O abuso dos alimentos produz o mau odor da transpiração e do hálito; a combustão sendo imperfeita, a pele exala ácidos, assim como a superfície pulmonar; é assim que a alcalinidade do sangue pode ser diminuída pela invasão dos ácidos não queimados (Dr. Bouchard). Os pobres estão menos vezes doentes por falta de alimento, do que os ricos por excesso deles (Fénelon).
O eu é tanto mais vivaz e mais poderoso quanto menos freqüentemente se renovar a matéria que o sustenta. Os comilões ativam suas funções vegetativas, duplicam suas eliminações e suas excreções; possuem um eu menos consciente, menos ativo e menos lúcido, e o movimento para mais que eles dão aos órgãos industriais do corpo, isto é, as vísceras, indo atuar sobre o cérebro, traz alucinações e desarranjos intelectuais; os comilões tendem a tornar-se hipocondríacos, inconscientes, imprestáveis e idiotas. (Louis Lucas)
Para desenvolver as faculdades magnéticas, o regime vegetariano, aplicado sem exagero e sem prevenção exclusiva, é incontestavelmente o melhor; faz-se preciso comer pouca carne, suprimir por completo o uso do álcool e beber muita água pura.
Os carnívoros têm a língua suja, o hálito mau, as dejeções irregulares e fétidas, desarranjos gastro-intestinais freqüentes, afecções cutâneas habituais, enxaquecas, reumatismos, obesidade ou edemacia. (Dr. Bouchard)
O álcool, assim como os éteres, as essências e seus derivados, atuam profundamente sobre os centros nervosos exaltando e paralisando alternativamente as funções psíquicas, e alterando deste modo, com o correr do tempo, a vitalidade da medula, que preside à nutrição dos tecidos. (Claude Bernard)
A água tomada como bebida, a água absolutamente pura e simplesmente fil trada, é indispensável em certas proporções para acelerar os atos da desassimilação e favorecer as metamorfoses orgânicas; está agora infelizmente banida da mesa do rico e do pobre; ninguém hoje bebe mais água natural, entretanto, sua falta faz com que os produtos da desnutrição se acumulem no sangue, as condições da osmose se suspendam, e os produtos excrementícios acumulados venham viciar os tecidos e os humores. Para passar bem, é preciso beber pelo me nos de um litro a litro e meio d'água pura nas vinte e quatro horas. (Dr. Bouchard)
É um preconceito acreditar que a carne nutre a carne. O regime da carne e do sangue é, pelo contrário, nocivo a beleza das formas, ao viço da tez, à frescura da pele, ao aveludado e brilho dos cabelos. Os comedores de carne são mais acessíveis que os vegetarianos às influências epidêmicas e contagiosas; os miasmas mórbidos e os vírus encontram um terreno maravilhosamente preparado para o seu desenvolvimento nos corpos saturados de humores e de substâncias mal elaboradas, nocivas ou já meio fermentadas e em decomposição. Por outro lado, o uso dos condimentos e adubos, inseparável da alimentação animal, pouco a pouco embota a sensibilidade olfativa, a sensibilidade gustativa, e leva os carnívoros a estimularem os seus sentidos com o uso do fumo, do álcool e das bebidas fermentadas. (Professor Raoux, de Lausanne)
Finalmente, uma das condições higiênicas mais importantes a seguir-se, é evitar com cuidado todos os atos da vida que, próxima ou remotamente, possam, afetando o físico ou o moral, trazer despesas nervosas bastante sérias, que enfraqueçam ou esgotem prematuramente as fontes preciosas da irradiação vital.
Desejas, com critério e prudência, Tua saúde poupar?
Aprende a beber pouco; E de Venus às cadeias
Mais criteriosamente ainda Não entregues os teus pulsos.
(Escola de Salerno)
Os males, os desgostos, a cólera, a canceira De teus dias devorados abreviam a carreira.
(Escola de Salerno)
Calma ¾ A calma é uma das qualidades mais essenciais para magnetizar. Sem calma não há ponderação, nem equilíbrio, e por conseguinte não pode haver poder irradiante e regularidade de transmissão.
Só a calma torna-nos atentos, perseverantes, confiantes e dá essa virtude preciosa que se chama paciência.
Se se desconfia de si, se se duvida, se se está hesitante, se se age molemente e sem perseverança, se há falta de ordem e de confiança, se não se observa, ou se observa mal o seu doente, se em vez de se agir no interesse dele, se diverte em provo car certos efeitos no intuito de satisfazer uma curiosidade frívola ou disfarçar a impaciência que se experimenta, arrisca-se a fazer pouco benefício; porque uma atenção acurada, e uma confiança perseverante são os verdadeiros agentes de
toda a ação magnética, e onde estes preciosos elementos chegam a faltar, todos os esforços neu - tralizam-se.
Se a calma é a qualidade quotidiana, mais útil àquele que quer magnetizar, esta qualidade torna - se inteiramente indispensável nos casos em que a natureza, produzindo crises, exige do operador todo o sangue frio de que é suscetível para auxiliar o doente a sair vitoriosamente dessas situações difíceis.
A curiosidade, que ordinariamente é um grande defeito, torna-se um vício radical no magnetizador; um curioso jamais deixa em repouso o doente no qual não obtivera efeitos que o distraiam do aborrecimento experimentado em magnetizar. Assim, as pessoas curiosas, instáveis, versáteis, irregulares nos seus sentimentos e nos seus modos, não conseguem nenhum êxito curador. (Aubin Gauthier)
Vontade ¾ A vontade atua de uma maneira poderosa no ato de magnetizar; é necessário, pois, desenvolver muita vontade quando se magnetiza.
Entretanto não se acredite, como pretendem alguns, que a vontade faça tudo, substitua tudo, e não necessite de nenhum outro auxiliar; se assim fora, não se deveria preocupar com processos: bastaria fazer um tratado acerca da vontade e seus usos: mas assim não acontece, e só devemos considerar a vontade como agente interno encarregado de regular, dirigir e sustentar nossa ação.
