Dessa vez tive perfeita consciência de estar atravessando o espaço.
Não perguntei aonde iríamos, mas não demorou muito até que chegamos
ao Royal Teton. Para o lado do leste, erguiam-se as altaneiras Montanhas
Rochosas, e atrás delas estendiam-se vastas planícies que um dia estarão
pujantes de vegetação semi-tropical, vivendo os seus habitantes em paz e
abundância.
Para as bandas do oeste, podíamos ver a Sierra e as Montanhas
Cascade e ainda mais além, sobre a Região Costeira, cuja orla marítima
95
será um dia completamente alterada. Para o norte, contemplamos do alto o
Yellowstone, cuja maravilhosa beleza esconde da atual civilização
americana seus antigos mistérios e prodígios.
“A palavra Yellowstone” (pedra amarela), explicou Saint Germain,
tem sido arrastada através dos séculos por mais de quatorze mil anos.
Nessa época, a civilização de Poseidonis atingiu um nível de conhecimento
muito alto, porque um Grande Mestre de Luz estava à testa do Governo.
Foi apenas durante os últimos quinhentos anos que sobreveio a
decadência, quando o abuso da grande sabedoria de seus habitantes
predominou. Dentro dos limites atuais de Yellowstone, que ainda são os
mesmos de outrora, existiu a mais rica mina de ouro que o mundo jamais
conheceu. Pertencia ao governo e grande parte de sua riqueza foi
empregada para fins experimentais e de pesquisa em química, invenção e
ciência em geral.
“Cerca de sessenta quilômetros desse lugar estava localizada uma
mina de diamante. As pedras daí extraídas eram os mais belos diamantes
amarelos jamais encontrados no interior da Terra, antes ou depois desse
período. Entre as gemas originárias dessa mina, havia poucas pedras raras
de extraordinária beleza e perfeição. Se convenientemente lapidadas,
apresentavam uma pequena chama azul no centro que parecia Luz
Líquida. Quando usadas por certos indivíduos, o brilho dessa chama podia
ser notado a mais de dois centímetros acima da superfície da pedra.
“Essas pedras eram consideradas sagradas, e usadas somente nos
mais altos e mais secretos ritos dos Mestres Ascensionados. Dezesseis
delas estão ainda mantidas em sagrada custódia pela 'Irmandade do Royal
Teton' e serão novamente trazidas ao uso em tempo oportuno. Foi por
causa desses magníficos diamantes amarelos que o nome atual,
Yellowstone, veio até nós.
96
“Fostes vós, meu filho, o descobridor de ambas as minas. Revelarvos-
ei os arquivos que são a prova física daquilo que acabo de vos dizer.
Esses arquivos indicam a data de sua descoberta, o total da riqueza
extraída, a duração do tempo empregado, a descrição do maquinário
usado, que beneficiava minérios refratários, recuperando oitenta e sete por
cento do seu valor, transformando o minério em barras, quando ainda
dentro da mina, o que tornava desnecessária qualquer operação na
superfície; onde foram embarcados e a data de fechamento e selagem. Aqui
estão as duplicatas dos arquivos.
“Na vida em Poseidonis, vivíeis em uma bela casa com uma irmã,
que é agora Lótus. Vós ambos tínheis alcançado e mantido estreito contato
com a 'Divina Presença' de modo que Deus estava realmente em ação todo
o tempo. Éreis um funcionário do departamento de minas e devido a essa
relação inventastes e construístes uma aeronave maravilhosa. Nela
viajastes muito sobre as montanhas. Um dia, quando imerso em profunda
meditação, vos foi mostrado o local dessa minas, que mais tarde
descobristes, abristes e transferistes para o Governo. Com esta explicação,
mostrar-vos-ei agora a prova do que descrevi, embora não haja atualmente
nenhum traço dessas minas na superfície. Vinde, entraremos na própria
mina.”
Deixando o Royal Teton, tinha eu perfeita consciência de atravessar
rapidamente o espaço, até que chegamos a um certo ponto do Parque de
Yellowstone. Descemos então, e deparamos com uma parede de rocha
maciça.
“Percebeis alguma entrada?” Perguntou Saint Germain, voltando-se
para mim.
“Não, mas sinto que está aqui”, respondi, apontando para um certo
lugar na muralha de granito. Ele sorriu e dirigindo-se ao ponto indicado, aí
97
colocou a mão. Num momento, encontramo-nos diante de uma porta de
metal - não lacrada.
“Como vedes”, explicou, “temos métodos próprios de fechar
hermeticamente qualquer passagem que desejemos proteger e é impossível
que alguém as encontre ou atravesse, a não ser que o permitamos. A
substância com que selamos hermeticamente lugares e coisas é retirada
do Universal. É mais dura que a própria rocha, ainda que exatamente
igual na aparência.
“Desta forma estamos capacitados a proteger entradas de retiros,
de edifícios, de cidades soterradas, minas e câmaras secretas da Grande
Ascensionada Fraternidade de Luz, muitas das quais têm sido mantidas
em perfeito estado de conservação por mais de setenta mil anos. Quando
não temos mais necessidade de utilizar tais lugares e coisas, fazemo-los
voltar à substância universal. Vedes, assim, que todo o poder se torna um
servidor espontâneo de quem a si mesmo conquistou. Todas as forças do
Universo estão esperando nosso comando para usá-las, sempre que a
serviço da sabedoria e do amor”.
Na porta que defrontávamos, em relevo no próprio metal, estava a
réplica da mão direita de um homem, mais ou menos ao nível dos meus
ombros, tendo uma semelhança chocante com minha atual mão física.
“Colocai vossa mão sobre a de metal e apertai com força”, disse
Saint Germain. Obedeci. Minha mão ajustou-se perfeitamente à outra.
Apertei com toda minha força. Lentamente a grande porta se abriu e Ele
continuou: “Conservastes esta forma e este tamanho de mão por muitas
encarnações. Ela foi colocada na porta pelo Governo, em homenagem a
vós, por terdes descoberto a mina. Esta mão é um modelo da vossa de há
quatorze mil anos”.
98
Entramos por essa porta e passamos através de um longo túnel
cilíndrico, emergindo afinal dentro de uma grande cavidade. Aí, para maior
espanto meu, encontrei ferramentas e maquinárias de várias espécies,
feitas de um metal branco, imperecível, em tão perfeito estado de
conservação como se tivessem sido construídas ontem. No centro da
cavidade havia um poço. Nossos atuais engenheiros de minas ficariam
estupefatos diante da simplicidade e perfeição das atividades de mineração
nessa época antiga. O mesmo método será trazido novamente ao uso aqui
na América, no século vindouro.
Saint Germain aproximou-se do poço e puxou uma alavanca. Logo
veio à superfície um elevador de formato peculiar. Entramos e Ele acionou
uma alavanca menor dentro dele. Assim que começamos a descer, ao nível
de sessenta metros, chegamos a uma estação. Continuando a descer até o
nível de duzentos e dez metros, paramos. Esta era a estação central, e daí
saiam cinco túneis, como os raios de uma rocha.
Eram todos perfeitamente cilíndricos e forrados do mesmo metal
branco de que era feito o maquinário. Sua espessura e fortaleza eram tais
que só o desmoronamento da própria montanha poderia esmagá-los. Dois
deles encravavam-se nas paredes da montanha numa extensão de mais de
seiscentos metros. Na estação central estava uma máquina que governava
todos os vagões.
“O metal branco que estais vendo”, explicou Saint Germain,
“constitui notabilíssima descoberta, porque é leve, mais duro que qualquer
outro, inoxidável e imperecível. Apenas podeis apresentar uma descrição
fragmentária de todas essas maravilhas, que são a prova física atualmente
do elevado progresso alcançado por essa antiga civilização. Tais
maravilhas existiram e estão agora em vosso meio, nunca sonhadas até
que esta revelação seja feita”. Quando chegamos ao fim do túnel, ele me
mostrou as sondas que haviam sido usadas naqueles dias distantes.
99
“Estas sondas”, prosseguiu, “expeliam uma chama tubular branca
azulada, de cerca de dois centímetros e meio de diâmetro. Trabalhavam a
uma velocidade espantosa, consumindo a rocha à medida que a
perfuravam.”
Voltamos à estação e entramos num aposento de forma triangular,
entre dois túneis. Ao fundo havia vasos feitos do mesmo metal branco.
Tinham cerca de setenta e cinco centímetros quadrados e noventa
centímetros de comprimento. Saint Germain abriu um dos vasos e me
mostrou magníficos diamantes amarelos, não lapidados. Fiquei estupefato,
tão lindos eram. Parece-me ouvir o leitor exclamar: “Pretendeis dizer-me
que essas pedras eram materiais?” A essa pergunta perfeitamente natural,
responderei: sim - tão materiais como os diamantes que usais em vossos
dedos hoje em dia. Outros vasos estavam cheios de pedras lapidadas, de
valor fabuloso.
