Dedicado a W.F.C.,
que esteve
perto de mim
e hoje está perto dos anjos.
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Nota do Autor:
Sei que é estranho um homem escrever sobre esse assunto, mas acredito que todos devemos quebrar preconceitos e paradigmas antigos.
As pessoas costumam pensar que a vida fica mais fácil quando você amadurece. Pura ilusão, nada é fácil na vida e com o meu desenvolvimento não foi diferente. Tive que passar por vários estágios e por várias decepções.
Não existem males, apenas reações, não existe pobreza material, apenas a covardia de não correr atrás de seu DOM pessoal. E demônios existem, mas olhem pelo outro lado, anjos também. E neste tempo todo de ensinamentos, quando converso com os anjos, eu sinto uma imensa alegria em meu interior. Fazer um livro sobre eles é prazeroso e quase necessário.
Hoje faço o que amo e estou em paz.
Tente descobrir o que é ficção e o que é realidade aqui, a linha que as separa é tênue como a vida.
Boa leitura.
O Autor.
primeirohorizonte@yahoo.com.br
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“Tudo que o Homem precisa está dentro de seu coração, mas o Homem se esqueceu disto. Quando encontrar tornar-se-á igual ao Pai que o criou”.
Palavras do Anjo Guardião
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Prólogo
Todos nós temos segredos. Alguns simples e outros que nos aterrorizam pelo resto da vida. Eu tenho o meu. E só posso dividir com certas pessoas.
Meu nome é ARTHMES e minha história é muito antiga. Lembro quando Lúcifer nos convocou e disse que poderíamos ter uma alma, livre arbítrio e decidir sobre o bem e o mal. Que éramos mais que os Seres Humanos. Porém, para ter estes direitos, deveríamos conquistá-los e não pedir, pois eles o tiveram de graça, mas a nós foi negado.
Então nos lançamos e a Batalha do Céu começou.
É. Sou um anjo e apoiava Lúcifer.
Quando tudo terminou, estávamos derrotados. Tivemos muitas baixas, mas Miguel Arcanjo, que estava do outro lado, também teve. Vi bons amigos desaparecerem e comecei a pensar se tudo aquilo tinha valido a pena. Mas já era tarde, tínhamos sido derrotados. Cortamos o céu como estrelas cadentes e fomos precipitados na Terra. Um outro plano, um outro reino.
No início pensamos que “ELE” havia se enganado, nos enviando para a Terra; mas não, continuávamos sem alma e os mortais nunca nos aceitariam. Então por vingança passamos a influenciar e a tentar os Seres Humanos. Seríamos melhores, pois podíamos decidir agora. Tornamo-nos especialistas em ganância, egoísmo, orgulho, raiva, medo, ódio e tudo que é considerado negativo pela humanidade.
Estranhamente muitos mortais fizeram tratos conosco. A maioria das vezes, para conseguir objetos materiais.
Nos deram nomes e aspectos assustadores, principalmente os ocidentais. Nós ríamos disso enquanto a quantidade de
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seguidores aumentava a cada dia. Conheci as várias religiões do mundo e os chamados grandes homens. Mas gostávamos mesmo era dos pequenos homens, sempre em lugares de destaque para o povo, mas, no fundo, egoístas ambiciosos, interessados em poder a qualquer preço.
Certa vez um desses grandes homens me chamou a atenção, o que não era normal. Comecei a acompanhá-lo depois dos quarenta dias no deserto, ouvi suas bem-aventuranças e vi seu sorriso várias vezes até o dia em que foi crucificado.
Os outros demônios disseram que, apesar deste mensageiro, o Ser Humano não mudaria porque tinha medo de se tornar igual a ele e compartilhar do mesmo destino. Preferiam continuar no protegido lugar de filhos, esquecendo que todos um dia se transformam em pais e que tomarão decisões que afetarão o destino de todo este planeta.
A partir daí eu e os “outros” tivemos épocas de grandes colheitas e, com certeza, a chamada Santa Inquisição foi a melhor para aumentar nossas fileiras.
