Mistérios Desvelados
Ensinamentos do Mestre
Saint Germain
Ponte Para A Liberdade
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DEDICATÓRIA
Esta série de livros é dedicada, com o mais profundo Amor e
Gratidão Eterna, ao nosso querido Mestre Saint Germain, à Grande
Fraternidade Branca, à Fraternidade do Royal Teton, à Fraternidade do
Monte Shasta e Aqueles Mestres Ascensionados cuja assistência amorosa
tem sido direta e sem limites.
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APRESENTAÇÃO E AGRADECIMENTO
Como o ressoar do cântico das esferas, possam as cordas mais
sensíveis de nossos corações expressar os melhores e mais profundos
agradecimentos ao nosso Querido Irmão e Mestre Saint Germain, que tão
amorosamente nos oferece mais uma obra de suprema e transcendental
grandiosidade.
Que possamos segurar com firmeza e determinação a Sagrada
Tocha da Liberdade, e, de mãos dadas com esse Ser admirável,
participarmos na construção de sua Duradoura Idade de Ouro, que já está
iniciando entre nós.
Agradecemos à “El Libro Del Maestro”, à Associação Civil pro
Enzenanzas Parapsicológicas, México, pela gentil autorização que nos
concederam, tornando possível editarmos mais essa obra extraordinária e
preciosa.
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POR UM DOS MESTRES ASCENSIONADOS
DA GRANDE FRATERNIDADE BRANCA
AUTORIZAÇÃO PARA DIVULGAÇÃO
Contrariamente ao que se tem dito a respeito de que o Mestre
Ascensionado Saint Germain teria proibido a divulgação de Seus
Ensinamentos, temos a grata satisfação de enfatizar ao estudante um
trecho do Discurso nº XXX, recebido pelo Raio de Luz e Som no dia 29 de
novembro de 1939, e que diz textualmente:
EU APRECIAREI PROFUNDAMENTE TODA ASSISTÊNCIA QUE OS
ESTUDANTES, SOB ESTA RADIAÇÃO, POSSAM DAR, PARA QUE OS
LIVROS SEJAM EDITADOS E POSTOS ANTE A HUMANIDADE, VISTO SER
ESTE O MAIOR E MAIS VALIOSO SERVIÇO QUE SE PODE OFERECER
NESTE MOMENTO”
SAINT GERMAIN
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TRIBUTO
POR UM DOS MESTRES ASCENSIONADOS
DA GRANDE FRATERNIDADE BRANCA
O momento cósmico anuncia o surgimento de novos tempos, em
que a GRANDE SABEDORIA, retida e guardada por muitos séculos no
Extremo Oriente, deve vir agora para a América*, por ordem daqueles
Grandes Mestres Ascensionados que dirigem, protegem e assistem,
expandindo a LUZ, interpenetrando a humanidade e toda a vida na Terra.
O Majestoso Mestre Ascensionado Saint Germain, através desta
série de livros, é um daqueles Poderosos Seres Cósmicos da Grande Legião
dos Mestres Ascensionados que governam este Planeta. Senhor e Rei da
Nova Era da LIBERDADE, Chohan do 7º Raio, trouxe aos homens, através
do Poder Divino da Liberdade, o conhecimento do FOGO VIOLETA. Há
milênios, o poderoso FOGO VIOLETA vem irradiando sua força de
penetração como bênção ao mundo, apenas conhecido e manejado por
poucos iniciados discípulos da Grande Fraternidade Branca.
Com o decorrer do tempo, o beneficente uso desse sagrado FOGO
VIOLETA – o conhecimento desse poder se propagará entre toda a
humanidade.
É Ele a Grande e Magistral “PRESENÇA” que trabalhou na Corte
da França, antes e durante a Revolução Francesa e cuja advertência, se
tivesse sido atendida, teria evitado grande sofrimento. Ele foi conhecido
como o “HOMEM MARAVILHOSO”, devido aos seus Poderes
Transcendentes, Divinos.
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O Mestre Ascensionado Saint Germain está indissoluvelmente
ligado ao passado, presente e futuro das Américas, porque uma
importantíssima parte de Seu trabalho sobre a Terra consiste em purificar,
proteger e iluminar os povos deste hemisfério, para que possam ser
Portadores da “TAÇA DE OURO” para todas as nações da Terra, na Sua
Duradoura Idade de Ouro, que já está surgindo diante de nós.
A própria libertação das Américas, no princípio de sua existência,
foi voltada graças a seus incansáveis esforços ao objetivo supremo de
proteger e encorajar os responsáveis por esse ideal de Liberdade. O Plano
da Declaração da Independência foi também um resultado direto de Sua
Ajuda e Influência, e foram seu Amor, Proteção e Força que sustentaram
Washington, Lincoln e Simon Bolívar, durante as horas mais obscuras e
difíceis de suas vidas.
Este amado Irmão da humanidade, que trabalha incansavelmente
pela LUZ e LIBERTAÇÃO, está ainda agora, no momento atual,
trabalhando em assuntos governamentais das Américas e realizando
mudanças transcendentes, benéficas, que as abençoarão e, através delas,
todo o planeta.
O povo destes continentes terá conhecimento dentro de alguns
anos do quanto deve a este Grande Mestre Ascensionado, por mais esta
obra de incomensurável valor e do quanto toda a Terra será beneficiada.
É impossível fazer plena justiça ou outra forma de gratidão, senão
dedicando-Lhe o mais profundo Amor, Fidelidade, Obediência e Serviço ao
Ideal da LIBERDADE pelo qual se dedica e incessantemente trabalha há
tantos séculos.