Explico-me:
Tenho em mãos uma bola, hesito em atirá-la, e, em lugar de o fazer, deixo-a cair. A falta de minha vontade produziu o relaxamento dos músculos que apertavam a bola; estes músculos distenderam-se e a bola caiu. Se eu a tivesse atirado, ela não teria partido por si, tê -la-ia impelido e seria acompanhada de minha vontade até ao fim.
É desta maneira que se pode compreender como retemos, deixamos cair ou dirigimos as nossas radiações. Quando não sabemos querer, elas conservam-se inativas e neutras; escapam-nos inteiramente sem direção determinada, se não sabemos condensá-las e retê-las; tornam-se intensas e encaminham-se como a trajetória da bola, quando sabemos e queremos dirigi-las para um fim. Todo o segredo do mecanismo da vontade, como agente de tensão, reside neste ponto.
A nossa vontade atua mais sobre nós mesmos do que fora de nós; produz uma atividade maior no cérebro e em todos os plexus, e daí resulta uma emissão maior e mais intensa na ação. Quanto mais a vontade se exprime com firmeza e continuidade, tanto mais a emissão se faz abundante e intensa. (La Fontaine)
Os principais agentes de que o homem se serve em magnetismo são: a vontade e a atenção. A vontade determina e dirige a ação, a atenção sustenta-a e aumenta-a. Pela vontade, o homem imprime sua ação e dirige-a para onde quer. (De Bruno)
Sem vontade não há atenção; se esta se desvia do seu objetivo, aquela se enfraquece: uma dirige e a outra esclarece. (Aubin Gauthier)
Benevolência ¾ Todos, indistintamente, podem produzir efeitos magnético s; porém, para curar, é necessário possuir um fundo inesgotável de caridade e de benevolência, é preciso amar ao seu semelhante.
O homem bom, caridoso, benévolo, será certamente mais calmo, mais atencioso, mais perseverante, mais animado do amor do bem e, por conseguinte, mais desejoso de atingir o seu fim, que o indiferente; há, pois, muitas probabilidades de que produza efeitos salutares.
Se a benevolência não é absolutamente necessária para agir, é indispensável para ser útil (Aubin Gauthier). Se, há um século, Mesmer se contentasse em anunciar aos sábios da Europa que uma vontade firme e benevolente era o remédio soberano que se precisava contrapor exclusivamente a todas as nossas moléstias, a extrema simplicidade de um tal asserto tê-lo-ia coberto de ridículo, e o magnetismo talvez tivesse morrido ao nascer; mas o homem inteligente, que acabara de encon trar esta verdade imensa, pensou imediatamente nos meios de torná-la aceita. Foram os esforços de
Mesmer para cativar os espíritos pelo mistério e o desconhecido, e certos processos que empregou nesse intuito, que forneceram aos seus adversários um motivo para atacar a sua maneira de agir. (Dr. Tesle)
Fé ¾ Será preciso ter a fé para magnetizar? A fé não é precisamente uma condição indispensável para agir. A incredulidade não impede a produção de efeitos magnéticos; entretanto, sem uma confiança absoluta nos meios que se emprega e no fim que se procura atingir, a vontade flutua e a atenção paralisa-se; ao incrédulo falta-lhe perseverança e paciência, não possui esse fogo sagrado que triunfa dos obstáculos e das dificuldades, não tem esse precioso elemento do bom êxito, a confiança, que é a única que pode dar a fé fortificada pela experiência.
Tomemos um exemplo:
Se alguém vos disser: eis aqui um vintém; todos os dias imponde vossas mãos com perseverança sobre esta moeda de cobre, e em breve a vossa tenacidade e a vossa confiança serão largamente recompensadas: o vintém se transformará em ouro. Se não tiverdes confiança na afirmativa que se vos faz, nem na pessoa que vô-la dá, acontece que não vos preocupareis por certo com um fato que vai de encontro a todas as idéias adquiridas, e, se aquiescerdes a ele, não tereis perseverança; entretanto, se efetivamente existisse ali um meio de metamorfosear o cobre em ouro, não teríeis perdido uma bela ocasião de lucro, pela vossa tendência a incredulidade?
Admitamos, pelo contrário, que pondo de parte qualquer prevenção, vos dis pusésseis escrupulosamente a verificar pela experiência uma afirmação que choca os vossos preconceitos e que assim chegásseis a averiguar a verdade do fenômeno; com que ardor perseverante, com que paciência a toda prova não estaríeis desde então armado para renovar o milagre à saciedade!
Este exemplo aplica-se aqui bem: uma simples imposição das mãos pode produzir prodígios, mas quem não experimentou e não viu não pode acreditar nessas maravilhas; e, enquanto por si mesmo não se conseguiu esses efeitos surpreendentes, conserva-se o homem cético e sem fé, indeciso e fluctante, dificilmente dispõe-se às peníveis demoras de uma operação, que muitas vezes demanda esforços contínuos e uma paciência inesgotável.
Pode-se, pois, magnetizar sem ter a fé, porém ela torna-se necessária para fazer o bem, para restituir a saúde àquele que a perdeu.
A falta de confiança dá a timidez; teme-se um efeito magnético em vez de desejá-lo; se ele se apresenta, recebe-se-o com inquietação; os efeitos imprevistos enchem de pasmo ou impelem-no a imprudências e exageros que se não dariam se se tivesse por guias a reflexão, o critério e a experiência (Aubin Gauthier)
Saber ¾ O magnetismo, considerado debaixo do ponto de vista do exercício de uma faculdade natural, está ao alcance de todos; e para fazer bem ao seu semelhante, basta possuir um coração simples e benévolo; se se considerar o espiritismo sob o ponto de vista dos altos problemas de fisiologia e de psicologia que ele pode resolver, não é bastante um bom coração, é necessário uma grande inteligência e saber.
