muito menos
definida do que a do homem: o deva vive mais na circunferência, mais em toda a sua aura do que o homem. Os devas aparecem, habitualmente, como seres humanos de tamanho gigantesco. Têm uma linguagem colorida, que não pode ser provavelmente definida como a nossa linguagem, embora sob certos aspectos seja mais expressiva.
Os devas estão, quase sempre, à mão e dispostos a expor e a exemplificar assuntos, ao longo de sua própria linha, para qualquer ser humano suficientemente desenvolvido para apreciá-los.
Embora relacionados com a terra, os devas evoluem através de um grande sistema de sete cadeias, sendo o todo dos nossos sete mundos como um só mundo para eles. Muito poucos, entre os da nossa humanidade, alcançaram o nível do qual é possível reunir-se à evolução dos devas. A maioria dos recrutas do reino deva tem vindo de outras humanidades do sistema solar, umas inferiores e outras superiores à nossa.
O objetivo da evolução dévica é elevar sua fileira mais avançada a um nível muito mais alto do que o pretendido pela humanidade em período igual.
As três grandes divisões inferiores dos devas são:
Kamadevas, cujo corpo inferior é o astral;
Rupadevas, cujo corpo inferior é o mental inferior;
Arupadevas, cujo corpo inferior é o mental superior, ou causal.
A manifestação dos Rupadevas e Arupadevas no plano astral é, pelo menos, tão rara como para uma entidade astral é a sua materialização no plano físico.
Acima destas classes, há quatro outras grandes divisões, e acima e além do reino dévico estão as grandes hostes dos Espíritos Planetários.
Aqui estamos tratando, principalmente, dos Kamadevas. A média geral, entre eles, é muito mais elevado do que entre nós, porque tudo quanto é positivamente mau de há muito foi eliminado de seu meio. Diferem largamente em disposição, e um homem realmente espiritual pode muito bem estar em evolução mais elevada do que alguns deles.
Certas evocações mágicas podem atrair-lhes a atenção, mas a única vontade humana que pode dominar a deles é a de uma certa elevada classe de Adeptos.
Em regra, parecem pouco conscientes de nosso mundo físico, embora um deles possa ocasionalmente prestar-lhe assistência, mais ou menos como o faríamos quando em auxílio de um animal. Compreendem entretanto que, no presente estágio, qualquer interferência com os assuntos humanos tende a produzir mais mal do que bem.
É desejável que se mencione, aqui, os quatro Devarajas, embora eles não pertençam, estritamente falando, a qualquer das nossas classes.
Esses quatro passaram por uma evolução que, certamente, em nada corresponde à da nossa humanidade.
Fala-se deles como Regentes da Terra, Anjos dos Quatro Pontos Cardeais, ou Chatur Maharajas. Governam, não os devas, mas os quatro "elementos" da terra, da água, do ar, e do fogo, com as essências e espíritos-da- natureza que neles moram. Outros itens de informação concernentes a eles vão, para maior conveniência, na tabela abaixo:
Nome Pontos da bússola Hostes elementais Cotes simbólicas
Dhritarashtra
Leste
Gandharvas
Branco
Virudhaka
Sul
Kumbhandas
Azul
Vírupaksha Vaishiavana Oeste Norte Nagas Yakshas Vermelho Ouro
A Doutrina Secreta fala deles como "globos alados e rodas de fogo", e na Bíblia cristã, Ezequiel tenta descrevê-los com palavras bastante semelhantes. Referências a eles são feitas na simbologia de todas as religiões, e são sempre altamente reverenciados como protetores da humanidade.
São eles os agentes do Karma do homem durante sua vida terrena c têm assim um papel muito importante no destino humano. As grandes deidades kármicas do Cosmos, os Lipikas, pesam as ações de cada .personalidade ao fim de sua vida astral e dão por assim dizer o molde um duplo etérico inteiramente apropriado ao seu karma, para o próximo nascimento do homem. Mas são os Devarajas que, tendo o comando dos "elementos" dos quais o duplo etérico deve ser formado, tanjam suas proporções de forma a preencher inteiramente as intendes Lipika.