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Capítulo 1
ENCONTRO COM O MESTRE
O Monte Shasta
O Monte Shasta se eleva sobranceiro e majestoso, no sopé, por um
bosque de pinheiros e abetos, assemelhando-se a uma jóia de brilho e
alvura incomparáveis, fixada em um engaste de filigrana verde.
Seus cumes, cobertos de neves eternas, resplandeciam, como
milhares de diamantes, de raro esplendor e beleza, assumindo as sete
cores prismáticas e mudando constantemente, à proporção que as
sombras se alongavam com a decida do Sol no horizonte.
Havia rumores de que existia um grupo de homens — Homens
realmente Divinos — citados como Fraternidade do Monte Shasta, que
constituía um ramo da Grande Loja Branca, e que esse Foco, desde
tempos remotos, vinha operando continuamente, até os dias presentes.
Eu fora enviado, a negócios do Governo, para uma cidadezinha
situada na base da montanha e enquanto no desempenho dessa missão,
ocupava minhas horas de folga tentando deslindar os rumores
concernentes à Fraternidade. Eu sabia, através de viagens no Extremo
Oriente, que a maior parte das tradições, dos mitos e das lendas têm, em
algum ponto, como origem, uma profunda Verdade fundamental, que
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geralmente permanece desconhecida de todos, a não ser dos verdadeiros
estudantes da vida.
Enamorei-me do Monte Shasta e todas as manhãs, quase
involuntariamente, saudava o Espírito da Montanha e os Membros da
Ordem. Percebia alguma coisa muito singular fora do comum ao redor de
toda a localidade e, à luz das experiências que se seguiram, não me admira
que algumas delas eu as pressentisse tão intensamente.
Longos passeios na trilha tornaram-se hábito meu, sempre que
desejava pensar a sós ou tomar decisões importes Aí, nesse Grande
Gigante da Natureza, encontrava descanso, inspiração e paz que me
confortavam a alma, revigorando-me o espírito e o corpo.
Planejara tais excursões por prazer, como pensava, a fim de passar
algum tempo mergulhado no coração da montanha, quando a seguinte
experiência entrou em minha vida para mudá-la tão completamente, que
eu quase poderia crer em outro planeta, não fora minha volta à rotina em
que achava empenhado por meses.
Nessa manhã saí ao romper do sol, decidido a seguir até onde a
fantasia me levasse, e de um modo vago pedi a Deus que me guiasse os
passos. Ao meio-dia eu já subira alto pela encosta da montanha, de onde a
vista para o sul era como um sonho.
À medida que o dia avançava, tornava-se muito quente e eu parava
com freqüência para descansar e deleitar-me com a notável extensão da
região em volta do rio Mac Cloud, do vale e da cidade. Chegou a hora de
almoçar e procurei uma fonte de água fresca e límpida. Com o copo na
mão, inclinei-me para enchê-lo, quando uma corrente elétrica percorreume
o corpo da cabeça aos pés.
Olhei em volta e percebi atrás de mim um jovem que à primeira
vista, parecia estar como eu, a passeio. Olhei mais atentamente e
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compreendi, de pronto, não se tratar de pessoa comum. Enquanto esse
pensamento me atravessava cérebro, ele sorriu e dirigindo-se a mim, disse:
“Meu Irmão, se me entregardes esse copo, dar-vos-ei bebida
muito mais refrigerante que água da fonte”. Obedeci e
instantaneamente o copo se encheu de um líquido cremoso. Devolveu-me,
dizendo:
“Bebei”.
Assim o fiz, devendo deixar transparecer meu espanto. Ao mesmo
tempo que era de sabor delicioso, o efeito eletrizante e estimulante,
produzido em minha mente e em meu corpo, fez-me ofegar de surpresa.
Não o vi por coisa alguma dentro do copo e maravilhei-me com o que
sucedia.
“O que bebestes”, explicou: vem diretamente do Reservatório
Universal, puro e vivificante como a Própria Vida, e de fato é Vida — Vida
Onipresente — porque está em toda parte em torno de nós. Está sujeito a
nosso controle e direção consciente, obedecendo-nos prontamente quando
amamos bastante, porque todo o Universo obedece ao preceito do Amor.
Seja o que for que eu deseje, manifesta-se por si mesmo quando ordeno
em Amor. Estendi o copo e aquilo que desejei para vós, apareceu.
Vede! Basta-me estender a mão e se eu me interessar pelo ouro — o
ouro aqui está. Instantaneamente surgiu-lhe na palma da mão um disco
quase do tamanho de uma moeda de ouro de dez dólares. Continuou,
então:
Vejo dentro de vós uma certa compreensão Interior da Grande Lei,
mas não estais externamente consciente o bastante a respeito d’Ela para
produzirdes o que desejais diretamente do Onipresente Reservatório
Universal. Desejastes tão intensa, honesta e resolutamente ver alguma
coisa deste gênero, que isso não vos poderia ser recusado por mais tempo.
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“Entretanto, a precipitação é uma das menos importantes
atividades da Grande Verdade do Ser. Se vosso desejo não fosse
desprendido de egoísmo e de fascinação pelos fenômenos, tal experiência
não vos teria ocorrido. Quando deixastes a casa esta manhã, pensastes
estar saindo a passeio, isto é, tanto quanto vossa atividade exterior
gostaria de fazê-lo. No mais profundo e amplo sentido, porém, estáveis
realmente seguindo o impulso de vosso Próprio Deus Interno, que vos
conduziu à pessoa, ao lugar e à condição onde vosso mais intenso desejo
pudesse ser satisfeito.
