Guia de Investimentos - PARTE 4


Perguntas frequentes – Tesouro Direto
Qual o valor mínimo para investir?
Não é preciso muito dinheiro para investir no Tesouro Direto. Com cerca de R$30 você já pode
começar.
Como escolho em que título público investir entre tantas
alternativas?
A melhor maneira é verificar em qual modalidade do Tesouro Direto seus objetivos se encaixam
melhor. Existem duas categorias:
1. Títulos prefixados: investidor sabe antecipadamente quanto vai render.
2. Títulos pós-fixados: o valor final só é conhecido na data de resgate, pois, dependendo do tipo,
acompanha a taxa de juros básicos da economia (Selic), ou a inflação (IPCA).
Veja a seção Modalidades para entender os pontos positivos de cada um. A escolha do tipo ideal
depende das suas intenções, do tempo que seu dinheiro vai render e dos seus objetivos.
Como escolher a corretora?
Escolha pelo tipo de serviço que deseja e pelas taxas cobradas.
Na hora de compará-las, pense no seguinte:
• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quanto mais personalizado,
mais caro o atendimento tende a ser.
• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras, bate-papo pela Internet
(chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?
• Qual é a taxa de corretagem? Confira a classificação das instituições em função das tarifas
cobradas.
Consulte a seção Como Investir.
Qual é a diferença de rentabilidade entre os títulos públicos e as
ações?
São classes de investimento diferentes.
Os títulos públicos estão na categoria chamada renda fixa, caracterizada por ser mais conservadora,
sujeita a menores riscos, e por oferecer ganhos mais previsíveis e moderados.
As ações são da classe de renda variável: tendem a variar mais que os títulos públicos, são mais
arriscadas, mas têm maior potencial de rentabilidade.
Dadas essas diferenças, a comparação direta não faz muito sentido, pois são categorias indicadas
para objetivos diferentes:
• Títulos públicos: manutenção do valor do investimento e ganhos moderados.
• Renda variável: maior potencial de ganho, com mais riscos.
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Que taxas são cobradas?
Taxa BM&FBOVESPA: 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos (serviços de guarda dos títulos e
informações sobre a posição do investimento).
Taxa agente custodiante: definida pela corretora.
Veja o ranking das instituições segundo o custo.
Ao investir no Tesouro, recebo dividendos como nas ações?
Não. Títulos do Tesouro Direto não têm dividendos.
No entanto, se você busca pagamentos regulares, note que há modalidades que pagam rendimentos
semestrais. Veja quais na seção Modalidades.
Que riscos corro?
O risco de a União não honrar o pagamento, pois até mesmo governos, em situações extremas,
podem se tornar inadimplentes. Além disso, existem riscos que dependem tanto da data de
resgate, quanto da modalidade.
No caso de o investidor esperar até o vencimento:
• Pós-fixadas
Nos títulos que seguem a Selic (LFT), se o juro de mercado cair, o investidor receberá menos
do que ganharia se tivesse comprado um título prefixado ou até mesmo um juro menor do
que a inflação no período.
Nos títulos que combinam inflação e juros prefixados (NTN-Bs), a parcela de remuneração
prefixada, como o próprio nome diz, não muda se o juro de mercado subir, resultando eventualmente
em uma remuneração menor do que a que seria obtida com um título pós-fixado puro.
• Prefixadas
Se o juro de mercado subir ou a inflação for maior do que a projetada quando o título foi comprado,
o investidor resgata um valor menor do que se tivesse investido em um título pós-fixado.
No caso de o investidor resgatar antecipadamente:
• Pós-fixadas
Nos títulos que seguem a Selic (LFT), o juro de mercado pode ter caído em relação à data do
investimento, tendo um resultado menor do que o indicado naquele momento.
Nos títulos que combinam inflação e juros prefixados (NTN-Bs), pode ocorrer uma rentabilidade
maior ou menor do que a prevista na hora da aplicação, tanto pelas flutuações na taxa
de juro de mercado como pela variação da expectativa de inflação dos agentes financeiros.
