Mistérios Desvelados Ensinamentos do Mestre Saint Germain - parte 2


Encerrado este incidente, a cena de esplendor desvaneceu-se e nós
nos encontramos de novo entre as ruínas do templo. Saint Germain fez-me
outras revelações, que não podem ser aqui relatadas.
“Há um único meio”, prosseguiu, “de evitar a roda cósmica de
causa e efeito — a necessidade da reencarnação — e isto é obtido
através do esforço consciente para compreender e a Lei da Vida. Deve-se
procurar ardentemente o Deus Interno, estabelecer contato permanente e
consciente com esse ”Eu Interior” e mantê-lo firmemente, sejam quais
forem as condições que se apresentem na vida exterior. Terei o prazer e o
privilégio de vos mostrar algo mais, mas só pela instrução que vos
trará e a outrem. Vinde! Devemos voltar agora”.
Ao nos aproximarmos do meu corpo, ele instruiu novamente:
“Observai desaparecer o Círculo de Chama Branca”! Olhei.
O Círculo desapareceu. Um momento depois, eu estava de volta, em
meu corpo. O Sol declinava, e eu sabia que seria quase meia-noite quando
chegássemos em casa.
“Ponde o braço em meu ombro”, disse Saint Germain, “e fechai os
olhos”. Senti meu corpo levantar-se do solo, mas não tive consciência de
me mover para a frente. Imediatamente meus pés tocaram o chão e
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abrindo os olhos encontrei-me no chalé. Saint Germain divertiu-se
bastante quando lhe perguntei como nos fora possível voltar de tal
maneira, sem atrair a atenção das pessoas que nos rodeavam. Respondeu:
Muitas vezes, nos rodeamos de um manto de invisibilidade, quando
nos movemos entre as pessoas que atuam no plano físico “. E
desapareceu.
Eu tinha ouvido falar dos Grandes Mestres Ascensionados, que
podiam levar consigo o próprio corpo onde quer que fossem, e manifestar
ou trazer à visibilidade qualquer coisa que desejassem atrair diretamente
do Universo. Entretanto, experimentar contato real com um deles era coisa
muito diferente, e tentei compreender integralmente a maravilha da
experiência. Para Saint Germain, tratava-se, evidentemente, da mais trivial
ocorrência.
Permaneci em contemplação silenciosa durante longo tempo, em
profunda, profundíssima gratidão, procurando entender e assimilar
completamente sua explanação da “Lei” relativa ao desejo. Ele enfatizou a
importância e a atividade dela como uma força motriz do Universo, para
levar avante novas idéias, forçando uma expansão de consciência a
assumir posição no âmago da Vida de todo indivíduo. Tinha-o explicado,
dizendo:
“O Desejo Construtivo é a atividade expansível dentro da Vida,
porque é só desse modo que idéias sempre maiores, atividade e
realização são impelidas a se expressar no mundo externo da
substância e da forma. Dentro de cada Reto Desejo está o poder de sua
própria realização. O homem é Filho de Deus. Ele é comandado pelo Pai a
escolher como deve dirigir a energia da Vida, e que qualidade deseja para
expressar o cumprimento do mandato de Deus através de seu desejo
manifestado. Isto ele deve fazer, porque o livre arbítrio é seu direito inato”.
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É função da atividade exterior do intelecto guiar toda expansão
para dentro de canais construtivos. Este é o desígnio e o dever do eu
exterior. Permitir que a Grande Vida ou Energia de Deus seja usada
apenas para satisfação dos sentidos — hábito da grande massa da
humanidade — é o que constituí seu emprego destrutivo, que é sempre
seguido, sem exceção alguma, de desarmonia, fraqueza, fracasso e
destruição.
“O emprego construtivo do desejo é a direção consciente dessa
Ilimitada Energia Divina pela Sabedoria. Todo desejo, dirigido pela
Sabedoria, leva consigo uma espécie de bênção para o resto da Criação.
Todo desejo dirigido pelo Deus Interno, brota com sentimento de Amor e
abençoa sempre”.
Ocupei os dias que se seguiram escrevendo este registro de minhas
experiências. Certa manhã encontrei, ao despertar, um cartão de ouro
sobre a mesa que ficava junto ao meu leito. Pareceu-me ser uma peça de
ouro metálico e nela, em bonita caligrafia sombreada num belo tom de cor
violeta, estava escrita apenas uma curta frase:
“Comparecei ao nosso ponto de encontro na montanha às sete da
manhã”, assinado, “SAINT GERMAIN”.
Pus de parte o cartão, cuidadosamente, e mal pude esperar que se
escoasse o tempo intermediário, tão grande era minha ansiedade. De
manhã cedo enquanto preparava o almoço, veio-me um nítido impulso
para nada levar comigo. Obedeci e decidi confiar em que minhas
necessidades seriam supridas diretamente do Suprimento Universal.
Em breve estava a caminho, alegremente, resolvido a não deixar
escapar nenhuma oportunidade para fazer perguntas, se permitido fosse.
A proporção que me aproximava do lugar marcado, meu corpo se tornava
cada vez mais leve, até que, quando me encontrava a quatrocentos metros,
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mal tocava o chão com os pés. Não vi sinal de pessoa alguma, de modo que
me sentei num troco de árvore para esperar Saint Germain, sem cansaço
algum, conquanto meu percurso tivesse sido de quase dezesseis
quilômetros.
Enquanto eu meditava no maravilhoso privilégio e na bênção que
recebera, ouvi estalar um ramo e olhei em torno, esperando vê-lo. Imaginai
minha surpresa quando, a uma distância pouco mais de um metro, vi uma
pantera aproximando-se lentamente... Eu devia estar com os cabelos
arrepiados.
Queria correr, gritar — fazer qualquer coisa — tão frenético era o
sentimento de medo dentro de mim. Teria sido inútil mover-me, pois um
salto da pantera ter-me-ia sido fatal.
Meu cérebro rodopiava, tão grande era meu pavor, mas uma idéia
me veio claramente, que manteve serena minha atenção: lembrei-me de
que tinha a Poderosa “Presença de Deus” dentro de mim mesmo, e que
essa “Presença” era toda Amor. Esse belo animal era também uma parte
da Vida de Deus e me dispus a olhar para ele, diretamente dentro dos
olhos. Então me veio o pensamento de que uma parte de Deus não poderia
prejudicar outra. Só tive consciência desse fato.
Um sentimento de Amor me arrebatou e saiu como um Raio de Luz
diretamente à pantera: com ele foi-se o meu medo. Os passos furtivos
cessaram e encaminhei-me lentamente para o animal, sentindo que o
Amor de Deus nos enchia a ambos. O repulsivo olhar feroz dos seus olhos
suavizou-se, o animal endireitou-se e veio vagarosamente ao meu
encontro, esfregando a espádua contra minha perna. Inclinei-me e afaguei
sua cabeça macia. Olhou-me nos olhos por um momento e depois deitouse,
rolando no chão como um gatinho brincalhão.
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O pelo era de um belo castanho escuro avermelhado, o corpo
longo, flexível e de grande vigor. Continuei a brincar com ela e quando
olhei subitamente para cima, Saint Germain estava a meu lado.
“Meu filho”, disse, vi a grande força que há dentro de vós, de outro
modo eu não teria permitido tamanha prova. Conquistastes o medo.
Minhas felicitações! Se não tivésseis conquistado o eu-exterior, não
permitiria que a pantera vos causasse mal, mas nossa associação seria
interrompida por algum tempo.
“Nada tenho a ver com a presença da pantera aqui. Isto fazia parte
da operação Interna da Grande Lei, como vereis antes de cessar a ligação
com a vossa nova amiga, que encontrastes. Agora que passastes pela
prova da coragem, ser-me-á possível prestar-vos muito maior assistência.
Tornar-vos-eis cada dia mais forte, mais feliz, e expressareis muito maior
liberdade”.
Estendeu a mão e num momento apareceram quatro pequenos
bolos, de um belo pardo dourado, com cerca de doze centímetros
quadrados cada um. Ele ofereceu-me e ordenou que os comesse. Eram
deliciosos.
Imediatamente experimentei uma sensação aceleradora,
formigante, percorrer todo o meu corpo — sensação nova de saúde e de
clareza mental.
Saint Germain sentou-se a meu lado e minha instrução começou.
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Capítulo II
O DESERTO DO SAHARA
“Em vez de sairdes do corpo físico, como em vossa recente
experiência, empregaremos hoje a Consciência Projetada", observou Saint
Germain, enquanto colocava o polegar da mão direita entre meus olhos e
os outros dedos no alto de minha cabeça. A sensação de uma poderosa
corrente elétrica percorreu todo o meu corpo. Retirando a mão, continuou:
“Desejo que tenhais em mente, com firmeza, relembrando
sempre para meditação, que as Leis que vos explico e ensino a utilizar são
para vos por em condições de exercer Mestria Consciente sobre todas as
forças e coisas terrenas. Isto significa que, sejam quais forem as vossas
experiências, estareis sempre, em todos os momentos, de posse plena e
consciente de vossa mente e de vosso corpo, sendo-vos possível empregar
vossa livre vontade a todo tempo.