A Verdade da Vida é que não se pode desejar uma coisa, que não
seja possível a esta coisa manifestar-se em algum lugar do Universo.
Quanto mais intenso for o sentimento contido no desejo, tanto mais
depressa este se realizará. Se, entretanto, alguém for tão insensato a
ponto de desejar alguma coisa que possa prejudicar a um outro filho de
Deus, ou a qualquer outra parte de Sua Criação, então essa pessoa pagará
a penalidade com discórdia e fracasso, em alguma experiência de sua vida.
É muito importante compreender plenamente que o desígnio de
Deus para com cada um de Seus filhos é a abundância de todas as coisas
boas e perfeitas. Ele criou a Perfeição e investiu cada um de Seus filhos
exatamente com o mesmo poder. Também eles podem criar e manter
Perfeição, expressar a SABEDORIA de Deus sobre a Terra e tudo quanto
nela existe. O ser humano foi criado, originariamente, à Imagem e
Semelhança de Deus. A única razão pela qual nem todos manifestam Seu
Domínio e Majestade é pelo fato de não usarem sua Herança Divina —
aquilo de que todo indivíduo é dotado e com que é destinado a governar
seu próprio mundo. Então, não estão obedecendo à Lei do Amor, através
da qual se derramam bênçãos e paz a toda Criação.
Isto lhes acontece pela sua falta de capacidade em aceitar e
reconhecer a si próprios como Templos do Mais Alto Deus Vivo, e de
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guardar este conhecimento com eterna gratidão. A humanidade, na sua
atual limitação aparente de tempo, espaço, conceitos e valores distorcidos,
acha-se nas mesmas condições de uma pessoa necessitada a quem
estendesse uma mão cheia de dinheiro. Se o referido indigente não desse
um passo avante para receber o dinheiro que se lhe oferecia, como
poderia, jamais, obter os benefícios que este lhe poderia trazer?
“A massa da humanidade está hoje exatamente nesse estado de
consciência e nele continuará mergulhada, até que os humanos aceitem a
Deus dentro de seus corações como o SUPREMO AMOR GOVERNANTE, o
DOADOR e o AUTOR de todo o BEM que sempre desejaram para preencher
suas vidas com plenitude e bem-aventurança”.
O eu pessoal de todo indivíduo deve reconhecer, completa e
incondicionalmente, que a atividade exterior ou humana da consciência
nada tem, absolutamente, que lhe seja próprio. Mesmo a energia, pela
qual se reconhece o Grande Deus Interior, é irradiada para o eu-pessoal
pelo Grande Ser Divino Interior.
“Amor e glorificação ao Grande Eu Interior e a atenção mantida
focalizada sobre a Verdade, a saúde, a liberdade, a paz, a fartura, ou
qualquer outra coisa que desejardes para correto uso, trarão à
manifestação para o vosso proveito e de vosso mundo — se com
persistência os conservardes em vossa consciência (pensamento e
sentimento). Isto é tão certo como existe uma Grande Lei de Atração
Magnética no Universo”.
“A Eterna Lei da Vida é: O QUE PENSAIS E SENTIS ATRAIREIS
PARA O MUNDO DA FORMA, onde está vosso pensamento, aí estais,
porque sois vossa própria Consciência e vos tomareis naquilo sobre
que meditais”.
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Quando alguém permite que sua mente se demore em pensamento
de ódio, condenação, concupiscência, inveja, ciúme, crítica, medo, dúvida
ou desconfiança, e admite que esses sentimentos de irritação sejam
gerados dentro dele, certamente terá discórdia, fracasso e infortúnios em
sua mente, corpo e mundo. Enquanto ele permanecer consentindo que sua
atenção se prenda a tais pensamentos - tenham eles por objeto nações,
pessoas, lugares, condições ou coisas - está absorvendo aquelas atividades
na substância de sua mente, de seu corpo e de seus negócios. De fato, ele
está induzindo - forçando-as - a que entrem em sua experiência.
“Todas essas atividades discordantes atingem o indivíduo e seu
mundo, através de seus pensamentos e sentimentos”.
O sentimento muitas vezes se manifesta impetuosamente, antes
mesmo que se possa controlar os pensamentos captados pela consciência
externa; tal experiência mostrar-lhe-á como é grande a energia, dentro de
suas múltiplas criações - criações estas que ele acumulou pelo hábito.
A atividade de Vida designada como sentimento, é o ponto menos
resguardado da consciência humana. É a energia acumuladora, pela qual
os pensamentos são impelidos para dentro da substância atômica, e
assim, pensamentos se tornam coisas. Advirto-vos: a necessidade de
vigilância sobre o sentimento nunca será demasiadamente enfatizada,
porque o controle das emoções desempenha o papel mais importante em
tudo na Vida, mantendo o equilíbrio da mente, a saúde do corpo, sucesso
e realização nos negócios e no círculo social do eu-pessoal de todo
indivíduo. PENSAMENTOS nunca poderão se converter em coisas,
enquanto não se revestirem de SENTIMENTO.
“O que chamam de Espírito Santo é o que conhecemos como
sentimento, é a parte da Vida — Deus — a Atividade do Amor Divino
ou a Expressão Materna de Deus. É por isso que o pecado contra o
Espírito Santo é referido como o que acarreta tão grande aflição,
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porque qualquer discordância no sentimento rompe a Lei do Amor,
que é a Lei do Equilíbrio, Harmonia e Perfeição.
O maior crime no Universo contra a Lei do Amor é a emissão quase
incessante, pela humanidade, de toda espécie de sentimentos negativos e
destrutivos.
