Capítulo 3
Os Quatro Mundos
A tradição qabalística faz referência a quatro mundos de
existência. Atziluth, o mais alto de todos, é o mundo da Origem
e dos Arquétipos. Representa as próprias forças com as quais
se trabalha. Briah é o mundo da criação, onde as forças de
Atziluth tomam um desejo de manifestação, impulso. Yetzirah é
o Mundo da Formação. O que é concebido em Briah é planejado
e formado em Yetzirah. Assiah é o mundo da manifestação,
onde os planos de Yetzirah se concretizam.
Acessar o poder em Atziluth é o princípio da Magia
Cerimonial. Mas partindo de Assiah, o Mundo Material, é preciso
primeiro atingir o mundo astral, Yetzirah. Depois de atingir
Yetzirah as forças são compreendidas como originadas de um
mesmo princípio (por isto tanto faz a que deuses se prestam
reverências, desde que se compreenda que tanto Osíris quanto
Cristo são símbolos do Deus Sacrificado; daí conclui-se que um
verdadeiro adorador de Cristo não pode menosprezar ou negar
a adoração de Osíris e vice-versa). Os princípios que emanam
as formas mágicas de Yetzirah estão em Briah, mas as forças
em si mesmas estão em Atziluth. Ao acessar Atziluth as forças
espirituais são contatadas diretamente, e o poder, uma vez
tendo sido acessado, pode ser trazido à manifestação em
Assiah. Simbolicamente, no Ritual Mágico, usa-se todo um
instrumental (que pode ser apenas o corpo do praticante) para
simbolizar, com instrumentos de Assiah, os símbolos e deuses
de Yetzirah. Às vezes uma forma ou outra é assumida pelo
praticante, como se ele estivesse fantasiado com a imagem de
um determinado deus; a concentração continua e a forma do
deus é assumida totalmente pelo praticamente. Agindo como o
deus do qual tomou a forma, o praticante pode acessar
determinados princípios que são a origem do deus,
compreende-os (se realizou o trabalho de maneira correta)
diretamente. Tendo compreendido (e sentido) as energias que
38
o deus representa, ele pode, enfim, acessar o poder dentro de
seu Próprio Espírito, e manifestar - seguindo o caminho inverso
– a energia com a qual está em contato em Assiah. Vejamos
mais de perto esta questão do que são os mundos.
O primeiro mundo, Atziluth, é simbolizado pelo Fogo. Como o
Fogo, as forças são brilhantes e poderosas (daí os místicos que
entram em contato com esta força se referirem a ela como uma
luz, ou um fogo que não queima). Existem referências variadas
ao batismo com fogo. Povos indígenas utilizam o fogo como um
símbolo espiritual (ele é a luz no centro de muitos rituais). Uma
única vela é acesa como símbolo da presença do divino no
homem, dentro de algumas ordens secretas – novamente o
fogo. O elemento mágico Fogo (que não deve ser confundido
com a chama do fogão da cozinha, que é simplesmente uma
manifestação da poderosa corrente elemental da qual faz parte)
simboliza a ação, a energia, numa clara alusão ao impulso
inicial – daí o porquê da ligação do Fogo com o mundo Atziluth.
O segundo mundo, Briah, representa a água. A água é um
símbolo da concepção. Aqui as forças puras do fogo de Atziluth
têm recepção garantida. Há muitos mitos que se referem a
Deuses vindos de águas primordiais, como, por exemplo – para
ficar perto de um mito mais conhecido – Moisés salvo das
águas. Diz alguns textos qabalísticos que a sephirah Binah,
sozinha, é a representação de Briah. Se levarmos em conta que
um dos atributos de Saturno é o Silêncio, seremos levados a um
outro mito: Harpócrates. Harpócrates é o deus egípcio que
nasceu das águas primordiais, e mantém um dedo na boca em
sinal de silêncio (já foi dito, em outro lugar do Livro Zero, que
os mitos velam importantes princípios espirituais). O livro
Gênesis, da Bíblia, se baseia na mesma simbologia: o Espírito
de Deus (Atziluth) vivia sobre as águas primordiais (Briah), até
que o respirar de Deus, o sopro de vida Dele (Yetzirah) deu
vida ao boneco de barro Adão (que significa a primeira carne ou
o primeiro sangue), sendo o próprio boneco de barro uma
forma de Assiah. A Água representa sentimento (quem, mesmo
sendo inteligente, um atributo do Ar, nunca se viu presa de um
39
sentimento poderoso?), e também representa intuição (intuir os
poderes de Atziluth)
O terceiro mundo, Yetzirah, é simbolizado pelo Ar. O Ar
representa pensamento, criatividade, criação. É sopro que,
trazendo as forças de Atziluth através de Briah, dá vida as
coisas em Assiah. Yetzirah é o Mundo Astral ou Formativo. Ele é
a base que molda o mundo que conhecemos. As forças de
Yetzirah têm ação direta sobre o mundo já formado de Assiah,
como o vento move um objeto no chão. Ainda que pareça uma
força sutil, a energia astral é capaz de modificar o mundo,
levando as coisas para determinados caminhos. Às vezes este
“levar as coisas para um caminho” é um sopro ou uma brisa,
outras vezes um furacão devastador. Assim é a Magia, atuando
às vezes com modificações suaves, às vezes com modificações
tão rápidas e estupendas que o poder tem que ser manipulado
com muito cuidado. Yetzirah está ligado ao princípio interno de
construção de imagens e da prática da visualização. A
visualização e o pensamento são capazes de atrair
determinadas forças, e estas forças podem atuar dirigindo-nos
para determinadas situações e soluções, ou para armadilhas e
problemas. O diário mágico que foi aconselhado no princípio
também seve para avaliar seus pensamentos e sentimentos,
por isso seja sincero. Ao analisar seus pensamentos e
sentimentos você estará compreendendo que tipos de energias
e forças está atraindo para sua vida – e, provavelmente, terá
muitas surpresas. Se estiver em um péssimo momento
descobrirá que pode estar alimentando energias que não são
exatamente benéficas, e provavelmente uma ou outra energia
maléfica (no Livro 2 será discutido melhor este assunto).