Mas espere!
Não confunda. Não estou falando das pessoas queimadas, como bruxos e feiticeiras, mas dos clérigos e políticos que as mandavam para a fogueira. Guerras do Velho Mundo, guerra do Novo Mundo, guerra entre nações, 1ª e 2ª grandes guerras e outras menores. Faz quase 2.000 anos que escutei o mensageiro da paz, e agora um imenso tédio estava tomando conta de mim. Já não executava as tarefas com tanto prazer, e Lúcifer..., já não era o mesmo. Não havia pretensões de melhoras como no início, apenas vingança. Cada mortal tinha a seu lado um anjo e um demônio. Um anjo da guarda e um demônio pessoal, daí o Homem exercia seu livre arbítrio. Nosso trabalho se resumiu a manter e consumir a
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energia que os mortais nos enviavam com seus pensamentos e suas mortes. Na verdade, cansei de tudo aquilo, de uma eternidade sem metas e sem sorrisos. Estranho. Tudo que é feito para proveito próprio sempre tem um fim.
Lúcifer me chamou a sua presença e ficamos nos encarando sem dizer nada. Ele virou-se para trás e eu o acompanhei com o olhar. Vimos tudo que tínhamos construído. Ele tornou a olhar para mim. Mirei fundo em seus olhos verdes e ele nos meus, então virei-lhe as costas e saí dali, sabendo que com esta atitude jamais poderia voltar. Fui para uma alta montanha perto do mar e ali, pela primeira vez em muitos séculos, olhei o Mundo sem vingança e sem rancor. Então..., comecei a sorrir, não havia “outros”.
Eu estava só.
Lembrei-me de tudo que havia ocorrido desde que decaímos e fiquei alguns anos naquele lugar, até a noite em que o Mundo faria 2.000 anos do nascimento do mensageiro da paz. Naquela noite, terminei minhas tristes lembranças. Foi quando senti algo em meu rosto, mas..., não podia ser! Não sentimos nada, dor, fome, sede, nada! Passei a mão no rosto e havia..., uma lágrima! Por um instante fiquei olhando aquela gota que brilhava como um cristal. Não conseguia dizer nada. Era..., impossível.
‒ Impossível! – falei em voz baixa e incrédulo.
Senti então uma poderosa presença atrás de mim. Vagarosamente, olhei e lá estava ele, com todo seu resplendor. Como no dia em que decaímos, Miguel Arcanjo. Ele fez um sinal para segui-lo e eu fui. Faltavam poucos minutos para o Ano Novo mortal. Miguel e eu passamos por vários países como estrelas cadentes e vimos suas comemorações. Quando o Sol nasceu,
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estávamos em uma praia deserta. Miguel, de costas para o mar, olhava para mim.
‒ Já faz muito tempo, Miguel – ele não me respondeu. Quando falou sua voz parecia vir de todos os lados, preenchendo o local.
‒ O Senhor dos Mundos me enviou. “ELE”, que é onipresente e sabe tudo o que acontece em todos os lugares do infinito Universo, também conhece suas criaturas. “ELE” é a justiça e também o amor, as duas medidas sempre serão equivalentes. Arthmes! Tu, que já fizeste parte das Luzes Celestiais e das Hordas Infernais, o Senhor te chama para se redimir ante aqueles que mais prejudicou. Você aceita?
‒ O que tenho que fazer?
‒ Até o final deste ano, mortais abrirão uma porta para o Mundo do Astral e um demônio pessoal entrará para esta realidade. Seu trabalho é trazê-lo de volta.
‒ Como poderei fazer isso? – mas ele continuou.
‒ Perderá metade de seus poderes, sentirá dor, mais não morrerá por nenhum ferimento, não terá fome ou sono, não realizará milagres, será visto e ouvido e terá que se deslocar de um lugar para outro como todos os mortais.
‒ E o outro?
‒ O demônio é limitado como você. Não pode matar com as próprias mãos, mas seu poder de persuasão é muito grande, como você deve saber.