Tomemos um meio termo entre estes dois extremos e digamos que, para praticar o magnetismo curador com bom êxito, convém reunir às qualidades que acabamos de enumerar alguns conhecimentos de anatomia e de fisiologia e o estudo das melhores obras que têm tratado do magnetismo.
Finalmente, antes de procurar tratar de um doente, cumpre fazer um exame de si próprio e refletir maduramente: considerando o objeto que se propõe, que é curar, como um verdadeiro sacerdócio, é necessário tomar a resolução de imprimir a todos os seus atos o mais correto procedimento, as mais puras intenções, uma inteira discreção, uma dedicação absoluta e só empreender o tratamento quando se está certo de levá-lo a bom termo nas condições exigidas.
CAPÍTULO III
Das condições necessárias para ser magnetizado
Ninguém é refratário ao magnetismo.¾ Das condições necessárias para desenvolver a receptividade magnética: simpatia, confiança, paciência. ¾ Influências internas e externas.¾ Efeitos do regime e dos medicamentos.
Ninguém é refratário à influência magnética, e, do mesmo modo que qualquer indivíduo pode magnetizar, todo o indivíduo é magnetizável. É bastante, para aproveitar na mais larga escala os efe itos salutares do magnetismo, colocar-se nas condições de receptividade as mais favoráveis.
Estas condições são todas de ordem moral: Simpatia, confiança e paciência.
Simpatia ¾ A escolha de um magnetizador é uma coisa mais delicada e mais impor tante do que a escolha de um médico. É preciso que haja entre o magnetizado e o magnetizador, senão uma verdadeira simpatia, pelo menos ausência completa de antipatia; qualquer sentimento de indisposição, de constrangimento ou de repulsão, é absolutamente contrário ao estado de receptividade magnética.
Confiança ¾ Se é indispensável a simpatia, não o é menos a confiança, não a fé cega na eficácia do magnetismo, mas sim uma absoluta confiança na pessoa do magnetizador.
Um doente que esgotou os socorros da medicina nunca vem à magnetização com uma grande confiança, e muitas vezes a pouca estima que ele vota a um remédio que não conhece, deprecia esse remédio aos seus olhos. Tudo isto não é motivo para que o magnetismo não lhe restitua a saúde. A confiança na própria coisa não é indispensável para que o efeito se produza. (Aubin Gauthier)
Só com o correr do tempo, depois da obtenção de certos efeitos, é que o doente pode familiarizar -se com o magnetismo, de que não tem às vezes mais do que uma idéia muito vaga; porém é desde o primeiro dia que ele deve confiar inteiramente no magnetizador, porque, dependendo a eficácia do tratamento da maneira pela qual o magnetismo é administrado, todo o sentimento de desconfiança ou de prevenção tenderia a enfraquecer as boas disposições daquele de quem toda a virtude curadora re - side na expansão de suas faculdades radiantes.
Dizei: "Eu não creio no magnetismo, mas tenho confiança em vós!" Nestas disposições, as mãos dos menos hábeis podem produzir maravilhas. (Aubin Gauthier)
Paciência ¾ Depois da confiança, a melhor garantia de bom êxito é a paciência, e infelizmente a paciência é a virtude que mais vezes falta aos doentes.
Quer-se ser curado antes de submeter-se ao tratamento. Não se quer admitir que uma moléstia inveterada desapareça como que por encanto, e que é preciso dar ao tratamento o tempo necessário.
Se não se sente nada no começo, duvida-se e perde-se a confiança.
Se sobrevêm as dores ou aumentam-se, lamenta-se e fica-se amedrontado.
Às vezes, uma melhora imediata, dando a esperança prematura de uma próxima cura, faz originar decepções que levam ao desânimo.
Essas alternativas de dúvida e esperança, essas impaciências, esses temores, essa grande mobilidade de sentimentos têm geralmente deploráveis consequências; enervam o doente e desmoralizam o magnetizador; um coloca-se, por culpa própria, em mau estado de receptividade; o
outro vê sustar-se, com grande pesar, a sua força irradiante, e o bom êxito da operação se acha deste modo retardado ou comprometido.
É preferível não empreender um tratamento quando não se esteja comp enetrado da necessidade de submeter-se inteiramente à experiência do magnetizador, e de não contrariar a sua ação em coisa alguma.
Cumpre saber:
1o) Que o tempo de uma cura varia ordinariamente de um a seis meses, e algumas vezes mais;
2o) Que não há motivo para perder-se a esperança quando nada se sente no começo; os efeitos magnéticos manifestam-se às vezes tardiamente, e a cura muitas vezes sobrevem mesmo sem nenhum sinal precursor aparente;
3o) Que se as perturbações se agravam e aparecem dores, não há razão para atemorizar-se; todo
tratamento apresenta alternativas inesperadas e os sofrimentos são a maior parte das vezes a prova d e uma reação salutar.
A dor exprime um ato puramente vital; os fenômenos da dor são de tal modo um ato de reação vital, que é preciso que haja não somente o despertar da sensibilidade para que ela se produza, como ainda uma certa dose de sensibilidade disponível; na região em que a rede nervosa for tórpida, anestésica, a dor é incapaz de se desenvolver: "Não sofre quem quer! Para sofrer é preciso sentir. " (Dr. Luys)
Finalmente, se um alívio imediato se produz, é preciso não se entregar muito cedo à esperança, a fim de evitar as decepções.
O doente deve estudar com o maior cuidado todas as sensações que experimenta, quer durante a magnetização, quer no intervalo das sessões, a fim de poder informar o magnetizador sobre todos os sintomas que ele puder notar.
