LIVRO SS - Um Manual Prático de Magia - parte 4


combustíveis. Imagine vividamente o Pentagrama no ar, como
uma luz incandescente branca azulada.
A direção do traçado é mostrada na figura 4.
Figura 4 (http://www.hermeticsoft.com/images)
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Depois de ter realizado o primeiro Pentagrama, voltado para
o Leste, você deve desferir um golpe no ar, como se estivesse
enviando energia para o centro do Pentagrama – e você está.
Então vibre o nome divino IHWH (iód, ré, vau, ré). Você deve
vibrar, e não simplesmente pronunciar a palavra como numa
conversação usual. Abaixe a voz e o tom dela, tornando-a um
pouquinho – e apenas um pouquinho – mais grossa, sem se
esforçar muito. Vibre demoradamente cada sílaba. Imagine que
a força do nome passa através no centro do Pentagrama e
atinge o Infinito.
Ainda mantendo sua mão direcionada para o centro do
Pentagrama gire em direção horária para o Sul, pare em frente
ao Sul. Neste processo imagine um cordão de luz, com as
mesmas qualidades do Pentagrama, que parte do centro do
primeiro para o centro de um segundo que agora será traçado.
Trace um Pentagrama idêntico em direções e qualidades ao que
foi traçado no Leste. Faça o mesmo movimento com um
impulso em direção ao centro do Pentagrama enquanto, ao
mesmo tempo, começa a pronunciar o nome divino Adonai
(adonaiiii). Mantenha novamente a mão estendida em direção
ao centro do Pentagrama.
Vá para o Oeste, desenhando outra faixa curva de luz a
partir do Pentagrama que foi desenhado no Sul. Desenhe outro
Pentagrama com as mesmas direções e qualidades dos outros
dois e faça o movimento em direção ao centro do Pentagrama
vibrando o nome divino Eheieh (erreiê).
Execute o mesmo processo de traçar uma luz entre o centro
de um Pentagrama e outro, e vá para o Norte. Ali trace o último
Pentagrama com as mesmas direções e qualidades dos outros
três. Golpeie o centro dele vibrando Agla, nome do último
Arcanjo a ser invocando no Ritual e que significa “Luz de Deus”.
Trace um novo rastro de luz a partir do centro no
Pentagrama do Norte até o centro do Pentagrama do Leste, que
foi o primeiro a ser traçado; este processo cria um círculo de luz
entre e a partir no centro dos Pentagramas.
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Estando de frente, novamente, para o Leste, abra os braços
e diga: “à minha frente Raphael, atrás de mim Gabriel, à minha
direita Mikael, à minha esquerda Uriel”. Feche os braços e sinta
a presença dos Arcanjos, então diga: “à minha volta flamejam
os Pentagramas, na coluna brilha a estrela de seis pontas”.
O “el” deve ser pronunciado como o “el” em espanhol, este
“el” é a sílaba forte em todos os nomes divinos usados no
Ritual menor de Banimento do Pentagrama. Raphael é um
Arcanjo, uma representação de um poder especial da divindade
– seja ela interna ou externa – e significa “Cura de Deus”, o
final “el” significa Deus. Mikael, outro Arcanjo, significa “Aquele
que é igual a Deus”. Gabriel, nome de outro Arcanjo e que
significa “o Forte, ou Poderoso, de Deus”.
Você deve se esforçar para compreender o nome dos
Arcanjos, pois até mesmo eles são símbolos; é a força por
detrás deles que você está invocando. E é também importante
que você faça uma distinção entre invocação e evocação. A
invocação traz energias superiores e também é chamada
canalização, o Mago tenta ser um canal para aquelas forças
grandiosas e sagradas e expressá-las, tenta despertar
qualidades especiais em si mesmo. A evocação trata de seres
que são comandados pelo Mago – comandados e não
escravizados como algum livro pode dar a idéia de ser – não há
uma identificação com o ser. A evocação é a base para a
criação dos programas especiais do inconsciente que serão
discutidos no Livro Segundo, intitulado Servidores. Na
invocação o Mago cria formas para despertar e expressar uma
energia interna, na evocação ele utiliza a sua forma – ou uma
forma invocada para trazer força a um determinado “ser”.
Mantenha sempre esta diferença entre invocação e evocação
em mente ao ler livros que possam parecer estranhos, como a
Chave de Salomão. Naqueles livros pode-se encontrar uma
gama de variados nomes de demônios, mas, se você tiver em
mente que todo trabalho de Magia começa dentro do homem
para depois se manifestar no mundo, então você entenderá que
aqueles seres estranhos são personificações de padrões
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internos. Claro que estes padrões também existem fora de nós,
dentro dos outros e, se levarmos para a prática efetiva a norma
poética que diz que somos todos Um, então será possível
entender que alguns seres especiais contêm muita energia,
sendo existentes ou não.
Uma outra questão das imagens mágicas é o acúmulo. Se
você fizesse um depósito de um décimo de unidade (0,10) por
dia numa conta de banco tria 3 unidades completas ao longo de
um mês. Se continuasse isto com disciplina teria 36 unidades
por ano. Em 50 anos teria 1800 unidades – e isto sem levar em
conta os juros, se você tivesse feito um investimento. O mesmo
acontece com as imagens mágicas. Ao serem usadas ao longo
de séculos elas acumulam poder, não no sentido comum de que
elas por si só possam realizar algo; mas elas se tornam
unidades cada vez mais especializadas para representar uma
determinada energia. É como se fosse estivesse tentando
formar uma biblioteca num computador. No começo uns poucos
títulos, depois a coisa vai aumentando. E, quando ela estive
enorme, ou algum tipo de arranjo ou ordem é criado, ou a
biblioteca se torna uma confusão que necessita ser ordenada.
