Mistérios Desvelados Ensinamentos do Mestre Saint Germain - parte 3


sua posição original. Ele recomendou-me que o seguisse. Entramos e,
para assombro meu, vimo-nos diante de uma grande porta de bronze.
“Isto está aqui desde antes da submersão da Atlântida, há mais
de doze mil anos”, explicou.
Adiantou-se e fez pressão sobre certos pontos da porta. A grande
massa de bronze de muitas toneladas moveu-se lentamente, dando-nos
entrada a uma câmara espaçosa, da qual saíam uma escadaria, talhada
na sólida rocha, conduzindo para baixo. Descemos alguns sessenta
metros e entramos em um outro espaço de forma circular. Saint
Germain atravessou-o e dirigindo-se a uma porta situada no lado oposto
ao da escada, contra ela colocou sua mão direita. Quando se abriu,
estávamos diante da entrada de um tubo elevador. O interior
assemelhava-se a prata fosca e em resposta ao meu pensamento, Saint
Germain disse:
Sim, porém mais dura e mais forte que o aço, e indestrutível”.
Um disco chato, do mesmo metal, perfeitamente ajustado ao
tubo, elevou-se dentro dele até o nível do solo. A plataforma foi
inteiramente controlada e acionada pelo Mestre. Ele subiu nela e eu o
segui. Fechou-se a porta e começamos a descer. Foi longa a descida, se
bem que não nos movêssemos rapidamente. A plataforma parou diante
de uma outra porta de bronze, de modelo completamente diferente.
“Descemos a seiscentos metros, no próprio coração da
montanha”, comentou, enquanto saíamos do tubo.
O espaço em que nos encontrávamos era de formato e disposição
peculiares. Constituía-se numa figura oblonga de leste para oeste, cujos
cantos nordeste e noroeste haviam sido cortados em ângulo. Isto
formava uma dependência externa ou sala de recepção. A pesada porta
de bronze do tubo elevador abriu-se para dentro do salão, na parede
nordeste.
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21072006
No lado norte havia duas outras largas portas de bronze
exatamente iguais, dando entrada para um grande salão de audiências. Na
parede noroeste havia ainda uma outra, uma quarta porta, igual à que
acabávamos de transpor. No lado oposto, na longa parede inteiriça do sul,
pendia uma imensa tapeçaria.
Era feita do mais estranho material; conquanto o tecido fosse
rústico, o fio ou fibra era tão macio como pêlo de camelo. O fundo era de
uma delicada cor creme e sobre este fundo viam-se duas imagens, em
tamanho natural, representando Seres Divinos de Grande Majestade e
Poder. O da direita era masculino, o outro feminino. Estavam ambos de
pé, em atitude de ordenar às Forças Cósmicas que obedecessem às suas
determinações.
A figura masculina vestia um manto vaporoso de rico material,
de intenso azul safira, com fitas e bordados de ouro em profusão.
Evidentemente era um traje de cerimônia ou símbolo de autoridade. Sob
o manto, uma túnica de tecido dourado de aparência metálica. Um
resplendete sol de rubis, diamantes, safiras e esmeraldas cobria-lhe o
peito. Em volta da cintura, um cinto de pedrarias, de onde pendia uma
faixa de cerca de trinta centímetros de comprimento, também
profusamente incrustada das mesmas espécies de pedras preciosas. A
túnica chegava-lhe aos joelhos e a orla inferior era debruada com uma
fita de quase dez centímetros de largura, toda bordada em seda da
mesma cor das jóias.
O efeito do conjunto dava a impressão de que as roupas eram
todas auto-luminosas. Calçava sandálias de cano alto, de couro
dourado, chegando quase até os joelhos, muito enfeitadas e atadas com
cordões azul safira. Uma fita de ouro, de três centímetros de largura,
cingia-lhe a fronte, atando os ondulados cabelos louros que pendiam
cerca de quinze centímetros abaixo dos ombros.
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A tez era muito linda, de suave cor rósea, e os olhos de um
profundo azul-violeta. Os dedos da mão esquerda repousavam
levemente sobre o coração, e a mão direita, levantada, sustinha um
fulgurante cetro de cristal, de poder e autoridade. A extremidade inferior
deste terminava em ponta, e no alto apoiava-se uma esfera de sete
centímetros de diâmetro, que espargia raios de cintilante Luz Branca.
Percebia-se, evidentemente, que o personagem representado
estava no ato de brandir gigantesco poder e era manipulador de alguma
Poderosa Força Cósmica. A aparência completa sugeria a mais
exuberante mocidade, no entanto, a sabedoria das idades falava, através
dos olhos, de um passado encanecido.
A figura feminina tinha o manto de autoridade de um tom violeta
carregado, contornado por um bordado de ouro, semelhante ao de seu
companheiro. A roupa de baixo era de um material leve, dourado,
tremeluzente, que chegava quase até o chão. O fio usado na confecção
da tapeçaria, para representar as roupagens, devia ter sido o mesmo
que realmente constituía o material do vestuário original. Este Ser usava
um cinto de jóias, com a respectiva faixa atingindo até quase cinco
centímetros abaixo dos joelhos, incrustado de pedrarias iguais às da
imagem masculina.
A ponta da sandália direita, apenas visível sob a fímbria do
manto, era de couro dourado. Tinha na cabeça uma fita lisa de ouro,
exatamente igual à de seu companheiro e os olhos eram do mesmo azulvioleta,
porém de um matiz mais brilhante, os cabelos louros a cair-lhe
até os joelhos.
No peito, suspensa por um cordão de ouro, pendia-lhe uma
grande estrela de sete pontas, talhada de um só diamante. Sustinha na
mão esquerda uma esfera de cristal de cerca quinze centímetros de
diâmetro e na direita, erguida como a da outra figura, havia um cetro do
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mais estranho formato. Quase dois terços da porção inferior eram de
ouro, terminando em ponta de lança, e o terço superior composto de
uma substância cristalina, radiantemente luminosa. O vértice era
modelado à semelhança de uma flor-de-lis, com a diferença de ser a
parte central muito mais longa, adelgaçando-se em ponta suave,
formada por suas quatro facetas.
A pétala recurvada à direita da porção central era de um belo
tom róseo, a da esquerda de um intenso azul-safira, mas a do meio era
branca cristalina. Eram todas transparentes e radiantes de luz. A
porção de ouro e a parte cristalina uniam-se perfeitamente, pois não
havia linha de demarcação entre as duas substâncias. Seu cetro
simbolizava as Três Atividades da Força Criadora.