“Nesse estado de Consciência Projetada, sois completamente
conscientes e tendes plena Mestria sobre todas as vossas faculdades, a
todo instante. Não há nada de comum entre qualquer dessas instruções e
seu uso - e os estados de transe ou condição hipnótica, porque tanto no
transe como no hipnotismo a Vontade Consciente do indivíduo não
funciona, o que constitui prática das mais perigosas e desastrosas para
aquele que a permite em sua mente e em seu corpo.
“Não há Mestria ou Domínio Consciente no transe ou nas
práticas hipnóticas, que são extremamente destrutivas e perigosas para o
Crescimento da Alma de quem as permite. Deveis compreender
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integralmente que o Controle Consciente, a Mestria e o uso das forças e
coisas desta Terra devem estar sempre sujeitos à direção do vosso Ser
Divino ou Deus Interno, por meio da perfeita cooperação e da obediência
de todas as faculdades externas, tanto da mente como do corpo, a essa
Direção Interior.
“Não há Mestria sem isso e aqueles que são conhecidos como
Mestres Ascensionados nunca, nunca obrigam qualquer atividade que
possa desrespeitar a Lei do livre arbítrio dado por Deus ao indivíduo.
“Ao estudante poderá ser facultada a experiência da Projeção,
se um Mestre Ascensionado desejar expandir-lhe temporariamente a
consciência, de modo que possa compartilhar de acontecimentos que se
verifiquem em dois ou mais lugares ao mesmo tempo. Em tal estado, as
faculdades do discípulo permanecem totalmente sob o domínio e a direção
de sua livre vontade, em qualquer momento. Mantém-se integralmente
consciente e ativo aonde quer que esteja seu corpo, e também no local que
o Mestre Ascensionado escolheu para dirigir sua atenção, a fim de receber
ensinamentos.
“A razão pela qual um Mestre Ascensionado eleva
temporariamente a consciência do estudante, consiste em querer mostrarlhe
de que modo poderá ele fazer a mesma coisa por si mesmo, por seu
próprio esforço, conscientemente e a vontade.
“Consciência Projetada consiste no aumento do grau de
vibração da estrutura atômica, tanto na mente como no corpo do
estudante. Isto é feito pela radiação de um Mestre Ascensionado e é uma
atividade da 'Luz' que aumenta a freqüência de vibração até a nota tônica
que Ele estabelece para a experiência. Nos graus mais elevados, o
discípulo usa suas faculdades de visão e de audição exatamente como o
faz na vida diária, com a diferença de que tais faculdades se acham
expandidas na zona ou oitava imediatamente acima da humana.
“Tal uso de nossos sentidos é o mesmo que experimentamos a
cada momento no estado de vigília, porque podemos tornar-nos
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conscientes, exatamente no mesmo instante, do que está perto ou do que
está longe de nós. A expansão ou a contração da nossa consciência é
inteiramente dependente daquilo que o indivíduo deseja. Isso está sempre
sujeito ao livre arbítrio e à direção consciente do estudante.
“Pode alguém, por sua própria escolha, tornar-se consciente de
uma certa árvore de seu jardim, ou do jardim inteiro. Este alguém
emprega a mesma faculdade de visão para ver um e outro, exatamente do
mesmo modo. Quando deseja ver todo o jardim, faz com que seus olhos
ampliem sua atividade, até perceber tudo o que deseja. A expansão maior
abrange a menor, de modo que deveis ter consciência do pleno controle de
todas as vossas faculdades em ambos os lugares a um mesmo tempo. A
atividade que tem lugar é realmente uma ampliação do campo de força no
qual atua a vista.
“O emprego de vossa faculdade de visão, nessa projeção ou
expansão da consciência, é realizado pelo aumento de freqüência
vibratória no nervo ótico. O processo inteiro corresponde ao que sucede
quando se emprega um binóculo.
“Na vida quotidiana, a consciência humana foi acostumada a
usar suas faculdades dentro de certas zonas ou campos de força, e a prova
disso é que podeis ouvir a voz de uma pessoa que está fisicamente
presente no aposento em que estiverdes, e o som da campainha do telefone
em qualquer outra parte da casa, precisamente no mesmo instante. Todas
as faculdades da atividade externa são elásticas. Podem ser empregadas
quer como microscópio, quer como telescópio, dependendo inteiramente do
desejo e da vontade do indivíduo.
“Se alguém pode ter consciência do som no aposento em que
estiver seu corpo físico e perceber, ao mesmo tempo, um som que se
verifique dois ou três aposentos mais longe - exatamente pelo mesmo
processo, numa expansão ainda mais acentuada dessa faculdade, poderá
ouvir a uma distância maior. Para conseguir isso, deverá aumentar a
freqüência das vibrações, até alcançar a zona mais distante.
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“Quando contemplais essa Grande Atividade Divina Interior,
não vedes como perfeita e rapidamente os sentidos externos mergulham no
Íntimo, e o que eram dois torna-se Um?
“Essa atividade da consciência pode ser aplicada a todos os
outros sentidos, aos da visão como da audição. Tal processo de aumento
das vibrações é natural, normal e harmônico - tão simples como a
sintonização dos nossos rádios com qualquer onda desejada. As ondas
hertzianas, bem como as da visão e da audição, são partes da mesma
atividade. O som contém cor e a cor contém som. Nas experiências da vida
diária, os seres humanos podem ouvir cor e ver som, desde que
mantenham suficientemente aquietados, sua mente e suas emoções.
“Dentro de certas oitavas ou zonas, a vibração se registra nos
nervos dos olhos e o resultado é aquilo a que chamamos visão. Outras se
registram nos nervos dos ouvidos e o resultado é o que chamamos
audição. Os olhos de uma pessoa comum vêem apenas os objetos cuja
freqüência vibratória cai dentro dessas determinadas oitavas: isto porque
não consegue ver abaixo da raia ou zona infra-vermelha, ou acima da
ultra-violeta. Pela Radiação de um Mestre Ascensionado, a estrutura
atômica do cérebro e dos olhos vibra com velocidade bastante para se
expandir na oitava imediatamente acima da humana.
“Essa mesma atividade pode ser expandida muitas oitavas
além, quer pela Irradiação do Mestre, quer por determinação do Ser Divino
Interno do individuo. Muitas pessoas passam, na verdade, por tais
experiências involuntariamente, mas raramente compreendem o que
significam ou como ocorrem. Quando indivíduos têm momentos de
Consciência Transcendente, ou se sentem altamente inspirados, é isso o
que lhes sucede, embora raras vezes reconheçam a assistência que lhes
tem sido dada.
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“A Consciência Projetada ou Visão Projetada nada tem a ver,
absolutamente, com os quadros mentais produzidos por sugestões que só
existem nas mentes de outros seres humanos. Tais pensamentos e
quadros são apenas relampejados diretamente para dentro da mente de
alguma pessoa, por outra que emite a sugestão. É o mesmo que acontece
quando se faz refletir a imagem do Sol num espelho, desviando-a em
seguida sobre a parede.
“A sugestão é tão diferente da Consciência Projetada, como
pensar num lugar e estar fisicamente nesse lugar. A projeção é vívida,
animada, real como quando vosso corpo físico realiza uma experiência,
porque é a ação do vosso Próprio Deus Interno, com quem o Mestre
Ascensionado é UM — O Supremo”.
Saint Germain e eu nos tornamos, então, observadores e atores de
uma cena do passado distante. Novamente, eu me sentia exteriormente
consciente de compartilhar de acontecimentos que me eram mostrados em
pensamento, sensação e ação. O processo inteiro era tão natural e normal
como o respirar e a única sensação estranha que eu experimentava era o
sentimento de maior liberdade e uma impressão de domínio. Ficamos
ambos imóveis por alguns momentos, enquanto Ele reanimava os Anais
Etéricos e minha instrução começou:
“Isto é o Deserto do Sahara”, disse, “quando era uma região
fértil e desfrutava um clima semi-tropical”.
Havia numerosas correntes de água levando abundante umidade a
todas as partes do país. No meio desse império estava a capital, famosa no
mundo inteiro por seu esplendor. Os edifícios do governo eram situados no
centro, numa ligeira elevação, e daí a própria cidade se estendia
simetricamente em todas as direções.
“Esta civilização”, prosseguiu, “atingiu seu apogeu há setenta
mil anos”.
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Entramos na cidade e sentimos uma atividade rítmica singular,
que dava estranha sensação de leveza enquanto caminhávamos. O povo
movia-se com grande graça e agilidade. Perguntei a Saint Germain a razão
disso e Ele respondeu:
“Essas pessoas se lembravam da sua Fonte e sabiam serem
Filhos de Deus, portanto, possuidores e operadores de poder e sabedoria,
que para vós poderiam parecer milagrosos e sobre-humanos.
