2 Ações
O que é?
As ações são a melhor forma para quem quer se tornar sócio de uma empresa, pois representam
uma fração do capital de uma companhia. Em geral, são negociadas em bolsa, centro de negociação
em que se realizam a compra e a venda de ativos.
As ações podem ser ordinárias (ON) ou preferenciais (PN):
ON Ordinárias: dão ao acionista o poder de voto nas assembleias, ou seja, nas decisões
da empresa
PN Preferenciais: conferem aos acionista prioridade na distribuição de dividendos
(parcela do lucro que a empresa paga ao seu investidor)
Pontos positivos
• Alternativa de investimento para formação de patrimônio
• Facilidade de negociação através do uso de Home Broker
• Participação do lucro via recebimento de dividendos
• Transparência de preços
Recomendado para quem?
Ações são indicadas para quem quer investir em renda variável: está disposto a correr mais risco
em busca de maior rentabilidade no longo prazo.
Do mercado acionário, participam tanto investidores iniciantes, como profissionais experientes.
Para quem está começando, é possível entrar aos poucos e optar por ações menos voláteis, isto
é, com menor potencial de variação nos preços. Essas ações mais conservadoras costumam ser
boas pagadoras de dividendo, que nada mais é do que a distribuição do lucro da empresa para os
acionistas. Assim, se o desempenho da companhia permitir, os detentores de suas ações recebem
pagamentos regulares.
Por outro lado, existe outra categoria de ações, com alto potencial de crescimento – e maior possibilidade
de variação nos preços. Esta é uma opção mais indicada para quem já tem experiência
e aceita correr mais riscos, em busca de maior rentabilidade.
Há alguns caminhos para entrar na Bolsa: compra de ações, fundos de ações, clubes de investimento
e fundos ETF.
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Vantagens
• Potencial de rentabilidade. As ações são um investimento que propiciam, no médio e longo
prazos, maior potencial de rentabilidade. As estatísticas demonstram que o mercado acionário,
historicamente, tem se mostrado um dos mais rentáveis, mas de maior risco, quando comparado
com outras alternativas de aplicação. Além de ganho com o aumento da cotação, as ações
ainda podem gerar dividendos (parcela do lucro da empresa distribuído aos acionistas) e serem
alugadas. Isto mesmo, assim como faz o dono de um imóvel, o proprietário de uma ação pode
alugá-la para outro investidor, que pagará mensalmente pelo direito de usar o papel.
• Liquidez. Com sessões de venda diárias e grande volume de negócios, o mercado acionário
permite entrada e saída, parcial ou total, constante dos investidores. Claro que não se pode
esquecer que as variações de preço nem sempre favorecem o resgate na hora em que o aplicador
eventualmente precise. Vale lembrar também que o crédito e o débito dos valores na conta do
investidor ocorrem três dias depois de fechada a operação (o chamado D+3).
• Diversificação. A recomendação dos especialistas é de que o investidor de ações não coloque
todos os ovos numa cesta só. Sugerem carteiras de investimento com uma mescla entre aplicações
entre os vários setores da economia.
• Transparência. O investidor sabe a qualquer hora quanto valem seus ativos. Em outros investimentos,
como imóveis, nem sempre é possível determinar imediatamente o preço com exatidão.
• Eficiência tributária. O Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos da aplicação em ações é
cobrado apenas na saída do investimento, e só existe se as vendas no mês forem maiores do que
R$20 mil (neste caso são cobrados 15% sobre o ganho, medido pela diferença entre o valor aplicado
e o resgatado). Nos fundos de renda fixa, por outro lado, o IR é cobrado semestralmente.
• Acessibilidade. Não há um mínimo para investir em ações, pois é possível comprar ações de
forma gradual.
Riscos
As ações estão na classe de investimentos chamada renda variável, característica por apresentar mais variação
no valor aplicado e maior potencial de rentabilidade. Só deve ser procurada por quem dispõe de:
• Recursos para ficar aplicados no longo prazo.
• Tolerância a variações no valor da aplicação.
Quem investe na Bolsa, na prática, corre o risco de ser dono de um negócio. Afinal, como destacamos
acima, quando compramos ações de uma empresa, viramos sócio. E todo mundo já viu empresas que
se saem bem e outras que nem tanto. Aí é que entra o cuidado na hora de escolher qual comprar. Ainda
que não vá assumir o controle (pelo menos por enquanto, no futuro ninguém sabe...), só entre em um
negócio que você confie e, sobretudo, acredite que continuará a ter sucesso no futuro.
Além de fazer a lição de casa, estudando a companhia e o setor em que ela atua, ouça os profissionais
antes de escolher. Não existe certeza de resultado. Pode surgir um concorrente que ameace o sucesso
da empresa ou ocorrer alterações na conjuntura política ou econômica. Uma crise financeira de
proporções mundiais como a de 2008-2009, ou conflitos políticos locais ou internacionais, acabam
tendo reflexo em todas as companhias.