• Prefixadas
Pode ocorrer uma rentabilidade maior ou menor do que a prevista na hora em que investiu, em
função da variação da taxa de juros praticada no mercado na hora do saque.
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4 ETF
O que é?
Os Exchange Traded Funds (ETF, sigla usada internacionalmente) são fundos de investimentos
com cotas negociáveis na BM&FBOVESPA, como se fossem ações. Um ETF sempre está ligado
a um índice da Bolsa. Sua rentabilidade, portanto, acompanha a variação do índice em que está
baseado, como o Índice Bovespa ou o Índice Imobiliário. Na hora de aplicar ou resgatar em um
fundo desse tipo, tudo ocorre como se fosse uma compra ou venda de ações.
Pontos positivos
• Baixo custo
• Diversificação
• Flexibilidade
Recomendado para quem?
Os ETFs são indicados para quem quer investir em renda variável: está disposto a correr mais
risco em busca de melhor rentabilidade no longo prazo.
Eles são um bom atalho para entrar na Bolsa, pois são fundos de ações que espelham a composição
de um índice de referência. Pense, por exemplo, no Índice Imobiliário, que acompanha a variação
de preço das empresas mais representativas do setor. O peso de cada uma delas no mercado
está refletido no grau com que participam do índice. Por isso o indicador funciona como a síntese
do desempenho do segmento imobiliário na Bolsa. O gestor do fundo ETF compra e vende ações
para replicar a composição e as proporções do índice que deve seguir.
Quando aplica em um ETF, portanto, o investidor passa a deter uma parcela de todas as ações
componentes do índice de referência, sem ter de comprar separadamente os papéis de cada empresa.
Imagine, na prática seria muito trabalhoso e mais caro montar e recompor a carteira, com
sua diversidade e proporção, a cada mudança periódica de um índice. Além das dificuldades
operacionais de tantas transações, o lucro das operações deveria ser apurado e o Imposto de Renda
(IR) recolhido a cada reajuste. Nos ETFs isso não ocorre. Por mais que a carteira de referência seja
alterada, o investidor não precisa se preocupar, pois o fundo será rearranjado pelo gestor. Além
disso, o IR é pago apenas na hora do resgate (a alíquota do imposto é de 15% sobre o ganho,
medido pela diferença entre o valor aplicado e o resgatado).
Por existirem várias modalidades, os ETFs são indicados também para quem deseja rapidamente
implantar uma estratégia. Há opções para diversificar os investimentos entre vários setores (seguir
o Ibovespa, por exemplo), acompanhar um segmento específico da Bolsa (financeiro, consumo
etc.) ou aplicar em empresas com foco em determinadas características (governança corporativa,
sustentabilidade etc.).
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Vantagens
• Baixo Custo. Quando comparado com fundos de ações tradicionais, os ETFs costumam ter
taxa de administração menor. Ela é debitada proporcionalmente ao tempo de aplicação: o
investidor só será cobrado pelos dias que ficar com as cotas em sua carteira, como nos fundos
de ações tradicionais.
• Diversificação. Com apenas uma operação o investidor de um ETF adquire uma cesta de
ações e obtém as vantagens da menor variação do valor da aplicação que a diversificação normalmente
promove. Afinal, nem todas as ações sobem e descem simultaneamente na mesma
velocidade.
• Flexibilidade. É possível aplicar e resgatar gradualmente em um ETF a qualquer hora, como
se fosse uma ação. Em muitos fundos de ações tradicionais há exigências de valores mínimos e
os horários e as janelas de entrada e saída do investimento são mais restritos. Note que o crédito
e o débito dos valores na conta do cotista ocorrem três dias depois de fechada a operação
(o chamado D+3), como nas operações normais do mercado acionário.
• Praticidade. Os ETFs possibilitam que o investidor acompanhe as alterações na composição
ou proporção de um índice sem ter de comprar ou vender ações.
• Transparência. A qualquer hora é possível saber a composição do ETF no site BM&FBOVESPA.
Muitos fundos de ações publicam as informações sobre a carteira apenas mensalmente.