Verdadeiramente falando, não há tais coisas como milagres, porque tudo
está de acordo com a Lei, e aquilo que parece miraculoso ao atual conceito
humano, é apenas o resultado da aplicação de leis a que a presente
consciência da humanidade não consegue captar, parecendo-lhe, portanto,
estranho e singular, por ter-se afastado de suas origens divinas.
“Quando a Realidade da Vida é corretamente compreendida,
toda a manifestação que parece milagrosa à vossa consciência atual passa
a ser uma experiência tão natural e normal como a formação de palavras
para quem conhece o alfabeto.
“Os chamados milagres são todos produtos de uma sempre
expansiva e progressiva manifestação de Vida na forma, e ocorrem em
todos os tempos por um regular e ordenado processo da Lei, em Amor e
Paz.
“Não importa quão estranha, incomum e impossível possa
parecer uma experiência ao atual estado mental da humanidade: isto não
é prova de que não haja uma Lei Maior e Inteligência Superior em ação,
produzindo maiores maravilhas de criação em torno de nós, o tempo todo”.
“O conhecimento dos maiores cérebros da humanidade no
mundo exterior de hoje está para essa Grande Sabedoria e Poder Interno,
como a compreensão de uma criancinha para o estudo de cálculo integral".
Num edifício do grupo central, encontramos os ocupantes
vestidos com os mais lindos tecidos, de cores suaves e brilhantes, que
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harmonizavam com a decoração interior. Um deles, funcionando como
guia, levou-nos ao edifício central e lá nos apresentou ao rei desse grande
povo. O rei demonstrou ser - Saint Germain.
Via-se, ao lado d'Ele, uma linda jovem. Seus cabelos, como fios de
ouro, caíam quase até o chão e tinha olhos de penetrante azul-violeta.
Todo o seu porte era de amável autoridade. Olhei interrogativamente para
Saint Germain, desejando saber quem poderia ser ela, quando Ele
respondeu:
“Lótus”.
Ao lado dela estava uma jovem de cerca de vinte anos de idade
e um rapazinho de quatorze anos, talvez. O jovem era aquele que tínhamos
visto como Grão-Sacerdote no templo de Luxor e o rapazinho, o sacerdote
assistente. Eram filhos do Rei. Novamente estávamos nós trabalhando
juntos.
“Com essa visão de vidas anteriores", continuou Saint
Germain, "entremos na atividade deste abençoado povo. Digo
propositadamente abençoado, e em breve vereis porque. A maioria deles
ainda retinha o pleno uso consciente de toda a sua sabedoria e poder,
como Filhos de Deus, e isso eles manejavam quase sem limites, sabendo
perfeitamente bem de onde provinham e para quê eram seus herdeiros.
“O eu externo era apenas o instrumento do Eu Divino como
deveria ser, e só lhe era permitido fazer aquilo que fora criado.
Naturalmente, o Grande Eu Interior podia atuar livremente, e em
conseqüência disso a perfeição e a atividade desse período eram
magníficas realizações".
Ao tempo dessa antiga civilização, todo o império era
impregnado de grande paz, felicidade e prosperidade. O Rei-Imperador era
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um "Mestre de Sabedoria Antiga" e uma verdadeira "Taça da Luz".
Governava por essa "Luz" e seu império era o exemplo vivo da Perfeição.
“Durante séculos", continuou Saint Germain, "essa Perfeição
foi mantida sem exército ou forças navais de qualquer espécie. A direção
do povo estava confiada aos cuidados de quatorze Ascensionados Mestres
de Luz, trabalhando dois em cada um dos Sete Raios. Formavam, assim,
pontos de foco para tornar visível a Poderosa Atividade Divina. Abaixo
desses quatorze Seres Luminosos havia quatorze Mestres menores que
formavam as diretorias de sete departamentos, controlando as atividades
da ciência, indústria e arte. Cada um dos chefes de departamentos guiava
o trabalho a seu cargo por meio de contato, consciente e direto, com o
Deus nele próprio. Por isso, toda orientação e instrução vinham
diretamente de sua Fonte, para aqueles que lhes estavam abaixo. Assim, a
Divina Perfeição fluía constantemente, sem qualquer interferência
humana.
12/07/2006
“Esta forma de governo era, sob qualquer aspecto, a mais
notável, próspera e satisfatória. Desde essa época, nunca mais houve na
Terra coisa alguma que se aproximasse, ao menos, de tal elevação. Nos
anais antigos, que chegaram até os dias presentes, essa civilização era
sempre referida como Idade de Ouro, e de fato o era, em todas as
atividades da Vida.
“Em vossa amada América, em futuro não muito distante,
surgirá um semelhante reconhecimento do Eu Real Interior e isso seu povo
expressará em grandes realizações. A América é uma Terra de Luz e sua
Luz brilhará, luminosa como o Sol do meio-dia, entre as nações da Terra.
Ela foi uma Terra de Grande Luz, em eras remotas, e tornará a entrar na
posse de sua herança espiritual, porque nada pode impedir isso. É forte de
corpo e espírito - mais forte do que pensais - e essa força ela desenvolverá
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para erguer-se e arremessar, de ponta a ponta, tudo o que pesadamente a
oprime nos temos atuais.
“A América tem um destino de grande importância para as
outras nações da Terra e Aqueles que a têm guardado por séculos,
guardam-na ainda. Por meio de Sua proteção e Amor, ela cumprirá esse
destino. América! Nós, a Hoste Ascensionada de Luz, nós te amamos e te
protegemos América! Nós te amamos.
“Uma semelhante forma de governo haverá mais tarde, quando
tiverdes arremessado para longe certas limitações internas que se agarram
como fungos e sugam vossa força como um vampiro. Amados da América,
não vos desencorajeis quando descerem as aparentes nuvens escuras.
Cada delas vos mostrará sua fímbria dourada. Por trás da nuvem que
parece ameaçar, está a 'Luz de Puro Cristal de Deus e Seus Mensageiros,
os Ascensionados Mestres de Amor e Perfeição' - velando pela América,
pelo governo e seu povo. Repito: 'América - nós te amamos’.
“Uma por uma estão surgindo Grandes Almas despertas que
se tornarão claramente conscientes de seu próprio Divino poder, inerente
Poder-de-Deus, e essas serão colocadas em todas as posições oficiais do
governo. Serão mais interessadas no bem-estar da América do que mesmo
nas suas ambições pessoais e riquezas particulares. Então, uma outra
Idade de Ouro reinará na Terra e será mantida por um eon (eon - a maior
subdivisão do tempo, seguindo-se de era e período).
“No período imediatamente anterior a este que ora presenciais,
a massa do povo usava grandes aeronaves como meio de transporte. Tendo
o desenvolvimento alcançado ponto ainda mais alto, pouca necessidade
tinham de tais veículo, exceto nos distritos mais afastados. Toda a classe
oficial, por serem os de almas mais espiritualmente avançadas daquela
raça, podiam locomover-se nos seus corpos mais sutis para tudo o que
desejavam, tal como fizestes em vossa recente experiência em Luxor.
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Podiam, também, transportar à vontade o corpo físico, porque o emprego
do poder que tinham de anular a gravidade lhes era tão natural como é
para vós o respirar.
“O Ouro era um meio econômico comum nessa Era, como em
todas as 'Idades de Ouro', porque sua emanação natural é uma energia ou
força que purifica, equilibra e vitaliza. É posto no interior da Terra pelos
'Senhores da Criação' - esses 'Grandes Seres de Luz e Amor' que criam e
dirigem mundos, sistemas de mundos, e a expansão da Luz nos seres que
sobre eles habitam.
“A mente externa ou conhecimento intelectual da humanidade
possui pouca - muito pouca compreensão mesmo - do real objetivo da
existência do ouro neste planeta. Ele cresce dentro da Terra como uma
planta, e através dele está-se derramando constantemente uma
purificante, vitalizante e equilibradora corrente de energia dentro do
próprio terreno onde caminhamos, bem como na vegetação da Natureza e
na atmosfera que respiramos.
“O ouro foi colocado neste planeta para usos vários, dois dos
quais, sendo os mais triviais e sem importância, o seu emprego como meio
de câmbio e para ornamentação. A maior atividade e finalidade do ouro,
dentro e sobre a Terra, é ceder sua própria qualidade natural e energia
para purificar, vitalizar e equilibrar a estrutura atômica do mundo.
