LIVRO SS - Um Manual Prático de Magia - parte 2


Yechidah é o seu Eu Superior, muitas vezes chamado de
Sagrado Anjo Guardião, ou Augoeides (Luz da Manhã). Ele
simplesmente é sua verdadeira natureza, sua essência. Medite
um momento sobre isto: sua verdadeira natureza. Ou você acha
que sua verdadeira natureza é este ser que se desespera, chora
por motivos fúteis, e não consegue amar a todo momento? Há
uma essência em você, seu Verdadeiro Eu.
Este brilho, a Luz da Manhã, pode lhe dar um entendimento
maior sobre a simbologia do nome das Fraternidades Ocultas,
as Sociedades Secretas onde a Magia é praticada. A Hermetic
Order of the Golden Dawn (Ordem Hermética da Aurora
Dourada), possui uma referência ao trabalho de trazer a Luz de
Yechidah para o plano do dia-a-dia, pois Aurora Dourada é uma
clara referência à Luz da Manhã. A ordem secreta denominada
A∴A∴, uma sigla para Argentum Astrum (Estrela de Prata),
também tem velada em seu nome uma referência à tarefa de
trazer o Eu Superior para o dia-a-dia. A Lua, a Estrela de Prata,
reflete a Luz do Sol, a Estrela da Manhã, como nós deveríamos
refletir e brilhar em cada momento com a luz que emana de
nosso Sagrado Anjo Guardião. A sigla A∴A∴ também pode ser
compreendida como Aureo Astrum, Estrela Dourada. Além da
referência tanto ao Sol quanto à Lua, também há na sigla
A∴A∴ uma referência ao casamento do Sol com a Lua, a união
da Tintura Branca e da Tintura Vermelha (que é a produção do
Elixir da Longa Vida e da Pedra Filosofal), mas isto é um outro
assunto.
É facilmente observável, pelos acontecimentos diários, que
poucas pessoas entram em contato com esta parte da alma.
Yechidah está além de nossa consciência ordinária, no entanto
em estados alterados de consciência – como aqueles que você
irá aprender no decorrer deste livro – é possível tocar Yechidah,
na verdade toda a Neshamah. Este trabalho, o contato com
nossa natureza superior, com todos os elementos de
Neshamah, é o objetivo da Magia; esta é a Grande Obra à qual
se faz referência nos tratados de Alquimia. E toda a Magia tem
– ou pelo menos deveria – ter como objetivo trazer esta energia
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até nós. O contato com os Deuses, elementos representativos
das várias partes da alma, pode ser um caminho, mas não é o
único. O caminho que é procurado – e neste ponto todas as
religiões e formas de Magia convergem – é o contato com o Eu
Superior, referido como Contato e Conversação com o Sagrado
Anjo Guardião, e posteriormente, a manifestação deste Anjo,
que é uma coisa completamente diferente do contato e
conversação.
Chiah se refere à energia espiritual da vida, que origina a
própria força da vida; Chiah é uma emanação de Yechidah. É a
sua vontade sagrada, emanada de Yechidah. Chiah está
relacionada ao arquétipo do Pai, ao componente psicológico
animus (a masculinidade inconsciente da mulher). Uma palavra
sobre os arquétipos. Eles são símbolos que estão na mente de
todos nós, formas que correspondem a determinados princípios
cósmicos. Exemplos de arquétipos são as cruzes, a figura da
criança e a virgem grávida (todos representando determinados
aspectos das leis universais). Estes componentes estão em
todos nós, quer queiramos, quer não. O uso destes símbolos
primordiais é feito na Magia Cerimonial, daí o uso de deuses,
símbolos, cruzes (como a cruz como uma rosa no centro,
símbolo de mistérios muito profundos), formas geométricas e
sons. Chiah é a fonte da ação e da energia que leva o homem a
seguir em direção de suas mais altas aspirações.
Neshamah, que não deve ser confundida com a Grande
Neshamah que engloba todos os três aspectos, é a alma como
intuição, representa a percepção humana, a compreensão, e o
entendimento espiritual. Ela é a parte mais alcançável da
Grande Neshamah (basta lembrar que os nomes são iguais).
Você já teve a sensação de que alguma coisa vai acontecer e
ela acaba por acontecer? Esta é uma função de Neshamah.
