Ervas do Sítio
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i
Índice
Pág.
Histó ria das Ervas e Condimentos
Introdução 01
Brasil 02
As Plantas e os Primó rdios da Colonização 02
Martius e sua Flora brasiliensis 05
Algumas Plantas Medicinais Descritas por Martius 06
China 07
Egito 07
Europa
Idade Mé dia 09
Renascimento 10
Idade Moderna 11
Gré cia 12
Índia 13
Mundo á rabe 14
Palestina e Babilô nia 15
Roma 15
O Mundo Má gico das Plantas
A Magia do Reino Vegetal 17
Teoria das Assinaturas 17
A Energia Vegetal 18
Utilização Energé tica das Plantas 19
Astrologia e Cabala 20
Encantamentos e Rituais 22
Alguns Usos Encantató rios das Plantas 22
Botânica
Um Pouco de Histó ria 24
As Plantas com Flores e sua Constituição 25
Sementes 25
Raiz 25
Caule 26
Folhas 27
Flores 28
Frutos 29
As Famílias das Plantas Medicinais 31
Cultivo e Processamento
Plantio 32
Cuidados 35
Colheita 39
Processamento 40
Acondicionamento 41
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ii
Pág.
A Cura Pelas Plantas
As Plantas Medicinais 42
Princípios Ativos 43
Propriedades Medicinais 44
Preparações Caseiras 47
Preparados de Base 47
Preparados Avançados 50
Uso das Plantas na Medicina 53
Homeopatia 53
Antroposofia 53
Vé dica 54
Chinesa 55
Terapia Alimentar 57
Terapias Alternativas
Aromaterapia 58
Terapia Floral 59
Aura-soma 59
Perfumes e Aromaterapia
Perfumes
Um pouco de Histó ria 60
Maté rias-primas 60
Principais fontes de maté rias-primas naturais 62
Forma dos ingredientes em perfumaria 62
Notas de Perfumes 63
Fixadores 64
Principais Fragrâncias 64
Aromaterapia
Um Pouco de Histó ria 67
Ó leos essenciais 67
Principais Ó leos Essenciais 68
Utilização dos Ó leos Essenciais 70
Beleza e Bem-estar
A Beleza e as Plantas Medicinais 72
A Fitocosmé tica 72
A Pele 73
Riscos de Usos das Ervas Medicinais 73
Teste para Alergia 74
Os Cabelos 74
Beleza Caseira 75
Ingredientes Auxiliares 75
Materiais e Equipamentos 76
Usos Cosmé ticos das Plantas Medicinais 77
Boca 77
Cabelos e Couro Cabeludo 78
Corpo 79
Dentes 79
Lá bios 79
Mãos 79
Músculos 80
Olhos 80
Pele 81
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iii
Pág.
Pernas e Pé s 82
Usos Gerais 82
Nutrição e Culiná ria
Os Condimentos 82
Valores Nutricionais dos Condimentos 83
Os Minerais 84
As Vitaminas 84
A Terapia dos Condimentos 85
Ação Terapêutica 87
Algumas Dicas Muito Ú teis
Armazenamento 88
Utilização 89
Cuidados Especiais 90
Molhos e Temperos 90
Glossá rio 94
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1
Introduç ã o
No momento em que o primeiro ser humano surgiu no planeta, as plantas já existiam
havia mais de 400 milhões de anos. Da forma como os conhecemos hoje, os primeiros
vegetais apareceram durante a Era Paleozóica, no período Siluriano. Eles evoluíram a
partir dos organismos eucariontes fotossintetizantes, uma espé cie de algas primitivas.
O homem moderno, o Homo sapiens, só ganhou forma e vida cerca de 50 mil anos atrá s.
A partir de então começ ou a fazer uso das plantas. Há registros antigos, como desenhos
em cavernas, escritos e símbolos, que revelam uma ligaç ão muito íntima do homem com
a natureza, principalmente com as plantas.
As plantas também sempre tiveram um papel muito importante na cultura, religião,
medicina, esté tica e alimentaç ão dos povos. Em relatos e documentos antigos, elas eram
designadas como "dá divas dos criadores" e vistas com grande respeito e admiraç ão por
muitas civilizaç ões.
