Há também três chakras inferiores, mas estes são usados apenas em certas escolas de "magia negra" (1) e aqui não nos interessam.
Os Chakras astrais, que estão frequentemente no interior do duplo etérico, são vórtices em quatro dimensões (ver capítulo XVIII), tendo assim uma extensão em direção bastante diferente dos etéricos: conse- qüentemente, embora correspondam aos Chakras etéricos, nem por isso são limítrofes com eles, embora alguma parte seja sempre coincidente.
Os chakras astrais recebem os mesmos nomes dos do duplo etérico, e suas funções são as seguintes:
Chakra da base da espinha. — Este é o sítio da Serpente de Fogo, Kundalini, a força que existe em todos os planos e por meio da qual todos os demais Chakras são ativados.
Originalmente, o corpo astral era uma massa quase inerte, possuindo apenas a mais vaga das consciências, sem poder definido para coisa alguma e sem um conhecimento nítido do mundo que o cercava. A primeira coisa que aconteceu foi o despertar de kundalini no nível astral.
Chakra do umbigo. — Kundalini, tendo sido despertado no primeiro Chakra, move-se para o Chakra do umbigo, que é vivificado, despertando assim no corpo astral o poder de sentir — uma sensibilidade a todo tipo de influências, embora ainda sem nada bem definido como a compreensão que vem do ver e ouvir.
Chakra do baço. — Kundalini passa, então, ao Chakra do baço e, através dele, vitaliza todo o corpo astral, sendo uma das funções desse Chakra a absorção de Prâna, a Força Vital, que também existe em todos os planos. A vivificação do Chakra do baço capacita o homem a viajar em seu corpo astral, conscientemente, embora apenas com uma vaga concepção daquilo que encontra em suas viagens.
Chakra do coração. — Este Chakra permite ao homem compreender e simpatizar com as vibrações de outras entidades astrais, de uma forma que o leva a compreender instintivamente seus sentimentos.
Chakra da garganta. — Este Chakra confere, no mundo astral, o poder que corresponde à audição no mundo físico.
Chakra de entre os olhos. — Este Chakra confere o poder de perceber, com precisão, a forma e a natureza dos objetos astrais, em lugar de apenas vagamente ter a sensação de sua presença.
Associado com este Chakra aparece também o poder de aumentar à vontade as mais diminutas partículas físicas ou astrais para qualquer tamanho desejado, como por um microscópio. Esse poder capacita o pesquisador oculto a perceber e estudar moléculas, átomos etc. O domínio completo dessa faculdade, contudo, pertence mais ao corpo causal.
O poder inerente aos siddhis, descrito nos livros orientais como "o poder de tornar-se grande ou pequeno, à vontade". A descrição é apropriada, porque o método empregado é o de usar um mecanismo visual temporário, de inconcebível pequenez. Inversamente, para minimizar a visão, entra em uso a construção de um mecanismo visual imensamente grande.
O poder de aumentar é muito distinto da faculdade de funcionar em plano mais elevado, tal como o poder de um astrónomo para observar planetas e estrelas é bem diferente da capacidade para se mover ou funcionar entre eles.
Nos sutras hindus se diz que a meditação em certa parte da língua conferirá visão astral. A declaração é uma "venda", pois a referência alude ao corpo pituitário, situado exatamente acima dessa parte da língua.
Chakra do alto da cabeça. — Este Chakra completa e remata a vida astral, dotando o homem com a perfeição de suas faculdades.
Parece haver dois métodos nos quais este Chakra trabalha.
Em um tipo de homem, o sexto e sétimo Chakras convergem para o corpo pituitário, sendo este corpo para tal tipo, praticamente, o único vínculo direto entre o plano físico e os planos mais elevados.
Em outro tipo de homem, contudo, embora o sexto Chakra fique ainda ligado ao corpo pituitário, o sétimo Chakra é curvado ou inclinado até que seu vórtice coincida com a glândula pineal. Em pessoas desse tipo a glândula pineal é assim vivificada e posta em linha de comunicação diretamente com o mental inferior, sem aparentemente passar através do plano astral intermediário, como é a forma comum.
No corpo físico, como sabemos, há órgãos especializados para cada sentido: os olhos, para ver; os ouvidos, para ouvir; e assim por diante. No campo astral, entretanto, não é esse o caso.
As partículas do corpo astral estão fluindo e girando constantemente, como as da água fervente: em consequência, não há partículas especiais que permaneçam continuamente em qualquer dos Chakras. Pelo contrário, todas as partículas do corpo astral passam através de cada um dos Chakras.
Cada Chakra tem a função de despertar um certo poder de resposta nas partículas que fluem nele; um dos Chakras faz isso com o poder da visão, outro com a audição, e assim por diante.
Conseqüentemente, nenhum dos sentidos astrais está, estritamente falando, localizado ou confinado a qualquer parte do corpo astral. É, antes, o conjunto das partículas do corpo astral que possui o poder de resposta. Um homem que desenvolveu visão astral usa portanto qualquer parte da matéria de seu corpo astral para ver, e assim pode ver igualmente os objetos que estão à frente, atrás, acima, abaixo e de ambos os lados. O mesmo se dá com todos os outros sentidos. Em outras palavras: os sentidos astrais estão ativos em todas as partes do corpo.
Não é fácil descrever o substituto da linguagem por meio do qual as ideias são astralmente comunicadas. O som, no sentido comum da palavra, não é possível no mundo astral — não é possível, aliás, mesmo na parte mais alta do mundo físico. Não seria correto dizer que a linguagem do mundo astral é a transferência de pensamento: o máximo que se poderia dizer é que se trata da transferência de pensamento formulada de maneira particular.
No mundo mental, um pensamento é instantaneamente transmitido à mente de outro sem qualquer forma de palavras; portanto, nesse mundo, a linguagem não é o que importa, absolutamente. Mas a comunicação astral fica, por assim dizer, a meio caminho entre a transferência de pensamento do mundo mental e a fala concreta do mundo físico, e ainda é necessário formular em palavras o pensamento. Para esse intercâmbio é necessário, portanto, que as duas partes tenham uma linguagem em comum.
Os Chakras etéricos e astrais estão em correspondência muito íntima, mas entre eles e interpenetrando-os de uma forma que não se pode descrever prontamente há um invólucro ou teia de textura apertadamente tecida, composta de uma camada de átomos físicos muito comprimidos e impregnados de uma forma especial de Prâna. A vida divina, que desce normalmente do corpo astral para o corpo físico, é adaptada para passar com muita facilidade através dessa proteção, que é, contudo, uma barreira absoluta para todas as forças que não podem usar a matéria atómica de ambos os planos. A teia é uma proteção natural para evitar uma abertura prematura de comunicação entre os planos, desenvolvimento que a nada pode levar, a não ser a prejuízo.
É isso que normalmente impede a recordação clara da vida no sono, e que causa, também, a inconsciência momentânea que sempre ocorre por ocasião da morte. Se não fosse por esse dispositivo, o homem comum poderia, a qualquer momento, ser levado por qualquer entidade astral a submeter-se à influência de forças que não teria a possibilidade de enfrentar. Estaria exposto a obsessão por parte de entidades astrais desejosas de se apoderarem de seus veículos.
A teia pode ser danificada de várias maneiras:
Um grande choque no corpo astral, por exemplo, um pavor súbito, pode dilacerar essa delicada membrana e, tal como se diz habitualmente, levar o homem à loucura.
Uma tremenda explosão de cólera também pode produzir o mesmo efeito, tal como pode fazê-lo qualquer outra emoção forte de um caráter mau, o que produz uma espécie de erupção no corpo astral.
O uso de álcool e drogas narcóticas, inclusive o tabaco. Essas substâncias contêm matéria que, ao partir-se, volatiliza-se, uma parte dela passando do plano físico para o plano astral. Mesmo o chá e o café contêm essa matéria, mas só em quantidades infinitesimais, de forma que apenas o abuso deles, longamente mantido, produziria efeito.
Esses elementos correm através dos Chakras em direção oposta àquela que deveriam tomar e, fazendo isso repetidamente, prejudicam seriamente a delicada teia, acabando por destruí-la.
Essa deterioração ou destruição pode ter lugar de duas formas, segundo o tipo de pessoa de que se trate e na proporção dos elementos citados em seus corpos, o etérico e o astral.
Em certo tipo de pessoa, a corrida da matéria volatilizada realmente queima a teia, deixando portanto a porta aberta para toda espécie de forças irregulares e más influências. Os que chegam a isso tombam no delirium-tremens, na obsessão, na insanidade.
Em outro tipo de pessoa, o elemento volátil, fluindo, de certa forma enrijece o átomo, de modo que sua pulsação é em grande parte detida e prejudicada, já não sendo capaz de ser vitalizada pelo tipo particular de Prâna que os tece a fim de que formem uma teia. Isso resulta numa espécie de ossificação da teia, de forma que, em lugar de passar muita coisa de um plano para outro, teremos muito pouca passagem, seja de que espécie for. Essas pessoas tendem a um amortecimento de suas qualidades, o que dá como resultado um grosseiro materialismo, brutalidade, animalismo, a perda de todos os mais finos sentimentos e o poder de autodomínio.
Todas as impressões que passam de um plano para outro devem passar através dos subplanos atómicos, mas quando o processo amortecedor tem lugar, infecciona não só outra matéria atómica, mas até a matéria do segundo e terceiro subplanos, de forma que a única comunicação entre o astral e o etérico vem dos subplanos mais baixos, nos quais apenas as influências más e desagradáveis são encontradas.
A consciência do homem comum ainda não pode usar matéria atómica pura, seja ela física ou astral; portanto, normalmente, não há, para ele, possibilidade de comunicação consciente à vontade, entre os dois planos. A maneira apropriada de se obter isso está na purificação dos veículos, até que a matéria atómica esteja inteiramente vivificada em ambos, de modo que toda a comunicação entre os dois possa passar por esse caminho. Nesse caso a teia retém, em grau máximo, sua posição e atividade e já não é barreira para a comunicação perfeita, ao mesmo tempo em que continua a evitar contato íntimo com os indesejáveis subplanos inferiores.
A terceira forma pela qual a teia pode ser prejudicada é o que em linguagem espiritualista se chama "submeter-se a desenvolvimento".
Ë bastante possível, e na verdade muito comum, que um homem tenha seus Chakras astrais bem desenvolvidos, de maneira que pode funcionar livremente no plano astral e ainda assim pode não recordar nada de sua vida astral quando retorna à consciência desperta. Trataremos mais apropriadamente desse fenómeno e de sua explicação no capítulo Sonhos.