A bola de cristal, na mão esquerda da figura feminina, revelava a
Perfeição não manifestada do futuro da Atividade Cósmica. Ambos os
cetros representavam o esboço e a diretriz do Poder Criador, dentro da
Substância Universal, para manifestação especial. Eram radiantes e
belos, mesmo na tapeçaria, e eu imagino como deveriam ter sido belos
na realidade. Saint Germain ficou pacientemente esperando enquanto
eu estudava o conceito geral do quadro, tão fascinado estava pela
magnificência do trabalho.
“Esses dois Grandes Seres foram os fundadores deste retiro”,
observou Ele, enquanto voltávamos para atravessar a porta de bronze da
direita e entrávamos num grande salão que se percebia, imediatamente,
ser usado como salão de concílio para algum fim de cerimonial sagrado.
Todo o ambiente era de magnificência e beleza. As palavras são
inteiramente falhas para transmitir o que meus olhos viram e meus
sentidos experimentaram. Levei alguns momentos para me acostumar
ao espetáculo deslumbrante e ao esplendor do que me cercava.
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A sala tinha, no mínimo, sessenta metros de comprimento por
trinta de largura e quinze de altura. Uma suave luz branca, que Saint
Germain explicou ser uma força onipresente que esses dois Grandes
Seres sempre usavam como luz, calor e poder, inundava todo o recinto.
Cerca de seis metros das paredes longitudinais até o fim do salão eram
de ônix branco. Onde terminava esta formação os construtores tinham
feito um corte transversal num grande veio de ouro nativo, de mais de
sessenta centímetros de largura.
A extensão principal de ambas as paredes laterais era de um
brilhante granito azul, porém próximo à extremidade por onde nós
entramos, a estrutura natural mudava para granito rosa, de qualidade
ainda mais fina. A superfície das paredes, do teto e do assoalho tinha
sido muito bem polida, evidentemente por algum processo notável.
O teto abobadado, elevando-se cerca de três metros acima das
paredes, era incrustado, formando o mais singular desenho. Exatamente
no centro havia um disco de ouro tendo, no mínimo, três metros e meio
de diâmetro. Ocupando-o, de modo que as pontas tocassem a
circunferência, esplendia uma estrela de sete pontas, composta
inteiramente de diamantes amarelos - sólida massa de brilhante Luz
áurea.
Irradiando desse Sol Central, havia dois anéis de cor, cada um
com cerca de trinta centímetros de largura, formando uma bem definida
faixa de Luz em torno da estrela, das quais a interior era de cor rósea e
a exterior de um intenso violeta. O fundo sobre o qual jazia essa estrela
parecia de ouro fosco, emitindo a própria estrela longos raios de Luz
cintilante e cristalina.
Em redor desse conjunto estavam colocados sete discos menores,
cada um com cerca de sessenta centímetros de diâmetro, representando
os planetas do nosso sistema e os sete raios de cor dentro do espectro
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de Luz branca. A superfície de cada disco era macia como veludo e só foi
empregado o mais límpido, mais intenso matiz positivo de cada cor.
Soube mais tarde que, em certas ocasiões e para fins especiais,
Grandes Seres Cósmicos derramam através desses discos Suas poderosas
correntes de força. Esta é recebida aqui pelos Grandes Iluminados Seres
Altruístas conhecidos como Ascensionados Mestres de Luz, que por sua
vez a encaminham para a humanidade da nossa Terra. Esta radiação afeta
os sete centros ganglionares existentes em cada corpo humano do nosso
planeta, bem como toda vida animal e vegetal. O fundo de todo o teto era
da cor de um céu muito claro numa brilhante noite de luar, embora a
superfície fosse altamente refrangente.
No extremo do salão, no centro da parede, a pouco mais de dez
metros do solo, havia um enorme olho medindo, pelo menos, sessenta
centímetros de diâmetro. Representava o ‘Onividente Olho do Criador’
em eterna vigilância sobre Sua criação, e de Quem nada pode ser
escondido.
Tremendo poder era focalizado através desse olho, às vezes para
obtenção de resultados específicos. Fiquei a imaginar enquanto o
contemplava, que sensações experimentaria eu se presenciasse Esse
Poder em plena atuação.
Talvez a doze metros de distância do extremo da parede leste,
ocupando uma área de vinte e um metros de comprimento por nove de
altura, havia um painel de alguma substância precipitada. Tinha sido
colocado pouco mais de um metro e meio acima do nível do chão,
penetrando numa profundidade de cinco centímetros na parede lateral,
formando uma superfície côncava ao redor de toda a borda.
A substância de que era feito se assemelhava a um belo veludo,
de um intenso azul índigo, mas não era nenhuma espécie de tecido. A
matéria física mais próxima com que pudesse ser comparado era o
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mineral. Tal substância não está em uso no mundo exterior da
humanidade, em parte alguma, mas pode ser e é, algumas vezes,
precipitada pelos Grandes Mestres Ascensionados de Luz para algum
fim especial.
Saint Germain explicou que o painel tinha sido precipitado e
servia como espelho universal para a instrução de Iniciados e membros
Secretos de um grupo de Seres Altamente Evoluídos. Esses Grandes
Seres trabalham incessantemente, ajudando os humanos da Terra a se
transformarem em homens e mulheres Perfeitos, tornando-se capazes
de manifestar, em suas vidas exteriores, a mesma grande Perfeição e
Domínio que expressou Jesus Cristo.
DAQUI EM 22/07
Não há organização externa desses Seres Perfeitos. Unicamente
vivendo e expressando essa Perfeição através da auto-correção das
fraquezas humanas e da plenitude de adoração ao Divino Ser interior,
pode um indivíduo entrar em associação com Aqueles que trabalham
nesse alto nível de conhecimento.
“Nesse painel”, disse Saint Germain, “são projetadas cenas da
Terra, quadros no éter - registros akáshicos e atividades que se
desenrolam em Vênus ou em outro ponto qualquer que aqueles
instrutores queiram tornar visível aos estudantes. Tais cenas não são
apenas quadros do passado e do presente, mas podem retratar
atividades no futuro distante. Isto vereis mais tarde”.
Atravessamos a última porta, à nossa direita e penetramos numa
sala cujas dimensões orçavam por vinte e quatro metros de
comprimento, doze de largura e seis de altura, com uma abóbada
arqueada, semelhante à do salão de onde tínhamos vindo.
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“Toda a superfície interior desta sala é feita de ouro fosco, e os
veios cor de púrpura e verde, que estais vendo, nas paredes como se
fosse em relevo, são precipitados”, continuou Ele.
No extremo e na parede lateral, à nossa direita, do rez-do-chão
ao teto, havia uma armação de metal branco semelhante à prata fosca.
Nessa armação, que assentava sobre rodas cilíndricas, havia vasos feitos
do mesmo metal. As tampas desses vasos davam as classificações, em
hieróglifos do conteúdo dos quatro cilindros existentes no interior de
cada vaso, sendo os hieróglifos inscritos em relevo sobre cada tampa.