O quarto mundo, Assiah, é a própria manifestação dos
outros, ou, melhor dizendo, o lugar onde eles se manifestam.
Por isso o mundo físico e suas diversas situações são o
resultado de uma complexa rede de fatos que precisam ser
compreendidos e corretamente manipulados se desejamos
adquirir um novo controle sobre as direções para as quais
estamos indo. Muitas e muitas vezes as pessoas entram em
40
contato com estas idéias sem lerem nada sobre Magia,
simplesmente entrando em rapport com determinados
princípios, relacionando-se com determinados poderes. Não é
incomum que este relacionamento com os poderes espirituais
seja feito através da imagem de algum princípio ou deus – seja
ele Hórus ou Jesus Cristo. Sonhos proféticos e outras incursões
pelo plano astral de Yetzirah são histórias comuns em igrejas e
templos de seitas. Revelações divinas, quando não são fruto de
algum distúrbio mental, são ferramentas poderosas nas mãos
certas, pois são comunicados enviados diretamente pelo
Sagrado Anjo Guardião. Assiah tem como elemento a Terra, um
símbolo da estabilidade, pois é neste mundo que se concretizam
os outros três.
Agora, há duas maneiras de colocar estes mundos na Árvore
da Vida. Uma delas é colocá-los em uma mesma Árvore, o outro
colocar cada um em uma Árvore diferente. Cada um destes
meios tem sua validade dependendo da situação. Mas, do meu
ponto de vista, o melhor – quando estamos tratando dos
mundos – mesclar os dois métodos e criar Árvores mistas, cada
uma representando a relevância de um mundo, e as partes da
divisão representando a relação deste mundo mais relevante
com os outros.
A divisão dos mundos na Árvore é como abaixo na Figura 3.
41
Figura3
Atziluth
Briah
Yetzirah
Assiah
42
Os mundos devem ser compreendidos como estágios da
criação, e este entendimento será a chave para a compreensão
da ação mágica.
Podemos ver a divisão como um caminho da Luz até a Vida.
A Luz de Assiah sendo criação em Briah. Logicamente que esta
criação precisa de uma forma, o que acontece em Yetzirah.
Então a vida se manifesta em Assiah. Tente relacionar o que
aprendeu sobre as Sephiroth com estas informações – e as
informações seguintes.
Podemos ver também o caminho dos Quatro Mundos como
um caminho do Espírito até a Matéria. O Espírito está em
Assiah, e a Alma – a receptora do Espírito – está em Briah. A
Mente e o Coração estão em Yetzirah. O corpo físico –
entendido como uma intrincada relação entre vários fatores, e
não como algo morto – está em Assiah.
Há também um caminho de Formação, do Impulso até a
Forma. Em Atziluth há um impulso, digamos a vontade de criar
uma obra de arte. Em Briah o pensamento toma forma, o
impulso se torna uma imagem, um Modelo surge. Tendo a
imagem na Mente e Coração (Yetzirah), é preciso usar a
capacidade formativa de Yetzirah para criar Ação, tinta e
pincéis, técnicas e práticas são avaliadas. Finalmente a Ação
feita em Yetzirah toma forma objetiva em Assiah: a obra de
arte está acabada.
Por último há uma avaliação quanto ao valor dos Elementos
(Fogo, Água, Ar e Terra) e a relação da simbologia deles com a
dos Mundos.
Se você observou atentamente o esquema da Figura 3
notará que Daath está além destes mundos, pois, sendo o ápice
de uma pirâmide que tem por base as três Sephiroth
Superiores, é um lugar especial. A Natureza de Daath é Amor,
como no enunciado “Amor é a Lei, Amor sob Vontade”.
O esquema dos Quatro Mundos fornece uma nova
simbologia quanto à cor, cada Sephirah possuindo uma cor
diferente ao se encontrar em um Mundo diferente. Muito se
especula quanto à possibilidade de algumas relações das cores
43
estarem erradas, o que não mudaria em nada a validade do
trabalho mágico. Você pode usar diferentes esquemas de cores,
mas mantenha-se sempre atento em relação ao Mundo que
aquela cor pertence – então a compreensão destas relações
será mais fácil.