CAPÍTULO VI
Kundalini
Recomenda-se ao estudante a leitura de O Duplo Etêrico para uma descrição de Kundalini, com especial referência ao corpo etérico e seus Chakras. Aqui nos ocuparemos da sua conexão com o corpo astral.
As três forças conhecidas que emanam do Logos são:
Fohat: que aparece como eletricidade, calor, luz, movimento etc.
Prana: que aparece como vitalidade.
Kundalini: também conhecida como Fogo Serpentino.
Cada uma destas três forças existe em todos os planos de que sabemos algo. Tanto quanto se sabe, nenhuma das três pode converter-se em qualquer das outras: permanecem separadas e distintas.
Kundalini é chamada, em A Voz do Silêncio, o "Poder ígneo" e "Mãe do Mundo". O primeiro nome porque aparece como fogo líquido ao percorrer o corpo, seguindo, durante esse curso, uma linha em espiral, semelhante ao colear de uma serpente. É chamada Mãe do Mundo porque por meio dela nossos vários veículos podem ser vivificados, de modo que os mundos superiores nos possam ser abertos sucessivamente.
Sua localização no corpo do homem está no Chakra da base da espinha, e para o homem comum ali fica sem despertar e insuspeitada durante toda a sua vida. É muito melhor para ela permanecer adormecida até que o homem tenha tido um desenvolvimento moral definido, até que sua vontade seja forte o bastante para controlá-lo, e seus pensamentos puros o bastante para capacitá-lo a suportar o despertar dela sem ser prejudicado. Ninguém deve experimentá-la sem instruções definidas dadas por um instrutor que entenda integralmente do assunto, porque os perigos relacionados com ela são muito reais e terrivelmente sérios. Alguns deles são puramente físicos. Seu movimento sem controle muitas vezes produz intensa dor física e pode facilmente dilacerar tecidos e mesmo destruir a vida física. Pode também causar dano permanente aos veículos superiores ao físico.
Um efeito muito comum do despertar prematuro de Kundalini é levá-la a fluir para baixo, no corpo, e não para cima, excitando assim as paixões mais indesejáveis — excitando-as e intensificando seus efeitos a tal ponto que se torna impossível ao homem resistir-lhes, porque uma força foi acionada e, diante dela, ele permanece indefeso. Tais homens tornam- se sátiros, monstros de depravação, estando a força além do poder humano de resistência. Poderão, tais homens, ganhar provavelmente certos poderes supernormais, mas serão poderes que os colocam em contato com uma ordem inferior de evolução, com a qual a humanidade não deve ter relacionamento. Escapar de tal cativeiro é coisa que pode exigir mais de uma encarnação.
Há uma escola de magia negra que usa, propositadamente, esse poder dessa forma, a fim de que através dele possam ser vivificados aqueles Chakras inferiores, que jamais são usados pelos seguidores da Boa Lei.
O despertar prematuro de Kundalini tem outras desagradáveis possibilidades. Intensifica tudo na natureza dp homem e alcança mais facilmente as qualidades más e inferiores do que as boas. No corpo mental a ambição é prontamente acordada e depressa estufa até um grau incrivelmente descomedido. Provavelmente levará com ela uma grande intensificação do intelecto, acompanhada de orgulho anormal, satânico, tal como é inconcebível para o homem comum.
Um homem não instruído, no qual acidentalmente Kundalini foi despertada, deve imediatamente consultar alguém que entenda completamente desse assunto.
O despertar de Kundalini — o método usado para tal coisa não é publicamente conhecido — e a tentativa de passá-la através dos Chakras — a ordem dos quais também é deliberadamente escondida do público — nunca devem ser tentados, a não ser sob expressa sugestão de um Mestre que vigiará seu aluno durante os vários estágios da experiência.
Os mais solenes avisos são dados por ocultistas experientes, contra qualquer forma de tentativa para despertar Kundalini, a não ser sob direção qualificada, por causa dos reais e grandes perigos envolvidos nesse caso. Tal como é dito no Hathayogapradipika: "Ela dá libertação aos iogues e servidão aos imprudentes" (III, 107).
Em alguns casos Kundalini desperta espontaneamente, fazendo sentir-se um calor lânguido; ela pode, mesmo, começar a mover-se por si própria, embora isto se dê raramente. Neste último caso provavelmente causará grande dor, já que as passagens não estão preparadas para isso e Kundalini terá de abrir seu caminho queimando realmente grande quantidade de impurezas etéricas, processo que é, necessariamente, doloroso. Quando ela acorda assim por si mesma ou é acidentalmente despertada, tenta quase sempre subir pelo interior da espinha, em lugar de seguir o caminho espiralado pelo qual o ocultista sabe como guiá-la. Se for possível, a vontade deve funcionar para deter sua subida, mas se isso se mostrar impossível, como é mais provável, não se deve alarmar-se. Kundalini provavelmente se precipitará através da cabeça e se escapará para a atmosfera circundante, e com certeza nenhum prejuízo advirá disso, a não ser um leve enfraquecimento. O pior que pode ocorrer, é uma perda passageira de consciência. Os piores perigos estão relacionados com sua descida para o interior e não com a sua subida.
A principal função de Kundalini, em conexão com o desenvolvimento oculto, está no fato de que, quando enviada através dos Chakras no corpo etérico, ela vivifica esses Chakras e torna-os disponíveis como entradas de comunicação entre os corpos físico e astral. Diz-se, em A Voz do Silêncio, que quando Kundalini alcança o centro entre os olhos e os vivifica inteiramente, confere o poder de ouvir a voz do Mestre — o que significa, neste caso, a voz do ego ou do eu superior. O motivo está em que, desde que o corpo pituitário é levado à atividade, forma um elo perfeito com o corpo astral e assim toda a comunicação interior pode ser recebida.
Além disso, os Chakras superiores têm de ser despertados, em devida ordem, e cada qual deve tornar-se responsivo a todos os tipos de
influências astrais vindas dos vários subplanos. A maioria das pessoas não pode obter isso durante a encarnação presente, se é a primeira na qual começaram a levar seriamente em conta tais assuntos. Alguns hindus podem consegui-lo, já que seus corpos, por hereditariedade, são mais adaptáveis que os de muitos outros. Para a maioria dos homens será trabalho para uma Ronda posterior.
A conquista de Kundalini deve ser repetida em cada encarnação, já que os veículos são novos de cada vez, mas, depois que foi obtida, essas repetições serão coisa fácil. A ação de Kundalini varia com os diferentes tipos de pessoas. Alguns, verão antes o eu superior do que ouvirão sua voz. Também essa comunicação com o superior tem muitos estágios. Para a personalidade significa a influência do ego, mas para o próprio ego significa o poder da mônada: para a mônada, por sua vez, significa tornar-se expressão consciente do Logos.
Não parece que haja limite de idade com relação ao despertar de Kundalini, mas a saúde física é uma necessidade, devido ao esforço envolvido.
Um símbolo antigo era o tírso — isto é, um bastão com um cone de pinho na ponta. Na Índia, o mesmo símbolo é encontrado, mas em lugar do bastão usa-se um pedaço de bambu, com sete nós. Em algumas modificações do mistério usou-se uma vara oca de ferro, que se dizia conter fogo, em vez do tirso. O bastão ou o bambu com seus sete nós representam a coluna espinhal com seus sete Chakras. O fogo oculto é, naturalmente, Kundalini. O tirso não era apenas um símbolo, mas também um objeto de uso prático. Tratava-se de um objeto fortemente magnético, usado pelos iniciados para libertar o corpo astral do físico, quando passavam inteiramente conscientes para uma vida superior. O sacerdote que magnetizava o tirso colocava-o contra a espinha do candidato e dava-lhe, desta maneira, algo de seu próprio magnetismo, a fim de ajudá-lo naquela vida difícil e nos esforços que iria encontrar pela frente.
CAPÍTULO VII
Formas - Pensamentos
Os corpos mental e astral são os que estão principalmente ligados com a produção do que é chamado forma-pensamento. A palavra forma-pensamento não é inteiramente exata, porque as formas produzidas podem ser compostas de matéria mental, ou, na grande maioria dos casos, tanto de matéria mental como de matéria astral.
Embora neste livro estejamos tratando, antes de mais nada, do astral e não do corpo mental, contudo, as formas-pensamentos, como acabamos de dizer, na grande maioria dos casos são tanto astrais como mentais. A fim, portanto, de tornar inteligível o assunto, é necessário tratar amplamente tanto com o aspecto mental como com o aspecto astral.
Um pensamento puramente intelectual e impessoal — tal como o relacionado com a álgebra ou a geometria — estaria confinado à matéria mental. Se, por outro lado, o pensamento traz consigo qualquer desejo egoísta ou pessoal, ele atrairá para si a matéria astral, além da mental. Se, ainda mais, o pensamento for de natureza espiritual, se tiver o toque do amor e da aspiração, ou profundo e não egoístico sentimento, então pode também entrar nele um pouco do esplendor e glória do plano búdico.
Cada pensamento definido produz dois efeitos: primeiro, uma vibração radiante, depois uma forma flutuante.
A vibração instalada no corpo mental e dele irradiando é acompanhada com um jogo de cores que tem sido descrito como o do borrifar de uma cascata quando a luz do sol a atravessa, porém em grau elevadíssimo de cor e vívida delicadeza.
Essa vibração radiante tende a reproduzir seu próprio ritmo de movimento em qualquer corpo mental com o qual ela possa entrar em contato, isto é, produzir pensamentos do mesmo tipo daqueles a partir dos quais a vibração se originou. Deve-se notar que a vibração radiante leva consigo não o assunto do pensamento, mas seu caráter. Assim, as ondas de pensamento- emoção irradiando de um hindu engolfado em devoção a Shri Krishna tenderia a estimular os sentimentos devotos em quem quer que tombasse sob a sua influência, não necessariamente dirigidos tais sentimentos para Shri Krishna, mas, no caso de um cristão, para Cristo, no caso de um budista, para o Senhor Buda, e assim por diante.
O poder da vibração para produzir tais efeitos depende principalmente da nitidez e precisão do pensamento-emoção, bem como naturalmente da quantidade de força nele colocada.
Essas vibrações radiantes tornam-se menos eficazes na proporção da distância em que estão da sua fonte, embora seja provável que a variação se mostre proporcional ao cubo da distância, e não (como acontece com a gravidade e com outras forças) ao quadrado, por causa da adicional (quarta) dimensão envolvida.
