Em suma, é regra proporcionar a atividade do tratamento à potência de reação que se encontra ou que se desenvolve, e é muito necessário compenetrar-se deste princípio: que se atinge mais rápida e mais seguramente ao fim, por meio de ações progressivas e adequadas, do que por uma intenção muito brusca ou demasiadamente violenta.
Cumpre não perder de vista que a ação magnética, sendo de ordem puramente dinâmica, se comporta como as outras forças da natureza e, como elas, obedecendo às leis da física geral, procura seu equilíbrio em justas limitações.
Quando um comboio lançado a toda velocidade deve retrogradar, o maquinista evita neutralizar bruscamente o vapor para tomar a nova direção: deixa prudentemente extinguir -se a força de propulsão para a frente, por meio da ação progressiva dos freios e, quando se sente senhor do movimento, dá francamente a propulsão para traz.
O mesmo acontece quando a moléstia arrasta o organismo desde anos, em direção oposta à que deve seguir
Para fazer que ele dê uma volta sobre si mesmo em direção à saúde, é necessário temperar com prudência, por meio de ações progressivas, a sua marcha para diante, até que se sinta bastante senhor do movimento para lançá-lo em plena velocidade na marcha retrógrada.
Em ambos os casos, é preciso necessariamente entrar em composição com a força propulsiva, antes de corrigir a direção.
Nas moléstias agudas, não se dá a mesma coisa: a reação vital se acha em jogo, o organismo, já lançado na ação de retorno, não tem mais do que receber um vigoroso impulso a fim de ajudá -lo neste intuito.
Quando se tem fixado o número e o modo de alternar as sessões, toma-se para cada uma delas as disposições preliminares seguintes:
Primeiramente, é necessário isolar-se o mais que for possível do barulho num dos aposentos da casa, onde não se tenha a temer nenhum contratempo neste sentido, afastar os estranhos e curioso s que, com sua conversação ou presença, podem perturbar ou distrair, e colocar -se finalmente no mais completo estado de isolamento, calma e atenção, condições principais de qualquer boa magnetização.
Se o doente for uma mulher (jovem principalmente), é prudente e conveniente a presença de uma testemunha; mas então uma só e sempre a mesma, se isso for possível. É para desejar -se que essa testemunha, sem ser precisamente um adepto convicto do magnetismo, não lhe seja entretanto absolutamente oposto, por isso que a presença de uma pessoa ostensivamente hostil ou céptica pode, senão prejudicar a ação magnética, pelo menos atenuá-la, atuando sobre as faculdades receptivas do magnetizado.
Este fenômeno perturbador das correntes, causando quer pela presença de pessoas, quer pela de animais, tais como cães e gatos, não é um puro efeito de imaginação; tampouco pode ser atribuído, como se tentou fazê-lo, às influências misteriosas dos bons ou dos maus fluidos dos atiradores da sorte ou do mau olhado; é uma simples e natural consequência da faculdade que possuem os corpos de se influenciarem mutuamente à distância pela sua emissão radiante.
Existem milhares de casos dessas influências perturbadoras inconscientes. Eis dois exemplos: O Dr. Huguet, de Vars, reunira em sua casa alguns dos membros do Jornal Presse
Scientifique, e eu era um de seus convidados.
Tratava-se da exibição de uma excelente sonâmbula, com a qual propunha-se fazer uma série de experiências interessantes.
O magnetizador desta mulher, que era seu marido, não querendo, depois de have-la adormecido, que o considerassem farcista, julgou fazer ato de boa fé abandonando-a inteiramente aos experimentadores mais ou menos nocivos da reunião. Como é natural, os que se apresentaram logo foram os mais incrédulos e os céticos, e num momento a infeliz mulher ficou rodeada por um círculo em que predominaram mais correntes de hostilidade que de benevolência.
Nem sequer uma experiência deu resultado, nenhuma lucidez se manifestou, e a atitude da sonâmbula foi tal que os experimentadores tiveram a íntima convicção de haverem desmascarado um embuste. Furiosos com este desenlace, zombaram tanto da sonâmbula e do magnetizador que este se exasperou, e a sessão quase terminou por violência.
É indubitável que, nesta emergência, a lucidez de que tantas vezes a sonâmbula dera provas autênticas em outros lugares, se nulificara ali pela influência perturbadora do meio hostil onde o magnetizador, por um sentimento de delicadeza mal recompensado, havia abandonado a sonâmbula.
E é por esta razão que nunca uma sonâmbula qualquer que seja, mesmo a mais íntima, conseguiu dar prova de suas qualidades transcendentes perante um júri de exame, e por isso os prêmios de clarividência magnética não foram e provavelmente nunca serão ganhos.
Nem sempre são os assistentes que influenciam o sonâmbulo. Acontece às vezes que o próprio magnetizador, sem o querer, irradia sobre aqueles que o cercam e os influencia indiretamente.
Em 1863 quando eu era capitão no regimento de spahis, de guarnição em Constantina, tínhamos ido a um divertimento nas cercanias da cidade. Depois do almoço sobre a relva, divertiu-se, correu-se, dançou-se, e estavam todos muito alegres, quando um incidente veio perturbar as nossas expansões: uma jovem do nosso grupo caíra sem sentidos. Transportada a uma sala do andar térreo de uma casa, estenderam-na sobre um canapé e procurou-se em vão arrancá-la daquele deliquo, que muito se assemelhava a um estado letárgico.