Ele deve evitar ser influenciado pelo meio em que vive; não contrariar a ação do magnetismo, toma ndo ocultamente substâncias cujos efeitos o magnetizador não pudesse distinguir nem prever.
Debaixo do ponto de vista do regime, cumpre evitar os excessos de todo o gênero, vigílias, fadigas corporais e espirituais, emoções vivas ou deprimentes, tudo o que, em uma palavra, puder perturbar o equilíbrio do corpo ou o repouso da alma.
Não deve abusar, quer das abluções, quer dos banhos; a ação repetida das duchas quentes ou frias diminui com o correr do tempo a receptividade magnética, determinando u ma excitação periférica que se transmite, pelos nervos vaso-motores, ao centro do grande simpático.
Todo o agente manifestamente sedativo ou revulsivo, isto é, que demora ou excita o movimento vital, deve ser moderadamente empregado em concorrência com o magnetismo, de maneira a não embaraçar-lhe o efeito.
É principalmente importante abster-se de tudo quanto possa tender a destruir ou minorar a sensibilidade nervosa, como os perfumes, narcóticos e bebidas espirituosas; debaixo da influência deprimente dos anestésicos ou dos tóxicos, a tensão vital acaba por embotar -se de tal modo que se torna impossível ao magnetismo despertar no corpo uma reação qualquer.
As pessoas que fazem ou que fizeram uso imoderado da morfina, da antipirina, do éter, do ópio, do cloral, do clorofórmio, e do sulfonal, ou que foram tratadas durante muito tempo por tóxicos violentos, tais como a acetanilide, estriquinina, o salicilato de soda e as variedades de brumuretos ou de ioduretos, perdem toda a receptividade magnética e tornam-se incuráveis pelo magnetismo.
O quinino em altas doses, a atropina, o colchico, o abuso do álcool e do tabaco têm os mesmos efeitos sobre o organismo.
Da maneira de por-se em relação
Definição e objeto.¾ Relação por contato.¾ Relação à distância.¾ Efeitos produzidos pela ação de relação.
Por-se em relação, é estabelecer, entre si e a pessoa que se quer magnetizar, uma espécie de acordo prévio simpático, tendo por objeto fazer nascer de um organismo para outro a corrente de transmissão. O encetamento da relação, é uma operação preliminar que precede a qualquer magnetização.
Nesta operação a pessoa que magnetiza, concentrando fortemente a sua vontade e a sua atenção, coloca-se no estado mais favorável de expansão radiante, e a pessoa magnetizada, por um repouso físico e moral neutralizante, procura, num estado de calma e descanso passivos, atingir o ma is elevado grau de receptividade.
Para colocar-se no estado mais favorável de expansão radiante, não é preciso acreditar que seja necessário um grande esforço de contenção; qualquer constrangimento, ao contrário, é nocivo a emissão radiante que uma grande flexibilidade muscular favorece; é do cérebro que parte a ação propulsora, e esta ação, propagando-se ao longo dos cordões nervosos, deve encontrar francos todos os caminhos para a sua passagem. O querer é o verdadeiro foco de ação, mas é preciso um querer contínuo, sem interrupção nem projeção violenta, agindo de maneira regular e firme, como se fora o pistão no organismo mecânico de uma máquina, para expelir a força motora destinada a aplicações industriais.
Aquele que magnetiza, deve considerar-se qual máquina física que produza em si mesma o agente dos fenômenos: sua vontade deve ser ativa, deve querer agir sobre o magnetizado induzindo nele o princípio que sua organização encerra; os braços, as mãos, não devem ser considerados senão os condutores desse agente. (Barão Du Potet)
A relação se estabelece por contato ou a distância.
Relação por contato ¾ Fazer sentar o doente em um lugar cômodo, onde esteja bem à vontade. Colocar-se na frente dele, tendo os joelhos e os pés opostos aos seus sem tocá-los, sentado um pouco mais elevado numa cadeira leve, por exemplo, que se possa manejar facilmente.
Estender os braços para diante, tendo as suas mãos abertas, com a palma para cima, de maneira que aquele que se submete à operação, o paciente, coloque nelas em cheio as suas mãos, palma contra palma, estando os dedos em contato em toda a extensão.
Conservar esta posição de cinco a dez minutos, concentrando bem a atenção, sem fixação do olhar e sem esforço.
Se o doente estiver deitado, coloque-se o mais próximo possível da beira do leito, tendo as pernas aproximadas e estendidas, os braços ao longo do corpo, fora das cobertas; tomar as mãos do doente como acaba de ser indicado para a posição sentada, ou impor simplesmente uma das mãos em cheio sobre a testa ou o peito.
Relação à distância ¾ Colocar-se sentado em frente ao paciente, como já se disse acima, estender sem rigidez o braço direito para diante, tendo a mão aberta, a palma para baixo, os dedos levemente afastados e ao comprido em direção a testa, a alguns centímetros da raiz do nariz; conservar esta
posição durante alguns minutos; depois, por um movimento mui lento, descer diversas vezes a mão da testa ao epigástrio10, e terminar a operação colocando a mão na direção do epigástrio.
Pode-se variar sem inconveniente a maneira de por-se em relação, consistindo esta operação em uma simples posse do paciente para o estabelecimento da corrente.
Os processos indicados acima são os mais habitualmente empregados, mas cada operador possui os seus: uns como Mesmer, Puyssegur, Deleuze, Aubin Gautier e Bruno, recebem o contato pelos polegares, colocam as mãos sobre as espáduas, descem lentamente muitas vezes ao longo dos braços e terminam por uma imposição prolongada sobre o epigástrio; outros, em lugar de colocarem-se na frente do paciente, ficam ao lado dele e recebem o contato deitando uma das mãos sobre os rins e a outra sobre o epigástrio, conservando deste modo o corpo do paciente entre as suas duas mãos; outros, contentam-se em fazer o contato com uma só mão colocando-a na testa ou sobre o epigástrio; e alguns, há, como o Barão du Potet, que só empregam a ação à distância.
