Prefácio do autor
Escrevi este livro no intuito não só de vulgarizar o modo mais simples de cu rar, como também com o fim de lhe propagar as aplicações.
Tal como se infere do seu título, está destinado a ser manuseado como um resumo dos processos magnéticos, apresentando o que há de essencial nos numerosos tratados publicados sobre esta matéria.
Resultado de um estudo acurado dos mestres, e de uma experiência pessoal adquirida em vinte anos de prática, recomenda-se este guia a todos os homens de boa vontade, desejosos de, por si mesmos, aliviarem os sofrimentos dos seus semelhantes.
Recomenda-mo-lo principalmente aos pais e mães de famílias, que encontrarão nesta instrução formulada com a maior clareza possível, e pela aplicação de processos muito simples, um meio natural de promover sem medicação alguma, o desenvolvimento normal dos seus filhos, o que lhes permitirá evitar os desvios de crescimento tão desastrosos em suas consequências, combater qualquer sintoma a medida que se apresente e, deste modo, manter permanente em seu foco "este precioso elemento constitutivo d a felicidade": a Saúde!
O estudo do magnetismo abrange três graus distintos:
1o) os processos práticos;
2o) as considerações psico-fisiológicas;
3o) as aplicações terapeuticas.
Foi assim que julguei curial dividir este estudo para apresentá-lo ao público em uma progressão lógica, suscetível de evitar qualquer espécie de confusão.
A primeira parte, sob a denominação de Manual Técnico, que publicamos hoje, compreende a enumeração e a explicação dos processos práticos: é o primeiro grau de instrução, muito suficiente p ara qualquer aprendiz magnetizador. Porém, para conseguir ser mestre, para conhecer a fundo o magnetismo debaixo do ponto de vista teórico e prático, será de vantagem estudar as matérias contidas nas duas outras partes, que nos propomos publicar proximamente como complemento deste manual.
Prefácio da segunda edição
Sem que tenhamos a pretensão de apresentar uma tradução do presente livrinho escoimada de erros e impropriedades de termos, temos, entretanto, plena convicção de cingirmo -nos ao original tanto quanto nos foi dado à inópia dos nossos conhecimentos no assunto.
Já de há muito se fazia mister uma nova dicção deste manual. O acolhimento que teve a primeira edição, se bem não tivesse sido um sucesso de Livraria, como vulgarmente se diz, teve, entretanto, uma saída muito auspiciosa, animando-nos a empreender de novo esta tarefa.
Os que leram e, por certo, não foi pequeno o número dos leitores, nos trouxeram a convicção de que o assunto já conta um número avultado de afeiçoados que, por sua vez, depois de praticarem, irão propa gando os incomensuráveis benefícios hauridos com o emprego dos eflúvios magnéticos no tratamen to das várias modalidades mórbidas que afligem a humanidade.
Quanta lágrima enxugada, quanta dor, quanta aflição removidas, graças ao emprego dos passes magnéticos, que para os incrédulos são ainda motivo de chufa e de desdém.
Uma infinidade de casos bem observados e importantes tem obedecido à terapêutica fluídica. O próprio tradutor deste trabalho inúmeras vezes teve ocasião de empregá-la e em emergências em que uma intervenção imediata se fazia necessária e nunca teve ocasião de se arrepender.
Achamos que devíamos com mais propriedade mudar o título do livro para Terapêutica magnética em vez de magnetismo curador, que, de modo algum, obedecia ao seu objetivo, parecendo-nos antes uma adjetivação forense. Não altera a essência do livro e traduz melhor o seu intuito.
Não entramos neste momento no modo pelo qual se operam as curas magnéticas, porque, com franqueza, não achamos uma explicação positiva que nos autorize a expendê-la.
O que há são meras hipóteses sobre as quais se tem arquitetado teorias mais ou menos especiosas.
Respeitemos os fatos bem averiguados, sem preocupações doutrinárias e aceitemos, já que não podemos negar, que existem moléstias fluídicas que só cedem à ação dos fluidos magnéticos. Esta é qu e é a verdade.
Não é um privilégio individual a força magnética.
Todos a têm em maior ou menor grau. Indivíduos há, porém, tão bem dotados desta propriedade, que conseguem verdadeiros prodígios em questão de cura por este meio.
Estes são o terror dos médicos materialistas e vaidosos que vêm o seu or gulho abatido diante de uns simples passes aplicados com toda a modéstia.
Felizmente já não é pequeno o contingente de médicos que aceita o magnetismo como agente terapêutico e até aconselham-no nos casos de improficuidade da medicação aplicada.
Abençoados sejam, porque acima da vaidade, que é o apanágio da classe, colocam a saúde e o bem estar dos seus enfermos.
Que esta nova edição tenha a saída da primeira e já nos damos por bem pagos com os frutos opimos que deverão colher aqueles que fizerem uso dos processos metodisados e empregados pelo Sr. Bué cuja exposição o leitor terá ocasião de apreciar no curso deste trabalho.
12 ¾ 3 ¾ 1919
C.
INTRODUÇÃO
Ação curadora do magnetismo, e maneira pela qual esta ação pode exercer-se no organismo. 1
A vida é a resultante do conflito de duas forças opostas: força centrífuga e força centrípeta (dispersão e condensação, eliminação e reabsorção).¾ O sistema nervoso, regulador fisiológico do organismo, entretém, por sua tensão normal, este duplo movimento da vida.¾ A ação magnética, por sua influência direta sobre o sistema nervoso, atua no sentido do funcionamento vital, e, mantendo o equilíbrio funcional, restabelece e conserva a saúde.