Pensamentos intuitivos, compreensão rápida, e entendimento
intuitivo de assuntos que você não conhece são coisas
atribuídas a esta parte da Grande Neshamah. Ela é a parte mais
facilmente alcançável pelo ser humano. Neshamah é
simbolizada pelo arquétipo da Mãe e pela Sophia grega, símbolo
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da Sabedoria (lembra da lição da escola? Philos (Amor) e
Sophia (Sabedoria) = Filosofia. Lembra do best-seller O Mundo
de Sophia?). À Neshamah também é atribuída a anima, a
feminilidade inconsciente do homem.
É muito interessante relacionar Chiah e Neshamah com os
dois lados do cérebro. O lado esquerdo é Chiah, e o direito
Neshamah. Cada lado tem um funcionamento diferente. O lado
esquerdo faz contas, mede proporções, faz cálculos complexos,
conhece álgebra e química. O lado direito é intuitivo, chega a
soluções de problemas complexos sem matemática, observa
espaços, pinta, sabe esculpir e desenhar. Estes dois lados são
manifestações, e tão somente manifestações, de Chiah e
Neshamah. Muitas ordens secretas possuem currículos para
entrar em contato com Yechidah (e assim estar em equilíbrio
com a Grade Neshamah) através de práticas intuitivas, como
música e poesia, o que é uma atividade que nos liga
diretamente à Neshamah; mas também existem práticas que
dependem de complexas ponderações filosóficas. Na Ordo
Templi Orientis (Ordem do Templo Oriental ou Ordem dos
Templários do Oriente), existem dois livros chamados Liber NV
(ou NU, já que em línguas antigas muitas vezes o u era
substituído por v) e Liber Had, uma referência ao deus Hadit
(uma representação de Chiah) e à deusa Nuit (Neshamah).
Para alcançar um entendimento de Hadit (e
conseqüentemente uma união com o infinito) o aspirante segue
o Liber Had assume, através da meditação e visualização, que
é Nuit. Depois ele executa visualizações extremamente
poéticas, e segue pensamentos abstratos que são usados como
meditações, o aspirante, por exemplo, deve meditar sobre o
movimento da Grande Alma do Universo – isto é poesia pura. Já
em Liber NV ele assume que é Hadit e executa cálculos
matemáticos (simples) com números específicos e medita sobre
os resultados matemáticos que obtém como revelações de
princípios cósmicos. Note bem: assumindo a forma de Hadit,
como ensinado Liber NV, o aspirante executa atividades do
lado esquerdo do cérebro (Hadit – Chiah); e, assumindo a
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forma de Nuit em Liber Had, o aspirante mergulha em poesia
e intuição. Além disso, o aspirante conhece uma parte da alma
através da outra. O que acaba por provocar equilíbrio e, como
foi explicado no começo deste capítulo, a Magia, como arte,
tenta produzir equilíbrio e proporção entre as partes.
Espero ter dado uma explicação sucinta, mas clara o
suficiente, para as partes da alma, porque isto é algo realmente
importante, embora muitos livros de Magia esqueçam-se de
definir aquele para quem o livro se destina: o próprio homem.
A fim de tornar o esquema das divisões da alma mais claro,
e também para servir de tira-dúvidas aí vai a Tabela 3, as
divisões da alma:
Neshamah Ruach Nephesh G’uph
Inconsciente Superior Mente
Consciente
Inconsciente
Inferior
Corpo
Físico
Yechidah
Neshamah Chiah
Tabela 3. As divisões da alma.
Observe a inversão que acontece nos livros Liber Had e
Liber NV, através de Hadit se conhece Nuit, e vice-versa.
Assim Chiah conhece Neshamah e Neshamah conhece Chiah,
usamos uma parte da alma (ou um lado do cérebro, se você
preferir) para conhecer o outro lado. Isto nos leva para o
simbolismo sexual, pois o sexo é a base da própria existência. A
atração entre os átomos é sexual, a atração da gravidade é
sexual. Corretamente compreendido o sexo é sagrado, e
merece um profundo respeito, já que é uma energia mágica
que, corretamente utilizada, pode auxiliar muito no
desenvolvimento espiritual da humanidade.
Depois dessa discussão sobre as divisões da alma é preciso
discutir um pouco sobre a própria divisão do Universo, mas
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antes adentremos em um novo símbolo, um arquivo especial
que pode nos auxiliar e muito.