Na natureza isto acontece o tempo todo, do caos para a ordem.
Só que sem caos não haveria necessidade nem motivo para
uma nova ordem. A compreensão direta do poder não é algo
para a mente racional, a quantidade de informação é muito
grande; é algo para a mente intuitiva, para um outro tipo de
compreensão, uma compreensão do sagrado (por favor, não
interprete sagrado como dogmático). Assim novas informações,
novos estilos de vida e novos comportamentos são agregados
por imagens mágicas que se tornam um mecanismo de
acesso para o poder em si. Quando um grupo de pessoas
começa a trabalhar com determinadas imagens mágicas por um
longo tempo, eles criam poder e significado para aqueles
símbolos, e criam um corpo inteiro de conhecimentos. Este
corpo inteiro de conhecimento é chamado Egrégora. Há uma
egrégora cristã, uma egrégora maçônica, uma egrégora
mórmon, uma egrégora da Cientologia. A egrégora não trabalha
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apenas como um centro de imagens, mas comumente é a força
por trás das ordens secretas, daí o porquê das ordens fazerem
tanto alarde quanto à necessidade do segredo entre os
membros. Este segredo cria tensão dentro do poder da
egrégora, é uma nova informação. Se a informação é secreta
deverá ser preservada, bem como aqueles que possuem o
segredo. Infelizmente nem todas as egrégora são boazinhas,
algumas podem ser bastante nocivas. E tome cuidado ao tentar
criar uma, pois os criadores terão que reencarnar dentro da
egrégora – se a egrégora se tornou um campo de trevas e
sangue, então os criadores terão que sofrer as conseqüências
dos atos desequilibrados de seus membros.
As imagens mágicas dos Arcanjos são usadas há pelo menos
dois milênios, o que é bastante tempo para se especializarem
em muitos assuntos. Além disso as imagens de Arcanjos, Anjos,
Espíritos e Demônios usadas na Qabalah são símbolos de
determinados poderes.
As imagens que são usadas nos Rituais possuem formas
específicas – e mesmos estas variam de ordem secreta para
ordem secreta. Um meio interessante de visualizá-las é da
seguinte maneira.
O Arcanjo Raphael é visualizado como vestindo um longo
vestuário (como nos quadros renascentistas) amarelo, com
reflexos em malva (este brilho é como aqueles de tecidos que,
contra a luz, parecem ter uma segunda cor). Ele possui cabelos
loiros e encaracolados Estes reflexos são como aqueles de
tecidos brilhantes. Ele está suspenso no ar e em suas mãos traz
o caduceu (as duas cobras de ouro enroladas em torno de uma
vara de ouro), símbolo da cura e da medicina. Uma brisa deve
ser sentida vindo dele, a brisa movendo sua roupa, vindo até
você e levando embora todo desconforto e pensamento
negativo, dando claridade para seus pensamentos.
O Arcanjo Mikael é visualizado usando uma capa vermelha,
ou novamente um longo vestuário vermelho com reflexos
verdes. Ele possui os cabelos ruivos energicamente penteados
para trás. Está suspenso acima do fogo, mas não um fogo que
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representa perigo e, sim, um fogo que representa divindade.
Possui na mão direita uma espada de aço bem polido. Ele a
ergue e você sente um calor delicioso, curador e enérgico. Cada
visualização deveria ser sentida como uma bênção, você sendo
abençoado por cada um dos Arcanjos que invocou – ou, melhor
dizendo, pela energia que eles são, e que está além da própria
imagem, que deveria ser interpretada como parte da invocação
e afirmação da presença dos poderes que eles são.
O Arcanjo Gabriel é visualizado em vestes azuis, com
reflexos laranja. Possui os cabelos castanho-claros soltos ao
longo dos ombros, levemente ondulados (como pequenas
ondas de água sobre um lago). Atrás dele está uma cachoeira
belíssima, pela qual a água corre cristalina. Ele segura nas
mãos um cálice, o Santo Graal, cheio de água. Ele eleva o
cálice, que ele trazia próximo ao peito, para cima da cabeça
dele; então você sente que a água da cachoeira começa a
encher a sala onde o Ritual Menor de Banimento do
Pentagrama está sendo realizado.Você sente que aquela água
sagrada traz pás e purifica seus sentimentos.
O Arcanjo Uriel é visualizado em vestes dividas em quatro
cores: preto, amarelo, verde-oliva e marrom. Visualize-as como
se fossem véus colados harmoniosamente sobre o corpo de
Uriel. Ele traz nas mãos um cesto de palha ou vime, com frutas
maravilhosas (maçãs vermelhas, bananas sem nenhuma
mancha, uvas vermelhas e verdes) enfeitadas com ramos de
trigo em toda a volta da cesta. Ele está sobre uma plantação de
trigo. Você sente firmeza vindo dele, fertilidade emanando –
como a fertilidade que há no solo cheio de trigo refletindo a luz
do Sol.
Estes são os símbolos dos nomes divinos, e devem ser
visualizados imediatamente após a vibração do nome de cada
Arcanjo.
Os nomes divinos usados para purificar através dos
pentagramas também possuem significados.