Um dia a raça humana virá a perceber e reconhecer que as forças
sinistras e destrutivas que se manifestam nesta Terra e em sua atmosfera
— geradas, notai bem, pelo pensamento e sentimento humanos — só
entraram nos negócios dos indivíduos e das nações através da falta de
controle das emoções na experiência diária de cada um. Mesmo os pensamentos
destrutivos não podem expressar-se em ação, acontecimentos, ou
transformar-se em coisas físicas sem passar pelo mundo do sentimento —
porque é nessa fase de manifestação que tem lugar a atividade de
solidificação do átomo físico sobre as formas mentais.
“Assim como o barulho de uma súbita explosão causa um choque
no sistema nervoso de quem ouve, imprimindo uma sensação de tremor na
estrutura celular do corpo — exatamente do mesmo modo as labaredas do
sentimento irritado chocam, perturbam e desordenam as substâncias mais
finas da estrutura atômica da mente, do corpo e do ambiente da pessoa
que as emite, consciente ou inconscientemente, intencionalmente ou
não.
O Sentimento discordante é o causador das condições a que
chamamos desintegração, velhice, falta de memória e qualquer outra
falha no mundo da experiência humana.
O efeito causado sobre a estrutura do corpo é o mesmo que seria
produzido em um edifício se a argamassa, que une os tijolos, recebesse
repetidos golpes, num aumento crescente, diariamente. Esse abalo
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contínuo separaria as partículas componentes da argamassa, e o edifício
ruiria e se transformaria em massa caótica, e a forma deixaria de existir.
É isto que a humanidade está constantemente fazendo na
estrutura atômica do corpo humano.
“Manifestar pensamentos e sentimentos discordantes que brotam
de si mesmo, é proceder dentro do menor esforço e constitui uma atividade
habitual do indivíduo pouco desenvolvido, rebelde e obstinado, que recusa
compreender a ”LEI DO SEU PRÓPRIO SER” e trazer sua personalidade —
que é apenas instrumento de expressão — à obediência a ‘Essa Lei’.
Aquele que não quer controlar seus pensamentos e
sentimentos, está em mau caminho, porque todas as portas de sua
consciência estão abertas de par em par às atividades deslntegradoras
projetadas pelas mentes e emoções de outras personalidades. Não é
preciso nem força, nem sabedoria, nem treinamento, para dar
passagem a impulsos malévolos e destrutivos, e os seres humanos
adultos que fazem isto, não passam de crianças no desenvolvimento
de seu auto-domínio.
É uma vergonha para a Vida da espécie humana, que tão pouco
controle das emoções seja ensinado à humanidade, do berço ao túmulo.
ATENÇÃO para este ponto fundamental e grave é hoje a maior necessidade
do mundo Ocidental. É fácil ceder a pensamentos, sentimentos e hábitos
discordantes, porque a massa humana está como que submersa em
ambiente e associações criadas, inteiramente, pelos próprios homens.
“O indivíduo, pelo auto-domínio da consciência externa, deve
esforçar-se por se elevar acima dessa condição, pelo seu próprio esforço, a
fim de transcender a essas limitações permanentemente, e ninguém pode
ter esperança de libertar sua vida e seu mundo da miséria, da discórdia e
da destruição, enquanto não refrear os próprios pensamentos e
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sentimentos. Deste modo ele recusa deixar a Vida — que flui através da
mente e do corpo — vir a ser qualificada pela discórdia resultante de cada
pequena ocorrência perturbadora no mundo que o cerca.
“A princípio, essa disciplina requer esforços tenazes e contínuos,
porque os pensamentos e os sentimentos de noventa e cinco por cento da
humanidade correm tão descontrolados e livres como um cãozinho vadio.
“Entretanto, não importa quanto esforço seja necessário para trazer
essas duas atividades a um controle absoluto; esse objetivo é de máxima
importância e vale a pena que se dedique toda a energia, esforço e tempo e
nenhum domínio real e permanente da Vida e do mundo pode resultar sem
ele. Será prazer e privilégio para mim ensinar-vos o emprego dessas LEIS
SUPERIORES. O uso e a aplicação delas vos permitirá libertar e expressar
a verdadeira Sabedoria e manifestar Toda Perfeição.
1. “O primeiro passo para o controle de si mesmo é a
quietação de toda atividade externa, tanto da mente como do corpo.
Quinze a trinta minutos, à noite antes de dormir e pela manhã antes
de começar o trabalho diário, de prática do exercício que se segue,
causará prodígios em quem quer que o faça com o necessário
empenho.
2. “O segundo passo consiste em certificar-vos de que não
sereis perturbados, e depois de vos tornardes perfeitamente
tranqüilos, imaginai e senti vosso corpo envolvido em uma
resplandecente Luz Branca. Durante os primeiros cinco minutos de
concentração nesse quadro, reconhecei e senti intensamente a
ligação do eu exterior e Vosso Poderoso Deus Interior, focalizando a
atenção no centro do coração, visualizando-o como um Sol Dourado.
3. “O passo seguinte é o reconhecimento: ‘ Eu agora aceito
alegremente a plenitude da Poderosa Presença de Deus - o Cristo
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Puro’. Senti o grande brilho da Luz e intensificai-A em cada célula de
vosso corpo durante, no mínimo, dez minutos.
4. “Encerrai então a meditação pelo comando:” EU SOU
UM FILHO DA LUZ – EU AMO A LUZ – EU SIRVO A LUZ – EU VIVO
NA LUZ – EU SOU PROTEGIDO, ILUMINADO, SUPRIDO,
SUSTENTADO PELA LUZ E EU ABENÇÔO A LUZ “.