• Acessibilidade. Com cerca de R$200 já é possível iniciar uma aplicação. Lembre-se que este
valor varia, pois o investimento mínimo recomendado em um ETF corresponde ao lote padrão
negociado BM&FBOVESPA, ou seja, 10 (dez) cotas do fundo, multiplicado pelo preço
da cota na Bolsa.
Riscos
Os ETFs estão na classe de investimentos chamada renda variável, caracterizada por apresentar
mais risco de variação no valor aplicado e maior potencial de rentabilidade. Isso indica que é uma
aplicação que só deve ser procurada por quem tem disponibilidade de:
• Recursos para ficar aplicados no longo prazo.
• Tolerância a variações no valor da aplicação.
Afinal, investir em ETF significa aplicar em um conjunto de ações. Portanto há semelhanças nos
potenciais ganhos e riscos. Você vai ser tornar sócio, dono de um pedaço de vários negócios. E a
experiência mostra que algumas empresas prosperam e outras não. Para entender um pouco mais
sobre o jogo de forças que movimenta o mercado de ações e, portanto, dos ETFs, imagine que a
padaria do seu bairro precise de um sócio para expandir os negócios. Você se interessa pela oportunidade
e descobre que ela faz produtos de qualidade, possui uma boa clientela. E mais, com seu
investimento ela poderá abrir uma filial no bairro vizinho e progredir ainda mais.
Você então decide virar sócio. Mas não se iluda, qualquer sociedade envolve riscos. Por exemplo: se
o preço internacional do trigo subir muito, a padaria vai ter que aumentar seus preços, o que pode
afugentar a freguesia. O lucro também será comprometido se, em razão de uma tempestade, as
instalações forem inundadas e os equipamentos danificados.
Por outro lado, tudo pode ser ainda melhor do que o esperado. A padaria poderá crescer, virar
uma rede, se valorizar e ainda render bons lucros para você.
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Portanto, na hora de pensar nas incertezas de um ETF, lembre-se:
• É preciso conhecer o segmento de atuação do ETF. Quais são as perspectivas? Aquele conjunto
de empresas tende a prosperar?
• A que riscos específicos aquele setor está submetido? Se houver crise internacional, ele será
afetado mais do que outro, que depende mais do mercado interno?
• Pelas incertezas do mercado de renda variável, só invista em ETFs pensando no longo prazo.
Assim suas aplicações terão tempo de se recuperar de um eventual tropeço. O correto é sempre
diversificar entre as classes de investimento (misturar renda fixa e renda variável) e manter
uma parte das aplicações em opções de baixo risco, como o Tesouro Direto.
Modalidades
O investidor pode escolher entre vários tipos de ETF, em função de suas preferências e estratégias.
Na página ETFs do site da Bolsa você encontra detalhes e documentos de cada um dos
fundos. E fique atento, pois novas modalidades são criadas regularmente.
Como Investir
Defina um objetivo
Comece pelas perguntas clássicas: “O que vou fazer com o dinheiro investido e quanto tempo
tenho para que ele renda? Vale a pena? Estou disposto a esperar?”. Afinal, qualquer iniciativa de
investimento supõe abrir mão de alguma coisa no presente, para obter maiores ganhos no futuro.
O mecanismo é o mesmo, seja para amealhar poupança ou renunciar a uma tentação calórica. Com
o sucesso, ficamos orgulhosos e nos sentimos recompensados. Por isso, dê um nome para o seu
investimento: “Meu Apartamento”, “Meu Carro Novo”, “A Viagem que Sempre Planejei”, “Minha
Aposentadoria” ou “Os Estudos do Meu Filho”. Fica mais fácil quando nos lembramos por que
estamos nos esforçando.
