Ervas do Sítio - parte 9


Bochecho e gargarejo: Usa-se a infusão ou a decocç ão. O objetivo é tratar de problemas
gerais da boca, como inflamaç ão das mucosas, aftas, língua rachada, dentes manchados,
mau há lito e gengivas fracas.
Modo de fazer:
1. Prepare a infusão ou a decocç ão.
2. Espere amornar e então faç a o bochecho ou o gargarejo.
3. Jogue fora a soluç ão.
4. Repita esse processo pelo menos três vezes ao dia.
Borrifo d’á gua (spray): Usa-se a infusão ou suco coado, feito com á gua mineral. Não
utilize de forma alguma frutas á cidas, pois podem causar queimaduras no rosto. Outra
opç ão é usar á gua de coco ou ainda á gua mineral misturada com algumas gotas de óleo
essencial de sua preferência. Para tanto, não se esqueç a de que é preciso antes diluir o
óleo essencial em um pouquinho de óleo carreador. O objetivo é refrescar e hidratar a
pele.
Modo de fazer:
1. Escolha o tipo de líquido desejado.
2. Coloque tudo em um pequeno borrifador.
3. Em momentos de muito calor e secura da pele, borrife no rosto e no pescoç o.
Cataplasma: Recomenda-se usar as plantas em estado fresco. No entanto, se não
dispuser de plantas frescas, você poderá também usar as plantas secas, na forma de pó.
O objetivo do cataplasma é aquecer o local em que é aplicado, umedecer e estimular a
circulaç ão.
Modo de fazer:
1. Separe as partes da planta que lhe interessam e lave-as cuidadosamente.
2. Promova a trituraç ão dos elementos. No caso de legumes e frutas, transforme-os
em purê.
3. Misture tudo em á gua quente ou em algum outro líquido, que poderá ser a infusão
feita de alguma planta medicinal ou ainda uma tintura diluída em á gua.
4. Aplique no local, diretamente sobre a pele.
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Compressa ú mida: Recomenda-se usar a infusão, a decocç ão ou a tintura. Pode ser feita
em diferentes temperaturas, de acordo com o efeito desejado. Usa-se compressa fria para
tratamento de contusão, torç ão, dor muscular, inchaç o nas pernas, olhos e pele
congestionados e problemas inflamatórios gerais. A compressa morna é usada
principalmente para acalmar peles irritadas e avermelhadas e relaxar mú sculos
doloridos. A compressa quente é usada para estimular a circulaç ão do corpo e ajudar na
eliminaç ão de toxinas pela pele. Para fazer a compressa, você precisa ter dois panos. Um
deles, feito de algodão puro, vai direto em contato com a pele. O outro, feito de flanela,
vai por cima do primeiro, para ajudar a manter a umidade e a temperatura em
equilíbrio.
Modo de fazer:
1. Escolha a planta que será utilizada e prepare sua infusão, sua decocç ão ou ainda
use sua tintura diluída em á gua. Você pode usar também o óleo essencial, que
deverá ser diluído previamente em óleo carreador e depois diluído em á gua.
2. Analise o problema a ser tratado e escolha a temperatura ideal.
3. Mergulhe o pano de algodão no líquido.
4. Aplique diretamente sobre a pele e cubra em seguida com o pano de flanela.
Escalda-pé s: Recomenda-se usar infusão, sal aromá tico, decocç ão ou óleo essencial,
diluído previamente em um pouquinho de óleo carreador. É indicado para acalmar e tirar
as dores de pé s cansados e inchados, estimular a circulaç ão, relaxar e descongestionar.
Seu efeito pode até se propagar por todo o corpo.
Modo de fazer:
1. Aqueç a bem o líquido que será usado. No caso de se usar o óleo essencial, ferva
uma chaleira de á gua mineral.
2. Coloque o líquido em uma bacia. Para usar o óleo essencial, despeje a á gua
fervida na bacia e então pingue o óleo.
3. Quando alcanç ar uma temperatura suportá vel, mergulhe os pé s nela e relaxe,
mantendo o corpo sempre bem aquecido.
4. Mantenha os pé s mergulhados por, no má ximo, 20 minutos.
Ungü ento: Usa-se a planta em estado fresco. Indicado para casos de contusão, torç ão,
luxaç ão e dor muscular.
Modo de fazer:
1. Escolha a planta e lave-a cuidadosamente.
2. Triture a planta no cadinho para extrair dela um líquido escuro.
3. Misture esse líquido em um pouco de gordura vegetal. Você poderá ainda
adicionar um pouco de cera de abelhas para dar uma consistência mais pastosa.