Regressamos, então, à entrada da mina. Saint Germain fechou a
porta e selou-a, como estava anteriormente. Ninguém, a não ser um
Mestre Ascensionado, poderia distingui-la das rochas circunvizinhas.
Elevando-nos do solo, cobrimos rapidamente os cinqüenta e nove
quilômetros que nos separavam da mina de ouro. Desta vez, nos
encontrávamos exatamente no cimo da montanha, perto de uma rocha de
forma cônica que parecia perfeitamente maciça. Tinha cerca de quatro
metros e meio de diâmetro na base, e talvez três metros de altura.
“Observai cuidadosamente”, disse Saint Germain, colocando a mão
de encontro à rocha. Moveu-se vagarosamente uma seção triangular da
pedra, descobrindo um lance de degraus descendentes. Descemos esses
degraus por algum tempo e logo chegamos a uma cavidade, no topo de um
poço, tal como na mina de diamante.
“Notareis a ausência de britadores”, continuou Ele, “pois tudo é
feito dentro da própria mina. Nada é manipulado à superfície”. Paramos ao
100
nível de cento e vinte metros onde havia outra imensa cavidade. Neta se
encontrava o maquinário completo para beneficiamento do minério. Saint
Germain explicou-me a extrema simplicidade do processo empregado, que
me parecia incrível, tão simples era.
Continuamos a descida até o nível de duzentos e quarenta metros e
vimos a mesma disposição da mina de diamante. Aqui novamente os
túneis partiam de um ponto central, como raios de uma roda. Três
compartimentos triangulares tinham sido construídos entre esses túneis e
neles estava depositada a última produção da mina, justamente antes do
seu fechamento. Encontravam-se aí vasos de metal branco iguais aos das
outras salas. Só tenho permissão para descrever o conteúdo de três deles:
O primeiro recipiente continha pepitas de ouro de um antigo leito
de rio, numa jazida situada no nível de duzentos e quarenta metros, na
qual o cascalho tinha sido ligeiramente cimentado, conservando preso o
ouro. Essa condição se aprofundava por cerca de trezentos e sessenta
metros e era de imenso valor. O segundo vaso estava cheio de fios de ouro
extraídos de um veio de quartzo branco, na galeria ao nível de cento e vinte
metros. Um outro mais continha discos de ouro puro, pesando cada um
quatro quilos.
“O lugar em que armazenavam todo o ouro”, explicou Saint
Germain, “era conhecido pelo nome de sala dos lingotes. Dessa mina foram
guardados registros em duplicata, estando os originais no arquivo do retiro
do Royal Teton e as duplicatas aqui”. Voltamos à superfície. Uma vez mais
Saint Germain selou a entrada da maneira por que já descrevi e dirigindose
a mim novamente, disse:
“Meu filho, descobristes estas minas e auxiliado por vossos colegas,
promovestes a exploração delas realizando esta perfeição. Fizestes,
também, os registros relativos ao metal imperecível, como vos mostrarei no
Royal Teton. Os Mestres Ascensionados viram que o cataclismo de há doze
101
mil anos se aproximava e, sabendo que as minas não seriam muito
afetadas, prepararam-nas e trancaram para uso numa época muito
distante, na qual acabamos de entrar.
“Em sete períodos diferentes de vossas muitas encarnações, foram
reavivados a lembrança e o processo de fazer esses assentamentos. Ainda
os reproduzireis numa época presente, para bênção de toda a
humanidade. Isso explica vosso sentimento, desde a infância, no interesse
pelos registros antigos de toda espécie, significando, também, que muito
teríeis que fazer na vida atual com trabalhos dessa natureza.
“Vinde, voltemos agora ao Royal Teton. Lá, numa sala contígua ao
grande salão de audiências, estão os assentamentos a que me referi. É um
local destinado à preservação de invenções e descobertas científicas. A sala
onde estivemos, quando de nossa primeira visita, continha apenas
registros das várias civilizações”.
Voltamos ao retiro e entramos, desta vez pelo caminho do túnel, tal
como na primeira visita. Acelerando os passos, atravessamos a segunda
porta à direita da entrada, que se abria diretamente para a sala de
arquivos científicos, um espaço com cerca de vinte e um, por doze, por
cinco metros. Todas as paredes, o teto e o chão eram revestidos do mesmo
metal branco imperecível de que eram construídas as estantes e os
recipientes.
Saint Germain puxou um dos últimos e me entregou o registro que
eu fizera da mina de diamante. Fui capaz de ler novamente, mas desta vez
recomendou-me que invocasse a "Divina Presença" e A deixasse revelar o
completo conhecimento anterior de que eu era possuidor naquele tempo. O
documento apresentava um histórico, claro mas condensado, da
descoberta e exploração da mina. Saint Germain entregou-me, então, um
outro rolo, onde constava a história completa da mina de ouro.
102
“Agora, que vistes a prova material do que vos havia exposto”,
disse, “desejo que saibais que nunca vos direi coisa alguma que não possa
provar”. Voltou-se, então, para mim com um penetrante olhar que me
atravessou por completo a mente e o corpo.
“Meu filho”, continuou, “procedestes bem e conservastes a calma e
o equilíbrio nestas recentes experiências. Muita coisa depende de vosso
próximo passo. Focalizai toda a atenção em vosso Onigovernante Próprio
Deus Interior e não vos esqueçais de fixá-la n'Ele”.
A luz do que ocorreu posteriormente, foi bom que Ele me houvesse
fortalecido por esse conselho. Com este aviso, conduziu-me através do
grande salão de audiências, em direção à grande porta de bronze da
parede ocidental. Colocando a mão contra ela, o painel moveu-se
lentamente para cima até que entrássemos e depois se fechou atrás de
nós.
Parei - imobilizado de assombro, porque vi aquilo que a olhos
humanos raramente é permitido ver - se alguma vez foi permitido; e a cena
conservou-me imóvel, tão grande era a fascinação de sua beleza, prodígio e
esplendor.
Cerca de três metros e meio diante de mim, erguia-se um bloco de
ônix, branco como neve, de noventa centímetros de altura com a base
quadrada de quarenta centímetros de lado. Nele pousava uma Esfera de
Cristal cheia de Luz incolor em contínuo movimento, com pontos
fulgurantes que se projetavam de um lado para outro. A Esfera emitia
continuamente raios de cores prismáticas, a uma distância de cerca de
quinze centímetros. Parecia feita de substância viva, tão constantemente
cintilava.
Do topo dessa bola de cristal brotavam três Plumas de Chama, uma
Dourada, outra cor de Rosa e a terceira Azul elétrico, alçando-se, no
103
mínimo, à altura de noventa centímetros. Próximo à extremidade superior,
cada um desses feixes de Pluma-Chama inclinava-se como uma pluma de
avestruz - bela, graciosa, e em perpétuo movimento. A irradiação dessa
esplêndida Esfera enchia a sala toda, produzindo uma sensação de energia
eletrônica que as palavras não podem exprimir. A Luz, a Vida e a Beleza de
tal cena ultrapassam a capacidade humana de descrição.
Avançamos para o extremo oposto da sala onde havia, lado a lado,
três esquifes de cristal contendo, cada um, um corpo humano. Ao
aproximar-me, meu coração quase parou de bater, pois dentro deles
estavam as formas que Lótus, nosso filho e eu usamos em uma antiga
encarnação. Reconheci-os prontamente porque Lótus conservava ainda
alguma semelhança com aquele corpo, mas os corpos de nosso filho e o
meu tinham traços de maior regularidade e perfeição física. Mostravam
todos a perfeição completa de um tipo quase igual ao dos antigos gregos.
Expressavam tanta vida, que pareciam estar apenas dormindo.
Todos tinham cabelos louros, ondulados, e vestiam roupagens de tecido de
ouro, como a das figuras da tapeçaria. Bastaria a um Mestre Ascensionado
olhar para esses corpos, para ver registrada toda ação vital por eles
experimentada em suas encarnações físicas desde aquela época. Assim,
atuavam como espelhos para gravar atividades transitórias, deixando,
contudo, sua perfeição original imutável.
Cada esquife repousava numa grande base de ônix branco, do
mesmo tipo daquele onde estava colocada a Esfera de Cristal. Eram
cobertos, também, por tampos de cristal, que se ajustavam perfeitamente
a encaixes existentes ao longo das bordas, mas que não estavam selados.
Na tampa de cada um dos três, em justa correspondência com o centro do
peito dos corpos, via-se uma Estrela de Sete Pontas. Abaixo da estrela a
havia quatro hieróglifos. Na extremidade superior, e colocada de modo a
ocupar exatamente o alto da cabeça, havia uma Estrela de Seis Pontas.