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Capítulo 2
A Árvore da Vida
A tradição qabalística possui um glifo, um símbolo especial,
chamado Árvore da Vida (Figura 1). Este símbolo é usado na
Magia Ocidental para explicar as divisões do Universo e do
Homem. É formado por um agrupamento de esferas, cada uma
é chamada Sephira (sefira) e o plural é Sephiroth (sefiróti).
Cada uma delas representa um determinado princípio, e as
relações entre elas representam determinadas ligações entre
diferentes idéias. Ela é uma produção humana, embora a
tradição judaica afirme sem reservas que ela foi dada aos
homens diretamente por Deus (interpretando isto em termos
simbólicos é como se Yechidah oferecesse um símbolo-arquivo
para Ruach). A Árvore da Vida é uma grande arquivo, que pode
organizar melhor uma quantidade muito grande de informação.
A Qabalah é a tradição da qual a Magia Ocidental retira a
maioria de suas idéias e termos (incluindo a Árvore da Vida e os
termos usados acima para classificar diferentes partes da alma).
Qabalah significa “da boca para o ouvido”; uma idéia de
segredo, mistério.
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Figura 1
A Árvore da vida é composta de dez Sephiroth e cada
Sephira possui um nome, na ordem os nomes são como
mostrados abaixo na Tabela 4:
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POSIÇÃO DA
SEPHIRA
NOME
EM
HEBRAICO
NOME
EM
PORTUGUÊS
Primeira Sephira KETHER COROA
Segunda Sephira CHOKMAH SABEDORIA
Terceira Sephira BINAH ENTENDIMENT
O
Quarta Sephira CHESED
(GEDULAH)
MISERICÓRDIA
Quinta Sephira GEBURAH
(PACHAD)
JUSTIÇA
Sexta Sephira TIPHARETH BELEZA
Sétima Sephira NETZACH VITÓRIA
Oitava Sephira HOD ESPLENDOR
Nona Sephira YESOD FUNDAMENTO
Décima Sephira MALKUTH REINO
Tabela 4
A pronúncia é como mostrada na Tabela 5:
SEPHIROTH PRONÚNCIA
KETHER quéter
CHOKMAH roquimá (r como em carro)
BINAH biná
CHESED resséd (r como em relógio)
GEBURAH gueburá (r como em cara)
TIPHARETH tifarét (um “ti” suavizado)
NETZACH Netizáqui (i suavizado)
HOD ród (este h com som de r
como no inglês hurt, hursh,
aspirado)
YESOD iessód
MALKUTH malkút (“ti” como em
Tiphareth)
Tabela 5
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O “ch” com som de “r” não é para ser pronunciado com
muita força, pense na palavra “hijo”, em espanhol, e você terá
uma idéia mais clara.
Para cada Sephira corresponde um determinado princípio.
A Kether, a Coroa, corresponde o primeiro movimento, a
origem. Esta sephira emana todas as outras, por isso é certo
imaginá-la como possuindo todas as outras em si. Como a
coroa fica acima da cabeça do rei, assim Kether fica além do
corpo do homem. Em trabalhos mágicos que envolvem
visualização (e que você aprenderá mais adiante) ela é
imaginada como sendo uma esfera de luz branca sobre a
cabeça de quem está executando a prática. O número de
Kether é 1, e é bastante significativa a simbologia deste
número. A multiplicação de um é sempre igual a um, assim a
multiplicação do poder de Kether sempre resulta numa mesma
essência: não há dissolução para Kether. Ao somar-se um mais
um (mais 1, mais 1 e assim por diante) obtém-se os números
das outras Sephiroth e dos Caminhos que as interligam. O
ponto no círculo é também um símbolo de Kether.
Chokmah corresponde a esta energia tomando direção, o
número 2, como as duas retas x e y usadas na álgebra e que
permitem a localização de um ponto (Kether). A reta pode ser
criada com dois pontos, mas não se cria um polígono com
apenas uma reta. O círculo é composto de uma única reta, e
pertence a Kether, a reta de Chokmah é um impulso constante,
contínuo. A análise do lado direito do cérebro é um atributo
relacionado com Chokmah.
É muito importante compreender este negócio de atributos,
muitas coisas são atribuídas às Sephiroth, diferentes símbolos e
mistérios. Tente imaginar isto como a função de um arquivo.