4. Leve tudo ao fogo baixo e mexa até derreter e obter uma mistura homogênea.
5. Aplique sobre o local afetado quando a mistura atingir uma temperatura
suportá vel.
Vaporizaç ão: Usa-se principalmente o óleo essencial. Serve para limpar a pele,
descongestionar e acalmar.
Modo de fazer:
1. Ferva uma chaleira de á gua mineral.
2. Retire do fogo e despeje o conteú do numa vasilha.
3. Pingue de 5 a 8 gotas de óleo essencial, previamente diluído em um pouco de óleo
carreador.
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4. Cubra a cabeç a e a vasilha com uma toalha limpa e deixe o vapor agir por alguns
minutos.
Cataplasma: Faç a a trituraç ão da planta e misture em á gua quente ou em algum outro
líquido. Aplique em seguida no local, diretamente sobre a pele.
Compressa ú mida: Prepare a infusão ou a decocç ão da planta e banhe um pano de
algodão com esse líquido. Aplique no local e cubra com um pano de flanela para manter a
temperatura.
Decocç ão: É feita com as partes duras da planta: cascas, raízes, caules e sementes.
Coloque tudo na chaleira e deixar cozinhando em á gua fervente (em fogo baixo) por 15 a
30 minutos ou o tempo que for necessá rio para sentir bem o cheiro da planta. Deixe
esfriar naturalmente.
Infusão ou tisana: Conhecida popularmente como chá . As flores ou folhas da planta são
lanç adas em uma chaleira com á gua quase em ebuliç ão (apague o fogo neste momento) e,
em seguida, abafadas. Depois de 5 a 10 minutos, o chá está pronto.
Maceraç ão: A maceraç ão não vai ao fogo. Misturam-se as ervas na á gua, vinho, óleo,
vinagre etc. e aguarda-se certo tempo, que pode ser de algumas horas a vá rias semanas.
A maceraç ão com á gua não deve ser tomada depois de 12 horas por causa da formaç ão de
bacté rias. As outras maceraç ões devem ser filtradas e usadas como as tinturas
homeopá ticas, em pequenas quantidades.
Manteiga aromá tica: A manteiga é colocada para se liquefazer em banho-maria,
juntamente com as ervas, sempre mexendo até formar um creme homogêneo.
Óleo aromá tico: No processo a frio, coloque num vidro camadas alternadas de sal grosso e
da planta seca bem amassada com as mãos e complete com óleo vegetal de boa qualidade.
Feche bem com tampa e deixe descansar por pelo menos um mês. Depois, filtre com
cuidado. No processo a quente, coloque num vidro a planta seca amassada com as mãos e
complete com óleo vegetal. Em seguida, aqueç a a mistura em banho-maria e coe.
Pó: A planta é seca e triturada até atingir a granulaç ão desejada.
Pomada: Em uma panela pequena e de preferência usada somente para este fim, coloque
50 g de óleo vegetal de boa qualidade (de gergelim, amêndoa ou uva) e 1 colher (chá ) de
óleo de germe de trigo. Junte ao óleo 1 colher (sopa) de cera de abelha ralada. Deixe o
fogo bem baixo ou use uma panela de banho-maria e mexa até a cera estar bem derretida
(cerca de 2 ou 3 minutos). Deixe esfriar um pouco. Junte 1 colher (sopa) da planta bem
picada. Se a pomada ficar muito dura, aumente a quantidade de óleo. Se ficar mole, é
porque a cera foi pouca. Quando estiver fria, acondicione em latinhas ou potinhos de
creme.
Purê: Os vegetais são cozidos e passados em seguida pelo espremedor para obter uma
consistência pastosa.
Sal aromá tico: Mistura-se sal fino ou marinho com a planta bem picada.
Suco: Os vegetais são triturados com um líquido no liquidificador, até se obter uma
mistura homogênea.
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Tintura: Deixa-se a planta submersa em á lcool de cereais por aproximadamente 15 dias,
sempre agitando o frasco para promover a mistura.
Ungü ento: Triture a planta fresca até extrair dela um caldo. Misture a esse caldo um
pouco de gordura vegetal, levando ao fogo até derreter e obter uma pasta homogênea.
