Ervas do Sítio - parte 7


Pragas
Em pequenas á reas, o controle de pragas pode ser feito manualmente por meio da
cataç ão manual, retirando das plantas larvas, ovos, pulgões. Algumas plantas, quando
plantadas nos canteiros, têm o poder de afastar pragas gerais. É o caso da menta, da
sá lvia e da losna.
Em á reas maiores, recomenda-se a utilizaç ão de inseticidas naturais, simples de
preparar, como a calda de fumo, um excelente inseticida natural.
Veja as receitas de inseticidas naturais.
Receitas de inseticidas naturais e outros mé todos alternativos contra as pragas:
Á gua de cebola: Cozinhe por alguns minutos a casca da cebola, deixe esfriar tampado e
pulverize.
Á gua de samambaia: Ferva, por 30 minutos, 500 gramas de folha fresca em 1 litro de
á gua. Deixe esfriar e aplique por meio de pulverizaç ões nas plantas atacadas por
pulgões, á caros e cochonilhas.
Calda de fumo: Cozinhe, durante 30 minutos, 150 gramas de fumo-de-rolo picado em 5
litros de á gua, mexendo sempre. Coe e engarrafe. No momento da pulverizaç ão, misture
partes iguais do preparado e á gua.
Calda de fumo com sabão: Prepare a calda de fumo como explicado acima e adicione, em
proporç ões iguais, 150 gramas de sabão em pedra dissolvido em 5 litros de á gua.
Pulverize sobre as partes da planta infestadas por cochonilhas.
Infusão de cebolinha verde: Pique um maç o de cebolinha verde e despeje á gua fervida.
Tampe e espere aproximadamente 20 minutos. Coe, espere esfriar e pulverize sobre as
partes da planta infestadas por cochonilhas.
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Extrato de urtiga: Misture 500 gramas de folhas frescas e 1 litro de á gua e deixe curtir
por 2 dias. Pulverize sobre as partes da planta infestadas por cochonilhas, pulgões e
lagartas.
Óleo mineral emulsioná vel: Misture 8 litros de óleo mineral e 2 litros de á gua. Pulverize
sobre as plantas afetadas.
Macerado de alho: Macere 4 dentes de alho em 1 litro de á gua e deixe 15 dias em
repouso. Dilua esse macerado em 10 litros de á gua e pulverize sobre as plantas
infestadas por pulgões.
Soluç ão de enxofre: Usadas para o caso de infestaç ão por á caros. Misture enxofre e á gua
na proporç ão de 750 gramas de enxofre para 100 litros de á gua. Pulverize nas plantas
afetadas.
Mistura contra saú vas e formigas cortadeiras: Misture farinha de osso, casca de ovo
moída e carvão vegetal e coloque a mistura ao redor dos canteiros e nas linhas
transversais.
Plantas auxiliares: O cultivo de gergelim e batata-doce próximo às plantas medicinais
produz substâncias tóxicas para as formigas e saú vas. Pode-se ainda plantar catinga-demulata
e hortelã-pimenta.
Receita contra besouros prejudiciais: Ao lado da plantaç ão, coloque placas amarelas,
besuntadas em óleo de câmbio, com 45º de inclinaç ão: elas atraem os besouros e estes
ficam presos na placa.
Plantas-iscas: No caso de infestaç ão por lagartas, a cataç ão manual é o melhor mé todo de
controle. Pode-se também utilizar plantas-iscas, como capuchinha, que atrai as lagartas
para ela.
Doenç as
As doenç as nas plantas medicinais podem ser causadas por vírus, bacté rias ou fungos.
Para que não haja a proliferaç ão de doenç as no cultivo, deve-se evitar o uso de irrigaç ão
por aspersão. No caso de infestaç ão por vírus, aconselha-se a eliminaç ão total das
plantas afetadas, com a queima do material. No caso de bacté rias e fungos, pode-se
utilizar alguns mé todos de combate e controle da infestaç ão.
As bacté rias são microorganismos não visíveis a olho nu mas sua aç ão pode ser
claramente identificada, pois causam necrose e podridão dos tecidos da planta. Existem
algumas medidas profilá ticas para controlar as infestaç ões, tais como moderar as
adubaç ões com esterco. Um bom bactericida natural é feito a partir de uma pedra de
cânfora diluída em um balde de á gua. Essa soluç ão deverá ser jogada no solo.