Uma gaveta de nossas residências pode conter muitas coisas
diferentes, mas a gaveta é o objeto que contém e não o
conteúdo. Há uma base, que é como o poder de conter
princípios próprios a cada uma das Sephiroth, mas os diferentes
atributos não são a Sephiroth; pode-se, todavia, pensar-se
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nesses atributos como manifestações de determinada Sephirah,
atributos relacionados a ela.
Voltando a Chokmah, ela é a Sabedoria, que só é alcançada
depois do Entendimento. A ela é atribuído o Zodíaco.
A Binah corresponde o Entendimento. Se Chokmah é uma
reta, um impulso para o Infinito, Binah, que corresponde ao
número 3, é o lugar onde este impulso pode encontrar um meio
de se tomar forma. Com três pontos temos um triângulo, a
primeira figura geométrica. É curioso notar que a primeira
forma que pode ser alcançada é também o fim de Chokmah, e
isto mostra uma estranha relação entre Sexo e Morte. O desejo
ardente de expansão e vida (uma imagem interessante são os
espermatozóides, em grande número e desprendendo uma
grande energia, ou a imagem do próprio orgasmo em si) de
Chokmah acaba em morte em Binah, e uma das representações
de Binah é como a Grande Mãe que a tudo absorve, e como o
mar, onde todos os rios acabam por ir (e mesmo toda a água).
O orgasmo, o fim de toda a excitação sexual masculina, acaba
(estou tratando de reprodução) dentro da mulher, desta morte
do desejo surge a vida: o desejo intenso morreu, e a vida
surge.
A Binah também corresponde a cor preta. A cor de Kether é
o branco, ou luz, e a cor de Chokmah é o cinza. Já viu um disco
colorido girar e todas as cores se misturarem e formarem o
branco? Já viu um prisma cristalino separar as diferentes cores
da luz? Kether é assim, sua luminosidade possui todas as outras
cores em estado latente. E o preto? Já viu alguma coisa no
escuro? Ou o objeto tem luminosidade própria ou fica invisível
no escuro. O preto é a absorção de todas as cores, uma
correlação com o útero que absorve todo o esperma para criar
a vida. A Binah corresponde o planeta Saturno. A ele a
Astrologia atribui a morte, mas também a expansão. Uma
cerimônia secreta de iniciação afirma ao adepto que Saturno é a
fonte de Entendimento e de Vida Longa, mas que o adepto,
apesar de bem-vindo, deve acautelar-se contra a sombra escura
de Saturno que pode produzir pobreza e morte prematura. Sem
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o impulso de Chokmah, Binah é morte, pois não há nada a
absorver. Sem a absorção de Binah, Chokmah é um errante
sem rumo, e sem sentido. Uma Sephirah não pode existir
sem a outra, isto é muito importante para entender todo o
esquema da Árvore da Vida. Sem o equilíbrio da Sephira oposta
qualquer uma foge ao esquema da Árvore da Vida. Voltando as
cores, a de Chokmah é o cinza, ele pode ser fruto de Kether,
mas aspira a Binah, daí o cinza ser uma mistura do preto de
Binah e do branco de Kether.
Binah também corresponde ao Silêncio, e um dos atributos
astrológicos de Saturno é a Paz. Mas esta Paz sem impulso, ou
melhor, sem a Vontade de Chokmah, é uma paz morta, que só
pode ser fruto da inquietação que prefere se calar.
À Chokmah corresponde o princípio da vontade e à Binah,
Amor. “Faze o que tu queres é tudo da lei” e “Amor é a lei,
Amor sob Vontade” são aspectos da relação entre Chokmah e
Binah facilmente dedutíveis. Kether é o ponto de emanação de
ambas as Sephiroth, e também é o ponto para onde ambas
acabam por convergir.
Um outro fato astrológico merece menção. Se a Chokmah
corresponde o Zodíaco, e seus signos, é a Saturno que
corresponde a solidificação. Saturno é comumente relacionado
aos anciãos e a capacidade de dar forma aos acontecimentos,
materialização dos aspectos latentes de Chokmah. Isto também
tem a ver com a própria natureza do mapa astral, pois a força
do Zodíaco clama pela energia dos planetas para que uma
interpretação astrológica possa ser feita. E isto nos leva a um
outro detalhe sobre as Sephiroth, pois cada uma contém todas
as outras que a seguem. Assim a Sephirah 1 contem todas, e a
dois, todas as que estão depois dela no esquema da Árvore da
Vida – inclusive ela mesma. Por isso é que o esquema do
Zodíaco “busca” as energias dos planetas; todas as outras
Sephiroth – como se verá mais adiante – correspondem a
determinados planetas, emanados a partir de Binah. Assim
como Chokmah busca a forma em Binah, assim as casas
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astrológicas – que correspondem a determinados signos –
também buscam forma na energia dos planetas.