Cada um desses processos pode achar sua aplicação, conforme as circunstâncias e o grau de sensibilidade do paciente. Há casos em que se pode com vantagem alternar o contato e a ação à distância.
Cinco minutos bastam mais comumente para estabelecer uma relação contínua: entretanto, cumpre saber que a relação se estabelece mais ou menos rápida, em razão dos temperamentos e do grau de simpatia magnética que une as duas pessoas.
Faz-se preciso insistir durante mais tempo, nos primeiros dias, para colocar melhor a corrente do magnetizado no tom da do magnetizador; uma vez bem estabelecida a relação, a ação se renova nas sessões seguintes, no mesmo momento em que se começa a magnetizar. Assim é que, quanto se magnetiza uma pessoa depois de um certo tempo, pode-se dispensar a formalidade de por-se em relação como ato preliminar, e passar desde logo aos processos de magnetização apropriados ao caso; os efeitos se determinam instantaneamente, sem que seja necessário recorrer a uma concentração prévia.
Quando se está bem exercitado, sente-se depressa quando a relação está estabelecida; um grande calor nas mãos, formigamentos na extremidade dos dedos, um pouco de humidade da palma, são os indícios mais comuns. As vezes no paciente, conforme a sua sensibilidade, verifica-se em graus diferentes os sintomas seguintes: palidez ou coloração da pele, aceleração ou diminuição do pulso, tremura das pálpebras, ansiedade, sufocação, depressão que obriga a procurar um ponto de apoio, sensação de quente ou de frio, peso da cabeça, dormência nos membros, impressões ou formigamentos, lágrimas, bocejos freqüentes.
Estes primeiros efeitos se acentuam algumas vezes com sinais mais significativos: propensão ao sono, agitação ou depressão, movimentos convulsivos, contraturas; mas também pode acontecer, e este é o caso mais comum, que nenhum sintoma indicador apareça; entretanto, o ato da relação nem por isso deixa de estar estabelecido, e, pode-se continuar a operação.
Epigástrio - a parte superior do abdome, entre os dois hipocôndrios.
Das imposições
Definição, modo de execução, efeitos. Contatos simples: sobre a cabeça, o epigástrio, o ventre, o dorso e a nuca.¾ Contatos duplos: sobre a cabeça, os olhos, as espáduas, o epigástrio, os braços, o ventre, os joelhos, os rins, a barriga das pernas e as clavículas.
Quando se coloca as mãos sobre um doente, diz-se atuar por imposição. A imposição das mãos era conhecida e empregada, muito antes de Mesmer, como poderoso meio curador.
Praticada desde os primeiros tempos históricos pelos magos da Caldéia, o magnetismo se propagou das Margens do Eufrates ao Egito e à Índia. Depois dos sacerdotes de Isis, os padres do Deus dos Judeus foram seus depositários e os cristãos o herdaram deles. Da Grécia passou a Roma, e de Roma, dizem, às Gálias. Sufocada na sombra espessa em que a cultivavam os adeptos na idade média, a ciência magnética renasceu com Paracelso, que a ensina ex-professo, e faz dela a base de uma nova escola médica. Meio século mais tarde, Van-Helmont consagra-lhe, em pura perda, quarenta anos de labores e de meditações, porque não é compreendido. Mesmer, finalmente, no século XVIII descobre o magnetismo que, depois de mais de três mil anos de exame e de controvérsia conta hoje oitenta anos de existência. ( Dr. A. Tesle, 1845).
A imposição. Como seu nome o indica, obriga ao contato; a mão deve deitar-se em cheio sobre as partes em que se quer exercer uma ação. Estendem-se as mãos sobre as partes planas, afastando levemente os dedos sem contração nem rigidez; envolve-se as partes redondas com a mão fechada, os dedos juntos e repousando sobre as regiões circunvizinhas.
Na prática, as imposições se fazem mais comumente por cima das roupas ou das cobertas, estando o paciente sentado ou deitado, e a espessura dos tecidos, quando se acham bem estendidos e sem desigualdades, não invalidam em nada a comunicação que se quer estabelecer; apresentam-se, entretanto, casos (se não se corre principalmente o risco de ofender o pudor do homem ou da criança por exemplo) em que a imposição direta, feita a nu sobre a pele é muito preferível, porque a ação magnética se junta então uma outra influência, a ação do calórico, que vem favorecer muito eficazmente as resoluções dos abcessos, tumores, engorgitamentos ou obstruções.
Em geral, a imposição é calmante e sedat iva; atuando sobre as correntes nervosas e, consecutivamente, sobre a circulação do sangue e dos humores ela distende e relaxa as fibras musculares, faz cessar as contrações, dissipa as obstruções, favorece as secreções e o fluxo periódico. Porém, a imposição, atraindo mais especialmente a ação das correntes sobre a parte tocada, e as forças nervosas acumulando-se nesta parte, pode, por uma ação de condensação prolongada, tornar -se excitante; é assim que as imposições sobre o cérebro e o epigástrio produzem às vezes perturbações e sufocações que se fazem cessar imediatamente, suspendendo-se a ação ou afastando-a.
Dirige-se à vontade a ação magnética sobre tal ou tal parte do corpo, colocando uma só mão sobre o órgão que se quer atuar; é o contato simples, ¾ ou estabelecendo, por meio das duas mãos, uma continuidade de relação: é o contato duplo; os braços e as mãos nesta operação devem ser considerados como simples condutores, próprios para estabelecer esta continuidade.
Contatos simples
Sobre a cabeça. Sentado na frente, colocar a palma da mão em cheio sobre a testa na altura da raiz do nariz, os dedos ligeiramente afastados e repousando sem contração nem rigidez sobre a cabeça.