É. Eu realmente sabia ao que ele estava se referindo. Por séculos me utilizei desse poder para a sedução dos mortais.
‒ Você aceita? – perguntou novamente Miguel.
‒ Já faz muito tempo meu amigo.
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Senti que a frase emocionada o desnorteou. Anjos têm afinidade vibracional e são formados de amor. Uma energia de transformação eternamente em movimento, a própria essência divina. Mas não sabem o futuro ou o que vamos dizer. Só o sabem quando “ELE” permite.
- Sim, Miguel – completei. - Eu aceito.
Teria sido impressão? Achei que Miguel tinha suspirado de alívio pela minha resposta e dei uma risadinha com aquilo. Anjos não riem, são felizes, demônios riem, mas não são felizes.
Miguel abriu os braços e olhou para o mar na direção do Sol nascente.
‒ Que o acordo com a Luz seja agora aceito – disse Miguel em voz alta e mãos postas.
O Sol que estava a sua frente começou a ficar com um brilho mais intenso. Primeiro escondeu a imagem de Miguel, depois o Mundo ao seu redor. A luz era branca com raios dourados e, mesmo de olhos fechados, eu conseguia vê-la, a música das esferas preencheu todo o lugar e senti uma grande energia saindo de mim, mas também um grande poder entrando como se estivesse sendo lavado e ao mesmo tempo recuperando uma parte minha a muito perdida. E o acordo foi feito.
Todos nós temos segredos. Alguns simples, outros que nos aterrorizam pelo resto da vida. Já pertenci a dois reinos e agora não sou de nenhum. O que eu tive -‒ o primeiro por graça e o segundo por merecimento ‒ não tenho mais. Agora tudo deve ser conquistado. Este é o meu segredo e só posso dividir com certas pessoas.
‒ É? E por que justamente comigo? -
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PRIMEIRO MOVIMENTO
DESCOBRIMENTO
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América do Sul, 25 de setembro do ano 2.000.
‒ Não sei.
- Há! Me deixa adivinhar. O Todo Poderoso veio até você e disse: “Vai até aquele bar imundo, lá encontrará na última mesa um bêbado, um escritor frustrado com nome de anjo. Pegue ele, leve pra casa e, quando acordar, diga: “Sou um anjo!”Aliás, não sei bem o que você é, já esteve lá em cima e também embaixo mais... “Sou um anjo e quero conversar com você para juntos destruirmos o anticristo”.
Seu nome é Gabriel, 33 anos, magro, cabelo curto castanho escuro, escritor por profissão, bêbado por opção.
‒ Olha só. Eu te agradeço porque me trouxe para casa, Arthmos, Ar... tos...
‒ Arthmes.
‒ É! Arthmes. Obrigado. Agora, de verdade, como me encontrou?
Gabriel sentou no sofá velho com um café. Seu apartamento era pequeno e a maioria das coisas não estavam no lugar certo, uma verdadeira bagunça. Até os quadros estavam tortos. Um deles se desprendeu e caiu, Gabriel nem procurou olhar pra trás apesar do barulho.
‒ Não liga, isso acontece sempre. Agora quer responder minha pergunta?
‒ Na verdade você não está muito longe do que aconteceu. Quando me separei de Miguel, notei que estava na África e segui para a Cidade do Cabo. Por três meses fiquei lá, então veio a premonição para viajar em direção ao Novo Mundo. Foram meses até chegar aqui. Estava passando na rua quando tive a premonição de entrar e lhe encontrar.
‒ Olha aqui, Artos...
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‒ Arthmes.
‒ Que seja! Se você realmente acredita nisso, tudo bem. Mas, sinceramente, não acha que alguém do século XXI vai também acreditar.
Bateram na porta.
‒ Entra! – gritou Gabriel. – A porta está sempre aberta mesmo – resmungou.
O rapaz que entrou vestia camisão esporte, calça jeans e tênis. Ao contrário de Gabriel, que estava com uma aparência horrível, ele era bem barbeado e vinha sorrindo, tinha por volta de 29 anos.