Neste ponto duas advertências são necessárias. Os atributos
primordiais de cada Sephirah estão relacionados com o nome
da própria Sephira, e todos os símbolos que a ela são atribuídos
nos dão um melhor entendimento de conceitos bastante
abstratos. Em segundo lugar, todo símbolo é passível de
inúmeras interpretações e esta é a própria natureza de
um símbolo. Qualquer símbolo que não permita interpretações
múltiplas não é um verdadeiro símbolo.
As forças universais que correspondem a estas três primeiras
Sephiroth são bastante elucidativas. A Kether corresponde o Big
Bang, a essência da própria construção do Universo. A
Chokmah corresponde o Chaos, que não deve ser confundido
com simples bagunça, mas como poder de criação ainda sem
forma. A Chokmah também corresponde Therion, palavra grega
para Besta, mais corretamente denominada To Mega Therion, A
Grande Besta. E a Binah corresponde Babalon, cujo sentido é
expresso em três palavras: Bab, porta; Al, Deus; On, Sol. Porta
para o deus Sol. Desta simbologia pode surgir um melhor
entendimento das lendas, que nada mais são do que outros
símbolos para processos cósmicos e internos. A lenda do Rei
Arthur por exemplo. Nesta lenda ele se veste, em dado
momento, com cornos de veado e vai para uma floresta onde
faz sexo com uma mulher para dar forma ao poder, e para
tornar-se digno do poder. Tente compreender isto a partir do
simbolismo dado acima, e será muito fácil compreender a
necessidade e utilidade da Árvore da Vida.
Estas três primeiras Sephiroth formam um triângulo, como
dá para perceber na geometria da Árvore da Vida. Este
triângulo é chamado Triângulo Espiritual.
Logo abaixo destas três Sephiroth há uma Sephirah sem
forma ou número, às vezes tratada como a Sephira Fantasma,
ela é o vértice de uma pirâmide que tem por base as Sephiroth
Kether, Chokmah, Binah e Tiphareth. Ela é também a primeira
Sephirah de uma outra Árvore da Vida, que é o reverso desta
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Árvore que está sendo apresentada; aquela Árvore reversa é a
Árvore dos Demônios. Ela não possui Sephiroth, mas as
Qliphoth, as Conchas ou as Prostitutas. Mas esta parte da
Árvore da Vida é tão sagrada quanto qualquer outra Sephirah.
Daath é o nome desta Sephirah, cujo significado é
Conhecimento. Conhecimento direto é seu atributo, e União é a
sua força.
Depois que este abismo é ultrapassado há um novo
triângulo, formado pelas Sephiroth 4, 5 e 6, ou Chesed,
Geburah e Tiphareth, respectivamente. Este é o Triângulo
Ético, pois representa determinados princípios.
Chesed corresponde ao planeta Júpiter, cujos atributos são a
expansão, a realeza, a fartura, a religião e filosofia espiritual, a
amizade e proteção dos reis. A cor de Chesed é o azul, cor que
já foi símbolo da realeza. O céu é azul, e por isto a Chesed
correspondem os deuses do céu, enquanto os deuses do
paraíso, ou deuses primordiais, correspondem a Kether. O
nome Chesed, como foi mostrado na Tabela, significa
Misericórdia, mas, como também foi mostrado naquela tabela,
Chesed tem um outro nome, Gedulah, significando Glória,
Magnificência. Organização, capacidade de sacrificar em relação
a um determinado objetivo, a ordem, a lei, os legisladores
(sobre os quais é possível influir usando os poderes desta
Sephirah) e generosidade também são atributos de Chesed.
Preste atenção em alguém que exerce aquilo que realmente
gosta, como por exemplo um pintor pintando um quadro, ele
não é digno de pena, mas de glória, um cabeleireiro exercendo
sua profissão, desde que goste daquilo, também emana este
tipo de respeito; este é um atributo de Chesed em ação:
Magnificência.