Lembrai-vos sempre: Nós nos tornamos naquilo em que meditamos
e uma vez que todas as coisas vieram da ‘Luz’, ‘Luz’ é a Suprema Perfeição
e o Controle de todas as coisas.
Contemplação e adoração da ‘LEI’, induz a iluminação da mente;
saúde, força e ordem no corpo físico, paz, harmonia, êxito, a se
manifestarem nos negócios de todo o indivíduo que realmente pôr em
prática essa disciplina e mantê-la.
No início de cada Era, em todos os tempos, em quaisquer
condições, dizem-nos todos aqueles que expressaram as maiores
realizações da Vida, que a ‘Luz’ é Suprema — a ‘Luz’ está em toda a parte
— e na ‘Luz’ existem todas as coisas.
Esta Verdade é tão verdadeira hoje como o era há um milhão de
anos atrás. Tão remotamente desde quando se tem conhecimento da
história da humanidade, os sábios e os grandes representantes de todas as
eras são pintados com uma radiação de Luz que os envolve, emanando da
cabeça e do corpo.
Essa ‘Luz’ é real — tão real como a luz elétrica em vossas casas.
Não está muito distante o dia em que aparelhos serão construídos para
mostrar a emanação da ‘Luz’ em volta de cada indivíduo, visível ao olho
físico de quem quer que deseje vê-la. Tais aparelhos mostrarão, também, a
contaminação ou descoloração que se torna em nuvem em torno da ‘Luz’
de Deus —gerada pelo eu-pessoal através de pensamentos e sentimentos
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discordantes. Esta — e somente esta— é a maneira pela qual a energia da
Grande Corrente de Vida é mal empregada e erradamente qualificada.
“Se praticardes fielmente o exercício recomendado, sentindo-o em
cada átomo de vossa mente e de vosso corpo com profunda, profundíssima
intensidade, recebereis provas abundantes da Tremenda Atividade, do
Poder e da Perfeição que residem e estão perenemente ativos dentro da
Luz. Quando tiverdes experimentado isto, mesmo por pouco tempo, não
precisareis de nenhuma prova além dessa. Tornar-vos-eis vossa própria
prova. A ‘LUZ’ É O REINO ENTRAI N’ELE E ESTAREIS EM PAZ. Voltai à
casa do Pai. Passados os dez primeiros dias da prática deste exercício, é
bom fazê-lo três vezes ao dia — de manhã, ao meio-dia e à noite,
verificareis um início palpável de modificação, discreta, que vai
manifestando-se aos poucos em vossa vida.
Muitas vezes ouvimos a queixa: ‘Oh! Não disponho de tanto tempo’!
Aos que são dessa opinião, desejo simplesmente dizer o seguinte:
O tempo que o comum das pessoas gasta criticando, condenando e
censurando criaturas, condições e coisas, por não serem algo diferente do
que são, se empregado nesse reconhecimento e uso da ‘Luz’, faria o Céu
manifestar-se na Terra, para quem ousar experimentar e tiver
determinação para perseverar. Nada é impossível. A ‘Luz’ jamais falha.
A ‘Luz’ é o Meio de Deus para criar e manter Ordem. Paz e Perfeição
em toda a Sua Criação. Qualquer ser humano nesta Terra pode dispor de
todo o tempo de que necessitar para executar este exercício, quando seu
desejo de fazê-lo for bastante intenso. A própria intensidade do desejo
reorganizará o mundo do indivíduo, as pessoas, as condições e as coisas
de modo a prover esse tempo, se o ser desejar sinceramente utilizá-lo para
sua elevação. Ninguém no mundo faz exceção a Esta Lei — porque o desejo
intenso de fazer qualquer coisa de construtivo, quando se torna muito
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intenso, é o Poder da Energia Divina que libera a energia necessária para
criar e expressar a coisa desejada.
Todos gozam desse mesmo supremo privilégio de contato com a
Toda Poderosa Presença Onisciente de Deus, e Ela é o Único Poder que
sempre elevou, eleva e há de elevar o eu-pessoal e seu mundo acima das
discórdias e das limitações terrenas.
“Meu Amado Filho, praticai isto com grande persistência e
determinação e sabei que Deus em Vós é Vossa Vitória Certa”.
Quando acabou de falar, comecei a perceber que ele deveria ser um
dos Mestres Ascensionados, porque não só me havia dado prova de seu
Domínio sobre os elementos, pela Precipitação, mas também ensinado e
explicado como o fez. Sentei-me, admirado de como foi que Ele me
conheceu.
“Meu Filho”, disse, respondendo imediatamente ao meu
pensamento, “eu vos tenho conhecido por eons. Elevando vosso
pensamento — por vosso esforço consciente — tornou-se possível a minha
vinda, hoje, até vós”. Enquanto estive sempre em contato convosco,
quando estávamos ambos em nossos corpos mais sutis, vosso esforço
consciente para alcançar algum dos Mestres Ascensionados abriu-me o
caminho para vir até vós de um modo muito mais tangível, isto é, tangível
para os vossos sentidos físicos.
Vejo que não me reconheceis absolutamente em vossa consciência
externa. Estive presente ao vosso nascimento, quando do passamento de
vossa mãe, e servi de instrumento reunindo-vos a vossa esposa Lótus —
no momento propicio
— de modo a não retardar vossa realização final. Novamente
colaborei para atrair a vós o vosso filho na presente encarnação. Sede,
porém, paciente.