Sephir
ah
Atzilut
h
Briah Yetzirah Assiah
Kether Luz
pura
Branco
puro
Branco puro Branco
salpicado
de dourado
Chokm
ah
Azulclaro
muito
suave
Cinza Cinza Cinza
salpicado
de
vermelho,
azule
amarelo
Binah Carmesi
m
Negro Marromescuro
Cinza
salpicado
de rosa
Chesed Violeta
escuro
Azul Roxo-escuro Azul
celeste
salpicado
de amarelo
Gebura
h
Laranja Vermelho
-escarlate
Escarlate
brilhante
Vermelh
o salpicado
de preto
Tiphar
eth
Rosaclaro
Amarelodourado
Rosa-salmão
forte
Âmbar
dourado
Netzac
h
Âmbar Verdeesmeralda
Amareloesverdeado
brilhante
Verdeoliva
salpicado
de dourado
Hod Púrpura
-violeta
Laranja Castanhoavermelhado
Preto
amarelado
salpicado
de branco
44
Yesod Índigo Púrpura Púrpura
escuro
Citrino
salpicado
de azul
Malkut
h
Amarelo Citrino,
verde-oliva,
castanhoavermelhad
o, preto
Citrino,
verde-oliva,
castanho
avermelhado e
preto salpicado
de dourado
Preto
rajado de
amarelo
Tabela 8
Agora nós temos um conjunto de símbolos e princípios que
nos auxiliarão na construção de nossa Magia. Podemos partir
então para as técnicas iniciais, que deveriam ser praticadas até
que um certo grau de maestria e conhecimento fosse
alcançado.
45
Capítulo 4:
Técnicas Básicas da Magia
Foi dito, no início do Livro Zero, que Magia é arte de causar
mudanças na consciência de acordo com a Vontade. Foram
apresentados alguns exercícios que, se não surtiram efeito
ainda, então serão facilitados pelas técnicas que serão dadas a
seguir, porque vamos começar a causar mudanças na
consciência.
Vamos começar a seguir técnicas que, apesar da
simplicidade, são a base dos efeitos mágicos. Relaxamento,
concentração, respiração e o Ritual Menor de Purificação com o
Pentagrama.
Relaxamento
Vivemos uma vida tão corrida que raramente paramos para
dar um tempo para nossos corpos. Um corpo endurecido e
doloroso pode ser um empecilho para concentração, então o
melhor a fazer é relaxar. Se você experimentou os exercícios do
Capítulo 1, mas não obteve resultados, então o relaxamento irá
ajudá-lo a obtê-los.
A primeira coisa a fazer é escolher uma posição confortável.
Você pode ficar sentado, desde que seus pés toquem o chão de
maneira confortável. Ou, o que torna a prática do relaxamento
mais fácil, deitar-se no chão ou numa cama confortável.
Feche os olhos.
Comece prestando atenção em sua testa e vá soltando os
músculos. Perceba cada sobrancelha e os músculos sobre elas.
Preste atenção no nariz e perceba qual é a sensação do
momento. Relaxe os músculos em torno dos olhos, as pálpebras
e a região sob os olhos. Relaxe o maxilar, mas não precisa
escancarar a boca. Relaxe a boca, desfazendo qualquer tensão
que esteja em torno dela. Relaxe o pescoço e, se estiver
sentado, não é preciso deixar a cabeça cair para frente ou para
trás, encontre, antes, um ponto de equilíbrio. Parta para os
ombros e solte-os; esta é uma área muito tensa, por isso dê
46
uma atenção especial. Relaxe peito e barriga. Encha os pulmões
de ar e eleve a barriga um pouco, depois a solte e deixe-a
seguir um curso natural; repita isto algumas vezes sem forçar
os pulmões. Relaxe as costas, começando pelos ombros, e
novamente eles serão relaxados. Vá para os braços, deixandoos
soltos e sem tensão. Passe para as mãos, relaxando a parte
superior, a palma e casa dedo. Relaxe a área genital. Siga cada
uma das pernas, desde o começo do fêmur até os pés,
relaxando qualquer tensão, quanto chegar ao pé sinta o arco do
pé e relaxe cada dedo. Repita com a outra perna.
Depois de ter chegado até o fim da última perna, volte para
a cabeça e vá relaxando qualquer tensão que tenha voltado.
Neste segundo passeio pelo corpo, procure observar
rapidamente o corpo, gastando um minuto apenas para
percorrer do alto da cabeça até os pés. Repita quantas vezes
achar necessário.
Anote as sensações (prazer, libertação da tensão ou
qualquer outra sensação, mesmo parecendo uma sensação
negativa) em seu diário mágico. Não se esqueça de anotar a
posição do corpo na sessão de relaxamento, se estava com frio
ou calor, e tudo o mais que você achar relevante.