Os cilindros tinham, no mínimo, vinte e cinco centímetros de
comprimento e em torno de cada um fora enrolada uma fita de cerca de
vinte centímetros de largura feita de ouro prensado, adicionado de
algum material que o tornava rijo e flexível, contudo não mais espesso
que uma folha comum de papel de escrever. O comprimento das fitas de
ouro variava de dois a quinze metros e em cada uma havia caracteres
como que gravados no ouro por meio de um estilete. Tais caracteres
tinham sido perfeitamente traçados, dando a impressão de um
manuscrito.
“Esses arquivos são o cumprimento de uma promessa que vos
fiz”, disse Saint Germain enquanto indicava uma determinada seção no
extremo da parede lateral. “Eles descrevem a cidade, o país e a
civilização que outrora existiram onde há agora o Deserto do Sahara,
durante o tempo em que éreis meu filho e eu o monarca desse antigo
império. Esta sala contém os anais de muitos países e da ascensão e
queda de muitas civilizações”. Ao entregar-me um dos rolos, abriu-lhe o
fecho e verifiquei, com espanto, que sabia ler seu conteúdo.
“Estou vos habilitando a ler”, continuou Ele, “para elevar
temporariamente vossa consciência, invocando a memória oculta -
registro passado dessas experiências que outrora vivestes. A questão do
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conhecimento de Deus e Seu Universo se resume em restabelecer
contato com os anais da Vida em todas as formas. Todas as formas
contêm Vida, e dentro da emanação de Luz de cada forma está
registrado seu passado inteiro, que qualquer um pode exercitar-se em
descobrir e compreender, desde que esteja disposto a dedicar atenção e
tempo na auto-disciplina necessária a aquietar a confusão na atividade
externa da vida diária. Esse registro eterno dentro de todas as coisas
existiu desde o princípio.
“Em épocas passadas, a humanidade manifestou Perfeição em
todos os aspectos. Essa condição anterior da raça foi narrada pelos
historiadores como o Jardim do Éden -Éden ou E-Don - significando
Divina Sabedoria. À medida que atenção consciente ou atividade externa
da mente tinha permissão para pousar no mundo dos sentidos físicos, a
‘Divina Sabedoria’ - a CONSCIÊNCIA ONISAPIENTE - tornava-se nublada
ou encoberta e o ‘Divino Plano Cósmico’ da vida do indivíduo veio a
submergir. Foram-se embora a Perfeição e o domínio consciente da
humanidade sobre todas as formas, que ficaram ocultas e esquecidas daí
por diante.
“O homem passou a ter consciência sensorial em vez de
consciência Divina, e desse modo, a manifestar aquilo para que se
dirigia sua atenção e em que mais pensava. Deliberada e
conscientemente voltou as costas à Perfeição e ao Domínio de que fora
dotado pelo Pai, no princípio Criou suas próprias experiências de
penúria, limitação e discórdia de toda categoria. Identificou-se com a
parte em vez do todo e o resultado disso foi, naturalmente, a
imperfeição.
“Toda limitação da humanidade é o resultado do mau emprego que
o indivíduo faz do Atributo Divino do LIVRE ARBÍTRIO. Ele se obriga a
viver dentro de suas próprias criações até que, pela direta volição da
atividade externa da mente, olha de novo para trás, com toda a
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consciência, para a sua origem Real - para DEUS, a GRANDE ORIGEM DE
TUDO. Quando isso ocorre, começa o homem a recordar Aquilo que foi um
dia, e que poderá ainda vir a ser - a qualquer tempo que decidir olhar,
uma vez mais, para a ‘Grande Cópia Cósmica’ de Si Mesmo.
“O registro que conseguistes ler, descrevia a vida e o povo, como
vimos, que tiveram lugar a setenta mil anos. Desempenhastes bem o
trabalho de elaborar esses registros em muitas vidas, os quais ainda não
foram revelados”.
Atravessamos a sala do conselho, entrando pela porta oposta,
encontramos uma sala de tamanho igual ao daquela que acabávamos de
deixar e mais duas outras adjacentes na parede norte, porém menores.
Na sala grande, cobrindo quase toda a superfície da parede viam-se
mais armações de metal repletas de vasos, muito semelhantes aos que
encontramos na outra sala.
“Estes aposentos", continuou Ele, "contêm somente ouro e jóias
que deverão ser usados com um fim especial, tornando-se uma bênção
para o mundo inteiro, quando a humanidade tiver transcendido seu
desenfreado egoísmo”. Nesse momento, Ele puxou um vaso cheio de
moedas de ouro e prosseguiu na explicação: “Isto é Ouro Espanhol,
perdido no mar, e nós, vendo que não poderia ser recuperado por outros
meios, trouxemo-lo para aqui, através da atividade de certas forças que
governamos. Mais tarde, num tempo que se aproxima rapidamente, será
novamente entregue ao uso do mundo exterior.
“Nestes vasos”, continuou, indicando uma outra seção, “está
armazenado o ouro dos continentes perdidos de Mu e Atlântida, das
antigas civilizações dos desertos de Gobi e do Sahara, do Egito, da
Caldéia, Babilônia, Grécia, Roma e outros. Se todo esse ouro fosse
liberado na atividade externa do mundo, induziria a um súbito
reajustamento, em cada fase da experiência humana. No momento
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atual, não seria isso um sinal de sabedoria. A Infinita Sabedoria e Poder
desses Grandes Mestres Cósmicos, que têm sido os Guardiões da raça
desde o seu primeiro aparecimento na Terra, está quase fora da
compreensão da mente humana.
“Ninguém neste mundo jamais acumulou uma grande soma de
riquezas sem a assistência e a radiação de algum Mestre Ascensionado.
Há ocasiões em que certos indivíduos podem ser utilizados como focos
de grande fortuna e riqueza para um fim específico e então lhes é
irradiado intenso poder adicional, para que através deste recebam
assistência pessoal. Tal experiência constitui um teste e uma
oportunidade para expandirem sua Luz. Todo o êxito fora do comum que
se verifique na atividade humana - seja este ou aquele o canal que
conduziu ao êxito - é sempre obtido por intermédio do auxílio de sobrehumano
Amor, Sabedoria e Poder de um Mestre Ascensionado, porque
Ele transcendeu a todas as limitações do mundo físico. Por esta razão,
sempre que houver um sucesso extraordinário, este é devido ao Seu
Imenso Poder de Radiação.
“Em 1887 a Hoste dos Mestres Ascensionados estabeleceu uma
Escola, nos Planos mais Internos, com o fim específico de instruir
aqueles que fizeram mau uso da riqueza, revelando-lhes plenamente os
resultados de seus erros. A tais criaturas são expostas e relatadas: a
Verdade concernente à Lei Universal que governa toda riqueza, e as
conseqüências que acarreta a influência exercida sobre outrem para
lhes perpetuar as idéias pervertidas e os erros. Dá-se-lhes completa
liberdade para aceitar ou rejeitar a prova oferecida. Eles sempre aceitam
e se firmam no ensinamento que lhes é dado”.
