Mistérios Desvelados Ensinamentos do Mestre Saint Germain - parte 5


“Aceitai isto”, prosseguiu, “do Mestre da Cidade de Ouro. É um
pedido Seu que useis sempre este anel em contato com vosso corpo”.
Despedindo-se de todos e inclinando-se graciosamente, desapareceu.
Os três filhos do Inca tinham corpos físicos perfeitos, em virtude
das instruções que na infância receberam do Mestre Saint Germain,
quando vinha diariamente da Cidade de Ouro a fim de prepará-los para a
vida de serviço ao povo. Todos tinham os mais belos cabelos dourados e
olhos de um azul-violeta. A altura dos dois filhos era cerca de um metro e
noventa e a da filha um metro e setenta. Possuíam uma grande e natural
dignidade no porte, deixando transparecer o Domínio Interno que haviam
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adquirido sob a direção do Mestre. Quando o primogênito subiu ao trono,
contava sessenta e oito anos de idade: parecia, no entanto, não ter mais de
vinte e cinco. Mesmo na época em que deixaram a Terra, nenhum parecia
ter mais que essa idade. O novo rei governou durante quarenta e sete
anos, chegando a viver até a idade de cento e quinze. A princesa alcançou
a idade de cento e treze e o filho mais moço a de cento e onze anos.
O povo Inca desse período tinha os olhos e cabelos escuros, sendo a
cor da pele igual à do índio Norte Americano. Os que se encarnaram
constituindo a massa popular, não eram almas adiantadas, como no caso
de algumas das primeiras civilizações, tais como as do Egito, da Atlântida
e do Deserto do Sahara. Por essa razão, a Grande Hoste dos Mestres
Ascensionados, que auxilia espalhando a Luz na humanidade, colocou o
governante Inca, seus filhos e os restantes quatorze da Cidade de Ouro na
direção do governo e do povo, para estabelecer o padrão que deveria servir
de modelo às atividades posteriores. Idealizaram uma forma de governo e
um plano de desenvolvimento tal, que se tivessem sido executados teriam
tornado toda a civilização capaz de atingir grande altura quanto à
realização externa, e ao mesmo tempo de receber extraordinária
Iluminação Interna.
À medida que se aproximava o tempo da escolha de um governante
dentre os próprios Incas para suceder ao rei e seus auxiliares, grande
cuidado foi exercido para que a escolha recaísse naqueles cujo
Crescimento Interno fosse mais avançado. Quatorze foram encontrados
para substituir os da Cidade de Ouro. O Ser Maravilhoso tornara-se
diariamente visível ao rei, pelo espaço de quarenta e sete anos,
aconselhando e dando assistência através de Sua Radiação, de modo que a
sabedoria e a força constituíssem o poder diretivo do povo.
Os sucessores do rei e dos quatorze da Cidade de Ouro foram
chamados à presença do muito amado e sábio soberano e o Ser
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Maravilhoso, que se tinha tornado invisível, fez-se visível a todos. A "Luz"
ao seu redor aumentou em fulgor e Ela assim lhes falou:
“Por mais de noventa anos os Grandes Mestres Ascensionados de
Luz têm ensinado, iluminado, abençoado e feito prosperar o povo e este
império. O exemplo está diante de vós. Se o seguirdes, tudo continuará a
prosperar, derramando-se bênçãos sobre vossa terra. Se, porém, não
conservardes ACIMA DE TUDO o Amor pelo Supremo Deus Interno em
vossos corações, e se não O reconhecerdes SEMPRE, como Governante do
império e de seus habitantes, sobrevirá a decadência, e a gloriosa
perfeição, desfrutada por mais de um século, será esquecida. Eu vos confio
ao cuidado da Grande e Suprema 'Presença' em todos. Que Ela sempre vos
proteja, dirija e ilumine”.
Nesse momento, uma prova visível da existência do Próprio Deus
Interno em cada ser humano foi revelada aos que deviam guiar o destino
do império - durante os anos subseqüentes. Essa mesma prova será dada
novamente ao atual povo da América.
Então, na presença do novo governante e de seus acompanhantes,
o rei e os quatorze da Cidade de Ouro saíram de seus corpos físicos e
tornaram visível o Deus Interior de cada um a todos os convocados. Em
poucos momentos os corpos físicos desapareceram, dissolvendo-se no ar
ambiente.
“Assim”, explicou Saint Germain, “tivestes a revelação do registro
de uma outra vida, das bênçãos e êxito resultantes da afetuosa aceitação
da Suprema 'Presença' do Uno Deus Próprio Interior. Regressemos, agora,
ao Royal Teton”.
Chegamos à entrada e penetramos no salão de audiências. Lá, nas
paredes, estavam os retratos gravados sobre ouro, transferidos do antigo
templo de Mitla. Passamos à sala de arquivos e vimos os registros
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transportados pelos Seres Lindos e Resplandecentes. Outras coisas, que
não tenho permissão de revelar, tinham sido, também, conduzidas.
Ao término dessas experiências compreendi, no mínimo
parcialmente, alguma coisa do que deva ser o verdadeiro amor, porque a
ninguém é possível exprimir, com fidelidade, o intenso sentimento de Amor
e gratidão que nos inspiram os Mestres Ascensionados, depois de termos
sido admitidos a realizar as experiências pelas quais passei, desde o meu
primeiro encontro com Saint Germain. Isso não poderá, jamais, ser
traduzido em palavras. Depois de um tal contato, só permanece um
irrestivível desejo na Vida: "SER" o que Eles são.
É então que compreendemos o que quis dizer o Mestre Jesus
quando falou na CASA DO PAI como sendo, realmente a MORADA DA
BEM-AVENTURANÇA. Uma vez que se tenha verdadeiramente
experimentado, mesmo por uma fração de segundo, a Extática Bemaventurança
Irradiante de um Ser Ascensionado, nada existe na humana
experiência que não suporte ou sacrifique a fim de alcançar esta altura na
realização, trabalhando para expressar, também, tal Domínio e Amor.
Entende-se, verdadeiramente, que essa Perfeição é para todos os
filhos de Deus e é tão real como o pode ser a própria realidade. Por mais
feliz que possa ser a vida do ser humano comum, é certamente uma
superficial existência se comparada ao Estado Ascensionado desses
GRANDES SERES. As mais belas e assim chamadas perfeitas criações dos
seres humanos, com todo o seu blasonado poder e aperfeiçoamento, são
grosseiras e insipientes se comparadas com a Liberdade, a Beleza, a Glória
e a Perfeição que constituem a experiência diária e contínua de quem quer
que tenha feito a ascensão do corpo, como o fez o MESTRE JESUS, o
CRISTO.