Não se pode tratar da patologia, da matéria médica ou da terapêutica, sem que primeiro se faça uma idéia do fenômeno vital. A ciência só existe quando fecundada por uma concepção filosófica; e o prático, qualquer que seja a escola a que pertença, não pode encontrar a explicação dos seus atos se m que primeiramente tenha levantado este problema em seu espírito e o resolva.
Esta necessidade de reunir os estudos de análise sob a predominância de uma síntese, promana da própria história das doutrinas médicas, e pode dizer-se que esta história se resume no antagonismo perpétuo de dois princípios: Espiritualismo e Materialismo, conforme se tinha julgado conceder preeminência ao Imponderável ou ao Ponderável, ao Espírito ou à Matéria.
Ainda atualmente esta luta continua; a escola oficial, agindo largamente na constituição org ânica e na influência dos meios, sacrifica absolutamente aos agentes físico-químicos o influxo vital, de que os vitalistas, no seu açodamento de reagir contra as teorias materialistas, fizeram, também, sem razão de ser, o deus ex-máquina de suas concepções.
Infelizmente, levado a dirigir-se aos extremos, o espírito humano confinou-se intimamente em especializações estéreis, admitindo apenas a experimentação pura, ou transviou -se nos meandros de uma metafísica nebulosa, apoiando-se exclusivamente em dados hipotéticos. Impulsados pelo ardor da nossa imaginação não possuímos, geralmente falando, nem o critério nem a prudência de nos determos em um meio termo: somos exclusivistas por natureza.
Impressionados profundamente pela singularidade pasmosa dos fenômenos do universo, onde nos deixamos arrebatar pelas regiões da fantasia, ou, céticos pela razão, nos esforçamos em reagir c ontra estes desvios, limitando-nos a tudo materializar e só admitir o que cai sob o domínio dos nossos sentidos.
Este último excesso, parece-nos, sobrelevou sempre o outro, e eis de que modo, depois de passados tantos séculos, o velho lema da antiga filosofia peripatética: Nihil est intellectu quod prius non fuerit in sensu, ainda é a senha da escola científica moderna.
É aí que se acha o verdadeiro escolho contra o qual tem vindo e virá de contínuo chocar-se o espírito humano, todas as vezes que tenta ou procura abordar a explicação dos fenômenos da natureza.
Referirmo-nos unicamente aos nossos sentidos para julgar o que nos cerca, é não somente estreitar voluntariamente o círculo de nossas percepções, mas também é principalmente criar para nós uma fonte inesgotável de erros.
Efetivamente, quantas coisas existem fora dos nossos sentidos! Quão inúmeras combinações de formas e forças lhes escapam! E quando casualmente algumas dessas metamorfoses caem sob o raio das nossas percepções, passando por nossos instrumentos sensoriais, que precauções não é preciso tomarmo s para que as aparências não nos enganem?
1 Tese sustentada pela Sra Bué em 24 de outubro de 1809 no Congresso Internacional Magnético.
A cada momento algum fenômeno na natureza fornece-nos a prova: se mudamos de lugar com qualquer velocidade, quer em estradas de ferro, quer em balão, a ilusão dos nossos sentidos nos apresenta todos os objetos movendo-se em derredor de nós, e, entretanto temos a sensação de estarmos imóveis.
As graduações da perspectiva não nos mostram os objetos se aproximando uns dos outros, à proporção que nos afastamos deles? O homem, finalmente, não começou por considerar a Terra como o eixo do Universo; e, iludido pelos sentidos, não afirmou que os inúmeros fogos acesos nas profundezas infinitas do espaço giravam em torno do seu globo ínfimo?
Para voltar a realidade, para ver as coisas debaixo do seu verdadeiro aspecto, foi-nos preciso, e nos é ainda, fazer um esforço sensível, apelarmos para certa evolução cerebral, mui especialmente pr eposta a elevação de nossas percepções sensoriais, como têm por fim certos órgãos do cérebro por si mesmos, levantar a imagem invertida que a nossa retina recebe pelo mecanismo da visão.
Esta evolução cerebral, que sem esforço se pode considerar um sexto sentido encarregado de sintetizar as impressões percebidas pelos outros cinco, é o que se conveio chamar a abstração; e cumpre que nos compenetremos bem deste fato, que nenhum juízo preciso pode ser feito sem o auxílio e o exame do sentido abstrativo.
Se, portanto, quizermos encontrar um terreno de conciliação, sobre o qual os dois partidos inimigos, que não cessam de trocar epítetos malsonantes de materialista e fofo sonhador, possam vir tratar e se congraçar, é absolutamente preciso que se não menospreze a observação direta e a abstração, a experimentação pura e a idéia metafísica. Em uma palavra, cumpre com um traço de união ligar o objetivo ao subjetivo. Somente deste modo poder-se-á dar bases sólidas a fisiologia e a terapêutica, estabelecer as relações de reciprocidade orgânica pelas quais as propriedades dos corpos vivos se no s manifestam, e fazer-se uma idéia justa daquilo que se chama o fenômeno vital.
As palavras vida, morte, saúde, moléstia não têm, aliás, para nós nenhuma realidade objetiva; são expressões úteis para a comodidade da linguagem, porém, estas abstrações nos permitem estabelece r a relação dum movimento a sua causa, e é assim que podemos até certo ponto, penetrar os mistérios da vida!...