Em seguida entramos nas duas salas menores, que eram
também equipadas com o mesmo tipo de vasos, só não tão grandes.
Estavam cheios de jóias de toda sorte: brilhantes, rubis, pérolas,
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esmeraldas e safiras, classificadas quanto a variedade e a quantidade.
Sorridente, Saint Germain voltou-se para mim e disse:
“Agora sabeis e compreendeis que o Grande Deus Interno é o
único Possuidor e Governante Real de toda riqueza. Que a ‘Presença'
nomeia guardas para os Seus tesouros, em todos os planos de Vida,
quer se trate de Luz, Sabedoria, Substância ou bens materiais. Estais
calmo e equilibrado, bem vejo, enquanto observamos esta fase de nossa
atividade, e isso é um bom sinal. Revela vossa força Interior e habilidade
para fazerdes o que agora está preste a se realizar, logo que estiverdes
externamente preparado. E isto em breve ocorrerá, eu vos asseguro.
“Provas vos foram exibidas de que somos nós, realmente, que
governamos a riqueza do mundo e a empregamos apenas para
experimentar a força da alma do indivíduo. É sempre um crédito
concedido àqueles que deveriam ser bastante fortes para empregá-lo
construtivamente. Poucos, bem poucos realmente passam por esse
teste, diante da tentação existente à larga, hoje em dia, no mundo. Se
quiséssemos, poderíamos elevar o mais humilde dos filhos de Deus, que
estivesse suficientemente preparado, à riqueza, ao poder e à
proeminência, se acaso assim procedendo muitos outros pudessem
receber auxílio”.
Depois de examinar outros vasos repletos de jóias, voltamos ao
salão do conselho. Olhando para a porta pela qual havíamos penetrado
nesse salão pela primeira vez, vi meus entes queridos - Lótus e nosso
filho - aos cuidados de um dos Mestres Ascensionados, que Saint
Germain disse ser conhecido como Amen Bey. Depois de trocarmos
cumprimentos, fomos levados a nos sentar diante do painel da parede
leste. Em grupos de três a doze, vieram os abençoados seres da Hoste
Ascensionada, em número de setenta, que também se sentaram.
Daqui em 22/07/2006
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Grande quietude caiu sobre toda a assembléia e por alguns
momentos fez-se silêncio, de ansiosa expectativa. Uma bola de suave
Luz Branca começou a se formar na frente do painel, aumentando
rapidamente em brilho e tamanho até tornar-se um oval de, pelo menos,
dois metros de altura. Como que nascido da própria Luz, surgiu um
Glorioso Ser - Alto, Majestoso e Poderoso. Fez o sinal unindo o finito ao
Infinito, e com voz que fazia vibrar cada átomo da mente e do corpo,
perguntou se estava tudo pronto.
Uma Luz flamejante brilhou, vindo da substância que compunha
o painel, até torná-lo qual espelho de Luz Viva. Num momento, alterouse
para um aspecto claro, cristalino, tornando-se uma tela cósmica, na
qual quadros vivos, em todas as dimensões, podiam ser retratados, sem
que um limite no espaço pudesse ser observado. Era por si mesmo
evidente que tudo aquilo que tivesse ocorrido ou que pudesse ocorrer em
qualquer tempo, por toda a Eternidade, poderia ser tornado visível nessa
tela, se a Inteligência Diretriz assim o desejasse.
As primeiras cenas retratavam o continente de "Mu", atividade e
a realização de seu povo, e a altura a que atingira essa civilização. Isso
cobria um período de milhares de anos. Vieram, então, acontecimentos
que seguramente deviam ter sido um reino de terror para os habitantes
dessa região. Ocorreu um cataclismo que fendeu a superfície da Terra,
até tudo desmoronar dentro dela. A antiga terra de Mu submergiu sob
as vagas do atual Oceano Pacífico, onde ainda permanece envolta em
seu manto de água. Ela se erguerá novamente e uma vez mais absorverá
a Vida e a Luz do Sol físico.
Logo veio o crescimento em beleza, sabedoria e poder da
Atlântida, vasto continente ocupando uma grande parte do que é agora
o Oceano Atlântico. Nesse tempo havia terra firme entre a América
Central e o que é hoje a Europa. Os feitos realizados nesse período
foram extraordinários, mas novamente o abuso do povo em relação à
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Poderosa Energia Divina obscureceu-os e como as coisas foram sendo
cada vez mais arremessadas fora do equilíbrio, a violenta ruptura da
superfície da Terra por ação cataclísmica foi de novo experimentada.
Restou apenas um pequeno remanescente da Atlântida, na
simples ilha no meio do oceano, separada completamente do contato
com o restante do mundo civilizado. As porções leste e oeste da terra
tinham mergulhado no Oceano Atlântico, deixando somente a ilha
chamada Poseidonis. Tinha sido o coração do então conhecido mundo
civilizado e foram feitos preparativos para proteger e preservar suas
atividades mais importantes, como o foco central para levar avante certo
trabalho não acabado. Nesse período, grandes realizações espiritual e
material foram alcançadas.
O desenvolvimento da mecânica atingiu, nesse ciclo um alto
grau de aperfeiçoamento, e uma das suas mais notáveis expressões foi a
perfeição da navegação aérea. O transporte pelo ar, de nossa vida
moderna, é ainda muito imperfeito e primitivo comparado ao que existia,
então, na Atlântida. Os Grandes Mestres de Luz e Sabedoria tomaram
isso possível aos habitantes de Poseidonis porque eles inspiraram,
instruíram, protegeram e revelaram cultura de grande adiantamento em
todas as fases da atividade humana.
Vasta parte desse povo tornou-se consciente do Grande Poder
Divino Interior, que existe no íntimo de cada pessoa; mas como dantes,
o lado humano de sua natureza, isto é, atividades externas, usurparam
novamente a Grande Energia. Egoísmo e abuso dessa transcendente
sabedoria e poder chegaram a predominar em mais alto grau ainda do
que nos tempos precedentes. Os Mestres da Sabedoria Antiga viram que
o povo estava preparando um novo momento destruidor e que um
terceiro cataclismo ameaçava. Preveniram os habitantes repetidas vezes,
como haviam feito anteriormente, mas só aqueles que serviam a "Luz"
deram atenção.
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Grandes edifícios de material imperecível foram construídos,
onde foram depositados documentos que têm sido preservados através
dos séculos. Estes permanecem em estado de perfeita conservação,
agora, no leito do Oceano Atlântico - hermeticamente selados. Serão
trazidos à Luz do dia pelos Grandes Seres que dirigiam sua elaboração e
controlam sua proteção.
