LIVRO SS - Um Manual Prático de Magia - parte 6


de alguém fosse uma rota de cometa e, de repente, algo
mudasse a rota. Não precisa ser algo gigante, um simples Sigilo
pode fazer isto. Então tudo o mais também muda. Mesmo a
mudança de opinião pode ter conseqüências drásticas na vida
de uma pessoa, como podemos ver o tempo todo em nossa
sociedade cheia de estereótipos.
Pode ser que nada seja visível em um primeiro momento,
mas se as forças corretas foram manipuladas da maneira
correta, algo irá acontecer.
Uma outra teoria interessante diz que os sistemas sempre
caminham para um estado de equilíbrio. O exemplo mais
comum é o trânsito em um trecho movimentado. Se um
acidente acontece, logo depois todo o resto se adapta para uma
nova rota. Os carros diminuem a velocidade, passam para uma
rota alternativa, senão todo o sistema entra em colapso e para.
O Sigilo pode oferecer uma rota alternativa num sistema que
está seguindo um caminho não muito agradável.
E o que o Sigilo produz com tudo isto? Ele produz
sincronicidade, que é quando dois ou mais eventos significativos
ocorrem ao mesmo tempo. Como no meu exemplo do Sigilo
feito para adquirir um livro de Aleister Crowley, quando meu
primo me convidou para dividir uma conta de acesso à Internet
e depois eu digitei um endereço de site de maneira errada. Este
é o veículo de manifestação do Sigilo. Você se surpreenderá
com efeitos. Você faz um Sigilo para localizar um velho amigo,
daí conhece alguém que está de passagem em sua cidade e
que conhece a mesma pessoa – isto é muito comum para os
praticantes da Magia Sigicular.
Por isso os caminhos de manifestação têm que ser
respeitados. Às vezes um Sigilo falha porque você não sabe
realmente o que quer, e seu Inconsciente Superior, você
mesmo num sentido mais alto, acaba por descobrir isto
As teorias do caos nos fornecem mais pistas sobre a ação
dos Sigilos. Toda esta história de caos sendo pesquisado pela
ciência parece ter começado com as pesquisas de Lorenz sobre
fenômenos atmosféricos. Ele tentou usar um programa de
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computador para prever determinados comportamentos
atmosféricos a partir de modelos matemáticos. O programa
executou pequenas aproximações entre os números, e estas
pequeninas aproximações acabaram por provocar previsões
erradas. Um pequeno desvio no começo teve conseqüências
maiores mais à frente. Ou, em outras palavras, uma pequena
mudança nas condições iniciais pode mudar drasticamente todo
o comportamento de um sistema. O Sigilo é esta pequena
mudança nas condições iniciais. Ao invés de seguirmos uma
fantasia, ou praticarmos uma sugestão ao inconsciente, usamos
um símbolo que muda as posteriores condições de um sistema.
O êxtase ligado ao Sigilo é mais uma pequena mudança. Mas as
conseqüências são poderosas – como você irá descobrir ao
longo do tempo, ao adquirir prática e experiência com a Magia
Sigicular. Como uma pequena mudança na temperatura média
da Terra provoca mudanças drásticas, tornados, secas e
enchentes, assim também o Sigilo provoca mudanças enormes,
por isso deve ser usado com cuidado.
A teoria do caos também mostrou a similaridade entre
diferentes fatores, tais como os preços ao consumidor, a
reprodução das espécies e o crescimento de árvores. Nisto há
complexas demonstrações matemáticas, que são extensas pra
serem colocada aqui. Mas o importante é a idéia de
similaridade, que lembra um antigo axioma da Magia: “assim
como é em cima, é abaixo”. Mostrando que modelos parecidos
se encontram em diferentes situações ou sistemas. Pequenas
mudanças em um sistema podem causar mudanças maiores em
todo o sistema. Assim o Sigilo busca causar uma pequena
mudança que irá causar mudanças maiores em toda a vida do
Mago, como numa reação em cadeia. Um Sigilo feito para
encontrar uma determinada oportunidade pode até não revelála,
mas você descobrirá que realmente não queria aquilo que
você desejou. Mesmo que nada pareça acontecer, algo terá
mudado no seu interior. Um Sigilo pra se livrar de um vício
pode acabar fazendo com que um folheto de um especialista
chegue em suas mãos, e você descobrirá que largou
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determinado vício após alguns meses de terapia; ou pode,
repentinamente, sentir asco em relação aquilo que deseja
evitar, e abandonar completamente o vício (caso deseje). Esta
diferença de efeitos de pessoa para pessoa se deve ao fato de
cada pessoa é diferente, ou um sistema diferente; e é o sistema
dela que será mudado, ainda que um modelo de mudança seja
seguido, as mudanças serão únicas e pessoais para cada um.