Ofereci-me ao seu marido, que se achava muito inquieto, para tentar a ação magnética, e em poucos momentos, com grande prazer de nossa parte, a vida voltou cessando todo o sintoma mórbido.
Diversas pessoas, ansiosas ao redor da doente, haviam acompanhado esta ressurreição com interesse, e entre outras um jovem de quinze anos que, para melhor ver, sentara-se muito perto de nós. Eu tinha acabado de desprender a doente dos fluidos, quando, por acaso, atirando a vista sobre este jovem, vi que ele empalidecia, e estava oscilante na cadeira, fechava os olho s e caia em estado magnético. Naturalmente, de natureza muito sensível, fora indiretamente influenciado pela minha corrente. Deixei a jovem quase restabelecida, e ocupei-me dele; declarou-se uma pequena crise nervosa, lágrimas, opressão, etc., que fui obrigado a acalmar antes de tirá-lo do estado magnético e de desprendê-lo dos fluidos.
Estes dois exemplos demonstram que é preciso seriedade nos que se acercam de um doente, e desconfiar de influências ambientes que possam neutralizar a ação.
Sendo tomadas as melhores disposições preliminares, faz-se sentar o doente em um lugar cômodo, de modo que ele esteja bem à vontade, e deve-se ficar colocado em frente dele sobre um assento mais alto.
Estabelece-se então a relação, pelo contato (49). O período da duração da sessão deve ser de cerca de meia hora a 45 minutos no máximo e divide-se do seguinte modo:
(49) Entrar em relação: 5 minutos
Processos passivos: 10 minutos
Processos ativos: 10 minutos
Processos mistos apropriados ou massagem: 15 minutos
Processos terminais: 5 minutos.
Esta indicação não é evidentemente mais do que um quadro onde o operador não deve confinar-se estritamente: cada caso particular deve ditar sua conduta, não só na ordem, como na escolha dos processos. O seu primeiro cuidado é estabelecer o mais intimamente possível a relação, que deve existir entre o tom do seu movimento e o do seu paciente.
Depois, usará dos processos passivos antes de recorrer aos processos ativos, a fim de só empregar as suas forças gradualmente, e enfim escolher, entre os processos mistos, aqueles que julgar mais apropriados à circunstância e à natureza da moléstia.
Para se guiar nesta escolha, deve o operador compenetrar-se dos princípios seguintes: O equilíbrio vital como sendo a resultante do ritmo normal e harmônico de todas as partes do organismo, nervoso, músculos e sangue, que conjuntamente conspiram, conforme o seu destino especial, para fornecer a soma de atividade necessária à realização das funções; por outro lado, a volição que dirige a motilidade partindo dos lóbulos cerebrais, a coordenação dos movimentos partindo do cerebelo, e a excitação das contrações partindo da medula espinhal e de seus nervos; finalmente a cavidade do estômago, que corresponde ao diafragma e ao plexus solar formado de dois gânglios semilunares, sendo de alguma maneira o nó da vida vegetativa onde irradiam os nervos das vísceras e dos membros, o operador deverá primeiramente concentrar toda a sua ação sobre os três pontos seguintes do organismo:
Cérebro (hemisférios e cerebelo) Coluna vertebral
Epigástrio
É atuando diretamente sobre estes três grandes centros nervosos, que se desenvolve melhor toda a potência das correntes.
Se as imposições sobre a cabeça e o peito produzirem vertigens ou sufocações, cumpre atuar sobre as regiões inferiores, fazendo passes do peito aos joelhos (102); e se a sensação de vertigem ou de abafamento continuar, deve-se dispersar vivamente, por meio de passes transversais e o sopro frio. (145, 148)
Se as imposições sobre o epigástrio determinarem contrações ou espasmos, se se manifestar peso de cabeça, perturbações nervosas, afastai a ação das correntes dessas partes, atraindo -as, por meio de passes, para os joelhos e os pés. (102)
Se as imposições irritarem, sufocarem ou produzirem uma excitação geral, cessai o contato, afastai - vos e fazei passes de grandes correntes.
Se, pelo contrário, os passes em vez de acalmarem excitarem, aproximai-vos e operai o contato.
Pode acontecer que as convulsões e os espasmos persistam, apesar das ações combinadas para fazê - las cessar; segurai então os dois punhos do paciente e concentrai-vos, colocai em seguida a mão esquerda em cheio sobre o epigástrio, e com a mão direita fazei imposições palmares à distância
(96) na base do crânio, entre os dois olhos; terminai por passes transversais e o sopro frio. (145, 148)
Os dedos, as mãos, o queixo, a garganta, os membros podem contrair -se sob a ação magnética. Se julgardes útil ou prudente fazer cessar essas contrações, atuai por passes rápidos de desprendimento ao longo do membro contraído ou de ambos os lados da garganta ou do queixo, e empregai o sopro frio à distância, contribuindo toda a imposição ou passe lento para manter ou aumentar a contração. (150, 151, 152, 153 e 154)
Não haja entretanto açodamento em fazer cessar uma contração, quando ela se manifestar, porque a natureza toma muitas vezes este caminho como meio curador (122). Debaixo do impulso magnético, os sintomas mórbidos parecem às vezes agravar-se, ou produzem-se certos fenômenos que se poderiam crer contrários à vida.