104
Dos lados, precisamente abaixo dos ombros, duas mãos enlaçadas em
sinal de cumprimento e mais longe, perto dos pés, uma tocha acesa,
colocada de modo tal que a Chama tocava a tampa do esquife. Essa
Chama permanecia dourada, fossem quais fossem as cores luminosas que
fulgissem na sala. No lado oposto inferior, sob os pés, via-se uma Estrela
de Cinco Pontas. Todos os emblemas, eram salientes, como que cravados
no cristal.
“Estes corpos”, explicou Saint Germain, “pertenceram-vos em uma
certa vida, quando deixastes a Cidade de Ouro para realizar um trabalho
especial. Vossas experiências foram, então, terrificantes; todavia, foi tão
grande o bem praticado nessa vida, que um Grande Ser Cósmico apareceu
e ordenou que eles fossem preservados, até a ocasião em que pudésseis
elevar vossos corpos e voltar à Cidade de Ouro. Ele deu instruções
completas para a preservação desses corpos, instruções essas que foram
fielmente executadas, como vedes.
“Agora, podeis todos compreender como é importante e necessário
manter-se vivamente consciente do Próprio Mestre Cristo Interior e n'Ele
profundamente centralizar-se, para que só Amor, Sabedoria e Perfeição de
Deus possam atuar por meio da mente e do corpo – sempre”.
Nesse momento, uma Luz Deslumbrante e um Tremendo Poder
lançaram-se através de mim e MEU PRÓPRIO DEUS falou:
“Grande Mestre de Luz - Pai, Irmão e Amigo! Ó Poderoso Filho de
Deus! Um Sempiterno Amor anima, em verdade, o teu ser, e por Ele
atingiste tua bem merecida Paz Eterna e a Mestria sobre os cinco reinos
inferiores. O Grande Deus Interno nestes Teus Filhos a quem tanto amas,
breve se manifestará em DOMÍNIO PLENAMENTE CONSCIENTE para
prestar, cada qual, todo o auxílio que há tanto tempo almejas, pois cada
um dos Filhos de Deus tem de executar um serviço que ninguém, a não
105
ser ele, pode efetuar. Eu invoco a 'GRANDE LUZ' do próprio CORAÇAO DE
DEUS para te abençoar por todo o sempre”.
Enquanto essas palavras eram pronunciadas, resplandeceu um
grande jato de Luz, enchendo a sala como um resplandecente Arco-Íris de
Luz Vibrante. Esses pontos dardejavam cintilações por toda parte e a sala
tornou-se um esplendor de Luz irisada, palpitante de Vida.
“Vede! Meu Filho”, disse Saint Germain, “como podeis
perfeitamente deixar se expressar o GRANDE DEUS INTERNO. Dentro em
breve sereis capaz de fazer isso conscientemente e sempre que desejardes.
“Observai o efeito das estalactites no teto e a aparência brancaprateada
das paredes. É tudo feito de substância precipitada, e a sala é
mantida na mesma temperatura confortável todo o tempo”.
Dirigimo-nos para o outro extremo da câmara e paramos diante de
uma arcada polida existente na parede. Saint Germain colocou a mão
sobre ela e uma porta se abriu, deixando ver o maravilhoso aparelho de
metal branco para fabricação dos registros. “Na era em que estamos
entrando”, continuou Ele, “muito equipamento, que tem sido preservado,
será trazido para uso da humanidade e, desse modo, não será preciso
palmilhar a estrada da invenção ou do descobrimento”.
Perguntei então: “Como é que neste reino e nas minas, todas as
coisas podem ser mantidas livres de poeira e com tão boa ventilação?”
“É muito simples”, explicou: “Os Mestres Ascensionados usam,
para limpar e ventilar, a mesma Força mediante a qual - geram calor,
luz e poder. A emanação de cada uma delas, passando através das minas
ou câmaras, consome imediatamente todas as substâncias desnecessárias.
Aproxima-se a segunda manhã desde que deixastes vosso corpo e devemos
voltar agora”.
106
Saímos da Câmara de Audiências pela porta à esquerda do tubo
elevador e uma vez mais estávamos sob a luz das estrelas. Regressamos
velozmente ao meu quarto e um momento depois eu estava de novo em
meu corpo. Saint Germain, junto a mim, sustinha a familiar Taça de
Cristal, desta vez cheia de um líquido cor de âmbar. Bebi-o e senti-lhe o
efeito vivificante passar através de todas as células do meu corpo.
“Agora, dormi tanto quanto vos seja possível”, disse Ele. E
desapareceu. Devo ter dormido profundamente, porque acordei muitas
horas mais tarde completamente restaurado, com renovada força e vigor.
107
Capítulo V
MEMÓRIAS INCAICAS
Os dez seguintes dias transcorreram sem acontecimentos dignos de
nota.
Durante o treinamento passado, nunca me recolhia ao leito sem
fixar a atenção na Toda Poderosa "Presença e enviar um pensamento de
afetuosa gratidão a Saint Germain. Ao anoitecer do décimo primeiro dia,
quando me recolhia, ouvi distintamente sua voz dizer:
“Vinde”! Eu aprendera a obedecer a esse chamado e imediatamente
pus-me fora do corpo físico, atravessei rapidamente o espaço e em poucos
momentos cheguei ao Royal Teton. Ele estava em pé, junto à base da
montanha, à minha espera. Dessa vez chamou-me para ir ao Seu
encontro. Obedeci e saudei-o.
“As Vossas Ordens”, disse, caminhando para Ele. Sorrindo,
respondeu-me:
“Temos que trabalhar. Vamos”!
Eu era perfeitamente sabedor da direção em que viajávamos, certo
de que nos dirigíamos para Sudoeste. Logo avistamos as luzes de uma
cidade e Saint Germain, chamando para elas minha atenção, observou:
“Los Angeles”.
Depois de viajarmos até mais além, passamos sobre uma outra
seção iluminada e dessa vez, a uma pergunta minha, respondeu:
108
“Cidade do México”.
Chegamos, então, a uma floresta tropical e começamos a descer.
Em pouco tempo estávamos nas ruínas de um antigo templo.
“São as ruínas de Mitla, no estado de Oaxaca, no México”, explicou.
“Aqui encarnastes, vós, Lótus e vosso filho, para prestar assistência
quando a civilização incaica atingiu seu apogeu. Com a aprovação dos
Mestres Ascensionados, que dirigiam, escolhestes os três nascer na família
dos Incas, para executar o serviço requerido naquele tempo.
“Aqui nascestes como filhos de um governador Inca, que era uma
alma forte, de grande adiantamento e iluminação. Amando profundamente
seu povo, rogara ao Supremo Deus Uno que concedesse Luz, abundância e
perfeição para abençoá-los e à Terra.
“A devoção do Inca pela sua Fonte era muito grande, porque ele
conhecia e conscientemente compreendia o poder do 'Grande Sol Central'.
Essa Compreensão da Verdade era ensinada ao povo inca e, porque eles
soubessem o que se atribuía ao Grande Sol Central, usavam o Sol como
símbolo da Divindade Suprema. TINHAM VERDADEIRO CONHECIMENTO
INTERNO e reconheciam a Plenitude do poder desse Grande Sol Central, a
que hoje chamamos ‘Cristo’, porque é o Coração de Atividade Crística no
Universo.
“Em virtude da devoção do Imperador Inca, tanto pela sua Fonte
como pelo seu povo, ele foi atendido no desejo profundo de bênçãos e de
Luz para guiá-los e ajudá-los. Assim, quatorze Seres da Cidade Dourada,
sobre o Deserto do Sahara, corresponderam trazendo-lhe auxílio. Vós,
Lótus e vosso Filho éreis três desses quatorze.
“Quando tínheis dez anos de idade, Lótus doze e vosso filho
quatorze, fostes todos confiados a meu cuidado e orientação, a fim de
serdes preparados e exercitados no trabalho que mais tarde realizastes.
109
Nessa ocasião eu residia na Cidade de Ouro, mas, depois de feito o acordo
preliminar, vinha diariamente ao palácio e vos transmitia a necessária
radiação e instrução. Isso continuou por quatro anos, antes de ser
revelado a vosso pai.
“O Imperador Inca estava maravilhado com a Sabedoria dos filhos,
e constantemente enviava sua Gratidão e Louvor a Deus pela Bênção que
assim lhe dispensava. Quando completastes quatorze anos, o mesmo
Grande Mestre Cósmico, que nos levara para a Cidade de Ouro no fim da
reencarnação da Civilização do Sahara, apareceu ao Inca e lhe disse que
seu pedido fora atendido de modo perfeitamente real.