Ao Leste o nome é IHVH, o nome sem vogais e,
conseqüentemente, impronunciável de Deus. Uma lenda diz que
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se o nome fosse corretamente pronunciado todo o Universo se
extinguiria e começaria de novo. Isto deve ser compreendido
em termos de símbolos. O Ritual Menor de Banimento do
Pentagrama é uma espécie de bênção, mas também um
exorcismo contra as coisas indesejadas. Assim o Ritual purifica
e renova o Mago, dando-lhe um novo alento. A questão da
morte já foi discutida em relação com sua ligação com o sexo.
Morre-se para uma situação e se renasce para outra. Assim a
pronúncia do nome cria o que você verdadeiramente é, as
aspirações mais altas que você possui. Este nome de Deus é
uma palavra de renascimento, e cada nome de Deus dado a
seguir é uma parte do processo da Vida, Luz, Amor e Vontade.
Este nome de Deus também está ligado aos quatro elementos,
e aos quatro mundos, e isto é como uma antecipação para o
equilíbrio das forças elementais do fogo, terra, água e ar. I, a
letra hebraica Yod, representa o Pai. H, He, representa a Mãe.
V, Vau, representa o Filho. O H final representa a Filha. O Pai
representa o Fogo; a Mãe, a Água; o Filho, o Ar; a Filha, a
Terra. O conceito do Fogo está ligado à Vontade; Água, ao
Amor; Ar, à Luz; Terra, à Vida. O nome IHVH possui quatro
letras, e 4+3+2+1 é igual a 10, as dez Sephiroth da Árvore da
Vida.
O nome vibrado no Sul é Adonai que significa Senhor, ou
meu Senhor. É um símbolo de energia, como quando se diz que
alguém é senhor de si. O Sul é o lugar onde está o Fogo, e o
conceito de Fogo está ligado à Vontade. Assim como o Senhor
faz sua vontade prevalecer sobre o servo, o homem deveria
descobrir sua Verdadeira Vontade, a essência de seu Coração, e
ser senhor de si com aquilo que descobriu. Isto é poder e
vontade, especialmente sobre si mesmo.
O nome vibrado no Oeste é Eheieh. É a conjugação do verbo
ser em hebraico, e pode tanto significar “Eu Sou” quanto “Eu
Serei”. Se nós lembrarmos que a água é a origem da vida
entenderemos melhor esta duplicidade. “Eu Sou” é o resultado
da geração, e “Eu Serei” é a geração em estado latente. O
conceito de Amor está ligado à Água, bem como os
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sentimentos. Assim o “Eu Sou” é como se você estivesse
dizendo “eu mando em meus sentimentos, não adianta querer
me irritar”. Amor, em um sentido mais alto.
Ao Norte o nome de Deus é Agla. Agla é uma sigla para o
hebraico Atah Gebur Le-Olahm Adonai, que significa “Tu és
Grande (ou Poderoso) para sempre, meu Senhor”. Este ser para
sempre é um sinal de firmeza, de manutenção, características
da Terra. Esta capacidade de manutenção e vida que a Terra
possui é que acabou por lhe dar o nome – muito conveniente –
de Mãe Terra, representando o poder de manutenção e
fertilidade que o solo possui. O elemento Terra está ligado ao
conceito de Vida, o para sempre é um conceito que se
assemelha a Vida Eterna.
O pentagrama também possui muitos significados especiais.
Para entendê-los é preciso primeiro dar uma olhada em um
método qabalístico de interpretação. Neste método, que se
chama Guematria, faz-se um estudo numérico da palavra. Isto
não tem nada a ver com a superstição de que os números de
seu nome e de sua data de nascimentos têm influência decisiva
sobre a sua vida, o que não passa de uma atitude derrotista (O
que aconteceu com a Vontade? Será que o Amor é definido por
números, e não pela sua Alma? E a Luz que há em você, será
ela limitada pela data de seu nascimento? E a Vida, será que o
número da sua casa pode realmente lhe dar algo que está
somente dentro de você?). Esta interpretação é uma correlação
entre letras e números, pois, em Hebraico, cada letra possui um
número, e cada palavra um número que é o resultado da soma
de suas letras. Partindo das relações métricas entre as partes
do Pentagrama chega-se a determinadas palavras que revelam
o sentido desta figura geométrica. Conceitos como cura,
imaginação, saúde, união e amor são representados por esta
figura. O Portão é uma sentença que surge da relação entre
diferentes partes do Pentagrama. Verbos como queimar e
transformar também estão contidos no símbolo do Pentagrama.
E a frase “IHVH é um” é uma das coisas que se pode conseguir
com a relação entre números e palavras em Hebraico.
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Por fim deveria ser visualizado um cinturão, ou círculo de luz,
à sua volta, sendo aquela luz que você imaginou ligando os
pentagramas que desenhou no ar. Este círculo é um círculo
mágico que lhe protegerá durante os rituais de intromissões
indesejadas e, se foi bem executado, até mesmo de
intervenções humanas. Só não pense que ele lhe fará invisível
se você decidir realizar um ritual no meio da rua em plena
segunda-feira movimentada. Há um símbolo que deve ser
visualizado sobre a cabeça, uma estrela de seis pontas. Ela
representa a ligação entre o Céu e a Terra, entre você e suas
aspirações. É claro que é um símbolo de iluminação. Um outro
pentagrama pode ser visualizado no peito (depois de você já ter
visualizado a estrela de seis pontas, o Hexagrama, sobre a
cabeça, e tendo deixado de visualizá-lo), e um Hexagrama nas
costas, sendo que o triângulo que aponta para cima é vermelho
(Fogo) e o que aponta para baixo é azul (Água). Este
Hexagrama de duas cores representa o conceito de “Amor sob
Vontade”, o triângulo da Água representando o Amor, e o do
Fogo representando a Vontade. Deve ser mantida em mente a
vibração dos quatro pentagramas ao redor e a imagem do
Pentagrama à frente do peito e do Hexagrama atrás das costas
deve ser mantida firmemente. Esta visualização faz surgirem 31
pontas, que – pela Guematria – forma o nome divino AL (el)
que significa Tudo, e também o nome LA, que significa Nada.