Cumpre não se alarmar no primeiro caso nem se enganar no segundo, e longe de procurar precipitadamente destruir o efeito produzido, é necessário limitar-se a sustentar a reação vital, sem embaraça-la. É assim que se não deve, muitas vezes, acalmar um espasmo, nem fazer cessar uma contração, desde que nascem espontaneamente estes estados sob o influxo da ação radiante, no próprio interesse do organismo.
Se o doente ficar abatido, entorpecido e dormir, deixai-o no sono, e continuai a magnetizar, como se ele estivesse acordado.
Nunca se deve provocar o estado sonambúlico. Mas pode acontecer que, ao tocardes um doente na intenção de aliviá-lo e curá-lo, vos apercebais que ele, por sua extrema sensibilidade, tem uma tendência natural para sentir profundamente a vossa ação.
Se virdes a respiração acelerar-se, as mãos tornarem-se úmidas, as pálpebras oscilarem, os olhos convulsionarem-se levemente, o pescoço abaixar-se ou dobrar-se para traz, podeis, sem perigo, favorecer este movimento natural para o sono magnético, cuja manifestação, em tais circunstâncias, só pode ser favorável ao tratamento.
Prolongareis então a ação sobre o cérebro colocando o polegar sobre a testa entre os dois olhos, ou pondo os dedos em ponta, à distância, adiante das pálpebras, ou exercendo uma ligeira pressão sobre o globo ocular.
Depois, colocareis as duas mãos sobre as espáduas, conservando -as aí alguns minutos; descê- las-eis lentamente fazendo-as convergir para o epigástrio, colocá-las-eis de novo sobre as espáduas com um novo tempo de parada, descê-las-eis vagarosamente ao longo dos braços até à extremidade dos dedos, segurareis os polegares de cada mão fazendo sobre eles leve pressão durante um minuto ou dois, e recomeçareis os passes precedentes com toda a lentidão, até que os olhos se fechem completamente e o sono seja calmo e perfeito.
Nas primeiras vezes que se produz este estado, evitai fatigar o paciente com perguntas importunas, deixai-o alguns momentos na calma deste repouso reparador, do qual fá-lo-eis sair por meio dos passes de dispersão (145) e do sopro frio à distância, sobre a fronte (155).
O estado sonambúlico nunca deve servir para satisfazer uma fútil curiosidade, e só deve ser utilizado no interesse do doente.
Como os efeitos pelos quais o magnetismo prova sua ação são extremamente variados, se renovam em cada sessão ou mudam com a marcha do tratamento, o operador deve estar prevenido para modificar muitas vezes o emprego dos processos.
Deve todavia saber, de maneira geral, que em se tratando de um mal indolente, frio, onde as partes engurgitadas e tumefatas não apresentam sintomas inflamatórios e nada de agudo se faz sentir, que ele pode prolongar a aplicação do contato e das imposições até que um calor mais ou menos vivo se declare, no entanto, que nas dores vivas em que houver calor, exacerbação, o magnetismo de grandes correntes é muito indicado como aliviando mais depressa que qualquer outro processo, desprendendo prontamente os tecidos engurgitados, ativando a circulação e dissipando as dores.
Em uma palavra, tudo o que é indolente e frio exige a ação tônica do contato ou ação excitante e fundente da imposição digital à distância, isto é, a localização condensadora, no entanto que tudo o que é ativo e ardente exige a ação calmante e refrigerante dos passes, isto é, o movimento dispersivo.
Nos sofrimentos agudos é, pois, preciso proceder por ações gerais que acalmem a dor em vez de procurar exaltar o mal, no entanto que nas afecções crônicas não se deve temer a explosão de tormentas nem o despertar de tempestades.
É esta, diz Du Potet, a verdadeira chave das obras magnéticas; cada órgão tem uma sensibilidade particular que nada vem despertar, porém que o agente magnético pode solicitar. Aquele que souber tirar partido dessas indicações, descobre muitas vezes assim o verdadeiro método de tratamento. Substitui a hesitação pela arte.
Quando, portanto, ao magnetizardes de uma maneira geral, produzirdes uma excitação ou uma dor em algum órgão, concentrai toda a vossa atenção sobre esse ponto por meio das imposições, insuflações quentes e ações excitantes à distância (os dedos em ponta), a fim de despertardes todas as forças do organismo e pô-las em jogo, como se tivésseis tocado a mola que governa.
Geralmente, começam-se as primeiras imposições e os primeiros passes com as duas mãos; mas, se assim se fosse operando até ao fim da magnetização, haveria indubitavelmente fadiga em breve tempo, e perdia-se deste modo uma grande parte do poder radiante, em detrimento da pessoa a quem se presta cuidados. Qualquer que seja a força de que sejamos dotados, convém pois, após os primeiros passes, magnetizar apenas com uma só mão alternadamente. Esta é a opinião de Aubin Gauthier, Deleuze, Lafontaine, Du Potet e muitos outros.
Certos magnetizadores, os polaristas entre outros, reconhecendo em cada mão uma influência magnética particular, são de opinião que não se pode indiferentemente magnetizar com a mão direita ou com a mão esquerda, anulando uma o que a outra faz e reciprocamente.