Calcule a sua disponibilidade
Para começar a aplicar em ETFs não é preciso muito, cerca de R$200. Lembre-se, no entanto, que
esse valor varia, pois o investimento mínimo recomendado em um fundo de índices corresponde
ao lote padrão negociado na BM&FBOVESPA, ou seja, dez cotas do fundo, multiplicado pelo
preço da cota na Bolsa. Além disso, considere que, assim como ocorre nas aplicações que você
faz no seu banco, as corretoras precisam cobrar taxas para manter seus investimentos em ETFs
(taxa de custódia) e, normalmente, pelas movimentações que você faz (taxa de corretagem). É
importante comparar os custos. No final, o montante total para aplicar nesses fundos depende de:
1. Valor da cota do ETF escolhido, multiplicado pelo número de cotas.
2. Taxa de corretagem da sua corretora. As despesas com a taxa de administração do fundo, assim
como proventos (juros ou dividendos pagos pelas empresas), já estão incorporadas nas cotas.
3. Emolumentos da BM&FBOVESPA, que são um percentual fixo de 0,0325%.
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Esses custos ocorrem por ocasião da compra ou venda. Lembre-se da taxa mensal, a custódia. Cabe
a você fazer as contas para saber se as taxas cobradas vão pesar no seu investimento. Por exemplo: se
investir R$200 em um ETF e sua corretora cobrar R$10 de taxa de custódia (para este exemplo, não
vamos somar a corretagem), você vai precisar de um rendimento superior a R$10 todos os meses para
o investimento compensar. É muito difícil obter uma rentabilidade como essa (mais de 5% ao mês)
com apenas R$200, não é mesmo?
Escolha a corretora
A corretora vai ser seu braço direito, responsável por aconselhamento e execução das ordens de
compra e venda. Além disso, você pode contar com ela para:
• Dar o suporte necessário para entender o funcionamento do mercado.
• Ajudar a definir seu perfil de investidor (quais investimentos se adequam melhor às suas preferencias
pessoais).
• Fornecer serviços para facilitar e agilizar as operações, como o Home Broker (investimento via
Internet) etc.
As corretoras costumam ser especializadas e preparam pacotes para atender diferentes tipos de
clientes. Como seria de se esperar, os custos variam com a quantidade de serviços que oferecem.
Consulte lista de corretoras participantes do mercado da BM&FBOVESPA. Na hora de
compará-las, pense no seguinte:
• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quanto mais personalizado,
mais caro o atendimento tende a ser.
• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras, bate-papo pela Internet
(chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?
• Quais são as taxas (corretagem e custódia)? É importante comparar. Algumas corretoras não
cobram taxa de corretagem. Outras pedem cerca de R$10 por operação de até R$10 mil, por
exemplo. Algumas oferecem pacotes especiais para estudantes universitários. Outras dão descontos
se você ultrapassar um limite mínimo de operações.
Todas as corretoras listadas no site da Bolsa são autorizadas pelo Banco Central do Brasil
e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de amplamente monitoradas pela
BM&FBOVESPA Supervisão de Mercado (BSM). Essas salvaguardas Essas salvaguardas fazem
com que o mercado brasileiro ofereça um ambiente regulatório seguro.
Abra sua conta na corretora
Contratar a sua corretora é simples.
1. Preencha o cadastro (semelhante à abertura de uma conta em um banco).
2. Apresente os documentos (cópias de CPF, RG e comprovante de residência).
3. Assine o termo de adesão e o contrato de intermediação.
Escolha o ETF
Na hora de escolher, tanto você quanto sua corretora vão ter um papel fundamental.
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Orientação da corretora
As corretoras contam com especialistas que acompanham as empresas, os setores da economia
e o momento do mercado e fazem análises. A partir dessa avaliação, recomendam estratégias de
investimento. Procure sempre conhecer a opinião de sua corretora.
Aproveite a sua experiência
A ideia de aliar o lado consumidor ao investidor é adotada pelos norte-americanos há algum
tempo. Isso significa aproveitar as informações que você obtém no cotidiano para perceber oportunidades
de investimento. Elas podem estar no mercado em que você faz compras, no posto de
combustível, na empresa que distribui energia elétrica na sua casa ou nos produtos e serviços que
você consome e nota que as vendas vêm crescendo. Prestando atenção acabamos percebendo que
há setores da economia que oferecem perspectivas melhores do que outros. Muito provavelmente,
aquele que você identificar como promissor estará representeado na família de ETFs.


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