Isto é um paradoxo, uma palavra que a ciência moderna parece
adorar. 3+1 é igual a 4, que nos remete as quatro letras do
nome IHVH, e ao equilíbrio entre os quatro elementos. Esta
visualização das duas estrelas a mais é o meu método
preferido, mas não o único ao qual eu me atenho – muitas
vezes eu não visualizo estas duas estrelas a mais e os
resultados são os mesmos.
Meditar sobre estes conceitos pode expandir o seu
entendimento deste símbolo mágico. Ele pode ser entendido
como o portão para a unidade com Deus. A cura de sua alma. A
cura de seus conceitos. A expressão do Amor e da Vida. O
queimar as energias negativas que estejam à sua volta. E ele
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também deve ser entendido dentro do contexto do Ritual. Ele é
usado para colocar as energias em equilíbrio e colocar você no
centro do Universo e do Mundo. Este centro do mundo é
chamado Axis Mundi, o Eixo do Mundo. Você no eixo de si
mesmo e de usa própria vida. Poderia haver uma melhor
maneira de purificar um espaço e começar um Ritual?
O Ritual do Pentagrama bane conceitos como medo bobo.
Note que Ele possui cinco pontas e cindo é o número da
Sephirah Geburah, e que um outro título de Geburah significa
Medo.
O Ritual Menor de Banimento do Pentagrama é usada antes
e depois de qualquer ritual. Quando é usado antes deveria ser
feito com um espírito de solenidade, como se algo grandiosos
estivesse para acontecer. Ao final deveria ser sentido como se
as coisas estivessem voltando ao normal, e também o ritual
sendo canalizado para sua realização, uma afirmação de que o
ritual chegou ao fim e uma expectativa de que as coisas vão dar
certo.
Ele também pode, e deve, ser utilizado sempre que possível.
No período de treinamento ele pode ser realizado duas ou três
vezes por dia. Realize-o ao acordar e ao deitar-se para dormir.
Ou só uma vez por dia se você só puder fazer assim.
Ele tem um uso psicológico que é o realinhamento e
equilíbrio, você deveria se centralizar nestas qualidades do
Ritual Menor de Banimento do Pentagrama e realizá-lo com
freqüência.
Há outros rituais de banimento e nada proíbe que você os
utilize e, depois de adquirir suficiente experiência, os adapte
para que eles ficam de acordo com o que você pensa. Só não
tente fazer mudanças prematuras no Ritual Menor de
Banimento do Pentagrama sem entender o porquê de estar
fazendo elas. Mas uma coisa você deveria fazer: expandir os
conceitos, entender cada vez mais profundamente as diferentes
partes do ritual e torná-lo algo vivo.
Não se esqueça de anotar o Ritual em seu diário cada vez
que executá-lo, sempre descrevendo suas sensações (mesmo
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que um dia tenha que escrever “não senti nada”, escreva; e
escreva porque você acha que não sentiu nada). Muitas
expansões podem ser realizadas a partir de suas anotações e,
com o tempo, talvez você queira criar um ritual todo seu
baseado em suas anotações.
Até hoje continuo anotando cada vez que faço o ritual, e me
arrependo pelas vezes em que não anotei a prática.
O ritual serve para protegê-lo da energia negativa de outros.
Se você percebe que o contato com alguém parece minar suas
energias e lhe deixar fraco e indeciso, então realize o ritual
antes de entrar em contato com a pessoa.
Há um uso bastante interessante e bastante útil do Ritual
Menor de Banimento do Pentagrama que envolve o uso de dois
gestos. Este uso especial ajuda a dissipar algo que lhe esteja
perturbando e atitudes negativas que estejam interferindo no
seu dia-a-dia. Para fazer isto há dois passos importantes.
Primeiro você deve fazer uma imagem clara o suficiente e darlhe
o conceito adequado. Digamos que você descobre uma
estranha mania de achar que está sendo perseguido. Faça uma
imagem clara do que você sente. Imagine-se por exemplo, com
uma face assustando correndo e paralise a imagem em sua
mente como se tivesse parado uma cena de um filme que
estivesse assistindo. Certifique a si mesmo o porquê do ritual
que você está para realizar. Fique de frente para o Leste, então
leve ambas as mãos aos lados os olhos, tocando a lateral da
testa, dedos apontando para cima; e mentalize fortemente a
imagem. Dê um passo adiante e, energicamente lance os
braços para frente, você ficará com as costas na diagonal, mas
encaixada adequadamente, e com a perna esquerda, que
avançou um passo, levemente dobrada. No final do movimento
os braços devem estar paralelos ao chão e as palmas voltadas
para o solo, dedos e palma retos. Este signo é chamado de
Sinal de Projeção. Daí você parte, imediatamente após o Sinal
de Projeção para o Sinal de Proteção. Volte o pé esquerdo
próximo ao direito deixe ambos as mãos caírem ao lado,
descansando normalmente ao lado de cada perna.