Através de toda a vida, eles contrabalançam constantemente as introduzidas nas condições do homem pela sua própria e vontade e a dos que o rodeiam, de forma que aquele karma ser exata e justamente esgotado. Erudita dissertação sobre esses e pode ser encontrada na obra A Doutrina Secreta. Eles podem tomar a forma humana quando o desejem, e sabe-se de casos em que fizerem isso.
Todos os espíritos-da-natureza de ordem superior e as hostes de elementais artificiais atuam como seus agentes no estupendo trabalho que fazem: mas todos os fios estão em suas próprias mãos e eles assumem a inteira responsabilidade. Raramente se manifestam no plano astral, mas quando o fazem são certamente os mais notáveis de seus habitantes não- humanos.
Na realidade, devem ser sete, e não quatro Devarajas, mas para além do círculo da Iniciação pouco é sabido e menos pode ser dito em relação aos três superiores.
CAPÍTULO XXI
Entidades Astrais: Artificiais
As entidades artificiais formam a maior classe e são também de certa forma as mais importantes para o homem. Consistem em massa enorme, caótica, de entidades semi-inteligentes, diferindo entre elas como os pensamentos humanos diferem, e praticamente incapazes de classificação e posicionamento detalhado. Sendo inteiramente uma criação do homem, estão a ele relacionados por estreitos laços kármicos e sua ação sobre o ser humano é direta e incessante.
Elementais formados inconscientemente. — A maneira como são criadas as formas de desejo e de pensamento já foi descrita no capítulo VII. O desejo e o pensamento de um homem atiram-se sobre a essência plástica elemental e modelam instantaneamente um ser vivo de forma condizente. A forma de maneira alguma fica sob controle de seu criador, mas vive uma existência própria cuja extensão é proporcional à intensidade do pensamento que a criou, e tanto pode ser de alguns minutos como de muitos dias. Para pormenores adicionais o estudante deve voltar ao capítulo VII.
Elementais formados conscientemente. — Está claro que os elementals formados conscientemente por aqueles que estão agindo deliberadamente e sabem com precisão o que estão fazendo, podem ser enormemente mais poderosos do que os que são formados inconscientemente. Ocultistas tanto da escola branca como da negra usam freqüentemente elementais artificiais em seu trabalho, e poucas tarefas estão fora do poder de tais criaturas, quando cientificamente preparadas e dirigidas com conhecimento e habilidade. Quem sabe como fazer isso mantém conexão com seu elemental e guia-o de forma que ele agirá praticamente como se possuísse a inteligência de seu senhor.
É desnecessário repetir aqui descrições dessa classe de elementais, que já foram dadas no capítulo VII.
Artificiais humanos. — Esta é uma classe muito peculiar, compreendendo poucos indivíduos, mas possuindo uma importância inteiramente fora de proporção com seu número, devido à sua conexão íntima com o movimento espírita.
A fim de explicar sua gênese é necessário voltar à antiga Atlântida. Entre as lojas para o estudo oculto, anteriores à Iniciação e formadas pelos Adeptos da Boa Lei, há uma que ainda observa o mesmo ritual daquele antigo mundo e ensina as mesmas línguas atlantes como línguas tão sagradas e ocultas como nos dias da Atlântida.
Os mestres dessa loja não estão no nível dos Adeptos e a loja não faz parte diretamente da Irmandade dos Himalaias, embora haja alguns Adeptos himalaicos que estiveram relacionados com ela em encarnações anteriores.
Pelos meados do século dezenove, os dirigentes daquela loja, desesperados com o materialismo crescente da Europa e da América, determinaram combatê-lo através de métodos novos e oferecer oportunidades a qualquer
homem sensato para que pudesse ter provas de uma existência separada do corpo físico.
O movimento assim instalado se desenvolveu na vasta rede do espiritismo moderno, cujos aderentes se contam aos milhões. Sejam quais forem os resultados que se possam ter seguido, é indiscutível que por meio do espiritismo uma grande quantidade de pessoas adquiriram crença em, pelo menos, alguma espécie de vida futura. E essa é uma conquista magnífica, embora alguns pensem que foi conseguida a um custo demasiado alto.

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