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Fui invadido por indizível sentimento de gratidão e Amor para com
Saint Germain, quando chegou o momento de voltar ao meu corpo. Ele
percebeu o que eu senti e correspondeu por esta declaração:
“Meu filho”, disse-me então, “não poderíeis receber o que não fosse
merecido. Mereceis isso e muito mais, o que se tornará evidente com o
correr do tempo. Lembrai-vos, entretanto, que o que parece misterioso só o
é porque não pode ser interpretado. Quando compreendidas, todas as
ocorrências estranhas serão consideradas naturais e de acordo com a Lei.
A seguinte Verdade ficar-vos-á para sempre gravada na memória. Ei-la:
“Todo o filho de Deus que reconhecer e aceitar a 'Presença' do
Poderoso Deus Uno, ancorada Dentro de seu coração e de seu cérebro e
sentir essa Verdade profundamente, muitas vezes por dia, assimilando e
compreendendo que Deus lhe enche a mente e o corpo de tanta 'Luz' que
não há lugar para mais nada, esse poderá ser livre. A Una 'Presença' Toda-
Poderosa é a potente atividade harmoniosa da Vida e dos afazeres de cada
um, e se sua atenção se fixar, fortemente e com determinação, nesta
Verdade Eterna, nenhuma realização será bastante grandiosa que não lhe
seja possível alcançar.
“Só há uma fonte e princípio de Vida a que devemos dedicar nossa
inteira atenção: é o DIVINO EU INTERNO DE CADA INDIVIDUO, Ao
GRANDE e HARMONIOSO EU INTERNO, o eu-pessoal deve sempre prestar
reconhecimento consciente e manter-se com Ele em constante Comunhão
Interior, seja qual for a atividade externa da mente.
“Esse GRANDE EU INTERNO é a ENERGIA - VIDA fluindo sem
cessar através de cada corpo humano, mediante a qual todos podem se
mover no mundo da forma. É a Sabedoria fluindo através da mente, a
Vontade dirigindo todas as atividades construtivas, a Coragem e a Força
sustentando a todos, o Sentimento do Amor Divino com o qual toda força
pode ser qualificada quando flui através do indivíduo, O ÚNICO PODER
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QUE PODE SEMPRE REALIZAR TODAS AS COISAS BOAS e
CONSTRUTIVAS. É o Todo-Vitorioso Domínio Consciente sobre todas as
condições da atividade humana, quando liberado através do eu-pessoal
sem resistência ou interrupção.
“Esse PODEROSO DEUS INTERNO EM CADA SER é o Dirigente
Supremo de toda Criação e a única segura, permanente e Eterna Fonte de
auxílio na existência. Só por meio de Seu Amor, Sabedoria e Poder pode
alguém elevar-se dentro da Mestria Ascensionada, porque a constante,
consciente comunhão com Ele significa Liberdade e Domínio sobre toda a
criação humana. Quando digo 'criação humana', refiro-me a tudo o que é
discordante e inferior à Perfeição.”
Acercamo-nos de meu corpo e logo que nele entrei, Saint Germain
tomou-me as mãos e verteu uma corrente de Sua Divina Energia através
de mim, para sustentar-me e fortalecer-me. Senti-me instantaneamente
revigorado, na mente e no corpo. Sentei-me, fixei minha atenção com
profunda intensidade em minha própria "Presença Deus", e ofereci uma
oração de gratidão pelas extraordinárias bênçãos que tive o privilégio de
receber.
O Mestre inclinou-se com toda a Graça que Lhe é peculiar e
desapareceu.
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Capitulo VI
CIDADES SUBMERSAS DO
RIO AMAZONAS
Dias depois, trabalhava eu concentrado, uma tarde, quando ouvi
distintamente a voz de Saint Germain.
"Aprontai-vos", disse, "esta noite, às nove horas, virei buscar-vos".
Num instante fiquei alerta, terminei rapidamente meu trabalho,
tomei banho e preparei-me para jantar cedo.
"Trar-vos-ei alimento adequado", explicou ele; assim esperei e entrei
na mais profunda meditação de que tenho memória, reconhecendo,
somente, a Manifestação Perfeita de Deus.
Pontualmente às nove horas Ele apareceu no meu quarto, vestindo
roupagem de uma Substância Brilhante, parecendo metálica, aspecto de
aço polido, mas dando a impressão, ao tato, da combinação de seda muito
macia com borracha extremamente leve. Toquei no lindo e maravilhoso
tecido e tão fascinado fiquei, que sai do meu corpo físico sem perceber, até
que me virei e vi-o estendido no leito. Dirigindo-me para um grande
espelho que havia na porta, verifiquei que minha roupa era exatamente
igual à de Saint Germain. Fiquei admirado, sem compreender porque
nossas vestimentas eram diferentes daquelas que até então saíamos. Ele
viu essa pergunta na minha mente e a ela respondeu:
"Procurai entender, meu filho, que na Condição Ascensionada de
Vida temos sempre liberdade de utilizar a Substância Pura Universal para
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a finalidade que nos aprouver, dando-lhe a qualidade específica que
desejarmos, de acordo com os fins em vista.
"Se quisermos usar material indestrutível, impomos essa qualidade
à Substância Pura Universal e Ela corresponde ao nosso desejo. Se
precisarmos que uma forma qualquer se manifeste apenas por um certo
tempo, damos à Substância de que ela é composta essa qualidade, ou
ordenamos, e a forma se manifesta de acordo. Agora vamos passar através
da água; a Radiação do material de vossa roupa cerca de tal modo vosso
corpo mais sutil, que vos isolará das qualidades e atividades naturais do
elemento água.
"Procurai pensar nesse Poder que está dentro de vós. Lançai mão
do grande oceano de Substância Universal do qual podeis sacar sem
limites. Ele obedece, sem exceção, à direção do pensamento, e registra
qualquer qualidade que lhe for imposta, através da atividade do modo de
sentir peculiar à humanidade.
"A Substância Universal obedece sempre à vossa vontade
consciente. Ela está respondendo constantemente aos pensamentos e
sentimentos da humanidade, quer o percebam, quer não. Um instante
sequer não existe em que os seres humanos não estejam imprimindo a
essa Substância uma qualidade ou outra, e é só através do conhecimento
que o indivíduo tem controle consciente e pode manipular o Seu ilimitado
oceano. Só então ele começa a compreender as possibilidades de seus
próprios Poderes Criadores e as responsabilidades que assume ao projetar
os seus pensamentos e sentimentos.
"A humanidade, através dos séculos, tem qualificado a Substância
Universal como algo deteriorado e limitado e os corpos que ela usa hoje
são expressões dessas características. Toda a raça humana desencadeia
tempestades de ódio, mágoa, vingança e muitas outras explosões de
sentimentos destrutivos, e os quatro elementos, que registraram essas
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condições, devolvem-nas aos homens através do mundo da Natureza, na
forma de cataclismos. Os povos da Terra emitem avalanches de
pensamentos, de mágoas e ressentimentos de uns contra os outros, contra
a injustiça, contra lugares ou coisas, consciente ou inconscientemente
emitindo o sentimento de vingança. O grande oceano de Substância
Universal, sobre o qual têm sido registradas essas manifestações, devolveas
à própria fonte - o indivíduo - por meio dos quatro elementos, à
semelhança do bumerangue, e essas forças voltam-se contra ele, as quais
é totalmente impotente para controlar.