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Rapidamente, mas não de forma afobada, coloque leve o dedo
indicador da mão esquerda para o lábio inferior; este
movimento é chamado de Signo de Proteção, ele tem a virtude
de evitar que a energia negativa que foi exteriorizada se volte
contra você, protegendo-o. Com estes movimentos você terá
muito auxílio para se livrar de hábitos ou situações ruins.
Imediatamente após a projeção da imagem realize o Ritual
Menor de Banimento do Pentagrama, imaginando que os
pentagramas destroem a imagem fazendo-a se arrebentar em
milhões de pedacinhos que passam a ser energia purificada, o
significado ruim foi destruído. É claro que isto não o fará parar
de fumar logo na primeira tentativa, mas lhe será de um
enorme auxílio se você quiser parar de fumar (por isso avalie se
realmente quer deixar de lado algum hábito antes de executálo).
O cinturão entre os pentagramas pode ser visto como um
círculo mágico que proíbe que aquele hábito ou situação volte a
acontecer com você. Experimente!
Realizado diariamente o Ritual Menor de Banimento do
Pentagrama produz uma barreira de proteção não apenas no
local onde é praticado, mas também em volta do próprio
praticante. Você pode de repente se tornar mais simpático, se
ainda não o é. Pode se tornar mais sorridente, se ainda não o é.
Mas, principalmente, este ritual irá ajudá-lo a se você mesmo.
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Antes dos rituais que serão apresentados mais adiante deve
ser praticado o Ritual Menor de Invocação do Pentagrama.
Enquanto o ritual de banimento purifica, clarifica e protege; o
de invocação, atrai, produz e aumenta a quantidade de poder.
Sempre realize o ritual de banimento antes do de invocação,
caso contrário os resultados podem não ser muito positivos. Um
seguido do outro é apenas necessário para a prática de rituais,
como serão ensinados mais adiante. Para uso diário você pode
usar apenas o de banimento, que não possui contra-indicações.
O ritual de invocação é como um preparo para outros rituais
que serão executados após ele.
Figura 5. Direções do traçado dos pentagramas para banimento e
invocação.
LIVRO PRIMEIRO
SIGILOS
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Introdução ao Livro Primeiro
Nossos antepassados encheram cavernas – paredes e teto –
com desenhos. Num primeiro momento o homem tentou
representar a natureza com fidelidade, tentando mostrar os
detalhes mínimos. Cada vez mais as pinturas se tornaram
sofisticadas, detalhistas. Então, milhares de anos depois, os
homens deram um salto em qualidade na História. Aprenderam
novas técnicas e o manejo de armas mais especializadas,
desenvolveram ferramentas, e as pinturas nas cavernas
decaíram em qualidade. O que antes era uma tentativa de
representar a Natureza tal qual ela é, passou a ser um conjunto
de esquemas geométricos, muitas vezes imprecisos. Mas não
mudou o objetivo das pinturas: elas eram práticas mágicas com
o objetivo de propiciar uma boa caçada ou outras coisas. É
como se o homem descobrisse que a linguagem mágica não era
igual a linguagem que estava desenvolvendo, a Magia falava
por símbolos. É sobre esta forma de Magia, a Magia Sigicular
que trata o Livro Primeiro.
Livros medievais estão repletos de símbolos para serem
usados como talismãs. Alguns são simples figuras que não
funcionam, outros contêm relações numéricas complexas. E há
aqueles que usam palavras de línguas tão diferentes entre si
como o Grego e o Hebraico, para desenhar palavras dentro de
quadrados mágicos. Dentre estes manuais o mais famoso,
certamente, é O Livro da Magia Sagrada de Abramelin, que
ganhou notoriedade nas mãos de MacGregor Mathers (líder da
Ordem Hermética da Golden Dawn e primeiro tradutor do livro)
e Aleister Crowley. Dion Fortune mostra em alguns de seus
livros os problemas que surgiram com adeptos que não sabiam
usar os símbolos deixados como legado por Abramelin, e
acabavam por se dar muito mal. Eu mesmo experimentei os
símbolos e obtive resultados bem abaixo do que esperava.
Gostaria de advertir o leitor de que usei todas as precauções
contidas no livro, e que devem ser seguidas – ou corretamente
adaptadas – para que se evite problemas que possam ocasionar
74
momentos bastante ruins. Mas só haveria uma forma perigosa
de trabalhar com os símbolos? Não haveria uma forma de
alcançar maestria nesta forma de Magia gráfica sem ter que
correr riscos desnecessários? Ora! Os nossos antepassados das
cavernas usaram estes símbolos o tempo todo, e a civilização
não foi destruída. O que se deve evitar é um conjunto de
símbolos que esteja além de nossa compreensão. Por
conseguinte, a saída é criar seus próprios símbolos. Eles têm
uma infinidade de vantagens. Não vêm carregados com uma
enorme massa de conceitos espirituais obtusos que fazem parte
do seu próprio programa de atuação (dê uma olhada no último
capítulo do Livro Zero, onde você encontrará uma descrição
sucinta do problema do acúmulo de conceitos dentro dos
sistemas mágicos). Sendo seus, eles representam vontades
suas e de mais ninguém. Eles estão carregados de mensagens
positivas advindas da própria criação. E são símbolos, a
linguagem do inconsciente.