Nos rituais da antigü idade, os chamados "Iniciados no Misté rio" eram preparados,
durante longos períodos, com a ingestão de ervas, além de banhos e inalaç ões por meio de
incensos feitos de plantas consideradas má gicas. Acreditava-se que, usando essas
té cnicas, o corpo, a mente e o espírito dos magos e sacerdotes estariam purificados para a
comunicaç ão direta com os mundos superiores.
Com o passar do tempo, o estudo da botânica evoluiu, pois o homem foi desenvolvendo
um senso aguç ado e, aos poucos, classificando e catalogando as espé cies em funç ão de seu
uso para os mais diversos fins. Essa classificaç ão se tornou possível, a princípio, pela
observaç ão direta da forma das plantas: o formato das folhas, dos caules ou troncos e das
raízes.
As espé cies tidas hoje como medicinais ou tóxicas começ aram a ser classificadas pelo uso
prá tico dos antigos habitantes da Terra. Muitas vezes, uma planta medicinal era
descoberta simplesmente por apresentar uma morfologia semelhante a alguma parte do
corpo humano e, assim, associada a ele no processo de cura.
As ervas aromá ticas, em especial, devido aos seus poderosos óleos essenciais, també m
foram empregadas desde o início dos tempos para a elaboraç ão de cosmé ticos naturais,
perfumes, dentifrícios e sabões. A mirra, o benjoim e a lavanda, por exemplo, já eram
usados havia milhares de anos em perfumes e aromatizantes raros. A sá lvia era
utilizada para branquear os dentes: bastava criar o há bito de mascar suas folhas.
Cada civilizaç ão, em cada parte do mundo, foi compilando suas diferentes experiências
de forma empírica, deixando acumular até os nossos dias um vasto e inestimá vel
conhecimento sobre as ervas, em grande parte comprovado pela ciência moderna.
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2
Brasil
As plantas e os primórdios da colonizaç ã o
O Brasil tem uma das mais ricas biodiversidades do planeta, com milhares de espé cies
em sua flora e fauna. Possivelmente, a utilizaç ão das plantas – não só como alimento,
mas também como fonte terapêutica – começ ou desde que os primeiros habitantes
chegaram ao Brasil, há cerca de 12 mil anos, dando origem aos paleoíndios amazônicos,
dos quais derivaram as principais tribos indígenas do país.
Pouco, no entanto, se conhece sobre esse período. As primeiras informaç ões sobre os
há bitos dos indígenas só vieram à luz com o início da colonizaç ão portuguesa, a começ ar
pelas observaç ões feitas na Ilha de Santa Cruz pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, da
esquadra de Pedro Á lvares Cabral, em sua famosa Carta a El Rei D. Manuel.
Um pouco mais tarde, entre 1560 e 1580, o padre José de Anchieta detalhou melhor as
plantas comestíveis e medicinais do Brasil em suas cartas ao Superior Geral da
Companhia de Jesus. Descreveu em detalhes alimentos como o feijão, o trigo, a cevada, o
milho, o grão-de-bico, a lentilha, o cará , o palmito e a mandioca, que era o principal
alimento dos índios. Anchieta citou também verduras como a taioba-roxa, a mostarda, a
alface, a couve, falou das frutas nativas como a banana, o marmelo, a uva, o citrus e o
melão, e mostrou a importância que os índios davam às pinhas das araucá rias.
Das plantas medicinais, especificamente, Anchieta falou muito em uma "erva boa", a
hortelã-pimenta, que era utilizada pelos índios contra indigestões, para aliviar
nevralgias e para o reumatismo e as doenç as nervosas. Exaltou també m as qualidades do
capim-rei, do ruibarbo-do-brejo, da ipecacuanha-preta, que servia como purgativo, do
bá lsamo-da-copaíba, usado para curar feridas, e da cabriú va-vermelha.