“Foi a partir dessa época que a civilização incaica, nos seus setenta
anos subseqüentes, atingiu o ponto culminante. Desde que fizeste
quatorze anos, eu vinha diariamente instruir e sintonizar o governante
Inca, bem como a vós três. Éreis denominados 'os Amados Filhos INCAS
do 'Sol'. A gratidão, o amor e a cooperação dele eram realmente
maravilhosos, e foi-lhe ensinada, para compreender e usar, a Grande Lei
Cósmica.
“Vossa infância e juventude foram admiráveis, pois nuvem alguma
veio toldar a beleza desse aprendizado. Ao que é hoje vosso filho foram
ensinadas as Leis do Governo e os Deveres Divinos de um Governante; a
Lótus, o Trabalho Interior, tendo-lhe sido dados o direito e a consagração
como Sacerdotisa no Templo do Sol. Quanto a vós, aprendestes as Leis
Cósmicas do sacerdócio e ainda, secretamente, postos de Comando no
Exército.
“Depois de dez anos de treino especial no Peru, fostes, os três,
encaminhados para o norte, para uma das novas colônias do Império Inca,
com o fim de ajudar o povo a expandir suas atividades e estimular o
progresso próprio. Partistes acompanhado de todo o amor, das honras e da
bênção que o governante Inca sabia como dar; estabelecestes a capital da
110
colônia onde é hoje Mitla, no Estado de Oaxaca, no México, cuja glória
chegou até os tempos presentes, através dos séculos.
“Construístes, aqui, um grande templo, sob a direção d'Aqueles da
Cidade Dourada que vos haviam instruído e ajudado. Lótus, nessa vida,
chamava-se Mitla e foi em sua honra que a cidade teve o mesmo nome.
Aqui, ela serviu de Sacerdotisa por mais de quarenta anos. Era um dos
mais magníficos Templos desse período e nenhuma despesa foi poupada,
porque a parte secreta, construída abaixo da superfície da terra, deveria
sobreviver para testemunhar, séculos mais tarde, essa esplêndida
civilização. Sabíeis disso, ao tempo da construção, e certas ordens
específicas foram dadas e cumpridas em relação a ele, porque toda a
edificação foi dirigida por um dos Grandes Mestres Ascensionados da
Cidade de Ouro.
“A parte externa era feita de blocos de pedra maciça, alguns dos
quais podem ser vistos ainda hoje entre as ruínas. O interior era revestido
de mármore, ônix e jade. O jade procedia de uma jazida secreta, na
Cordilheira dos Andes, que a ninguém nunca foi revelada. O colorido do
trabalho decorativo interno era o mais belo e artístico possível, sendo as
principais cores fundamentais: ouro, púrpura, rosa e madrepérola.
“O Santuário Interno era de ouro, com desenhos em púrpura e
branco. A cadeira em que a sacerdotisa oficiava, era também de ouro. Aí
era focalizado e mantido o Poder Espiritual, que irradiava para o Império e
seu povo. Com esta explanação como prelúdio, entraremos agora no
Templo Subterrâneo, onde foi preservada uma sala, entre as ruínas de
uma grande, passada glória".
Andamos um pouco mais, quando Saint Germain comandou:
“Afastai-vos”!
111
Focalizou, então, um Raio de Forte Poder num grupo de grandes
blocos de rocha, em frente a nós. Subitamente as pedras foram
arremessadas em todas as direções, deixando a descoberto um cubo de
granito cor de rosa. Ele deu um passo à frente e colocou a mão sobre o
cubo. Este girou vagarosamente como se fosse em volta de um pino,
revelando uma abertura de cerca de noventa centímetros de largura, com
bem definidos degraus conduzindo para baixo. Descemos vinte e um
degraus, até uma porta que parecia ser de cobre, mas Saint Germain disse
tratar-se de uma liga de metais submetidos a um certo processo de fusão,
de modo a torná-la imperecível.
Empurrando um cubo de pedra que se achava à direita da entrada,
a porta deslizou lentamente, permitindo-nos passar para uma pequena
sala. No lado oposto havia uma grande arcada, junto a uma porta maciça.
Desta vez Ele pôs o pé numa pedra de formato peculiar, no chão, e a porta
recuou, descobrindo um compartimento de enormes proporções, que
parecia precisar muito de limpeza e ventilação. Tão logo esse pensamento
me aflorou à mente, o local foi preenchido por uma poderosa Luz Violeta,
seguida de uma suave névoa branca, tornando-se brilhante como o sol do
meio-dia. A limpeza foi completa, pois tudo ficou fresco, limpo e saturado
da fragrância de rosas.
Quando entramos no salão, minha atenção foi detida por uma série
de retratos, os mais notáveis que jamais vira. Eram gravados em ouro
maciço, coloridos como na vida real.
“Estes retratos são também indestrutíveis”, explicou Saint
Germain. “Cinco deles são: o do Soberano Inca, o de Lótus, o de vosso
filho, o vosso e o Meu, todos com a aparência dos corpos que tínhamos
naquele tempo. Foi só durante o período lncaico que esse particular gênero
de arte teve expressão. Pela devoção de Lótus à sua própria Chama Divina
nessa época, ela atraiu um Grande Mestre de Vênus, que lha ensinou.
112
Esse tipo de arte era diferente de qualquer coisa conhecida na Terra, em
todas as épocas. O Mestre de Vênus só permitiu que fosse feito um certo
número de retratos, porque esta singular classe de arte tinha um avanço
de séculos para o seu tempo, não podendo, portanto, ser usada neste
período da evolução do mundo. Entretanto, será divulgada na presente
Idade de Ouro, em que acabamos de entrar.
“Oh! Meu filho! Pudesse o povo da América compreender apenas
que estupendas possibilidades tem diante de si - esperando, esperando
que se desviem dos credos, cultos, dogmas, "ismos" e de tudo o mais que
prende e limita, desviando sua atenção da Grande 'Presença' de Deus no
interior de seus próprios Corações! Oh! Se pudessem perceber que
Liberdade, Poder e Luz aguardam sua ocupação, dependendo unicamente
do reconhecimento e utilização da "Grande e Amorosa Presença Interna",
que respira através deles constantemente! Pudessem eles SENTIR E
RECONHECER o Todo-Poderoso Domínio que essa 'Presença' exerce sobre
todas as manifestações! Oh! Se apenas fossem capazes de compreender
que seus corpos são os 'Templos do Mais Alto Deus Vivente, que é o
Senhor do Céu e da Terra; pudessem eles saber o que significa amar esse
Poderoso Eu, falar-lhe, reconhecê-lo em todas as coisas e sentir a
Realidade dessa 'Presença', ao menos com tanta certeza quanto o fazem
com as pessoas e as coisas! Se apenas pudessem sentir profundamente a
proximidade e a realidade da "Grande Presença" por um momento que
fosse, nada poderia colocar-se outra vez entre eles e a Mesma Poderosa e
Suprema Realização, tal como foi atingida por Jesus e outros Mestres
Ascensionados.
“Ó América! Ó Amados Filhos da 'Luz'! Deixai que essa Grande
'Presença' Divina, Sua sabedoria e poder surjam através de vós AGORA, e
vereis como rapidamente o Reino de Deus pode e quer manifestar-se sobre
a Terra. A América é o guia entre as nações, conduzindo a 'Luz' que
anuncia a entrada da Idade de Ouro. Não obstante as condições atuais,
113
'Essa Luz' jorrará e consumirá as sombras que procuram corromper seus
Ideais e seu Amor para com o Grande ‘Supremo Ser Divino’.
Atravessamos em seguida uma porta à direita, onde encontramos
mais registros indestrutíveis, desta vez referentes civilização lncaica e ao
importante papel que ela desempenhou nesse ciclo.
“Já vos lembrastes do processo de fazer esses anais da memória de
vossa vida há quatorze mil anos”, observou Saint Germain. “Eles serão
transportados para o Royal Teton juntamente com os retratos, pois este
Templo Secreto já preencheu por completo suas finalidades e agora deve
ser dissolvido”.
Logo surgiram Belos Seres Reluzentes que carregaram os retratos e
os arquivos. Quando acabaram, voltamos à entrada e nos afastamos a
uma certa distância. Saint Germain focalizou a atenção, por alguns
momentos, em direção ao Templo Secreto, e permaneceu em absoluto
silêncio. Senti-me presa de súbita quietude, que me manteve imóvel.
Houve um grande ruído surdo, como de terremoto. Num momento, tudo se
acabou e o Templo Secreto, que fora a mais esplêndida criação de seus
dias, desmoronou-Se em ruínas.