Em Chesed a figura plana que surgiu em Binah ganha altura,
profundidade. Chesed corresponde à criação do espaço, o
primeiro sólido é um desdobramento do triângulo de Binah: a
pirâmide. A pirâmide é um talismã de aplicação universal, que
serve para vários propósitos. É possível encontrar formas
piramidais no Egito e no Peru, ou na Indonésia. A pirâmide é
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um arquétipo muito especial, e é usada em determinados rituais
para entrar em contato com seres (ou melhor, forças)
espirituais – especialmente num sistema de Magia conhecido
como Magia Enoquiana.
O complemento natural de Chesed é a Sephirah que lhe é
oposta: Geburah, Força. Se Chesed é a lei, Geburah é sua
execução. A esta Sephirah corresponde o planeta Marte,
símbolo da força. A este planeta correspondem determinados
atributos como potência, energia, coragem. vitória sobre os
inimigos, rivalidade e guerra. A cor vermelha que desperta a
paixão é um outro atributo desta Sephirah, o vermelho também
é a cor do sangue. Os deuses da guerra são atribuídos a esta
Sephirah, a exemplo do próprio deus Marte. A espada é um
símbolo de Geburah.
O símbolo mágico para manter contato com Chesed é o rei
entronado, glorioso, e o de Geburah é o rei guerreiro em cima
de seu carro puxado por cavalos. Vista de cima para baixo a
Árvore é interpreta de uma maneira, e vista de baixo para cima
o é de outra maneira. Assim, de cima para baixo, a lei de
Chesed é executada pela força de Geburah; já de baixo para
cima, a glória de Chesed é alcançada com a força e coragem de
Geburah. Sem Geburah a generosidade de Chesed é mero
sentimentalismo, sem Chesed a força de Geburah não passa de
violência.
Geburah tem outros dois nomes: Pachad, que significa Medo,
e Din, que significa Justiça. Justiça como execução da lei, Medo
como força que deve ser realmente temida, o Rei não é para
ser desprezado.
Abaixo destas duas Sephiroth está Tiphareth, a Beleza, a
Esfera do Sol. Tiphareth é a morada da consciência, do filho de
Yechidah (Eu Verdadeiro). Assim, todas as lendas que mostram
a Filho consubstancial ao Pai tratam desta simbologia, como por
exemplo a lenda de Jesus Cristo, ser lendário que afirma
sempre que é o mesmo que o Pai. Uma lenda ilustra isto de
maneira muito poética. Diz-se que o profeta Elias caminhava
normalmente quanto viu a face de Deus e foi arrebatado por
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Ele, levado embora deste mundo. Então ele se tornou Metraton,
um Arcanjo. Por isto é dito que em Tiphareth vemos Deus
através do filho, pois não poderíamos vê-lO face-a-face e
continuarmos existindo. O Rei também é um símbolo de
Tiphareth. Aqui os poderes do Rei em Geburah, como guerreiro,
e Chesed, como o Rei assentado, estão unidos em uma mesma
figura. Voltemos à lenda de Cristo para analisar isto mais de
perto. Cristo era revolucionário (lembre-se que ele se opunha a
muitos princípios religiosos da época dele), uma característica
própria de Marte e Geburah; Cristo era senhor de si, falava com
certeza e se dizia portador de uma mensagem vinda
diretamente de Deus, o Rei assentado, poderoso e
independente, uma característica de Júpiter (que também
simboliza a filosofia, a espiritualidade e a riqueza) e Chesed. As
duas forças unidas nos dão uma síntese em Tiphareth, o rei
equilibrado. Os símbolos de Tiphareth são o Rei, o Deus
Sacrificado e a Criança. Na lenda de Jesus Cristo nós
encontramos todos estes princípios. Cristo Rei, como aquele
que é Senhor do Mundo (o que poderia ser interpretado como
Aquele que é Senhor da Própria Consciência, alguém que
domina as próprias emoções e sentimentos, exercendo controle
sobre Nephesh e Ruach) é uma expressão por demais
conhecida e perpetuada por seitas e religiões de natureza
cristã. Cristo como Deus Sacrificado se refere ao episódio da
crucificação. Cristo Criança deve ser buscado em sua
simplicidade infantil, e na sentença que aparece nas lendas dos
Evangelhos: “Só os pequeninos entrarão no reino de Deus”.