Uma outra coisa interessante na teoria do caos é a
descoberta de que sistemas complexos funcionam de maneira
simples, e sistemas simples funcionam de maneira complexa. O
Sigilo é um sistema simples, mas você já viu – na correlação
entre as Sephiroth da Árvore da Vida e a ação do Sigilo – que
ele funciona de uma maneira realmente complexa – resumida
naquela descrição. Já nós somos sistemas complexos, uma
verdadeira Árvore da Vida em miniatura, e, portanto, somos
afetados por leis simples – como a sugestão ao inconsciente
ensinada e analisada no primeiro capítulo do Livro Zero. O
Sigilo é como uma idéia simples agindo sobre as leis simples de
um sistema complexo.
Mas as teorias clássicas da Física também são passíveis de
aplicação quando o assunto é Magia. A lei da inércia é muito
útil. Ela diz que um corpo sendo impulsionado com uma
determinada força tende a seguir uma linha reta sem sofrer
alterações em sua velocidade e direção, a menos que haja uma
força exterior agindo sobre ele. O Sigilo segue uma regra
parecida. O vácuo infinito, assim como o interior da mulher
(lembre-se da correlação entre vagina, a Sephirah Binah e o
surgimento da forma), recebe um poder representado pelo
Sigilo, tentamos evitar a ação do consciente e do inconsciente
superficial (que ficam dizendo que não vai dar certo) usando
um símbolo novo e que eles não reconheçam. Estamos usando
a lei da inércia dos corpos de uma maneira inteligente. Agora se
você se volta o tempo todo para tentar interferir no Sigilo, ele
não segue a rota contínua que deveria, porque uma força
externa está atuando sobre ele. Mesmo no caso do exemplo do
Sigilo usado como talismã, a idéia do porquê do Sigilo deveria –
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pelo menos aos poucos – ser deixada de lado, até o Sigilo ser
comum para o consciente e para o inconsciente superficial, e
eles deixarem o Sigilo seguir a rota reta e contínua.
Outra lei diz que a toda reação corresponde uma reação
inversa e de igual intensidade. Isto tem a ver com a própria
estrutura do funcionamento do Sigilo em relação à Árvore da
Vida. Uma força espiritual foi se tornando cada vez mais fina e
sutil até alcançar, pelo êxtase ritual, uma dimensão superior do
espírito humano, uma ação contrária e de igual intensidade se
manifesta no pólo oposto, o mundo da matéria – por isso a
realização depende de quanta energia você coloca no ritual
para ativar o Sigilo.
Uma outra lei diz que os corpos se atraem mutuamente, e é
assim que a Terra nos mantém “colados” no chão. Por isso a
elevação tem que ser trazida para a manifestação, como os
objetos lançados para o ar voltam para a Terra. Se os objetos
não voltam para a Terra, significa que eles saíram da atmosfera
e estão no espaço. Assim se a energia não volta para a Terra
significa que ela ficou perdida no espaço, sem encontrar uma
manifestação – e isto deveria ser evitado a todo custo.
Resultados deveriam ser almejados em todo trabalho mágico –
não importando se os resultados são internos (sobre sua
personalidade) ou externos (sobre o seu mundo pessoal).
Uma lei da Física diz que os gases são expandidos pelo calor
(como naquela experiência de colocar um balão cheio de ar
dentro do congelador e ver ele, aparentemente, perder
tamanho). O calor pode ser interpretado como a Vontade, se
você atua de maneira intensa e chega a um intenso estado de
êxtase, então sua Vontade dilatou sua aura até um ponto mais
alto, e você alcançou uma grande fonte de poder. Se sua
Vontade é fraca e gelada, então você diminui o poder de
manifestação, e não acrescentou nada de importante ao
trabalho mágico. Esta elevação só pode ser alcançada com
prática, mas mesmo o iniciante descobrirá em um curto espaço
de tempo que “coisas acontecem” segundo o grau do poder
com que ele as executa.