Antes de partir para o problema de como fazer os seus
símbolos é preciso definir algumas coisas.
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Capítulo 1
Descobrindo o seu interior
Se você tentou os exercícios do primeiro capítulo do Livro
Zero, talvez tenha conseguido alguns resultados. Se não os
tentou, ou se já teve resultados anteriormente com exercícios
deste tipo e deixou-os para tentá-los após acabar de ler todo o
Livro SS, não há mínima importância, porque, de qualquer
maneira, este capítulo lhe será útil e fácil de entender.
Nós mostramos que influências diretas no inconsciente agem
de maneira real, produzindo mudanças no corpo ou na vida de
quem as sofre. Retorne ao capítulo sobre Magia e Alma no Livro
Zero se você tem qualquer dúvida.
Tudo bem! Até aí tudo certo! Mas e se você tentasse
provocar uma mudança no mundo usando a sugestão. Digamos
que você precise perder alguns quilos, talvez muitos (é só um
exemplo, eu mesmo não quero perder os meus quilos a mais) e
comece a fazer sugestões ao inconsciente. Você diz “eu estou
magro, eu estou magro” e descobre que uma outra voz começa
a dizer: “não está e não vai ficar, não está e não vai ficar”. Isto
acontece porque um padrão está interferindo na criação da
mudança. Alguma parte da sua mente, que teve um
aprendizado sobre a delícia que é comer para ganhar uns
quilinhos a mais, começa a interferir na prática. Daí seu próprio
consciente começa a desencorajá-lo e, o que era uma promessa
de um regime bem sucedido, transforma-se em mais um
fracasso. Certamente que a mente racional, consciente, tem um
papel fundamental no atrapalhar a mudança. Você crê que tudo
vai dar errado.
Daí você tem duas saídas: ou luta, e descobre que lutar pode
ser mais difícil do que pensava, ou deixa a coisa toda de lado, e
descobre que deixar a coisa de lado pode ser mais difícil do que
imaginava. Mas e se houvesse uma maneira de algo entrar
desapercebido pelo consciente e pelo inconsciente superficial, e
se tornasse uma semente poderosa dentro de você? E se você
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descobrisse um método para que um desejo passasse
desapercebido e entrasse para prosperar?
O sigilo é a reposta.
77
Capítulo 2
Construindo o Sigilo: a Sigilização
Você descobrirá, depois de aprender um pouco mais sobre o
processo de Sigilização o porquê de os homens das cavernas,
depois de conseguiram um nível mais alto de especialização em
muitas atividades, passarem a fazer símbolos meramente
geométricos do que desejavam, no caso uma boa caça.
Mas os Sigilos não são algo apenas do tempo das cavernas.
O falecido líder da Golden Dawn Samuel Lidell MacGregor
Mathers, contou uma vez ao poeta Yeats (prêmio Nobel e
membro da Ordem Hermética da Golden Dawn), que
desenhava, quando criança, algo que desejava que acontecesse
e a coisa acontecia. A Magia Gráfica é uma técnica instintiva. O
que não quer dizer que simplesmente seguindo os instintos a
coisa irá funcionar, um nível de entendimento é necessário.
Mais tarde um artista – também membro da Golden Dawn, e
depois ligado por um curto tempo a Aleister Crowley – chamado
Austin Osman Spare começou a fazer experimentos com as
técnicas de Magia Gráfica. Ele criava Sigilos o tempo todo e
seus desenhos e pinturas estão cheio deles. E, aparentemente,
ele conseguia ótimos resultados. Ele publicou um livro chamado
O Livro do Prazer (The Book of Pleasure), onde expõe a
técnica que ele teria criado. Ele não diz ser o único criador
desta prática de Magia, talvez compreendendo as antigas bases
históricas desta Arte Mágica. N’O Livro do Prazer fala-se, no
entanto, pela primeira vez abertamente sobre a criação que
alguém pode fazer de seus próprios símbolos mágicos. O
dogmatismo de livros antigos é deixado de lado, mas não a
seriedade do trabalho.
Austin Osman Spare difundiu, através de sua refinada arte,
as técnicas para a construção de Sigilos e métodos de ativação
dos mesmos. E é nele, e somente nele, que muitos escritores
modernos sobre o assunto buscam informação. Estes escritores
muitas vezes – assim como eu – seguem a Tradição Qabalística,
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mas negam qualquer ligação entre Qabalah e Sigilos, dizendo,
até mesmo, que a Qabalah só pode ser usada para criar Sigilos
com nomes de Espíritos, Anjos e Demônios. É claro que, sem
um bom motivo e um bom conhecimento, ninguém deveria
misturar dois sistemas de Magia, a fim de evitar confusão. Mas
a Qabalah de alguns parece ter adormecido no tempo, e eles se
esqueceram de que ela é uma construção humana feita a partir
de erros e acertos ao longo de séculos. Por exemplo, há vários
esquemas da Árvore da Vida, e alguns são somente inúteis. Foi
para tentar corrigir este erro, e mostrar como esquemas de
Magia podem e devem evoluir com o tempo que eu escrevi este
livro. Mas este livro tem um objetivo muito mais importante:
guiar o leitor até a sua própria Alma. Isto não pode ser feito
com dogmas vazios, mas com experiências reais que mostrem
uma outra visão do mundo à nossa volta, e de nossos próprios
interiores. Por isto o Livro Zero começa comentando algo
sobre o nosso interior, depois passa a exercício que deveriam
ser entendidos como coisas reais, como nossa realidade íntima.