Outro fato que chamou a atenç ão do missioná rio foi a utilizaç ão dos timbós pelos índios,
especialmente da espé cie Erythrina speciosa, Andr. O timbó, de acordo com o Auré lio, é
uma "designaç ão gené rica para leguminosas e sapindá ceas que induzem efeitos
narcóticos nos peixes, e por isso são usadas para pescar. Maceradas, são lanç adas na
á gua, e logo os peixes começam a boiar, podendo facilmente ser apanhados à mão.
Deixados na á gua, os peixes se recuperam, podendo ser comidos sem inconveniente em
outra ocasião".
Quase tudo que se sabe da flora brasileira foi descoberto por cientistas estrangeiros,
especialmente os naturalistas, que realizaram grandes expediç ões científicas ao Brasil,
desde o descobrimento pelos portugueses até o final do sé culo XIX. Essas expediç ões
tinham o intuito de conhecer e explorar as riquezas naturais do país, conhecer a geologia
e a geografia do Novo Mundo, bem como determinar longitudes e latitudes para a
elaboraç ão de mapas.
Essas aventuras empreendidas pelos naturalistas, inclusive alguns brasileiros,
contribuíram sobremaneira para a descriç ão de milhares de espé cies de plantas e
animais do Brasil. Conheç a algumas dessas expediç ões:
1501-1570 – Amé rico Vespú cio (italiano, 1454-1512), Thevet (francês) e Jean de Lé ry
(francês, 1534-1611): Foram os primeiros a explorar a fauna e a flora do país,
descrevendo, de acordo com uma citaç ão do pesquisador Newton Freire-Maia, "plantas e
animais, os esquisitos frutos dos trópicos e as aves vistosas de nossas florestas". Lé ry,
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pastor calvinista e escritor, publicou o livro Narrativa de uma viagem feita à terra do
Brasil també m dita Amé rica (1578).
1638-1644 – Jorge Marcgrave (alemão, 1610-1644) e Guilherme Piso (holandês): Vieram
a convite de Maurício de Nassau, em 1638, para estudar a fauna e a flora brasileiras.
Marcgrave construiu o primeiro observatório astronômico da Amé rica (1639). Publicaram
na Europa o livro História natural do Brasil e descreveram de forma detalhada os
há bitos dos brasileiros em relaç ão ao uso das plantas medicinais, especialmente os chá s e
ungü entos receitados pelos curandeiros negros, mulatos e caboclos — os quais, mais do
que os pajé s indígenas, ensinaram aos europeus suas receitas naturais.
1783-1792 – Alexandre Rodrigues Ferreira (brasileiro, 1756-1815): Ficou conhecido pelo
cognome de "Humboldt brasileiro". Realizou extensas investigaç ões em todos os ramos
das ciências naturais, enviando um grande nú mero de manuscritos e espé cimes
botânicos, zoológicos e mineralógicos para o Real Museu da Ajuda, em Portugal. Boa
parte de sua obra foi pilhada pelos franceses em 1808, durante a invasão de Portugal
pelas tropas de Junot, marechal do exé rcito de Napoleão.
1800 – Friedrich Heinrich Alexander, o Barão von Humboldt (alemão, 1769-1859): Na
companhia de outro naturalista, o francês Aimé Bonpland, Humboldt viajou entre 1799 e
1804 por vá rios países latinos (Venezuela, Cuba, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e
Mé xico). Na sua jornada coletou material suficiente para escrever 30 volumes da
monumental obra Voyage aux ré gions é quinoxiales du nouveau continent, fait en 1799,
1800, 1801, 1802, 1803 et 1804. Nessa obra, descreve vá rias espé cies de plantas
brasileiras.
1816-1821 – Hyppolyte Taunay (francês): Preparador do barão e naturalista Georges
Cuvier, veio ao país em 1816 com a finalidade de coletar espé cimes vegetais para o
Jardin des Plantes, de Paris. Em parceria com o historiador francês Jean Ferdinand
Denis (1798-1890), publicou um livro sobre o Brasil, em 1822.