"Tais atividades são apenas meios que a Natureza emprega para se
purificar, agitando-se para se livrar da contaminação dos pensamentos e
sentimentos humanos discordantes, que voltam à sua origem, condição de
- Pureza de Deus.
"A todo instante, cada indivíduo está recebendo, na mente e no
corpo, a Pura e Perfeita Vida de Deus. A todo momento ele está também
imprimindo qualidade, de qualquer espécie, à Pura e Universal Substância
de Deus. Essa qualidade só ele cria e gera, devendo recebê-la de volta na
sua mente e no seu corpo, pois todas as coisas no Universo movem-se em
círculo, voltando, assim, à sua fonte.
"Os Mestres Ascensionados aprenderam a 'Lei do Círculo' - 'A Lei do
Uno'. Portanto, nós impomos sobre a Pura Substância Universal somente a
qualidade que desejamos utilizar, para o trabalho especial que tivermos em
mãos. Se desejarmos que uma manifestação se expresse por um certo
período de tempo, marcamos a duração, expedimos o comando, e a
Substância de que se compõe essa especial manifestação responde de
acordo.
"No caso dos arquivos do Royal Teton e de certos retiros existentes
no mundo, é necessário ao nosso trabalho que certas coisas sejam
tornadas imperecíveis, a fim de serem mantidas durante séculos. Nós
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determinamos nelas essa qualidade e elas registram exatamente nossa
ordem, porque a Natureza não mente jamais. É uma Fiel registradora das
qualidades que Lhe imprimem. Ela nos obedece, como também obedece ao
homem, mas há dentro dela uma certa atividade que a humanidade
ignora, ou teimosamente não quer reconhecer. Por essa ignorância e
obstinação, a humanidade paga, paga continuamente, até que o indivíduo
aprenda por si e reconheça essa Fundamental e Eterna Verdade: 'A Lei do
Uno' - 'A Lei do Amor' - 'A Lei da Harmonia' - 'A Lei do Círculo' - 'A Lei da
Perfeição'.
"Quando a humanidade aprender realmente essa Verdade e
obedecer ao Seu Eterno Decreto, as discórdias da Terra e as atividades
destrutivas dos quatro elementos cessarão.
"Há na Natureza uma Força Auto-geradora e Auto-Purificadora que
dissolve, rechaça tudo aquilo que discorda da 'Lei do Uno'. Essa força ou
Energia é uma Atividade Impulsionadora que age de dentro para fora, e é o
Poder Uno em expansão. Se a discórdia é imposta à Pura Substância
Universal, a Energia Eletrônica torna-se temporariamente represada
dentro dela. Quando tal energia acumulada atinge uma certa pressão, tem
lugar a expansão, destruindo a discórdia e a limitação. Assim, 'A Grande
Vida do Uno' - 'A Sempre Expansiva Essência Luminosa da Criação' -
'Deus em Ação', domina tudo aquilo que procura opor-se-Lhe, e continua
Seu pré-estabelecido Caminho, o Supremo Governador do Universo. Os
Ascensionados Mestres de Luz sabem disso e se identificam com esse
conhecimento, tornam-se UNO com o TODO.
"A humanidade pode ter ciência disso e ser também Una - basta,
apenas, querer. Está dentro das capacidades e das possibilidades de todo
indivíduo, porque é o Princípio Inato e Eterno dentro da Vida Auto-
Consciente. Este Princípio não tem favoritos e todos podem expressar Sua
plenitude.
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"Dentro da Vida de todo ser humano há um Poder pelo qual ele
pode expressar tudo o que os Mestres Ascensionados expressam a cada
momento, se apenas o desejar. Toda Vida contém Querer, mas só a Vida
Auto-Consciente determina livremente seu próprio curso de expressão.
Logo, o indivíduo tem livre escolha para se expressar tanto no corpo
humano, limitado, como no Corpo Divino, Super-humano. É ele quem
escolhe seu próprio campo de expressão. É ele o Criador. Ele escolheu
voluntariamente viver como Vida-Auto-Consciente. É a Essência da
Criação, Inteligência Consciente.
"Quando o ser humano se individualiza dentro da Absoluta, Oni-
Penetrante Vida, elege, por sua própria e livre vontade, tornar-se um foco
individual, intensificado, Inteligência Auto-Consciente. É o Diretor
consciente de suas atividades futuras. Assim, tendo uma vez feito a
escolha, é o único que pode realizar o próprio destino, que não é uma
circunstância implacável, mas sim um plano de Perfeição decididamente
projetado. É esse Projeto Perfeito que ele elege exprimir no campo da forma
e da ação. Vedes assim, meu filho, que um ser humano pode, a qualquer
tempo, decidir elevar-se acima de suas imperfeições e limitações humanas
e, se empregar toda sua Vida, sua Energia, nesta determinação, será
vitorioso. Aqueles dentre nós que elevamos o corpo, realizamos a
'Ascensão', dando tudo ao Deus Próprio Interior - e por isso Ela expressa
por nosso intermédio Suas Qualidades Perfeitas - 'O Divino Plano de Vida'.
"Vamo-nos".
Ao iniciarmos nossa jornada, percebi que nos dirigíamos para sul e
leste. Passamos sobre a Cidade do Lago Salgado, Nova Orleans, Golfo do
México, ilhas Bahamas e chegamos, então, a uma fita de prata, que eu
sabia ser um rio. Nós o seguimos até à embocadura. Enquanto
prosseguíamos, disse-me a Voz-de-Deus Interior:
"É o Amazonas".
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"Agora ficai consciente, instruiu Saint Germain, "de que Deus em
vós está sempre dirigindo e é Senhor de todas as situações".
Precisamente nesse momento começamos a descer e num instante
tocamos a superfície da água. Pareceu-me firme como terra sólida sob
nossos pés e experimentei um sentimento de surpresa àquele contato.
Saint Germain explicou-me, então, que poderíamos imergir com a mesma
facilidade com que nos mantínhamos na superfície, porque as roupas que
usávamos irradiavam uma aura protetora até considerável distância em
torno de nossos corpos e continham as condições de que necessitávamos
para poder explorar as camadas subterrâneas da terra e as coisas
existentes sob as águas.
"Isso é devido", continuou Ele, "ao que o mundo científico chamaria
um 'campo de força magnético' em torno de nossos corpos, mas a força
eletrônica com que estão carregadas estas roupas é de uma eletricidade
mais potente e sutil do que a conhecida em vosso mundo físico. Dia virá
em que vossos próprios cientistas tropeçarão nela e compreenderão que
essa força sempre existiu na atmosfera, sem que eles soubessem como
dirigi-la e controlá-la a serviço da humanidade.
