KRYSTOS MEYER
Um Manual
Prático de Magia
LIVRO SS
LIVRO SS
Um Manual
Prático de Magia
KRYSTOS MEYER
ÍNDICE
Introdução
Livro Zero: Magia, Alma e Mundos
Capítulo 1: A Magia e a Alma
Capítulo 2: A Árvore da Vida
Capítulo 3: Os Quatro Mundos
Capítulo 4: Técnicas Básicas da Magia
Relaxamento
Concentração
Respiração
Rituais de Purificação
Livro Primeiro: Sigilos
Introdução ao Livro Primeiro
Capítulo 1: Descobrindo O Seu Interior
Capítulo 2: Construindo o Sigilo: a Sigilização
Ter um objetivo em mente
Descrever o objetivo de maneira clara
Criar uma representação do objetivo
Dar poder ao símbolo: entrando em estados alterados de
consciência: as técnicas espirituais do êxtase
Esquecer o que fez e seguir calmamente
Capítulo 3: A Estrutura do Milagre
A teoria do caos e as leis da Física e suas relações com a Magia
Sigicular, também sobre os sistemas de interpretação
Livro Segundo: Servidores e Espíritos Funcionais
Introdução ao Livro Segundo
Capítulo 1: A Construção dos Poderes
Capítulo 2: Construindo Servidores
Delinear claramente o objetivo
Construir um esquema de símbolos
Criar uma forma
Desenvolver um ritual de evocação
Criar energia
Ativar o Servidor através do uso
Desativação do Servidor
Capítulo 3: Criando um Livro Mágico com nomes dos Espíritos
Adendos
Teurgia e Taumaturgia
Porque este livro se chama Livro SS?
Dos rituais deste livro
O Ritual do Pilar do Meio
Visualização
Dinheiro e Magia
Trevas e Luz
Estudos posteriores
O que a Magia Sigicular realmente faz?
A Lei do Mais forte
Coloque a imaginação pra funcionar
A diferença do uso de Sigilos e Servidores
O significado do Sigilo na capa deste livro
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Introdução
Nossos antepassados do período Neolítico Superior, há cerca
de 40.000 anos encheram cavernas - paredes e teto - de
desenhos representando cenas de caçadas, de armas atingindo
animais como bisões e renas. Diferentemente do que
aconteceria hoje em dia, as cenas retratadas pelos nossos
antepassados não são de acontecimentos diários, como um óleo
sobre tela, mas uma prática de Magia com a finalidade de
propiciar uma boa caçada. Em outras palavras eles não
pintavam cenas do passado, mas cenas do futuro.
É sobre esta forma de Magia que se trata o Livro Primeiro:
a Magia gráfica.
Para praticar esta forma de Magia você não terá que
comprar roupas e acessórios esotéricos caríssimos,
simplesmente aprenderá a por em prática algumas coisas
importantes em qualquer prática mágica verdadeira. Aprenderá
como:
- relacionar-se com os imensos poderes do inconsciente;
- entrar em estados alterados de consciência e usá-los para
finalidades mágicas;
- criar seus próprios símbolos mágicos para alterar seu
comportamento e a direção de alguns acontecimentos em sua
vida;
- criar um espaço e momento mágicos;
- limpar astralmente o ambiente em que se encontra através
de métodos especiais;
- descobrir e realizar aquilo que quer.
Além de técnicas de concentração e meditação, e conceitos
básicos sobre Magia.
Aprenderá na terceira parte a:
- criar seres espirituais que atuam como programas de
computador para criar mudanças positivas à sua volta;
- entrar em contato e utilizar inteligentemente as forças de
seu interior através da construção de espíritos;
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- criar seu próprio livro mágico com nomes de espíritos e
suas funções para utilizar nos momentos necessários.
A última parte analisa alguns pontos importantes da Magia e
fornece as últimas instruções
Você só deveria praticar os exercícios do capítulo 1 do Livro
Zero, quanto aos outros deveria esperar chegar ao final do
Livro SS, para, então, retornar e praticar de maneira regular.
Este livro foi concebido para fazer com que você entre
gradualmente no Universo da Magia, por isso seu estudo
deveria seguir todos os capítulos – mesmo que você já conheça
bastante bem o assunto de alguns capítulos sempre é bom
expandir seu entendimento.
O Livro SS não deve ser visto como algo estático, que deva
ser seguido como verdade única e exclusiva, mas como uma
aproximação ao tema, futuras aproximações dependem de você
entender melhor a si mesmo e a Magia. Pesquisas são
encorajadas e, por isso, visitas a sites da Internet e leitura de
livros serão de interesse ou como mera curiosidade, ou como
uma fonte de conhecimento, ou, melhor ainda, como um
incentivo para que você desenvolva seus próprios rituais e
práticas.