1816-1822 – Augustin Franç ois Cé sar Provenç al de Saint-Hilaire (francês, 1779-1853):
Botânico, ficou no Brasil entre 1816 e 1822, percorrendo os estados do Rio de Janeiro,
Espírito Santo, Minas Gerais, Goiá s, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Conheceu as nascentes do Jequitinhonha e do São Francisco até Rio Claro. Viajou a
cavalo ou em lombo de burro, em caminhos muitas vezes abertos com facão por seus
acompanhantes escravos. Nos sertões, acabou servindo como médico para diversas
comunidades, pois conheceu inú meras plantas medicinais pelo país. Coletou cerca de 7
mil espé cies vegetais e publicou mais tarde os livros Plantas usuais do povo brasileiro
(1824), História das plantas mais notá veis do Brasil e do Paraguai (1824) e Flora do
Brasil Meridional (1825), obras até hoje consultadas na biblioteca de botânica da
Universidade de Paris. Leia um texto de Saint-Hilaire.
1817-1835 – Johann-Baptist von Spix (zoólogo alemão, 1781 — 1827) e Karl Friedrich
von Phillip Martius (botânico alemão, 1794-1868): Chegaram ao país em 1817, junto com
outro naturalista, o austríaco Johann von Natterer (1787-1843). Faziam parte de uma
comissão de naturalistas que acompanhou a duquesa Leopoldina d’Á ustria, que se tornou
a primeira imperatriz do Brasil ao se casar com D. Pedro I. Estudaram profundamente a
fauna e a flora brasileira, descobrindo espé cies novas. Spix publicou os livros O
desenvolvimento do Brasil desde o descobrimento até o nosso tempo (1821) e Viagem
pelo Brasil (1823-1831). Martius publicou quase dez livros sobre o Brasil. De botânica,
especificamente, foram dois: Gê neros e espé cies de palmeiras (1823-1832) e a
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monumental Flora brasiliense (1840-1868). Spix e Martius voltaram para a Europa em
1820, enquanto Natterer ficou até 1835.
1822-1829 – Georg Heinrich von Langsdorff (alemão, 1774-1852): Mé dico e naturalista,
passou pela primeira vez pelo litoral brasileiro em 1803, em viagem de circunavegaç ão.
Voltou ao Rio de Janeiro em 1813, como cônsul da Rú ssia. Em 1824, iniciou uma sé rie de
viagens pelo Brasil patrocinadas pelo czar Alexandre I, para as quais contratou o artista
Johann Moritz Rugendas (1802-1859), o biólogo Georg Freyriss (1789-1825) e o botânico
Ludwig Riedel (1790-1861). Entre 1824 e 1825, esteve na província de Minas Gerais,
onde Rugendas abandonou a expediç ão. Entre 1825 e 1829, acompanhado pelos artistas
franceses Aimé -Adrien Taunay (1803-1828) e Antoine Hercule Florence (1804-1879), que
substituíram Rugendas, além do mesmo grupo de cientistas, o barão de Langsdorff
empreendeu uma viagem ao Amazonas. A viagem terminou tragicamente, com a morte
do jovem Taunay, afogado no Rio Guaporé , e a loucura de Langsdorff, aparentemente
provocada por febres tropicais. Alé m dos desenhos e manuscritos, o acervo remetido para
a Rú ssia durante a viagem incluía cerca de 100 mil amostras de espé cies da flora
tropical.
1825-1830 e 1835-1880 – Peter Wilhelm Lund (dinamarquês, 1801-1880): Estudou a
fauna e a flora, mas suas pesquisas eram predominantemente de ordem paleontológica.
Decidiu morar no Brasil, em Lagoa Santa (MG), por causa do clima, pois o frio das
margens do Bá ltico prejudicava sua saú de.
1832-1836 – Charles Darwin (inglês, 1809-1882): Viajando ao redor do mundo a bordo do
Beagle, entre 1831 e 1836, ficou pouco mais de quatro meses no Brasil. Na ida da
viagem, em 1832, passou algumas horas do dia 20 de fevereiro na Ilha Fernão de
Noronha (atual Fernando de Noronha), 18 dias em Salvador (29 de fevereiro a 18 de
març o) e três meses no Rio de Janeiro (4 de abril a 5 de julho). Na volta, percorreu
novamente a costa brasileira, passando por Salvador (1° a 5 de agosto) e Recife (12 a 19
de agosto). Apesar de não poupar críticas à misé ria e à condiç ão dos escravos no Brasil,
Darwin fez um relato emocionado sobre as florestas da Amé rica. Leia um trecho do relato
de Darwin.