Partindo deste ponto de vista, podemos dizer (e nisto estamos de acordo com os nossos mestres de fisiologia) que a vida nos aparece desde logo como resultado de uma colaboração íntima entre dois fatores absolutamente solidários, igualmente impotentes um sem o outro, e sem a união dos quais estaciona qualquer expansão vital. 2
Estes dois fatores são, de um lado, a forma vital ou inicial do ser; do outro, a força físico- química dos meios da matéria.
Ainda por outro lado, vemos que a vida só subsiste pelo encadeamento de duas ordens de fenômenos indivisivelmente unidos:
Os fenômenos funcionais ou de despesa vital, pelos quais se vai consumindo a matéria viva nos órgãos em função.
Os fenômenos plásticos ou de organização nutritiva, pelos quais se formam as reservas de nutrição e se regeneram os tecidos pelos órgãos em repouso.
A vida, procedendo assim por eliminações e reabsorções, sucessivas, se entretém, pois, por um duplo movimento de irradiação e atração, cuja alternativa obedece regularmente às forças centrífugas e centrípetas
Do mesmo modo que a pêndula de um cronômetro, com as suas oscilações para a direita e para a esquerda da vertical, deixa continuamente o ponto de equilíbrio e volta sempre para ele, formando um equilíbrio instável em cada pancada obtida e em cada pancada destruída, assim também se nos apresenta a vida como a imagem de um equilíbrio oscilatório produzido por um trabalho incessante de desassimilação e assimilação.
Claude Bernard : Phénomènes de la vie.
A saúde, isto é, a integridade de toda vida, prende-se à regularidade absoluta deste duplo movimento, do mesmo modo que a correção do tic-tac de um cronômetro é o indício certo da perfeição de seu regulador.
De que modo, pois, se firma o equilíbrio entre a eliminação e a reabsorção, entre estas duas ordens de fatos inversos tão indispensáveis à expressão do fenômeno vital?
Qual é, em última análise, o regulador da vida?
Intervém aqui o terceiro fator, completando a admirável triplicidade que constitui a unidade sintética do organismo humano.
Este terceiro fator é o sistema nervoso.
A exemplo da grande corda do cronômetro de que falamos há pouco, ele forma a peça de compensação entre as aquisições e as perdas da economia.
É ele que, nas profundezas silenciosas da vida vegetativa que se furta aos nossos olhares, tem a missão de equilibrar o movimento de reconstituição orgânica com as ruidosas manifestações dessas combustões funcionais que são a expressão exterior da vida!
Poderoso agente térmico, é ele que mantém o calor animal em seu grau nor mal,3 e que, pelas relações anatômicas existentes entre os dois grandes aparelhos vitais, o sistema nervoso cérebro-espinhal e o sistema nervoso grande simpático, estabelece essa troca constante de ações e reações entre a vida animal e a vida vegetativa, por interposição de uma série de pares nervosos que unem as faculdades da alma às faculdades vegetativas, assim como os dois pólos de um íman estão unidos entre si por um eix o. 4
É ele que nos une a Força à Matéria por um princípio de subserviência recíproca, graduada, tonalizada. É, finalmente, ele que regulariza de maneira absoluta, por seu estado de tensão, o diapasão da tonalidade viva.
Quando esta subserviência recíproca e devidamente tonalizada da Força e da Matéria acontece romper-se, por haver predominância de um dos antagonismos; e quando o sistema nervoso não mais impõe sua ação moderadora, instantaneamente o equilíbrio tonal se quebra, as funções de eliminação se travam, as metamorfoses nutritivas se suspendem ou se perturbam, e o ato patológico denuncia-se: eis a Moléstia
!...
Efetivamente, a moléstia não é mais que uma tensão orgânica deslocada e indevidamente acumulada num ponto: mais ou menos, ou é uma simples migração de tensão ou um rompimento de tonalização.
A destruição da tonalidade, com a impossibilidade de retorno ao grau de tensão normal: eis a
Morte.
Apresentando o sistema nervoso como o grande regulador fisiológico dos organismos (assim
como lhe chama o próprio Claude Bernard), encontramos o verdadeiro veículo do duplo movimento centrípeto e centrífugo da vida, e por conseguinte podemos explicar as íntimas relações existentes no homem entre o seu físico e o seu moral.
Estamos constantemente sob a influência das excitações partidas dos centros e das impressões vindas do exterior, e podemos, de alguma maneira, classificar as nossas paixões e as nossas moléstias centrífugas e centrípetas...
A integridade de nosso equilíbrio tonal pode, portanto, ser atacada e pertur bada de duas maneiras: quer pela reação do físico sobre o moral, quer pela reação do moral sobre o físico; e a im pressão mental, por mais inapreciável que seja, é muitas vezes o agente morbífero mais rápido, mais irresist ível e mais fatal.
O medo, a cólera, a indignação, o desgosto, podem perturbar o equilíbrio de nossa tonalidade indefinidamente, e o choque de um pensamento violento pode também romper instantaneamente os laços da vida, do mesmo modo que uma simples, perturbação material de nossos órgãos digestivos pode nulificar os sentimentos de nossa alma e cercear o nosso livre arbítrio.
De qualquer lado que parta o obstáculo, desde que a relação íntima que deve existir entre a
Força livre e a Matéria especificada está perturbada, desde que não há mais igualdade perfeita entre a
Claude Bernard.