A distância até a qual uma onda de pensamento pode irradiar eficazmente depende da oposição que encontra. Ondas do tipo inferior da matéria astral são, habitualmente, logo desviadas ou dominadas por uma quantidade de outras vibrações do mesmo nível, tal como um som suave é afogado no estrépito de uma cidade.
O segundo efeito, o de uma forma flutuante, é causado pela porção de vibração que o corpo mental lança de si próprio, modelada pela natureza do pensamento, que junta em torno de si matéria de ordem correspondente de delicadeza, retirada da essência elemental circundante do plano mental. Essa é uma forma-pensamento pura e simples, composta apenas de matéria mental.
Se feita dos melhores tipos de matéria, será de grande poder e energia e pode ser usada como o agente mais poderoso quando dirigida por uma vontade firme e forte.
Quando o homem dirige sua energia para objetos externos de desejo ou está ocupado com atividades passionais ou emocionais, processo idêntico se verifica em seu corpo astral: uma porção dele é expulsa e reúne em torno de si própria a essência elemental do plano astral. Essas formas- pensamentos-de-desejo são causadas por Kama-Manas, a mente sob o domínio da natureza animal, Manas dominada por Kama.
Tal forma-pensamento-de-desejo tem como corpo a essência elemental, e como alma animadora, por assim dizer, o desejo ou a paixão que a projetou. Tanto essas formas-pensamentos-de-desejo como as formas- pensamentos puramente mentais são chamadas dementais artificiais. A vasta maioria das formas-pensamentos comuns são do primeiro tipo, pois poucos são os pensamentos dos homens e mulheres comuns que não sejam matizados pelo desejo, a paixão ou a emoção.
Tanto a essência elemental mental como a astral, que possuem vida meio inteligente que lhes é própria, respondem muito facilmente à influência do pensamento humano e ao humano desejo: conseqüentemente, cada impulso enviado, seja do corpo mental de um homem, seja de seu corpo astral, reveste-se imediatamente de um veículo temporário de essência elemental. Esses elementais artificiais tornam-se, assim, uma espécie de criaturas vivas, entidades de intensa atividade, animadas pela ideia que as gerou. São, na verdade, amiúde, tidas erroneamente, pelos psíquicos e clarividentes não treinados, como entidades realmente vivas.
Assim, quando um homem pensa num objeto concreto — um livro, uma casa, uma paisagem etc. — constrói minúscula imagem do objeto na matéria de seu corpo mental. Essa imagem flutua na parte superior daquele corpo, quase sempre diante do rosto do homem e mais ou menos ao nível de seus olhos. Permanece ali durante todo o tempo em que o homem estiver pensando no objeto, às vezes mesmo algum tempo mais, a extensão daquela vida dependendo da intensidade e clareza do pensamento. A forma é bastante objetiva e pode ser vista por qualquer outra pessoa que possua visão mental. Se um homem pensa em outra pessoa, cria um minúsculo e exato retrato dessa pessoa.
Costuma-se comparar as formas-pensamentos, praticamente, com uma garrafa de Leyden (recipiente carregado de eletricidade estática), a própria garrafa correspondendo à essência elemental e a carga elétrica referindo- se ao pensamento-emoção. E tal como a garrafa de Leyden, quando toca outro objeto, descarrega sua eletricidade acumulada sobre o objeto, o
mesmo faz um elemental artificial quando se choca com um corpo mental ou astral. Descarrega sobre esse corpo sua energia mental e emocional acumulada.
Os princípios subjacentes na produção de todas as formas de pensamento- emoção podem ser assim definidos:
Cor, determinada pela qualidade do pensamento ou emoção.
Forma, determinada pela natureza do pensamento ou emoção.
Clareza de contorno, determinada pela precisão do pensamento ou emoção.
O período de vida de uma forma-pensamento depende de:
(l) sua intensidade inicial;
(2) a força que lhe seja comunicada pela repetição do pensamento, seja pelo gerador, seja por outros. Sua vida pode ser continuamente reforçada por essa repetição, já que um pensamento, sobre o qual nos detemos longamente, adquire grande estabilidade de forma. Além disso, as formas- pensamentos de tipo idêntico são mutuamente atraídas e, ainda mutuamente, fortalecem-se, criando uma forma de grande energia e intensidade.
Ademais, tal forma-pensamento parece possuir o desejo instintivo de prolongar sua vida, e reagirá sobre seu criador, tendendo a evocar nele a renovação do sentimento que a criou. Reagirá da mesma forma, embora não perfeitamente, sobre quaisquer outras pessoas com as quais possa entrar em contato.
As cores nas quais as formas-pensamentos se expressam são idênticas às encontradas na aura.
O brilho e a profundidade das cores são habitualmente a medida da força e da atividade do sentimento.
Para nosso presente propósito, podemos classificar as formas-pensamentos em três espécies:
as relacionadas apenas com seu originador;
as relacionadas com outra pessoa;
as que não são nitidamente pessoais.
Se o pensamento de um homem é a seu próprio respeito ou baseado num sentimento pessoal, como costumam ser os pensamentos em sua vasta maioria, a forma pairará na vizinhança imediata do seu gerador. A qualquer tempo então, quando ele estiver em condição passiva, seus pensamentos e sentimentos não estando especificamente ocupados, sua própria forma-pensamento retornará para ele, descarregando-se sobre si próprio. Além disso, cada homem também serve como magneto para atrair a si as formas-pensamentos de outras, que sejam idênticas às suas, atraindo assim para sua própria pessoa um reforço de energia vinda de fora. As pessoas que se estão tornando sensitivas imaginaram, às vezes, em tais casos, que tinham sido tentadas pelo "diabo", quando suas próprias formas-pensamentos-de-desejo eram a "tentação". Longa meditação sobre o mesmo assunto pode criar uma forma-pensamento de tremendo poder. Tal
forma durará, possivelmente, por muitos anos e durante algum tempo terá toda a aparência e poder de uma verdadeira e viva entidade. A maioria dos homens atravessa a vida encerrados numa gaiola construída por eles próprios, rodeada por massas de formas criadas pelos seus pensamentos habituais. Um resultado importante disso está em cada homem olhar o mundo através de suas próprias formas-pensamentos e assim ver tudo colorido por elas.
Dessa maneira, as formas-pensamentos do próprio homem reagem sobre ele, inclinando-se a se reproduzirem e instalando assim hábitos definidos de pensamento e sentimento, que podem ser benéficos se forem de caráter elevado, mas que são entorpecedores e um inconveniente para o desenvolvimento, obscurecendo a visão mental e facilitando a formação do preconceito e das tendências e atitudes fixas que se podem transformar em determinados vícios.
Tal como escreveu um Mestre: "O homem está constantemente povoando sua corrente no espaço com um mundo que lhe é próprio, repleto dos filhos de suas fantasias, desejos, impulsos e paixões". Essas formas-pensamentos permanecem em sua aura, aumentando em número e intensidade, até que certas espécies entre elas dominem sua vida mental e emocional e o homem antes responda aos seus impulsos do que se decida por outros: assim são criados hábitos, a expressão externa de sua força armazenada, e assim seu caráter é construído.
Ademais, como cada homem deixa atrás de si uma esteira de formas- pensamentos, segue-se que quando andamos ao longo de uma rua estamos caminhando por um mar de pensamentos de outros homens. Se um homem deixar sua mente vazia por algum tempo, esses pensamentos de outros passam através dela: se um deles chama a sua atenção, sua mente dele se apodera, torna-o próprio, fortalece-o pelo acréscimo de sua força e então torna a lançá-lo fora, a fim de que vá afetar alguma outra pessoa. Um homem não é, portanto, responsável por um pensamento que flutue em sua mente, mas é responsável se o tomar para si, meditar sobre ele & mandá-lo a outros, fortalecido.
Um exemplo de formas-pensamentos está nas nuvens sem forma, de intensa tonalidade azul, que podem ser vistas com frequência rolando pelo espaço, como coroas de fumaça densa sobre as cabeças dos fiéis numa igreja. Nas igrejas onde o nível de espiritualidade é baixo, as mentes dos homens podem criar fileiras de cifras, representando seus cálculos de negócios, transações comerciais e especulações, enquanto a mente das mulheres pode criar quadros de chapéus, jóias etc.
O hipnotismo fornece outro exemplo de formas-pensamentos. O operador pode criar uma forma-pensamento e projetá-la sobre um papel em branco, onde será visível para o indivíduo hipnotizado: ou pode tornar a forma- pensamento tão objetiva que o paciente irá vê-la e senti-la como se fosse, de fato, um objeto físico. A literatura do hipnotismo está repleta de tais exemplos.
Se a forma-pensamento está dirigida para outra pessoa, irá para essa pessoa. Um, de dois efeitos, pode então resultar daí.
(l) Se na aura da pessoa visada há material capaz de responder simpaticamente à vibração da forma-pensamento, então a forma-pensamento permanecerá junto da pessoa ou mesmo em sua aura, e, quando chegue a oportunidade, descarrega-se automaticamente, inclinando-se assim a
fortalecer na pessoa aquele ritmo particular de vibração. Se a pessoa a quem é dirigida a forma-pensamento acontece estar ocupada ou já engolfada em alguma linha definida de pensamento, a forma-pensamento, não podendo descarregar-se no corpo mental da pessoa, que já está vibrando a um determinado ritmo, fica suspensa na vizinhança até que o corpo mental da pessoa esteja suficientemente descansado para permitir sua entrada, quando então a forma-pensamento imediatamente se descarrega.
Fazendo isso ela exibirá o que parece uma quantidade bastante considerável de inteligência e adaptabilidade, embora seja realmente uma força atuando ao longo de uma linha de menor resistência — pressionando com firmeza numa direção todo o tempo, e aproveitando qualquer canal que lhe aconteça encontrar. Tais elementais podem naturalmente ser fortalecidos e seu período de vida estendido pela repetição do mesmo pensamento.
(2) Se, por outro lado, não houver na aura da pessoa matéria capaz de responder, então a forma-pensamento não pode afetá-la. Portanto, irá refluir dali, com força proporcional à energia com a qual foi atirada contra o alvo, retornando para bater em seu criador.
Assim, por exemplo, o pensamento de desejo de uma bebida não pode entrar no corpo de um abstêmio. Golpearia seu corpo astral, mas não chegaria a penetrar nele e retornaria a quem o tivesse enviado.
O velho ditado que diz: "Maldições (podemos acrescentar bênçãos) voltam para o lugar de onde vieram", transmite essa verdade e explica acontecimentos em que, tal como muitos o sabem, maus pensamentos dirigidos a pessoas boas e altamente desenvolvidas, não as afetam de forma alguma, mas reagem às vezes com terrível e devastador efeito sobre seu criador. Daí se depreende também, é óbvio, que a mente e o coração puros são a melhor proteção contra assaltos inamistosos de sentimento e pensamento.