1848-1859 – Alfred Russel Wallace (inglês, 1823-1913) e Henry Walter Bates (inglês,
1825-1892): Co-descobridores da Teoria da Evoluç ão, de Charles Darwin, os naturalistas
chegaram juntos ao Pará em 1848 e tomaram rumos diferentes. Bates seguiu pelos rios
Negro e Solimões, onde estudou a fauna e um pouco da flora, morando durante oito anos
no vilarejo de Tefé . Retornou para a Inglaterra em 1859, levando uma coleç ão de 14.712
espé cies de animais e vegetais, muitas delas novas para a ciência. Publicou o livro The
naturalist on the river Amazonas (1863), traduzido para o português em 1944, no qual
descreve muitas ervas medicinais usadas pelas populaç ões ribeirinhas do Solimões.
Wallace ficou no país somente até 1852, viajando por outros rios da Amazônia, mas
perdeu sua valiosa coleç ão na saída do país, depois que seu brigue (embarcaç ão de dois
mastros), chamado Helen, sofreu um incêndio e naufragou próximo à cidade de Belé m.
1852-1897 – Fritz Mü ller (alemão, 1821-1897): Emigrou para o Brasil, indo morar em
Blumenau, onde se dedicou à agricultura e à descriç ão de inú meras espé cies de plantas,
peixes e crustá ceos. Manteve correspondência assídua com Haeckel e Darwin, que o
considerava "o príncipe dos observadores". É criador de um conceito importantíssimo
para a gené tica e a teoria da evoluç ão, o da ontogenia: "A ontogenia, ou desenvolvimento
do indivíduo, é a recapitulaç ão breve e rá pida da filogenia, ou desenvolvimento
genealógico da espé cie à qual ele pertence".
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1863-1866 – Eugênio Warming (dinamarquês): Morou por três anos em Lagoa Santa
(MG), onde estudou muito a vegetaç ão do cerrado. De volta à Europa, publicou os livros
Lagoa Santa: Contribuiçã o para a geografia fitobiológica (1892), traduzido para o
português em 1908 por Alberto Loefgren, e As comunidades vegetais (1895), primeiro
livro de ecologia do mundo.
1865-1866 – Jean-Louis Rodolphe Agassiz (suíco, 1807-1873): Também foi discípulo de
Cuvier em Paris, depois fixou residência nos Estados Unidos. Veio ao Brasil na Thayer
Expedition, financiada pelo milioná rio americano Nathaniel Thayer. Estudou
principalmente a fauna ictiológica da Amazônia, encontrando 1.800 novas espé cies de
peixes — mais do que as conhecidas no Atlântico, o dobro das do Mediterrâneo e dez
vezes mais do que as espé cies que Lineu conhecia em todo o mundo. Publicou diversos
livros sobre o Brasil, entre eles História física do vale do Amazonas, Geografia do Brasil
e O Rio Amazonas (1867) e ainda Uma viagem pelo Brasil (1868).
1884-1907 – Emile Auguste Goeldi (suíç o, 1859-1917): Chegou ao Brasil para trabalhar
no Museu Nacional do Rio de Janeiro, a convite do governo imperial. Com a queda da
monarquia, transferiu-se para Belé m, onde fundou o Museu Goeldi (1900), de história
natural, rebatizado em 1931 por Museu Paraense Emílio Goeldi. Viajou pela região
estudando a fauna amazônica e realizando expediç ões arqueológicas. Colaborou també m
nos trabalhos relativos à questão de limites do Brasil com a Guiana Francesa. Voltou
para a Suíç a em 1907, onde faleceu dez anos mais tarde. Entre suas obras estão Aspectos
da natureza do Brasil, Maravilhas da natureza da Ilha de Marajó e Á lbum das aves
amazônicas (1900-1906).