Sobre o epigástrio. Estando sentado diante do paciente, colocar a palma da mão em cheio sobre o epigástrio, na parte cava abaixo do esterno, os dedos ligeiramente afastados e repousando sem contração nem rigidez sobre o esterno e as primeiras costelas.
Sobre o ventre. Sentado na frente do paciente, deve-se colocar a palma da mão em cheio sobre o umbigo, ficando os dedos ligeiramente afastados e em repouso, sem contração nem rigidez, sobre o ventre.
Sobre o dorso. Sentado por detrás do paciente, deve-se colocar a palma da mão entre as duas espáduas, ficando os dedos ligeiramente afastados e repousando sem contração nem rigidez sobre a origem das duas omoplatas.
Sobre a nuca. Sentado por detrás do paciente, deve-se colocar a palma da mão em cheio sobre o pescoço, ficando os dedos ligeiramente afastados e em repouso, sem contração nem rigidez, sobre a região ocipital.
Pode-se variar os contatos simples, colocando sucessivamente a mão sobre todas as partes do corpo observando os mesmos processos.
Contatos duplos
Sobre a cabeça. Estando de pé à direita do paciente, tomar-lhe a cabeça entre as duas mãos, colocando uma delas sobre a nuca e a outra sobre a fronte; ou, estando de pé por detrás dele, coloca r uma das mãos sobre cada orelha, tendo os dedos levemente afastados e em repouso, sem contração nem rigidez, sobre as fontes.
Sobre os olhos. Sentado em frente ao paciente, deve-se colocar as duas mãos sobre os olhos, tendo os dedos levemente afastados e repousando sem contração nem rigidez sobre a testa e as arcadas superciliares.
Sobre as espáduas. Estando sentado diante do paciente, colocar as duas mãos sobre as espáduas, por baixo do pescoço, estender os dedos e fazer-lhes tocar a parte posterior das espáduas.
Nesta posição, abarca-se com as mãos a maior parte dos nervos que descem da cabeça à todas as partes do corpo, e como esses nervos vão se reunir ao plexus solar que está colocado imediatamente por detrás do saco do estômago, esta imposição é particularmente muito ativa. (De Bruno)
Sobre o epigástrio. Sentando-se na frente do paciente, deve-se colocar os polegares sobre a cavidade do estômago, abaixo do esterno, de maneira que as unhas dos polegares se toquem; estender as mãos de cada lado dos quadris, apoiando de leve a face palmar e os quatro outros dedos sobre as costelas.
Esta imposição agindo diretamente sobre o plexus solar, toda a ação magnética se concentra com energia sobre esse centro nervoso da vida orgânica.
Sobre os braços. Sentado diante do paciente, e tendo este os braços estendidos e voltados de modo que a face dorsal da mão repouse sobre os joelhos, deve-se colocar as palmas das mãos sobre a região em que se costuma sangrar, conservando os dedos estendidos, sem contração nem rigidez, sobre os braços.
Sobre o ventre. Estando sentado na frente do paciente, colocar os polegares sobre o umbigo de maneira que as unhas se toquem, e estender as duas mãos de cada lado do ventre.
Sobre os joelhos. Estando sentado diante do paciente, colocar as duas mãos sobre os joelhos, a palma sobre a rótula, os dedos abraçando a articulação sem contração nem rigidez.
Sobre os rins. Estando sentado diante do paciente, deve-se estender os dois braços, passar as mãos por detrás das costas como se quisesse cingir o paciente pela cintura, e colocar as duas mãos em che io sobre os rins, tendo os polegares ao comprido e tocando -se as extremidades dos outros dedos.
Sobre a barriga da perna. Sentado diante do paciente, abaixar-se um pouco, passar as duas mãos pelos lados exteriores do corpo por baixo das pernas do paciente, e colocar as duas mãos em cheio sobre a barriga das pernas.
Sobre as clavículas. Sentado diante do paciente, abaixar-se, tomar as clavículas com as duas mãos abraçando a parte inferior da perna com os dedos fechados, sem contração nem rigidez.
Esta imposição se executa com menos fadiga sobre uma pessoa estendida ou deitada; é particularmente empregada com vantagem para combater as febres graves e todas as afecções tifoides ou mucosas que afetam as regiões intestinais.
Pode-se variar os contatos duplos, pondo sucessivamente pelos mesmos processos cada parte do corpo em relação com um dos centros nervosos; basta colocar uma das duas mãos sobre um dos centros nervosos, cérebro ou epigástrio, e a outra mão sobre a parte em que se quer atuar.
As imposições sobre a cabeça e sobre as partes do corpo colocadas acima da cintura, atuam diretamente sobre os centros nervosos, e sobre o ponto de partida ativa; é necessário não prolongá -las muito, a fim de não carregar em excesso os centros nervosos, o que produziria perturbações ou excitação.
As imposições sobre a parte inferior do corpo: ventre, rins, joelhos, barriga das pernas, clavícula s, por sua ação atrativa para os pés, no próprio sentido das correntes, tendo um efeito dispersivo notável, acalmam e descarregam muito mais que as imposições feitas sobre a parte superior do corpo; podem, pois, ser prolongadas sem inconveniente.
CAPÍTULO VI
Dos Passes
Definição, modo de execução, efeitos.¾ Passes longitudinais partindo de um contato simples: sobre a cabeça, sobre o epigástrio ou o ventre, sobre as costas ou a nuca.¾ Passes longitudinais partindo de um contato duplo: sobre os ombros, epigástrio, os joelhos e os rins.¾ Imposições e passes combinados, sobre os braços, as pernas e a coluna vertebral.¾ Passes rotatórios, em pontas ou palmares.
Deve entender-se debaixo do nome de passes todos os movimentos feitos com as mãos por cima das roupas, quer se toque levemente arrastando a extremidade dos dedos, quer se exerça uma pressão qualquer com a face palmar.