Nesta seqüência de símbolos há ainda muito mais, há mesmo
uma descrição da própria estrutura da Magia Ritual e do
Misticismo, e também da estrutura da Magia Sexual. O Rei,
simboliza o pênis ereto; o Deus Sacrificado, o pênis flácido
depois do ato sexual; a Criança, o próprio resultado da
operação de Magia Sexual: algo nasce no mundo, algo mudou –
e Magia é sobre mudanças.
O Sol, planeta desta Sephirah, simboliza a carreira pessoal, o
poder sobre si mesmo, o brilho pessoal (o que nos leva ao
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sucesso profissional), o dinheiro em si mesmo, o Ego e seu
domínio.
As Sephiroth seguintes (7, 8, 9) formam o triângulo astral.
Este “astral” se refere às forças que modelam nosso mundo,
nosso corpos.
A sétima Sephirah é Netzach, à qual está ligado o planeta
Vênus. Esta é a Sephirah das emoções e sentimentos. O
caminho que liga as Sephiroth 7 e 10 é chamado de caminho
da manifestação corporal, e as emoções realmente afetam o
corpo. Uma descarga de adrenalina, causada por medo, pode
provocar mudanças rápidas e bastante fortes em qualquer um
de nós. O planeta Vênus é o planeta do romance, das parcerias
(inclusive parcerias comerciais, como, por exemplo, a união de
duas empresas), dos relacionamentos, do casamento e namoro.
Mas nem só estas emoções estão ligadas a Netzach, mesmo as
emoções que pareçam negativas estão ligadas a esta Sephirah.
Ódio, pânico (que é está mais para uma expressão
desequilibrada de Marte nas emoções, afetando-nos através de
irradiação em Netzach) também estão ligados a desequilíbrios
nesta Sephirah (as vibrações das Qliphoth, as moradas dos
demônios). A Beleza é um atributo de Vênus e, por
conseqüência, de Netzach. Pintura, dança, música, tapeçaria,
tecelagem, caligrafia, poesia, escultura, design gráfico,
diagramação e arte final, bem como todas as artes, estão
ligadas a esta Sephirah.
A Sephirah número 8 é Hod, à qual está ligado o planeta
Mercúrio. Pensamentos, comunicação (incluindo novos meios de
comunicação como fax, internet, intranet etc), visualização,
livros, tv a cabo, satélites, computadores, tecnologia, ciências
exatas (as humanas estão mais para Netzach) estão todos
ligados a esta Sephirah. O correio também é um símbolo desta
Sephirah. Mercúrio é um planeta ligado aos deuses da
comunicação, como Hermes.
Uma coisa que eu acho muito interessante é a amplitude da
Árvore da Vida, ela pode ser adaptada a qualquer sistema
sempre nos auxiliando a manter nossos arquivos de
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informações bem ordenados. Mesmo o Espiritismo cabe dentro
deste sistema de armazenagem e controle de informação. A
mediunidade, o contato com os espíritos, é uma coisa que cai
bem na Árvore da Vida. Mediunidade pela escrita e pela mente
é um atributo de Hod; mediunidade pelos sentimentos e
sensações é um atributo de Netzach; mediunidade por atos
físicos é uma manifestação de Malkuth, a última Sephirah da
Árvore da Vida.
A próxima Sephirah do Triângulo Astral é Yesod. A ela estão
ligados a Lua e o inconsciente. A Lua é uma satélite, e sua
influência sobre os mares é por demais conhecida. Assim como
a Lua atrai a água e muda as marés, também o inconsciente
inferior (Nephesh) provoca mudanças nas pessoas (a propósito,
a água é um símbolo comumente associado ao inconsciente).
Feminilidade, maternidade, concepção, gravidez, nascimentos,
popularidade, poderes psíquicos, clarividência, intuição (poderes
muitas vezes associados à mulher, o “sexto sentido feminino”),
água, rios e mares são coisas associadas à Lua e, por
conseqüência, a Yesod. A cor de Yesod é o violeta, o que nos
lembra a luz ultravioleta e nos leva a visão do “invisível”,
clarividência. Yesod é o Fundamento, lembrando que todo ato
mágico – para produzir mudanças no mundo – deve de
fundamentar nas forças astrais, ou, mais propriamente, no
inconsciente. Uma das coisas mais importantes ligadas a Yesod
é o sexo, Yesod é a morada do sexo.