"Ela é muito mais facilmente dirigida pela mente do que por
aparelhos físicos de qualquer espécie, podendo, no entanto, ser captada e
controlada por meios mecânicos. Aquilo que o mundo externo conhece por
eletricidade, é apenas uma forma crua da Grande Energia Espiritual de
Vida. Ela existe por toda parte na Criação. A proporção que o homem se
eleva e mantém a consciência em contato com seu Deus Próprio Interior,
torna-se atento às gigantescas possibilidades no uso dessa grande força e
poder. O serviço que Ela lhe presta é Infinito, no trabalho criador que ele
pode efetuar em todas as fases de atividade".
Penetramos, então, na água, atravessando-a sem que nos
oferecesse a menor resistência. Fiquei ligeiramente assustado com a
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novidade da experiência, mas imediatamente me lembrei da advertência
para que ficasse consciente apenas do meu Deus Interno, como Senhor de
todas as situações. Daí a pouco chegamos junto à margem e passamos por
cima de muitos jacarés, que nos viam, mas não se incomodavam com a
nossa presença. Prosseguindo para o interior, chegamos ao que parecia o
topo de um monumento.
"É a ponta de um obelisco de dezoito metros", explicou Saint
Germain. "Somente cerca de três metros se encontram acima do solo.
Assinalava o ponto mais elevado de uma importante cidade que foi
sepultada durante o último cataclismo, por ocasião da submersão da
Atlântida. O obelisco é feito de metal imperecível e está coberto de
hieróglifos dessa época. Notai que eles estão muito nítidos e assim
permanecerão, por causa da indestrutibilidade do metal. A cidade,
originariamente, foi construída a dezesseis quilômetros da margem do rio,
mas na ocasião em que foi submersa, a embocadura do rio se alargou de
muitos quilômetros".
Elevamo-nos no espaço e continuamos, acompanhando o curso do
Amazonas até um ponto situado a cinqüenta e seis graus de longitude
oeste. Fizemos aí observações e nos dirigimos para um ponto setenta graus
oeste. Saint Germain explicou que era essa a região que íamos observar e
pesquisar.
O local que ele indicou abrangia o Amazonas entre esses dois
pontos, e também dois de seus principais afluentes - os rios Juruá e
Madeira.
"Esta civilização", disse Saint Germain, 'desenvolveu-se durante o
período compreendido entre doze e quatorze mil anos passados. A área que
nos interessa é o trecho que vai desde onde o rio Madeira desemboca no
Amazonas, até um ponto a oeste onde o Amazonas toca a Colômbia e o
Peru.
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"Há treze mil anos o Amazonas era represado em grandes diques de
pedra. Toda a região que o cercava permanecia a uma altitude de mil e
quinhentos metros, no mínimo, e em lugar do clima tropical de hoje
prevalecia uma temperatura semitropical durante todo o ano.
"Até grande distância dessa localidade, a região era constituída por
uma planura ou platô. Perto da foz do Amazonas havia belas e grandiosas
quedas d'água. A cidade onde se achava o obelisco, foi construída entre
essas quedas e a costa marítima, cerca de dezesseis quilômetros ao sul do
rio. Havia grandes répteis e animais ferozes nas proximidades do rio
Orenoco, mais para o norte".
Chegamos a um lugar perto do Madeira e Saint Germain
continuou:
"Eis o local de uma antiga cidade, a capital do império e o lugar
mais importante na civilização daquele período". Ergueu, então, a mão, e a
cidade se tornou tão claramente visível como qualquer outra do mundo
físico de hoje.
"Observai", explicou, "como era construída em uma série de
círculos, de cujo centro partiam as ruas comerciais, como raios do cubo de
uma roda. Os círculos externos eram avenidas de passeio, construídas de
cinco em cinco quilômetros. Havia sete dessas avenidas, perfazendo a
cidade setenta e quatro quilômetros de diâmetro, compreendendo o círculo
central. Assim, as atividades comerciais não interferiam na beleza e
conveniência das avenidas.
"O primeiro círculo interior tinha cerca de seis quilômetros de
diâmetro e dentro dele estavam situados os edifícios governamentais de
todo o império. As ruas eram todas belamente pavimentadas e construídas
a uma distância de quarenta e cinco a sessenta centímetros abaixo dos
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edifícios e terrenos adjacentes. Eram irrigadas todas as manhãs e lavadas
com perfeição, antes de começarem as atividades diárias.
"Notai a singular magnificência das avenidas de passeio e beleza
das plantas e das flores, formando tufos de ambos os lados. Um aspecto
muito predominante da arquitetura da cidade consistia em que os últimos
andares de quase todos os edifícios, especialmente residências, eram
construídos com abóbadas ajustáveis. Podiam ser fechadas e abertas à
vontade, porquanto eram construídas em quatro seções, e dispostas de tal
modo que podiam convir tanto para dormir como para fins de
divertimento. Os dias nunca eram excessivamente quentes e à noite o
maravilhoso ar fresco das montanhas vinha tão pontualmente como o
romper do dia".
Entramos no capitólio, enorme estrutura de grande beleza. O
acabamento interior era de mármore creme raiado de verde, sendo o chão
revestido de pedra escura verde-musgo, assemelhando-se ao jade na sua
textura, tudo tão bem ajustado que dava a impressão de ser uma só peça.
Na rotunda viam-se mesas grandes, da mesma espécie das pedras verdes
do chão, porém num tom mais suave. Eram providas de pesados pedestais
de bronze, colocados cerca de um metro a partir de cada extremidade.
Saint Germain estendeu novamente a mão e estávamos entre criaturas
viventes, movendo-se pelas ruas e edifícios.
Fiquei com a respiração suspensa, espantado - pois vi uma raça
inteira de gente de cabelos dourados e bela tez branca rosada. Os homens
tinham de um metro e oitenta e cinco a um metro e noventa de altura e as
mulheres, em média, cerca de um metro e setenta e cinco. Seus olhos
eram do mais belo azul-violeta, muito límpidos e brilhantes, exprimindo
grande e tranqüila inteligência. Atravessamos uma porta à direita e
entramos na sala do trono do imperador. Era, evidentemente, dia de
audiência, pois ele estava recebendo visitas estrangeiras e locais.
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"Este foi o imperador Casimir Poseidon", disse Saint Germain, como
explicação. "Ele era, verdadeiramente, Deus encarnado. Notai-lhe a
bondosa nobreza do semblante e, no entanto, o tremendo poder que tem
dentro de si. Ele era e é um Mestre Ascensionado - abençoado e
imensamente amado. Por muitos séculos, no mito e na fábula, conservouse
dele viva memória, e a perfeição de seu reinado foi descrita em poemas
épicos; mas à medida que o tempo se transfere para a eternidade, a
lembrança de tão grandes feitos desaparece gradualmente e é muitas vezes
esquecida pelas gerações posteriores".