Os fungos apresentam diversos sintomas nas plantas, mas principalmente formam uma
camada aveludada, de coloraç ão branca ou negra, ou então manchas de coloraç ão
diversa. Um bom fungicida natural é feito a partir de ramos picados de cavalinha ou
camomila, deixados de molho em á gua por aproximadamente 20 minutos e pulverizados
em seguida nas plantas.
Outro mé todo simples é o plantio de mil-folhas nos canteiros.
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No caso de infestaç ão por nematóides, pode-se usar mé todos de combate como a rotaç ão
de culturas e o plantio de cravo-de-defunto, que libera uma substância inibidora da aç ão
dos nematóides.
Plantas competitivas
Quando se cultivam plantas medicinais, é preciso sempre fazer a limpeza da terra dos
canteiros para que não haja infestaç ão por plantas competitivas, também chamadas de
mato ou ervas daninhas.
As ervas daninhas competem com as plantas medicinais, absorvendo os nutrientes do
solo ou liberando substâncias chamadas alelopá ticas, que inibem o desenvolvimento e
crescimento das plantas. Além disso, ainda poderão causar um sombreamento
indesejá vel. Outro problema é que a presenç a delas no meio do material medicinal seco
pode reduzir o preç o de venda, denotando diminuiç ão da qualidade do produto.
O combate deve ser feito com enxada ou manualmente em pequenos canteiros. As
plantas competitivas devem ser retiradas com as raízes, deixadas para secar longe dos
canteiros e recolocadas como cobertura morta, que irá auxiliar o solo a manter sua
umidade. Mas isso deve ser feito somente se as plantas forem extirpadas antes da
frutificaç ão. Caso contrá rio, as sementes ainda estarão viá veis e poderão infestar a á rea
toda.
Colheita
CUIDADOS E PRODUTIVIDADE
A colheita é a ú ltima fase do processo de produç ão de plantas medicinais e
condimentares no campo. Se não for feita de forma adequada, pode pôr a perder todo o
material produzido. Cada espé cie deve ser colhida a seu tempo, no momento em que há
maior concentraç ão do princípio ativo natural desejado. Para saber o momento ideal de
colheita das principais ervas, consulte a Enciclopé dia das Plantas.
As ferramentas para a colheita devem ser selecionadas para cada espé cie e bem limpas
após cada corte. As plantas devem, então, ser colocadas em recipientes que não
machuquem nem amassem o material durante o transporte para a secagem.
Plantas medicinais que cresceram nas imediaç ões de outras culturas de interesse
econômico, tais como soja, feijão, milho, que foram tratadas com agroquímicos, deverão
ser evitadas para a colheita. Isso se aplica também a plantas que cresceram ao longo de
rodovias, pois podem ter sofrido contaminaç ões por poeira ou mesmo por gases expelidos
pelos veículos.
Em caso de cultivos comerciais, o produtor deve ter em mente a produtividade esperada
do plantio. É nessa hora que ele poderá medir o resultado dos esforç os empreendidos em
todas as etapas produtivas anteriores. A maioria das plantas medicinais produz por ano
cerca de 1 a 3 toneladas de maté ria seca por hectare. Confira a produtividade de algumas
ervas:
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Espé cie Rendimento
(tonelada de maté ria seca/hectare)
Alecrim 1,82 de folha
Beladona 2,04 da parte aé rea
Calêndula 1,30 de flor
Capim-limão 24,0 de folhas
Carqueja 5,96 da parte aé rea
Espinheira-santa 0,67 de folha
Guaco 1,95 de folha
Hortelã-pimenta 1,58 da parte aé rea
Melissa 2,33 da parte aé rea
Mil-folhas 2,00 de folhas
Quebra-pedra 2,40 da parte aé rea
Sá lvia 1,70 de folha
Sete-sangrias 3,10 da parte aé rea
Tanchagem 2,04 da parte aé rea
QUALIDADE NA COLHEITA
A maneira correta de colher uma erva é determinante para a qualidade do produto final.