Philips : Électro-dynamisme vital.
ação centrífuga e a ação centrípeta, dá-se a destruição do equilíbrio, e por conseguinte uma tendência iminente à suspensão e à cessação do fenômeno vital.
Para que as pancadas do pêndulo do cronômetro se conservem regulares, para que o mecanismo do aparelho funcione sem interrupção, é preciso que haja uma perfeita proporção no antagonismo das d uas forças que o acionam, porque a lei fundamental do encontro das forças em a natureza é a Limitação.
Todo o segredo dos organismos vivos está, portanto, na justa Limitação da Força Inicial do Ser pelas Forças Exteriores, e a realização correta do fenômeno vital reside na justa Limitação da Força vital pelas forças Físico-Químicas, debaixo da influência reguladora e preponderante do sistema nervoso, mantido cuidadosamente em sua tensão normal.
Em uma palavra, a vida é a consequência do antagonismo destas duas potências, antagonismo que, entretendo o duplo movimento de expansão e de retração, de dispersão centrífuga, e de condensação centrípeta, destrói incessantemente um equilíbrio continuamente renovado, e mantém assim o estado constante da tonalização, que é a forma estabelecida pela natureza para manietar o antagonismo da Força e da Matéria em um intuito sintético. 5
Se é, portanto, na rede nervosa que se opera o encontro das duas forças anta gônicas, as quais, por seu movimento centrífugo e centrípeto, formam a dupla pulsação da vida; se é nele e por ele que se efetua a justa limitação da força inicial do ser pelas forças externas; se é por intermédio do sistema nervoso que percebemos as excitações partidas dos centros vitais e as impressões vindas do exterior; se, em uma palavra (com a própria confissão dos nossos mais eminentes fisiologistas modernos), o sistema nervoso é o grande regulador fisiológico dos organismos vivos, ¾ não há dúvida que, se se consegue encontrar o meio de acionar diretamente o sistema nervoso de maneira a reconduzi-lo à sua tensão normal quando dela se afaste, também não há dúvida de que nos apossaremos incontestavelmente do mais seguro, mais poderoso e mais eficaz dos agentes terapêuticos.
Esta confirmação, tê-mo-la da própria boca de um dos nossos fisiologistas, que incontestavelmente consideramos o mais autorizado a decidir nesta matéria.
Em suas notáveis lições sobre o calor animal, Claude Bernard, efetivamente, depois de haver exposto o método refrigerante empregado para dominar as febres graves; depois de ter demonstrado que fora dos perigos que apresenta o emprego dos antipiréticos, a ação destes específicos sobre o organismo nada tem de certo nem de cientificamente aceitável; depois de ter explicado, finalmente, com aquela admirável clareza que o caracteriza, a influência preponderante e absoluta do sistema nervoso na rea lização dos fenômenos vitais, Claude Bernard se exprime deste modo:
"Nestas circunstâncias, a mais racional ação terapêutica, a única indicada fisiologicamente, seria evidentemente a que se dirigisse diretamente ao sistema nervoso, po rém, no estado atual dos nossos conhecimentos, esta ação nos é impossível !" 6
Por esta confissão de fraqueza do sábio professor do Colégio de França, nós, humildes operários do pensamento, que temos procurado a solução do problema, podemos responder:
"Esta ação terapêutica que julgais impossível, nós a conhecemos ! Tê-mo-la em nossas mãos, e servimo-nos dela !
Por um trabalho perseverante e tenaz estudamos o seu mecanismo, averiguamos a sua eficácia e admiramos o seu poder !
Este agente maravilhoso cuja existência não conhecestes, nem pressentistes, é tão velho como o mundo ! É uma destas admiráveis forças da natureza posta à dispo sição de todos, do mais ignorante como do mais sábio, do mais humilde como do mais poderoso.
É o agente terapêutico universal que nos chega das profundezas do infinito e que emerge das próprias fontes da vida, como o calor, a eletricidade e a luz !
É o magnetismo ! "
Bem sei que se contesta aos magnetizadores a influência benéfica que pretendem exercer com suas imposições e seus passes; também não ignoro que se vai até negar a possibilidade de uma transmissão
Louis Lucas : Medicine nouvelle.
Claude bernard : Leçons sur le chaleur animale, pag. 447.
nervosa de organismo para organismo. Mas os fatos aí estão, numerosos, indiscutíveis; e na verdade não pode haver dúvida senão para aqueles que não querem ver !
Podemos, afinal, responder aos adversários do mesmerismo servindo -nos de seu próprio argumento. Não dizem eles (e é um fato, aliás, reconhecido pela doutrina hipocrática) que " quando uma causa nociva vem lesar uma parte do corpo ou perturbar o jogo de uma função, produz-se desde logo, na parte interessada, e mesmo em todo o organismo, uma série de atos que têm como efeito, ou antes que tendem a reparar a lesão e restabelecer o funcionamento ? "
Ora, se é verdade que a natureza (natura medicatrix, como lhe chama o próprio Hipócrates) possui uma tendência irresistível para recuperar por si mesma o seu equilíbrio momentaneamente interrompido; se, por outro lado, os nossos mestres de fisiologia admitem (como se conclui de seus escritos) que o sistema nervoso, por suas extremidades periféricas haure continuamente, na radiação solar, elementos de força que transmite aos órgãos, segundo as necessidades da metamorf ose orgânica 7 será, pois, tão ilógico admitir que o sistema nervoso posto em contato com um outro aparelho idêntic o a si mesmo, porém melhor equilibrado, possa conseguir duplicar a sua atividade funcional, e, por uma espé cie de transfusão nervosa possa trazer aos centros vitais, momentaneamente desamparados, os elementos de regeneração orgânica que lhes falta, ajudando deste modo a vida a prosseguir mais ativamente o objeto que a lei de vitalidade lhe impõe ? Isto é física pura, e todos os dias tocamos co m o dedo neste fenômeno em uma ordem hierárquica menos elevada, quando, em vez de dois organismos vivos, pomos em contato duas pilhas elétricas.