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A aura é a chave para a ação mágica. Os axiomas da Magia
dizem que nós temos uma contraparte imaterial, de um outro
tipo, chamada duplo etérico, ligado ao éter. Este éter seria a
substância que modela todo o mundo, sendo a contraparte
energética de tudo (tanto o corpo etérico quanto o éter são
conceitos ligados à Sephirah Yesod). Assim todo o universo
estaria mergulhado em energia, e seria tão somente uma
manifestação desta energia. Um outro axioma diz que “Malkuth
está em Kether e Kether está em Malkuth, mas de uma outra
maneira”; o que pode ser entendido como as forças se
manifestando na matéria, sendo a própria matéria. Estas
energias se ligam o tempo todo, com maior ou menor força. Ao
nos concentrarmos em algo nós nos ligamos àquela energia que
está por trás da constituição de alguma coisa. E, mesmo
havendo uma contraparte energética para tudo, há uma energia
no espaço, comumente chamada de plano astral, o éter. Este
éter pode ser manipulado para criar determinadas forças, e
estas forças são empurrões que modificam determinados
eventos. Se isto for corretamente compreendido, então você
entenderá um pouco mais sobre como “coisas fantásticas”
acontecem. O que vemos é tão somente um diapasão da
energia, assim sendo, manipulando a energia que é a própria
constituição da matéria, nós podemos atuar sobre o mundo e
seus eventos (sendo o mundo interno ou externos, eventos
internos ou externos).
O mago Pete Caroll, por muitos apontado (indevidamente)
como iniciador de um sistema de Magia conhecido como Magia
do Caos, dividiu a interpretação mágica em três modelos:
energético, informacional e clássico. Eu prefiro seguir uma
estrutura de quatro modelos, baseada na Árvore da Vida, cada
um deles ligado ao um mundo e aos conceitos por trás de um
dos elementos (Terra, Fogo, Água e Ar).
Ao Fogo está atribuído o sistema energético. Este sistema se
baseia na existência de uma rede inter-relacionada de energias
e protótipos energéticos, como a aura. Neste modelo o Sigilo
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atua como uma marca no mundo energético, sendo ele mesmo
energia.
Ao Ar está atribuído o sistema informacional. Como um site
na Internet os poderes e acontecimentos ficam armazenados
como estruturas de informação à espera de serem acionadas.
Várias pessoas podem acionar um mesmo símbolo – o Sigilo
pode ser coletivo – e todas experimentarão igualmente – mas
dependendo da capacidade de cada um – as energias e poderes
contatados.
À Água corresponde o sistema clássico. Nesta forma a idéia
da egrégora é de fundamental importância. Imagens estão
gravadas no cosmos, e elas são reais e estruturadas em si
mesmas. Anjos, demônios e deuses de todos os panteões são
as formas de atuação das “forças ocultas”. Quem tiver o
conhecimento pode acessar os “seres”.
À Terra corresponde o sistema estrutural. Neste modelo as
coisas estão contidas em estruturas que determinam o
movimento e direções dos atos e acontecimentos no mundo
físico, o Sigilo é uma mudança de estrutura. Este modelo ainda
trabalha com o “puro acaso”.
Tente explicar para si mesmo o poder dos Sigilos seguindo
as divisões acima. Todas elas – e quais outras que você possa
descobrir – estão corretas, tente encontrar suas próprias
palavras para entender cada um dos sistemas acima, e
desenvolva os seus próprios se não está contente com as
divisões apresentadas.
O mais importante é manter em mente que Sigilo é
mudança, e mudança é a essência da Magia.
Mas digamos que o seu desejo seja algo que você repete o
tempo todo, devido à própria necessidade. Alguém com uma
loja por exemplo poderia estar sempre querendo receber ótimas
propostas, ou que os negócios aumentassem. E o desejo se
torna uma obsessão. O que fazer então? Como evitar que o
desejo seja relembrado o tempo todo?
112
Então ele ou ela – depois de ter adquirido alguma
experiência com Magia Sigicular – usar os Servidores, ou
mesmo criar um Espírito Funcional. O que eles são, como criálos
e usá-los, você irá descobrir e aprender no Livro Segundo:
Servidores e Espíritos Funcionais.