Por outro lado, uma forma-pensamento de amor e desejo de proteção, fortemente dirigida para alguém muito amado, atua como agente de amparo e proteção. Procurará todas as oportunidades para servir e defender, aumentará forças amistosas e enfraquecerá as inamistosas que ataquem sua aura. Pode proteger a pessoa contra a irritabilidade, a impureza, e o medo etc.
Pensamentos amigáveis e sinceros bons desejos criam e mantêm, assim, o que é virtualmente um "anjo da guarda", sempre ao lado da pessoa em que se pensa, não importando o que ela possa ser. Os pensamentos e orações de muitas mães, por exemplo, têm dado assistência e proteção ao seu filho. Tais pensamentos são vistos com frequência pelos clarividentes e em raros casos podem mesmo materializar-se, tornando-se visíveis.
Torna-se, assim, evidente o fato de que um pensamento de amor enviado de uma pessoa para outra envolve uma real transferência de certa quantidade, tanto de força como de matéria, que vai de quem o envia para quem o recebe.
Se o pensamento for suficientemente forte, a distância não faz nenhuma diferença, mas um pensamento fraco e difuso não é eficaz para além de uma área limitada.
Uma variante do nosso primeiro grupo consiste naqueles casos em que um homem pensa fortemente em si próprio num lugar distante. A forma assim criada contém uma grande proporção de matéria mental, toma a imagem de quem pensa e, de início, é pequena e comprimida. Atrai em redor de si uma quantidade considerável de matéria astral e habitualmente expande-se até atingir o tamanho natural antes de aparecer no seu destino. Tais formas são vistas com frequência por clarividentes e não é raro serem tomadas como o corpo astral da pessoa ou mesmo pela própria pessoa.
Quando tal coisa acontece, o pensamento ou desejo deve ser suficientemente forte para fazer uma de três coisas:
(l) evocar, por influência mesmérica, a imagem de quem pensa na mente da pessoa para a qual ele deseja aparecer;
pelo mesmo poder estimular, no momento, as faculdades psíquicas da pessoa visada, de forma que ela possa ver o visitante astral;
produzir uma materialização temporária que será fisicamente visível.
As aparições no momento da morte, que de forma alguma são raras, representam realmente, com muita frequência, a forma astral do moribundo, mas podem também ser formas-pensamentos evocadas pelo seu ansioso desejo de ver algum amigo, antes de morrer. Em alguns casos o visitante é percebido logo depois da morte e não um pouco antes, mas por inúmeras razões essa forma de aparição é menos frequente do que as outras.
Um espírito familiar pode ser:
uma forma-pensamento
uma impressão extraordinariamente vívida na luz astral, ou
um autêntico ancestral, apegado à terra, ainda vagando em algum lugar particular.
Relacionado com isso podemos acrescentar que sempre que uma intensa paixão foi sentida, tal como terror, dor, tristeza, ódio etc., uma impressão tão poderosa se faz na luz astral que pessoas dotadas do mais ligeiro lampejo de faculdade psíquica podem ser impressionadas por ela. Um ligeiro e temporário aumento da sensibilidade capacitará um homem a visualizar toda a cena: daí muitas histórias sobre locais assombrados, e sobre influências desagradáveis em pontos que se tornam conhecidos.
Aparições no local onde um crime foi cometido são, quase sempre, formas- pensamentos projetadas pelo criminoso, que, esteja vivo ou morto, mas muito especialmente quando morto, está perpetuamente pensando, sempre e sempre, nas circunstâncias da sua ação. Já que esses pensamentos estão, como é natural, vívidos em sua mente na data aniversaria de seu crime, pode acontecer que a forma-pensamento seja forte bastante para se materializar de forma a se tornar visível à visão física, assim explicando muitos casos em que a manifestação é periódica.
Da mesma forma uma jóia que tenha sido causa de muitos crimes, pode reter as impressões e paixões que levam ao crime, com absoluta nitidez, por muitos milhares de anos, continuando a irradiá-las.
Um pensamento tremendamente enérgico e concentrado, seja de bênção ou de maldição, cria a existência de um elemental que vem a ser, virtualmente, uma bateria de acumuladores viva, com um mecanismo de relógio a ela apenso. Essa bateria pode ser arranjada para se descarregar regularmente, a determinada hora do dia ou em certa data aniversaria, ou sob determinadas circunstâncias. Muitos exemplos dessa classe de elemental têm sido registrados, especialmente na Alta Escócia, onde avisos físicos ocorrem antes da morte de um membro da família. Nesses casos, quase sempre é a poderosa forma-pensamento que dá o aviso, segundo a intenção de que está carregada.
Um desejo suficientemente forte — esforço concentrado de amor ou de ódio
criará tal entidade de uma vez para sempre, uma entidade que será, então, bastante desligada de seu criador e levará adiante o trabalho que lhe foi designado, sem considerar as intenções e desejos posteriores que aquele venha a manifestar. Simples arrependimento não a traz de volta nem evita a sua ação, tal como o arrependimento não pode deter uma bala, uma vez disparada. O poder da entidade só poderia ser bastante neutralizado com o envio, em seu seguimento, de pensamentos de tendência contrária.
Ocasionalmente, não conseguindo exercer sua força sobre seus objetivos nem sobre seu criador, um elemental dessa classe pode tornar-se uma espécie de demónio errante, atraído por qualquer pessoa que manifeste idênticos sentimentos. Se for suficientemente poderoso, conseguirá mesmo apoderar-se de um cascão que passe e nele instalar-se, empregando mais cautelosamente seus recursos. Nessa forma pode manifestar-se através de um médium e, fingindo-se um amigo bem conhecido, obtém influência sobre pessoas que, de outra maneira, não conseguiria impressionar.
Tais elementais, transformados assim em demónios errantes — tenham sido consciente ou inconscientemente formados — procuram invariavelmente prolongar sua vida, seja alimentando-se como vampiros da vitalidade dos seres humanos, seja influenciando-os para que eles lhes façam ofertas. Entre as tribos simples, primitivas, têm conseguido, com frequência, tornar-se considerados como deuses da aldeia ou da família. Os tipos menos perigosos podem contentar-se com oferendas de arroz e alimento cozido; os de classe mais baixa, os mais repulsivos, pedem sacrifícios sangrentos. Ambas as variedades existem hoje na índia e, em número maior, na África.
Sugando principalmente a vitalidade de seus devotos e usando também a nutrição que podem obter com as suas oferendas, conseguem prolongar sua existência durante anos ou mesmo séculos. Chegam até a realizar fenômenos ocasionais, muito simples, a fim de estimular o zelo e a fé de seus seguidores, e tornam-se invariavelmente desagradáveis, de alguma forma, se os sacrifícios forem negligenciados.
Os magos negros da Atlântida — os "senhores da face escura" — ao que parece especializaram-se nesse tipo de elementais artificiais, e alguns deles, segundo se tem sugerido, conservam sua existência mesmo em nossos dias. A terrível deusa hindu, Káli, será provavelmente uma relíquia desse tipo.
A imensa maioria das formas-pensamentos é, simplesmente, cópia ou imagem de pessoas ou de outros objetos materiais. Constroem-se primeiro dentro do corpo mental e passam então para o exterior, mantendo-se suspensas diante do homem. Isso se aplica ao que quer que seja em que se possa estar pensando: pessoas, casas, paisagens ou qualquer outra coisa.
Um pintor, por exemplo, imagina, com o material de seu corpo mental, a concepção de seu quadro futuro, projeta-a no espaço diante de si, mantém- na diante dos "olhos da mente", e a copia. Essa forma-pensamento-emoção persiste e pode ser tomada como contraparte invisível da pintura, irradiando suas próprias vibrações e afetando todos os que fiquem sob sua influência.
Da mesma maneira um romancista constrói, com material mental, as imagens de seus personagens, e então, usando a sua vontade, move esses bonecos de uma posição ou agrupamento para outro, de forma que o enredo da história é literalmente desenvolvido diante dele.
Efeito curioso surge de tal caso. Um travesso espírito-da-natureza (ver capítulo XX) pode animar as imagens e levá-las a fazerem coisas que não são as que o autor pretendia para a atividade delas. Mais freqüentemente um escritor morto pode perceber as imagens e, ainda interessado na arte de escrever, consegue moldar os tipos e influenciar suas ações, de acordo com suas próprias idéias. O escritor real muitas vezes percebe que o enredo está agindo sozinho, de acordo com um plano bastante diferente da sua concepção original.
Lendo um livro, o estudante autêntico pode, com a atenção integralmente concentrada, entrar em contato com a forma-pensamento original, que representa a concepção do autor ao escrever. Através da forma-pensamento, o próprio autor pode mesmo ser alcançado e maior informação assim obtida, bem como a obtenção de luz sobre pontos difíceis.
Há no mundo mental, como no astral, muitas reproduções de histórias bem conhecidas, cada nação tendo, habitualmente, sua apresentação particular, os personagens vestidos com seus próprios trajes nacionais. Existem, assim, excelentes formas-pensamentos de aspecto vivo, referentes a pessoas como Sherlock Holmes, Capitão Kettle, Robinson Crusoe, personagens de Shakespeare etc.
Na verdade, há no mundo astral grande número de formas-pensamentos de caráter relativamente permanente, muitas vezes o resultado do trabalho acumulado das gerações. Muitas se referem a pretensas histórias religiosas, e a visão delas, por parte de pessoas sensitivas, é responsável por muitas e verdadeiras narrações dadas por videntes não treinados de ambos os sexos. Qualquer grande acontecimento histórico, no qual se pensa constantemente e é imaginado vividamente por grande número de pessoas, existe como exata forma-pensamento no plano mental, e quando quer que surja forte emoção com ela relacionada, materializa-se também na matéria astral e, conseqüentemente, pode ser vista por um clarividente.
O que ficou dito acima aplica-se igualmente, como é natural, a cenas e situações da ficção, do drama etc.
Considerados em conjunto, é fácil compreender o tremendo efeito que essas formas-pensamentos ou elementais artificiais têm na produção de sentimentos nacionalistas ou de raça, torcendo as mentes e criando preconceitos, porque as formas-pensamentos de igual tendência inclinam-se a se agregarem, formando uma entidade coletiva. Vemos tudo através dessa atmosfera, sendo cada pensamento mais ou menos refratado por ela, e, de acordo com ela, vibrando nosso próprio corpo astral. Como a maioria das pessoas é mais receptiva do que iniciadora em sua natureza, atuam quase como reprodutores automáticos dos pensamentos que as alcançam, e assim a atmosfera nacional é continuamente intensificada. Esse fato explica,
obviamente, muitos dos fenômenos de consciência coletiva (ver capítulo XXV).