‒ E aí Júnior?
‒ Está um “caco” Gabriel.
Gabriel fingiu não ter escutado a gracinha.
‒ Deixe eu apresentar: Júnior, este é Ar... thmes, um anjo, anjo este é Júnior.
Júnior, na verdade Ricardo Sonato de Andrade Júnior, primogênito e único herdeiro dos Sonato de Andrade, com investimentos espalhados por todo o Mundo. Júnior não queria nem saber de trabalho. Teve tudo fácil e não pensava em trocar seu modo de vida agora.
‒ Ele é um anjo? Um anjo daqueles do céu? – disse em tom de gracejo e apontando pra cima. – Ou você ainda está bêbado..., ou a ressaca de ontem tá forte demais.
‒ Ele disse que era um anjo e tá contando esta história desde cedo.
Gabriel se levantou, indo até a janela, apertou os olhos com a claridade e tentou se lembrar um pouco mais da noite passada, porém não conseguiu recordar e nem encontrar seu objetivo na vida. Os dias se resumiam em acordar, tentar escrever
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e não conseguir, comer qualquer porcaria e sair para beber. Estava com dívidas e só não fora despejado porque Júnior o ajudou. Mas isso não iria durar para sempre. Tomou mais um gole de café amargo e olhou para Arthmes, bem no fundo chegou a desejar que toda a história fosse verdadeira. Sacudiu a cabeça, estava com bastante idade para ter fantasias. Júnior ficava olhando com a mão no queixo para Arthmes. “Mais um maluco!” É, ele deve estar pensando isto.
‒ Ele é um anjo?
‒ É o que ele diz Júnior.
Júnior estava com cara de deboche
‒ Então prove! – falou para Arthmes.
‒ Por favor..., Júnior ele vai contar toda a história de novo.
Arthmes não dizia nada, apenas observava.
‒ Não! Prove de alguma forma visível. Algo que só um anjo possa fazer. Certo?
‒ Tudo bem.
‒ Espere aí! Como tudo bem? Por que você não me mostrou antes?
‒ Porque você não me pediu Gabriel.
Gabriel começou a resmungar. Arthmes pediu que ele e Júnior se sentassem no sofá enquanto se levantava e ia para a pequena cozinha. Júnior aproveitou e cutucou Gabriel.
‒ Cara. Não está muito calor para ele usar este sobretudo?
Mas não houve tempo de resposta, Arthmes já voltava para a sala ficando de pé com a pequena mesa de centro entre eles e com ambas as mãos para trás.
‒ Agora escutem: não importa o que vejam, não se levantem, está bem? – Gabriel e Júnior concordaram com a cabeça.
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Arthmes deu um passo para trás e, quando levantou a mão direita tinha uma grande faca. De um só golpe, mergulhou a lâmina em seu estômago, a dor era muito intensa, jamais havia sentido tal coisa. Sentiria dor mais não morreria, e sabia disso. Júnior e Gabriel assistiam a tudo com olhos esbugalhados e sem palavras. Arthmes se contorceu e arrancou a faca de seu corpo, aos poucos sua dor foi desaparecendo até sumir. Então ele abriu a frente do sobretudo e eles viram que estava sem camisa, sem sangue e também sem marca. Gabriel estava impressionado, mas Júnior não se convenceu.
‒ Já vi mágicos em Las Vegas fazerem melhor cara. – comentou.
Arthmes jogou a grande faca sobre a mesa de centro e deu outro passo para trás. Gabriel aproveitou, pegou a faca, examinou-a e ficou surpreso.
‒ Júnior! Esta faca é de verdade! É a minha faca de cortar carne. Não tem sangue!
Por um momento Júnior ficou desnorteado e os dois olharam para Arthmes, que estava sorrindo pelo comentário de Gabriel.
‒ Quero ver se seus mágicos conseguem fazer isto.