Vinagre e vinho aromá ticos: Use o mesmo modo de preparo que o dos óleos aromá ticos a
quente. Utilize vinagre de boa qualidade (de vinho branco ou maç ã), leve-o ao fogo e,
quando estiver quase em ebuliç ão, derrame sobre as ervas que já estão amassadas dentro
do mesmo vidro de boca larga usado para os óleos. Depois de esfriar um pouco, feche o
vidro e deixe descansando por cerca de 30 dias. Filtre antes de usar.
Uso das plantas na medicina
Homeopatia
As bases científicas da terapêutica homeopá tica foram lanç adas há cerca de 200 anos
pelo mé dico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843). A homeopatia
se baseia no tratamento das doenç as pelo uso de um "semelhante" – similia similibus
curantur. Isso significa que a pessoa doente é tratada com uma substância que, num
indivíduo sadio, provocaria o surgimento dos mesmos sintomas de doenç a.
A homeopatia tem uma visão muito ampla do indivíduo, procurando não só curar a
enfermidade, como também promover o equilíbrio total, prevenindo assim o surgimento
de novos problemas. Sua visão é de que, além do corpo físico, todos os elementos vivos
apresentam uma energia não material chamada de energia vital. Quando o mé dico
homeopata faz um diagnóstico, ele leva em consideraç ão tanto essa energia como as
condiç ões físicas do paciente.
As plantas são os componentes da maioria dos mais de 2 mil remé dios homeopá ticos.
Após a extraç ão de seus princípios medicinais, seja por meio de tinturas ou extratos, elas
são submetidas a sucessivas diluiç ões e dinamizaç ões que, segundo a teoria, promovem a
liberaç ão da energia vital da planta que irá atuar em profundidade no corpo, seja
humano ou animal, harmonizando todas as vibraç ões.
Antroposofia
A medicina ampliada pela antroposofia foi apresentada pelo filósofo eslovênio Rudolf
Steiner (1861-1925) na dé cada de 1910 como uma compreensão da medicina sob um
ponto de vista espiritual.
A medicina antroposófica considera que, além de um corpo físico, o homem é constituído
de mais três estruturas: a vital (ou eté rica), a anímica (ou astral) e a espiritual (o "Eu").
O mé dico antroposófico faz o diagnóstico e o tratamento do paciente levando sempre em
consideraç ão essas quatro estruturas essenciais.
Essas estruturas, por sua vez, agrupam-se em três sistemas funcionais e anatômicos
diferentes: o neuro-sensorial (concentrado principalmente na região da cabeç a), o rítmico
(cujo centro funcional se encontra na região torá cica) e o metabólico. Existe uma relaç ão
recíproca entre esses três sistemas que muda ao longo da vida. Uma alteraç ão nessas
mudanç as atravé s do tempo leva a um desequilíbrio que é a causa primá ria das doenç as.
As plantas entram na elaboraç ão de diversos produtos da medicina antroposófica, que
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vão desde cosmé ticos até os remé dios propriamente ditos. Para serem usadas como
ingredientes da farmá cia antroposófica, as plantas devem ser cultivadas de acordo com
os princípios da agricultura biodinâmica.
Os produtos antroposóficos são sempre elaborados de forma muito natural, sem o uso de
corantes, conservantes e perfumes artificiais. Em conseqü ência, todos eles são de alta
tolerância para pessoas sensíveis e não agridem o meio ambiente.
Vé dica
A medicina vé dica, ou indiana, é conhecida como Ayurveda, a medicina da saú de e da
longevidade. O uso das plantas está fundamentado não só no seu efeito terapêutico, mas
também na identificaç ão delas dentro de um dos doshas. Doshas, palavra sânscrita que
pode ser traduzida por "tipos", são os três princípios bá sicos que ligam a mente ao corpo:
Vata, Pitta e Kapha.
Para a medicina vé dica, o ideal é que o indivíduo tenha esses três doshas em equilíbrio.
O desequilíbrio do Vata traduz-se em dores, espasmos, tremores. Do Pitta, em
inflamaç ão, febre, azia, ondas de calor. Do Kapha, em congestão, descarga de mucos,
retenç ão de fluidos, letargia. Quando os sintomas surgem, é necessá rio reduzir o dosha
correspondente com o uso de recursos apropriados. O uso continuado desses recursos
gera desequilíbrio no sentido oposto, que pode ser corrigido elevando o dosha em questão.