Casimir Poseidon era, sob todos os aspectos, um magnífico
governante. Media um metro e noventa de altura, era bem feito de corpo e
ereto como uma flecha. Quando se punha de pé, sobrepujava a todos os
que lhe ficavam em torno e a própria atmosfera parecia carregada de
Mestria. Seus fartos cabelos dourados pendiam-lhe sobre os ombros. O
manto real era feito de material que parecia veludo de seda cor violeta,
guarnecido de ouro. Sob o manto, uma roupa justa cujo tecido era de ouro
flexível. A coroa consistia numa simples fita, também de ouro, com um
enorme diamante no meio da testa.
"Esse povo", disse Saint Germain, "estava em contato direto com
todas as partes do mundo, por meio de maravilhosa navegação aérea,
produzida para seu uso. Toda Luz, calor e força eram extraídos
diretamente da atmosfera. A Atlântida, durante esse período, achava-se
num maravilhoso estado de progresso, porque tinha sido governada e
guiada no caminho da Perfeição por vários Mestres Ascensionados, que
apareciam de tempos em tempos estimulando a elevação espiritual do
povo.
"Repetidamente, através das idades, quando uma grande civilização
se erguia, é que ela tinha sido fundada, inicialmente, dentro dos Princípios
Espirituais, e mantido obediência a essas Leis da Vida durante o período
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de sua ascendência. Entretanto, toda vez que qualquer governo, ou o
próprio povo, começa a derivar para os caminhos da devassidão, de tal
modo que a injustiça e o mau uso da Vida tornam-se hábitos, quer dos
administradores, quer do povo, a desintegração sobrevém e continua até
que eles, ou voltam às Leis Fundamentais de Equilíbrio e Pureza, ou são
esmagados por sua própria discórdia, para que o Equilíbrio possa ser
restabelecido - e uma Nova Era se inicie.
"Casimir Poseidon era descendente direto dos Poderosos Mestres
Ascensionados Governadores da Atlântida. Em verdade, a civilização sobre
a qual ele imperava, era produto da cultura e da capacidade Atlante. Sua
capital era famosa no mundo inteiro pela magnificência e beleza.
"Observai, nas zonas rurais, o método empregado para transportar
objetos, pois a energia que esse povo utilizava era gerada num instrumento
aparentando uma caixa com sessenta centímetros quadrados e
comprimento de noventa centímetros, ligado ao mecanismo do implemento
em uso. O abastecimento de água dos rios era controlado, sendo também
utilizada sua energia. Não havia necessidade de polícia ou organização
militar de espécie alguma, em virtude do método pelo qual o povo era
relembrado da 'Lei' e do maravilhoso poder sustentador que era irradiado,
tonando-o apto a prestar obediência a Ela".
No lado leste do parque havia um edifício magnificente.
Aproximamo-nos dele. Sobre o portão lia-se: 'Templo Vivo de Deus para o
Homem". Entramos e achamos que parecia muito mais espaçoso por
dentro do que visto por fora. Devia ter tido capacidade para conter, no
mínimo, dez mil pessoas sentadas.
No centro desse imenso templo havia um pedestal com cerca de
sessenta centímetros quadrados e seis metros e meio de altura, feito de
uma substância branca leitosa Auto Luminosa, que desprendia uma Luz
Branca com ligeiro tom rosado. Sobre ele estava um globo de cristal de
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sessenta centímetros de diâmetro, feito de uma Substância que continha
no seu interior uma suave Luz Branca Auto-Luminosa. Essa Luz era muito
suave e no entanto, tão intensamente luminosa que o edifício inteiro era
brilhantemente iluminado.
"Esta esfera", observou Saint Germain, "era feita de Material
Precipitado, encerrando um Intenso Foco de 'Luz'. Foi idealizada e
colocada no templo naquele período por um dos Grandes Mestres
Cósmicos, como atividade sustentadora e dispensadora de Vida para o
povo. Emitia continuamente não só 'Luz', como também Energia e Poder
que estabilizavam suas atividades, bem como do império.
"A esfera de 'Luz' foi focalizada pelo Grande Ser e o edifício erigido,
depois, em volta dela. Era, realmente, um Foco Precipitado, e a Atividade
Concentrada da Suprema 'Presença' de Deus. O Grande Mestre Cósmico
que A estabeleceu aparecia uma vez por mês ao lado da 'Luz' e proclamava
a 'Lei de Deus', a 'Lei do Governo' e a 'Lei do Homem'. Decretava Ele,
assim, O Divino Caminho da Vida e era o Foco da Atividade Crística
para o povo daquela Era".
Saint Germain tornou a estender a mão e os quadros vivos e
sonoros desse Grande Ser passaram diante de nós. É absolutamente
impossível colocar em palavras a Glória dessa "Presença". Só posso dizer
que Ele era, verdadeiramente, o Filho de Deus em Expressão Perfeita. Em
certo momento, ouvi o Grande Mestre Cósmico proclamando "A Lei" ao
povo.
A Lembrança, a Majestade de sua "Presença" e de seu "Decreto"
ficaram gravados em minha memória para a eternidade, tão claramente
permanecem em minha consciência.
Transmito-vos Seu Decreto, tal como ainda perdura diante de mim:
"FILHOS AMADOS DE DEUS UNO E TODO PODEROSO, acaso não
sabeis que a Vida que viveis emana da 'UNA PRESENÇA SUPREMA' -
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Eternamente Pura, Santa e Perfeita? Se alguma coisa fizerdes para
macular a Beleza e a Perfeição dessa Vida Una, apartar-vos-eis das
Dádivas de Deus. Vossa Vida a Jóia Sagrada do Amor de vosso Deus-a
'Fonte' dos Segredos do Universo.
"Vosso Deus vos confia a 'Luz' do Seu próprio Coração. Amai-A!
Adorai-A! Fazei com que Ela se expanda sempre em maior Luz e maior
Glória! Vossa Vida é a 'Pérola de Grande Valor'. Sois os guardiões do
Tesouro de Deus. Vigiai-O, e não O useis senão para Ele somente e sabei
que recebestes a 'Luz da Vida', de cujo uso tereis de prestar contas.
"A Vida é um Círculo contínuo, o Princípio sobre o qual
repousa a construção de vossa cidade. Se criardes aquilo que se
assemelha à vossa 'Fonte' e reconhecerdes Seu Amor e sua Paz dentro de
vós, se usardes vossos Poderes Criadores para derramar bênçãos
somente, então, enquanto vos moverdes em volta de vosso círculo de
existência, conhecereis a Alegria da Vida e a Ela será acrescentada Maior
Alegria. Se vossas criações não forem puras como na 'Origem',
vossos males voltarão a vós, acrescidos de outros da mesma espécie.