A influência dessas formas-pensamentos agrupadas vai ainda mais longe. Formas-pensamentos de tipo destrutivo agem como agente destruidor e muitas vezes desencadeiam a devastação sobre o plano físico, causando "acidentes", convulsões da natureza, tempestades, terremotos, inundações, ou crime, doença, distúrbios sociais e guerras.
É possível, também, para pessoas mortas e outras entidades não humanas, tais como perversos espíritos-da-natureza, por exemplo, entrar nessas formas-pensamentos e vivificá-las. O vidente treinado deve aprender a distinguir a forma-pensamento, mesmo quando vivificada, dos seres vivos e fatos importantes do mundo astral dos moldes temporários em que eles são vazados.
Nossa terceira classe de formas-pensamento-emoção consiste daquelas que não estão diretamente ligadas a qualquer objeto e que se expressam portanto em formas que lhes são inteiramente próprias, exibindo suas qualidades inerentes na matéria que atraem para seu derredor. Nesse grupo, portanto, temos um relance das formas naturais para os planos astral e mental. As formas-pensamentos dessa classe manifestam-se, invariavelmente, no plano astral, já que a imensa maioria delas são expressões de sentimento, bem como de pensamento.
Uma forma assim flutua, simplesmente, destacada na atmosfera, a todo o tempo irradiando vibrações semelhantes às enviadas pelo seu criador. Se não entrar em contato com qualquer outro corpo mental, a irradiação exaure gradualmente sua provisão de energia e a forma se desintegra. Mas se consegue despertar simpáticas vibrações em qualquer corpo mental que lhe esteja próximo, uma atração surge e a forma-pensamento é quase sempre absorvida por aquele corpo mental.
Pelo que ficou dito acima, vemos que a influência de uma forma-pensamento tem alcance menor que a de uma vibração-pensamento, mas atua com precisão muito maior. Uma vibração-pensamento reproduz pensamentos de uma ordem similar ao que o levou a nascer. Uma forma-pensamento reproduz o mesmo pensamento. As radiações podem afetar milhares e despertar neles pensamentos do mesmo nível do original, embora nenhum lhe seja idêntico. A forma-pensamento consegue influenciar apenas uns poucos, mas nesses poucos casos reproduzirá exatamente a ideia inicial.
O estudante deve procurar um trabalho clássico no género: Formas- Pensamentos, de Annie Besant e C. W. Leadbeater, e ali encontrará ilustrações coloridas de muitas formas-pensamentos. Todo este capítulo, realmente, é em grande parte um sumário condensado dos princípios enunciados naquele trabalho.
Pensamentos ou sentimentos vagos mostram-se como vagas nuvens. Pensamentos e sentimentos definidos criam claramente formas definidas. Assim, uma forma definida de afeição dirigida a determinado indivíduo forma-se de maneira não muito diversa do que acontece com um projétil; um pensamento de afeição protetora torna-se de certa forma parecido a um pássaro, com a porção central em amarelo e duas projeções em forma de asa, coloridas em tom rosado; um pensamento de amor universal torna-se cor-de-rosa, no feitio de um sol, seus raios partindo para todas as direções.
Os pensamentos nos quais o egoísmo ou a ganância são destacados tomam quase sempre o feitio ganchoso, os ganchos em alguns casos realmente cravados no objeto desejado.
Como princípio geral, a energia de um pensamento egoísta move-se em curva fechada e assim inevitavelmente retorna e se exaure sobre seu próprio nível. Um pensamento absolutamente destituído de egoísmo, o mesmo se dando com um sentimento desse tipo, vai para a frente, entretanto, em curva aberta e assim não retorna, no sentido comum, mas atravessa o plano acima, porque apenas nessa condição mais alta, com sua dimensão adicional, pode encontrar lugar para se expandir. Mas, atravessando assim, tal pensamento ou sentimento abre uma porta, como simbolicamente podemos dizer, de dimensão equivalente ao seu diâmetro e obtém assim um canal através do qual os planos mais altos podem derramar-se para os inferiores — muitas vezes com maravilhosos resultados, como no caso da oração, tanto para quem emitiu o pensamento como para outros.
Aqui temos a mais alta e melhor parte da fé na resposta dada às orações. Nos planos mais altos há um fluxo infinito de força sempre pronto e à espera de derramar-se quando um canal lhe é oferecido. Um pensamento de devoção inteiramente destituída de egoísmo oferece esse canal, a maior e a mais nobre parte de um pensamento assim subindo até o próprio Logos. A resposta que Ele dá é um descer da vida divina, fortalecendo e elevando o autor do canal e derramando em torno dele uma influência poderosa e benéfica, que flui através do reservatório existente nos planos mais altos para auxiliar a humanidade. Esse acréscimo ao reservatório de força espiritual é a verdade que está implícita na ideia católica das obras de super-rogação. Os Nirmâna-kâyas estão especialmente associados com esse grande reservatório de força.
A meditação sobre um Mestre forma um vínculo com Ele, vínculo observado pelo clarividente como uma espécie de linha de luz. O Mestre, sempre subconscientemente, sente o choque de tal linha e envia ao longo dela, em resposta, um fluxo magnético constante que continua a agir muito depois do término da meditação. A regularidade em tal meditação é um fator muito importante.
Um pensamento de segura e bem mantida devoção pode assumir uma forma bastante semelhante a uma flor, enquanto a aspiração religiosa criará um cone azul, o ápice apontando para cima.
Tais formas-pensamentos de devoção mostram-se, muitas vezes, extraordinariamente belas, variando muito em seu contorno, mas caracterizadas por pétalas curvas que apontam para cima, como chamas azuis. É possível que o feitio de flor, característico das formas religiosas, tenha produzido o costume de oferecer flores, no culto religioso, já que as flores sugerem as formas visíveis à visão astral.
A curiosidade intensa, ou o desejo de saber, toma a forma de uma serpente amarela; a cólera explosiva, ou a irritação, é mancha vermelha e laranja; a cólera refreada tem a forma de um estilete agudo, vermelho; o ciúme despeitado mostra-se como cobra de tonalidade marrom.
As formas produzidas por pessoas que têm a mente e a emoção bem sob controle e são bastante treinadas em meditação mostram-se claras, objetos simétricos de grande beleza, muitas vezes tomando formas geométricas bem conhecidas, como triângulos, dois triângulos entrelaçados, estrelas de cinco pontas, hexágonos, cruzes, e assim por diante, numa indicação de
pensamentos relacionados com a ordem cósmica ou com conceitos metafísicos.
O poder do pensamento unido de várias pessoas é sempre muitíssimo maior do que o resumo de seus pensamentos separados: esse poder seria representado, mais aproximadamente, pelo produto desses pensamentos.
A música também produz formas que não são, talvez, tecnicamente, formas- pensamentos — a não ser que as tomemos, como poderíamos, como resultado do pensamento do compositor, expressado pela habilidade do intérprete através do seu instrumento.
Essas formas musicais variarão de acordo com o tipo de música, o tipo de instrumento que a reproduz e a habilidade e méritos do executante. A mesma peça musical, se corretamente tocada, sempre construirá a mesma forma, mas essa forma, quando tocada por um órgão de igreja ou por uma orquestra, será imensamente maior, bem como de textura diferente daquela que produz a interpretação ao piano. Haverá também uma diferença em textura entre o resultado de uma peça musical tocada ao violino e a mesma peça executada por uma flauta. Há também ampla diferença entre a radiante beleza de uma forma produzida por um verdadeiro artista, perfeito na expressão e na execução, e o efeito relativamente pesado que lhe dá um instrumentista bisonho, mecânico.
As formas musicais conservam-se como estruturas coerentes durante um período considerável de tempo — pelo menos uma ou duas horas — e durante todo esse período estarão irradiando suas vibrações características para todos os lados, tal como fazem as formas-pensamentos.
No livro Formas-Pensamentos, são dados três exemplos coloridos de formas musicais nascidas da música de Mendelssohn, de Gounod e de Wagner, respectivamente.
As formas construídas variam muito segundo os diferentes compositores. Uma abertura de Wagner forma um todo magnífico, como se fora montanha em que as pedras fossem chamas. Uma das fugas de Bach ergue uma forma ordenada, ousada porém precisa, rude porém simétrica, com riachos paralelos, em prata, ouro ou rubi, correndo através deles, marcando os sucessivos retornos do motif. Um dos Lieber ohne Worte, de Mendelssohn, faz nascer uma estrutura etérea, como um castelo de filigrana trabalhado em prata fosca.
Essas formas, criadas pelos executantes da música, são bastante diferentes das formas-pensamentos que vêm do próprio compositor e que muitas vezes persistem durante anos, mesmo durante séculos, se ele for por todo esse tempo compreendido e apreciado, de forma que sua concepção original seja fortalecida pelos pensamentos de seus admiradores. Edifícios idênticos são construídos pela ideia de um poeta sobre seu épico ou pela concepção de um escritor quanto ao seu tema. Às vezes, uma multidão de espíritos-da-natureza pode ser vista admirando as formas musicais e banhando-se nas ondas de influência que delas emanam.
Ao estudar as representações pictóricas das formas-pensamentos é importante ter em mente que as formas-pensamentos são objetos quadrimensionais. Há, portanto, uma impossibilidade prática de descrevê- las adequadamente em palavras que pertencem às nossas comuns experiências tridimensionais e ainda menos de apresentá-las em gravuras de duas dimensões, sobre papel. Estudantes da quarta dimensão vão compreender que
máximo que se pode fazer é representar uma parte das formas quadrimensionais.
É um fato notável, e possivelmente significativo, o de muitos dos mais altos tipos de formas-pensamentos assemelharem-se muitíssimo às formas vegetais e animais. Temos assim, pelo menos, a presunção de que as forças da natureza trabalham de maneira semelhante àquela através da qual o pensamento e a emoção trabalham. Desde que todo o universo é uma poderosa forma-pensamento trazida à existência pelo Logos, bem pode ser que minúsculas partes dele também resultem das formas-pensamentos de entidades menores, ocupadas no mesmo trabalho criador. Essa concepção faz lembrar a crença hindu sobre a existência de 330 milhões de Devas.