Eu mal podia respirar, diante do estupendo poder de Saint
Germain. Verdadeiramente, os Grandes Mestres Ascensionados são
Deuses. Não é de admirar, na Mitologia das Eras Antigas, que suas
atividades nos tenham sido transmitidas na forma de mitos e de fábulas.
Eles manejam, sempre, tremendo Poder Divino, porque se firmam com
inflexível determinação na Grande "Presença" Divina, e em conseqüência
todo poder lhes é dado, pois eles são a Total Manifestação da PERFEIÇÃO.
“Quando Jesus disse: 'Em Verdade, Em Verdade vos digo que o que
eu fizer também fareis, e maiores coisas do que essas fareis ainda', Ele
sabia do que falava”, continuou Saint Germain.
114
“Ele veio ao mundo para revelar o Domínio Consciente e a Mestria
que é possível a qualquer criatura humana atingir e expressar, mesmo
enquanto habitar a Terra. Mostrou o Domínio do Mestre Ascensionado e
PROVOU à humanidade que é possível, a quem quer que seja, invocar de
tal modo seu Deus Interno, que pode controlar, conscientemente, TODAS
as coisas humanas.
“Os Grandes Mestres Ascensionados de Amor, Luz e Perfeição, que
desde o princípio conduziram a expansão da Luz na humanidade deste
planeta, não são ficção ou produto da imaginação de ninguém. Eles são
reais, visíveis, tangíveis, gloriosos, vivos, verdadeiros Seres de tanto Amor,
Sabedoria e Poder, que a mente humana vacila diante dessa imensidade.
Trabalham em toda parte do universo com liberdade completa e poder sem
limites para fazer, com naturalidade, tudo o que o homem comum
considera sobrenatural.
“São senhores de tão grande poder e manipuladores de tal força,
que abalam a imaginação da pessoa no mundo externo. São os Guardiões
da Raça e, assim como no mundo físico da educação, vários graus de
professores são ajustados para guiar o desenvolvimento do progresso
individual desde a infância à maturidade, preparando, daí por diante, para
um trabalho especial, existem também os Mestres Ascensionados de
Perfeição para educar e auxiliar o indivíduo de maneira que ele possa
expandir a consciência além da vulgar expressão humana. Então, o
discípulo desenvolve seus atributos super-humanos até que - como um
estudante graduado por uma Universidade - aquele que está sob o cuidado
e a instrução de um Mestre Ascensionado é graduado fora de sua
humanidade, na Plena, Contínua Expressão de Sua Divindade.
“O Mestre Ascensionado é uma criatura que, pelo esforço Auto-
Consciente, gerou bastante Amor e Poder dentro de si mesmo para romper
as cadeias de toda limitação humana; por isso permanece livre e digno de
115
ser empossado no uso de forças, além daquelas que fazem parte da
experiência humana. Ele se sente a Si Mesmo UNO COM A VIDA
ONIPRESENTE DE DEUS. Por essa razão, todas as forças e coisas
obedecem ao Seu comando, pois Ele é um Ser Auto-Consciente, um Ser de
Vontade Livre, controlando tudo pela manipulação de Sua 'Luz' Interior.
“É por meio da irradiação ou extravasamento dessa 'Luz', que é,
realmente, sua própria 'Essência Luminosa de Amor Divino', que um
Mestre Ascensionado pode auxiliar os que estão sob seus cuidados e
direção.
“Quando tal extravasamento ocorre para com um estudante, seus
corpos Interiores - e com isto quero dizer os corpos emocional, mental e
Causal - absorvem a Essência Luminosa do Mestre, e a 'Luz' que há dentro
d'Eles brilha e se expande como uma chispa que se aviva dentro de um
braseiro, até converter-se em uma Chama.
“Essa 'Essência Luminosa' tem dentro de Si a mais Poderosa Força
do Universo, porque Ela dissolve toda discórdia e estabelece Equilíbrio
Perfeito em toda manifestação. O Corpo do Mestre Ascensionado está
constantemente derramando Raios de sua 'Essência de Luz' - sobre as
discórdias da Terra, dissolvendo-as, tal como os raios de força a que
chamamos luz e calor, do nosso Sol físico, dissolvem um nevoeiro.
“A Radiação que Eles derramam para a humanidade, na Terra, é
energia conscientemente-extraída, à qual imprimem qualidade e em
seguida emitem com um fim determinado. Desse modo, protegem milhares
de vezes pessoas, lugares, condições e coisas, permanecendo a
humanidade completamente alheia, seguindo o seu determinado caminho,
calmamente inconsciente de seus Protetores e Benfeitores.
“Nessa espécie de atividade, os Mestres Ascensionados podem
mudar os corpos em que trabalham, tal como qualquer pessoa muda de
116
roupa, porque a estrutura celular está sempre sob Seu controle consciente
e cada átomo obedece à sua mais ligeira determinação. Têm liberdade de
usar um ou mais corpos, se o trabalho que desejam efetuar assim requer,
porque Sua habilidade em integrar ou desintegrar um corpo atômico é
absolutamente Ilimitada. São Manifestadores Todo-Poderosos de toda
Substância e Energia, porque as forças da Natureza, ou sejam os quatro
elementos, são seus dóceis e obedientes servos.
“Estes Seres Gloriosos, que guardam e auxiliam a raça humana em
fase de evolução, são chamados Mestres Ascensionados de Amor, Luz e
Perfeição. São tudo o que implica a palavra Mestre porque, gerando o
Amor, a Sabedoria e o Poder da Divina Presença, manifestam sua Mestria
sobre tudo o que é humano. Por essa razão eles 'Ascensionaram' para a
manifestação imediatamente acima da humana - que é a Superhumana
Divindade - Pura, Eterna, Toda-Poderosa 'Perfeição'.
“Freqüentemente a humanidade da Terra, na sua ignorância e
limitação, atreve-se a proferir sentenças contrárias e a externar várias
opiniões acerca do Mestre Jesus e muitos outros da Hoste Ascensionada.
Esta prática é uma das coisas mais comprometedoras a que os humanos
podem se entregar, porque em tal atividade a crítica e o julgamento
emitidos desse modo voltam pura e simplesmente ao seu autor, prendendo
assim a humanidade cada vez mais firmemente aos padecimentos e
limitações por ela mesma criados. A atividade da Lei é que, tendo os
Mestres Ascensionados se libertado das limitações humanas, tornaram-se
Expansão Fulgurante de Luz, no interior da qual nenhum pensamento
humano de discórdia pode, jamais, penetrar. Isso induz todo o
pensamento destrutivo, criação e sentimento, a voltar para o seu
remetente, ligando-o ainda mais estreitamente às cadeias de sua própria
criação.
117
“Se os seres humanos pudessem ver seus próprios pensamentos,
sentimentos e palavras saírem da atmosfera para o éter, reunirem-se cada
vez mais aos da mesma espécie e retornar, não só ficariam assombrados
mediante o que fazem nascer, como também clamariam por libertação.
Nem que fosse para apagar da mente tal criação, haveriam de se voltar,
com plena determinação, para sua própria Divindade e n'Ela entrar.
Pensamentos e sentimentos são coisas vivas, palpitantes. O indivíduo que
sabe disso, usará sua sabedoria, controlando-se como deve.
“Jesus está para a humanidade que adquire experiência na Terra,
como o Grande Deus Interno dentro de cada ser humano está para a
pessoa ou eu-externo. Ele revelou o Mestre Máximo ao mundo exterior, e é
ainda a PROVA VIVA da possibilidade que tem o homem de libertar-se de
toda limitação e expressar a Divindade, tal como foi o desígnio originado,
porque a primeira condição em que existiu a humanidade era inteiramente
harmoniosa e livre.
“Quando alguns daqueles indivíduos, que estudam a Vida e as Leis
do Universo - MUITO MAIS PROFUNDAMENTE QUE A MAIORIA DA
MASSA DOS FILHOS DA TERRA -vêm a saber da existência dos Mestres
Ascensionados, muito freqüentemente desejam dirigir-se a esses Grandes
Seres para receber instrução. Conquanto seja isto, em muitos casos, uma
inconsciente elevação da alma dentro da Luz Maior, o eu pessoal não faz
idéia da posição em que se encontra em relação Àqueles Grandes Seres
que são Completamente Divinos.
“Há um meio pelo qual um estudante resoluto e intensamente
aplicado pode estabelecer contato com um deles, mas isto só se pode dar
através da atividade de muito Amor e de disciplina da personalidade. Se,
porém, o motivo for a satisfação da curiosidade, pensando confirmar ou
contestar a existência dos Mestres Ascensionados, meramente para
resolver um problema ou desfazer uma dúvida da personalidade, esse
118
contato JAMAIS SE REALIZARÁ, ficai certo disto, porque a Hoste
Ascensionada nunca se preocupa em satisfazer o lado humano do
estudante. Toda a sua conquista é por meio da expansão do Deus Interior,
de modo que Seu poder possa ser liberado vigorosamente, o necessário
para romper as limitações existentes na personalidade humana, que não
Lhe concede um veículo perfeito para uso nos mundos mental, emocional e
físico da manifestação, ou seja nos domínios do pensamento, do
sentimento e da ação.