LIVRO ZERO:
MAGIA, ALMA E MUNDOS
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Capítulo 1
A MAGIA E A ALMA
Muita tolice prospera no campo da Magia. Preconceitos
idiotas permanecem atrelados a esta antiga Arte e Ciência. A
idéia do mago vestido em roupas caras e brilhantes faz parte do
universo ficcional de muitas pessoas. Ainda que esta imagem do
mago fashion seja disseminada como a verdade última e única,
e ainda que roupas e acessórios tenham o seu lugar dentro de
determinadas tradições de práticas mágicas, esta não é a única
forma de praticar a Arte Mágica, nem mesmo a mais eficaz.
Todas as formas de Magia são igualmente eficientes desde que
usadas por pessoas habilitadas. Esta capacidade para uma
prática espiritual é denominada Adkhari. Ser Adkhari é ser
competente para realizar qualquer prática mágica ou espiritual,
e isto pode levar muito tempo e trabalho. O objetivo do Livro
SS é fornecer um caminho pelo qual cada leitor ou leitora possa
se tornar adkhari para realizar a Magia Sigicular e o trabalho
com Servidores, digo caminho porque serão fornecidas
instruções e orientações, mas o desenvolvimento só virá com a
prática. Como uma Ciência, a Magia requer que determinados
passos sejam seguidos para que determinados resultados sejam
alcançados; como uma Ciência, ela requer cuidadosa
experimentação em condições seguras e um posterior registro
dos experimentos. Como Arte a Magia possui determinadas
regras, um senso de proporção e equilíbrio, e produz beleza de
forma objetiva.
É preciso definir então o que é Magia, o que é esta estranha
arte e ciência para a qual você poderá se tornar habilitado.
Magia é arte de causar mudanças na consciência de
acordo com a vontade. Consciência é este campo normal de
percepção que você utiliza para ler este livro, ou para ligar um
eletrodoméstico. Simplesmente é aquilo que você percebe e
julga. Mas, além deste campo há um outro lado, onde o
trabalho do Mago se realiza e toma forma para depois se
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manifestar na consciência: o inconsciente. O inconsciente é um
agrupamento em estado latente e atuante de outros níveis de
consciência. A percepção do inconsciente é de um outro tipo, a
linguagem do inconsciente é de um outro tipo.
Comumente estas divisões da mente são chamadas de
partes da alma (Tabela 1). Aquela mente consciente, fonte do
raciocínio, é chamada Ruach. Há uma parte, o inconsciente
inferior, que possui os instintos primais, os impulsos básicos
(sexual, gregário, de sobrevivência e religioso); esta parte é
chamada Nephesh. E há uma terceira parte, chamada
Neshamah, que representa as aspirações mais altas da alma,
aqueles momentos onde o cosmos e o homem são um.
O trabalho mágico, naturalmente, começa em Ruach, onde a
escolha do resultado do trabalho é feita. Através de Ruach, a
mente consciente, escolhemos as ferramentas que utilizaremos,
o tipo de ritual; é o lugar das análises objetivas e escolhas.
Então esta escolha é transformada em símbolos, uma
linguagem própria para Nephesh, o inconsciente inferior. Tendo
descoberto que poderes e formas usaremos para ativar
Nephesh é hora do inconsciente inferior entrar em contato com
Neshamah, o inconsciente superior, onde todos os poderes
estão adormecidos, onde o controle de Nephesh se torna
possível, e então o poder de Neshamah desperta forças e
instintos antigos, poderes adormecidos no interior de nossas
almas, para que algo aconteça em Ruach. É preciso ter em
mente, também, que Ruach é algo interno, mas tudo o que
você percebe (este texto ou qualquer outra coisa) é percebida
em Ruach, então a mudança pode acontece lá dentro, mesmo
que aparente ser algo exterior (o que nos remete para a antiga
teoria mística e alquímica de que aquele que percebe e aquilo
que é percebido são um).