Este método é na verdade uma técnica de meditação usada
na Yoga. A capacidade de se concentrar em algo, sem vacilar, é
muito útil na Magia. Foi com técnicas assim que eu, e muitos
outros, começaram a praticar Magia. Talvez pareça algo pouco
mágico, mas manter-se calmo e relaxado durante uma prática
mágica é algo realmente importante. Muitas vezes as pessoas
se tencionam, acumulam medos, e isto pode afetar seriamente
a prática mágica. Na prática da Magia Sigicular pode ser feito
uso da dor e do desconforto, mas isto é uma opção e, mesmo
assim, a capacidade de concentração é muito importante.
Eu não aconselharia ninguém a seguir adiante antes de
tentar uma ou duas semanas de relaxamento. Mas aqui
também se trata de uma questão pessoal – se você já tem
prática este período é, logicamente, desnecessário. Mas há
pouca possibilidade de um aluno entender um livro sobre
47
cálculos de física quântica se ele não conhece as operações
elementares da matemática.
Concentração
Uma técnica muito importante e que começou a ser
desenvolvida com a prática do relaxamento dada acima, e a
capacidade de concentração.
Nos rituais mágicos uma série de imagens são visualizadas, e
é importante que elas sejam mantidas na mente por tanto
tempo quanto seja necessário. Para tanto é aconselhável
começar com imagens simples, como um quadrado ou
triângulo.
Feche os olhos e concentre-se numa forma geométrica
específica, digamos um quadrado. Mantenha-o em uma tela
mental, se quiser; ou então suspenso em um espaço negro e
vazio; ou então suspenso em um “nada”. Comece com sua cor
preferida, mas mantenha a mesma cor durante toda a sessão
de concentração. Esqueça toda a simbologia da forma, não se
leve por outras imagens; você não está canalizando uma
comunicação espiritual, está se concentrado, então permaneça
concentrado na imagem.
Depois de experimentar o exercício acima, tente visualizar a
imagem na sua frente, suspensa no ar. Depois tente visualizá-la
em uma parede ou em outra superfície.
Depois passe para um outro exercício de concentração que
lhe será muito útil por toda a sua carreira mágica (ao menos
espero que ele lhe seja tão útil quanto foi para mim). Olhe para
um objeto qualquer e concentre-se em vê-lo em outra cor.
Digamos que você está olhando para um vaso verde, imagine
que ele é amarelo, visualize-o desta maneira. Provavelmente
nada ocorrerá no mundo físico – lembre-se estamos nos
concentrando.
O importante é manter a atenção em uma mesma imagem
por todo o tempo, tenha sempre isto em mente ao praticar a
concentração com imagens.
48
Existem outras formas – tantas quantas você possa inventar.
Concentre-se em uma música, por exemplo. Usualmente nos
concentramos em uma música até termos a decorado, então ela
passa a um segundo plano, onde normalmente outras
atividades nos fazem, em alguns momentos, nem prestar
atenção à música que estávamos ouvindo momentos antes. A
atenção fica divagando de uma coisa para outra. Em alguns
momentos esta divagação ganha força – pesamos em uma
conta que está atrasada e a música parece inexistente e,
quando retomamos a atenção a música está em um outro ponto
e pensamos: “nossa! Eu nem escutei aquele pedaço”. O mesmo
acontece com alguns leitores que se perdem em uma divagação
no meio da leitura e têm que voltar atrás para reler um
parágrafo que passou desapercebido. As tarefas mais maçantes
se tornam melhores quando deixamos que o piloto automático
tome conta delas, mas durante as sessões de concentração a
divagação não deveria ser bem-vinda.
Uma técnica interessante é manter-se parado durante um
tempo, mas isto nós já fizemos com o exercício de relaxamento.
Mas uma coisa que pode ser muito interessante é
concentrar-se na respiração. É uma técnica de meditação
bastante antiga, executada a milhares de anos na Yoga e no
Budismo. Sente-se numa posição confortável ou deite-se de
costas. Relaxe durante alguns segundo, principalmente os
ombros. Então preste atenção na respiração, nas narinas.
Perceba o ar saindo e entrando. Não fosse! Deixe a respiração
ser natural, como ela é o tempo todo – com certeza ela acabará
por se tornar mais lenta naturalmente ao longo da sessão de
meditação, sem que você tenha que interferir.
Uma coisa a ser observada nestes exercícios é a duração da
prática. No começo dois a cinco minutos são suficientes, mas vá
aumentando gradualmente a cada sessão. Aumente trinta
segundos na primeira semana e mais trinta segundos na
segunda. Quinze minutos são suficientes para cada uma destas
práticas, mas a exaustão deve ser evitada a todo custo – você
vai estar tentando se equilibrar e não se destruir.
49
Anote sucessos e fracassos em seu diário. Se estiver em um
estado de espírito bastante desinquieto (não importa se com
raiva do latido de seu cão ou com vontade de assassinar o
vizinho) anote-o e descreva como você acha que ele interferiu
em sua prática. Anote o estado de espírito depois da prática,
possivelmente notará que está mais calmo.
Respiração
Existem muitos exercícios de respiração provindos da Yoga,
mas nós vamos dar uma olhada em apenas um.