“Fraqueza e limitação humanas apenas prejudicam o veículo que
deveria ser treinado e mantido nas melhores condições possíveis, como um
servo eficiente, para uso do Grande Próprio Deus Interno. O corpo
humano, com as suas faculdades, é o TEMPLO DE ENERGIA DIVINA que a
'Grande Presença de Deus' provê, e através desse eu-externo Ele deseja
expressar um Perfeito Plano ou Desígnio Divino. Se os descontrolados
apetites dos sentidos e as exigências da personalidade desperdiçam a
Energia Divina, de tal modo que o comando do veículo é sonegado à
'Presença Interna', Ela imperturbavelmente se retira; o eu-humano perde o
poder de manobrar a mente e o corpo, e o templo se desmorona em
decrepitude e dissolução. Ocorre, então, o que o mundo denomina morte.
“A pessoa que procura estabelecer contato com um Mestre
Ascensionado em corpo visível, tangível, vivo, animado, sem a necessária
preparação para sintonizar gradativamente sua própria mente e estrutura
externa, está na mesma situação de uma criança de jardim de infância que
procurasse um professor universitário e insistisse com ele para lhe ensinar
o A-B-C.
“Os Mestres Ascensionados são, realmente, GRANDES BATERIAS
de tremendo poder e energia, e tudo aquilo que toca Sua Radiação torna-se
altamente carregado com 'Essência de Luz', com a mesma atividade que
faz com que uma agulha, guardada em contato com um magneto, adquira
119
suas propriedades, tornando-se, também, um magneto. Toda a Sua Ajuda
e Radiação é eternamente uma Generosa Dádiva de Amor. Esta é a razão
pela qual nunca fazem uso de sua força para induzir, obrigar, ou interferir
no livre arbítrio do indivíduo.
“A Lei do Amor, a Lei do Universo e a Lei do indivíduo não
permitem ao Mestre Ascensionado interferir no livre arbítrio das pessoas,
exceto naqueles períodos de Atividade Cósmica em que o Ciclo Cósmico
anula a Lei do indivíduo. E nessas ocasiões que os Mestres Ascensionados
podem dar uma assistência maior que a habitual. A Terra entrou agora
num semelhante Ciclo, e a maior efusão de Luz que a Terra jamais
conheceu está sendo e continuará a ser derramada sobre a humanidade
para purificá-la, restabelecer a Ordem e o Amor, o que é imperativo à
futura manutenção do nosso planeta e ao sistema de mundos a que
pertencemos. Tudo o que não vem ou não vier em função de ordem,
equilíbrio e paz deve, necessariamente, passar para qualquer outra classe
da escola do universo e elaborar seu próprio conhecimento desta Lei, por
caminho diferente daquele que deverá constituir a expressão da Vida
futura sobre nossa Terra.
“Só há um passaporte para a 'Presença' desses Grandes Seres:
muito Amor transbordante para com o seu Deus Interno e para com Eles,
unido à determinação de extirpar do humano toda discórdia e todo
egoísmo. Quando um indivíduo se toma suficientemente decidido a servir
somente ao Plano Construtivo de Vida, consegue perfeitamente disciplinar
sua natureza humana, por mais desagradável que lhe seja a tarefa.
“Atrairá, então, automaticamente, a atenção de um Mestre
Ascensionado, que anotará seus esforços e derramará sobre ele coragem,
força e Amor, sustentando-o até que consiga manter o sentimento de seu
permanente contato com o EU DIVINO INTERIOR.
120
“O Mestre Ascensionado sabe e vê tudo o que concerne ao
estudante, porque lê claramente o registro que o estudante fez em sua
própria aura. Isso revela o estado de adiantamento do discípulo - sua
força, como também suas fraquezas. O Mestre Ascensionado é a Mente
Onisciente e o Olho Onividente de Deus, porque dele nada pode ser
ocultado. Quem quer que deseje chegar à 'Presença' visível, tangível da
Hoste Ascensionada, há de compreender que, a menos que se transforme
num Sol Radiante de Amor, Luz e Perfeição - que o Mestre pode ampliar e
usar como uma parte de Si Mesmo e dirigir para qualquer lugar
conscientemente - será um imprestável, meramente um parasita, a exaurir
o trabalho e a comunidade dos Mestres.
“Se o estudante não disciplinou ainda, nem procura ou pretende
disciplinar o eu-pessoal - para ser calmo de espírito, pacífico e afetuoso de
sentimento, forte de corpo - não é material que o Mestre Ascensionado
possa empregar no super-humano mister que realiza. Quando o estudante
não tem um veículo forte, controlado e bastante evoluído, é incapaz de
cooperar com um Mestre Ascensionado e, portanto, de efetuar o trabalho
de maneira tal que transcenda a corriqueira experiência humana.
“Se algum desses Seres Perfeitos admitisse um estudante sem tais
qualidades em seu campo de trabalho, estaria cometendo o mesmo erro de
alguém que, construindo uma máquina ou edifício, empregasse material
imperfeito.
“Essa espécie de material naturalmente não poderia suportar força
excepcional em caso de súbita necessidade ou serviço prolongado. Assim,
não seria próprio da sabedoria, do Amor ou da misericórdia sujeitar
alguém a uma experiência para a qual nunca foi treinado, nem é bastante
forte para suportar. Como os Mestres Ascensionados são o Ponto
Culminante de Perfeição, está claro que nada farão que não seja justo,
afetuoso e sábio.
121
“A atitude de quem aspira trabalhar em cooperação consciente com
a Hoste Ascensionada não deverá ser: 'Meu desejo é chegar até Eles para
que me instruam' - e sim: 'Hei de purificar-me, disciplinar-me e
aperfeiçoar-me tanto, hei de tornar-me tal expressão de Amor Divino,
sabedoria e poder, que seja capacitado a auxiliá-los em Seu trabalho;
então, serei automaticamente atraído para Eles. Amarei tão
constantemente, tão infinitamente, tão divinamente, que a grande
intensidade de minha "Luz" abrirá o caminho para Eles - para que me
aceitem'.
“Meu filho: a auto correção e o domínio das forças que se acham ao
alcance da consciência humana, não constituem trabalho de um
momento, nem caminho de prazer, indolência ou gratificação de si próprio,
porque os sentidos se rebelam dentro do ser humano comum e ele se
revolta furiosamente contra o freio imposto à sua natureza inferior, freio
esse imperioso desde que o estudante tencione governar devidamente tais
forças dentro de si, especialmente seus sentimentos, para que possam ser
utilizados e atuar somente sob o Domínio consciente de sua Mente Divina.
“A sentença: - MUITOS FORAM CHAMADOS, PORÉM POUCOS OS
ESCOLHIDOS é essencialmente verdadeira. Todos estão sendo
constantemente chamados, mas poucos estão bastante despertos para
sentir a extática alegria e Perfeição dentro do Eu Divino, e ouvir na 'Luz' a
Sua Voz sempre e sempre chamando a todos para a volta à Casa do Pai.
“Todo o indivíduo na Terra é livre, a cada momento, para 'Despertar
e ir em busca do Pai' - seu Deus Interior, se apenas voltar as costas às
criações dos sentidos humanos e firmar a atenção na Única Fonte do
Universo de onde podem emanar paz, felicidade, abundância e Perfeição.
“Há um caminho para todos, a fim de entrar em contato com os
Mestres Ascensionados, que é: PENSAR NELES, CHAMÁ-LOS E ELES
RESPONDERÃO A CADA CHAMADO COM SUA PRÓPRIA 'PRESENÇA' DE
122
AMOR, MAS O MOTIVO DA APELAÇÃO DEVE SER: AMOR À FONTE
UNICA, AMOR À LUZ, AMOR A PERFEIÇAO.
“Se isso for sincero, determinado e constante, o estudante receberá
Luz cada vez mais intensa, porque a 'Luz' conhece o que Lhe é próprio e dá
de Si Mesma incessante e incondicionalmente, a todo instante. Pedi e
recebereis; batei e abrir-se-vos-á; procurai e achareis; apelai para a 'Luz' e
os Mestres Ascensionados vos responderão, porque ELES SÃO A LUZ DO
MUNDO.
“Lótus serviu como sacerdotisa no templo de Mitla durante mais de
quarenta anos, convosco e vosso filho. Pelos esforços combinados dos três,
as várias cidades coloniais chegaram a um estado de grande perfeição.