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Ruach Nephesh Neshamah
Consciente Inconsciente
Inferior
Inconsciente
Superior
Tabela 1
Esta divisão da alma pode fornecer muitas informações
interessantes se meditarmos sobre ela. O problema do
fanatismo por exemplo. O fanatismo é originado em Nephesh,
fonte de instintos animais. O homem das cavernas tinha este
instinto religioso (que ao contrário do que se pensa não é
nenhuma garantia de sanidade ou bondade). O fanatismo pode
englobar, também, uma porção de instinto gregário, já que
muitas religiões valorizam a união entre os membros. O
detrimento de outras religiões, comumente executado por
fanáticos (lembrem-se que eles são uma verdadeira legião) é
uma luta contra “os outros”, e esta luta pode ser vista como
uma distorção do instinto de sobrevivência. Já o instinto de
reprodução é distorcido na vontade do fanático de que todos
devam, necessariamente, seguir as próprias idéias fanáticas que
ele tem, por isso ele tenta multiplicar os seguidores. Para evitar
isso, uma divisa serve de prevenção: “Faze o que tu queres a
de ser tudo da lei”. Desta forma uma maior liberdade é dada
para todos. E uma segunda divisa completa esta primeira, para
evitar qualquer distorção: “Amor é a lei, amor sob vontade”.
Obviamente que estas são manifestações de Neshamah, a parte
mais elevada da alma. O Amor, corretamente compreendido
como a atração e força que Neshamah exerce sobre o conteúdo
do inconsciente inferior, é a fonte da linguagem do
inconsciente. Se você quer praticar Magia, mas acaba por se
envolver com algum sistema que não lhe desperte o menor
interesse, falta-lhe Amor para com aquele sistema, e esse
sistema poderá ser útil, mas jamais será algo vivo. Esta é uma
grande vantagem do trabalho com símbolos que você mesmo
cria, estes símbolos são “amados” por você, e são fontes
naturais de poder. Tem que haver uma vontade de amar,
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sem esta vontade o amor costuma ser traiçoeiro, pois não é
verdadeiro. Mas isto não é motivo para desespero (eu não amo
tal coisa, eu não amo meu trabalho, oh meu Deus!),
determinadas aversões são aprendidas, frutos do hábito. E há
um meio seguro e eficaz para desenvolver mais esta vontade
de amar, o realinhamento consigo mesmo, porque em você há
um outro Eu, chamado Eu Superior, ou Sagrado Anjo Guardião;
é este Eu Superior, ou Sagrado Anjo Guardião, que emana
Neshamah.
Mas não pense que estas partes da alma são estáticas. Elas
estão em constante fluxo entre si. Ruach é influenciada tanto
por Nephesh quando por Neshamah. Nephesh é influenciada
por Ruach e Neshamah. E mesmo Neshamah é influenciada, ou
invocada, por Ruach e Nephesh. Estas partes estão em
constante fluxo. Quem nunca se viu presa de um instinto?
Quem nunca desejou a morte de outro alguém que fosse um
inimigo ferrenho? Isto é só uma manifestação do instinto de
sobrevivência, que pode – para infelicidade de alguns – se
manifestar no local de trabalho. Quem nunca fez uma oração
em um momento de perigo ou indecisão, mesmo depois de
quase ter tido certeza de que era um ateu?! Puro instinto
religioso. Eu me lembro de um rapaz que se masturbou atrás de
uma janela, o corpo no peitoril (logicamente a parte de baixo
do corpo escondida para dentro da casa) enquanto via uma
mulher que tinha tudo para ser uma modelo; instinto de
reprodução manifestado. Ou para um exemplo mais simples do
instinto de reprodução (o preferido pela maioria): os bilhões de
homens (e mulheres) que são capazes de gastar um bom
dinheiro para conquistar alguém. E as festas e encontros de
grupos especiais (motoqueiros, maconheiros, viciados em RPG,
homossexuais, homossexuais gordos etc.), ou mesmo uma ida
despropositada ao shopping ou supermercado, são
manifestações claras do instinto gregário (ou, nos casos
incontroláveis, um distúrbio deste instinto).
No entanto, há um uso mais inteligente para o poder do
inconsciente, ninguém precisa levar uma vida dominada por
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instintos; há menos que queira e preserve aquela regra: “Faze o
que tu queres é tudo da lei”. E que, seguindo esta regra, não
prejudique o direito dos outros de fazerem aquilo que quiserem,
e não se deixe prejudicar neste sagrado direito. Com certeza
todos têm muito a ganhar com o uso sensato do inconsciente.
Que tal experimentar um pouco? Só que antes do exercício
seria interessante falar sobre a necessidade de registrar as
operações mágicas, o uso do diário mágico.
