Guia de Investimentos - PARTE 5


Perguntas frequentes – ETF
Qual o valor mínimo para investir?
Não é preciso muito dinheiro para investir em ETFs, cerca de R$200. Mas note que, assim como
ocorre em outras aplicações que você faz no seu banco, as corretoras precisam cobrar taxas para
manter seus investimentos em ETFs (taxa de custódia) e, normalmente, pelas movimentações
que você faz (taxa de corretagem). Esses preços variam com o tipo de atendimento (quanto mais
personalizado, mais caro) e com os serviços que são prestados. O mínimo necessário para aplicar,
no final, depende dos custos que você pagar. Para valer a pena, eles têm de ficar abaixo da rentabilidade
que você tiver no investimento. Como os custos, por sua vez, vão depender do tipo de
serviço que você receberá, é necessário analisar cada caso individualmente.
Portanto, fique atento na relação rentabilidade x custo antes de tomar uma decisão de investimento.
Como escolho em que modalidade investir?
A melhor maneira é verificar em qual ETF seus objetivos e sua estratégia se encaixam melhor.
Veja a seção Modalidades para conhecer as opções. A escolha do tipo ideal depende das suas intenções,
de sua experiência no mercado, do tempo que você pode dedicar ao acompanhamento
dos investimentos e dos seus objetivos.
Como escolher a corretora?
Escolha pelo tipo de serviço que deseja e pelas taxas cobradas.
Na hora de compará-las, pense no seguinte:
• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quanto mais personalizado,
mais caro o atendimento tende a ser.
• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras, bate-papo pela Internet
(chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?
• Quais são as taxas (corretagem e custódia)?
Consulte a seção Como investir.
Qual é a hora certa para entrar nesse mercado?
O momento ideal é quando você estiver seguro de que entendeu a mecânica básica do mercado
acionário. Isto é, que é uma aplicação com horizonte de resgate de médio e longo prazos, que
tem bom potencial de rentabilidade e por isso traz também riscos de flutuação no valor investido.
Qual é a diferença de rentabilidade entre os ETFs e os títulos públicos?
São classes de investimento diferentes.
Os títulos públicos estão na categoria chamada renda fixa, caracterizada por ser mais conservadora,
sujeita a menores riscos e oferecer ganhos mais previsíveis e moderados.
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Os ETFs são da classe de renda variável: tendem a variar mais que os títulos públicos, são mais
arriscados, mas têm maior potencial de rentabilidade.
Portanto, são categorias indicadas para objetivos diferentes:
• Títulos públicos: manutenção do valor do investimento e ganhos moderados.
• Renda variável: maior potencial de ganho, com mais riscos.
É possível saber quanto meu dinheiro vai render ao investir?
Não. Dado o conjunto de fatores que interagem e influenciam a cotação, é impossível prever a
rentabilidade de um ETF: desempenho das empresas integrantes do índice de referência, conjuntura
político-econômica nacional e internacional, condições do mercado em que a empresas
operam, concorrência etc.
Que taxas são cobradas?
• Taxa de custódia e taxa de corretagem, que variam em função da corretora escolhida.
• Emolumentos da BM&FBOVESPA, valor fixo de 0,0325%.
Os ETFs pagam dividendos?
Os dividendos pagos pelas empresas integrantes das carteiras dos ETFs são incorporados ao patrimônio
dos fundos. Não são distribuídos para os cotistas individualmente. Mas note que o
benefício continua sendo do investidor, pois a cota vai refletir o aumento de patrimônio.
Para refrescar sua memória, lembre-se que dividendo é a parte do lucro que as empresas distribuem
para seus acionistas. Portanto, são definidos e rateados depois de apurado o lucro de
um exercício fiscal. O estatuto social de uma empresa pode estabelecer o dividendo mínimo a
ser distribuído, desde que não seja inferior a 25% de seu lucro líquido ajustado. Caso não haja
previsão no estatuto social, o dividendo obrigatório deve corresponder, no mínimo, à metade do
lucro líquido ajustado.
Que riscos corro?
Os ETFs estão na classe de investimentos chamada renda variável, caracterizada por apresentar
mais risco de variação no valor aplicado e maior potencial de rentabilidade.
Afinal, investir em ETF significa aplicar em um conjunto de ações. Portanto, há semelhanças tanto
nos ganhos como nos riscos. Você vai se tornar sócio, dono, de um pedaço de vários negócios.
E todo o mundo já viu empresas que se saem bem e outras que nem tanto. Podem surgir concorrentes
que ameacem o mercado das suas empresas ou ocorrerem alterações na conjuntura política
ou econômica que comprometam o ambiente de negócios. Uma crise financeira de proporções
mundiais como a de 2008-2009, ou conflitos políticos locais ou internacionais, acabam tendo
reflexo em todas as empresas. Consulte a seção Riscos.