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Ficai tranqüilo por alguns momentos — observai-me com atenção
— e eu vos revelarei minha identidade”. Fiz como ele pediu e durante um
minuto, talvez, vi sua face, corpo e vestes se tornarem a “Presença’ Vivente
Natural, Tangível do Mestre Saint Germain, sorrindo de meu espanto e
divertindo-se à vista da minha surpresa.
Ele ficou parado ali, frente a mim — Esplêndida figura semelhante
a um Deus — num manto branco ornado de jóias, Luz e Amor cintilando
em seus olhos, que revelavam e provavam o Domínio e a Majestade que lhe
são próprios.
“Este”, explicou, “ é o corpo em que eu trabalho uma grande parte
do tempo, quando ocupado com o bem-estar da humanidade, a menos que
o serviço que eu esteja efetuando no momento exija contato mais íntimo
com o mundo externo de negócios, e neste caso construo meu corpo com
as características e a indumentária da nação com a qual eu esteja
trabalhando rio momento”.
“Oh!” exclamei, “agora eu vos reconheço, porque vos tenho visto
muitas vezes assim, nos planos Internos da consciência”.
“Meu Filho”, prosseguiu,“não vedes o que a verdadeira mestria
realmente é? Nós — no Estado de Ascensionados — podemos moldar a
estrutura atômica do nosso corpo como o oleiro molda o seu barro. Cada
eléctron e átomo no Universo obedece ao nosso desejo e comando, em
conseqüência do Poder Divino pelo qual o controlamos — tendo adquirido
o direito de ser seus Dirigentes.
A humanidade, no estado não ascensionado em que se encontra,
fica assombrada e maravilhada com essas coisas, mas eu vos digo que
para nós não existe maior esforço em mudar a aparência e a atividade de
nossos corpos, do que para um ser humano comum mudar de roupas. A
infortunada condição, na consciência humana, que mantém o indivíduo
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nas suas auto-criadas limitações, é a atitude mental que ora teme, ora
ridiculariza aquilo que não compreende ou, o que é ainda pior, em sua
ignorância diz: ‘ISTO É IMPOSSIVEL’. Uma coisa pode não ser provável sob
certas condições humanas, mas o SER DIVINO INTERIOR que é a Grande
‘Luz’, pode mudar todas as condições humanas, e assim nada é
impossível.
Todo indivíduo tem dentro de si a Divina Chama de Vida, e Esse
seu Próprio Deus tem Domínio, onde quer que se mova no Universo. Se
ele, por motivo de sua própria inércia mental, não empregar o necessário
esforço para reorganizar seus velhos hábitos mentais e corporais,
continuará acorrentado às cadeias que ele mesmo forjou. Se, entretanto,
prefere conhecer o Deus Interno dentro de si mesmo, e ousa dar a esse
Deus INTERIOR todo o controle de suas atividades externas, receberá uma
vez mais o conhecimento do Domínio sobre toda substância — que foi seu
desde o começo.
É chegado o tempo em que a humanidade está despertando
rapidamente e ela deve, de algum modo, estar disposta a reconhecer que
viveu repetidamente centenas — algumas vezes milhares — de vidas, cada
vez em um novo corpo físico.
A Lei da encarnação é a atividade, na evolução humana, que dá ao
indivíduo uma oportunidade para restabelecer um equilíbrio, nas mesmas
condições que ele conscientemente desajustou.
É apenas uma atividade da Lei da Compensação — Causa e Efeito,
ou o que pode ser chamado processo automático de equilíbrio, governando
todas as forças em toda parte do Universo. A compreensão correta desta
Lei nos dá a explicação de muitas condições na experiência humana, que
de outro modo nos pareceriam inteiramente injustas. É a única explicação
lógica para a infinidade de complexidades e experiências da criação
humana, e revela o processo e a Lei em que repousa toda manifestação.
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Faz compreender que não há tal coisa como acaso ou acidente. Tudo está
subordinado à direta, exata e Perfeita Lei. Toda experiência de consciência
tem uma causa anterior e tudo, no mesmo instante, torna-se a causa de
um futuro efeito.
“Se um homem magoa uma mulher em determinada vida é certo
que se encarnará numa forma feminina e passará por experiência
semelhante, até que cumpra e sofra aquilo que fez sofrer a outrem. A
mesma coisa acontecerá a uma mulher se for injusta para com um homem
e ofendê-lo. Este é o único caminho pelo qual o ser é obrigado, ou antes,
obriga-se a si mesmo a experimentar tanto a causa como o efeito de tudo
quanto gera no mundo. O indivíduo pode criar e experimentar, o que quer
que seja no seu próprio mundo, mas se prefere causar discórdia e
sofrimento à outrem, obriga-se a atravessar condições semelhantes, até
compreender qual é o efeito de sua própria criação sobre o resto da Vida
no Universo.
Vinde comigo, vamos rever a vida física na qual usastes uma forma
feminina, na França, quando fostes uma cantora de magnífico talento, com
voz de rara beleza e vigor “.
Imediatamente, sem o menor esforço de minha parte, saí de meu
corpo físico, vendo-o inteiramente reclinado no chão. Admirei-me de que
meu corpo ficasse em segurança ali, na encosta da montanha, e em
resposta ao meu pensamento Saint Germain replicou:
Não vos preocupeis. Nada no mundo pode prejudicar vosso corpo
enquanto estivermos ausentes. Observai “!
lnstantaneamente vi meu corpo físico envolvido por uma Chama
Branca, formando um círculo de mais ou menos metro e meio de diâmetro.