Você deve imaginar que o universo vibra. E tudo que vibra
produz Beleza, como a vibração da corda de instrumento (seja
um pianista interpretando Chopin, ou a banda Marilyn Manson
tocando sons pesados). Entrar em um estado de vibração pode
ser bastante calmante e elucidativo, desde que isto seja feito
com um pouco de seriedade.
A técnica é colocar a respiração em um ritmo. Conte até
quatro, com a respiração normal, isto é para relacionar a
velocidade da contagem de forma a que você não force muito
os pulmões. Conte até quatro inspirando (enchendo-se de ar),
conte até quatro expirando (esvaziando-se). Quando descobrir
uma contagem agradável continue nela, esta contagem deve
ser agradável e no seu ritmo natural. Se persistir – mas não
provoque exaustão em si mesmo – acabará entrando em um
estado de vibração. Sei que este é um termo muito vago, mas a
experiência é bastante perceptível. Você perceberá um estado
de ritmo constante e delicioso em todo o seu corpo.
Descreva as sensações e como você as interpreta em seu
diário mágico.
Lembre-se de não forçar os pulmões.
Provavelmente neste ponto do Livro Zero você deve estar
se perguntado o que é que estas coisas têm de mágico. Esta é
uma pergunta natural – eu também a fiz no início de meus
exercícios. É que estas são as técnicas básicas da Magia, a
partir delas uma série de outras práticas são desenvolvidas. A
capacidade de se concentrar numa imagem já foi discutida no
50
item concentração (e sua utilidade será demonstrada mais
adiante no item Rituais de Purificação), a validade da
descoberta do ritmo é a descoberta de si mesmo. O uso do
relaxamento é para manter uma sensação agradável durante
um ritual, sem esta sensação o ritual facilmente se torna
cansativo e maçante e, não raro, improdutivo. Se você não
obteve nenhum resultado com os exercícios do primeiro capítulo
é uma boa hora para tentá-los novamente. Experimente relaxar
um pouco antes de começar a prática. Muitas pessoas com as
quais eu tive contanto – desde de Magos proficientes até
medíocres – obtiveram resultados melhores depois de um
exercício de relaxamento.
Rituais de purificação
Antes do início de qualquer prática mágica é executado
algum ritual de purificação. Comumente o Ritual Menor de
Purificação do Pentagrama é feito no início e final de rituais e
práticas da Magia.
A utilidade inicial deles é realmente purificar o ambiente e a
pessoa. Imprecações são feitas e palavras são vibradas, e isto
tem um forte efeito psicológico.
Ao limpar algo você cria espaço para algo novo. Um prato é
limpo e espaço para uma nova refeição é deixado. Uma jóia é
limpa e lustrada, e um brilho maior então surge. Uma rua é
mantida limpa e o trânsito de pedestres e automóveis se torna
mais fácil. Uma casa é limpa e se torna mais confortável e
tranqüila. Um local de trabalho é mantido limpo e arrumado e
acidentes e doenças são evitados.
Se o astral é limpo, a luz que todos temos pode se
manifestar. O simples ato de purificação já um chamado para
que a luz se manifeste, porque limpando o indesejado
acabamos por dar mais espaço para que as coisas boas se
manifestem.
Mas não é só para limpeza que os rituais servem. Quando
corretamente utilizados eles criam uma barreira de proteção
tanto interna quanto externa. Internamente esta barreira atua
51
como uma proteção muito forte que evita problemas de
natureza psicológica e espiritual, como um possível desajuste
quando uma força muito grande é contatada. Isto se parece
com a proteção que o eletricista usa para evitar acidentes com
energia elétrica, com a diferença que a energia manipulada na
Magia é de uma natureza e uma força muito mais elevadas, e
muito mais perigosas se se abusa delas indevidamente. Como a
energia elétrica o poder manipulado na Magia serve a muitos
propósitos, mas o abuso ou uso deficiente é chamar por
problemas.
Para evitar problemas de todas as ordens e tipos os rituais
de purificação são usados.
Mas eles também têm mais um importante uso: servem para
que a pessoa se centralize no que será realizado. Como um
sinal que dá a partida em uma competição esportiva, os rituais
de purificação servem para dar início solene às práticas que
virão adiante. Novamente o poder psicológico torna-se
evidente. Este começo solene também serve para nos fazer
deixar de lado a personalidade mundana e produzir uma efetiva
mudança em nós mesmos, mudamos para um ponto mais
centralizado e equilibrado.
Passemos ao Ritual Menor de Purificação do Pentagrama.
A primeira parte é chamada Cruz Qabalística, e serve para
equilibrar as energias internas da pessoa. Ela é feita da
seguinte forma:
1.Fique de frente para o leste. Imagine uma luz branca pura
tocando o alto de sua cabeça, você pode sentir as coisas boas e
perfeitas que esta luz possui, apesar disto perceba como ela
está muito além dos conceitos meramente humanos. Aponte o
indicador da mão direita (ou aquela com a qual você escreve)
para cima, para a luz. Então toque a testa e diga Ateh
(pronuncia-se atê). [a Ti pertence]
2. Toque o centro do peito e diga Malkuth (malcút) [o
Reino]
3. Toque o ombro direito e diga ve Geburah (vê gueburá).
[o Poder]
52
4. Toque o ombro esquerdo e diga ve Gedulah (vê
guedulá). [a Glória]
5.Disponha as mãos unidas, com os dedos entrelaçados,
sobre o peito diga le olahm, Amen (lê olám amên). [por todos
os séculos. Amém] Ao dizer Amen abra os braços e imagine
que você é uma cruz de luz branca levemente prateada e que
você está crescendo cada vez mais e mais até tocar todo o
Universo.