Estabelecestes indústrias e dirigistes a agricultura, até que a prosperidade
prevaleceu em todo o país.
“Foi revelado ao soberano Inca quando ele devia terminar sua
peregrinação terrena e seu serviço naquela civilização. Chamou, então, os
três de volta ao lar. Outros foram designados para ocupar vossos lugares,
e com bênçãos de Amor ao vosso povo, vós vos despedistes deles.
“Quando chegastes em casa, o rei ficou muito surpreso por ver que
nenhum de vós tinha envelhecido durante a longa ausência. Vossa
aparência juvenil era o resultado do treinamento experimentado na
infância e, para ele, constituía prova ainda maior de que seus filhos
tinham sido divinamente enviados, em resposta à sua prece. Profunda
gratidão ao Poderoso Deus Uno por abençoá-lo, aos seus filhos e ao seu
povo, enchiam-lhe sempre o coração”.
Nesse ponto, à medida que Saint Germain descrevia as
encarnações Incaicas, imagens animadas começaram a aparecer no ar,
diante de mim, todas no seu colorido e atividade originais. Assim
123
permaneceram por cerca de três horas e Ele revelou aquelas antigas
experiências como Realidade Viva no Peru e em Mitla.
O soberano Inca convocou os quatorze da Cidade de Ouro,
preparando-se para o mais importante acontecimento de sua peregrinação
terrena. Sabia estar próxima a hora do trespasse, e os negócios do império
deviam ser confiados ao seu filho mais velho, a quem devia nomear seu
sucessor, por ocasião de um banquete.
O palácio ficou famoso, por séculos, como sendo a construção mais
magnífica desse período, pois o rei possuía enormes recursos à sua
disposição em todo o reino. Vivia intimamente ligado ao seu Deus Interno,
continuamente, e assim riquezas indizíveis afluíam para seu uso. O
interior do palácio era muitíssimo ornamentado, sendo os aposentos
particulares da família real revestidos de ouro puro cravejado de pedras
preciosas. Onde quer que fosse possível, o símbolo do Sol era usado como
uma recordação eterna do Próprio Deus Interno.
No salão do banquete havia cinco mesas de jade esculpido,
apoiadas em pedestais de ônix branco, a cada uma das quais sentavam-se
vinte convivas, com exceção da mesa real onde tinham assento dezesseis,
sendo quatorze da Cidade de Ouro, o rei e o Mestre Saint Germain, então
conhecido como "Filho de Uriel". As cadeiras da mesa real eram de ouro,
delicadamente cobertas com dossel de admiráveis penas de avestruz, em
magníficas cores. Na cadeira destinada ao Inca, as plumas eram de um
belo violeta; na de Saint Germain, de um intenso ouro; cor de rosa na da
filha. As da cadeira do príncipe mais velho eram de cor violeta, porém de
um tom mais claro que as do soberano; finalmente, na do filho mais novo,
eram brancas, representando a autoridade do sacerdócio. As plumas das
cadeiras dos restantes entre os quatorze da Cidade de Ouro eram de
variadas cores, de beleza indescritível, representando cada cor o cargo e o
serviço que cada ocupante desempenhava no império.
124
Toalhas de um material muito leve, copiosamente bordadas com
linha de um brilho notável, cobriam as mesas. Todo o palácio era
iluminado por globos de cristal autoluminosos, dados por Saint Germain
ao soberano Inca logo que este começou o seu aprendizado.
Trajava o monarca uma roupagem real de ouro, de estrutura
aparentemente metálica, com maravilhoso peito de armas de pedras
preciosas representando o "Sol". Sobre este traje, o manto real, feito de rico
tecido púrpura, enfeitado de magníficas plumas de avestruz em toda a orla
e gola. Sua coroa era constituída de um diadema de brilhantes, que
sustinha atrás três plumas cor violeta. Essas três plumas simbolizavam,
na Vida Interior do rei, as três atividades da Cabeça de Deus - Pai, Filho e
Espírito Santo, atuando através do homem como Amor, Sabedoria e Poder.
Os dois príncipes vestiam roupas semelhantes às do pai, exceto quanto ao
longo manto real, usando também, cada um deles, o símbolo do "Grande
Sol', formado por um peito de armas de pedras preciosas. A coroa do
primogênito era cravejada de esmeraldas e as plumas da parte posterior
eram de cor violeta, como as da coroa do rei, porém em tom mais claro. O
diadema do outro príncipe era cravejado de pérolas, sendo brancas as
plumas - símbolo acrescentado às suas funções de sacerdote.
A princesa usava um vestido de fino tecido de ouro, como teia de
aranha, com uma túnica de material opalino, cintilante, e que mudava de
cor a cada movimento do corpo. Usava, também, um cinto de diamantes e
esmeraldas, com a respectiva faixa, que pendia até quase atingir o chão.
Na cabeça, uma touca justa, de tecido, e em volta do pescoço um colar de
onde pendia o símbolo do "Grande Sol" com diamantes, rubis e esmeraldas
engastados. Suas sandálias eram de ouro, também ornadas com pedras
preciosas.
No momento preciso em que o rei deixava seus aposentos
particulares a caminho do salão de banquetes, uma Luz Ofuscante rutilou
125
no palácio e Saint Germain surgiu diante de nós, à semelhança de um
Deus. A "Luz" que o cercava, quase cegava pelo Brilho, e foram precisos
alguns segundos para que a ela nos acostumássemos.
Seus belos cabelos dourados pendiam-lhe sobre os ombros e
estavam presos por um diadema de diamantes azuis, que lhe contornavam
a cabeça. Sua própria Radiação Intensa brilhava através da cor dos
cabelos, a ponto de parecer luz solar. O penetrante e cintilante violeta de
seus olhos contrastava fortemente com a tez, que revelava a suave cor
rosada da mocidade e da saúde perfeita. Seus traços fisionômicos eram
muito regulares, como os dos antigos gregos.
Vestia roupagem de maravilhoso, deslumbrante tecido branco,
inteiramente diferente de qualquer coisa conhecida no nosso mundo
moderno. Esse traje se lhe ajustava ligeiramente ao corpo à altura da
cintura, que era cingida por um cinto de diamantes amarelos e safiras,
com uma faixa pendente até os joelhos. No dedo médio da mão esquerda
via-se-lhe um anel com esplêndido diamante amarelo e no da mão direita
outro, com uma safira de brilho quase igual, ambas as jóias cintilando
126
extraordinariamente em virtude da grande Radiação de seu portador, que
acabara de chegar da Cidade de Ouro.
O rei surpreendeu-se e manifestou grande alegria ao seu
aparecimento e fazendo o sinal do coração, da cabeça e da mão, curvou-se
em reverência diante dele, oferecendo ao Mestre o braço. Assim
prosseguiram até o salão de banquetes.
Aqui, as mesas tinham sido guarnecidas com um completo serviço
de ouro, cristal e jade. Os filhos do rei chegaram logo depois e ao avistarem
seu querido Mestre, quase não contiveram a alegria. Entretanto, não
esqueceram a dignidade do momento e, fazendo o Sinal Divino que lhes
ensinara, inclinaram-se respeitosamente diante do pai e de seu Distinto
Hóspede.
Foi dado o sinal e todos se sentaram. O rei sentou-se à cabeceira
da mesa, o Mestre Saint Germain à sua direita, seguido da princesa. O
filho primogênito ficou à esquerda do rei, ao seu lado o irmão mais moço e
os restantes da Cidade de Ouro.
Ao terminar o banquete, o soberano levantou-se, ficando todos
atentos. Permaneceu silencioso por um momento e estendendo a mão ao
amado Saint Germain, apresentou-o aos hóspedes. O Mestre inclinou-se
graciosamente e o rei contou-lhes como lhes fora ensinada, a ele e aos
filhos, a mais Alta Lei Espiritual, e como as grandes bênçãos, que caíram
sobre aquele país e seu povo, eram o resultado do Grande Amor do Mestre.
Além disso, explicou-lhes que o banquete fora oferecido a ele para indicar
seu sucessor ao trono.
Fez sinal ao filho mais velho para se levantar e proclamou-o futuro
governante da nação. Tirando o Manto Real, colocou-o nos ombros do filho
e Saint Germain, pousando as mãos sobre sua cabeça em sinal de bênção,
disse:
127
“Eu vos abençôo, meu filho, em Nome e Poder do Poderoso Deus
Uno - no homem e no governo do Universo - cuja Suprema Sabedoria vos
há de dirigir cuja 'Luz' vos iluminará, cujo Amor vos abençoará e
envolverá, bem como à vossa terra e ao vosso povo”.
Tocando com o polegar da mão direita a testa do jovem, o Mestre
Amado levantou a mão esquerda e um Ofuscante Jato de 'Luz' os envolveu
a ambos.