A ação direta sobre a pele não é mais um PASSE, e sim uma FRICÇÃO; falaremos das fricções ulteriormente.
Toda ação magnética se resume em imposições e passes; os outros processos são apenas acessórios e complementares.
Efetivamente, imposições e passes nada mais são que uma só e mesma coisa; a imposição representando a fixidez da ação, e o passe não sendo mais que uma imposição em movimento.
A ciência do magnetizador reside, portanto, na arte de combinar as imposições e os passes, para fazer nascer e dar escoamento às correntes: a imposição acumula e concentra, o passe arrasta e divid e.
As imposições preparam os passes; os passes partem todos, conseqüentemente, de um contato simples ou de um duplo contato, conforme sejam feitos por uma só mão ou pelas duas.
Os passes feitos na extensão chamam-se longitudinais; os passes feitos em sentido concêntrico chamam-se rotatórios.
Passes longitudinais partindo de um contato simples
Tendo feito sobre a cabeça um contato simples (59), levantar de leve a mão e descê -la lentamente até à cavidade do estômago, tocando apenas o peito com a extremidade dos dedos; chegando ao epigástrio, fechar a mão, voltá-la ao ponto de partida afastando-a um pouco do corpo, fazer novamente o contato, recomeçar lentamente o mesmo passe rojante, e continuar este movimento alternativo durante alguns minutos.
Depois de ter feito um contato simples sobre o epigástrio ou o ventre (60 e 61), levantar a mão de leve e descê-la lentamente ao longo do corpo e das pernas até aos pés, tocando delicadamente as roupas; ao chegar aos pés, fechar a mão, voltá-la ao ponto de partida, afastando-a um pouco do corpo; recomeçar o contato e continuar lentamente o passe rojante, continuando este movimento alternativo durante alguns minutos.
Depois de haver feito um contato simples sobre as costas ou a nuca (62 e 63), levantar de leve a mão e descê-la com lentidão ao longo da coluna vertebral, até abaixo dos rins; ao chegar neste ponto, fechar a mão, voltá-la ao ponto de partida, afastando-a um pouco do corpo, fazer de novo o contato, recomeçar lentamente o mesmo passe rojante e continuar este movimento alternativo durante alguns minutos.
Passes longitudinais partindo de um duplo contato
Tendo feito sobre os ombros um duplo contato (66), levantar de leve as duas mãos, descê-las com lentidão ao longo dos braços até à extremidade dos dedos, fechar as mãos, voltá-las ao ponto de partida afastando-as um pouco do corpo, fazer de novo o contato sobre os ombros durante alguns segundos, recomeçar lentamente o mesmo passe rojante e continuar este movimento alternativo durante alguns minutos.
Depois de fazer sobre o epigástrio um duplo contato (67), levantar de leve as duas mãos, descê -las lentamente ao longo dos quadris e das coxas até aos joelhos; fechar as mãos, subi-las ao ponto de partida, afastando-as um pouco do corpo; tornar a fazer o contato sobre o epigástrio durante alguns segundos, recomeçar lentamente o mesmo passe rojante, e continuar este movimento alternativo durante alguns minutos.
Praticando sobre os joelhos um duplo contato (70), levantar ligeiramente as duas mãos, descê -las lentamente ao longo das pernas até aos pés; fechar as mãos, torná-las ao ponto de partida afastando-as um pouco do corpo; repetir o contato sobre os joelhos durante alguns segundos; recomeçar lentamente o mesmo passe rojante, e continuar este movimento alternativo por espaço de alguns minutos.
Depois de praticar sobre os rins um duplo contato (71), levantar ligeiramente as duas mãos, levá -las lentamente para diante tocando de leve a cintura, descê-las ao longo das coxas e das pernas até aos pés; fechar as mãos, tornar a levá-las ao ponto de partida afastando-as um pouco do corpo; recomeçar o contato sobre os rins durante alguns segundos, recomeçar lentamente o mesmo passe rojante e continuar este movimento alternativo durante alguns minutos.
Os passes longitudinais simples e duplos variam na própria razão da diversidade dos pontos de contato ou partida. Não é preciso empregar para esses passes nenhuma força muscular; devem ser feitos mui lentamente.
Nesses passes, toca-se muito de leve, com a ponta dos dedos, as roupas, ¾ ou escorrega-se a mão em cheio ao longo do corpo, ou se exerce sobre os membros delicadas pressões; pode-se também parar a mão várias vezes sobre o trajeto, como se se quisesse executar uma série de imposições sucessivas. Estas variedades de processos são mutáveis em razão de circunstâncias e do grau de sensibilidade dos pacientes; o tato do operador é que guia a escolha dos meios.
Terminado um passe, é necessário ter cuidado, ao renová-lo, de não erguer as mãos da mesma maneira que foram descidas; a ação magnética só deve exercer-se no sentido das correntes, isto é, da cabeça aos pés, e toda a ação inversa ou retrógrada é contrária. Para renovar a posição de que se partiu é preciso, portanto, fechar as mãos, afastá-las um pouco do corpo, e conduzi-las com presteza à posição primitiva.
Imposições e passes combinados
Combinam-se as imposições e os passes, da maneira seguinte:
Sobre o braço. Estando sentado defronte do paciente colocar a mão direita sobre o seu ombro direito e tomar a sua mão direita na esquerda; no fim de alguns segundos, descer lentamente a direita ao lon go do braço, e fazer assim um certo número de passes, continuando a segurar a mão.
Do mesmo modo atua-se sobre o braço esquerdo, colocando a mão direita sobre o ombro esquerdo e segurando a mão esquerda em sua esquerda.
Todos os passes simples executam-se de preferência com a mão direita, conservando-se a esquerda passiva.
Sobre as pernas. Estando sentado na frente do paciente coloque-se a mão direita sobre o seu joelho direito, e segure-se a clavícula direita com a mão esquerda; no fim de alguns segundos, desça-se lentamente a mão direita ao longo da perna, e faça-se um certo número de passes, continuando-se a segurar a clavícula com a mão esquerda.