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5 Fundos Imobiliários
O que é
É um fundo de investimento que faz aplicações em empreendimentos imobiliários, tais como
imóveis comerciais, residenciais, rurais ou urbanos, construídos ou em construção, para posterior
alienação, locação ou arrendamento. Os recursos também podem ser direcionados para títulos ligados
ao setor, como certificados de recebíveis imobiliários, letras hipotecárias, ações de empresas
do ramo etc. Os investidores recebem os rendimentos gerados pelos ativos do fundo.
São constituídos como condomínios fechados, isto é, não permitem aplicação e resgate a qualquer
hora como, por exemplo, os fundos de investimentos de renda fixa e podem ter prazo de
duração indeterminado (definido no estatuto). Para sair do investimento, os cotistas, em geral,
podem vender suas cotas na Bolsa ou no mercado de balcão organizado. Este caminho é também
o de entrada para os investidores que não participaram da captação inicial de recursos do fundo.
Pontos positivos
• Acessibilidade
• Diversificação
• Praticidade
Recomendado para quem?
Os fundos imobiliários são indicados para quem quer entrar no mercado imobiliário sem ter que:
• Desembolsar todo o valor normalmente exigido para a compra de um bem desta natureza.
• Concentrar todos os recursos em um único ativo.
• Gerenciar um imóvel (acompanhar as obras, gerir inquilinos, cuidar da manutenção, pagar
impostos etc.).
Além de ser uma opção para diversificar os investimentos, é uma alternativa para quem deseja:
• Renda regular: as receitas periódicas geradas pelos imóveis do fundo costumam ser distribuídas
para os cotistas.
• Ganhar com a valorização dos imóveis: aumento no preço dos imóveis do fundo normalmente
gera valorização das cotas.
Em geral, a rentabilidade desses fundos é muito competitiva, pois contam com isenção de Imposto
de Renda na distribuição dos rendimentos para a pessoa física, desde que atendam às seguintes
condições:
• O cotista beneficiado tem de ter menos do que 10% das cotas do fundo.
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• O fundo tem de ter, no mínimo, cinquenta cotistas.
• As cotas do fundo têm de ser negociadas exclusivamente em bolsa ou mercado de balcão organizado.
Atendem também investidores que visam ao médio e longo prazo e não querem ter de reinvestir
os recursos a cada vencimento. Por serem fundos fechados, existem duas formas de saída:
• Venda das cotas no mercado secundário: na Bolsa, pelo mesmo mecanismo de comercialização
de ações, ou no mercado de balcão organizado.
• Dissolução do fundo, quando os bens são vendidos e o produto distribuído para os cotistas.
Todos os negócios ligados ao mercado imobiliário, rural ou urbano, podem constar da carteira do
fundo: construção para venda, aluguel, papéis imobiliários (como títulos emitidos por construtores
para financiar a obra, ações de empresas do ramo, cotas de outros fundos imobiliários) etc.
Além disso, qualquer tipo de imóvel pode ser negociado: shopping centers, escritórios, hospitais,
apartamentos, galpões industriais, centros logísticos etc. Normalmente os fundos imobiliários
têm foco em uma atividade, como, por exemplo, aluguel de lajes comerciais: o administrador
compra imóveis cujas locações passam a ser mensalmente distribuídas aos investidores.
Vantagens
• Acessibilidade. Não é preciso muito para entrar em um fundo imobiliário. Há lançamentos
com investimento mínimo de R$1 mil. Além disso, depois de o fundo ser lançado, o investidor
em geral pode adquirir cotas no mercado secundário, da mesma forma que compraria
uma ação. Por isso, pode participar dos ganhos de grandes empreendimentos sem ter que
desembolsar ou dispor de todo o valor.
• Diversificação. Ao entrar em um fundo imobiliário o investidor passa a ser dono de uma
parcela dos bens adquiridos pelos gestores. Esse mecanismo permite que os recursos sejam
empregados em vários imóveis, o que dilui o risco de concentração. Note, no entanto, que há
fundos com foco em um único empreendimento.
• Praticidade. Todo o conjunto de tarefas ligadas à administração de um imóvel fica a cargo dos
profissionais responsáveis pelo fundo: busca dos imóveis, trâmites de compra e venda, procura
de inquilinos, manutenção, impostos etc.
• Flexibilidade. Permite que um investidor entre ou saia aos poucos. No caso de necessidade de
recursos, não é preciso vender todo o imóvel. Note que, quando negociado na Bolsa, o crédito
e o débito dos valores na conta do cotista ocorrem três dias depois de fechada a operação (o
chamado D+3), como nas operações normais do mercado acionário.