LIVRO SEGUNDO
SERVIDORES E
ESPÍRITOS FUNCIONAIS
114
Introdução ao Livro Segundo
Se alguém descobre que o desejo se tornou algo obsessivo
pode usar a força desta obsessão para criar uma estrutura de
poder que lhe ajudará a conseguir realizar o desejo. Isto não
deve ser visto como sentar e deixar as coisas rolarem, mesmo
porque demanda muito tempo e habilidade para que a coisa
funcione de maneira completa. O poder dos Servidores pode ser
acessado e relembrado, ao contrário dos Sigilos, os quais seria
melhor tentar esquecer depois de sua realização. Mas você
jamais deveria tentar realizar a construção de um Servidor sem
antes ter tentado um Sigilo, ou ao menos ter tido experiência
suficiente com a Magia Sigicular – porque uma parte dela será
usada na construção desses “seres”, e porque a experiência lhe
dirá se é melhor um Sigilo ou um Servidor.
O Livro Segundo lhe fornecerá, passo a passo, as
instruções para criar um Servidor e alimentá-lo com energia.
Fornecerá ainda um apanhado histórico e mítico sobre esta
prática, além de fornecer instruções completas para você
mesmo criar o seu Livro de Espíritos Funcionais ou Grimoire de
Espíritos.
115
Capítulo 1
A construção dos poderes
Na idade média havia uma crença de que as bruxas e bruxos
possuíam espíritos de demônios dados a eles pelo diabo em
pessoa. É uma coisa um tanto quanto cômica, mas, como toda
forma de lenda, guarda um sentido.
O tempo todo nossas mentes estão se concentrando em
determinadas coisas, a maior parte do tempo em coisas nada
boas, e isto é um fato. E esta concentração cria mudanças na
“atmosfera psíquica”, projetando o que se costuma chamar de
Elementais. Os Elementais são construções da mente, feitas a
partir da concentração em uma imagem ou idéia. Os
Elementares são os poderes que criam os elementais, os quatro
elementos. Durante a década de 1990 a compra de gnomos,
duendes, sereias e salamandras virou um modismo esotérico
sem antecedentes. Por isso as pessoas atribuíram aos poderes
elementais uma cara engraçada e romântica, sem se quer
suspeitar do que eles realmente representam. Os Elementares
formam uma corrente de energia que está por trás dos
elementos na própria Terra, e se há alguma graça neles, ela
não está na simplicidade deles, pois eles são energia pura, um
poder enorme – e, como tudo que é grande demais, muito
perigosos. Tampouco as manifestações que vemos e sentimos
de Terra, Água, Ar e Fogo são a totalidade deles, mas tão
somente isto: manifestações.
A concentração sobre um determinado pensamento costuma
atrair uma determinada energia elemental. Se a concentração
se processa sobre um pensamento positivo ou negativo é o que
dá as qualidades ao Elemental que é criado, a partir da atração
que a mente tem sobre os Elementares. Os Elementares
formam uma corrente que cruza o nosso planeta, mas muito
mais do que isso, eles também habitam o nosso inconsciente.
Evocá-los pode não ser uma boa idéia, pois eles tendem a
assumir a forma de nossos pensamentos – pensamentos de
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fracasso, ira descontrolada e suicídio, com muita probabilidade
não atrairão coisas muito agradáveis de dentro de nós. Contase
uma história de que Austin Osman Spare certa vez foi
visitado por duas pessoas que queriam ver a evocação de um
elemental em aparência física. Ele desenhou um círculo mágico
e começou a executar os rituais. Uma forma estranha – oriunda
do próprio inconsciente de quem a está vendo – apareceu na
sala onde o ritual estava sendo realizado, e as forças evocadas
perturbaram completamente as mentes e vidas dos incautos
que queriam a todo custo ver uma manifestação física de um
ser elemental.
Há um sistema, no entanto, que provê muita segurança para
o Mago. Ele é chamado de Magia Enoquiana. Este sistema se
desenvolveu nas mãos do mago inglês John Dee, e seu
secretário Edward Kelly. Eles recebiam “mensagens” que lhes
davam instruções sobre símbolos mágicos que, corretamente
empregados, colocariam o Mago em contato com poderosas
forças cósmicas, como espíritos planetários e Elementares.
Junto com as instruções que receberam eles também puderam
ver um encadeamento de letras, que formavam uma espécie de
tabela. Estas tabelas foram chamadas de Tabelas Enoquianas, e
contêm uma grande quantidade de letras dispostas em
quadrados. Seguindo determinados movimentos, de quadrado a
quadrado, determinados nomes são encontrados. Cada nome é
uma vibração do nome de Deus, e é uma sentença de poder.