Em tais documentos estão registrados os progressos e as
realizações da humanidade desse período, e assim não houve perda
permanente, para os humanos, das atividades da civilização Atlante.
Além da preservação desses memoriais, grandes riquezas,
principalmente em ouro e jóias, foram transferidas nessa ocasião para
outros locais de segurança. Esse tesouro tem sido e continuará a ser
guardado através de séculos, a fim de ser usado numa idade futura para
elevação e progresso de gerações vindouras.
Passou o momento culminante do cataclismo final e o último
fragmento de um outrora império mundial submergiu para repousar,
para purificação através dos séculos, nas profundezas do atual Oceano
Atlântico. A lembrança da Atlântida e de seu povo, ao contrário do que
ocorreu com o continente perdido de Mu, não ficou inteiramente
apagada ou esquecida na história da humanidade, pois tem sido
recordada de vários modos através dos séculos. Embora já tenham
decorrido doze mil anos desde a submersão, fragmentos de informação
concernente a esse fato flutuam até nós pelos mais inesperados canais.
Mitos e lendas existem em profusão com referência à Atlântida, e tanto
um como outro são condutos que preservam para a humanidade certas
condições reais que existiram sobre a Terra - em diferentes épocas. Com
o correr do tempo, incontestável prova de sua existência e do alto nível
que alcançou será revelada pela oceanografia, pela geologia e outros
meios científicos.
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Passaram, então, diante de nossas vistas, as antigas civilizações
dos Desertos de Gobi e do Sahara, mostrando elevação e a queda de
suas principais atividades. O declínio de cada uma delas foi devido,
dessa vez, não a ação de cataclismo, mas a terem sido devastadas por
hordas de almas primitivas que encarnaram nesse ciclo.
Vimos em seguida cenas do Egito, seu apogeu e decadência,
sendo esta causada pelo abuso deliberado da ciência e do poder, posto
em prática por uma grande parte da humanidade encarnada nesse país,
cujas características predominantes eram: orgulho de suas realizações
intelectuais e rebeldia ao refreamento da natureza inferior. Isto sempre
significa fracasso individual ou coletivo.
O Egito se elevou às maiores alturas pelo uso correto do
conhecimento e do poder. Isto exige sempre humildade, obediência do
intelecto ao Eu Divino Interior, absoluto e incondicional controle da
natureza inferior ou humana por parte daqueles que procuram tais
dons, se é que desejam evitar a destruição. As almas encarnadas no
Egito, durante seu declínio, não eram atrasadas como as das civilizações
dos Desertos Gobi e do Sahara. Ao contrário, tinham atingido o uso
consciente do conhecimento e do poder, e deliberadamente preferiram
fazer mau uso deles. Tal atividade nada tem, absolutamente de comum
com a Sabedoria, porque aqueles que são Eternos Herdeiros das dádivas
desta Divina Deusa, devem, para sempre, estar acima de toda tentação
de fazer mau uso da ciência e do poder. Sabedoria é o emprego correto
de tudo que se manifesta e aquele que realiza esta Verdade imutável,
evidente por si mesma, torna-se uma porta aberta para todo o bem que
existe na Criação.
Aludir ao Egito como terra de escuridão, é extremamente injusto
porque do Egito, em seu ciclo primitivo, emanou poderosa Luz e do Egito
novamente virá - intensa Luz.
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A cena seguinte representava a elevação e a queda do Império
Romano. Quando as trevas e a degradação daqueles séculos atingiram o
ponto culminante - eis que surgiu Jesus, derramando sua Luz
Deslumbrante e Seu Amor como o Cristo. Pela Sua Transfiguração,
Ressurreição e Ascensão derramou-se tão irresistível torrente da
Perfeição de Deus sobre a Terra, que não mais seria possível tamanha
escuridão cercar a humanidade, em época nenhuma. As realizações de
Sua Vida ficaram eternamente registradas sobre a atmosfera deste
planeta e atuam como um magneto para atrair a humanidade a uma
Perfeição Semelhante.
A vinda de Jesus foi uma iniciação para o povo de nosso mundo
e um Comando Cósmico à humanidade para empregar o Poder do Amor
Divino, em todas as suas atividades futuras. Esta efusão de Seu Amor
para a Terra no mais obscuro ciclo - tornou-se o nascimento do Menino
Cristo no indivíduo. Ele invocou uma vez mais a Cópia Cósmica Divina e
revelou a Lei de Deus para a era vindoura. Este plano constitui o
Domínio Completo sobre todas as coisas finitas por meio da Plena
Imagem do Cristo dentro de cada ser humano.
Veio, depois, o reinado de Ricardo Coração de Leão, da
Inglaterra. A humanidade tem pouco ou nenhum conhecimento da real,
espiritual atividade que se verificou durante esses anos. A mesma Luz
que inspirou o entusiasmo e as atividades de Ricardo nas Cruzadas,
liberou, por meio de seus partidários e do povo dessa época, certas
forças que a Hoste Ascensionada empregou nos planos Internos da
consciência.
Surgiram, depois, quadros da recente guerra mundial na
Europa, revelando as atividades que geraram esse conflito. Somente
poucos indivíduos conhecem a causa real do mesmo e é sem dúvida
preferível que a maioria ignore. E coisa muito destrutiva para ser
contemplada pela consciência. Não se ganha nada em focalizar a
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atenção na guerra. Isso também foi, talvez, a razão pela qual o período
de Ricardo até a guerra mundial não foi exibido. Aqui, as atividades da
Hoste Ascensionada foram reveladas, e vimo-las dissolver a causa e a
maior parte da energia acumulada no recente conflito mundial (1914-
1918).
Fizeram-no pela focalização e direção consciente de enormes
Raios de Luz, cujo poder de consumir e transmitir é por demais
estupendo para permitir uma descrição em termos finitos. Esses Seres
Perfeitos tinham estado aguardando um Momento Cósmico em que lhes
fosse possível prestar à humanidade um Serviço de Amor, que por longo
tempo foi esperado, do qual os seres humanos têm ainda pouca ou
nenhuma compreensão.
Essas cenas notáveis continuaram a se desenvolver e revelaram
atividades que se estendiam ao futuro distante, afetando o mundo
inteiro. Mostravam muitas mudanças que devem ocorrer na superfície
da própria Terra. Uma das mais importantes delas se relacionava com o
progresso da América do Norte. O Plano Divino para o futuro da América
do Norte é uma condição de intensa atividade na maior paz, beleza,
sucesso, prosperidade, iluminação espiritual e domínio. Ela deve
conduzir a Luz do Cristo e "Ser" o Guia para o resto a Terra, porque a
América deverá ser o centro vital da "Idade de Ouro", que agora,
vagamente, toca o nosso horizonte. A maior porção territorial da
América do Norte perdurará por longo tempo. É conhecida há milhares
de anos, sim! Há mais de duzentos mil anos!