Leia um trecho de Flora brasiliensis.
Martius e sua Flora brasiliensis
O botânico alemão Karl Friedrich von Phillip Martius nasceu em Erlange, atual
Alemanha, em 1794. Aos 23 anos, durante o curso de medicina, optou pelo estudo da
botânica relacionada à medicina. Veio para o Brasil custeado pelo governo de seu país.
Aqui estudou, coletou mais de 15 mil amostras de espé cies da flora nativa, e as descreveu
cientificamente, sendo descobridor de 160 novos gêneros e 5.689 novas espé cies de
plantas. Voltou para a Alemanha em junho de 1820.
Sua grandiosa obra Flora Brasiliensis, importantíssima para o estudo da botânica e da
química farmacêutica do Brasil, foi escrita em 40 volumes, rica e detalhadamente
ilustrados por 3.811 estampas feitas pelos melhores desenhistas da é poca.
Catalogou e classificou inú meras plantas medicinais, conhecidas e usadas pelo povo
brasileiro no sé culo 19, em seu livro Systema de maté ria mé dica vegetal brasileira. Para
chegar à redaç ão final deste livro, o autor reuniu três sé culos de conhecimentos sobre a
flora brasileira em 90 títulos de autores e idiomas diferentes.
Sua preocupaç ão nessa obra era fornecer informaç ões confiá veis e precisas para que os
poucos mé dicos existentes no Brasil pudessem usar as plantas nativas, em vez de
importar remé dios da Europa.
Martius sistematizou as plantas medicinais brasileiras usando três crité rios: nome da
família a que pertence a planta, o princípio ativo dominante (conhecido na é poca) e a
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grafia dos nomes das plantas, que algumas vezes aparecem escritos com nome popular.
Os remé dios caseiros també m foram incluídos em sua classificaç ão.
Confira alguns trechos do livro Systema de maté ria mé dica vegetal brasileira:
"É mais eficaz uma planta usada fresca, colhida na é poca certa e a parte certa, do que
seca e guardada por anos nas gavetas das boticas. Tenho toda a confianç a que o
progresso da medicina está também apoiado na doutrina do medicamento específico, e
quanto mais estudarmos o valor medicinal das espé cies, melhor trataremos da cura das
doenç as."
"As suas virtudes (dos remé dios caseiros) somente serão acreditá veis pela continuaç ão da
sua fama entre os habitantes. Por isso considerei não haver razão para deixá -los fora
deste trabalho, até para que possam ser apreciados por analogias com outros remé dios, e
que muitas vezes, na falta do principal, tornam-se extremamente ú teis."
"Muito se engana quem acredita que todas as plantas medicinais brasileiras de que o
povo faz uso foram indicadas pelos índios. Pelo menos metade delas foram indicadas
pelos colonos e pelos habitantes pretos. E aos índios, poucas perguntas fizemos a respeito
do uso de plantas medicinais. Os que sabem são, na grande maioria das vezes, velhos e
mulheres velhas que fazem as vezes de mé dicos, mas sujeitos a tradiç ões obscuras."
"Um grande nú mero das plantas mencionadas de fato já era de conhecimento e uso dos
índios brasileiros, em conseqü ência de suas virtudes medicinais. Tais como: as espé cies
falsas e verdadeiras de ipecacuanha, a contra-erva, a spigelia, o bá lsamo de copaíba, a
resina de jataí das espé cies de Himenea, as sementes de anda e de urucum."
"Reunidas todas as plantas, terá o mé dico à sua disposiç ão como que legiões inteiras
preparadas para combater as molé stias, e até mesmo será tal a superabundância de
remé dios, e os seus diversos princípios ativos, que antes por excesso do que por falta terá
o colega de pensar para decidir o que receitar. É por meio da observaç ão do período e
forma de colheita que nasce o conhecimento de que os mé dicos precisam para distinguir e
conhecer as circunstâncias em que as plantas devem ser colhidas e usadas, assim como é
feito pelos mé dicos europeus."