Junto com estas tabelas e símbolos, eles também receberam
estranhas comunicações em uma linguagem até então
desconhecida, a Linguagem Enoquiana. Esta linguagem contém
verbos e pronomes, e tudo o mais igual a qualquer outra
linguagem; aparenta-se como uma mistura de latim, grego e
árabe em sua pronúncia, pronúncia que é sempre doce, por isto
a Linguagem Enoquiana foi chamada de linguagem dos Anjos.
Usando o Sistema Enoquiano, o Mago pode acessar
determinados seres que são como reguladores dos Elementares
e, através deles, pode atuar sobre o seu ambiente de maneira
efetiva e, comumente, surpreendente. O Sistema Enoquiano
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contém correlações com signos do zodíaco, a Árvore da Vida, o
sistema caldeu de divisão do universo e mais uma série de
conhecimentos. É possível desenhar rituais do Pentagrama a
partir dos nomes sagrados encontrados neste sistema, bem
como outros rituais que possuem um enorme poder.
Isto não quer dizer que o Sistema Enoquiano foi dado aos
homens diretamente das mãos de algum Deus que se senta em
uma nuvem no meio dos Céus. O Sistema Enoquiano é o
desenvolvimento de correlações entre princípios de poder,
criado e desenvolvido pelo homem – e melhorado ao longo dos
séculos.
Qualquer um que queira acessar os Elementares se daria
melhor usando o Sistema Enoquiano. Só há um problema: a
enorme quantidade de informação que o Sistema Enoquiano
contém – sem comentar que ele é receptivo a uma grande
quantidade de novas informações. É dito sobre este sistema
que cada uma das letras que compõem suas tabelas cósmicas
possui um poder em si. Compreender, e utilizar, este Sistema
requer tempo e dedicação.
Mas ninguém precisa se descabelar porque um sistema tão
grandioso é a maneira mais segura de contatar as forças
elementais. Nós podemos criar os nossos próprios seres, que
atuarão como filtros para atrair as energias adequadas (tanto
as energias externas quanto as internas).
Estes filtros são chamados de Servidores. Um Servidor é um
sistema criado por alguém para ampliar as possibilidades de
realização, bem como criar – repetidamente – sincronicidade,
coincidência significativas.
Os Servidores podem ser vistos como um sistema de
computador, sempre podendo ser ampliado por aquele que tem
a chave para acessá-lo. Esta ampliação torna-se a
especialização do Servidor criado, e ele passa a atuar de
maneira a provocar mudanças. Ao contrário do Sigilo, o lembrar
da existência do Servidor lhe dá mais força, por isso ele é
adequado para desejos obsessivos e contínuos.
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Muitos dos espíritos encontrados em livros de Magia foram
criados desta maneira, e o uso contínuo deles por um longo
período fez com que eles se especializassem cada vez mais,
adquirindo mais poder de atuação, e um campo de atuação
maior. Mas estes espíritos antigos correspondem a
determinadas leis, a determinados símbolos. Por isso, aquele
que os evoca de suas moradas, deve ser cauteloso e ter um
amplo conhecimento dos gostos e das aversões que um
determinado espírito possui. Os livros dizem que aqueles que
lhes evocam a presença sem ter o devido conhecimento estão
prestes a ser lançados dentro das profundezas do inferno;
simbolicamente isto quer dizer que, sem conhecer seus
símbolos e nomes e o que eles significam, a pessoa pode ser
tornar presa do próprio inconsciente (inferno).
Criando os seus próprios seres você estará no controle da
situação. Conhecerá os nomes, os símbolos, e saberá os rituais
de evocação adequados. Além disto você estará no controle, já
que eles são aspectos interiores seus ou de um determinado
grupo (sim, eles podem ser criados por um grupo).
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Capítulo 2
Construindo Servidores
Você deve seguir alguns passos para a criação de Servidores.
1.Delinear claramente o objetivo.
2.Construir um esquema de símbolos.
3.Criar uma forma.
4.Desenvolver um ritual de evocação.
5.Criar energia.
6.Ativar o Servidor através do uso.
7.Desativação do Servidor.