Os quadros continuaram por quase três horas, retratando
muitas cenas e atividades que escaparam inteiramente ao registro dos
historiadores e ao mundo da ciência, em virtude de sua grande
antigüidade. Por maravilhosos e belos que sejam hoje os nossos filmes
cinematográficos, são meros brinquedos quando comparados à real
existência, vívida, animada, revelada nessa tela cósmica. Agora, seria
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possível observar mais além a Causa Cósmica de muitas situações e
acontecimentos que se passaram na Terra, proporcionando ao
observador instrução da mais extraordinária magnitude. Essa instrução
Interior é de grande auxílio para os estudantes.
Ao terminar o ensinamento, Saint Germain nos apresentou ao
Grande Mestre Ascensionado Lanto, que se havia manifestado de dentro
da Luz Resplandecente, e em seguida aos setenta Mestres ali reunidos.
“Na verdade teremos muita alegria”, disse Lanto, voltando-se
para nós, “quando estiverdes novamente preparados para colaborar no
serviço consciente do glorioso trabalho que temos em mãos. Essa
oportunidade se vos apresentará por força das poderosas vitórias que
tendes obtido sobre a personalidade humana e o mundo externo.
Aproxima-se o tempo em que tereis o privilégio de verificar como foram
realmente grandes aquelas vitórias. Aceitai, diariamente, em sua
Plenitude, a Poderosa e Ativa 'Presença' do Grande Deus dentro de vós, e
não poderá existir fracasso em parte alguma ao longo do caminho. Todo
aquele que sinceramente procura a 'Luz' é sempre conhecido pelos
Mestres Ascensionados. Na véspera do Ano Novo encontrar-nos-emos
aqui novamente, ocasião em que virão, então, doze hóspedes de Vênus.
É nosso desejo que estejais presente. Saint Germain e Amen Bey serão
vossos padrinhos”.
A um sinal, todos se tornaram silenciosos e receberam de Lanto
a bênção de amor, antes de retornarem aos seus respectivos campos de
serviço. A maior parte desapareceu simplesmente da sala, em poucos
momentos, e os restantes saíram pelo caminho do tubo elevador.
“Meus filhos, vejo que perdestes a noção do tempo, são três
horas da manhã”, observou Saint Germain ao voltar-se para despedir-se
de Lótus e de nosso filho, que depois de me beijarem saíram pelo
caminho da sala de recepção externa, enquanto atravessávamos a
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primeira porta da direita. “Há mais uma coisa”, continuou Ele, “que
desejo vejais antes de partirmos”.
“Eis aqui um conjunto de instrumentos musicais, dos mais
extraordinários, usados para um fim especial, que foram construídos ou
criados de modo que tenham um som de especial qualidade para o
trabalho que executamos”. Voltou-se para o teclado de um órgão e
continuou explicando:
“Isto parece ser um órgão desprovido de tubos, porém os tubos,
que são muito menores que os comuns, estão colocados dentro da caixa.
O som do instrumento é superior ao que quer que seja conhecido na
Terra em matéria de música. Esses órgãos serão usados no mundo
exterior à medida que se aproxima a Idade de Ouro”.
Examinamos depois quatro harpas magníficas, ligeiramente
maiores que as comumente usadas no mundo musical de hoje. Saint
Germain sentou-se a uma delas tangendo várias cordas, para me dar
uma idéia de seu som. Foi a mais maravilhosa música que jamais ouvi.
“Esta harpa é uma surpresa para a nossa Amada Lótus”, disse,
“porque na véspera do dia de Ano Novo, neste Retiro, ouvireis o órgão e
quatro harpas tocadas por hábeis artistas”. Terminamos a inspeção da
sala e saímos pela porta da parede noroeste.
Em vez de passarmos por fora do Retiro, como havíamos entrado,
Saint Germain abriu uma portinha à esquerda e penetramos num túnel
reluzente, cujas paredes cintilavam com uma formação cristalina, que
se tornou instantaneamente iluminada pela Luz Branca que Ele sempre
liberava, ao manipular a substância eletrônica em seu redor.
Caminhamos rapidamente dentro do túnel, chegamos a uma porta de
bronze que abriu ao seu toque, e vimo-nos de novo sob o céu estrelado.
Por um instante, ficamos em perfeito silêncio; depois, subindo
alguns cento e cinqüenta metros acima do nível do solo, passamos
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velozmente através do ar e poucos momentos mais tarde estávamos ao
lado do meu corpo físico, na encosta meridional do Monte Shasta, onde
a pantera continuava em guarda. Eu estivera ausente durante vinte e
duas horas e indo olhei, a aurora vinha tingindo o horizonte oriental.
“Aqui está vosso almoço”, anunciou Saint Germain, entregandome
uma Taça de Cristal contendo um branco e transparente líquido
cintilante. “Isto, ao mesmo tempo, é fortificante refrigerante, de modo
que vos será agradável o passeio de volta para casa - porque vosso corpo
precisa fazer esforço e entrar em atividade. Sinto alguma coisa em vossa
mente que não vos satisfaz, no mínimo alguma coisa não está clara para
vossa consciência”.
"Sim", repliquei. "Há uma questão que me vem prendendo a
atenção por algum tempo, e é no que diz respeito à VISUALIÇAO. Que é
a verdadeira visualização e que acontece quando alguém visualiza"?
“A verdadeira visualização”, respondeu Ele, “é Atributo e Poder
da Visão de Deus, em ação na mente do homem. Quando alguém retrata
conscientemente na mente uma aspiração que deseja se realize, está
empregando um dos mais poderosos meios de trazer esse desejo à sua
experiência visível e tangível. Há muita confusão e incerteza no espírito
de muitos, relativamente ao que de fato acontece quando alguém
visualiza ou faz um quadro mental daquilo que almeja. Em nenhuma
parte do universo, forma alguma jamais veio à existência sem que
alguém tivesse conscientemente mantido uma imagem dessa forma no
pensamento, porque todo pensamento contém uma imagem da idéia
nele contida. Mesmo um pensamento abstrato encerra uma cena de
qualquer espécie, ou pelo menos um esboço, que é a concepção mental
de quem emite.