Se, mau grado a sua grande simplicidade, esta interpretação dos fenômenos magnéticos não saltar aos olhos de todos como a expressão da verdade, é que, seguindo neste ponto as velhas tradiçõ es, os espíritos prevenidos continuam a julgar o magnetismo como que se aproximando mais das ciências ocult as do que da ciência positiva. Os nossos próprios sábios contribuem grandemente para a propagação deste erro, colocando no ativo do magnetismo as escamoteações dos prestidigitadores de feira, as possessões diabólicas da idade medieval, e as práticas bizarras dos derviches giradores ou dos Aïa -Oussas, e proclamando que vêm aniquilar esses preconceitos soezes e dissipar as espessas trevas que outrora ainda envolviam a questão perturbadora do magnetismo animal. 8
"A palavra "magnetismo" dizem eles, já não deve intimidar ninguém; o que ela designa, viveu, e de então em diante só pertence à história ! "
Fazendo tábua rasa do passado, riscando com um traço de pena a palavra "magnetismo" que os incomoda, instalaram uma coisa que eles batizaram com o novo nome de "hipnotismo", só conservando em sua prática os processos artificiais e violentos cuja aplicação qualquer magnetista consciencioso e honesto considerou sempre perigosa ou inútil.
Trouxeram à publicidade o que deviam conservar na sombra; detiveram-se principalmente nos fenômenos insólitos produzidos sobre o organismo humano pelo sonambulismo, a sugestão, a letargia, a catalepsia e o êxtase, permitindo assim uma grande parte de fenômenos estranhos, que transviam a opinião pública e contribuem para velar o caráter de grande simplicidade, que faz precisamente da virtude c urativa do magnetismo o fato mais belo, mais natural, mais útil e ao mesmo tempo o mais acessível a todos !
E mesmo esses que pretendem iluminar com o archote da ciência um acervo confuso de grosseiros erros e esclarecer a estrada do progresso derrubando velhas heresias, cairam precisamente nas piores barreiras daqueles que criticam e condenam, obedecendo neste ponto à propensão que todos temos para só julgar as coisas pelos nossos sentidos, e pelo hábito que contraímos de nos referirmos sempr e a percepções insuficientemente averiguadas pelo senso abstrativo.
E acontece que assim nos escapam as forças da natureza quando se acham no estado de estabilidade e de equilíbrio, e que somente as percebemos quando em via de mutação e de deslocamento ; a eletricidade, esta força fecundante a que é devida uma tão grande parte da obra regeneradora universal, nunca teria sido pressentida pelo homem, se não lhe fosse conhecida por um fenômeno de choque, e é p elo raio que desorganiza e destrói que se manifestou esse manancial de vida.
Dr. Bouchard.
Dr. Cullère : Magnétisme et hypnotisme.
Assim acontece com todas as forças hierarquizadas que evoluem em torno de nós; quanto mais se aproximam estas forças do agrupamento e do equilíbrio, tanto mais escapam aos nossos sentidos e maior atenção se nos torna necessária para constatar-lhe a existência e estudar-lhe o funcionamento; e se (apelando para a imagem do cronômetro de que nos servimos há pouco, a fim de assentarmos melhor o nosso pensamento por uma comparação tangível) considerarmos as três agulhas do quadrante, conviremos facilmente que o movimento da grande cursiva, que, por sucessões de choques rápidos, marca a divisão dos segundos, é notada pelo olhar o mais distraído e o menos experimentado, que o papel das agulhas que marcam os minutos e as horas só se torna apreciável por uma atenção mais paciente e mais firme.
Não surpreende, portanto, que na ordem dos fenômenos que aqui nos ocupam, sejam os fenômenos migrações provocadas que tenham desde logo atraído a atenção dos experimentadores, impressionando-lhes os sentidos; e eis de que modo os observadores impacientes ou superficiais não viram e não continuam a ver, no magnetismo, senão os fenômenos de choque.
Conhecem a força magnética em seus movimentos de desequilibração, de dispersão improdutiva; desconhecem-na em seu movimento de tonalização e de concentração regeneradora. Seguem-na na excentricidade de seus desvios, quando se acha desequilibrada; mas não a suspeitam no admirável jogo de sua tensão normal.
Eis aqui, se me não engano, a chave da ignorância de uns e da má apreciação dos outros, causas inevitáveis da interpretação errônea da maior parte dos fenômenos magnéticos.
Em matéria de magnetismo, como em todas as coisas, é o alcance de nossa vista filosófica, auxiliada por uma observação paciente, que nos classifica. Na ciência, há míopes e presbitas; há pessoas que não percebem senão o movimento da agulha dos segundos no cronômetro.
Estes só se impressionam com as manifestações ruidosas das migrações no movimento.
Quanto às misteriosas metamorfoses, devidas às forças equilibradas, que realizam silenciosamente a sua obra regeneradora no próprio seio dos corpos, estas escapam-lhes absolutamente
!!...