Vale a pena reparar também que, enquanto algumas das formas-pensamentos se mostram tão complicadas e tão delicadamente modeladas que o reproduzí- las fica além do poder da mão humana, ainda assim elas podem ser reproduzidas, bastante aproximadamente, através de meios mecânicos. O instrumento conhecido como Harmonógrafo consiste numa ponta fina guiada em seu caminho por vários pêndulos, cada um dos quais tem sua própria e independente oscilação, todas elas combinadas num movimento composto que se comunica à ponta, que, por sua vez, registra esse movimento sobre uma superfície apropriada. Outras formas, embora mais simples, parecem-se com as figuras produzidas na areia pela famosa placa sonora de Chladni, ou pelo Eidofone (vide Eidophone Voice Figures, de M. W. Hugues).
Escalas e arpejos lançam voltas e curvas como as produzidas por um laço: uma canção com coro constrói uma quantidade de contas ensartadas num fio prateado de melodia; numa alegre canção a três vozes, sem acompanhamento, são produzidos fios entrelaçados de diferentes cores e texturas. Um hino de procissão constrói uma série de formas retangulares nítidas, como elos de cadeia ou carros de composição ferroviária. Um canto anglicano forma fragmentos cintilantes, muito diferentes da luminosa uniformidade do canto gregoriano, que não é diferente do efeito dos versículos sânscritos cantados por um pandit hindu. Música militar produz longa esteira de formas em rítmica vibração, o compasso regular daquelas ondulações inclinando-se a reforçar as dos corpos astrais dos soldados, quando o impacto de uma sucessão de firmes e poderosas oscilações fornecem, por aquela ocasião, a força de vontade que talvez se visse afrouxada pela fadiga.
Um temporal cria flamejante faixa colorida, o trovão trazendo forma que sugere a de uma bomba que explode ou esfera irregular eriçada de pontas. As ondas quebrando sobre a areia formam linhas paralelas ondulantes, de colorido mutável, linhas que se transformam em cordilheiras de montanhas, quando de um temporal. O vento nas folhas de uma floresta cobre-a com uma teia iridescente, erguendo-se e tombando em suave movimento ondulatório.
O canto dos pássaros aparece como linhas curvas e laços de luz, desde os dourados globulosos do pássaro sineiro até a massa amorfa e rudemente colorida dos gritos dos papagaios ou das araras. O rugido de um leão também é visível na matéria superior e é possível que algumas criaturas selvagens possam ver, por via clarividente, essa forma, tendo aumentado assim o seu terror. Um gato, ao ronronar, rodeia-se de películas concêntricas, em nuvem rosada; o latido de um cão envia projéteis de pontas agudas, não muito diferentes do disparo de um rifle, que atravessam o corpo astral de pessoas e perturbam-nas seriamente. O ladrar de um sabujo atira contas parecidas com bolas de futebol, de movimento
mais lento e menos tendentes a se fazerem perigosas. Á cor dessas bolas é habitualmente vermelha, ou marrom, variando com a emoção do animal e o timbre de sua voz.
O mugido de uma vaca produz formas pesadas e rombudas, como tocos de madeira. Um rebanho de ovelhas forma nuvem amorfa, cheia de pontas, parecida a uma nuvem de poeira. O arrulhar de um casal de pombos desenha formas curvas, graciosas, tal como a letra S invertida.
Voltando aos sons humanos, uma exclamação colérica atira-se como espada escarlate; o cascatear de tagarelice tola constrói intrincada rede de linhas metálicas, de um tom duro, entre o marrom e o cinzento, formando barreira quase perfeita contra qualquer pensamento ou sentimento mais alto e mais belo. O corpo astral de uma pessoa tagarela é impressionante lição objetiva sobre a insensatez da conversa desnecessária, inútil e desagradável.
O riso de uma criança forma borbulhantes desenhos rosados, o gargalhar de uma pessoa cuja mente é vazia tem o efeito explosivo de massa irregular, quase sempre marrom, ou de um verde sujo. O riso zombeteiro atira projéteis sem forma, de um vermelho opaco, quase sempre pintalgado de marrom esverdeado, eriçado de pontas agudas.
As cachinadas da pessoa constrangida dão o aparecimento e cor de um poço de lama fervente. Risinhos nervosos criam um emaranhado parecido ao das algas marinhas, em linhas de um marrom com linhas de tom amarelo opaco, e têm mau efeito sobre o corpo astral. Risada alegre, bondosa, sobe em formas arredondadas, em ouro e verde. Assovio suave e musical produz efeito não muito diferente do de flauta pequena, porém mais agudo e mais metálico. Assobio dissonante dispara pequenos projéteis pontudos, de tonalidade marrom sujo.
Inquietação, reboliço, produzem na aura vibrações trémulas, de forma que nenhum pensamento ou sentimento pode passar para dentro ou para fora sem distorção, e mesmo os bons pensamentos que estão sendo enviados para fora são tomados por um estremecimento que virtualmente os neutraliza. A exatidão no pensar é essencial, mas ela deve ser obtida pela perfeita calma e não através de precipitação e de inquietação.
O apito estridente de uma locomotiva produz projétil muito mais penetrante e poderoso do que o latido de um cão e ocasiona no corpo astral um efeito comparável ao de uma espada enterrada no corpo físico. Um ferimento astral cura-se em poucos minutos, mas o choque não desaparece tão depressa do organismo astral.
O disparo de um canhão produz um sério efeito sobre as correntes astrais e sobre os corpos astrais. Tiros de rifle ou pistola atiram em derredor uma cascata de pequenas agulhas.
Ruídos repetidos afetam os corpos mental e astral, precisamente como as pancadas afetam o corpo físico. No corpo físico, o resultado é dor; no corpo astral, significa irritabilidade; no corpo mental, uma sensação de fadiga e incapacidade de pensar claramente.
Está bastante claro que todos os sons altos, agudos ou súbitos, devem, tanto quanto possível, ser evitados por quem deseje conservar seus veículos astral e mental em boa ordem. Especialmente desastroso é o
efeito, por exemplo, do permanente ruído e estrondo de uma cidade sobre os plásticos corpos astral e mental das crianças.
Todos os sons da natureza mesclam-se num tom, chamado pelos chineses o "Grande Tom", ou Kung. Isto também tem sua forma, uma síntese de todas as formas, vasta e mutável como o mar, representando a nota da nossa terra na música das esferas. Alguns escritores dizem que essa nota é o Fá da nossa escala.
É possível, naturalmente, destruir uma forma-pensamento, e isso é feito às vezes quando por exemplo uma pessoa é perseguida por uma forma- pensamento maligna depois da morte, criada provavelmente pelo ódio de quem foi prejudicado pela pessoa, no mundo físico. Embora tal forma- pensamento possa parecer quase uma criatura viva — há um exemplo em que ela apareceu como um enorme gorila deformado — é, apenas, uma criação temporária de má paixão e de forma alguma uma entidade que evolui, de modo que dissipá-la é como destruir uma garrafa de Leyden e de maneira nenhuma um ato criminoso.
A maioria dos homens reconhece que atos prejudiciais a outrem são positiva e obviamente errados, mas poucos compreendem que também é errado sentir ciúmes, ódio, ambição etc., mesmo que tais sentimentos não sejam expressos em palavras ou ações. Um exame das condições da vida após a morte (capítulos XIII-XV) revela que tais sentimentos prejudicam a pessoa que os alimenta e causam a tal pessoa um agudo sofrimento após a morte.
Assim, um estudo das formas-pensamentos faz sentir, ao estudante aplicado, as tremendas possibilidades de tais criações e a responsabilidade ligada ao correto uso delas. Pensamentos não são apenas coisas, mas coisas excessivamente poderosas. Cada pessoa está gerando-os incessantemente, noite e dia. Muitas vezes não é possível dar auxílio físico aos que precisam, mas não há caso algum no qual o auxílio não possa ser dado pelo pensamento, ou no qual o pensamento deixe de produzir um resultado definido. Ninguém deve hesitar em fazer uso desse poder, em toda a sua extensão, contanto que ele seja sempre empregado em propósitos altruístas e para impulsionar o divino plano da evolução.
CAPÍTULO VIII
A Vida Física
No capítulo II consideramos, em linhas gerais, a composição e estrutura do corpo astral. Agora, trataremos de estudá-lo em maior detalhe: como existe e é usado durante a consciência desperta comum do corpo físico.
Os fatores que determinam a natureza e qualidade do corpo astral durante a vida física podem ser agrupados, de modo geral, como se segue:
A vida física.
A vida emocional.
A vida mental.
l. A Vida Física. — Já vimos que cada partícula do corpo físico tem sua correspondente "contrapartida" astral. Conseqüentemente, assim como os sólidos, líquidos, gases e éteres que compõem o físico podem ser grosseiros ou refinados, toscos ou delicados, assim será a natureza dos envoltórios astrais correspondentes. Um corpo físico nutrido com alimento impuro produzirá um corpo astral igualmente impuro, ao passo que um corpo físico alimentado com substâncias limpas ajudará a purificar o veículo astral.
Sendo o corpo astral o veículo da emoção, da paixão, da sensação, segue- se que o corpo astral de tipo mais grosseiro será sensível, principalmente, às variedades mais grosseiras da paixão e da emoção, en- quanto um corpo astral mais fino vibrará, mais prontamente, diante de emoções e aspirações refinadas.
E impossível fazer o corpo físico tosco e ao mesmo tempo organizar os corpos astral e mental para propósitos mais altos, nem é possível ter um corpo físico puro com corpos astral e mental impuros. Todos os corpos são, assim, interdependentes.
Não só o corpo físico, mas os corpos superiores também são afetados pelo alimento ingerido. A dieta carnívora é fatal para o que quer que seja real desenvolvimento oculto e os que a adotam estão erguendo sérias e desnecessárias dificuldades em seus próprios caminhos, porque a carne, como alimento, intensifica todos os elementos indesejáveis e todas as paixões dos planos mais baixos.
Nos antigos Mistérios havia homens da mais alta pureza, e eles eram, invariavelmente, vegetarianos. A Raja Ioga esforça-se, especialmente, para purificar o corpo físico através de um sistema elaborado de alimentação, bebida, sono etc., e insiste em alimentos que sejam satvicos ou "rítmicos". Todo um sistema relacionado com substâncias alimentícias é organizado a fim de auxiliar a preparação do corpo para seu uso pela consciência superior. Alimentos cárneos são rajasicos, isto é, apresentam a qualidade de atividade, são estimulantes e preparados para expressar
desejos e atividades animais. Mostram-se decididamente impróprios para o tipo mais fino de organização nervosa. O iogue, portanto, não pode usá- los para os processos superiores de pensamento.