“Dar-vos-ei um exercício pelo qual pode-se desenvolver, controlar
conscientemente e dirigir as atividades da visualização para obter êxito
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definitivo. Há muitos degraus no processo que o estudante pode
empregar a todo e qualquer tempo. A prática traz, na verdade,
resultados visíveis e tangíveis quando realmente aplicada. O primeiro
passo consiste em determinar um plano definitivo, ou desejo a ser
realizado. Isso feito, considerai que seja coisa construtiva, nobre,
merecedora de vosso tempo e esforço. Examinai cuidadosamente o
motivo que vos conduz a trazer tal criação à manifestação. Deve ser
honesto, tanto em relação a vós como ao resto do mundo e não um
simples capricho ou satisfação de apetites dos sentidos físicos. Lembraivos,
há uma grande diferença entre utilidade, desejo e apetite. Utilidade
é o cumprimento da Grande Lei Universal de Serviço. Desejo é a
atividade expansiva de Deus, por meio da qual a manifestação é
constantemente mantida, e é a Perfeição ampliando-se a si mesma.
Apetite é tão somente o hábito estabelecido pela contínua satisfação dos
sentidos instintivos, consistindo em energia focalizada e qualificada por
sugestões da atividade externa da vida.
“Certificai-vos bem de que não haja em vosso íntimo algum
sentimento secreto de levar vantagem à custa de outrem. Um verdadeiro
estudante - e só quem o seja tirará proveito dessa espécie de prática –
toma as rédeas nas mãos e determina disciplinar e controlar
conscientemente o Ser Inferior. Escolhe o que há de fazer ou não em seu
mundo e, pelo processo de figurá-lo na mente, projeta, trazendo à
manifestação um plano de vida definitivamente firmado”.
“O segundo passo consiste em expor vosso plano por meio de
palavras, tão concisa e claramente quanto possível. Anotai por escrito.
Assim registrais vosso desejo no mundo externo, visível e tangível. O
terceiro passo é cerrar os olhos e ver, dentro de vossa mente, uma
imagem mental do desejo ou plano em sua perfeita, acabada condição e
atividade.
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“Considerai o fato de que vossa capacidade de criar e ver uma
imagem dentro da própria consciência, é o atributo da vista de Deus
agindo em vós. A faculdade de ver e o poder de criar, são atributos de
vosso Deus Interno, que sabeis e sentis estar sempre dentro de vós. A
Vida e o Poder de Deus estão atuando em vossa consciência para
concretizar, em vosso mundo externo, o quadro que vedes e sentis em
vosso íntimo.
“Conservai-vos lembrando ao intelecto que a capacidade de
imaginar é um atributo de Deus - o atributo da visão. O poder de sentir,
experimentar e associar-se à imagem perfeita, é Poder de Deus. A
substância utilizada no mundo exterior para dar forma ao vosso quadro
e ao vosso plano, é pura substância de Deus. Deveis então saber que
Deus é o Autor, a Ação e o Ato de toda forma e empreendimento
construtivo sempre lançados no mundo da manifestação. Quando
empregardes integralmente o processo construtivo, é impossível que o
vosso plano não venha a realizar-se em vosso mundo visível.
“Lede vosso desejo ou plano tantas vezes por dia quanto possível,
e sempre antes de vos recolherdes ao leito porque, ao dormir logo depois
de mentalizar o quadro, permanece na consciência humana uma forte
impressão que não é perturbada durante algumas horas, tornando-o em
condições de ser intensamente lembrado na atividade externa e
permitindo ser intensamente lembrado na atividade externa e
permitindo seja gerada e acumulada a força que o impelirá para a
experiência da vida exterior. Por esse modo, podeis introduzir qualquer
desejo ou imagem na consciência quando ela penetra no GRANDE
SILÊNCIO, durante o sono. Aí, carrega-se com o Maior Poder e Atividade
de Deus, que está sempre dentro do Coração do Grande Silêncio.
“Em circunstância alguma deveis comentar, seja com quem for, o
vosso desejo ou o fato que estiverdes visualizando. Isto é imperativo. Não
monologueis sobre ele em voz alta ou mesmo em murmúrio, porque
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deveis compreender que, quanto maior o acúmulo de energia gerada
pela vossa visualização, contemplação, sentindo a realidade de vossa
imagem, tanto mais rapidamente se manifestará em vossa experiência
externa.
“Milhares de desejos, ambições ou idéias ter-se-iam manifestado
na experiência externa de muitos indivíduos, se eles não os tivessem
discutido com amigos ou conhecidos. Quando vos decidis
definitivamente a realizar uma experiência, por meio da Visualização
conscientemente dirigida, vós vos tornais A Lei - Deus - a Lei do 'Uno',
que não admite oposição. Deveis tomar uma decisão e sustentar vossa
determinação com todo o poder. Isto significa que deveis assumir uma
atitude firme, inabalável. Para fazê-lo, sabei e senti que ela é Deus
desejando, Deus sentindo, Deus conhecendo, Deus manifestando e
Deus controlando tudo o que diz respeito a essa decisão. Esta é a LEI
DO 'UNO' - DEUS - e só DEUS. Até que isto seja plenamente
compreendido, não podeis obter e nem obtereis nunca vossa
manifestação, porque no momento em que entra um elemento humano,
estais tirando-a das mãos de Deus e conseqüentemente não pode
expressar-se, pois que estais neutralizando-a pelas concepções
humanas de tempo, espaço, lugar e mil e uma outras condições
imaginárias que Deus não reconhece.
“Ninguém poderá conhecer DEUS enquanto considerar uma
força oposta a Ele, porque quando admitir que duas forças em oposição
podem atuar ao mesmo tempo, estará neutralizando a atividade de
DEUS. Havendo neutralização, não se obtém nada, nada se manifesta.
Acontece simplesmente isto: nada obtereis em vossa manifestação.
Quando reconheceis DEUS - o ‘UNO’ - tendes somente Perfeição
manifestando-se instantaneamente, porque não há nada a se opor ou a
neutralizar - nenhum elemento humano de tempo ou espaço.
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Assim Ele se estabelece em vós, pois não há que se oponha ao
que Deus ordena.
“Não poderão jamais melhorar as condições para quem quer que
seja que deseja a Perfeição, enquanto continuar admitindo um poder
oposto a Deus, ou qualquer coisa dentro ou fora de si capaz de impedir
a Perfeição de Deus se expressar. Admitir simplesmente que uma
determinada condição é inferior ao que vem de Deus representa sua
deliberada escolha de uma imperfeição, e essa espécie de escolha é um
fracasso do homem. Tal escolha é deliberada e intencional, porque ele é
livre, em todos os momentos, para escolher, para selecionar seus
pensamentos. Acontece, porém, que conceber um pensamento ou
quadro de Perfeição não necessita mais energia do que conceber um de
imperfeição (portanto, essa escolha deliberada de uma condição
imperfeita implica o que se chama QUEDA DO HOMEM).
“Sois o Criador localizado para planejar e criar a Perfeição em
vosso grupo e lugar que ocupais no Universo. Se a Perfeição e o Domínio
devem ser expressos, deveis conhecer e admitir apenas a Lei DO ‘UNO’.