Portanto, é sempre válida a sabedoria de colocar os ovos em várias cestas. Você pode dividir os recursos
entre diversos setores: petróleo, siderurgia, lojas de varejo, empresas financeiras, empresas imo9
biliárias e ainda outros segmentos. Um problema em um ramo de atividade, não obrigatoriamente
atingiria outro. Na média, uma baixa em um setor poderia ser suavizada por uma alta em outro.
Além do mais, essa estratégia de dividir os recursos, a chamada diversificação, pode e deve ser ampliada
em termos de tipos de investimentos, combinando aplicações mais arrojadas com outras mais
conservadoras.
Portanto, para memorizar: a diversificação dentro do mercado de ações e entre categorias de investimento
é o remédio que tende a ser mais eficiente para diminuir os riscos.
Modalidades
O mercado acionário tem várias portas. Cada uma delas tem uma característica.
Compra de ações
É a forma mais tradicional de entrar na Bolsa. Quando compra a ação de uma empresa, você deposita
um voto de confiança no negócio da empresa. Se sua escolha tiver sido correta, a companhia
pode prosperar, crescer e, o que é o objetivo de todos acionistas, passar a distribuir os lucros para os
seus sócios e ter seu valor de mercado aumentado. Quando pensar em comprar uma ação, lembre-
-se sempre da máxima consagrada por investidores experientes: nunca participe de um negócio que
você não conhece ou não entende como ganha dinheiro.
Pontos positivos
• Você pode comprar ou vender quantas e quais ações quiser, quando quiser.
• Você pode alugar suas ações e ter um rendimento extra.
• Você receberá dividendos (se a empresa tiver lucro).
Fundos de ações
Como em todos os fundos de investimento, os de ações são um condomínio em que os investidores
delegam a um profissional a função de escolher onde investir. Caberá ao gestor selecionar as
empresas que integrarão a carteira de investimentos. Cada fundo tem uma característica própria,
definida quando foi constituído. Assim, dentro da categoria fundo de ações, existem tipos diferentes,
em função de seus objetivos: os que buscam superar os índices da Bolsa (como o Ibovespa),
os que se concentram em empresas que distribuem os lucros (na forma de dividendos) para os
donos, isto é, para os acionistas etc. Estas metas dos fundos estão claramente explicadas na seção
Política de Investimento dos prospectos explicativos que os responsáveis publicam.
Pontos positivos
• É uma forma cômoda de investir em um conjunto de ações escolhidas por um gestor especializado,
contratado pela instituição financeira responsável pelo fundo de investimento.
• Você pode pesquisar os objetivos e as taxas de um fundo e escolher aquele que melhor se
encaixe melhor nos seus objetivos financeiros.
• É possível investir em fundos por meio do seu banco ou corretora.
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Clubes de investimento
São formados por grupos de pessoas, sejam amigos, parentes, colegas de trabalho etc., que partilham
de um mesmo objetivo e decidem aplicar coletivamente. Para criar um clube de investimento,
procure uma corretora, que cuidará de todos os documentos, registros legais e da sua gestão.
Ela vai orientá-lo também na concepção do estatuto social, ou seja, o regulamento com as normas
e leis que devem ser seguidas pelos associados.
Pontos positivos
• Você consegue investir em ações, mesmo com pouco dinheiro.
• Você pode opinar nas assembleias do clube.
• Além de você, outros membros do clube pagarão os custos de administração, tornando o
investimento mais acessível.
• Você pode deixar o clube quando quiser, desde que respeite o estatuto.
ETF
Os Exchange Traded Funds (ETFs, sigla usada internacionalmente) são fundos que têm por objetivo
acompanhar a variação de índices específicos da Bolsa. Por isso também podem ser chamados
de fundos de índices. São uma modalidade de investimento em bolsa muito atraente, que mereceram
um capítulo exclusivo nesta publicação.
Pontos positivos
• O investimento inicial pode ser pequeno (cerca de R$200,00).
• Os riscos são menores se comparados a investir diretamente em uma ação, pois você vai diversificar
o investimento e comprar ações de várias empresas ao mesmo tempo.
• Você pode negociar ou alugar suas cotas de fundos de índices como se fossem ações
Como investir
Defina um objetivo
A pergunta que você deve se colocar é simples: “O que pretendo fazer com o produto do meu
investimento e quanto tempo tenho para que ele renda? Estou disposto a esperar?”
Vamos ser francos, conforme discutimos no capítulo “Para que investir”, poupar e aplicar supõem
renúncia. É a pura verdade: significa que você está adiando o usufruto imediato do seu dinheiro,
em busca de ganhos no futuro. A maior parte das pessoas já passou pela experiência de conter um
ímpeto de consumo para posteriormente ser contemplada com o resultado. Ficamos orgulhosos e
nos sentimos recompensados. Por isso, defina uma meta e batize o seu investimento: “Meu Apartamento”,
“Meu Carro Novo”, “A Viagem que Sempre Planejei”, “Minha Aposentadoria” ou “Os
Estudos do Meu Filho”. Fica mais fácil quando nos lembramos por que estamos nos esforçando.