“O mundo científico de hoje não tem qualquer suspeita, até
agora, dessa atividade. Entretanto, o ouro desempenha a mesma função,
em nossa Terra, que os radiadores em nossas casas. O ouro é um dos
meios mais importantes pelos quais a energia do nosso Sol é fornecida ao
interior da Terra - e um equilíbrio de atividades é mantido. Como condutor
dessa energia, ele age como um transformador, a transmitir a força do Sol
para o interior da substância física do nosso mundo, assim como para a
Vida que se estende sobre ele. A energia contida no ouro é realmente a
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radiante força eletrônica do Sol, atuando numa oitava mais baixa. O ouro
é às vezes denominado: UM RAIO DE SOL PRECIPITADO.
“Como a energia contida no ouro tem um grau vibratório
extremamente alto, ele só pode atuar sobre as mais finas e mais sutis
expressões de vida através da absorção. Em todas as 'Idades de Ouro' este
metal entra em uso pelo povo, em profusão e generalizado, e sempre que
isto sucede o desenvolvimento espiritual de tal povo alcança um estado
muito alto. Nessas idades, nunca o ouro é armazenado às escondidas, ao
contrário, é largamente distribuído para o uso das massas que,
absorvendo sua energia purificante, são elevadas a uma perfeição maior.
Tal é o correto emprego do ouro, e quando esta Lei é conscientemente
compreendida e obedecida, o indivíduo pode atrair a si qualquer
quantidade que deseje, pelo uso desta Lei.
"Por causa dos depósitos de ouro em todas as cadeias de
montanhas, encontra-se saúde e vigor na Vida nas montanhas, como não
se pode encontrar em nenhum outro da superfície da Terra. Ninguém
jamais ouviu falar de efeitos nocivos sobre aqueles que manejam
constantemente ouro puro. Enquanto no seu estado de pureza, é mole e
desgasta-se facilmente; ainda esta mesma propriedade preenche a
finalidade de que acabei de falar".
“Os indivíduos mais adiantados desses povos produziam muito
ouro por precipitação direta do Universal. As cúpulas de muitos edifícios
eram cobertas com lâminas de ouro e os interiores decorados com jóias
brilhantes, de desenhos curiosos e maravilhosos. Essas jóias eram
também precipitadas - diretamente da Única Substância Eterna.
"Como em todas as épocas passadas, havia uma parte do povo
que se tornou mais interessada nos prazeres temporários dos sentidos do
que no grandioso Plano da Criação do Poderoso Deus Interior. Isso fez com
que tais elementos perdessem consciência do Poder-Divino no país, até
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que esse Poder só permaneceu ativo em poucos lugares além da capital. A
capital era chamada 'Cidade do Sol'.
"Aqueles governantes acharam que deveriam retirar-se e deixar
o povo aprender, através de dura experiência, que toda a felicidade e todo
o bem vêm da adoração da ‘Divina Presença’ Interior e que esse povo
deveria voltar para a ‘Luz’ para ser feliz”.
O Rei-Imperador, vendo pela Sabedoria Interna que o povo se
emaranhava cada vez mais profundamente na satisfação dos sentidos,
compreendeu que não estava no Plano Divino manter por mais tempo o
reinado. Foi instruído por aqueles que lhe eram superiores em autoridade
espiritual, a dar um banquete anunciando sua decisão de retirar-se, e
assim dizer adeus aos seus súditos.
Reuniu os conselheiros e lhes deu instruções sobre o
banquete, ordenando que se celebrasse no lugar mais magnífico do
império, conhecido como a Sala das Jóias, no palácio do rei. A sala foi
iluminada com globos de luz própria, que emitiam uma irradiação branca
e brilhante. Eram suspensos do teto por correntes de cristal. Conquanto a
luz fosse intensa e brilhante, tinha um efeito extremamente agradável
sobre o corpo, dando, aos que estavam na sua irradiação, uma sensação
de grande calma e bem-estar. A luz no globo central fazia resplandecerem
as jóias no desenho do Sol nascente, que formava o medalhão no meio do
teto.
O salão do banquete tinha sido cuidadosamente decorado e
nele havia vinte e quatro mesas de ônix branco, em cada uma das quais se
sentavam vinte e quatro convivas. Era a primeira vez que os conselheiros
do Rei e seu estado-maior tinham sido convidados todos na mesma
ocasião. A notícia do festim causou muitos comentários entre o povo, que
debatia intensamente o assunto cada qual com seu vizinho; mas para
todos era um mistério, pois ninguém conseguia descobrir-lhe a finalidade.
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Veio, finalmente, a tarde do acontecimento. Ninguém
suspeitava da tristeza que existia no coração do nobre regente nem poderia
sonhar com a mudança que em breve os atingiria. Chegada a hora, os
convivas se reuniram e tudo transpirava mistério.
As grandes portas de bronze para o salão do banquete
oscilaram abrindo-se majestosamente, e a eclosão de uma música
transcendente - como que tocada no invisível por uma orquestra
gigantesca - fez-se ouvir, surpreendendo mesmo aqueles que conheciam o
extraordinário poder do seu adorado monarca. Ele era considerado quase
como um Deus, pelo povo, tão grande era o amor e a admiração que
tinham pela sua sabedoria e pela assistência que a todos constantemente
prodigalizava.
Quando cessou a música triunfal, o rei entrou acompanhado
de seus filhos. A jovem era uma visão de formosura. Trajava vestido de
suave tecido de ouro, diferente de qualquer fazenda do nosso mundo
moderno. A capa parecia estar coberta de diamantes, pois a cada
movimento de seu corpo cintilavam pontos de luz. Os louros cabelos,
caindo-lhe sob ombros, eram apanhados por duas fivelas de esmeralda.
Em sua fronte havia uma fita de metal branco, cravejada diamantes, tendo
no centro o que parecia ser um grande diamante, mas que na realidade era
uma poderosa condensação de "Luz", aí focalizada e mantida por seu pai.
O rei era o único, em todo o império, encarregado do uso de
tão Transcendente Poder. A família real nunca tinha usado essas "Jóias de
Luz" em suas relações com o mundo exterior, até essa noite. O emprego de
tal poder só era permitido no seu culto secreto do Grande Deus Interno, de
cuja "Suprema Presença" eles eram intensa e permanentente cientes.
O imperador e seus dois filhos trajavam roupas ajustadas, do
mesmo flexível tecido de ouro da filha. Essas roupas eram macias como
camurça, mas feitas de ouro metálico, com peito de armas semelhantes a
um grande sol de jóias. Calçavam sandálias do mesmo material, também
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cravejadas de pedras preciosas, e a maravilhosa "Jóia de Luz" permanecia
na fronte de cada um.
O rei fez um sinal e os hóspedes se sentaram. Com voz
possante e majestosa, emitiu uma invocação das profundezas do seu
coração Àquele "Uno Supremo Infinito":
"Oh! Tu, Poderosa Fonte Onipresente, Tu, que governas o
Universo, a Chama em cada coração humano! Nós Te rendemos amor,
louvor e gratidão por Tua própria Vida, Luz e Amor em todas as coisas.
Nós Te adoramos e só em Ti confiamos a 'Presença' em todas as coisas -
visíveis e invisíveis, evoluídas e não evoluídas - Tu, Corrente de Vida
fluindo incessantemente, que Te derramas por todo o sempre em toda a
Criação, o Próprio Uno em Tudo.
Meu coração chama a Ti, como nunca fez, para que despertes
meus súditos a compreenderem o perigo a que se expõem, porque
ultimamente cresce entre todos a indiferença a Ti como se fora um sopro
venenoso que produzisse o Sono da alma, lançando diante deles um véu
que impede a visão de 'Tua Brilhante Presença'.
"Se eles devem sofrer a experiência que queima e consome as
escórias e as nuvens do eu-exterior, ajuda-os então, e por fim cria-os em
Tua Eterna Perfeição. Eu Te conjuro, ó Tu, Criador do Universo - ó Tu,
Supremo Deus Onipotente".
O rei sentou-se e todos aguardaram em silenciosa expectativa.
Em poucos momentos, o prato para cada indivíduo apareceu diante deles.
Uns após outros eram servidos como por mãos invisíveis, chegando o
alimento em maravilhosos cristais e recipientes encrustados de jóias;
desaparecia logo que todos acabavam de servir-se e era seguido
imediatamente por outras iguarias. Finalmente, terminou o mais
primoroso banquete que o império jamais conheceu, até sua extinção.
Tudo voltara ao silêncio, como em opressora expectativa, antecipando
algum acontecimento extraordinário.
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O rei levantou-se e permaneceu alguns momentos esperando
calmamente. Súbito, uma taça de cristal apareceu na mão direita de cada
um dos convivas. Elas se encheram com uma condensação de Pura
Essência Eletrônica e todos aqueles que dela beberam, sem levar em conta
as longínquas idades por onde suas correntes de vida se estendiam, ou a
variedade de suas experiências, nunca poderiam esquecer completamente
o "Eu Divino Interior". Esta proteção-da-alma foi concedida a todos os
convidados ao banquete como uma recompensa por sua fé e lealdade ao
Deus neles mesmos, ao rei e ao império. Os conselheiros e todos os
presentes tinham servido sincera e continuamente, para o bem do império,
tendo-lhes sido dada, por esse serviço, proteção-anímica através dos
séculos.