O UNO existe e controla completamente em toda a parte no Universo.
Sois a Autoconsciência de Vida, a Una 'Presença’ Suprema da Grande
Chama de Amor e Luz. Sois vós somente o Selecionador, o Decretador
das qualidades e formas que desejais derramar em vossa Vida, porque
sois o único agente de energia de vosso mundo e de tudo o que ele
contém. Quando pensais ou sentis, parte de vossa energia de Vida sai
para sustentar aquilo que criais.
“Lançai então fora da mente toda a dúvida ou medo de efetuar o
que estais imaginando. Se qualquer um desses pensamentos ou
sentimentos - que em última análise não passam de emanações
humanas desprovidas de perfeição - vem ter à vossa consciência, deveis
substituí-lo instantaneamente pelo reconhecimento integral do vosso
Próprio Eu e de vosso mundo como Vida de Deus - O ‘UNO’. Além disso,
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permanecei completamente despreocupado acerca do ideal que
formulastes, a não ser durante o tempo da visualização. Não fixeis na
mente prazo para resultados, exceto para reconhecer que só existe agora
- o eterno presente. Adotai essa disciplina, praticai-a e podereis
manifestar um irresistível poder em atividade, que nunca falhou e nem
poderá falhar.
“Lembrai-vos sempre de que sois DEUS idealizando e
visualizando. Sois DEUS - Inteligência dirigindo, sois DEUS - Poder
impulsionando. É vossa Substância-DEUS sendo acionada. Quando vos
convenceis disso e contemplais a sua plenitude muitas vezes, tudo no
Universo se precipita para realizar vosso desejo, vosso comando, vosso
quadro mental, ele é todo-construtivo e de acordo, portanto, com o Plano
Divino Original para uma Vida Autoconsciente. Se nosso lado humano
concorda realmente com o Plano Divino e o aceita, não pode sobrevir tal
coisa como atraso ou fracasso, porque toda energia tem em si a
qualidade inerente da Perfeição e se apressa em servir ao seu Criador.
Perfeição é a única predestinação que existe.
“Pelo fato de vosso desejo ou quadro mental ser construtivo, sois
Deus vendo Seu Próprio Plano. Quando Deus Vê, isso constitui decreto
ou ordem irrevogável para que apareça Imediatamente. Na criação da
Terra e do sistema de mundos, DEUS disse: "Faça-se a "LUZ" e a Luz
apareceu. Não foram necessários eons de tempo para criar a Luz. O
mesmo Deus Poderoso está em vós agora, e quando vedes ou falais é
Seu atributo da visão e da palavra que está atuando em vós e através de
vós.
“Se vos compenetrais do que isto realmente significa, podeis
comandar por Seu Pleno Poder e Autoridade, porque sois Sua
Consciência-Vida, e só a Própria-Consciência de vossa Vida pode
ordenar, imaginar ou desejar um Plano Perfeito e Construtivo. Todo
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Plano Construtivo é Seu Plano. Por isso, sabeis que Deus está em ação,
comandando: "Que este desejo ou plano se realize agora, e está feito".
A essa altura, Saint Germain acabou de falar e lançando-me um
sorriso de adeus - por algum tempo - desapareceu de minha vista. Voltei
os passos para casa, com a pantera trotando a meu lado. Ela estivera
vinte e quatro horas inteiras sem comer; logo depois, partiu depressa
através da mata e desapareceu na floresta espessa. Continuei meu
caminho e cheguei em casa às onze horas da manhã, passando o resto
do dia tentando compreender toda a importância daquilo que eu tivera
o privilégio de experimentar e considerando que todo o conceito do meu
mundo mudara tão inesperadamente.
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Capítulo IV
MISTÉRIOS DE YELLOWSTONE
Passaram-se sete dias e corria a primeira semana de setembro. Na
tarde do oitavo dia estava eu a meditar sobre a Vida e suas infinitas
expressões, quando meu pensamento voltou-se naturalmente para Saint
Germain. Imediatamente um irresistível amor partiu de mim para Ele, em
profunda gratidão por tudo quanto eu tivera o privilégio de experimentar,
através de Sua assistência e Luz.
A sensação de uma "Presença" no aposento começou a apoderar-se
de mim, como se fosse um alento e olhando subitamente para cima, lá
estava Ele, sorridente e radiante, a verdadeira "Presença da Divindade".
“Meu filho”, disse-me, “serei eu tão inesperado visitante que tanto
vos surpreenda? Sabeis perfeitamente, sem a menor dúvida, que quando
pensais em mim estabeleceis contato comigo, e quando eu penso em vós,
estou convosco. Quando meditáveis, vossa atenção se fixou em mim e por
essa razão, apareci. Não está de acordo com a Lei? Então, porque não
aceitar o fato como natural? Atraímos aquilo em que pensamos.
“Permiti-me sugerir que vos exerciteis em nunca experimentar
surpresa, desapontamento ou sensibilidade ferida, sejam quais forem as
circunstâncias, pois o perfeito Auto-controle de todas as forças dentro de
vós, a qualquer tempo, constitui Domínio - e esta é a recompensa para
aqueles que trilham a senda da Luz. Somente pela correção do próprio ser
humano pode ser alcançada a Mestria.
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“Lembrai-vos sempre de que o direito de comandar, que representa
Domínio, só é permanentemente mantido por aqueles que primeiro
aprenderam a obedecer, porque quem aprendeu a prestar obediência à 'Lei
do Uno', torna-se um Ser de Causa, e só esta Causa-Amor. Assim, por
analogia, torna-se em realidade A 'Lei do Uno'. Vigiei para que proceda de
vós somente o que é harmonioso, e não permitais que uma palavra
destrutiva sequer vos passe pelos lábios, mesmo por gracejo. Lembrai-vos
de que estais lidando com uma força, seja de que natureza for, a cada
instante da Eternidade, e de que sois sempre seu qualificador.
“Vim para vos levar numa importante jornada. Estaremos ausentes
por trinta e seis horas. Cerrai as cortinas de vosso quarto, fechai as portas
e deixai vosso corpo no leito. Será guardado até nossa volta. Realizastes
certo adiantamento Interior e tendes pela frente uma experiência e uma
jornada muito interessante e agradável.
Preparei meu corpo para deitar e logo permaneci em quietude
perfeita. Um momento depois eu estava de pé, sobre o chão, fora do meu
corpo, vestido com o mesmo traje dourado que usara quando da minha
visita ao Royal Teton. A sensação que temos da espessura das paredes
desapareceu e, ao atravessá-las, a impressão era a mesma que se
experimenta quando se passeia através de um pesado nevoeiro, tendo as
paredes perdido sua sensação de espessura.


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