Calcule a sua disponibilidade
Quanto você pode investir? Para começar a aplicar em ações não é preciso muito. O valor varia
com a modalidade Por exemplo, com cerca de R$200 é possível participar de um ETF. Para
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ajudá-lo a decidir por onde entrar na Bolsa, conte com a sua grande aliada no mercado acionário:
a corretora. Ela vai oferecer sugestões, além de viabilizar as suas transações (veja mais abaixo como
escolher uma instituição).
Quando estiver calculando suas disponibilidades, lembre-se que, assim como ocorre em outras
aplicações que você faz no seu banco, as corretoras precisam cobrar taxas para manter seus investimentos
(taxa de custódia) e, normalmente, pelas movimentações que você faz na sua carteira
(taxa de corretagem).
Na hora de calcular o valor final a ser investido em um ETF ou em ações, considere todos os fatores:
1. O preço do ativo escolhido, multiplicado pelo número de cotas ou ações.
2. Taxa de corretagem da sua corretora.
3. Emolumentos da BM&FBOVESPA, que são um percentual fixo de 0,0325%.
Esses custos ocorrem por ocasião de compra ou venda. Lembre-se da taxa mensal, a custódia. Cabe
a você fazer as contas para saber se as taxas cobradas vão pesar no seu investimento. Por exemplo: se
investir R$200 em uma ação e sua corretora cobrar R$10 de taxa de custódia (para este exemplo, não
vamos somar a corretagem), você vai precisar de um rendimento superior a R$10 todos os meses para
o investimento compensar. É muito difícil obter uma rentabilidade como essa (mais de 5% ao mês)
com apenas R$200, não é mesmo?
Se você optar pelos fundos de ações ou por clubes de investimentos, os valores vão depender de cada caso.
Escolha a corretora
A corretora vai ser seu braço direito, responsável pelo aconselhamento e execução das ordens de
compra e venda. Além disso, você pode contar com ela para:
• Dar o suporte necessário para entender o funcionamento do mercado.
• Ajudá-lo a descobrir qual é o seu perfil de investidor (quais investimentos se adequam melhor
às suas características pessoais).
• Fornecer serviços para facilitar e agilizar as operações, como o Home Broker (investimento via
Internet) etc.
As corretoras costumam ser especializadas e preparam pacotes para atender diferentes tipos de clientes.
Naturalmente os custos variam com a quantidade de serviços que oferecem. Consulte no site
da Bolsa a lista de corretoras que estão no mercado. Na hora de compará-las, pense no seguinte:
• Como você quer interagir (telefone, Internet ou contato pessoal)? Quanto mais personalizado,
mais caro o atendimento tende a ser.
• Quais serviços você terá para ajudá-lo a decidir (relatórios, calculadoras, bate-papo pela Internet
(chat), vídeos, conversa com um consultor etc.)?
• Qual é o montante das taxas (corretagem e custódia)? É importante comparar. Algumas corretoras
não cobram taxa de corretagem. Outras pedem cerca de R$10 por operação de até R$10
mil, por exemplo. Algumas oferecem pacotes especiais para estudantes universitários. Outras
dão descontos se você ultrapassar um limite mínimo de operações.
Todas as corretoras listadas no site da Bolsa são autorizadas pelo Banco Central do Brasil e pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e amplamente monitoradas pela BM&FBOVESPA
Supervisão de Mercado (BSM). Essas salvaguardas fazem com que o mercado brasileiro ofereça
um ambiente regulatório seguro.
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Abra uma conta na corretora
Contratar uma corretora é simples.
1. Preencha o cadastro (semelhante à abertura de uma conta em um banco).
2. Apresente os documentos (cópias de CPF, RG e comprovante de residência).
3. Assine o termo de adesão e o contrato de intermediação.
Escolha a modalidade
Consulte sua corretora sobre a modalidade que melhor se adapta às suas preferências. Procure
explorar todas as possibilidades que cada uma delas oferece. Nessa hora, tanto você quanto sua
corretora vão ter um papel fundamental.
Orientação da corretora
As corretoras contam com especialistas que acompanham as empresas, os setores da economia
e o momento do mercado e fazem análises. A partir dessa avaliação, recomendam estratégias de
investimento. Procure sempre a orientação da sua corretora.
Aproveite sua experiência
A ideia de aliar o lado consumidor ao investidor é adotada pelos norte-americanos há algum
tempo. Isso significa aproveitar as informações que você recebe no cotidiano para perceber oportunidades
de investimento. Elas podem estar no mercado em que você faz compras, no posto de
combustível, na empresa que distribui energia elétrica na sua casa ou nos produtos e serviços que
você consome e nota que as vendas vêm crescendo. Mas, lembre-se, estes são apenas alguns dos
setores da economia que estão na Bolsa, há outros, que não fazem parte do seu dia a dia, cujas
ações podem ser compradas.
Investigue sempre a companhia antes de decidir. É preciso estudá-la, conhecer suas estratégias,
além de analisar as perspectivas de crescimento e o comportamento do mercado em que ela
atua. Consulte a seção Empresas Listadas, do site da BM&FBOVESPA, que reúne diversos
documentos de cada uma delas. Um é especialmente útil: o “Formulário de Referência”, que traz
informações sobre a estrutura, estratégias e fatores de risco do negócio das companhias.
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