Cada um levantou o cálice e bebeu em homenagem ao 'Deus
em Si mesmo" - à sua própria "Chama do Mais Alto Ser Vivente". O
desenrolar do banquete foi difundido para todo o império através de um
rádio semelhante ao que usamos hoje. Não era maior que um prato mas
era bastante potente para captar o que estava acontecendo em qualquer
ponto da superfície da Terra.
Depois da saudação ao Eu Divino em cada um, ficaram todos
em absoluto silêncio, a própria atmosfera parecendo estar completamente
imóvel. Dentro de poucos momentos, uma "Presença" Maravilhosa
lentamente tornou-se visível diante do rei.
Essa "Presença" era um "Mestre Cósmico" vindo do "Grande
Silêncio". Um murmúrio de medo e de surpresa passou pelos convivas
mediante essa aparição, como se reconhecessem, com assombro, Um
Daqueles de quem tinham ouvido falar durante muitos séculos, mas Cuja
"Presença" visível ninguém ainda tinha visto. Erguendo a mão direita,
assim se dirigiu aos presentes e a todos os habitantes do império:
“Oh! Filhos da Terra! Eu vos trago uma advertência de séria
importância, numa ocasião de crise excepcional. Erguei-vos acima da
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armadilha dos sentidos, que vos está engolfando! Despertai de vossa
letargia, antes que seja tarde demais! Vosso rei - meu 'Irmão de Luz' - deve
retirar-se e deixar-vos entregues à experiência que escolhestes, e que
lentamente está vos seduzindo na direção de suas várias ciladas. Vós
mesmos vos entregastes à ignorância e às emoções descontroladas do euexterior.
“Pouca atenção e ainda menos adoração à vossa 'Fonte - o
Supremo, o Poderoso, o Radiante, o Majestoso, a Causa Infinita de tudo o
que existe - o Criador e Mantenedor de todos os mundos. Vós não exprimis
gratidão à 'Grande Presença Gloriosa' - o 'Senhor do Amor' - pela própria
Vida mediante a qual existis.
“Oh! Porque não sois gratos nem ao menos pelas bênçãos que
a Natureza tão prodigamente derrama, pela abundância que vos vem
através desta linda terra e de vosso próprio governante, sábio e altruísta?
Vós agradeceis uns aos outros os favores - coisas do sentido e da forma,
que são tão efêmeras, que passam de pessoa a pessoa e se acabam; mas
por que, ó por que esqueceis a 'Fonte' de toda a Vida, todo Amor, toda a
Inteligência, todo o Poder?
“Povo! Ó! Povo! Onde está vossa gratidão à Vida pelo Amor,
pela magnificência da experiência que usufruis a cada momento, a cada
hora, todos os dias, ano após ano? Dizeis ser vosso tudo isso, mas tudo
sempre pertenceu, pertence e pertencerá à Grande e Única Fonte de Vida,
Luz, Amor e Todo o Bem - DEUS - o Supremo, o Adorável, o
Onipenetrante.
“Depois que criastes - pelo próprio abuso da energia de Vida,
pura, perfeita e imaculada, que o Onipenetrante derrama sobre vós
constantemente - condições tão destrutivas e penosas que não podeis
suportar, vos voltais em desespero, agonia ou rebelião e pedis a Deus para
aliviar vossa miséria. Esta é vossa oferenda ao 'Doador de todo o Bem', em
retribuição pela Incessante Perfeição que ele distribui, continuamente, em
50
Supremo Amor. A única condição mediante a qual o 'Grande Eu-Interno'
tudo dá, é usar tudo corretamente, para que ele possa abençoar o resto da
Criação com infinita alegria, harmoniosa atividade e Perfeição.
“Quando, no abismo da miséria, voltais novamente à vossa
Fonte para reparação de vossos delitos, clamais na agonia do desespero
ou, se rebeldes sois, culpais a Vida e a Fonte de Todo o Bem por
permitirem a existência do que chamais injustiça e condições errôneas, em
vós e no mundo que vos rodeia.
“Entretanto, vós, o pequeno eu pessoal, é que sois injustos
para com a Vida, vós que sois incorretos, vós que criais a miséria da Terra;
porque só a humanidade, com o livre arbítrio para criar o que lhe
aprouver, agindo cada indivíduo por seus próprios pensamentos e
sentimentos, ousa trazer à existência a discórdia, a miséria e a
deformidade que se manifestam sobre a Terra. Isso constitui uma nódoa
para a Criação e a Perfeição, porque vibra para sempre na Grande Melodia
Cósmica da Canção Eterna.
“Só a humanidade é culpada de causar dissonância na Música
das Esferas, porque tudo o mais vive e age de acordo com a 'Lei do Amor,
da Vida, da Harmonia e da Luz'. Tudo o mais se mistura no todo
harmonioso - o 'Corpo do Infinito, Todo Harmonioso que tudo Ama'.”
“Todos os outros reinos de 'Vida e Luz' se movem e criam
segundo o princípio fundamental em que repousa toda a Perfeição. Este
princípio é Amor. Não fossem os 'Grandes Seres Altruístas' como o vosso
governante, da Grande Hoste dos Mestres Ascensionados - cuja verdadeira
nota-chave de existência é Amor - a humanidade há muito já teria
destruído a si mesma e ao próprio planeta sobre o qual vive.
“As transcendentes e magnificentes atividades de Amor e Luz
são as Condições Naturais nas quais Deus criou Seus filhos humanos, e
esperou que eles se manifestassem - obedecendo à Sua ordem - 'Amar'.
Não há condição sobrenatural em parte alguma do Universo. Tudo o que é
51
transcendente, belo e Perfeito é Natural e de acordo com a Lei do Amor.
Qualquer coisa fora disto é sub-natural. A experiência diária da Hoste dos
Mestres Ascensionados é a Perfeição em que os filhos de Deus foram
destinados a viver sempre. Os filhos da Terra expressaram sua Perfeição
uma vez em um ciclo anterior, que foi uma Idade de Ouro.
“Essa civilização anterior - essa Antiga Perfeição - é mais velha
do que imaginais, mais velha do que supondes ser o planeta. Toda a
humanidade nesse período vivia num estado transcendente, semelhante ao
dos Mestres Ascensionados. As condições de miséria que sobreviveram a
essa época, através dos tempos, surgiram porque a humanidade preferiu
desviar-se de sua 'Fonte' - Amor - como conduta para viver a vida.
“Quando os filhos da Terra desviam os olhos do Amor, estão
escolhendo, deliberada e conscientemente, a experiência do caos. Aquele
que procura viver sem Amor, não pode sobreviver por muito tempo em
lugar algum da Criação. Tais esforços estão destinados a acarretar
fracasso, miséria e dissolução. Tudo o que se ressente da falta de Amor,
deve voltar ao caos informe para que sua substância possa ser novamente
usada em combinação com o Amor, produzindo assim uma forma nova e
perfeita.
“Esta é a Lei, tanto da Vida Universal como da Vida individual.
Ela é Imutável, Irrevogável, Eterna, entretanto, Benevolente, porque a
Criação manifestada na matéria existe para que Deus possa ter alguma
coisa onde derramar Amor e assim expressar-se em ação. Esta é a 'Lei do
Uno Poderoso', da qual tudo mais procede. Ela é o 'Mandato da Eternidade'
e a vastidão, o esplendor dessa Perfeição não podem ser descritos por meio
de palavras.
“Se não houvessem essas atuais, reais, permanentes e
Perfeitas condições de Vida e experiência, que transcendem em muito a
descrição humana, a existência seria apenas uma máscara sobre a
estupenda atividade de Vida que vibra eternamente em toda a Criação.
Existem aquelas mais altas, harmoniosas, Transcendentes Esferas - reinos
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de atividade e consciência individual e cósmica - onde a Criação
permanece continuamente em Alegria, em Amor, em Liberdade e em
Perfeição.
“Essas esferas são reais, verdadeiras, perfeitamente reais e
muito mais permanentes do que vossos corpos e edifícios no mundo físico
que vos rodela. Esses Reinos de Vida são feitos de Substância tão
carregada de Amor que jamais podem possuir uma qualidade ou atividade
de discórdia, imperfeição ou desintegração a eles impostas ou registradas
dentro deles. Como são baseadas no Amor, a Perfeição de tal manifestação
é mantida eternamente, sempre ativa, sempre expansível, abençoando
sempre com alegria tudo o que existe.