Delinear claramente o objetivo
Para criar um Servidor você ter que ter um objetivo bastante
certo em mente, por exemplo o aumento de vendas de uma
loja que você possua (você jamais deve interferir nos negócios
ou na vida de outros com o uso de Servidores). Se você
escolheu este objetivo pode querer que ele se processe durante
um período. Digamos que você tenha arrendado uma loja por
um período de dois anos, e decidiu que depois deste período vai
embora para outra cidade. Então o seu objetivo, além de ter –
necessariamente – uma definição clara, também tem um
período de atuação. Uma pessoa no entanto poderá criar um
Servidor menos específico e mais generalizado, mas isto já é
um espírito funcional.
O desejo deve ser expresso em uma sentença simples. No
exemplo do Servidor para ajudar no aumento das vendas, a
declaração pode ser:
“Grande quantidade de vendas e de fluxo de dinheiro.”
Então a pessoa deveria usar esta sentença como um meio de
atuação, um ponto de atenção de onde brotarão os outros
símbolos do Servidor.
Para uma cura num joelho problemático o desejo poderia se
expresso assim:
“Cura do joelho direito.”
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Como na construção do Sigilo deve-se evitar o uso de
palavras negativas ou que expressem um problema. Você
também não deveria limitar o poder do espírito ao usar
especificações exageradas. No caso do joelho, uma expressão
como “ajuda no tratamento pelo qual estou passando para
curar o joelho” é uma expressão limitadora – como você tem
tanta certeza de que o médico está sendo totalmente benéfico,
deixe espaço para o Servidor atuar, mas seja específico sobre o
que ele irá atuar.
Construir um esquema de símbolos
Sabendo a área sobre a qual o Servidor irá atuar é hora de
escolher os símbolos.
A Árvore da Vida fornece um esquema de cores, números,
metais e formas que pode ser bastante útil.
No caso do Servidor para a cura, a Sephirah é Hod. Sua cor
é laranja, mas lembrando o esquema das cores nos quatro
mundos o servidor poderia conter as quatro cores. Ele pode
portar um determinado objeto mágico, que pode ser o objeto
de poder da Sephirah. O objeto de poder da Sephirah Hod é o
livro; então o servidor poderia possuir um livro com um
catálogo completo de endereços de médicos adequados; e o
livro poderia conter ainda o endereço de fisioterapeutas,
propriedades dos remédios, uso adequado das partes do corpo,
e conhecimentos mágicos de cura. O livro poderia ter uma capa
com um octógono desenhado em laranja, ou o espírito pode
viajar em um tapete mágico de oito lados.
Que símbolos serão usados, e como eles serão usados, deve
ser uma escolha pessoal sua. O Servidor é uma exteriorização
do que há dentro de você, então deve estar de acordo com
seus gostos pessoais – não importa o quão estranhos eles
possam parecer para outras pessoas.
Um símbolo deve ser criado com a frase que expressa seu
desejo, este será o símbolo do Servidor. Você deve construir um
Sigilo com a frase que expressa o poder de seu Servidor, o
objetivo claramente definido. Este símbolo pode se tornar o
próprio símbolo de evocação do Servidor, ou pode se tornar um
121
símbolo para momentos especiais, quando você quer redefinir
alguma característica do Servidor; neste caso você usa o Sigilo
como um símbolo de evocação, evocando o Servidor pela
concentração sobre o símbolo e pela repetição do nome dele. O
símbolo pode ser da cor da Sephirah correspondente.
O nome do Servidor é criado pelo sistema usado para criar
uma palavra mágica usado como Sigilo. Você pode retirar as
letras repetidas da palavra e usá-las misturadas para criar um
nome. Pode também usar apenas as palavras-chave.
Para criar o nome do Servidor para a cura de um joelho
doente, esta poderia ser a seqüência:
C U R A D O J O E L H O D I R E I T O
C U R A D O J E L H I T
JOHEL URCADÓIT
TIODAC EL-JHOUR
Você deve sentir que o nome está bom para você, bem deve
sentir que o símbolo está totalmente adequado para você. Só
pare de tentar quando sentir que tudo está ótimo pra você.
Criar uma forma
O Servidor pode ter uma forma adequada com a simbologia
da Sephirah correspondente. O Servidor para a cura poderia ser
uma figura geométrica alaranjada e sorridente de oito lados. Ou
um médico vestido com roupas brancas emanando uma aura
laranja. Ou a forma de um extraterrestre laranja e brilhante
usando roupas com cores para a mesma Sephirah das outras
escalas da Árvore da Vida. A escolha da forma depende apenas
de seus gostos pessoais, mas procure ter imaginação. Gaste
algum tempo imaginando uma forma, até sentir que a forma
escolhida lhe agrada.