Concluamos, pois, e digamos:
O fenômeno vital é o resultado da íntima colaboração de três fatores que constituem, por seu conjunto a triplicidade viva do organismo; o movimento da vida reside no encadeamento de dois fenômenos indissoluvelmente unidos em uma ação inversa e constante, destruição, renascimento, sob a influência reguladora de uma tensão equilibrada; e o sistema nervoso é precisamente o regulador fisiológico encarregado de manter esta tensão normal no organismo.
Se assim é, torna-se incontestável que o agente terapêutico, que agir diretamente sobre o sistema nervoso no sentido do funcionamento vital, regulará seguramente os fenômenos funcionais, entreterá e ativará as metamorfoses orgânicas, e presidirá deste modo soberanamente à manutenção da tonalidade viva ou à sua reconstituição, quando ela estiver desequilibrada.
Ora, qualquer que seja a diversidade das opiniões emitidas sobre a ação magnética, como esta ação se resume, enfim, numa espécie de transmissão de força pela rede nervosa; como esta transfusão nervosa é um fato certo, facilmente verificável pela experiência, como esta transfusão se obtém pelos mais simples processos, cuja eficácia nos demonstra uma prática diária, nos julgamos autorizados a aprese ntar o magnetismo como o meio mais seguro de entreter o equilíbrio vital e curar as afecções mórbidas as ma is rebeldes.
Somente, enquanto estes problemas complexos não forem melhor elucidados, conservemo -nos, prudentemente, nas aplicações práticas de uma força cujas evoluções nos são ainda insuficientemente conhecidas, evitemos a encenação ruidosa dos fenômenos mal estudados, evitemos o abuso dessas experiências de sugestão e de sono provocado, os quais, dando ao magnetismo uma cor diabólica ou mística, perturbam e inquietam as consciências; confinemo-nos na parte verdadeiramente útil do magnetismo, sua aplicação à cura das moléstias. Eis aí, em nossa opinião, o único fim que deve ter o em- prego do magnetismo.
TERAPÊUTICA MAGNÉTICA
Manual Técnico
¾ ¾ ¾
CAPÍTULO I
Princípios fundamentais
Unidade do plano da Natureza.¾ Uma única força.¾ Uma única vida.¾ Uma única saúde.¾ Um único remédio.¾ A força princípio engendra correntes.¾ Sua marcha e sua ação.¾ Faculdade radiante do homem.¾ Sua ação sobre as correntes e consecutivamente sobre todos os corpos da Natureza.
Mesmer, fundador da doutrina a que deu o seu nome, apoiando -se nas idéias de Descartes e de Newton, admitia como princípio uma corrente universal que tudo penetra e abraça num movimento alternativo e perpétuo, assemelhando-se ao fluxo e refluxo do mar.
É a esse movimento alternativo universal que ele atribuía a formação dos cor pos, as influências astrais, e a influência mútua que todos os corpos da natureza exercem uns sobre os outros.
É este o seu ponto de partida: tudo é simples, tudo é uniforme, tudo se mantém, a natureza produz os seus maiores efeitos com a menor despesa possível; ela junta unidade a unidade; só há uma vida, uma saúde, uma moléstia, e por conseguinte um remédio.
O homem se acha em estado de saúde quando todas as partes de que se compõe têm a faculdade de exercer as funções a que são destinadas: se em todas as funções reinar uma ordem perfeita, há harmonia.
A moléstia é o estado oposto, isto é, aquele em que a harmonia está perturbada.
Como a harmonia é uma, só há uma saúde. A saúde pode ser representada pela linha reta. A moléstia seria então a aberração desta linha, aberração que pode ser mais ou menos considerável.
O remédio é o meio que restabelece a harmonia, quando ela se acha perturbada.
Existe um princípio que constitui e entretém a harmonia, e este princípio é precisamente o que o homem recebeu em partilha, desde sua origem, do movimento universal em que se acha encravado; este princípio é que determinou a formação e o desenvolvimento dos órgãos, e é ele que presidirá à sua conservação e reparação. Originado do movimento universal, a cujas leis obedece, influencia diversamente os organismos, penetra-os e, regulando o jogo de seus elementos constitutivos (as vísceras), aparece como o verdadeiro princípio da vida.
Sob o impulso deste princípio ativo, formam-se correntes que seguem a continuidade dos corpos até as partes salientes pelas quais se escapam.
Estas correntes aumentam de velocidade e de potência quando estão retardadas ou apertadas em um ponto.
Polarizam-se, quando abandonam o circo.
Propagam-se à distância, quer pela continuidade dos sólidos, quer por intermédio dos meios, ar, água ou éter.
Podem concentrar-se e reunir-se como em reservatórios, para se dispersarem depois.
Tudo que é suscetível de acelerar as correntes, produz um aumento das propriedades dos corpos.
Se estivesse em nosso poder acelerar as correntes universais, poderíamos, aumentando a energia da natureza, estender à vontade, em todos os corpos, as suas pro priedades ou restabelecer as que um acidente tivesse enfraquecido.
Mas, se a nossa ação sobre as próprias forças da vida universal é limitada, podemos, pelo menos, exercer nosso poder sobre as partes constitutivas deste grande todo, e este poder é tanto mais ativo , quando houver entre essas partes e nós relações de analo gia. Assim, de todos os corpos, aquele que pode agir com maior eficácia sobre o homem é o seu semelhante. 9
Esta potência de ação reside na faculdade de uma emissão radiante, que todo o homem possui em diversos graus, e que pode regular ou estender à vontade pelo exercício, de maneira a por em ação, d e perto ou de longe, os corpos inertes ou vivos.