Qualquer caderno ou conjunto de folhas, ou um disquete,
servirá como um local de registro. Nele serão colocados os
dados, da maneira mais completa possível de cada
experimento. Você deverá incluir uma explicação curta sobre a
atividade que executou, e uma descrição dos resultados,
mesmo que eles sejam negativos ou nulos. Um diário mágico
permite que você analise o conjunto de suas práticas, se elas
estão sendo tão freqüentes quanto o necessário, se alguma
emoção negativa tem interferido, se resultados estão sendo
obtidos. Descrevendo coisas como estados de espírito (alegrai,
tristeza, descontração, medo etc) e o estado do ambiente (festa
com som explosivo na casa do vizinho, brigas e tiros na rua etc)
você acabará por descobrir como está lidando com essas
situações e como elas têm sido relevantes ou não para sua
prática mágica. Assim você terá uma orientação sobre os
resultados e possíveis causas de possíveis falhas. O seu diário
mágico também terá uma qualidade muito útil: vai aumentar
sua crença em você mesmo. Um resultado positivo deve ser
festejado, e registrado. Então, se um dia você vier a duvidar de
sua própria capacidade, bastará voltar às páginas e ler os
registros de experimentos que deram certo, e daqueles que
deram mais certo do que você acreditava (periodicamente eu
dou uma lida nos meus não poucos registros e fico absorto ao
ver que obtive resultados muito mais positivos do que o
esperado). Anote se você estava com sono ou totalmente
desperto, se ingeriu álcool ou outra droga, se fumou antes da
experiência, e tudo o mais que desejar. Tendo providenciado
seu diário mágico (ou mesmo sem ele), experimente os três
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exercícios abaixo, se você perseverar verá os resultados – é
uma boa idéia registrá-los. Eles comprovarão para você a
realidade do poder do inconsciente.
Exercício 1
Este é um exercício que trabalha com auto-sugestão. Toque
as pontas dos dedos indicador e polegar de ambas as mãos,
formando como que duas argolas uma dentro da outra, com se
fossem duas argolas presas uma na outra. Centralize as pontas
dos dedos na circunferência dos dedos da mão oposta. Com a
mão que você usa para escrever comece a fazer minúsculos
círculos neste centro, como se fosse apenas uma pequena
agitação. Diga para si mesmo em pensamento enquanto olha
atentamente para os dedos: “Meus dedos são como ímãs, são
magnéticos. É impossível tocá-los. Quanto mais eu tentar mais
o magnetismo aumenta. Quanto mais eu tentar tocá-los mais
eles se repelem. Quanto mais força eu ponho para tocá-los
mais eles se repelem.” Digamos que você seja destro, então
tente tocar a pele da junção dos dedos indicador e polegar da
mão esquerda com as pontas que estão unidas e juntas da mão
direita; devagar... Se você tiver feito a sugestão hipnótica de
maneira correta sentirá uma força entre os dedos, como se
fossem ímãs. Para que tudo retorne ao normal diga em
pensamento ao final: “Vou contar de 3 a zero e tudo voltará ao
normal; 3, 2, 1, zero”. Toque os dedos como se estivesse
confirmando o que acabou de pensar. Escreva um registro em
seu diário mágico.
Se não conseguir da primeira vez, persista. Para alguns pode
demorar um pouco mais, o que não deve ser encarado como
um problema, mas como um delicioso desafio.
Exercício 2
Junte as palmas como em posição de oração e olhe
atentamente para elas. Afaste-as com uma distância de uns
trinta a quarenta centímetros e comece a dizer para si mesmo
em pensamento a seguinte sugestão: “Minhas mãos são dois
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ímãs, uma palma repele a outra. Há um forte magnetismo entre
elas, quanto mais eu tento aproximar mais elas se afastam.
Minhas mãos se repelem, são dois ímãs, quanto mais eu tento
aproximá-las mais elas se afastam. Quanto mais eu tento
aproximar uma da outra mais elas se repelem, quanto mais
força eu faço, mais elas se repelem.” Continue a repetir e
aproxime um pouco as palmas das mãos fazendo movimentos
circulares como se você estivesse brincando com ímãs. Ao final
diga para si mesmo: “vou contar de 3 até zero, e, quanto
chegar no zero, minhas mãos voltarão ao normal; 3, 2, 1, zero”.
Escreva um registro em seu diário mágico.
Se não conseguir na primeira vez, persista.
Exercício 3
Pegue uma moeda ou outro objeto pequeno – uma tampa de
caneta por exemplo – e coloque na palma de uma das mãos.
Diga para si mesmo em pensamento: “Esta moeda (ou nomeie
o objeto que você está usando) está cada vez mais pesado e
preso na minha mão. Este objeto está colado em minha mão,
quanto mais força eu fizer para retirá-lo mais o magnetismo da
palma da mão vai puxá-lo. Está preso, quanto mais eu tento
puxá-lo mais preso ele está.” Tente pegá-lo, se você executou o
exercício de forma correta então o objeto estará como que
preso na palma de sua mão. Ao final diga para si mesmo em
pensamento: “vou contar de 3 até zero, e, quanto chegar no
zero, minhas mãos voltarão ao normal; 3, 2, 1, zero”. Escreva
um registro em seu diário mágico.