Procede-se do mesmo modo sobre a perna esquerda, colocando-se a mão direita sobre o joelho esquerdo e segurando a clavícula esquerda com a mão esquerda.
Sobre a coluna vertebral. Sentando-se por de traz do passivo, coloque-se a mão direita entre os dois ombros, e a mão esquerda abaixo dos rins; no fim de alguns segundos, descer lentamente a mão direita ao longo da coluna vertebral, e fazer um certo número de passes deixando a mão esquerda apoiada sobre os rins.
Passes rotatórios
Os passes rotatórios empregam-se de preferência nos casos de engurgitamento, de obstrução ou de irritação das principais vísceras: estômago, fígado, baço e ventre.
Executam-se da maneira seguinte: Depois de ter deixado a mão direita imóvel, sobre a parte doente, operar com esta mão, da direita para a esquerda ou da esquerda para a direita, um movimento circulatório; este movimento deve ser executado com muita lentidão, mas sem apoiar fortemente; este ligeiro movimento rotatório superficial, praticado sobre as roupas ou as cobertas que, em qualquer outra circunstância, não parecia produzir grande efeito, atua muito profundamente quando sucede a uma longa imposição magnética; a corrente desenvolvida pela imposição se repercute nas profundezas do organismo, e, seguindo os movimentos da mão, produz em breve reações internas tão benéficas quão interessantes.
Os passes rotatórios se executam igualmente com a extremidade dos dedos, levantando levemente a palma da mão, como se pratica com os passes longitudinais demorados; estes passes possuem uma ação mais excitante e ativa do que a da rotação palmar; tem a experiência demonstrado que a ação magnética é muito mais viva quando se faz uso das pontas dos dedos, do que quando se emprega a mão inteira colocada em cheio.
Em geral, qualquer obstrução interna ou externa, mesmo de natureza kystica, cede muito facilmente à ação dos passes rotatórios, como se estes passes favorecessem a desagregação e esmagamento.
A obstrução torna-se maleável e muda de forma ou de lugar do mesmo modo quando se age durante algum tempo pelo calor, sobre um corpo gorduroso, a fim de dissolvê-lo. (Aubin Gautier)
CAPÍTULO VII
Das ações à distância
Os efeitos magnéticos mais poderosos residem nas ações à distância. ¾ Imposições à distância; imposições palmares, digitais, simples, duplas. ¾ Variedade das zonas de sensibilidade.¾ Passes à distância, passes simples, duplos, longitudinais ou a grandes correntes, rotatórios.¾ Ações combinadas.
Depois de ter examinado as ações de contato resta-nos falar das ações à distância. O contato, já o vimos, se estabelece pelas mãos, pelos polegares, e colocando-se a mão em cheio, ou simplesmente a ponta dos dedos, sobre uma parte qualquer do corpo; é pelo contato que geralmente se entra em relação. Parece que o contato favorece melhor a concentração da ação e o desenvolvimento das correntes, que ele estabelece mais profunda e rapidamente a união necessária entre o operador e o paciente; é pelo menos a impressão que nos causa, pois a união entre dois corpos nos parece mais sensivelmente perfeita e íntima quando existe a ação material do tocar; e eis a razão pela qual, instintivamente, se começa sempre a magnetizar pelas ações de contato.
Mas cumpre não nos apegarmos a uma questão de sentimento e de aparência, e se bem reconheçamos perfeitamente o que têm as ações de contato de útil e bom, é preciso saber -se que os efeitos magnéticos mais poderosos residem nas ações à distância.
É efetivamente um fenômeno curioso, que, apesar de parecer em desacordo com as leis existentes, está bem verificado pela experiência.
Constatei o fato pela primeira vez em 1872, sobre um couraceiro do 11o regimento de guarnição em Angers; este homem querendo fazer um assalto à força com seus camaradas à casa do encarregado das armas, ferira-se gravemente na coxa manejando uma bigorna; a imobilização forçada do membro, em conseqüência deste ferimento, produzira uma pseudo-ankilose na articulação do joelho, que um tratamento de muitos meses não logrou reduzir e eu consegui restituir -lhe o uso da perna em doze dias.
Logo que fiz a imposição da mão sobre o joelho doente a perna tornou-se dormente e imobilizou-se como se estivesse pregada ao soalho. Entretanto, não havia insensibilidade, por isso que logo que eu afastava a mão, desenvolviam-se na articulação dores intensas que faziam gritar o doente, como se eu lhe tivesse revolvido o joelho com um ferro em brasa; e, o que é notável, é que quanto mais me afastava dele, tanto mais as dores tornavam-se intoleráveis; porém cessavam instantaneamente desde que eu tornasse a colocar a minha mão sobre a parte doente.
Admirei-me bastante, assim como as pessoas diante das quais eu operava, de um fenômeno que me parecia insólito, mas tive depois tantas ocasiões de verificar-lhe a constância, que hoje não duvido mais da sua realidade. O magnetismo, diz Mesmer, produz mais efeito à distância do que quando aplicado imediatamente; existe uma corrente que se transmite entre a mão do operador e o seu paciente. (Aforismos, 291 e 303)
Homens há que praticam o bem só com um simples contato; outros há que não fazem menos bem, e que não necessitam tocar. É isto devido à sua natureza ou ao temperamento dos doentes. Os processos se modificam conforme o temperamento dos magnetizadores e dos pacientes. (Deleuze)
Magnetiza-se com ou sem contato, tocando e sem tocar; quando se toca, a união dos corpos é visível; quando se não toca, estes corpos nem por isso deixam menos de unir-se pela ação das correntes.
As ações à distância, do mesmo modo que as de contato, se compõem unicamente de imposições e passes.

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