Uma técnica para criar a forma de um Servidor é o chamado
desenho automático. Você deixa que sua mão deslize
livremente sobre um papel, enquanto segura algum material
para desenhar (lápis é o mais usado, mas você pode usar
pincel). Isto requer alguma prática prévia. Você pode, depois de
já ter tido alguma prática (alguns poucos desenhos, e não anos
de prática – seis ou sete desenhos executados já lhe darão
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capacidade de um uso consciente da técnica do desenho
automático), concentra-se sobre o símbolo que desenhou para
o Servidor. Deixe sua mão agir livremente e rapidamente.
Você também pode esculpir a imagem do Servidor, e tornar
o objeto uma espécie de fetiche, um símbolo de acesso. Então a
imagem se torna o próprio mecanismo para evocar o Servidor.
Isto é comumente feito pelos católicos – inclusive uma católica
que eu conheci, e que esteve durante um bom tempo envolvida
com o lado mais obscuro da Magia, a Magia Negra. Ela possuía
a imagem de um determinado santo, e a utilizava como um
método de contato com o “mundo espiritual”. A imagem foi
preenchida com energia através de demorados rituais, e sua
simbologia acabou sendo assimilada pelo inconsciente dela. Ela
costumava atribuir fatos prazerosos ao poder do Servidor que
ela tinha produzido, o que, em si, é uma técnica para ativá-los.
Só que esta mulher não costumava usar o Servidor para
propósitos benéficos, preferindo tentar arruinar vidas. Ela
realmente conseguiu alguns efeitos poderosos, e assombrosos;
mas pagou um preço, tendo ficado com as pernas
problemáticas, sendo traída pelo marido, e a vida dela se
tornou um verdadeiro inferno em muitas áreas. Como muitos
custam a aprender – mesmo através dos próprios erros – eu
descobri, tempos atrás – ao, infelizmente, ter contato com ela –
que ela continuava nestas práticas infames, acobertada sobre a
imagem de uma católica fervorosa e digna de piedade – não da
minha parte.
Mas esta prática de Magia com santos católicos mostra como
as pessoas às vezes fazem uso de práticas mágicas de maneira
instintiva – não era esse o caso da mulher acima referida, que
pareceu sempre conhecer muito bem o que estava fazendo.
Uma moeda de boa sorte, usada como talismã, um urso de
pelúcia que acompanha alguém pela vida inteira, um objeto ao
qual alguém atribui poderes sobrenaturais; todas estas são
práticas instintivas de Magia e – para o bem de muitos – às
vezes falhas. O que não é o caso do Mago, que sabe que
trabalha com símbolos, e sabe como trabalhar com eles, e sabe
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que o próprio ritual é um símbolo dos processos de evolução de
seu próprio espírito.
Você não precisa usar apenas imagens criadas por você –
caso tenha escolhido que quer usar uma imagem –, mas pode
comprar uma imagem já pronta que será destinada ao processo
mágico. Figuras de RPG, imagens de super-heróis, figuras
geométricas prontas, latas de biscoitos, potes plásticos, pratos,
taças, esferas de acrílico e muitas outras coisas podem ser
usadas como imagem do Servidor – sempre de acordo com a
imagem que você imaginou, ou como uma moradia para o
Espírito no caso de a forma escolhida para ele diferir de um
objeto que você gostaria de usar.
Desenvolver um ritual de evocação
O Servidor deve responder a um chamado, ou atuar de uma
forma especificada. Se for escolhido que ele deve atuar durante
um determinado tempo apenas, então deve ser especificado
qual será este tempo, e isto será passado como uma instrução
para ele através do ritual, conforme será mostrado no item
sobre criar energia.
Se for escolhido um ritual de evocação para que ele atue de
determinada forma apenas quando chamado, então você deve
criar um ritual simples (ou complexo, se assim desejar). Um
movimento específico de mãos, com a vibração do nome do
espírito, pode ser uma forma de evocação bastante eficiente e
útil. Ele ser evocado através de um desenho traçado no ar, ou
uma porta desenhada com a ponta do dedo indicador. O que
você fará é uma escolha pessoal. Você poderia por exemplo
desenhar um portal com um formato específico, e bater tantas
vezes nesta porta quanto seja o número da Sephirah à qual
está ligado o Servidor.
Descubra um ritual de evocação que lhe agrade e tome nota.