Este fenômeno de emissão radiante é um fato adquirido desde muito tempo pela ciência: Faraday e Crookes deram a um estado particular da matéria o nome de matéria radiante. Em física admitem-se as radiações caloríficas, químicas, elétricas e luminosas; há igualmente radiações magnéticas ou nêuric as.
A força nêurica, em sua essência e ação, apresenta certas analogias flagrantes com o calor, a luz, a eletricidade e o magnetismo. Esta força existe no corpo do homem sob dois estados: 1o) no
estado estático; 2o) no estado dinâmico, compreendendo uma circulação interior ao longo das fibras nervosas e uma irradiação ou expansão interior. Ela emana do corpo, especialmente dos olhos, da
extremidade, dos dedos e da boca. As propriedades intrínsecas da força nêurica radiante são propriedades de ordem física análogas às do calor, da luz e da eletricidade. (D. A. Barety).
Pode conceber-se um agente particular, uma espécie de modificação da eletricidade ou de magnetismo mineral, seguindo quase as mesmas leis que a eletricidade, e tendendo continuamente a por-se em equilíbrio nos diferentes seres em contato ou aproximados uns dos outros, cada um segundo a sua constituição particular, sendo mais ou menos apto para atraí-lo ou para retê-lo. Todo o ser vivo é um verdadeiro corpo elétrico, constantemente impregnado deste princípio ativo, mas nem sempre na mesma proporção; uns possuem mais, e outros menos; daí em parte esta diferença, quer nos temperamentos quer nas constituições jornaleiras. A mobilidade perpétua deste agente é uma consequência natural dessas variações. Desde então concebe-se que ele deve ser impelido para fora por uns, e atraído e reabsorvido rapidamente por outros; que a vizinhança daquele em que abundar é profícua aquele em que falta; a coabitação da crença com o velho é útil a este, e nociva àquela; os vegetais novos aproximados em sementeiras são vigorosos e frescos, mas estando próximos a uma grande árvore, secam e morrem. (De Jussieu).
A vinha plantada perto do olmo cresce com vigor e enlaço-o com os seus ramos; morre, quando junto ao loureiro; o aloés, procura um apoio na oliveira; esta fana-se próximo ao carvalho; a papoula quisera ser da família das gramíneas; a cicuta perece junto da arruda. (Champignon).
Nota do Autor ¾ Sendo nosso objetivo conservar-nos aqui exclusivamente no terreno da prática, deixamos de parte toda a
consideração histórica ou teórica que possa afastar-nos do assunto. Limitamo-nos a dar um exposto sucinto dos princípios gerais que formam a base do mesmerismo, princípios que estão de acordo com a experimentação, e cuja discussão tem lugar no 2o
volume desta obra.
Quando dois homens estão em contato ou simplesmente próximos um do outro, uma ação magnética se estabelece entre eles. O mais forte cede ao mais fraco uma parte de seu princípio ativo . (Feste).
O mesmerismo repousa em uma hipótese que atribui à vontade a faculdade de expelir, para além da periferia do corpo, o influxo nervoso que ela desenvolve nos nervos do movimento, e de dirigir esta força através do espaço sobre os seres vivos que ela se propõe a afetar. Alguns dos efeitos mesméricos nos parecem justificar esta suposição de uma maneira absoluta. (Dr. Durand de Gros).
Exercer em toda a sua plenitude a faculdade natural que o homem possui de emitir radiações magnéticas, é o que se chama magnetizar.
Será verdade que por uma ação de essência desconhecida, mas emanando completa da natureza humana, possa o homem afetar sua própria organização ou a de seu semelhante de maneira a alterar o modo regular de suas funções diversas e modificar sua atividade em todos os graus possíveis? Em todos os tempos têm-se referido fatos que respondem afirmativamente a esta questão.
Entretanto, a natureza singular desses fatos, a sua raridade, o que tornava difícil averiguá-los, e por outro lado, as relações íntimas que os prendem ao misticismo, haviam fornecido aos sábios um pretexto para rejeitá-los como erros populares entretidos pelos embustes do charlatanismo ou pela superstição; mas hoje experiências inúmeras, repetidas por todos os lados, testemunha das pelos homens mais honestos e mais competentes, estabelecem a realidade desses fatos por um tal dilúvio de provas, que fora pueril e ridículo pô-los em dúvida. Pela revelação que nos trazem de uma ordem inteiramente transcendente de propriedades vitais ainda ignoradas pela ciência, pelas aplicações úteis de que se mostram esses processos suscetíveis, têm esses fatos uma importância sem igual na antropologia em geral e especialmente na fisiologia da medicina. Merecem portanto, que sejam estudados no mais elevado grau, pelos processos rigorosos da análise científica. (Dr. Durand de Gros).
CAPÍTULO II
Das condições necessárias para magnetizar
Magnetismo mineral, vegetal e humano.¾ Potência da volição dos seres organizados.¾ Magnetizar é uma faculdade natural.¾ Desenvolvimento das aptidões.¾ Saúde: O regime vegetariano favorece a faculdade radiante.¾ Calma: Uma atenção acurada e perseverante é a primeira condição para magnetizar.¾ Vontade: Exercício da vontade como agente de tensão.¾ Benevolência: Amor do bem e dos seus semelhantes.¾ Fé: A fé é indis- pensável? A fé fundada sobre a experiência engendra a confiança que dá a convicção.¾ Saber.