A melhor forma de manter os doshas equilibrados é cultivando há bitos harmoniosos. A
fitoterapia só deve ser utilizada nos casos que exijam intervenç ões mais radicais. Para
identificar as plantas quanto à sua aç ão sobre os doshas, elas devem ser analisadas nos
seus mínimos detalhes, observando sua forma, sua cor, sua textura, seu sabor e aroma,
sua origem, o modo como se desenvolvem, seu tamanho, o clima onde crescem, o tipo de
solo e todas as condiç ões ambientais.
De modo geral, poré m, as plantas Vata têm o caule retorcido ou curvo, com ramos
esparsos, de casca rugosa e folhas de textura á spera. As plantas Pitta têm flores vistosas,
são luminosas e muitas vezes venenosas. As plantas Kapha são normalmente grandes,
com folhagens densas, e absorvem muita á gua.
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Nome da Planta Açõ es sobre os DOSHAS
Abacateiro Harmoniza Vata / Pitta / Kapha
Aipo Eleva Vata / Pitta
Alcachofra Reduz Pitta / Kapha, eleva Vata
Alfazema Reduz Pitta / Kapha
Alho Reduz Vata / Kapha, eleva Pitta
Arnica Reduz Vata / Kapha, eleva Pitta
Babosa Harmoniza Vata / Pitta / Kapha
Calêndula Reduz Pitta / Kapha, eleva Vata
Erva-cidreira Reduz Pitta / Kapha
Gengibre Reduz Vata / Kapha, eleva Pitta
Hamamé lis Reduz Pitta / Kapha, eleva Vata
Louro Reduz Vata / Kapha, eleva Pitta
Mil-folhas Reduz Pitta / Kapha, eleva Vata
Pimentão Reduz Vata / Kapha, eleva Pitta
Rosa Harmoniza Vata / Pitta / Kapha
Salsa Reduz Vata / Kapha, eleva Pitta
Tanchagem Reduz Pitta / Kapha, eleva Vata
Urtiga Reduz Pitta / Kapha, eleva Vata
Verbena Reduz Pitta / Kapha, eleva Vata
Chinesa
A medicina chinesa é praticada há milhares de anos, sempre fazendo uso dos elementos
da natureza (ar, á gua, fogo e terra), com suas estaç ões e ciclos, para promover a
manutenç ão de uma relaç ão harmônica do homem com o universo. Essa harmonia é
observada em funç ão do equilíbrio da energia vital, chamada de Chi. De acordo com a
filosofia chinesa, o Chi percorre o corpo dentro de canais invisíveis denominados
meridianos e polariza-se em duas correntes opostas e complementares, o Yin e o Yang.
Quando o equilíbrio entre essas forç as é rompido, surgem as doenç as.
Na fitoterapia chinesa, as plantas são classificadas segundo a sua essência, relacionada
ao sabor e à sua natureza energé tica, ou segundo a sua forma, relacionada à parte do
vegetal usada como remé dio. Existem ainda outras maneiras de relacionar as plantas
aos elementos naturais, de acordo com a sua cor, a parte do corpo humano sobre o qual
age a planta etc. A fitoterapia chinesa consiste num vasto campo de conhecimentos
milenares, do qual demos apenas uma pá lida idé ia. O estudo e a compreensão dos
mecanismos de aç ão das plantas são considerados imprescindíveis para quem quiser se
aprofundar na á rea de medicina natural.
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Relaç ã o de algumas plantas quanto à sua essência – sabor
Sabor Nome da Planta
Á cido Alcaç uz, ameixa-preta, beldroega, jujuba, laranja, limão,
peônia, tangerina
Amargo Angé lica-chinesa, bardana, beldroega, cavalinha, dente-deleão,
ruibarbo, violeta
Doce Amora, arroz, canela, cavalinha, dente-de-leão, lá grima-denossa-
senhora, lótus, tanchagem
Picante
Bardana, canela, capim-limão, cravo-da-índia, funcho,
gengibre, menta, mostarda, pimenta-do-reino, tussilagem,
violeta
Salgado Reino animal e mineral
Relaç ã o de algumas plantas quanto à sua essência – natureza energé tica
Energia Nome da Planta
Fria Beldroega, dente-de-leão, ruibarbo, violeta
Quente Cânfora, feno-grego, pimenta-do-reino
Refrescante Amora, bardana, cú rcuma, hortelã-pimenta, laranja-azeda,
lótus, tanchagem, tussilagem
Morna Artemísia, cá lamo-aromá tico, capim-limão, cravo-da-índia,
funcho, gengibre, noz, patchouli, sândalo
Neutra Alcaç uz, arroz, benjoim, cavalinha, cevada, jujuba, lótus,
milho, mirra


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