“Trazeis para cima de vós mesmos o infortúnio que vos obriga
ao renascimento contínuo, na ignorância dos sentidos, dos apetites
humanos e desejos do eu-exterior. Tais apetites da natureza sensorial do
gênero humano são, em si mesmos, apenas uma acumulação de energia a
que o indivíduo, através de seus pensamentos e sentimentos, imprimiu
uma qualidade, de uma ou de outra espécie. Essa energia mal qualificada
atinge um "momentum" (ponto de saturação da energia acumulada, tanto
positiva como negativamente qualificada) através da expressão humana, e
se transforma em hábito. O hábito é tão somente energia especificamente
qualificada e focalizada, por um tempo, num certo objetivo.
14/07/2006
“Os apetites dos sentidos das vidas precedentes, tornam-se as
forças propulsoras e hábitos nas vidas subseqüentes, mantendo-vos
escravizados, presos à roda do carro da discórdia, das privações e da
necessidade, fazendo-vos rodopiar num labirinto de problemas humanos e
experimentos de vossa própria criação, obrigando-vos a aprender e
obedecer à Lei do AMOR - A Lei do UNO.
“Vossos desatinos vos conduzem, sem parar, até que estejais
dispostos a compreender a Vida e a obedecer Sua Lei do Uno - Amor.
53
Girais de Vida em Vida, experimentando discórdia sobre discórdia, até que
aprendais a viver a 'Lei do Amor'.
“Esta é uma atividade propulsora a que ninguém escapa, e
continua, até que o eu-externo investigue a razão de sua miséria e
compreenda que sua libertação da experiência dos sofrimentos só se pode
efetuar pela obediência à 'Lei do Amor'. Tal obediência começa como
calma, paz e bondade nos sentimentos, cujo centro se acha no coração.
Seu contato com o mundo exterior deve realizar-se através do 'Sentimento
Interior'.
“O Amor não é uma atividade da mente, mas a Pura e
Luminosa Essência que cria a mente. Essa Essência da Grande Chama de
Deus flui para dentro da substância e constantemente se derrama como
Perfeição, em forma e ação. O Amor é a Perfeição manifestada. Ele só pode
expressar paz, alegria e um transbordamento desses sentimentos para
toda a Criação - incondicionalmente. Não pede nada para Si Mesmo, pois
Ele é Eternamente Auto-Criador, sendo o Pulsar do Coração do Supremo.
O Amor é dono de Tudo e só está interessado em fazer funcionar por
completo o Plano da Perfeição. Então, Ele é um constante derramar de Si
Mesmo. Não toma conhecimento do que foi dado no passado, mas recebe
Sua alegria e mantém Seu equilíbrio pelo fluir de Si Mesmo. Por estar essa
Perfeição contida no Amor, fluindo eternamente, é incapaz de registrar
qualquer coisa que seja contrária a Sua Perfeição.
"O 'Amor', sozinho, é a base da harmonia e o correto uso de
toda a energia da Vida. Na experiência humana, o amor cresce dentro de
um desejo de dar, dar, sempre dar, toda a paz e harmonia do indivíduo
para o resto da Criação.
“Povo! Ó! Povo de todas as eras! Só bastante Amor poderá
fazer-vos voltar ao Céu que outrora conhecestes e habitastes. Aí, uma vez
mais, abraçareis a plenitude da 'Grande Luz' que tudo dá através do Amor.
“Um príncipe, em visita, aproxima-se de vossas fronteiras.
Entrará nesta cidade procurando a filha do vosso rei. Ficareis sob o
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governo desse príncipe, mas o reconhecimento de vossos erros será inútil.
Nada pode vos valer porque a família real ficará sob a proteção e o cuidado
daqueles cujo poder e autoridade são de Deus, e contra quem nenhum
desejo humano pode jamais prevalecer. São os Grandes Mestres
Ascensionados de Luz da Etérica Cidade de Ouro, situada sobre esta
cidade. Lá, vosso governante e seus amados filhos habitarão por um ciclo
de tempo”. Dirigindo-se ao rei, disse:
“Eu vos abençôo, nobre e paciente Irmão! Amor e abnegação foi
o serviço que prestastes ao vosso povo. Profunda e eterna é vossa devoção
ao Supremo - a Fonte de Toda Criação. A Etérica Cidade de Ouro vos
aguarda e alegremente vos saúda e aos vossos filhos.
“Dentro de Sua radiação vivereis servindo através dos Raios de Luz
que fluem perenemente daqueles que lá residem, até que este vosso povo
se redima pela obediência à 'Lei do Amor'.
“Este 'Império de Luz' existe sobre a Terra que tanto amastes.
É composto de substância etérica Auto-luminosa e está situado acima da
cidade física que é vossa capital. É real, absolutamente real e muito mais
permanente do que qualquer cidade terrena, porque a Luz é indestrutível,
e a Cidade de Ouro é feita de 'Luz'. Dentro dela, nenhum pensamento
desarmonioso ou condição perturbadora de qualquer espécie pode jamais
entrar.
“Voltarei dentro de sete dias para vos levar e a vossos filhos à
'Cidade de Luz', de onde observaremos o progresso da humanidade e
conduziremos para a 'Luz' todos os que se disciplinarem e se prepararem.
Envolvendo a Cidade, há um invencível cinto de força eletrônica, através
do qual é impossível passar qualquer coisa que não seja a Luz”.
Quando acabou de falar, abençoou a família real, os
convidados e o império e nos momentos de silêncio que se seguiram, Sua
Luz e o contorno de Seu Corpo desvaneceram-se cada vez mais, até que
desapareceram por completo.
Um murmúrio percorreu a grande sala de banquetes e quando
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todos olhavam para o rei, sua cabeça abaixou-se em reverente silêncio.
Depois, levantou-se lentamente, dirigindo um "boa noite" aos seus
hóspedes.
No sétimo dia, o "Irmão que veio do Silêncio" voltou, e
envolvendo o rei e seus filhos em sua própria aura flamejante, retirou-se
para a "Etérica Cidade Dourada de Luz".
O príncipe visitante chegou no dia seguinte, percebeu as
condições do império e a consternação que ainda dominava o povo. De
pronto, planejou ardilosamente tornar-se seu governante. Isto realizou sem
encontrar oposição. Dois mil anos mais tarde, a maior parte desse império
transformara-se em terras áridas; os rios secaram e a desolação estendeuse
por toda parte. Era tudo resultado da discórdia e do egoísmo da
humanidade, inclusive a devastação que se abateu sobre o crescimento
dos vegetais, na natureza. Este império se estendia por toda a largura da
África para o oriente, até alcançar as montanhas do Himalaia.
Seguiu-se um grande cataclismo, submergindo toda a região.
Como conseqüência dessa transformação, formou-se um mar interior,
onde agora se estende o Deserto do Sahara. Uma outra mudança da Terra,
que teve lugar há cerca de doze mil anos, drenou este mar, e uma parte
dele, mais tarde, tornou-se o atual Deserto do Sahara. O rio Nilo, tal como
é hoje, muito se assemelha aos belos cursos d'água desse período há longo
tempo esquecido.
Assim terminou nossa observação daquelas tão antigas cenas.
Eu mal podia acreditar nos meus próprios sentidos, tão espantado estava
com o modo pelo qual as experiências do passado eram reavivadas - as
imagens projetadas nas três dimensões - e a atividade do povo retratada
nessa época longínqua.
Compreendendo como eu estava surpreso e desacostumado de
tais atividades, Saint Germain prometeu levar-me ao arquivo material
desse período e de seu povo e dar-me a prova física de que não se tratava
de uma visão conjurada por Ele.
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Lançando um olhar pelas proximidades do tronco onde
estávamos sentados, vimos perto a pantera que dormia profundamente.
Saint Germain iniciou a explicação de várias fases importantes na
aplicação das mais elevadas leis, para a manifestação do domínio próprio,
inerente a cada um, sobre as coisas do mundo dos sentidos. Isso levou-o a
explicar como ele era capaz de expressar tal juventude e Perfeição num
corpo tão velho, segundo o processo humano de contar o tempo.
"A Eterna Juventude", explicou, “é a Chama de Deus
habitando no corpo do homem - a Dádiva de Si Mesmo, do Pai à Sua
Criação. A mocidade e a beleza, tanto, do corpo como do espírito, só podem
ser permanentemente conservadas pelos indivíduos que são bastante
fortes para impedir a entrada da discórdia, e aquele que assim o faz pode
expressar e expressará Perfeição, mantendo-a.
“Quando Paz, Amor e Luz não habitam dentro dos
pensamentos e sentimentos de um ser humano, nenhuma soma de
esforços físicos podem conservar o eu-externo expressando juventude e
beleza. Estas existem Eternamente dentro da Chama de Deus, que é o Eu
Divino de todo o indivíduo. Qualquer discórdia que o eu-exterior permitir
prorromper através dos pensamentos e dos sentimentos, aquele instante é
estampado na carne do corpo físico. Juventude Eterna e Beleza são Auto-
Criadas e para sempre Auto-Existentes dentro da Chama de Vida de Deus,
em cada ser humano. Este é o Plano de Deus para manifestar Sua
Perfeição dentro do mundo da forma e mantê-la para todo o sempre.