A última Sephirah da Árvore da Árvore é Malkuth, que –
conforme a Tabela 4 – significa Reino. É o plano físico, mas não
só isso, é também a Manifestação. É o plano da realização. Se
em Kether está a origem, em Malkuth está a realização daquela
força. No sentido de plano físico Malkuth é uma advertência,
pois todo ato mágico tem que ter uma concretização. Quando
uma experiência pessoal não é concretizada em Malkuth algo
saiu errado, a força não pode obter sua verdadeira forma, e a
energia ficou perdida. A energia perdida em um ato mágico, a
energia que não encontrou seu reino de realização, volta-se
contra o operador, tem que ser reabsorvida. Muitas vezes esta
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energia não é corretamente absorvida, e então as coisas “saem
dos eixos”. Se a praticante é capaz de reabsorvê-la então as
coisas podem sair bem, caso contrário a Magia dá errado, e se
volta contra o operador. É este desconhecimento da
necessidade de manifestação dos atos mágicos que provoca
muitos problemas para os iniciantes, e faz a Magia ter fama de
coisa ruim. Realmente, se a pessoa não tomar os devidos
cuidados a coisa pode ser muito ruim; azares repentinos e
perdas inexplicáveis são lugar comum para os desavisados que
tentam brincar com estas poderosas forças espirituais (não
interprete isto como “Magia é coisa sem graça”, porque Magia é
muito divertida e alegre, mas não uma brincadeira idiota).
Malkuth representa as forças dos elementos: Terra, Fogo,
Água e Ar.
O resultado do trabalho mágico deve ser uma luz tomando
forma em Malkuth, e a cor de Malkuth é o preto. Da luz pura de
Kether até a manifestação de Malkuth. É notório que a mesma
cor de Binah é a cor de Malkuth, mas enquanto Binah é
absorção, Malkuth é concretização.
Agora seguem algumas Tabelas com importantes
informações sobre os diferentes atributos das Sephiroth, elas
serão úteis para a construção de Sigilos, mas muito mais úteis
para a construção de Servidores.
A Figura 2, após as tabelas, é um resumo da relação entre
planetas e Sephiroth.
Sephiro
th
Armas
Mágicas
Lugare
s
Sagrados
Nomes
Sagrados
Aroma
s
Kether Coroa O
Templo
Interior
Eheieh Amênd
oa,
Camomila
Chokm
ah
Bastão, Pênis As
Esferas
IHVH Alecrim
, Tutti34
Celestiais frutti
Binah Taça,
Triângulo, Vagina
O
Grande
Mar
IHVH
Elohim
Mirra,
Enxofre,
Confrei
Chesed Bastão,
Pirâmide
O
Templo do
Amor
El Amênd
oa, Noz
Moscada
Gebura
h
Espada,
Açoite, Corrente
O
Templo do
Poder
Elohim
Gibor
Piment
a
Tiphare
th
Rosa-Cruz,
Jóia Peitoral,
Cruz do Calvário
A
Montanha
da Alma
IHVH
Eloah ve
Daath
Rosas,
Mel,
Girassol,
Canela
Netzac
h
Sino, Óleo O
Jardim da
Beleza
IHVH
Tzabaoth
Verben
a, Maçã
Hod Livro Sagrado,
Pena(de escrever
ou de animal)
A Casa
dos
Encantame
ntos e
Ilusões
Elohim
Tzabaoth
Alecrim
, Cânfora
Yesod Sandálias,
Avental
O Vale
Secreto
Shadai
El Chai
Dama
da noite,
Alfazema
Malkut
h
Altar Cúbico,
Moeda, Cruz de
Braços Iguais
O
Prado dos
Prazeres
Adonai
ha Aretz
Sândalo
Tabela 6
Nota: As rosas têm sua simbologia primariamente ligada à
Tiphareth. As rosas brancas representam o princípio Criança, as
rosas vermelhas representam o princípio Deus Sacrificado, as
rosas amarelas o Deus Coroado, ou Homem Rei.
35
Sephirot
h
Pedras Metal
Kether Quartzo Vidro
Chokmah Quartzo fumê Sílex
Binah Turmalina
negra e pedras
pretas e seixos
de rios
Chumbo
Chesed Safira e
pedras azuis
Estanho
Geburah Rubi Ferro
Tiphareth Topázio
amarelo e pedras
amarelas
Ouro
Netzach Esmeralda Cobre
Hod Mercúri
o
Yesod Pérola Prata
Malkuth Obsidiana Aço
Tabela 7


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