Depois de dar esta curta digressão histórica passemos ao
assunto dos Sigilos.
Sigilo é uma palavra que remete a segredo. Assim o sigilo é
uma representação de algo, só que é algo que não é claro para
a mente consciente, então ela não pode se opor ao que está
sendo feito. Mesmo que ela se oponha não haverá uma grande
restrição: um símbolo inteiramente novo, diferente dos símbolos
que ela já possui, está surgindo e, como uma criança que
desperta o carinho de todos, este símbolo inteiramente novo
desperta o interesse das profundezas da mente.
Você tem que seguir alguns passos para criar seus próprios
símbolos:
1.Ter um objetivo em mente.
2.Descrever o objetivo de maneira clara.
3.Criar uma representação do objetivo.
4.Dar poder ao símbolo.
5.Esquecer tudo o que fez e seguir calmamente.
Ter um objetivo em mente
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Você precisa saber exatamente o que quer fazer com o uso
de um símbolo mágico. Ou você quer água, ou quer fogo;
porque água e fogo juntos já é uma outra coisa. Você quer um
carro? Ou quer a pessoa que iria conquistar com ele? Você quer
dinheiro? Ou quer as experiências sexuais que ele poderia
trazer?
Talvez você queira muitas coisas diferentes, mas certamente
algumas você não deseja. Enquanto outras podem ser algo que
faz sua alma vibrar de alegria só em pensar nelas. É nestas que
a coisa se torna pior; parece que elas sempre estão longe. Você
quer trabalhar como designer gráfico, mas continua sendo
varredor de ruas? Talvez você precise, primeiro definir os meios
de tornar um designer gráfico, como aprender a usar
determinados programas de computador. E há também o
problema de pôr idéias em prática – centenas de best sellers
nunca saíram da mente de seus autores. É preciso ter objetivos
claros, de nada adianta querer ganhar na loteria e fazer uma
centena de práticas mágicas para que isto ocorra; seria melhor
criar um símbolo para atrair boa sorte, ou para atrair um plano
para ganhar mais dinheiro; dependendo de qual destes desejos
você quer – talvez os dois, mas faça-os em separado.
Este desejo deve ser um objetivo, mesmo que seja apenas
um teste. Testes simples são encorajados, e foi assim que eu
comecei. Deseje ouvir uma determinada música no rádio, e
você vai acabar ouvindo-a. Se você ligou na hora certa para
ouvi-la, ou se uma força misteriosa fez com ela tocasse na hora
em que você trocou a estação de rádio, não tem a mínima
importância – de qualquer forma o Sigilo funcionou.
O objetivo deve ser claro, ainda que simples. Eu desejo
comer um salgado, não parece uma boa coisa, devem existir
centenas de marcas em países diferentes. Seja mais específico.
Digamos que você, como teste, decida que quer ganhar um
salgado, uma bolinha de queijo; então você deve criar uma
sentença adequada ao fim almejado.
É claro que estes usos mundanos do sigilo não são a única
utilidade que eles possuem. Livrar-se de um hábito, deixar de
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lado uma mania, ou encontrar algo perdido, são apenas
algumas das muitas possibilidades. Ser mais corajoso e mais
eficiente podem ser desejos altamente úteis, se você necessita
deles.
Se quiser ser corajoso tente ser específico. Se quiser ter
mais coragem para apresentar um projeto no meio de uma
reunião, crie um sigilo para isso. Auto-sugestão raramente é
efetiva em alguns casos; onde você precisa de mais calma para
agir, ficar se sugestionando a não ter medo pode ser bastante
difícil ou até mesmo uma fonte de tensão. Imagine-se pela
manhã levantando nervoso e começar a declarar “eu vou ser
desembaraçado, eu vou ser desembaraçado”, não parece uma
boa opção. Daí a utilidade de um pensamento entrar
desapercebido pelo consciente e pelo inconsciente superficial,
ele entrará sem ser visto e somente a fonte de poder que há
em nosso interior irá saber do que se trata. Lembra-se do
estranho axioma de que as mulheres não possuem alma?
Lembra-se de que elas são puro espírito e a própria essência da
Magia e da Religião? É aqui que este axioma ganha uma força
extra. O poder do espírito não pode vir pelo raciocínio (que
seria interpretado, simbolicamente, como masculino), mas tem
que ser contatado diretamente, pois, como puro espírito possui
todas as possibilidades de realização, como a mulher possui a
capacidade de geração. Assim esta parte superior de nós
mesmo, Neshamah, essência de nosso Sagrado Anjo Guardião,
possui todas as capacidades, desde que saibamos como acessálas.
Descobrimos que a linguagem do Eu Superior é o símbolo,
então vamos usar símbolos para falar com nós mesmos em um
ponto mais elevados de nossas almas. O Sigilo é o símbolo.
Descrever o objetivo de maneira clara
É preciso descrever o objetivo de maneira clara e eficiente
para que se possa alcançar resultados claros e eficientes. Óbvio
como isto possa parecer, é, comumente uma parte esquecida e
que pode fazer com que o Sigilo falhe.