"Vós, somente escolheis vosso destino e vós, somente
respondereis perante Deus pelo uso que fizeste da 'Vida' - de vosso Ser.
Ninguém pode escapar à Grande Lei. Por longo tempo proclamei esta 'Lei
da Vida'. A Lei de 'Vós Mesmos', sois dentro de vós, porque podeis sempre
vos aproximar de vosso Deus, se desejais Perfeição de Vida.
"Nem sempre virei, como agora, deter vossos transviados passos
sobre o Caminho da Verdade, nem para vos fazer lembrar a vossa Luz
Eterna, colocada no píncaro de um monte para vos guiar. Em um dia
distante, falarei dentro do Coração do homem e se amardes a Vida, vireis
até Mim, morando em muitos seres. Que isto não produza confusão em
vós, meus filhos. Se quiserdes Me conhecer - 'A Luz' - tereis de procurar-
Me, achar-Me, e tendo Me achado permanecereis Comigo PARA SEMPRE!
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Nesse dia, a Trindade 'Pai-Mãe-Filho' será 'Una' no coração do
homem. O Filho é, eternamente, a Porta - o Caminho para Deus. Em vossa
mente e em vosso coração está a 'Minha Luz' para vos fazer lembrar,
permanentemente, 'Minha Presença', porque no futuro estarei presente só
'Nessa Luz'.
"Então, serei a Sabedoria em vossa mente para governar o Amor em
vosso coração, para que possais ser impregnados com a Paz da Vida Una -
Deus. Vosso corpo é tão somente o instrumento de vossa Alma e dentro de
vossa Alma deve fluir 'Minha Luz', do contrário perecereis.
"Minha Luz, em vossa mente, é 'O Caminho' que leva ao Coração da
Luz Total. Unicamente pela Minha Luz em vós podeis expandir a Luz em
cada célula de vosso Ser, tornando-O cada vez maior. Em vossa garganta
está a Minha Luz, que é vosso poder de falar Minhas Palavras. Por meio
delas, Eu sempre ilumino, protejo e aperfeiçôo meus filhos. Palavras que
não realizam esta tríplice missão, não são MINHAS PALAVRAS, e só podem
acarretar infortúnio quando proferidas.
"Meditai sobre Minha Luz em vossa mente, em vosso coração, e
vereis dentro de todas as coisas, conhecereis todas as coisas e fareis todas
as coisas. Então, aquilo que não vem de Mim, jamais poderá confundirvos.
"Pronuncio agora estas palavras para que sejam gravadas em
tabuinhas de barro e na memória dos adeptos. No dia longínquo a que me
refiro, um dos filhos de Deus receberá estas minhas palavras e as
transmitirá para bênção do mundo.
"Nessa época, quando tiverdes recebido plenamente 'Minha
Presença', deixando-A atuar sempre em vossa Vida e em vosso mundo,
vereis as células do corpo, que então ocupardes, tornarem-se brilhantes
com a 'Minha Luz' e verificareis que podeis continuar dentro desse 'Eterno
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Corpo de Luz' - a Túnica Inconsútil do Cristo. Então, e só então, ficareis
livres da roda das reencarnações. Tendo percorrido vossa longa jornada
através da experiência humana e cumprido a Lei de Causa e Efeito,
transcendereis todas as condições regidas pela Lei e vos convertereis, vós
mesmos, na 'Lei' - Todo Amor, 'O Uno'.
"Assim é o Eterno, o Ascensionado Corpo do Cristo", disse Saint
Germain, voltando-se para mim, "no qual se está apto a empunhar o cetro
do Domínio e ser Livre. Meu filho, mesmo agora podeis ascensionar na 'Luz
do Uno', porque a Luz está em vossa mente, a Luz está em vosso coração e
se n'Ela firmemente vos conservardes, podereis elevar vosso corpo físico -
da limitação para o vosso 'Puro e Eterno Corpo de Luz', eternamente
jovem e livre, transcendendo tempo, lugar e espaço.
"Vosso Glorioso Próprio Eu está sempre à vossa espera. Penetrai na
Sua Luz, recebei Paz Eterna e repouso – em ação. Ele não precisa
preparação. Ele tem Todo o Poder. Vinde plenamente ao abraço de vossa
'Própria-Luz' e neste momento, hoje mesmo, vosso corpo atual pode se
tornar Ascensionado".
Quando acabou de falar, as imagens extinguiram-se. Prosseguimos
até uma curta distância e paramos num lugar onde havia uma grande laje
estendida no chão. Tendo Saint Germain focalizado seu poder sobre ela, a
pedra elevou-se da terra e deslocou-se para o lado, descobrindo uma
abertura com degraus que conduziam para baixo. Descemos cerca de doze
metros e chegamos a uma porta lacrada. Ele passou ligeiramente a mão
sobre a porta, que se deslacrou revelando certos hieróglifos. "Centralizai
vossa atenção neste escrito", instruiu.
Assim o fiz e pude ler as palavras: "TEMPLO VIVO DE DEUS PARA
O HOMEM". - sobressaindo claramente na porta, frente a mim. Lá estava,
então, a mesma porta física que acabáramos de ver momentos antes, nos
quadros vivos.
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A porta se abriu e entramos numa sala, sob um dos pequenos
domos construídos em cada canto. Neste havia um grande número de
caixas de metal, com cerca de sessenta centímetros de comprimento, trinta
e cinco de largura e quinze de profundidade. Saint Germain abriu uma e
eu vi que elas continham folhas de ouro, nas quais foram escritos com
estilete os anais dessa civilização.
Calculei que devia haver salas lacradas e preservadas embaixo de
cada um dos quatro pequenos domos, e que o grande domo central fora
construído por sobre a "Esfera de Luz". Encontramos uma passagem
secreta ligando as quatro pequenas salas, passamos para a segunda
destas e vimos os vasos cheios de jóias pertencentes ao templo.
A terceira sala continha ornamentos de ouro e pedras preciosas, o
trono e outras cadeiras de ouro. A cadeira do trono era um magnífico
exemplar de esplêndida arte de ourivesaria. O recosto tinha o feitio de
concha formando um dossel sobre a cabeça do regente, e dos lados
pendiam franjas constituídas de finos elos de ouro, formando cada uma a
figura de um oito. Essas franjas estavam presas ao encosto, produzindo
um efeito delicado e extremamente gracioso.
No centro da sala havia uma mesa de mais ou menos quatro
metros de comprimento por um metro e vinte de largura, feita de jade
legítimo, descansando num pedestal de bronze dourado. Perto se viam
quatorze cadeiras, também de jade, com pés revestidos de ouro, assentos
recurvados e espaldar lindamente esculpido. No alto do espaldar de cada
uma, como que montando guarda, encontrava-se uma linda fênix de ouro,
com olhos de diamantes amarelos. A figura dessa ave simbolizava a
imortalidade da Alma e o Perfeito Ser Divino em que todo o indivíduo se
torna à medida que se eleva das cinzas de sua criação humana, através do
fogo do sofrimento.