Alimentos a caminho de decomposição, tal como a caça, a carne do veado etc., bem como o álcool, são tamasicos ou pesados, e também devem ser evitados.
Alimentos que tendem a crescer, tais como os grãos e as frutas, são satvicos, ou rítmicos, constituindo os mais altamente vitalizados e próprios para construir um corpo sensível e ao mesmo tempo forte.
Certas substâncias também afetam prejudicialmente os corpos físico e astral. Assim, o fumo impregna o corpo físico com partículas impuras, causando emanações tão materiais que chegam a ser perceptíveis, muitas vezes, pelo sentido do olfato. Astralmente, o fumo não só introduz impureza, mas também inclina-se a amortecer a sensibilidade do corpo: "acalma os nervos", tal como se diz. Embora isso possa, nas condições da vida moderna, ser às vezes menos nocivo do que deixar os nervos "sem se acalmar", é sem dúvida impróprio para um ocultista, que precisa manter a capacidade de responder instantaneamente a todas as possíveis vibrações, combinadas essas respostas, naturalmente, com perfeito controle.
Da mesma maneira, não há qualquer dúvida de que do ponto de vista tanto do corpo mental como do corpo astral, o uso do álcool é sempre um mal.
Corpos alimentados com carne e álcool são passíveis de arruinar sua saúde ao se abrirem para a consciência superior; e doenças nervosas são devidas, em parte, ao fato de que a consciência humana está tentando expressar-se através de corpos obstruídos por produtos de carne e envenenados pelo álcool. O corpo pituitário, em particular, é rapidamente envenenado, mesmo pela menor quantidade de álcool, e sua superior evolução é assim detida. Ê o envenenamento do corpo pituitário pelo álcool que leva à visão anormal e irracional associada com o delirium- tremens.
Ademais de causar o embrutecimento tanto do corpo físico como do astral, a carne, o fumo e o álcool também recebem uma séria objeção, quando se sabe que essas substâncias tendem a atrair entidades astrais indesejáveis, que se comprazem com o cheiro do sangue e do álcool: elas se agitam em torno da pessoa, forçando seus pensamentos sobre ela, em seu corpo astral, de forma que o indivíduo visado pode ter uma espécie de casca de entidades inconvenientes suspensas em sua aura. Principalmente por essa razão, a carne e o vinho são inteiramente proibidos na Ioga da Senda da Direita.
Essas entidades consistem em elementais, nascidos dos pensamentos e desejos do homem, e também em homens depravados, prisioneiros de seu corpo astral, conhecidos como elementares (Ver pp. 125/126). Os elementais são atraídos para pessoas cujos corpos astrais contêm matéria agradável à sua natureza, enquanto os elementais humanos procuram satisfazer os vícios em que eles próprios se compraziam quando estavam em seus corpos físicos.
Quase todas as drogas — tais como ópio, cocaína, a teína do chá, a cafeína do café etc. — produzem efeitos deletérios sobre os veículos superiores. Ocasionalmente eles são, naturalmente, quase uma necessidade,
em certas doenças; mas um ocultista deve usá-las o mais raramente possível. Aquele que sabe como remover o mau efeito do ópio (que pode ter sido usado para aliviar grande dor) pode retirá-lo do corpo astral, como do corpo mental, assim que ele tenha agido sobre o corpo físico.
A sujeira de todas as qualidades também são mais inconvenientes ainda nos mundos superiores do que no físico e atrai uma classe inferior de espíritos-da-natureza. O ocultista, portanto, precisa ser rigoroso em todos os assuntos referentes à limpeza. Atenção especial deve ser dada às mãos e aos pés, porque através dessas extremidades as emanações fluem para o exterior com rapidez.
Os ruídos físicos, tal como prevalecem nas cidades, sacodem os nervos e assim causam irritação e fadiga. O efeito é acentuado pela pressão de muitos corpos astrais vibrando em ritmos diferentes e todos excitados e perturbados por insignificâncias. Embora tal irritação seja superficial e possa abandonar à. mente dentro de dez minutos, ainda assim algum efeito produz no corpo astral, com a duração de quarenta e oito horas. Por isso é difícil, quando se vive em grandes cidades modernas, evitar a irritação, especialmente naqueles cujos corpos são mais tensos e sensíveis do que os dos homens comuns.
Em geral, pode dizer-se que tudo quanto promove a saúde do corpo físico também reage favoravelmente sobre os veículos superiores.
Viajar é outro dos muitos fatores que afetam o corpo astral, levando o viajante a receber modificações de influências etéricas e astrais relacionadas com cada lugar ou distrito. Oceano, montanhas, florestas, cascatas, têm cada qual seu próprio tipo de vida, tanto astral e etérica quanto visível, e têm portanto sua própria série de influências. Muitas dessas entidades invisíveis estão difundindo vitalidade e, seja como for, seu efeito sobre os corpos astral, mental e físico, tende a ser salutar e desejável, afinal, embora a mudança possa, de certa forma, ser cansativa, na ocasião. Por isso, uma mudança ocasional da cidade para o campo é benéfica, tanto no terreno emocional como na saúde física.
O corpo astral também pode ser afetado por objetos tais como talismãs. Os métodos para fazê-los já foram descritos no livro O Duplo Etérico. Aqui trataremos apenas de seus efeitos gerais.
Quando um objeto é fortemente carregado de magnetismo para um propósito particular e esse trabalho é feito por pessoa competente, torna-se um talismã, e, quando feito apropriadamente, continua a irradiar seu magnetismo, com força inalterada, por muitos anos.
Um talismã pode ser usado para muitos propósitos. Assim, por exemplo, um talismã pode ser carregado com pensamentos de pureza, que se expressarão como ritmos definidos de vibração na matéria astral e mental. Esses ritmos vibratórios, sendo diretamente contrários a pensamentos impuros, tendem a neutralizar ou sobrepor-se a pensamentos impuros que possam surgir. Em muitos casos o pensamento impuro é casual, foi captado, não é, portanto, coisa que em si própria tenha grande poder. O talismã, por outro lado, foi intencional e fortemente carregado, de forma que quando as duas correntes de pensamento se encontram não há a mais leve dúvida de que os pensamentos ligados ao talismã serão os vencedores.
Ademais, o conflito inicial entre as séries opostas de pensamentos, atrairá a atenção do homem, dando-lhe tempo, assim, para recolher-se, de forma que sua vontade não seja afastada de seu posto de guarda, como acontece com tanta freqüência.
Outro exemplo seria o do talismã carregado com fé e coragem. Ele operaria de duas maneiras. Primeiro, as vibrações irradiadas do talismã iriam opor-se aos sentimentos de medo, assim que eles surgissem, evitando que se acumulassem e reforçando-se mutuamente, como fazem freqüentemente, até se tornarem irresistíveis. Esse efeito tem sido comparado com o de um giroscópio que, uma vez posto em movimento para certa direção, resiste fortemente ao pretenderem voltá-lo para uma outra direção.
Em segundo lugar, o talismã trabalha indiretamente sobre a mente de quem o usa: assim que ele sente o começo do medo, recordará provavelmente que usa o talismã e conjurará a reserva de força de sua própria vontade para resistir à sensação indesejável.
Uma terceira possibilidade de um talismã é a de estar ligado à pessoa que o fez. No caso de estar aquele que o usa em circunstâncias desesperadoras, pode evocar o autor, pedindo-lhe resposta. O autor pode ficar ou não consciente fisicamente daquele apelo, mas de qualquer maneira seu ego estará consciente e responderá, reforçando as vibrações do talismã.
Certos artigos são, em grande parte, amuletos ou talismãs naturais. Todas as pedras preciosas o são, cada qual tendo uma influência distinta que pode ser utilizada de duas formas: (l) a influência atrai para si essência elemental de certa qualidade, e pensamentos e desejos que se expressam naturalmente através dessa essência; (2) essas peculiaridades naturais fazem delas um veículo apropriado para o magnetismo que deve atuar na mesma linha dos pensamentos e emoções. Assim, por exemplo, para um amuleto de pureza, uma pedra deve ser escolhida quando tem ondulações naturais que não entram em harmonia com a chave na qual os pensamentos impuros são expressos.
Embora as partículas da pedra sejam físicas, ainda assim, estando em diapasão idêntico, nesse nível, com o tom de pureza de níveis mais elevados, elas irão, mesmo sem a pedra estar magnetizada, deter o pensamento impuro ou o sentimento impuro, pela virtude da harmonia dos tons. Além disso, a pedra pode ser facilmente carregada, em nível astral e mental, com ondulações de pensamentos e sentimentos puros, que se ajustam à mesma tônica.
Outros exemplos são:
(l) os grãos de rudraksha, freqüentemente usados na índia para colares, e que são especialmente apropriados para a magnetização quando é necessário auxiliar o pensamento religioso e a meditação constante, ocasião em que todas as influências perturbadoras devem ser afastadas;
(2) os bagos da planta tulsi, cuja influência é um tanto diferente.
Objetos que desprendem forte odor são talismãs naturais. Assim, as gomas escolhidas para o incenso fornecem radiações favoráveis ao pensamento espiritual e religioso e não se harmonizam com forma alguma de perturbação ou preocupação. As feiticeiras medievais mesclavam às vezes
os ingredientes do incenso de forma a produzir o efeito contrário e isso ainda é feito nas cerimônias luciferinas hoje. Em geral, é conveniente evitar odores grosseiros e pesados, tais como o do almíscar ou do satchet, pois muitos deles têm afinidade com a sensualidade.
Um objeto que não foi intencionalmente carregado pode em certas ocasiões ter a força de um talismã. Por exemplo: o presente de um amigo, usado na pessoa, como um anel ou uma corrente, ou mesmo uma carta.
Um objeto, tal como um relógio, levado habitualmente no bolso, torna-se carregado com magnetismo e pode, se oferecido a alguém, produzir reais efeitos naquele que o recebeu. Moedas e dinheiro em papel estão usualmente carregados de magnetismo misto, sentimento e pensamento, e podem assim irradiar um efeito irritante e perturbador.
Os pensamentos e sentimentos de um homem afetam, assim, não só ele próprio e outras pessoas, mas impregnam os objetos inanimados que o rodeiam, mesmo as paredes e os móveis. E assim, inconscientemente, magnetizam esses objetos físicos de forma que eles têm o poder de sugerir pensamentos e sentimentos similares a outras pessoas que fiquem no âmbito de sua influência.
A Vida Emocional. — Mal chega a ser necessário insistir em que a qualidade do corpo astral é amplamente determinada pela qualidade de sentimentos e emoções que constantemente o atravessam.