E não confunda evocação com invocação. Na invocação você
tenta se ligar a algum ser, assumir a forma dele é um exemplo
de invocação. Na evocação você não se identifica com o ser,
mas faz o possível para que ele seja visto como algo “exterior”.
Na verdade tanto uma forma de ritual quanto a outra lidam com
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aspectos simultaneamente internos e externos, mas é a atitude
que é importante – ela faz toda a diferença.
Agora você terá que dar energia, por as coisas para
funcionar.
Criar energia
Depois de já ter especificado o que o Servidor fará, a forma,
nome e símbolo dele e um ritual específico de evocação você
deve fornecer energia para que ele atue.
Execute o Ritual Menor de Banimento do Pentagrama, e
depois o Ritual Menor de Invocação do Pentagrama. Passe a
pensar no Servidor como algo existente, exteriorize a forma
logo à sua frente, imaginando-o no ar. Pense no poder que ele
tem, no que ele faz, no que ele foi programado para fazer.
Então pegue as anotações que fez e comece a ler elas para
si mesmo várias vezes. Imagine que a cada leitura o ser a sua
frente ganha mais força e poder, e cada vez se torna mais
obediente a você. A idéia da afinidade é importante quando se
trata de Servidores, pois eles são a exteriorização daquilo que
está dentro de você.
Repita várias e várias vezes a descrição do Servidor, visualize
o Sigilo como o símbolo particular dele, entoe o nome, descreva
o ritual de evocação (se houve um), ou descreva o tempo de
atuação do Servidor, onde ele irá atuar, em que tipo de
situação ou em que direção.
Esta é tradicionalmente a forma de dar energia ao símbolo:
visualização. Aqui será útil ter alguma experiência com as
técnicas de visualização descritas no Livro Zero. Você verá que
os exercícios têm uma finalidade.
Ao final do ritual de energização – que deveria durar, no
mínimo quarenta minutos, mas o ideal seria atravessar uma
hora ou muito mais – execute o Ritual Menor de Banimento do
Pentagrama, e imagine que com este último ritual você está
dando mais força para a exteriorização do Servidor, deixando
ele agir por si mesmo.
Masturbação e sexo, e todas as outras formas de êxtase
descritas na prática dos Sigilos podem, e deve, ser usadas aqui.
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Mas tenha um certo cuidado com a Magia do Sexo, pois ela é
muito poderosa. Caso utilize as técnicas sexuais se êxtase
procure usar um pouco da secreção do orgasmo para abençoar
uma imagem ou objeto fetiche (caso tenha feito ou usado um).
Se não está usando uma imagem esculpida ou comprada
pronta, ou mesmo um objeto qualquer que sirva de símbolo,
você deve ingerir uma parte da secreção sexual, apenas uma
gota já é suficiente – para mulheres é claro que a secreção será
ainda menor, normalmente apenas a secreção que lubrifica a
vagina, já que a “ejaculação feminina” é uma coisa um tanto
incomum.
Ativar o Servidor através do uso
Depois de ter criado o Servidor você deve usá-lo. Se você
criou um Servidor para ajudá-lo a aumentar as vendas de uma
loja que você possui, ou para ajudá-lo a encontrar um
determinado livro fora de impressão, você deve sentir que ele
está trabalhando. Quanto mais você se lembrar disto, melhor
será. Ao contrário do Sigilo, onde o esquecimento é não apenas
aconselhável, mas desejado, na construção e uso de um
Servidor você deve se lembrar dele, para dar mais energia à
forma que foi criada. Mas não deixe as coisas saírem do eixo.
Ele deve agir para aquilo que foi especificado. Se acontecer
alguma coisa muito afortunada logo após, ou alguns dias após,
a construção do Servidor, você pode atribuir ao poder dele o
fato – isto dará muita energia para ele.
Se você criou um Servidor que não será desativado após um
período, então comece a evocá-lo através do ritual de evocação
que você criou. Mesmo que tenha criado um Servidor que será
desativado após um período, mas criou um ritual de evocação
para chamá-lo, comece a praticar a evocação.
Os efeitos costumam ser fantásticos, como eu mesmo pude
notar em centenas de ocasiões.
Evite atribui alguma falha ao Servidor. Se algo saiu errado,
imagine que foi melhor assim – ou que naquele determinado
momento o Servidor não encontrou algo que correspondesse a
suas expectativas.


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