O primeiro conceito que notamos é a luz de Kether sobre a
cabeça, a Luz da Manhã ou Sagrado Anjo Guardião. Dizemos “a
Ti pertence” como uma prece e uma afirmação. Em Atziluth,
esta prática pode ser compreendida como a decida de “Deus”
na matéria. Em Briah, como a descida do conceito da luz nos
pensamentos e sentimos. Em Yetzirah, como a descida do
conceito de sagrado dentro do homem. Em Assiah, como a
descida do Sagrado Anjo Guardião dentro de nossas vidas.
A expressão “o reino” é uma continuação e complementação
da afirmação anterior. O reino como terra ou como atos. Esta
afirmação também une os quatro mundos em uma continuidade
– realmente eles não estão separados estando um acima do
outro, mas unidos em um mesmo universo como uma divisão
que fazemos tão somente para termos uma melhor
compreensão do próprio universo.
O Poder e a Glória são atributos necessários para aquele que
quer se firmar como o rei de si mesmo, e isto já foi discutido no
capítulo sobre a Árvore da Vida. O Poder vem antes da Glória, o
que é uma verdade. Aqui novamente tente interpretar o
significado da prática nos quatro mundos pra poder expandir
sua compreensão do assunto.
A expressão “para sempre” é uma bênção para que o
significado mágico das palavras e leis que foram proferidas se
manifestem sempre e sempre.
Amen é uma sigla para Adonai Meleck Na’amon, que
significa “Senhor, Rei poderoso”. Mas é usada significando
“assim seja” ou “assim é”. Junto com a proclamação desta
palavra deve ser visualizado o aumento do corpo até o Infinito,
53
e isto tem dois motivos. O primeiro é desbloquear a si mesmo,
pois corretamente compreendida a Magia é uma forma de
crescimento espiritual. O segundo é a afirmação de que a luz
está sendo levada para todo o Universo, ou, melhor dizendo,
para todo o seu Universo. Medite um pouco sobre isto e, se
perceber algo mais e que seja importante para você, anote em
seu diário mágico.
Como dá para notar as palavras, como em Amen, têm
significação dupla, e isto nos leva novamente para aquele
importante fator dos símbolos: “qualquer símbolo que permita
uma só interpretação não é um verdadeiro símbolo”.
Os dedos entrelaçados simbolizam as dez Sephiroth.
A função da Cruz Qabalística é produzir equilíbrio interno, de
forma a que haja uma sensação de paz e poder. Ela deveria ser
pratica até que o significado das palavras pertença ao
praticante e ele não precise ficar lembrando cada uma delas. No
começo, é claro, ele terá que ter a sua frente os diferentes
passos a seguir, podendo usar a tela do computador ou um
papel qualquer com a anotação de cada passo a ser seguido. Eu
treinei durante um mês a Cruz Qabalística, para mim foi tempo
suficiente – talvez menos tempo seja necessário para alguns,
para outros talvez seja necessário mais.
A Cruz, depois desta prática inicial, pode ser expandida para
uma outra versão muito interessante. Eu aconselho o leitor a
experimentar ambos os métodos e usar aquele que mais gostar
–mas comece pelo método mais simples acima.
1.Fique de frente para o Leste.Imagine-se crescendo mais e
mais, até que o planeta Terra seja uma esfera sob os seus pés,
esta esfera é a Sephirah Malkuth, você estará do tamanho do
Universo, imagine as estrelas e constelações à sua volta.
Imagine uma esfera brilhante e branca sobre sua cabeça, sintaa
como a própria origem de sua vida, uma estrela. Ela é Kether.
Aponte o indicador para ela e toque a esfera que você está
imaginando sobre a sua cabeça, traçando um raio de luz a
partir de Kether. Então diga Ateh da seguinte maneira: “A”
enquanto toca a testa com a ponta do dedo, e “teh” enquanto
54
toca o centro do peito. Continuando a traçar o raio de luz até os
lugares quando você os toca.
2.Toque a área genital, e diga Malkuth. Imagine que o raio
de luz de Kether desce ainda mais, indo até os pés e
penetrando a esfera sob os seus pés, que se transforma em
uma estrela. Imagine que a luz atravessa todo o interior da
Terra e vai se estendendo até o Infinito.
3.Toque o ombro direito e diga ve Geburah. Imagine uma
estrela em seu ombro direito, e depois imagine que ela estende
um caminho horizontal de luz branca que vai até o Infinito à
sua direita.
4. Toque o ombro esquerdo e diga ve Gedulah. Imagine
um ponto de luz em seu ombro esquerdo que cria um caminho
horizontal de luz branca que vai até o Infinito à sua esquerda.