Esta teoria dos polaristas está em contradição com tudo o que ensina a experiência. Nenhum magnetizador, praticando realmente o magnetismo curador, verificou, nos mínimos fatos, que pudesse existir uma diferença qualquer na virtude curadora das duas mãos, e entretanto os polaristas, em apoio de seus conceitos, provocam nos pacientes certos efeitos que parecem justificar a opinião por eles emitida.
Eu mesmo não tendo podido, durante mais de vinte anos de prática, observar um só fato que me permitisse estabelecer diferença entre o emprego das duas mãos, quis ter a chave desta divergência de opiniões, e empreendi uma série de experiências que acabaram dando-me a decifração do enigma.
A fim de evitar todas as causas de erros, emanadas muitas vezes da fugaz lucidez dos sonâmbulos ou da tendência à simulação, servi-me de um corpo inerte que não podia enganar-me: o pêndulo explorador, sobre o qual precisamente nesta época, eu experimentava as propriedades magnéticas das substâncias minerais e vegetais.
Não posso dar aqui os pormenores dessas experiências, realizadas em Maio e Junho de 1886, experiências que fizeram o objeto de uma comunicação do Sr. Chevreul à Academia das Ciências, no mês de Agosto do mesmo ano; comprometo-me a publicar ulteriormente a narrativa completa.
Posso somente afirmar desde já que, se as leis da polaridade existem, as aplicações que os polaristas pretendem fazer, debaixo do ponto de vista prático, do magnetismo, são falsas.
O pêndulo acusa com muita precisão:
1o) Que no corpo humano, como em qualquer corpo da natureza, existem dynamides de ordens diferentes, uns positivos, outros negativos, dynamides produzidos pela diferença das correntes. Assim, a cabeça e o tronco são positivos do lado esquerdo, e negativos do lado direito; os braços e as pernas são positivos do lado do dedo mínimo, e negativos do lado do polegar.
2o) Que os animais vivos ou mortos, apresentam a mesma polaridade que o homem.
3o) Que os vegetais em plena seiva, ou fanados, são positivos do lado flor, e negativos, do lado raiz; e, tal como os ímãs: cada um de seus pedaços apresenta a dupla polaridade; um fruto é negativo do lado do pendúculo, e positivo do lado oposto.
4o) Que as duas polaridades isônomas (ou do mesmo nome), postas em contato (ou simplesmente aproximadas, se a sua energia for bastante), produzem uma repulsão ou contratura,
enquanto que as suas polaridades heterônomas (ou de nome contrário), produzem uma atração ou descontratura.
Todas estas experiências, praticadas em sensitivos vivos, pelos polaristas, foram por mim repetidas sobre o meu pêndulo, que se sensibilizou diferentemente sob a influência das correntes polares. Até aqui têm razão os polaristas; mas, onde eles se enganam, é quando, abstraindo das circunstâncias em que se produz o fenômeno, tiram daí conseqüencias gerais. Parecem ignorar que as correntes de polarização só se manifestam regularmente nos corpos em estado passivo, e que, quando uma influência interna ou externa chega a mudar o estado passivo em estado ativo, tudo se modifica. As correntes obedecem na natureza à hierarquia das forças.
No homem, por exemplo existe uma série inteira de correntes polares, que podem manifestar- se em detalhe quando o indivíduo conservar-se neutro, porém que a potência de volição sintetiza na ação. O homem, em uma palavra, goza da faculdade de unipolarizar suas correntes pela vontade, e mesmo não pode ser de outro modo, pois a unidade do ser ficaria compromet ida.
Nas experiências que precedem foi conservando passivas e aguardando em estado de completa neutralização as manifestações do pêndulo, que consegui obter todos os matizes de polaridade assinalados pelos polaristas e ainda muitos outros; mas, desde que a minha potência volitiva entrou em ação, tudo mudou, e não somente eu destruía, à minha vontade, todas as manifestações polares, mas ainda conseguia imprimir ao pêndulo todos os movimentos de rotação e oscilação que quisesse dar-lhe.
Mantendo cuidadosamente o estado de neutralidade durante a primeira parte das experiências, eu havia deixado livre ação às correntes polares. Na segunda parte das experiências fazendo entrar em ação a minha potência volitiva, substitui essas correntes secundárias por uma força superior que as nulificava.
E eis de que maneira, apesar dos matizes múltiplos que efetivamente diferenciam os dynamides dos corpos, seja em seu todo, seja em cada uma de suas partes, qualquer corpo organizado, como o corpo humano por exemplo, se unipolariza na ação só pelo efeito da potência volitiva; e é assim que, mau grado a sua bipolaridade real, o magnetizador não tem que se preocupar com a sua polaridade de detalhe, e pode fazer emprego igual de suas mãos. Ele adormece, desperta, provoca contrações e descontrações, tanto com a direita como com a esquerda, e produz à vontade todos os efeitos magnéticos, sem ter de preocupar-se em saber se ele é isônomo ou heterônomo.
Ele só tem de por em ação a sua potência volitiva, que unifica a sua emissão radiante e condu-la com igual segurança ao seu paciente quer de face, quer de lado, pela parte posterior, de perto ou de longe, mesmo às vezes, de um compartimento para outro, através das paredes e sem observá-lo.