Este negócio de produzir algo claro está ligado a Árvore da
Vida em estágios na construção do Sigilo. Primeiro deve haver
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um lugar aonde o desejo irá se manifestar, não importando se o
lugar é externo (o ambiente de trabalho por exemplo) ou
interno (a sua alma). Este lugar está ligado a Sephirah Malkuth,
e, sem ele, não há onde o desejo se manifestar. Se você não
sabe que o desejo tem um local de manifestação – que pode
ser uma simples situação, como um relacionamento, ou um
local físico, como uma calçada – então você não tem um
caminho no qual o poder do Sigilo possa se manifestar, não há
objetivo claro. Isto explica um motivo muito comum de falha:
alguém faz um sigilo para encontrar um novo namorado e senta
no sofá em casa para assistir um filme, então aonde o poder do
Sigilo irá se manifestar?
Logo após prover um local claro aonde o desejo irá se
manifestar – não se esqueça que por local eu quero dizer local
físico, local interno ou situação – é necessário saber que
linguagem vamos usar. Entramos em Yesod, conhecida como a
Casa das Imagens. Vamos usar imagens, a linguagem do
inconsciente. E você vai usar símbolos que são seus, só seus.
Isto irá prover uma força extra que é um dos motivos do
sucesso da prática: afinidade. Afinidade é importante em muitas
situações de nossas vidas: nos relacionamentos, nas atividades
profissionais, nas amizades. Sem afinidade a coisa se torna um
pouco mais difícil. Este é um dos motivos do perigo de se usar
símbolos mágicos de livros antigos quando não se tem
nenhuma afinidade com eles. Eles não expressam algo que lhe
diga respeito, você não tem nenhum interesse nas coisas e
forças que eles representam, daí eles – na melhor das hipóteses
– falham, ou – numa hipótese um pouco pior – voltam-se
contra você. Eles se voltam por um motivo bastante simples:
você está recebendo aquilo que depositou neles. Se você os
desenhou com tintas caríssimas e brilhantes, mas não sente
nada a não ser desinteresse, é com esta força de desinteresse
que eles vão se manifestar. Por isso tenha cuidado em usar
livros antigos de Magia, pois os símbolos acumularam forças,
tornando-se unidades especializadas, e precisam ser tratados
com cuidado. É como acessar um site na Internet: você escreve
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o nome do site numa barra de endereços e, se apertar a tecla
certa, o site vai aparecer. Assim funcionam os antigos talismãs.
Eles se tornaram unidades especializadas em um determinado
assunto, então você os desenha de forma apropriada (que
equivale a escrever o nome de um site numa barra de
endereços), e – se souber como – e produz energia (a parte de
apertar a tecla certa pra se dirigir a um determinado site). Claro
que há outros fatores que também são importantes. Em
primeiro lugar o próprio computador, que poderia ser
considerado como equivalente ao local de trabalho do Mago.
Em segundo tem que haver uma maneira de entrar em contato
com as forças espirituais, assim como um computador que
queira acessar a Internet necessita de determinadas
equipamentos. Depois tem que haver um programa para
acessar a Internet, que poderia ser considerado equivalente ao
conhecimento necessário da força que tornará ativo o talismã,
conhecer o programa por trás do talismã. Talismãs simples,
como o dinheiro, também correspondem a estas leis, tente
pensar sobre isto por um momento e você entenderá como o
homem moderno constrói, ainda, seus próprios talismãs tanto
quanto o feiticeiro medieval ou o homem das cavernas. Os
sigilos criados por você mesmo têm a vantagem de acessar o
seu próprio interior, devido à afinidade que você tem com o
símbolo criado. A força a ser contatada diretamente é seu
próprio interior, e o programa usado é o êxtase, cujas técnicas
serão discutidas no item sobre como dar poder ao sigilo. Assim
você permanece mais próximo de você mesmo, e trabalhando
consigo mesmo não corre os riscos de seguir sistemas
espirituais que não entenda corretamente. Isto também
acrescentará mais autoconhecimento, o que, sem dúvida, é algo
importante para alguém interessando em praticar Magia
seriamente.
Voltando a relação entre Sephiroth e Sigilos, a próxima
Sephirah é Hod. Hod está ligada ao pensamento e à
comunicação. Isto é importante: você estará se comunicando
com suas próprias forças espirituais, por isso seu pensamento
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deve ser claro. Digamos que você queira engordar alguns
quilos. Você não deveria escrever algo como “não quero ser
magro”, porque você está enviando uma mensagem diferente.
A expressão “não quero” não apresenta nenhum poder, parece
mais com medo. Isto lembra a Cruz Qabalística, onde foi
discutido que o Poder vem antes da Glória. Antes que a glória
seja alcançada é preciso encontrar uma frase de poder, uma
frase que contenha poder sem, necessariamente, ser brusca. A
segunda parte da expressão do desejo também contém um
problema, se alguém quer deixar de ser muito magro porque
escreveria magro em uma sentença; novamente a frase tão
somente é uma declaração dos medos internos, algo melhor
deve ser buscado. Uma opção interessante seria “eu vou
engordar 5 quilos”. Simples e direta, esta outra frase contém as
qualidades adequadas ao desejo. “Eu” porque o poder do Sigilo
irá se manifestar em você. “Vou engordar” possui dois
importantes fatores, em primeiro lugar é uma declaração do
que a pessoa quer, e não do que ela não quer, ela está
almejando uma solução; em segundo lugar a palavra “vou”
exprime quase uma certeza, uma intenção muito forte. E a
parte final da frase é específica: “5 quilos”.
Depois de ter uma frase adequada declarando o que você
realmente quer, é preciso entrar na Sephirah Netzach, para
criar uma representação do desejo.
Criar uma representação do objetivo


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