“Juventude, Beleza e Perfeição são atributos do Amor que o Eu
Divino está continuamente derramando em Sua Criação. No íntimo de
cada indivíduo está colocado o poder, bem como os meios de manter e
aumentar essa perfeita e sempre-expansiva atividade da Criação.
“O Poder de realização é a energia do Eu Divino em cada ser
humano que nasce no mundo. Está sempre ativo, em todos os momentos,
em vossa mente, em vosso corpo e em vosso ambiente. Não há um instante
em que essa poderosa energia não esteja fluindo através de cada indivíduo.
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Tendes o privilégio de qualificá-la, como vos aprouver, ao comando de
vosso livre arbítrio, por meio do pensamento e do sentimento
conscientemente dirigidos.
“O pensamento é a única coisa no universo que pode criar
vibração, e pela vibração dais a essa energia sempre-fluente a qualidade
que desejais manifestar em vossa vida ou em vosso mundo. Essa ilimitada,
inteligente, radiante energia flui incessantemente através de vosso sistema
nervoso e é Eterna Vida e vitalidade na corrente sanguínea, correndo em
vossas veias. É uma atividade Toda-Poderosa, Onipresente, Inteligente que
vos é dada pelo Pai - o Princípio Divino da Vida - para ser conscientemente
dirigida de acordo com o vosso livre arbítrio. A inteligência Real, que tudo
usa de modo construtivo - vem somente de Dentro do Princípio de Deus - a
Chama de Vida, e não é mera atividade do intelecto. Verdadeira
Inteligência é Sabedoria ou Conhecimento de Deus, e isto não pensa nem
pode pensar maus pensamentos. Maus pensamentos provêm somente de
impressões causadas no intelecto pelo mundo que cerca o individuo. Se os
homens distinguissem, entre seus próprios pensamentos, isto é,
pensamentos de dentro da Chama de Deus, e as sugestões arremessadas
pelos intelectos de outras pessoas, incluindo as impressões dos sentidos,
que só consideram as aparências, seriam capazes de evitar todas as
atividades e condições discordantes no mundo da experiência.
“A Luz Interior, a Chama de Deus dentro de cada um, é o
critério - o padrão de Perfeição, pelo qual todos os pensamentos e
sentimentos, que vêm até nós através dos cinco sentidos, deveriam ser
testados. Ninguém pode manter seus pensamentos e sentimentos
qualificados com Perfeição se não for à 'Fonte de Perfeição', porque esta
qualidade e atividade só habitam dentro da Chama de Deus.
“Esta é a necessidade que tem o indivíduo de meditar sobre a
Luz de Deus dentro de si mesmo, e com ela se manter em comunhão. A
Essência Pura da Vida não só vos dará e conservará a Eterna juventude e
beleza do corpo, como também vos tornará capaz de manter perfeito
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equilíbrio entre vosso Deus Interno e o eu-externo ou eu-pessoal. De fato,
essa Pura Energia de Vida é o poder que o eu-externo usa para manter
conexão com sua Fonte Divina - o Deus Interno. Na realidade, esses dois
são Um, exceto quando o intelecto, ou atividade externa da mente - a
consciência sensorial - aceita imperfeição, desarmonia, deficiência, ou se
julga uma criação à parte da Onipenetrante ‘Presença' de Vida. Se a
consciência dos sentidos se considera alguma coisa separada de Deus -
Perfeição, então essa condição é estabelecida para ele, porque aquilo que a
percepção sensorial julga estar dentro do seu mundo, o mundo lhe
devolve.
“Quando alguém permite que uma idéia de imperfeição ou
separação de Deus ocupe sua atenção, e portanto sua mente, uma
condição correspondente a esta começa a expressar-se no seu corpo e no
seu meio ambiente. Isto leva a pessoa a se sentir uma entidade a parte de
sua Fonte. No momento em que se acredita separada de Deus, pensa que
sua Vida, sua Inteligência, seu Poder, têm princípio e têm fim.
“A Vida sempre foi, é agora e sempre será. Ninguém pode, na
realidade, destruir a Vida. Através de várias atividades no mundo mental e
no mundo físico, a forma pode ser desintegrada ou temporariamente
demolida, mas a consciência do indivíduo é Eterna; pode controlar toda
substância, onde quer que esta se manifeste, quando a Vida Divina
interior é admitida como a 'Toda Sábia, Doadora e Autora' de todo o bem
na Criação.
“Eu vos digo a Verdade quando declaro que há somente uma
Fonte de todo o Bem - Deus. O reconhecimento consciente e a aceitação
dessa Verdade, admitidos e mantidos pela atividade externa da mente -
não duas ou três vezes por dia, mas a cada momento, seja qual for a
ocupação do eu-exterior, tornarão qualquer pessoa capaz de expressar sua
perfeita liberdade e seu domínio sobre todas as coisas humanas.
“Para a maioria das pessoas, o que foi dito soa dificilmente,
porque viveram tantos séculos separadas de Deus, enquanto que, em
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todos os instantes de todos os dias estão usando Vida de Deus, Energia de
Deus, Substância de Deus, Atividade de Deus em tudo que pensam e
fazem, sem refletir sobre isso. Entretanto, é necessária a aceitação
consciente deste fato pela mente exterior, e a orientação engenhosa para
libertar Seu Poder Pleno através do eu-pessoal.
“Reconhecimento, diretriz consciente e uso construtivo da
Energia Divina, mantidos no íntimo constantemente, constituem o
caminho da Perfeição, Mestria e Domínio sobre todas as coisas da Terra,
incluindo o controle consciente de todas as forças naturais. O
ensinamento que vos dei, se mantido, destruirá completamente todas as
falsas crenças. A rapidez do resultado depende de como constante,
persistente e profundamente sentirdes e vos associardes ao vosso Deus
Interno.
“Ao atingir a Mestria ou Adeptado, o controle consciente de
toda força e o manejo da substância dependem, primeiro, do
reconhecimento do vosso Ser Divino individual; segundo, da perfeita calma
de sentimentos, a despeito de qualquer circunstância; terceiro, deve-se
estar acima de toda tentação de fazer mau uso do poder. A quietação de
todas as emoções, sob o comando da vontade consciente, é imperativa, e é
uma exigência incondicional ao Adepto que queira alcançar o Domínio.
“Isto não significa, de modo algum, uma repressão da discórdia
dentro de nós mesmos, mas sim uma quietação e harmonização dos
sentimentos, sejam quais forem as circunstâncias em que se achem a
mente e o corpo do estudante. Tal controle não é coisa fácil para a
humanidade do Mundo Ocidental, porque o temperamento da maior parte
dos povos no Ocidente é sensitivo, emocional e impulsivo. Esta
característica é energia de tremendo poder. Deve ser controlada, mantida
em reserva e liberada somente através de uma orientação consciente; para
a realização de algo construtivo. Até que a perda de energia seja reprimida
e completamente governada, o indivíduo não pode e nunca poderá fazer
progresso permanente.
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“O estudante freqüentemente pergunta se se alcança um nível
de aperfeiçoamento, enquanto ainda no caminho da realização, quando se
eleva acima do uso da afirmação. Se um indivíduo emprega sinceramente a
afirmação, estabelece uma aceitação plena da Verdade do que quer que
seja que afirme, pois o seu uso é somente para focalizar a atenção da
mente externa tão constantemente sobre a Verdade, que ele aceita na
íntegra em seus sentimentos. E sentimento é o próprio Deus-Energia
liberado, que manifesta a Verdade afirmada.
“O emprego contínuo da afirmação leva o indivíduo a um ponto
em que ele tem uma tão profunda percepção da Verdade naquilo que
afirma, que perde a consciência dela como afirmação. Quem faz uma
afirmação, um mantram, ou uma oração, fá-lo porque deseja que algo se
realize. O desejo correto é a mais profunda forma de oração. Então, pelo
uso da afirmação, o estudante eleva seu eu externo à plena aceitação de
sua Verdade, e gera o sentimento pelo qual o converte na coisa
manifestada. Nessa profunda aceitação vem a manifestação, porque pela
concentração a palavra falada começa a produzir atividade instantânea”.
Minha gratidão para com Saint Germain, por tudo quanto eu
recebera, era profunda demais para ser expressada em palavras. Ele lia
meus pensamentos e sentimentos como num livro, e assim permanecemos
ambos sentados por alguns momentos, silenciosos, em perfeita
sintonização. Ele me despertou do sonho para contemplar as magníficas
cores do céu ocidental - a beleza grandiosa do entardecer com as
magníficas nuances rosa dourado do crepúsculo.