Neste ponto é que se acha em desacordo a prática magnética com a teoria polarista, e era útil lembrá-lo. Muitas vezes tive ocasião de ouvir Du Potet dizer, nos últimos anos de sua vida, quando se lhe pedia opinião sobre estas questões: "Cessemos do recorrer a essa interminável logomaquia do fluido e do não fluido, da vontade sem fluido, vibrações da polaridade, etc., etc.; desviemos estas teorias, que bem podem ter às vezes aparência de verdade, porém que são sem fundamento algum real e distraem seguramente o espírito daqueles que magnetizam; evitemos particularizar e especificar o mais possível: isso seria sacrificar uma parte da verdade à necessidade de fazer uma ostentação fútil da ciência."
Finalmente, o Sr. Dr. J. Ochorowch, que fez um estudo aprofundado acerca da sugestão mental, assinalando os hábitos inconscientes dos sonâmbulos, de que são tantas vezes vítimas os experimentadores, diz a este respeito: "Certos magnetizadores encontraram uma multidão de polaridade no corpo humano. Tive oportunidade de apreciar bem essas experiências, e elas são perfeitamente concludentes: o polegar atrai, o dedo mínimo repele, etc. O inconsciente, tendo aprendido a lição não se contradiz mais; somente, solicitando-se-lhe um pouco (mesmo sem palavras), obtendes facilmente o inverso, e podeis desde logo instaurar em toda a sua integridade uma polaridade qualquer, segundo um plano fantástico de antemão traçado. Bastam três sessões para criar um hábito de reação." (Dr. J. Ochorowch: A sugestão mental). 13
Tradução portuguesa, à venda na livraria da Federação Espírita Brasileira.
CAPÍTULO XIV
Da magnetização em comum, ou tratamento pela cadeia
Cadeia em fila.¾ Cadeia fechada com contato.¾ Cadeia aberta sem contato.¾ Organização de uma cadeia.¾ Modo de operar.¾ Precauções a tomar.¾ Determinação das correntes.¾ Sua potência de tensão.¾ Cadeia comunicativa.¾ Seu emprego.
O homem possui não somente a faculdade de influenciar a um dos seus semelhantes por suas radiações magnéticas (18), como ainda pode estender esta influência sobre várias pessoas ao mesmo tempo. Quando não houver tempo para tratar individualmente um certo número de doentes, pode -se reuni-los e tratá-los em comum: é o que se chama cadeia.
Forma-se uma cadeia de diferentes maneiras:
1o) Cadeia em fila. Colocam-se cadeiras, uma por detrás da outra, o mais próximo possível, e faz- se sentar os doentes em fila; o operador conserva-se de pé, na frente do primeiro doente, e atua dai por meio de imposições e passes à distância (97, 100), sobre a fila toda inteira.
O magnetismo, diz Du Potet, se comunica de um para outro com uma prontidão notável, sem cessar de ser eficaz. Particularmente empreguei este processo em Montpellier, onde estive tão atarefado que me foi inteiramente impossível magnetizar isoladamente. Com uma cadeia formada desse modo para dez doentes, eu consagrava ordinariamente cinqüenta minutos. (Barão Du Potet)
2o) Cadeia formada com contato. Colocam-se cadeiras em círculo, uma contra a outra, e faz-se sentar os doentes unidos pelas mãos e tocando-se com o joelho e a extremidade dos pés.
Nesta posição, diz Mesmer, os doentes, por assim dizer não formam mais que um corpo contínuo, no qual circula ininterruptamente a corrente magnética.
O operador conserva-se no centro do círculo atuando nos doentes conjuntamente ou em cada um por sua vez, quer por meio das ações à distância (97, 100), quer com u ma vareta de madeira, de aço ou de vidro.
3o) Cadeia aberta, sem contato. As cadeias em fila ou fechadas, com contato, apresentam em suas disposições certos inconvenientes: em fila, não se pode admitir no máximo senão uns dez doentes e o operador está mal colocado para exercer a sua ação e a sua vigilância; em círculo acontece o mesmo, por isso que o operador volta forçosamente as costas a uma parte da cadeia. Além disso, esse contato muito íntimo das mãos e dos joelhos (inteiramente inútil para a provo cação do fenômeno) pode inspirar às pessoas chamadas para formarem a cadeia um sentimento de mau estar ou repulsão. A melhor disposição para uma cadeia, é portanto a cadeia aberta e sem contato.
Colocam-se assentos na distância de 25 ou 30 centímetros uns dos outros, sobre uma linha curva, e o operador, em pé no centro deste semicírculo, conserva-se a boa distância, de modo a poder abranger num relance a linha dos doentes, de uma ala à outra. Se bem que não exista ponto algum de contato entre os diferentes elos desta cadeia, as correntes se propagam rapidamente de uma extremidade à outra, como na cadeia em fila. Pode-se entretanto, se isto aprouver, estabelecer um laço entre os diferentes elos. Como as cordas de fio de cânhamo, e principalmente de lã são excelentes condutores da força magnética, instala-se diante dos doentes, na altura de apoio, uma forte franja de lã torcida e sustentada, a intervalos, por suportes de madeira ou de vidro fixos ao soalho, e cada uma das pessoas que compõem a cadeia apoia as duas mãos sobre esta rampa improvisada. Esta disposição, estabelecendo inteiramente uma comunicação mais completa entre os
anéis da cadeia, tem principalmente a vantagem de satisfazer mais plenamente o espírito dos doentes, os quais, por esse laço aparente e material, sentem-se de algum modo mais intimamente unidos entre si.