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A quarta sala continha sete diferentes tipos de caixas (de potência,
como lhes chamei, porque recebiam e transmitiam energia extraída do
Universal para iluminação, aquecimento e força propulsora. Os registros
mostravam que esses povos estiveram em contato com todas as partes do
mundo, por meio de maravilhosas aeronaves. Em seguida a essa
civilização veio uma conhecida como Pirua; depois dessa veio a Inca,
estendendo-se ambas por um período de milhares de anos.
Pouco antes de ser soterrada a cidade que acabo de descrever,
havia ela alcançado o pináculo da glória e o Grande Mestre Cósmico, que
atraíra a Luz mediante a qual ela se desenvolveu e manteve, apareceu no
império pela última vez. Chegou para dar aviso de um desastre eminente, e
teria salvo seus habitantes se estes lhe houvessem dado atenção.
Ele profetizou o cataclismo que varreu o império para o
esquecimento, antes que cinco anos tivessem transcorrido, e anunciou que
seria este o seu último aparecimento entre eles. Os que desejaram
salvar-se, receberam instrução para abandonar essa parte do país, sendo
dirigidos para onde deveriam ir, com a advertência de que a atividade final
seria súbita e completa.
Quando acabou de fazer a profecia, seu corpo se extinguiu
rapidamente e, para consternação do povo, o pedestal e o globo de cristal
contendo a Luz Eterna desapareceram com ele. Durante algum tempo,
ficou a população perturbada com a previsão dos acontecimentos que lhe
afetava o império, mas, passado um ano e como coisa alguma ocorresse, a
memória de Sua Presença tornou-se nublada e a dúvida começou a
insinuar-se quanto à realização de suas predições.
O imperador e os espiritualmente mais adiantados deixaram o
império e chegaram a um certo lugar na parte oeste dos Estados Unidos,
onde permaneceram em segurança até operar-se a transformação.
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A grande massa do povo que ficou tornou-se cada vez mais céptica
e dois anos depois, um dentre eles, mais agressivo que os outros, tentou
estabelecer-se como imperante. Ao deixar o império, o verdadeiro
imperador selara tanto o palácio como o templo, no qual a "Luz" tinha sido
mantida.
O pretenso imperador, tentou forçar a entrada do templo selado e
caiu sem vida à sua porta.
Ao aproximar-se o fim do quinto ano, ao meio-dia da data fatídica,
o Sol escureceu e um pavor imenso tomou conta da própria atmosfera. Ao
anoitecer, medonhos terremotos sacudiram o solo e demoliram os edifícios,
num caos inacreditável.
A terra, que é hoje a América do Sul, perdeu o equilíbrio e rolou
para leste, submergindo de quarenta e oito metros toda a costa oriental.
Assim permaneceu por muitos anos; depois se foi endireitando
gradualmente, até chegar a dezoito metros da sua posição original, posição
esta em que até hoje se conserva.
Esta atividade causou o alargamento do Amazonas. Anteriormente
o rio tinha cerca de vinte e nove quilômetros de largura, era mais fundo do
que é hoje, e navegável de um extremo a outro. Fluía de onde é agora o
Lago Titicaca, no Peru, para o Oceano Atlântico. Antes disso, havia um
canal construído do Pacífico ao Lago Titicaca, e essa ligação com o
Amazonas formava uma perfeita via fluvial entre os dois oceanos.
O nome do continente, nessa época, era Meru, tendo-lhe sido dado
o nome de um Grande Mestre Cósmico, cujo principal centro de atividade
era e é no Lago Titicaca. O significado do nome Amazonas é "destruidor de
barcos", que se conservou pelos séculos a fora desde o período do
cataclismo acima referido.
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O deslocamento de todo o continente Sul Americano explica muitas
condições de sua costa ocidental que os geólogos e cientistas não têm sido
capazes de explicar, com os dados descobertos até agora.
Assim, os grandes cataclismos da Natureza fazem correr a cortina
cósmica sobre civilizações de magníficos empreendimentos, e apenas
fragmentos destas vêm à luz, à proporção que o tempo caminha para a
eternidade. Esta Verdade pode ser posta em dúvida pelo mundo exterior,
mas os anais dessa civilização - que agora repousam no Royal Teton -
serão um dia a prova disso, revelarão sua existência como também os
feitos dessa era remota.
Enquanto presenciava essas tremendas atividades, admirava-me de
como uma civilização pôde ter criado tanta maravilha, beleza e perfeição
por toda parte, para depois se arrasar pela terrível ação destruidora de um
cataclismo. Saint Germain viu a pergunta em minha mente e prontificouse
a dar a explicação seguinte:
"Como vedes, quando um núcleo da humanidade é bastante
afortunado para cair sob a instrução e Radiação de um Grande Mestre de
Luz, tal como esse Grande Ser Cósmico, uma oportunidade lhe é dada de
ver o que o Plano da Vida é para a humanidade, bem como a Perfeição que
lhe cabe produzir, por seu próprio esforço consciente, para nela viver.
Infelizmente, porém, e isso tem acontecido pelos séculos a fora, os povos
não procuram compreender a Vida, deixando-se cair em estado de letargia.
Não exercem o necessário esforço requerido para realizar essas coisas pelo
poder de Deus dentro do indivíduo. Começam a se encostar no Único
Dispensador de Radiação. O poder sustentador só é retirado quando o
indivíduo cessa de fazer esforço consciente para compreender a Vida e de
trabalhar espontaneamente, em harmoniosa cooperação com Ela.
"Raramente compreendem que a maior parte dos benefícios que
recebem é o resultado do poder sustentador do Único Dispensador de
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Radiação. Se a um determinado grupo de almas é ensinado o Caminho da
Mestria e se, vida após vida, e se lhes faz relembrar sua Herança Divina,
chega a hora em que a assistência não é mais permitida. É então que a
Irradiação dos Mestres Ascensionados é retirada e aquelas almas são
obrigadas a encarar o fato de que o poder sustentador e realizador não era
devido ao seu esforço individual. "Devem entender que só podem
receber aquilo pelo que trabalham e se esforçam. Em tal atividade, os
reveses experimentados obrigam-nas, através de um esforço consciente, a
voltar-se para a Divindade dentro de si e, quando isso se dá, a expansão e
o Domínio de Deus começam a se expressar.
"Não há malogro para quem quer que persista em esforçar-se
conscientemente, a fim de expressar Domínio do Divino sobre o humano,
porque o fracasso sobrevem apenas quando cessa o esforço consciente.