Desejei permanecer na montanha durante toda a noite e voltar
à casa pela manhã, deleitando-me com o nascer do Sol. Assim que senti
esse desejo, estendeu-se a meus pés um belo saco forrado, de dormir ao
relento. Era diferente de tudo o que eu tinha visto até então. Abaixei-me
para examinar o estranho tecido de que era feito e, para espanto meu,
verifiquei ser brilhante e quente. Olhei para cima e Saint Germain
estendeu-me, sorridente, uma taça de cristal cheia de um líquido dourado,
61
de consistência semelhante à do mel. Obediente ao seu mais leve desejo,
bebi-o, e instantaneamente um calor radiante percorreu-me o corpo.
Quando acabei, a taça desapareceu de minha mão.
“Oh! Porque não pude eu reter esta formosa criação?”
Perguntei surpreso. “Paciência, meu filho”, respondeu; “não estão sendo
plenamente satisfeitos, um por um, vossos desejos? Vosso saco de dormir
permanecerá aqui até o raiar do dia, e vossa amiga, a pantera, guardarvos-
á durante a noite”.
Fez uma ligeira reverência e, com um sorriso que era a graça
personificada, seu corpo tornou-se gradualmente indistinto e desapareceu
por completo. Deitei-me no belo saco e logo adormeci profundamente.
Quando os róseos matizes tocavam o Oriente, acordei e o meu primeiro
pensamento foi em relação ao saco, que tanto me agradara. A este
pensamento, ele se desvaneceu, retornando à Substância Universal, de
onde viera.
A pantera veio até mim e juntos voltamos para casa. Depois de
termos percorrido uma certa distância, o som de vozes humanas nos feriu
os ouvidos. O animal farejou o ar, parou de súbito diretamente em minha
frente e olhou-me. Inclinei-me e dando-lhe umas pancadinhas, disse:
“Agora podes ir”. Ela saltou para a zona da floresta espessa, na
montanha, à direita da trilha. Continuei meu caminho sem mais
incidentes, e finalmente cheguei ao meu alojamento no começo da tarde,
num estado de espírito difícil de descrever por palavras.
Eu precisava pensar - meditar - considerar - e ajustar-me a um
conjunto de idéias inteiramente novo. As extraordinárias, embora muito
reais experiências pelas quais passara nas últimas quarenta e oito horas,
faziam-me reorganizar meu mundo por completo. Eu me sentia
extremamente feliz e ainda mais, parecia que um outro universo tinha se
manifestado em torno de mim. Havia, externamente, o mesmo velho
mundo prosaico que eu sempre conhecera com segurança e ainda assim,
seria isso verdade? Dentro dele, durante todo tempo, ocorreu-me essas
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grandiosas experiências - esse tremendo poder - essas maravilhosas
revelações de liberdade e domínio sobre todas as manifestações, de que eu
tivera tão completo desconhecimento.
Durante toda a minha vida, eu tinha estado cercado por estes
aparentes milagres, aos quais, nos meus prévios anos me conservara tão
alheio como se tais coisas não existissem na Criação. Pensei, pensei muito
mais profundamente do que em qualquer outra coisa em que eu houvesse
meditado antes, em toda a minha existência.
Chegou a hora do jantar, mas eu não tinha fome. Contudo,
para começar a refeição da tarde, pedi um copo de leite. Foi-me servido, e
alguns momentos depois, quando o provei, imaginai meu espanto ao
verificar que o leite se transformara no mesmo líquido cremoso que Saint
Germain me dera pela primeira vez!
Acabei a refeição, voltei para casa e estava preparando o meu
banho para me recolher, quando subitamente o sinal elétrico que me era
familiar fez-me estremecer da cabeça aos pés. Automaticamente estendi a
mão e em poucos segundos uma pequena pastilha, de substância
semelhante ao cristal, formou-se na palma da mão. De qualquer modo
percebi que isto deveria ser posto em meu banho, e mal deixei cair na água
começou a borbulhar e a brilhar, como se tivesse vida.
Entrei na banheira e uma sensação de alfinetadas fez vibrar
cada célula do meu corpo. Senti-me carregado com uma corrente elétrica
de alto potencial, que iluminou e fortaleceu todo o meu ser. Ao terminar,
deitei-me e logo mergulhei num sono sem sonhos.
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Capítulo III
ROYAL TETON
Passaram-se quatro dias sem qualquer ocorrência extraordinária, e
eu tentara entender integralmente a mais profunda significação de minhas
recentes experiências. Justamente ao entardecer do quinto dia, soou uma
pancadinha na janela do meu quarto. Olhei e vi, no peitoril, um pombo
branco como a neve, com um cartãozinho no bico.
Encaminhei-me para a janela e abri-a. O pombo entrou e ficou
calmamente esperando. Peguei o cartão e li a mensagem que estava
escrita com a mesma bela letra da anterior, mas desta vez com tinta de
ouro em um cartão branco. Nele liam-se as palavras:
“Comparecei ao nosso ponto de encontro às sete da manhã”.
assinado,
"Saint Germain"
Logo que apanhei o cartão, o pombo voou para o meu ombro e
esfregou a cabeça no meu rosto, como que transmitindo uma mensagem
de amor; voou novamente para a janela e partiu como uma flecha. Pus
de lado o cartão, cuidadosamente, esperando poder conservá-lo, mas na
manhã seguinte, quando o procurei antes de partir para o meu longo
passeio, ele se dissolvera. O cartão de ouro, no qual a primeira
mensagem foi escrita, durou até o terceiro dia e eu o observava com
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freqüência, esperando poder guardá-lo permanentemente. Quando
percebi que voltara ao Universal, senti um aperto no coração, tão grande
foi meu desapontamento.
Para fazer a caminhada de dezesseis quilômetros e estar no local
marcado às sete da manhã, eu sabia que seria preciso partir pouco
depois da meia-noite. Levantei-me cedo e às três horas estava a
caminho. Andando rapidamente, cheguei à floresta exatamente ao
romper do Sol. Não havia andado muito quando um grito plangente
chegou-me aos ouvidos. Antes de perceber, o que fazia, respondi no
mesmo som, tão automática foi a minha resposta. Alguma coisa investiu
dentre os arvoredos e minha amiga, a pantera, saltou para junto de mim
- perfeita incorporação da alegria. Acariciei-a e juntos prosseguimos em
nosso caminho, rumo ao lugar do encontro.
Precisamente às sete horas, Saint Germain surgiu diretamente
da atmosfera, saudando-me de braços abertos. Estendeu-me outra vez a
taça de cristal, cheia, desta vez, de um líquido claro e brilhante. Bebi-o e
o gosto era diferente de tudo quanto havia provado antes. Era quase
como o suco de "grape fruit" gelado, mas brilhante e efervescente. No
momento em que bebi, a sensação como se uma faísca elétrica
atravessou-me o corpo, levando a todas as veias a impressão de sua
radiante energia.
Saint Germain deu então à pantera um bolinho marrom, que o
animal prontamente devorou. Imediatamente seu pelo arrepiou-se e o
Mestre fez esta observação:
“Vossa amiga nunca mais matará veados, cervos, corças.
“Para experiência e instrução vindouras, será necessário deixar
vosso corpo aqui, na encosta da montanha, porque ainda não invocastes
suficientemente o Poder Interno para que sejais capaz de levá-lo onde
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iremos hoje. A pantera será vossa guarda e como precaução, colocarei
em volta de ambos o manto da invisibilidade. Iremos ao ROYAL TETON.
“Vinde”.
Instantaneamente, saí de meu corpo denso, e vi meu corpo sutil,
vestido com rico traje de tecido de ouro auto-luminoso.
“Observai cuidadosamente o material com que estais vestido”,
continuou Ele. “A substância de que é feito o traje que usais tem certas
qualidades extraordinárias e poderes próprios, um dos quais é
capacitar, a quem o veste, a levantar e transportar objetos materiais.
Esta roupa possui pura energia eletrônica e pode ser usada para
remover objetos, tal qual a força exercida pelo corpo físico. É esta uma
atividade fenomenal que os Grandes Mestres de Luz permitiram ser
usada pela primeira vez neste planeta”.
Em benefício de meus leitores, desejo dizer, clara e
insofismavelmente que, conquanto eu estivesse revestido de um corpo
que funcionava em quatro dimensões durante essas experiências,
possuía, mesmo assim, a capacidade de sentir e segurar os objetos
sólidos do mundo físico, tal como quando se está em corpo físico. O
corpo que eu usava então não era o que às vezes se denomina corpo
astral.
Em breve alcançamos o topo de uma majestosa montanha que
mantém sentinela sobre um dos mais belos cenários dos Estados
Unidos. Vastas florestas se estendiam a nossos pés, e grandes cadeias
de montanhas, com seus tesouros de riquezas minerais ainda não
tocados, alargavam-se tão longe quanto a vista podia alcançar.
Dirigindo-se a um local onde enormes blocos de pedra jaziam em
confusão, como se gigantes em guerra os tivessem arremessado uns
sobre os outros, Saint Germain tocou um grande bloco.
Instantaneamente a enorme pedra virou pouco além de um metro de


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