Os reservatórios magnéticos, tais como cubas, árvores magnéticas, não tinham outro intuito senão desenvolver, esforçar as correntes das cadeias que os doentes formam em derredor d eles. Mesmer reunia todos os dias um grande número de doentes em torno de sua cuba. O Sr. de Puységur chegava a reunir até 130, ao mesmo tempo, em torno das famosas árvores de Bezancy, de Beaubourg e de Bayonna, de que os anais magnéticos assinalam numerosas curas.
A composição e a direção duma cadeia exigem cuidados particulares.
A primeira das condições é não admitir no tratamento em comum nenhuma moléstia que possa comunicar-se, produzir desordens intoleráveis ou impressionar desagradavelmente os assistentes, tais como epilepsia, úlceras, moléstias da pele, etc.
Para compor a cadeia, o operador começa recebendo em particular cada pessoa, pondo -se em relação com ela durante um ou dois minutos (49). Feito isto, introduz sucessivamente cada uma delas na cadeia.
Pode-se reunir assim, dez, vinte, trinta pessoas ou mais, se o local o permitir. Uma vez formada a cadeia e em ação, não se deve introduzir mais elementos novos, nem admitir curioso algum ou espectador estranho, nem deixar tocar nenhum dos doentes. Além disso faz-se mister não participar da cadeia nenhum elemento heterogêneo, suscetível de perturbar as correntes.
Se alguém, dizendo-se doente ou amigo de um doente, mas visando satisfazer a sua curiosidade, pede para fazer parte da cadeia, pode até certo ponto impedir-lhe os bons efeitos, desde que seja incrédulo ou mal intencionado.
Estando formada a cadeia, assim como acaba de ser dito, o operador coloca -se em face do centro, na distância necessária para abranger num relance o conjunto da cadeia. Recomenda silêncio, calma e atenção, concentra-se profundamente durante alguns instantes; depois, estendendo o braço direito para os doentes, projeta na direção deles as radiações magnéticas, por meio de imposições e passes à distância (97, 100).
A faculdade de concentrar-se e de radiar não é dada a todos, no mesmo grau. Para dirigir bem uma cadeia, é preciso possuir esta qualidade em supremo grau.
O homem que sabe querer com energia, com perseverança, com teimosia mesmo, é o melhor dotado para organizar uma cadeia (33). Todo o bom êxito depende do poder moral com o qual ele condensa em seus focos nervosos as emanações radiantes, que deve em seguida projetar por toda a parte em que quiser acender a faísca da vida. Assim se ateia o incêndio debaixo dos raios convergentes dum foco lenticular.
Esta energia não deve exprimir cólera, mas uma vontade intensa sem violência nem rigidez: toda a rigidez neutraliza os efeitos, consumindo o princípio que deve fazê-lo nascer.
Pelo contrário convém um certo abandono, e, enviando às extremidades o móvel ou a força necessária para levantar um fardo considerável, é preciso não ter que mover senão o peso dos seus membros. É o excesso nesta força que vai influenciar ao longe os pacientes, e produzir a eclosão das correntes na cadeia.
O operador deve considerar-se como uma simples máquina distribuindo à distância irradiações (8). Deve saber que sua vontade impele essas irradiações de seus centros nervosos ao longo dos nervos até aos limites da pele, e que daí são projetadas sobre os corpos aos quais se as dirige (13, 14, 15, 16).
Cumpre, pois, regularizar a intensidade da vontade de modo que as irradiações não se percam inutilmente no espaço e obedeçam à direção que se lhes quer imprimir; e, como a máquina
humana não poderia fornecer de maneira contínua tão elevado grau de tensão, é preciso que se a detenha muitas vezes sustentando-lhe a ação por algum tempo de repouso. (Barão Du Potet)
Debaixo da ação radiante do operador as correntes se manifestam quase imediatamente na cadeia (11 e 12). Somente os efeitos, por vezes instantâneos, são mais ou menos aparentes, mais ou menos prontos ou tardios.
Quando se magnetiza diversos doentes conjuntamente, diz o Sr. Ragazzi (que pôs em prática com resultado durante muitos anos em Haia, Holanda, a cadeia como meio curador), nota-se que sob a ação da corrente sentem todos um efeito particular sobre a parte doente: em uns a dor aumenta, em outros diminui. Muitos sentem dores que não tinham há muitos anos. O que se passa então? Será o magnetismo que produz a dor? Não, pois que ele dá vida! É que havia ali um mal que a natureza não tinha podido reparar. O magnetismo, despertando as ações vitais, simplesmente ajudou a natureza a recomeçar o seu trabalho inacabado. Eis aí, diz o Sr. Ragazzi, um fato que verifico diariamente sobre milhares de doentes que trato por este processo. (Ragazzi)
Pode acontecer que um doente, sob a influência das correntes desenvolvidas na cadeia, caia em crise ou fique sonambulizado. Cumpre deixá-lo nesse estado, enquanto não se torne uma causa de perturbação ou de desordem.
Neste caso retira-se-o da cadeia para um aposento próximo da sala comum, onde se lhe administram cuidados particulares.
É útil, no tratamento em comum, fazer-se ajudar por um ou mais auxiliares, principalmente se for grande a cadeia.