O rei nomeou, então, os que deviam substituir a princesa e os
príncipes no templo de Mitla. Saint Germain, o rei e seus filhos, bem como
os restantes da Cidade de Ouro, encaminharam-se para a sala do trono,
onde o Mestre outra vez lhes dirigiu a palavra, dizendo:
“Amadas Criaturas da Luz! Vosso irmão, o rei, em breve irá gozar
seu bem merecido descanso e receber instrução mais elevada. Até então,
eu permanecerei convosco. Vossa civilização atingirá seu apogeu sob o
governo deste outro nosso amado irmão, e precisareis acrescentar bens de
fortuna para realizar tudo o que deve ser feito. No coração das montanhas,
não muito longe daqui, há um grande tesouro em ouro e pedras preciosas.
“O filho mais moço de vosso governante atual, até agora não
relembrou uma faculdade que ele usava em tempos passados. Estimularei
novamente essa atividade interior, para que as exigências de vossos
futuros empreendimentos sejam satisfeitas”.
Isto dizendo, encaminhou-se para o mais jovem dentre os filhos do
rei e tocou-lhe a fronte com o polegar direito. Um tremor percorreu o corpo
do príncipe, cuja Visão Interna se abriu. Ele viu, nas montanhas
longínquas, um certo local que continha tão grandes riquezas, que
compreendeu não ser preciso outra reserva para suprir as necessidades
decorrentes das atividades externas. Prestou, então, testemunho de
obediência ao seu Amado Mestre e prometeu que, com Sua assistência
128
seria preenchido o plano para o aproveitamento de tão grande tesouro.
Três das minas que ele abriu e fez explorar, foram fechadas e seladas
quando terminou o reinado dos da Cidade de Ouro. Elas continuam
fechadas até hoje.
Arqueólogos têm encontrado, de tempos em tempos, por vários
processos, sinais e provas evidentes da espantosa altura que essa
civilização alcançou, bem como o esplendor de suas realizações. Os
fragmentos das atividades lncaicas até aqui descobertos eram da
civilização durante seu declínio, mas dia virá em que, aquilo que foi
manifestado durante o apogeu, será revelado para benefício, iluminação e
serviço da posteridade.
No dia seguinte foram enviados mensageiros aos principais pontos
do império, anunciando a subida do príncipe herdeiro ao trono. Sua
reputação já o precedera, na Cidade de Mitla, pela sabedoria, nobreza de
caráter e espírito de justiça amplamente conhecidos por todo o reino,
durante os anos que lá serviu.
Poucos dias mais tarde, o filho mais moço recomendou ao
engenheiro das minas que preparasse equipamento, homens e
suprimentos para irem às montanhas abrir a mina que lhe tinha sido
mostrada pelo uso da Visão Interna.
Quando estavam prontos para a viagem, o príncipe ficou a sós e
fixou a atenção firmemente no Próprio Deus Interno, sabendo que seria
infalivelmente levado a encontrar a mina; por isso não teve dificuldade ou
atraso, indo diretamente ao local que lhe fora mostrado na visão. Pôs a
trabalhar um grande número de homens, e ao fim de sessenta dias tinham
aberto a mina no ponto onde estabeleceram contato com o mais rico veio
de ouro até então localizado na América do Sul, antes ou depois dessa
época. A descoberta e a exploração dessa mina chegaram até os nossos
dias como lenda, entre o povo. O jovem regressou de sua missão entre
129
calorosas boas-vindas por parte da multidão, recebendo as bênçãos de seu
pai, de Saint Germain, de seu irmão mais velho e de sua irmã.
A mina estava situada numa altitude de dois mil e quatrocentos
metros, e durante o tempo que lá permaneceu, o filho do rei tornou-se
sumamente sensitivo, atividade essa que SEMPRE ocorre nas grandes
elevações. Voltando ao palácio, sentiu claramente que chegara o momento
do governante Inca efetuar a grande mudança, isto é, compreendeu que
seu passamento estava próximo.
Chegou o dia da coroação do filho do rei, quando ele devia assumir,
legal e publicamente, a responsabilidade e os deveres do reino. A família
real pediu ao seu Amado Mestre e Amigo que procedesse à coroação do
novo soberano, ao que ele gentilmente aquiesceu.
Esmerados preparativos tinham sido feitos para que o importante
acontecimento fosse completo, e a cerimônia prosseguisse até o momento
em que a coroa devia ser colocada sobre a cabeça do novo rei. Mas todos
notaram que Saint Germain não fazia menção de apanhar a coroa.
Subitamente surgiu um Deslumbrante Jato de "Luz" e perante eles
apareceu um Maravilhoso Ser. Parecia tratar-se de uma jovem de dezoito
anos apenas, mas de seus olhos e de sua "Presença" reluzia Esplêndida
Radiação plena de Amor, da Sabedoria e do Poder de uma Deusa. A Luz
que impregnava a atmosfera em torno dela era de um branco cristalino -
faiscando e cintilando constantemente.
Estendendo as delicadas mãos, tomou a coroa e com graça infinita
colocou-a na cabeça do filho do rei, dizendo com uma voz que era a própria
alma da música:
“Querido da Cidade de Ouro, eu te corôo com o Amor, a Luz e a
Sabedoria de que esta coroa é Símbolo. Possam teu sentimento de Justiça,
tua Honra e tua Nobreza perdurar sempre. Por uma Ordem Divina,
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reinarei contigo, invisível a todos, exceto aos da Cidade de Ouro que aqui
se encontram”.
O novo rei ajoelhou-se para receber a coroa e o Ser Maravilhoso
inclinou-se e beijou-lhe a fronte. Voltou-se, então, para os hóspedes
presentes, e estendendo as mãos, abençoou-os. Imediatamente uma
suave Luz rósea encheu o ambiente, sendo isso o extravasamento do
Seu Amor para com todos. Abençoou o ex-rei e voltando-se para a
princesa estreitou-a num carinhoso abraço. Ao filho mais moço
estendeu a mão e ele, ajoelhando-se, beijou-a com profunda reverência.
O novo rei subiu ao trono e cumprimentou aos assistentes,
inclinando-se. Oferecendo o braço ao lindo Ser, mostrou o caminho para o
salão de banquetes, onde celebraram a coroação com uma festa. Fez sinal
para que se sentassem e dirigiu-lhes a palavra nestes termos:
“Povo meu muito amado, sei que há unicamente UMA PODEROSA
'PRESENÇA' - DEUS - na humanidade e no Universo, que tudo governa. É
meu desejo, como sempre foi, viver de tal modo que minha mente e meu
corpo sejam canais desimpedidos e expressões perfeitas da Una e
Grandiosa Presença Interior. Que Deus vos abençoe sempre, meus amigos,
e a vós, meu povo, à nossa terra e sua atividade, prodigalizando-vos Amor,
paz, saúde e felicidade. Possa este império, que é domínio de Deus, e de
que somos tão somente guardiões, continuar em abundante prosperidade.
Que o Amor que tenho a Deus os envolva sempre, e eu rogo à 'Luz' Eterna
de Deus que vos eleve à Sua Divina Perfeição”.
Já ia em meio o banquete quando o ex-soberano tornou-se
extremamente pálido. O novo rei fez sinal ao irmão, que se aproximou do
pai, conduzindo-o para os aposentos particulares da família real. Deitou-se
o monarca e durante quase quatro horas permaneceu em imobilidade
absoluta. Continuaram a seu lado os filhos, o Mestre Saint Germain e o
Ser Maravilhoso.
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Chegado o momento final da jornada terrena do velho soberano, o
Ser Maravilhoso acercou-se da cabeceira do leito onde ele jazia e dirigiulhe
a palavra:
“Irmão Inca, pensaste em deixar tua forma à ação dos quatro
elementos, mas declaro-te que ela será Elevada, Transmutada e Iluminada
dentro do Eterno 'Templo de Deus', que expressa Toda Perfeição. Teu
grande serviço te livrou da roda dos nascimentos e daquilo que se chama
morte. Sê agora recebido pela Hoste Ascensionada de Luz, com a qual,
para todo o sempre serás – UNO”.
Lentamente o corpo subiu para dentro da sua Perfeição Eterna,
desaparecendo por completo. Saint Germain voltou-se para os
circunstantes:
“Meu trabalho aqui terminou”. Isto dizendo, deu um passo à frente
e colocou um anel do mais original modelo no dedo médio da mão direita
do rei. O adorno desse anel era um globo auto-luminoso em miniatura, de
uma substância precipitada como se fosse pérola, tendo no centro uma
pequenina Chama Azul. Era um foco de "Luz" da mesma natureza dos
globos que Saint Germain dera ao pai do rei para iluminar o palácio.
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