Algumas plantas medicinais descritas por Martius
Assa-peixe: Boehmeria caudata, erva usada em banhos contra as dores de hemorróidas e
Pilea muscosa, planta musgosa com espinhos em forma de dardos, usada na Bahia
contra a disú ria (dificuldade para urinar).
Umbaú ba: Planta do gênero Cecropia, da família das morá ceas. Conhecida também por
ambaíba ou ambaú ba. O suco da C. peltata (amabitinga) é refrigerante, empregado (com
leite ou cozido com cevada e aç ú car) contra a diarré ia e a gonorré ia.
Aguara ciunha-aç u ou jacua-acanga: Tiaridium indicum, planta usada como
desobstruente e mundificante (purificante), empregada nas feridas, e ú lceras e outras
afecç ões cutâneas provenientes do calor.
Cipó-chumbo: Do gênero Cuscuta (C. racemosa Humboldt, C. umbellata e C. miniata
Martius), o suco dessa planta é usado contra irritaç ões pulmonares, tosses com
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expectoraç ão sangü ínea e rouquidão. A planta dessecada é colocada em feridas. Conté m
mucilagem e tanino.
China
A sabedoria milenar da China inclui um vasto conhecimento sobre as plantas. Os
chineses, já em tempos remotos, classificavam as plantas de acordo com seu uso na
alimentaç ão e na fitoterapia. Os taoístas tinham grande devoç ão à natureza, prezavam a
harmonia e o respeito a tudo o que é vivo. Eles tinham como base filosófica e religiosa a
completa solidariedade entre o homem e a natureza.
Na culiná ria, a China acabou sendo uma grande escola para o Oriente e, mais tarde,
para o Ocidente. Os chineses sempre foram há beis na criaç ão de novos pratos, repletos de
criatividade, temperos e condimentos inusitados para os tempos antigos, como o
gengibre, o alho e as sementes de gergelim.
Na China Antiga, a medicina era caracterizada por uma riqueza excepcional quanto aos
detalhes. Para os chineses, o nú mero cinco tinha um simbolismo especial, pois
caracterizava o Universo com seus cinco elementos (metal, madeira, fogo, terra e á gua) e
com os cinco principais órgãos do corpo humano (coraç ão, pulmões, rins, fígado e baç o).
Alé m disso, faziam relaç ões entre as plantas, cores e os órgãos do corpo humano.
Os historiadores costumam dizer que os chineses eram mais próximos da sabedoria do
que da ciência. Os documentos mé dicos mais antigos de que temos notícia são dos
chineses, que, já por volta de 3700 a.C., diziam em seus tratados de medicina que para
cada doenç a havia uma planta que seria seu remé dio natural.
A primeira farmacopé ia chinesa teria sido escrita por Shen Nung, um imperador sá bio
que viveu entre 3700 e 2600 a.C. O imperador foi o primeiro a preparar os extratos de
ervas, chegando a fazer ensaios e aná lises da composiç ão, dos efeitos e das propriedades
dos extratos, que eram dados com precauç ão aos doentes. Seu trabalho foi registrado em
um livro preservado até hoje, o "Ervaná rio de Shen Nung". Diz a lenda que o imperador
podia observar com facilidade o que acontecia em seus órgãos, especialmente quando
tomava algum de seus preparados de ervas, porque tinha o abdômen transparente.
Nos dias de hoje, a medicina chinesa mostra-se ainda muito rica no que diz respeito ao
uso das plantas na saú de. Muitas das ervas de alto poder cosmé tico que estão sendo
estudadas e usadas atualmente são provenientes da China e já eram usadas havia algum
tempo por aquele povo.
A medicina chinesa influenciou muito, de início, a medicina japonesa. Esta acabou, mais
tarde, trilhando seu próprio caminho, sempre com a prevalência do uso de produtos
vegetais e animais nos processos terapêuticos. Por fim, os japoneses – que catalogaram
mais de 800 variedades de ervas em suas prá ticas terapêuticas – contribuíram para
influenciar a medicina do Ocidente.

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