Saint Germain colocou o braço direito em volta de mim, e vi que
estávamos nos elevando rapidamente do solo; logo, porém, ajustei-me à
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sua ação vibratória. Não houve sensação de movimento através do espaço,
e num instante estávamos vendo em baixo uma cidadezinha no sul da
França. O Mestre continuou:
Aqui nascestes filha única de uma bela mulher, cuja vida foi um
exemplo de idealismo, adiantado demais para a maioria dessa época.
Vosso pai foi um esposo e companheiro extremamente dedicado, muito
culto e inspirado nas origens do Espírito Cristão.
O éter atmosférico de cada lugar registra tudo o que acontece nessa
localidade. Reanimarei esses Registros Etéricos e vereis cenas animadas,
dando todos os detalhes de vossa vida.
“Cantastes na igreja desse lugarejo e estudastes com uma
professora que persuadiu vossos pais a deixá-la exercitar-vos. Fizestes
rápidos progressos e recebestes vantagens ainda maiores, quando eles se
mudaram para Paris. Depois de um ano de estudo intensivo, ofereceu-se
uma oportunidade para cantardes diante da Rainha de França e sob sua
proteção aparecestes em muitos de seus salões. Isto vos assegurou uma
próspera carreira musical. A França e o sucesso derramaram suas dádivas
sobre vós durante cinco anos seguintes, e acumulastes grandes riquezas.
“Subitamente, vossos pais experimentaram a mudança chamada
morte e o choque que recebestes foi muito grande, seguido de muitas
semanas de grave enfermidade. Quando vos restabelecestes e voltastes a
dar concertos, um novo predicado de simpatia se juntara à vossa voz, em
virtude do sofrimento então recente”.
“Um homem, que vos orientara muito em vossos estudos musicais,
tornou-se diretor de vossos recitais em público e passastes a depender
dele, como se fosse merecedor de confiança. Seguiram-se, então, quatorze
anos de brilhante sucesso, ao fim dos quais adoecestes subitamente,
falecendo dentro de uma semana. Vossas jóias e vossa fortuna, deixastes
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ao cuidado do diretor para serem empregadas em auxílio de outrem, e na
realização de certos planos, em prol dos quais trabalhastes durante toda a
vida. Mal haviam terminado as últimas cerimônias religiosas, quando uma
completa mudança nele se operou: a ganância apoderou-se dele
plenamente. Agora vos mostrarei esse homem, que encontrastes há alguns
anos aqui na América, em vossa vida presente. Tenho plena certeza de que
vos lembrareis do incidente nos negócios”.
Mostrou-me, então, uma associação em negócios, por meio da qual
eu tentara auxiliar várias pessoas, há dez anos passados, enquanto estive
no Oeste, em relação com um representante do governo belga.
“A esse homem”, continuou, “foi dada nessa ocasião uma
oportunidade para reparar o mal que vos fizera na França. Foi-lhe
mostrada a condição e ele estava perfeitamente a par da situação, porque
lha mostramos, mas ainda não estava suficientemente forte para permitir
a elaboração da Grande Lei Cósmica de Justiça e compensar aquela
dívida. Se o tivesse feito por sua própria vontade, ter-lhe-ia sido dada
liberdade em muitos caminhos, habilitando-o a progredir muito mais rapidamente
nesta encarnação”.
Assim, a vida externa mantém o indivíduo preso à roda da
necessidade, renascimento, luta contínua e dor, até que deixemos a “Luz
do Cristo Interior” iluminar-nos e purificar-nos, para que possamos
corresponder unicamente ao Plano de Deus — Amor, Paz e Perfeição para
Sua Criação. Esta é a espécie de ensinamento que nunca se esquece,
porque o ensinamento objetivo registra a experiência tanto na visão como
na mente. O registro visual é mais profundo e, necessariamente, recebe
mais atenção da atividade externa do intelecto.
A essência dessa experiência de há muito esquecida, fixou-se
certamente em minha memória de modo permanente, porque posso hoje
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recordar cada um de seus detalhes com tanta clareza como quando com
ele a presenciei.
“Agora”, continuou, “vamos relembrar uma outra de vossas
encarnações — uma que vivestes no Egito”.
Elevamo-nos do solo e rapidamente nos movemos para a frente.
Tive perfeita consciência do Mediterrâneo, quando passamos por sobre
suas belas águas. Fomos em direção a Karnak e Luxor, e então entramos
novamente em contato com a Terra.
“Observai cuidadosamente”, disse Ele. “Este registro é de um
templo muito antigo de Luxor — que não está entre aqueles cujas ruínas
os arqueólogos estão explorando hoje em dia, mas é anterior a qualquer
um dos que até agora foram descobertos. Se eles soubessem onde
procurar, encontrariam templos magníficos em estado de quase perfeita
conservação.
10/07/06
Tendo ele indicado um certo lugar cheio de ruínas, que é tudo o
que os viajantes podem ver atualmente, foi o cenário ocupado por uma
atividade no éter, tal como fora originalmente em toda sua beleza e
esplendor, muito mais magnificiente do que qualquer coisa que a presente
geração possa conceber.
Os jardins e os lagos eram cercados de grandes pilares de mármore
branco e granito rosa. Todo o local se tornou vivo, real, vibrante — e tão
tangível como qualquer cidade material de hoje, na Terra. Era tão
perfeitamente natural e normal, que perguntei de que modo fazia tão
vívidas estas experiências.