Se não conseguir na primeira vez, persista.
E, se desejar, invente outros exercícios como estes.
Se você executou os exercícios até que eles sejam algo real
para você então você pode compreender que o próprio diário
mágico é uma prática de auto-sugestão.
Ao adquirir habilidade com a técnica da sugestão exposta
acima, ao se adkhari em relação a ela, você estará habilitado a
usá-la de maneira muito útil. Em picadas de inseto imagine que
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uma enorme seringa cheia de um líquido branco luminoso está
anestesiando o local, comigo isto funciona sempre. Um teste
interessante é sugestionar-se para acordar alguns minutos
antes que o seu despertador. Uma garrafa de refrigerante com
uma tampa que não abre de jeito nenhum pode ser aberta mais
facilmente se você der, por us três minutos, sugestões ao seu
inconsciente de que ela abrirá com muita facilidade (mas não
tente abri-las com os dentes, porque a sugestão não evitará
que eles se quebrem).
Uma conclusão que se pode tirar dos resultados destes
exercícios é que se você pode se sugestionar, porque outros
não poderiam sugestionar você? Talvez isto aconteça com mais
naturalidade e freqüência do que você imagina. Já esteve numa
sala onde o silêncio impera e só é quebrado por alguém
tossindo a plenos pulmões? O que acontece em seguida?
Alguém, talvez você, sente uma vontade incontrolável de tossir,
um pigarro misterioso surge na garganta e, segundos depois, lá
está você tossindo (e é só o primeiro de uma longa fila). Eu
conheço uma garota que é “alérgica a formigas”; basta a
simples menção de que existem formigas perto dela – mas tem
que se falar com ela de maneira convincente – e o nariz dela
começa a escorrer e começa uma seqüência interminável de
espirros.
Com estes exercícios estamos trabalhando com Nephesh, o
inconsciente inferior. É preciso não confundir inferior com
desprezível. Mesmo porque Nephesh é a própria constituição do
corpo etérico, que é a matriz do nosso corpo. Nephesh também
possui uma grande quantidade de memórias, e, decididamente,
não é uma parte burra; muito ao contrário, com os exercícios
acima você pode observar como é útil quando esta parte está
controlada. Sem o devido controle o homem pode ser presa
fácil de influências externas. Na Magia existem exercícios para
entrar em contato com vidas passadas; com estes exercícios
para relembrar um passado tão distante descobre-se que
Nephesh possui memórias de tempos antigos. Além de ser um
banco de dados bastante eficiente, Nephesh possui a vitalidade
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animal e a perda desta vitalidade normal é uma das causas das
doenças psicossomáticas, quando um pensamento ou
sentimento exerce um tipo de influência nociva sobre o corpo
físico. E Nephesh é também a aura, a energia que circunda
nossos corpos.
O próprio corpo físico possui uma denominação e esta inclui
toda a gama de funções físicas e biológicas: G’uph. G’uph inclui
suas mãos e todo o esquema físico do cérebro, a sinapse,
diástole e todas as demais funções corporais, enfim todo o
corpo físico. É interessante notar que Nephesh pode ser
influenciada por Ruach, o consciente, e Nephesh pode
influenciar G’uph, o corpo físico e suas funções. Assim sendo, se
Ruach deixa-se ser presa de um sentimento forte e
incontrolável como, por exemplo, o medo, então ela trouxe à
consciência uma reação de Nephesh, e G’uph sofrerá as
conseqüências, que podem ser uma taquicardia, uma maior
quantidade de adrenalina no sangue ou um outro fenômeno
físico, que, novamente, agirá em Ruach causando um
sentimento de fuga ou de luta originado, como resposta, pela
mente inconsciente, Nephesh. Em resumo: uma sensação é
enviada por Ruach para Nephesh, uma reação em G’uph será
criada por Nephesh, algo em Ruach muda. Agora já sabemos
mais sobre a constituição do homem (Tabela 2).
Neshamah Ruach Nephesh G’uph
Inconsciente
Superior
Mente
Consciente
Inconsciente
Inferior
Corpo
Físico
Tabela 2
Mas, e Neshamah? Esta parte da alma é a origem da
espiritualidade (não da religião). Sua vontade de expansão
espiritual, de compreensão e entendimento, é encontrada em
Neshamah. Neshamah, por sua vez se divide em três partes:
Yechidah, Chiah e Neshamah.
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