O homem está usando seu corpo astral, seja ou não ele consciente disso, sempre que expressa uma emoção, tal como está usando seu corpo mental a cada vez que pensa, ou seu corpo físico quando quer que realize trabalho físico. Isso naturalmente é coisa muito diferente da utilização de seu corpo astral como veículo independente, através do qual sua consciência pode ser integralmente expressa, assunto que devemos considerar mais tarde, no momento propício.
O corpo astral, como vimos, é o campo de manifestação do desejo, o espelho no qual cada sentimento é instantaneamente refletido e no qual mesmo cada pensamento que traga algo referente ao eu pessoal deve expressar-se. Da matéria do corpo astral é dada forma corpórea aos escuros "elementais" que o homem cria e põe em movimento, usando seus maus desejos e seus sentimentos maliciosos: dela também obtêm corpo os elementais benéficos, chamados à vida pelos bons desejos, pela gratidão e pelo amor.
O corpo astral cresce com o uso, tal como acontece com qualquer outro corpo, e tem também seus próprios hábitos, construídos e fixados pela repetição constante dos mesmos atos. O corpo astral, durante a vida física recebendo e respondendo aos estímulos tanto do corpo físico como do mental inferior, tende a repetir automaticamente as vibrações com as quais se habituou; tal como a mão pode repetir um gesto familiar, o corpo astral repete um sentimento ou um pensamento que lhe seja familiar.
Todas as atividades que podemos considerar más, sejam pensamentos egoístas (mental) ou emoções egoístas (astral), revelam-se invariavelmente como vibrações de matéria grosseira daqueles planos, enquanto os pensamentos bons e destituídos de egoísmo põem em vibração tipos superiores de matéria. Como a matéria mais fina é mais facilmente movimentada do que a grosseira, segue-se que determinada quantidade de
força gasta em bons pensamentos e sentimentos produz talvez uma centena de vezes mais resultado em comparação com a mesma quantidade de força posta na matéria grosseira. Se não fosse assim, é óbvio que o homem comum jamais faria qualquer progresso.
O efeito de 10% de força dirigida para bons fins ultrapassa enormemente o de 90% devotados a propósitos egoístas, e assim, no todo, tal homem tem um avanço apreciável de vida em vida. O homem que tenha apenas 1% de bem faz um ligeiro progresso. O homem cujas contas mostram um balanço exato, de forma que nem avança nem regride, deve viver uma existência nitidamente má: porque, para descer no mal, uma pessoa deve ser habitual e consistentemente vil.
Assim, mesmo a pessoa que não está fazendo, conscientemente, coisa alguma para a sua evolução, que deixa que tudo vá como vai, apesar disso evolui paulatinamente, devido à força irresistível do Logos, que constantemente o pressiona para a frente. Move-se, contudo, tão lentamente, que precisará de milhões de anos de encarnação, com dificuldades, e inutilidade, para ganhar até mesmo um passo.
O método, através do qual o progresso é feito com certeza, é simples e engenhoso. Conforme vimos, as más qualidades são vibrações de matéria grosseira dos planos respectivos, enquanto as boas qualidades são expressas através dos graus superiores de matéria. Disso seguem-se dois resultados notáveis.
Devemos ter em mente que cada subplano do corpo astral tem um relacionamento com o subplano correspondente do corpo mental. Assim, os quatro subplanos astrais inferiores correspondem às quatro qualidades de matéria do corpo mental, enquanto os três subplanos superiores astrais correspondem às três qualidades de matéria no corpo causal.
Daí as vibrações astrais inferiores não poderem encontrar matéria no corpo causal capaz de dar-lhes resposta, o que leva esse corpo causal a incorporar apenas as qualidades superiores. Resulta, portanto, que qualquer bem que o homem desenvolva em si próprio fica permanentemente registrado por modificação em seu corpo causal, enquanto que o mal que ele faz, sente ou pensa, não tem possibilidade de tocar o ego real, mas só pode causar perturbação ao corpo mental, que é renovado a cada nova encarnação. O resultado do mal é conservado nos átomos permanentes, astrais e mentais: o homem, portanto, tem ainda de enfrentá-lo muitas e muitas vezes, até que o vença e consiga desenraizar de seus veículos toda a tendência a dar-lhes resposta. Isso é, evidentemente, coisa muito diferente do ato de levar aquele resultado para o ego, fazendo dele uma parte de si próprio.
A matéria astral responde mais rapidamente do que a física a todos os impulsos do mundo da mente e, conseqüentemente, o corpo astral de um homem, sendo feito de matéria astral, compartilha dessa facilidade de responder ao impacto do pensamento e vibra em resposta a todo o pensamento que o toca, venham os pensamentos do exterior, isto é, da mente de outros homens, ou do interior, da mente de seu dono.
Um corpo astral, portanto, que é levado pelo seu dono a responder habitualmente a pensamentos maus, funciona como um magneto ante formas- pensamentos e formas-emoções similares de sua vizinhança, enquanto que um corpo astral puro funciona, a respeito desses pensamentos, com repulsa
enérgica e atrai para si formas-pensamentos e formas-emoções de matéria e vibrações condizentes com as suas. Ê preciso ter em mente que o mundo astral é cheio de pensamentos e emoções de outros homens e que tais pensamentos e emoções exercem pressão incessante, bombardeando constantemente cada corpo astral e pondo-o em vibração semelhante à sua.
Ademais, há os espíritos-da-natureza de ordem inferior que se divertem com as grosseiras vibrações da cólera e do ódio e atiram-se em qualquer corrente dessa natureza, intensificando assim as ondulações e levando- lhes vida renovada. As pessoas que se entregam a sentimentos grosseiros podem depender de estar constantemente rodeadas de tais corvos do mundo astral que se empurram mutuamente na ansiedade de participar de uma explosão de paixão que esteja próxima.
Grande parte do mau humor que muita gente sente, em maior ou menor grau, deve-se a influências astrais estranhas. Embora a depressão possa ser devida a causas puramente físicas, tal como uma indigestão, resfriado, fadigas etc., mais freqüentemente é causada por uma entidade astral que está deprimida e vaga por ali em busca de solidariedade ou na esperança de sugar da pessoa a vitalidade de que carece.
Além disso, um homem que por exemplo está fora de si de raiva, perde temporariamente o domínio de seu corpo astral, tornando-se supremo o desejo elemental. Sob tais circunstâncias, o homem pode ser tomado e obcecado por algum perverso elemental artificial.
O estudante deveria, especialmente, repelir com rigor a depressão, que é a grande barreira para o progresso, e pelo menos deveria tentar que ninguém mais soubesse que está sentindo tal coisa, porque a depressão indica que está pensando mais em si próprio do que no Mestre e torna mais difícil para o Mestre influenciá-lo. A depressão causa muito sofrimento para as pessoas sensíveis e é responsável por muito do terror que as crianças demonstram à noite. A vida interior de um aspirante não pode ser de contínua oscilação emocional.
Acima de tudo, o estudante deve aprender a não se preocupar. O contentamento não é incompatível com a aspiração. O otimismo é justificável pela certeza do triunfo definitivo do bem, embora, na verdade, se levarmos em conta apenas o plano físico, não seja fácil manter essa posição.
Sob a tensão de emoções muito poderosas, se um homem se deixa ir longe demais, pode morrer, tornar-se insano ou obcecado. Tal obsessão não será necessariamente o que chamamos mal, embora a verdade é que toda obsessão prejudica.
Uma ilustração desse fenômeno pode ser tirada da "conversão", numa renovação religiosa. Em tais ocasiões alguns homens são levados a uma tão tremenda excitação emocional que ficam oscilando para além do nível de segurança: podem, assim, ser obcecados por um pregador já morto da mesma religião, e então duas almas funcionam temporariamente num mesmo corpo. A formidável energia desses excessos histéricos é contagiosa e pode difundir-se rapidamente através de uma multidão.
Uma perturbação astral tem a natureza de um remoinho gigantesco. A ele acodem entidades astrais cujo único desejo é ter sensações: são todos os tipos de espíritos-da-natureza que se deleitam e mergulham nas vibrações
de selvagem excitação, sejam de que tipo forem, religiosas ou sexuais, tal como as crianças brincam na quebrada das ondas. Ali se abastecem e reforçam a energia tão temerariamente gasta. Sendo a idéia dominante aquela egoística de salvar a própria alma, a matéria astral é de um tipo grosseiro e os espíritos-da-natureza também são de tipo primitivo.
67O efeito emocional de uma renovação religiosa é, assim, muito poderoso. Em alguns casos, um homem pode ser genuína e permanentemente beneficiado pela sua "conversão", mas o estudante sério de ocultismo deve evitar tais excessos de excitação emocional, que podem ser perigosos para muitas pessoas. "A excitação é alheia à vida espiritual."
Há naturalmente muitos casos de insanidade que podem ser devidos a defeitos em um dos veículos — físico, astral, mental. Em certos casos, é o resultante de falta de ajustamento exato entre as partículas astrais tanto do corpo etérico como do corpo mental. Em tal caso a sanidade só é recuperada quando o enfermo chega ao mundo celeste, isto é, quando deixar seu corpo astral e passar para seu corpo mental. É raro esse tipo de insanidade.
O efeito de vibrações de um corpo astral sobre outro corpo astral há muito foi verificado no Oriente e é uma das razões de se considerar imensa vantagem para o estudante a vida na proximidade de alguém mais altamente evoluído do que ele próprio. Um instrutor hindu não só pode prescrever para seu aluno formas especiais de exercício ou de estudo, a fim de purificá-lo, fortalecê-lo e desenvolver seu corpo astral, como pode também, mantendo o aluno em sua proximidade física, harmonizar e sintonizar os veículos do aluno com os seus. Um instrutor assim já serenou seus próprios veículos e habituou-os a vibrar em ritmos poucos e selecionados e não em centenas de frenesis promíscuos. Esses poucos ritmos de vibração são muito fortes e firmes, e dia e noite, esteja ele dormindo ou desperto, atuam incessantemente sobre os veículos do aluno e elevam-nos gradualmente ao nível da tônica de seu instrutor.
Por idênticas razões, um hindu que deseje viver uma existência mais alta retira-se para a selva, tal como um homem de outras raças retrai-se do mundo e vive como um ermitão. Ele tem assim, pelo menos, espaço para respirar, e descansa do infindável conflito causado pelo perpétuo colidir, em seus próprios veículos, - com os sentimentos e pensamentos de outras pessoas, podendo assim encontrar tempo para meditar com coerência. A calma influência da Natureza também o auxilia nisso, de certa forma.

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