• Ganho Tributário. Os rendimentos das aplicações de pessoas físicas nos fundos imobiliários
são isentos de Imposto de Renda (IR), se atendidas algumas condições. É uma grande vantagem
frente ao recebimento de aluguéis ou ganhos com outros tipos de aplicações. Note que
a isenção ocorre apenas sobre a distribuição de rendimentos: recebimentos de alugueis, rateio
da venda de um imóvel do fundo etc. No caso de o investidor vender suas cotas com lucro no
mercado secundário, deve pagar 20% de IR sobre o ganho.
• Transparência. O investidor pode verificar o valor dos seus investimentos e se existem interessados
em comprar ou vender as cotas a qualquer hora. Basta verificar a negociação das cotas na Bolsa. É
uma vantagem, pois o dono de um imóvel só apura o valor efetivo de sua propriedade quando a
vende. Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) supervisiona o funcionamento do
fundo e o cotista pode participar de assembleias para acompanhar a gestão da carteira.
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Riscos
Os cotistas de um fundo imobiliário estão submetidos às mesmas incertezas do proprietário de
um imóvel ou de um empreendedor no setor. Várias razões podem contribuir para comprometer
os resultados e os riscos podem ser muito diferentes, dependendo da natureza e objetivos do
fundo. Veja alguns exemplos:
• Procura abaixo do que a projetada para compra ou aluguel dos imóveis pertencentes ao fundo.
• Valorização das unidades ou rendimentos com aluguéis abaixo do previsto.
• Inadimplência de compradores ou locatários dos imóveis.
• Crises na conjuntura política ou econômica, tanto no plano nacional como no internacional,
que contaminem o ambiente de negócios.
• Dificuldade de o emissor de um título de crédito honrar os compromissos de pagamento de juros.
Existem ainda incertezas ligadas à mecânica específica de funcionamento dos fundos imobiliários:
• Pode não haver interessados em comprar as cotas no mercado secundário no momento em que
o investidor deseja resgatar.
• Risco de gestão: execução das obras, andamento do cronograma etc.
Para entender a que riscos um fundo específico está submetido, leia a seção de fatores de risco
no seu prospecto. Esse documento, assim como os outros de publicação obrigatória, podem ser
encontrados no site da BM&FBOVESPA. Consulte a lista de fundos.
Modalidades
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados
Financeiro e de Capitais (Anbima) os classificam apenas como fundos imobiliários. Como um
recurso didático para ajudá-lo a compreender o cenário e a escolher o que se adequa melhor aos
seus objetivos, podemos dividi-los informalmente de acordo com:
• Propósito
Renda regular. São fundos que voltam seus investimentos para ativos que proporcionem rendimentos
constantes, como aluguéis, títulos de crédito com pagamento programado de juros etc.
Ganho de capital. São fundos que aplicam em empreendimentos com maturação mais longa,
que esperam ganhar com a valorização dos ativos, como no caso da construção e venda de
edifícios etc.
Mistos. São fundos que mantêm em seu patrimônio uma mescla das categorias acima.
• Tipo de imóvel
Há fundos que optam por investir em imóveis específicos: residenciais, comerciais, industriais,
escritórios, hospitalares, galpões logísticos etc.
• Tipo de ativo
Existem fundos que focam os investimentos em tipos de ativos: imóveis, títulos de renda fixa
(certificados de recebíveis imobiliários – CRIs, letras de crédito imobiliário etc.) ou títulos de
renda variável (ações de empresas do ramo, cotas de outros fundos imobiliários etc.).
Classificar os fundos dessa maneira torna mais fácil adequar a escolha em função dos seus objetivos.
Se você gostaria de ter uma fonte de renda regular, oriente sua seleção pelo propósito do
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fundo. Se acreditar que as melhores oportunidades estão na área comercial, foque no tipo de
imóvel que o fundo investe. Se preferir que o patrimônio do fundo esteja lastreado em imóveis,
procure pelo tipo de ativo.
Existem diversos fundos imobiliários, de todos os tipos, comercializados no mercado secundário
(na Bolsa). E outros novos são constantemente lançados. Para conhecer os fundos negociados na
Bolsa, consulte a lista atualizada constantemente no site da BM&FBOVESPA. Nela você encontra
links para documentos que descrevem os fundos em detalhes: perfil, prospecto, regulamento
e a rentabilidade histórica. Note que com o código, a sigla com a qual o fundo é negociado na
Bolsa, você pode consultar no próprio site da Bolsa o andamento da negociação das cotas durante
o pregão: valor, número de negócios fechados, variação do preço etc.


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