Mas estes ajudantes, escolhidos com critério, devem compenetrar-se bem de que é preciso renunciarem a qualquer iniciativa pessoal, cingirem-se cegamente às instruções do mestre, só empregarem os seus processos, e nulificarem-se completamente diante da sua vontade soberana. Um acólito que se não conformasse com essas regras absolutas seria antes um impecilho do que um auxílio útil: seria preferível pô-lo de parte.
A cadeia é, de todos os meios, talvez o mais poderoso para por em jogo a força magnética e tornar efetivas as suas manifestações.
Se de fato quiser-se considerar o corpo humano como uma pilha composta de número infinito de elementos nervosos, que por sua ação recíproca desenvolvem correntes e radiações, compreende-se o que uma máquina composta de várias pilhas deste gênero, postas em atividade por um impulso dado, possa produzir em potência de tensão. A cadeia aparece então como uma verdadeira bateria magnética, onde a energia das trocas aumentam com o número dos elementos compostos que a formam. (12)
A cadeia ordinária é, como acabamos de ver, a reunião de um certo número de doentes atuando respectivamente uns sobre os outros de maneira inconsciente e esperando, no estado de neutralidade, os efeitos magnéticos que devem desenvolver as correntes.
Também se pode formar uma cadeia de pessoas sãs, unidas num mesmo intuito e numa mesma intenção ativa para aliviar um doente. Isto, em certas circunstâncias graves, pode ser um precioso auxiliar para suprir a insuficiência de uma ação isolada e para despertar ou vibrar a vida prestes a escapar-se de um corpo moribundo: é o que se chama a cadeia comunicativa.
A formação de uma cadeia comunicativa apresenta algumas dificuldades, e todos os que a compõem devem estar sinceramente animados do desejo de praticar o bem, profundamente dedicados ao doente e unidos de intenção e de coração àquele que os dirige.
Sob tais condições essenciais não se pode, de maneira alguma, contar com mercenários ou pessoas de fé vacilante, cujo ceticismo, sempre pronto à crítica ou à negação dos fatos, dificultaria a ação magnética em vez de desenvolvê-la.
A cadeia comunicativa, forma-se com o mesmo cuidado que a cadeia ordinária (195). Somente depois de haver estabelecido a relação (49), o condutor recomenda a cada pessoa que compõe a cadeia de se unir pela mão.
Em seguida, ele toma a extremidade inicial da fila a fim de atuar, por meio de imposições e passes com a mão que se conserva livre, sobre o doente, como em toda a magnetização isolada, recebendo de todos os elementos da cadeia um reforço que duplica a potência da sua corrente.
CAPÍTULO XV
Da automagnetização
Ação do homem sobre si mesmo.¾ Casos em que esta ação pode ser utilmente empregada.¾ Escolha dos processos.¾ A integridade da tonalidade vital depende toda do funcionamento regular das correntes. ¾ Força centrípeta e força centrífuga.¾ Condensações e dispersões.¾ Preceitos de higiene entre os chineses (Thang-Seng).
Na magnetização isolada ou na magnetização em comum, mostramos a influência curadora que um indivíduo pode exercer por suas radiações sobre um ou muitos de seus semelhantes.
Esta ação de um homem sobre outro ou sobre vários outros, depois de ter sid o por muito tempo contestada, está hoje correntemente admitida, senão em todo o seu alcance curador, ao menos quanto a certos fenômenos fisiológicos que a própria ciência oficial decidiu -se a admitir.
Pode-se, portanto, encarar como certa a ação magnética do homem sobre seus semelhantes.
Resta saber se ele a tem sobre si mesmo.
Neste ponto a incerteza não pode durar muito, porque, com exclusão de qualquer teoria, é muito fácil formar uma opinião sobre este ponto.
Experimentando sobre si mesmo não tardará a verificar pela experiência se existe ou não uma ação.
Nosso primeiro ato, no sofrimento, é levar instintivamente a mão ao ponto em que sofremos e muitas vezes encontramos certo alívio com uma leve pressão na parte afetada. Se, em vez de agir instintivamente, soubermos estudar as nossas sensações e dirigir convenientemente a nossa ação, adquiriremos bem depressa a certeza de que a ação magnética do homem sobre si mesmo é incontestável.
Mesmer não falou da ação do homem sobre si mesmo. Os Srs. de Puységur, d'Eslom, de Bruno, etc., também não falam a esse respeito. O Sr. Deleuze, em sua Instrução Prática, fala dela muito por alto, como de um fato que pode existir, porém que ele não verificou. Os Srs. Birot e Dr. Rouilier são os primeiros que tratam a fundo do assunto em seu livro: Recherches sur la faculté de se magnètiser soi-même. E Aubin Gauthier, no seu trabalho ¾ Introduction au magnetisme, tratando explanadamente deste assunto sob o título L'Action de l'homme sur lui-même, conclui deste modo: Devo à ação magnética exercida sobre mim mesmo, a conservação de minha saúde muitas vezes comprometida por longos e penosos trabalhos.
Os casos em que se pode empregar a automagnetização são forçosamente restritos, porque, para agir sobre si mesmo, não é necessário ficar em estado de prostração, nem num estado de exacerbação e desordem geral. Se o indivíduo for profundamente anêmico ou estiver atacado de febre ardente, não poderá pensar em dar aos outros uma saúde que ele não tem. Com mais forte razão, nada se pode fazer sobre si mesmo. Neste caso, deveria recorrer ao seu semelhante e pedir - lhe auxílio e assistência.