5.Junte as mãos sobre o centro do peito, com os dedos
entrelaçados e diga le olahm.
6.Abra os braços e imagine-se como o centro de uma
gigantesca cruz de lua branca que se estende até o infinito (por
todos os lados, inclusive acima de sua cabeça) e diga Amen.
A primeira coisa que se nota nesta versão é que se trabalha
com todo o Pilar Central da Árvore da Vida, inclusive Yesod.
Depois que você tenha adquirido suficiente facilidade na
execução da Cruz Qabalística pode começar a executar o Ritual
Menor de Purificação com o Pentagrama. Mas antes de
passarmos a ele gostaria de fornecer uma visualização que
pode ser usada para afastar a influência de pessoas nocivas,
bem como serve de proteção. Esta visualização pode ser
descrita como Círculo de Proteção.
1.Execute a Cruz Qabalística.
2.Desmanche o entrelaçamento dos dedos, tomando o
cuidado de manter as palmas juntas. Aponte com os dedos para
cima, ainda mantendo as mãos no centro do peito (como uma
posição de prece). Leve as mãos para frente, esticando os
braços em frente ao peito, mantendo, ainda, as mãos juntas.
3.Imagine um ponto de luz branca, levemente prateada, à
frente da ponta de suas mãos. Abra as mãos, como se estivesse
55
traçando um círculo à sua própria volta, e leve-as para as
costas, onde elas tocaram as pontas (deixe que as mãos
naturalmente girem, não provoque nenhum desconforto).
Enquanto você as leva para trás das costa, imagine que você
vai desenhando uma circulo à sua volta, o círculo deveria ter
um raio (além do seu corpo) de meio metro ou mais, conforme
for necessário ao seu caso.
3.Descanse as mãos ao lado e continue imaginando o
círculo. Diga: “Estou dentro de um círculo sagrado, onde
nenhum mal ousa pisar. Aqui estou protegido, estou bem. Esta
é minha barreira contra o mal. Círculo de Luz!”
Se você executar a prática com atenção deveria sentir a
mudança, que pode ser uma autoconfiança maior. Este círculo
não afastará as coisas boas, nem lhes proibirá a entrada,
apenas o que não for bem-vindo será afastado.
Se a Cruz Qabalística é o equilíbrio inicial do homem, o Ritual
Menor de Purificação com o Pentagrama é o equilíbrio do lugar.
O Ritual Menor de Purificação com o Pentagrama, comumente
denominado de Ritual Menor de Banimento do Pentagrama,
ajudará você a se colocar em um centro. É como se você se
equilibrasse com o Ritual da Cruz Qabalística, mas então
necessitasse de um local onde este equilíbrio pudesse ser
realizado. O Ritual Menor de Banimento com o Pentagrama
purificará o ambiente, será um sinal para o começo de um
trabalho mágico, e aumentará a purificação em você mesmo.
Ele ajudará você a se localizar dentro de seu próprio universo
pessoal e banirá tudo que for indesejado – como, por exemplo,
tristeza, medo e receio. O medo de que uma prática mágica
falhe é, comumente, a grande causa da falha. As energias
espirituais também possuem uma regra. Se você chegar na
beira de uma prancha em uma piscina e sentir medo, e decidir
não pular, então não haverá salto algum. Se você invocar uma
energia espiritual, usando as correspondências da Árvore da
Vida – ou qualquer outra – mas, logo após o ritual – ou, o que
é pior, durante o ritual – sentir um receio de que as coisas não
ocorrerão, você não experimentou o poder corretamente.
56
Outras tentativas terão que ser feitas, outras experiências terão
que ser realizadas, até que você alcance algum grau de certeza,
e, então, as “coisas começam a acontecer”.
Este é um bom momento para discutir um pouco mais sobre
Magia. As pessoas em geral pensam que Magia é a arte de
produzir mudanças no mundo, e não nelas mesmas. Conheço
pessoas que depois de um ótimo treinamento não
compreendiam isto muito bem, e passaram a realizar estranhos
testes. Realizavam encantamentos para ganhar em jogos de
azar, e nem se propunham a realizar encantamentos para
descobrir dentro delas mesmas uma possibilidade de atrair mais
dinheiro. Não há almoço grátis na Magia, você tem que
trabalhar para obter resultados. Conseguir dinheiro pela Magia
pode ser uma tentativa demorada, e quase sempre surge
dinheiro a menos que o esperado. Atrair capacidade para
conseguir dinheiro é uma outra história, e nisto a Magia pode
lhe ser muito útil. Mas não pense que basta escrever palavras
numa folha de papel azul e sair cantando e dançando nu sob a
luz da Lua Crescente. A Magia é um trabalho interno de se
alinhar com o Eu Superior, aquele você interno que contém
todas as possibilidades de realização. É um trabalho com a
alma, quanto disto se reflete no mundo físico é que mede a
diferença entre o habilidoso e o superficial. O habilidoso será
capaz de trazer experiências internas para o dia-a-dia com a
mesma facilidade com que corta as unhas; o superficial nem
mesmo se preocupará em dar um sentido às experiências
internas poderosas que a Magia pode trazer. Mas quando
alguém se preocupa realmente em trazer um pouco das
experiências para o dia-a-dia acabará descobrindo que todas
elas deveriam ser trazidas para o plano da Terra, pois é aqui
que o Amor superior, que é a essência da própria Vontade –
também chamada Alma – pode ser manifestar como vida. E
descobrirá que as verdadeiras sementes de estrelas são
plantadas no chão.