E, jogado para trás, o sobretudo desceu pelas costas caindo em seus pés. Arthmes estava com calça e sapatos pretos. Gabriel e Júnior ficaram paralisados com olhos mais que abertos e bocas também. Das costas de Arthmes, começaram a se elevar vagarosamente e eram enormes. Por isso o sobretudo! Alvas, brancas como a neve, lindas, maravilhosas. Eram..., asas. Arthmes virou‒se de costas e viram que elas se fundiam com a pele. Virou de frente, abriu-as totalmente e as agitou. A visão era sublime,
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arrebatadora e ao mesmo tempo intimidadora. Júnior ficou de joelhos.
‒ Levante‒se Júnior! – falou Arthmes. – Pare com isso. Levante‒se! ‒ Mais ele estava imóvel.
‒ Mas... mas... como? – gaguejou Gabriel.
‒ Quando fiz o acordo com a luz, elas me foram devolvidas para que eu nunca esqueça meu objetivo e não me deixe fascinar, outra vez, pelos..., detalhes. Júnior! Quer se levantar?
Gabriel ajudou Júnior e foram até ele tocando suas asas. Arthmes deixou, depois colocou novamente o sobretudo, pediu que sentassem e contou novamente sua história, só que desta vez sabia que estava sendo escutado com seriedade.
‒ Deixa ver se entendi ‒ disse Júnior, quando Arthmes terminou a narrativa –, nós três vamos ter que encontrar e destruir um demônio?
‒ Não, Júnior. Vou repetir – “paciência!!!”, pensou Arthmes.
‒ Eu tive a premonição de encontrar você e Gabriel. Como “ELE”‒ falou e apontou pra cima – nos uniu..., devemos encontrar o demônio juntos a partir do instante em que ele tenha chegado a esta realidade. Temos sete dias não para destrui‒lo, mas para enviá‒lo de volta a seu reino.
‒ E se não conseguirmos? – perguntou Gabriel.
‒ Ele irá fincar raízes nesta realidade. Deixa de ser um demônio pessoal, ganha autonomia e provavelmente vai trazer outros para cá. Assume o controle com certeza de alguma comunidade que deverá crescer e forma seu reino aqui, um novo Inferno, a vingança ideal que Lúcifer gostaria.
‒ E como vamos controlá-lo?
‒ No início Gabriel, “ele” ainda terá uma forte ligação com seu mortal. Devemos usar isto para contê-lo, enquanto tentamos
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convencer ao mortal que “ele” lhe pertence e que deverá recebê-lo de volta.
‒ Como assim?
‒ Gabriel, pense bem. Teremos sete dias para convencer uma pessoa a aceitar ter um demônio em seu convívio diário. Todos têm, mas poucos sabem – Arthmes respirou fundo. – Além do mais, sem o demônio, fica apenas o anjo da guarda, ou seja: tudo que esta pessoa tiver a inspiração de fazer depois desses sete dias dará certo. É como se você encontrasse a galinha dos ovos de ouro.
‒ Que comparação! – disse Júnior.
- Mas esta é a verdade ‒ continuou Arthmes. – Como você vai dizer a alguém que seu futuro mundo maravilhoso tem que acabar? Que ela terá que aceitar seu demônio de volta e que sua vida voltará a ser normal ou tão infeliz o quanto ela deixava ser antes?
‒ Não seria uma vantagem para a pessoa ficar sem o demônio?
‒ Tudo no Universo é equilíbrio Gabriel. Se o anjo dá a proteção, o demônio dá a iniciativa: “se o anjo é a armadura, o demônio é a espada; uma armadura protege sempre, em qualquer ocasião, mas é com a espada que se abre caminhos. Mais é preciso ter habilidade e aprender a manejá-la com cuidado”. Em resumo, um não deve existir sem o outro.
Houve um breve silêncio na sala. Arthmes não sabia como continuar, Júnior e Gabriel não sabiam o que perguntar.
‒ Você conheceu Jesus? – a pergunta veio de Júnior.
A pergunta veio de surpresa e Arthmes se sentiu um pouco perdido para responder.
‒ Como é que é?
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