Toda experiência por que passa o indivíduo acontece com o único
propósito de torná-lo cônscio de sua 'Fonte', de sua Origem. Ele deve
aprender quem é, reconhecer-se como um Criador e, como tal, Mestre
daquilo que cria.
"Em toda parte, no Universo inteiro, toda vez que o poder de criar é
concedido a um Ser, a responsabilidade de criar é sempre coexistente com
o poder. Toda criação se efetua através do esforço Auto-Consciente e se o
indivíduo, que recebe essa Grande Dádiva da Vida, recusa-se a assumir a
responsabilidade que lhe compete e a cumprir o seu dever, suas
experiências na Vida hão de fustigá-lo com infortúnios até que ele assim
proceda, porque a humanidade não foi, de modo algum, criada para a
limitação e assim não pode descansar enquanto a Perfeição, com que foi
dotada no princípio, não for Plenamente manifestada. Perfeição, Domínio,
Uso Harmonioso e Controle de Toda Substância e Força, constituem o
'Caminho da Vida' - o Plano Original Divino para a Humanidade.
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"Deus dentro do indivíduo é essa Perfeição e Domínio. É essa
'Presença' dentro do coração de cada um que é a Fonte da Vida - o Doador
de tudo o que é bom e perfeito. Quando o indivíduo volta as vistas para
sua Fonte e a reconhece como a Emanação de Todo o Bem, nesse
momento desvia, automaticamente, o fluxo de todas as Boas Coisas para
si e seu mundo, porque sua atenção, dirigida à sua própria 'Fonte', é a
Chave de Ouro que lhe abre as portas de tudo o que é bom.
"A Vida, em cada pessoa, é Deus, e só pelo esforço Auto-Consciente
para compreender a Vida e expressar a plenitude do bem através de si
mesmo, o indivíduo pode fazer cessar a discórdia na experiência externa. A
Vida, o Indivíduo e a Lei são 'Um' e será assim por toda a Eternidade.
"Vinde", continuou Saint Germain, "iremos a uma cidade
subterrânea perto do rio Juruá".
Dirigimo-nos para oeste e em pouco tempo chegamos a uma
pequena elevação. Saint Germain estendeu a mão e de novo vivificou os
Anais Etéricos desse povo. O lugar que observávamos era a segunda
cidade em importância no império.
A outra, de onde tínhamos acabado de chegar, era o foco do poder e
da atividade espiritual, enquanto que esta, que víamos agora, era a sede
das operações comerciais e governamentais, ligadas ao bem-estar material
da população. Aí se localizavam: o tesouro nacional, a casa da moeda e as
atividades governamentais, experimentais de ciência e pesquisa.
Não muito distante dessa cidade, elevavam-se os Majestosos Andes,
fonte da imensa riqueza mineral do império. Notei uma coisa, nesse povo,
que me pareceu a mais extraordinária: todos estavam completamente em
paz e plenamente contentes; expressavam ritmo calmo e incomum quando
se movimentavam. Os quadros terminaram e nós prosseguimos para o
único ponto rochoso visível.
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Saint Germain tocou uma das rochas. Ela se deslocou para o lado e
vimos um lance de vinte degraus de metal, escada a baixo. Descemos e
chegamos a uma porta metálica. Atravessamos, descemos mais vinte
degraus e nos encontramos diante de uma porta de bronze selada, maciça.
Saint Germain encaminhou-se para a direita e desselou uma abertura
quadrada na qual havia chaves metálicas, como as de um órgão. Apertou
duas dessas; a grande massa se moveu vagarosamente e nós nos achamos
numa sala imensa, onde tudo permanecia como naqueles tempos remotos.
Fora usada como sala de mostruário de invenções, a que o público tinha
acesso. Todas as instalações eram feitas de metal combinado com o que
parecia ser vidro opalescente.
"Isso", disse Saint Germain, "era obtido por um processo de fusão,
combinando certos metais com vidro, de tal modo que tornava o metal
forte como aço e imperecível. Um homem dos tempos modernos chegou
quase à descoberta do mesmo processo, porque ele tinha todos os
elementos menos um, aquele que o tornaria imperecível".
"Toda a sala era revestida com a mesma substância estranha, e três
portas maciças davam passagem para fora. Saint Germain dirigiu-se a
uma caixa de botões-chaves, apertou três deles e todas as portas se
abriram ao mesmo tempo. Atravessamos a primeira e encontramos uma
passagem longa e estreita, mais parecendo catacumba do que sala. Estava
guarnecida de vasos cheios de discos de ouro, mais ou menos do tamanho
de um dólar de prata, gravados com a cabeça do imperador e contendo a
inscrição: "A Bênção de Deus para o Homem".
Transpondo a segunda porta, achamos vasos similares, cheios de
pedras preciosas não lapidadas, de todas as espécies. Na terceira sala, os
vasos eram chatos e continham lâminas de ouro delgadas, nas quais
estavam gravadas as fórmulas e os processos secretos usados nesse
período.
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"Entre estes", disse Saint Germain, "estão muitas fórmulas e
processos que não foram empregados naquele tempo remoto. Serão postos
em uso na época atual". Ele voltou para a caixa de botões-chaves e
apertou um outro botão. Abriu-se uma quarta porta que eu não notara
antes. Esta conduzia a um túnel abobadado ou passagem, ligando o
tesouro à casa da moeda. Devia ter, no mínimo, quatrocentos metros de
comprimento; chegados ao extremo oposto, entramos numa sala enorme.
Era a parte principal da casa da moeda e estava repleta de
máquinas de construção admirável. Entre muitas coisas, vi aparelhos para
gravar ouro, para cortar e polir pedras preciosas. Eram simplesmente
fascinantes, tão perfeito se apresentava o modo de operar. A essa altura
Saint Germain mostrou-me uma espécie de vidro maleável, claro como
cristal.
Havia nessa sala grande quantidade de pepitas de ouro nativo, ouro
em pó e em lingotes, pesando entre três e quatro quilos cada um. Fiquei
estupefato diante de tanta riqueza junta e Saint Germain, sabendo como
eu me sentia, explicou:
É absolutamente impossível liberar para a massa da humanidade a
fabulosa riqueza que vedes diante de vós, porque o egoísmo que ora
impera no mundo comercial tornaria o cúmulo da loucura deixar a
humanidade desperdiçar mais dons da Natureza do que já desperdiça.
"Deus e a Natureza distribuem prodigamente sua riqueza sobre a
Terra, para uso e felicidades das Almas que aqui se encarnam, mas o
egoísmo e a ambição do poder dentro dos sentimentos do ser humano
fazem-no esquecer o 'Mais Elevado Caminho da Vida' e causam a
'desumanidade do homem para com o homem'.
"Os poucos que se erguem a fim de governar as massas, deviam ter
inteligência para saber que, o que beneficia a massa, beneficia ainda mais



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