A ação de emitir radiações magnéticas é comum a todos os corpos. Os minerais, os vegetais e os animais emitem radiações de todas as espécies em graus diferentes.
Existe nos metais uma propriedade particular que, quer pela eletricidade ou pelo magnetismo, de que ela não seria mais que uma modificação, quer por qualquer outra causa que nos escape, torna-os próprios para exercer uma ação direta sobre a força nervosa, para atrair quando se os aplica à superfície do corpo, e para reparti-la uniformemente no organismo quando são dados internamente debaixo de forma conveniente. Esta propriedade, variável com os diferentes metais e ligas, atrativa ou repulsiva, segundo os indivíduos a que ela se dirige, parece constituir tantas aptidões metálicas quantos são os metais existentes. (Dr. Burg)
As emanações das diferentes substâncias da natureza, principalmente dos ve getais, são uma parte essencial de suas propriedades; estas emanações operam diversamente sobre cada órgão: os estupefacientes, tais como o ópio e as solâneas, atuam sobre o sistema nervoso; a valeriana e a vulvária sobre aparelho genital; o espargo, sobre os rins e a bexiga. (Theophraste, Aristóteles)
Os corpos organizados podem, do mesmo modo que os corpos inorgânicos, colocados em certas condições e debaixo de certas influências, ser a sede de uma modificação que deve traduzir -se: 1o) pelo calor, chamado animal; 2o) pela eletricidade, produção da eletricidade na tremelga, no gymnoto (peixes elétricos), etc.: 3o) pela luz, insetos luminosos, pirilampos, mais da escala animal,
os noctilucos, animalculos do grupo dos rhizopedes, que são a causa da fosforescência do mar em certas circunstâncias. (Dr. A. Barety)
As relações magnéticas que, entre os corpos inorgânicos, minerais e vegetais, se exercem de uma maneira uniforme, porém incompleta são insensivelmente modificadas e aperfeiçoadas no reino animal, pelo poder de volição, que é o apanágio dos corpos organizados: a vontade impera sobre os movimentos voluntários, e o princípio ativo os executa. (Van Helmont)
Não há quem desconheça as faculdades magnéticas de certos animais: a cobra, o sapo, a ave de preza, o cão de caça rasteira, o gato, etc., e em geral todos os animais caçadores.
O homem, pela superioridade do seu poder de volição, é mais apto do que o animal, para regularizar, condensar e projetar as suas radiações magnéticas.
Há um magnetismo mineral, um magnetismo vegetal, um magnetismo animal, porém é preciso distinguir cuidadosamente o do homem dos demais; porque o magnetismo humano resulta não
somente das propriedades do corpo, mas também das faculdades da alma. O magnetismo reduzindo - se a uma simples comunicação de movimento de um indivíduo para outro, acontece que há tantos gêneros como indivíduos, possuindo cada um a maneira de radiações que lhe é própria. ( De Bruno)
Magnetizar sendo uma faculdade natural comum a cada indivíduo, segue-se que qualquer é apto para magnetizar, fora de toda a consideração de sexo, de idade e de temperamento. Só pode haver neste ponto graduações resultantes do grau de aptidões de cada qual para exercer esta faculdade.
Estes graus de aptidão decorrem de certas condições. Para magnetizar bem, torna -se necessário saúde, calma, vontade, benevolência, fé e saber.
O melhor magnetizador é aquele que possui um bom temperamento, um caráter ao mesmo tempo firme e tranqüilo, o germen de paixões vivas sem ser subjugado por elas, uma vontade forte sem entusiasmo, a atividade reunida à paciência, a faculdade de concentrar sua atenção sem esforços, e que magnetizando se ocupe unicamente do que faz. (Deleuze)
Saúde. ¾ A origem e a causa dos fenômenos magnéticos sendo a irradiação vital, não é duvidoso que se o operador não estiver em uma disposição de saúde e de força convenientes, se estiver fatigado, esgotado por um excesso qualquer, anêmico ou doentio, não produzirá, apesar de toda a boa vontade de que estiver possuído, senão fracas emissões radiantes, e por conseguinte, resultados quase nulos. A primeira das condições é, pois, ter um bom temperamento e uma boa saúde.
Entretanto, não se creia que o poder magnético caminhe a par da força muscular; um homem solidamente constituído, de envergadura hercúlea, é muitas vezes menos apto para a produção dos efeitos magnéticos, do que um homem de aparência mais delicada, porém dotado de uma constituição física especial: provém isso de que o sistema nervoso representa aqui um grande papel para condensar no interior e projetar no exterior; e essa faculdade de condensação e emissão não apresenta nenhuma relatividade com o vigor corporal, que não poderia supri-la.
O regime favorece consideravelmente esta faculdade radiante: cumpre ser sóbrio, habituar -se a restringir as suas necessidades e a comer pouco; quanto mais se desenvolve a função digestiva e mais trabalho se lhe dá, tanto maior é a restrição da po tência nêurica condensante e radiante, estando esta em proporção inversa das funções vegetativas.
É um preconceito acreditar-se que uma alimentação rica e forçada entretém melhor a saúde; o abuso dos alimentos detém, pelo contrário, todo o funcionamento vital: "Qui nimis alitur, non satis alitur", aquele que come muito, não se nutre bastante.

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