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“O homem e suas criações”, respondeu, “do mesmo modo que a
Natureza, têm uma contra-parte etérica — um modelo — que se imprime
para todo o sempre na atmosfera que o rodeia, onde quer que vá. O modelo
da atividade individual e experiência da vida está dentro de sua própria
aura, todo o tempo. Um registro similar existe na aura de todo lugar. Um
Mestre Ascensionado pode, se quiser, reavivar ou revestir de atividades
anteriores o registro de um indivíduo, esteja este onde estiver, porque o
modelo sobre o qual o Mestre aglutina a estrutura atômica, está sempre na
aura desse indivíduo. Quando o Mestre reconstitui o registro de uma
localidade, deve fazê-lo precisamente no próprio local, porque tal registro,
ao ser reanimado, volta a ter a mesma forma vivente e estrutura que tinha,
quando construido preliminarmente em substância física.
Desse modo, é possível aglutinar novamente a estrutura material
de edifícios inteiros e suas adjacências, se o Mestre Ascensionado assim o
deseja, para alcançar algum justo propósito. Quando alguém chega a
atingir esse Domínio dado por Deus, pode reconstituir e reanimar qualquer
Arquivo Etérico que deseje tornar visível, para instrução e benefício de
estudantes e outros.
Uma vez levado a efeito — tudo se torna real como a própria
realidade — e os objetos reconstituídos podem ser fotografados, tocados e
tornados materialmente tangíveis pelos sentidos físicos de quem quer que
os esteja observando.
“Notai”! lembrou-me, estais experimentando essas atividades em
vosso corpo mais sutil; elas, porém, não são menos reais por causa disso,
uma vez que vosso corpo físico é apenas uma roupagem que vós, o Eu-
Consciente, indivíduo pensante e experimentador, usais.
“É o mesmo que se vestísseis um pesado abrigo, na atmosfera fria
do inverno, e apenas uma roupa leve num dia muito quente de verão. As
experiências que tivésseis com a roupa leve, certamente não seriam menos
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reais do que as que vivêsseis em vossas roupas pesadas. Chamo vossa
atenção para isso, a fim de que possais compreender as mais elevadas e
menos limitadas atividades da Vida”.
Examinamos o solo, os arredores, a arquitetura.
“Vamos, entremos”, disse e enquanto falava adiantou-se e
atravessou a entrada principal, penetrando no próprio templo. Tornamonos,
então, atores vivos e ao mesmo tempo, observadores da seguinte
experiência: Entramos na parte principal do templo e prosseguimos em
direção ao Santuário Interior. O Grão-Sacerdote veio diretamente a nós,
parecendo conhecer-me.
“Este sacerdote dos dias antigos”, explicou, “é agora vosso filho”.
Um sacerdote de ordem inferior apareceu e imediatamente senti conhecêlo.
Saint Germain observou:
“O sacerdote assistente éreis vós”.
Penetramos no Santuário Interior e vimos a virgem vestal
guardando o Fogo Sagrado. Ela, para quem eu olhava agora, era Lótus,
meu amado Raio Gêmeo, que encontrei e com quem me casei há alguns
anos, e que é agora a mãe de nosso filho.
Mudou a cena e vimos um príncipe visitante, de uma província
afastada, planejar raptar a virgem vestal. Tudo parecia correr-lhe bem, até
que ao Grão-Sacerdote foi mostrada uma visão do que estava para
acontecer. Isso o perturbou; nada, porém, deixou transparecer.
Mantendo guarda enquanto entravam os escravos do príncipe,
vigiou-os quando se aproximavam do Santuário. Tendo eles chegado mais
perto, o sacerdote adiantou-se e pronunciou apenas uma palavra que
significava:
“Parai”!
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Um dos escravos, mais audacioso que os outros, avançou. O Grão-
Sacerdote advertiu-o para que se afastasse, mas ele se aproximou ainda
mais. Quando atingiu um certo Círculo Sagrado de força, que emanava do
Altar, o sacerdote não mais hesitou. Caminhou até a borda externa dessa
Irradiação Protetora, levantou a mão direita e apontou-a diretamente para
o escravo.
Um jato de Chama projetou-se como um raio e o escravo caiu sem
vida. O príncipe, que observava, avançou preso de raiva insana.
“Parei”! ordenou de novo o sacerdote com voz trovejante. O príncipe
hesitou por um momento, aturdido pelo próprio poder da palavra, e o
sacerdote continuou:
“Ouvi-me! Não profanareis a maior das Dádivas de Deus ao Templo
da Vida. Retirai-vos antes que tenhais o mesmo fim de vosso muito
imprudente e mal dirigido escravo”!
O Grão-Sacerdote tinha perfeita consciência do poder que podia
empregar e enquanto enfrentava o príncipe, era ele a personificação do
auto-domínio, da força Ilimitada, conscientemente sujeita à obediência de
sua vontade. Era a Majestade, coroada do Poder Eterno.
A vontade do príncipe era, também, poderosa. Como, porém, não
tinha domínio sobre si mesmo, uma outra onda de cega raiva o açoitou;
colocando-se de novo como antagonista e dando completa expansão à
luxúria, investiu.
O sacerdote, rápido como um raio, levantou a mão. A Chama
rutilou uma segunda vez e o príncipe seguiu o destino do seu primeiro
escravo.
Saint Germain voltou-se para mim e explicou a ocorrência mais
detalhadamente.
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“Estais vendo”, começou, “este é o modo pelo qual a boa ou má
qualidade, que existe no interior de toda força, reage sobre quem a emite.
O príncipe e seu escravo vieram com as propriedades de ódio, egoísmo e
depravação impregnando seus sentimentos e, quando o sacerdote projetou
sobre eles a força de que era senhor, ela empregou esses atributos no
momento em que tocou suas auras. Ele devolveu-lhes tão somente seus
próprios sentimentos, e o egoísmo voltou-se sobre eles mesmos. O
sacerdote, no esforço altruístico de proteger a outrem, foi também
protegido”.
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