Porém, fora dessas circunstâncias excepcionais, quantas oportunidades de sustar em seu começo as indisposições ligeiras, e deste modo evitar as complicações que lhes são conseqüentes!
As mudanças de estações, as variações de temperatura, a fadiga, as emoções morais, as decepções conspiram a todo o momento contra a nossa tensão vital; as nossas funções periclitam; sobrevêm obstruções, congestões, perda de apetite, constipações, dores de cabeça; uma transição brusca do calor para o frio, ou do frio para o calor, um golpe de ar, uma cólera violenta, congestionam subitamente o cérebro, irritam a garganta, embaraçam os brônquios ou o estômago,
revolucionam os intestinos; um acidente se dá, uma queimadura, uma queda ou um corte, que fazer? A medicina, para preencher essas eventualidades, prescreve purgantes, vomitórios, vesicatórios, sanguessugas, tapsias 14, pedilúvios, cataplasmas, compressas, antipyrina, etc. Pode evitar-se tudo isso concentrando-nos cinco minutos e colocando a mão sobre a parte doente ou sobre a sede da função e, enquanto uma afecção local não absorver as nossas faculdades físicas e morais, enquanto o mal ficar circunscrito a uma região ou a um órgão, poderemos magnetizar -nos a nós mesmos, e arrancar (é o caso de dizer-se) a dor e o mal com a mão.
Tem-se dado comigo mais de cem vezes, e diariamente ainda me acontece, restabelecer em poucos momentos as minhas funções perturbadas por qualquer circunstância fortuita, e é graças à auto-magnetização, não hesito em acreditar, que me tem sido possível prosseguir, sem um só momento de parada, durante mais de vinte anos, trabalhos bastante penosos e difíceis; tenho evitado muitos defluxos, fazendo-os abortar em seu começo e tenho atenuado consideravelmente as consequências de acidentes tais como quedas, ou queimaduras. (136)
Para se magnetizar a si mesmo empregam-se os processos comuns, imposições, passes, massagens e insuflações, isto é, toca-se fazendo imposições das mãos, ou apresentando-as à distância, ou fazendo-se fricções ou passes, ou soprando-se frio ou quente.
Atua-se sobre o conjunto do organismo impondo-se sucessivamente as mãos sobre a cabeça, o estômago, os rins e o ventre, fazendo-se seguir estas imposições de longos passes lentos do alto do tronco até aos pés.
Atua-se localmente, por meio de ações parciais sobre todas as regiões ao alcance da mão ou do sopro. No primeiro caso restabelece-se o equilíbrio geral perturbado dando mais tensão ao circuito vital, no segundo atraem-se as forças vitais e duplica-se a atividade das correntes por toda a parte em que se impuser a mão.
Cumpre partir-se deste princípio ¾ que o equilíbrio vital depende essencialmente da harmonia que existe entre as correntes centrífugas e as correntes centrípetas. O ser organizado, em perpétua troca com o meio em que é chamado a viver, não chega a manter a integridade da sua tonalidade vital se não pela preciosa faculdade que possui de reagir, de maneira permanente, contra as correntes externas que o cercam e de equilibrar-se com elas; a sua vitalidade é o resultado de duas forças contrárias, uma interna, a outra externa; a sua saúde é o ponto de equilíbrio deste antagonismo; ele recebe do meio ambiente, restitui a este meio o que recebeu, em outros termos, condensa e dispersa alternativamente; e o movimento de dispersão que ativa e de condensação, é a despesa ou o estrago que prepara a receita ou a reparação, e é assim que a morte entretém o fogo da vida.
Pode pois dizer-se, "quem dá, recebe" e eis de que modo, longe de esgotar as suas forças no ato de magnetizar, como era natural acreditar-se, retira, pelo contrário, desse ato um grande benefício para si mesmo ativando em si a dupla corrente da vida.
É sobre este princípio de perpétua troca, que constitui o equilíbrio oscilatório da vida, que repousam as vantagens do emprego da cadeia no tratamento comum; existe entre os doentes que formam a cadeia uma dupla transmissão: ao receber, cada um dá, e dando, cada um recebe.
Na magnetização direta acontece o mesmo: o magnetizador, dispersando os seus eflúvios magnéticos sobre o seu doente, ativa por este fato a corrente contrária ou a condensação e recupera assim na proporção do que dá.
Esta maneira de considerar a vida do homem; como sendo o resultado de um jogo regular das correntes, se acha expressa numa obra chinesa, que data do século XVII: o Thang -Seng ou a Arte de proporcionar para si uma vida sã e longa.
O autor deste livro distingue no homem três espécies de forças a que chama os espíritos vitais: o Tsing, que corresponde às forças vegetativas, ¾ o Ki às forças animais, ¾ e o Chin, às forças
Emplastro vesicante feito com a folha da thapisia, planta da família das umbeliferas. (Nota do Tradutor)
espirituais ¾ É importante, diz ele, não se dissiparem estes três princípios da vida humana, quer pelo uso imoderado dos prazeres dos sentidos, quer por esforços violentos, quer por emoções muito vivas ou grande contenção de espírito.

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