O Ritual Menor de Banimento do Pentagrama também
colocará você em contato com Neshamah, a grande Neshamah.
57
Isto me lembra um antigo ensinamento, geralmente muito mal
interpretado, que diz que a mulher não possui alma. Este
ensinamento diz que nenhuma mulher tem habilidade para a
Magia porque nenhuma delas possui alma. Realmente nenhuma
mulher possui a Magia ou a Religião, elas são a própria Magia a
ser realizada, eles são a própria religião a ser reverenciada.
Basta dar uma olhada nos numerosos cultos à Deusa Mãe,
tanto os da antiguidade quanto os emergentes. Isto deve ser
interpretado simbolicamente. A Alma é a razão, enquanto
Neshamah, a Alma Superior ou Espírito, é a intuição e a
construção. No capítulo inicial sobre a alma foi discutida a
diferença entre a grande Neshamah e a Neshamah. Em
Neshamah o poder criativo de Chiah ganha forma, sem
Neshamah nem mesmo a razão superior e o poder de Chiah
têm qualquer sentido. Isto é uma lei que se reflete no mundo
físico, onde o esperma masculino não pode gerar sem o poder
da mulher. Assim o poder de Chiah e ação primordial devem se
manifestar a partir da Alma Racional, Ruach. O processo é o
seguinte: Ruach envia uma mensagem para Nephesh, Nephesh
envia uma mensagem à Grande Neshamah. Só que a linguagem
de Ruach é a palavra, enquanto a linguagem de Nephesh é o
símbolo. Neshamah é a mãe do símbolo, como a fêmea é mãe
da criação. Então a linguagem mais própria para se lidar com os
poderes do Espírito é o símbolo e, se ele estiver carregado de
emoção devido ao processo de criação, então ele pertencerá à
própria pessoa que o fez, e será um símbolo pessoal que
provocará mudanças internas muito poderosas e eficazes. Os
símbolos que serão usados serão os Sigilos e os Servidores,
explicados nos Livros Um e Dois respectivamente. Por enquanto
lembre-se deste ensinamento – e não se esqueça de interpretálo
em termos simbólicos: a mulher não possuir alma porque é
puro espírito.
O Ritual Menor de Banimento do Pentagrama possui a
característica de acessar, através de símbolos, aspectos
poderosos de nossas próprias Almas Superiores. Ele cria um
espaço e momento sagrados, e ajuda a liberar mais energia
58
positiva que o usual. Mas não pense que isto ocorre num abrir e
fechar de olhos, você terá que treinar. Um período de três
meses é comumente necessário para um treinamento eficiente
neste Ritual. Mas o tempo e a experiência farão com que ele
vibre cada vez mais. Como uma gravidez que leva um tempo
para gerar um parto seguro, o Ritual Menor de Banimento do
Pentagrama leva um tempo para ser experimentado em sua
totalidade. Ele provocará relaxamento, cada vez maior com o
passar do tempo – mas nada de sono! Ele lhe tornará alerta
para qualquer Ritual que venha a ser realizado em seguida. Eu
possuo inúmeras anotações em meus diários mágicos sobre
rituais de purificação realizados em momentos problemáticos de
minha vida, e posso notar que, ao menos, eles me ajudaram a
ter um maior entendimento da vida. Mas do que no ambiente a
mudança ocorre dentro de você.
Passemos ao Ritual em si.
Primeiro você deverá ficar de frente para o Leste, no centro
do local, e executar a Cruz Qabalística. Depois estenda seu
braço – direito ou aquele com o qual escreve – para frente e
desenhe um pentagrama, que é uma estrela de cinco pontas;
isto será feito com o dedo indicador ou com o indicador e o
dedo médio estendidos o tempo todo. Comece por um ponto
logo em frente à virilha esquerda. Progrida para um ponto um
pouco mais alto que a sua cabeça, e então vá para um ponto
oposto ao primeiro, à frente da virilha direita – é como se
estivesse desenhando um V invertido. Suba do ponto à direita
para um ponto logo à frente de seu ombro esquerdo, depois
para um ponto oposto e à frente do ombro direito; retorne para
o ponto inicial, quase no meio da coxa direita. Resumindo:
virilha esquerda, alto da cabeça, virilha direita, ombro esquerdo,
ombro direito, virilha esquerda. Este traçado do Pentagrama é
chamado de Pentagrama de Banimento da Terra. O Pentagrama
da Terra é usado porque é na Terra (elemento Terra), sobre a
terra, que se manifestam os elementos: a água corre sobre ela,
o vento está ligado a ela pela força da gravidade (a atmosfera
sendo atraída pela força da terra) e o fogo surge de seus
Comentários
Postar um comentário