Um fator importante é saber o modo certo de corte, ou seja, em que altura a planta
deverá ser cortada, assim como a parte da planta que interessa.
As plantas com imperfeiç ões devem ser evitadas, pois elas normalmente são fracas ou
doentes. Deve-se dar preferência às partes vistosas, inteiras e limpas (as ervas
medicinais não podem ser lavadas após a colheita), sem a presenç a de pragas, doenç as,
manchas, rompimentos, rasgos nem bolores ou fermentaç ões.
Outro cuidado fundamental é não permitir a coleta de plantas daninhas juntamente com
as partes destinadas ao uso ou à comercializaç ão. É bom evitar também apertar,
amassar ou machucar a planta, para que ela murche nem perca a qualidade final.
Processamento
SECAGEM
Depois da colheita, as ervas medicinais e condimentares devem ser levadas
imediatamente para o local destinado à secagem. Antes do produto fresco ser carregado
para um secador, deve-se previamente fazer a separaç ão definitiva das impurezas
existentes. Terra, folhas imperfeitas, ervas daninhas, insetos, areia, poeira – tudo deve
ser separado e descartado.
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Apesar de a secagem apresentar vá rias vantagens, algumas plantas perdem boa parte de
suas propriedades medicinais durante o processo e devem ser consumidas
preferencialmente frescas. É o caso de espé cies da família Apiaceae.
O objetivo da secagem é eliminar uma alta porcentagem de á gua retida nas cé lulas
vegetais, evitando a deterioraç ão da erva e promovendo, assim, um aumento de vida ú til
do material, que poderá ser armazenado e utilizado até a próxima colheita.
FORMAS E TEMPO DE SECAGEM
A secagem pode ser feita de maneira natural, contando apenas com a evaporaç ão do ar,
ou em secadores artificiais, que agilizam o processo, secando as plantas em menor tempo.
De qualquer forma, as plantas deverão ser homogeneamente espalhadas sobre a
superfície secante, em camadas de no má ximo 5 centímetros de espessura, e revolvidas a
cada 2 ou 3 dias.
O correto é secar uma espé cie de cada vez, tanto no secador artificial quanto nos locais
para secagem natural, que devem ser bem arejados, protegidos do sol e sem umidade.
Na secagem natural, é mais difícil saber o dia em que a planta alcanç ou o ponto ideal.
Uma maneira simples para detectar isso é pegar um punhado das folhas nas mãos e
amassar: elas devem se desmanchar na mão, mas sem estar crocantes, virando
rapidamente pó.
O ponto ótimo de secagem de cada planta deve ser respeitado para evitar a perda de
princípios ativos naturais. Essa perda acontece quando a erva é submetida ao excesso de
calor, que provoca reaç ões bioquímicas indesejá veis no interior de suas cé lulas. A
secagem bem-feita também garante qualidade na armazenagem, evitando o
aparecimento de fungos, que geralmente se desenvolvem em ambientes ú midos.
As plantas medicinais nunca deverão ser secas diretamente ao sol, pois isso causaria
muitos danos e perda de seus valores bioquímicos.
A secagem das plantas medicinais deve manter uma mé dia de velocidade, nem muito
rá pida nem muito lenta. Se for muito rá pida, causa um tensionamento da epiderme da
planta, impedindo que a á gua que está no interior dos tecidos da planta saia para a
superfície e seja evaporada. Se for muito lenta, permite que reaç ões bioquímicas (reaç ões
enzimá ticas, fermentaç ões e outras) ocorram no interior dos tecidos da planta,
diminuindo sua qualidade final.
Para secar pequenas quantidades de ervas em casa, é possível usar um desidratador,
aparelho encontrado em casas especializadas em maté rias-primas para decoradores.
Acondicionamento
O armazenamento das plantas medicinais deve ser feito em locais bem arejados, limpos,
escuros e de forma organizada. Isso significa que as plantas têm de estar acondicionadas
em sacos de juta de fios grossos e de malha bem apertada e identificadas por etiquetas
com seu nome, é poca de colheita e previsão de validade.
As plantas não devem ser espremidas dentro da embalagem e precisam ser mantidas
distanciadas das plantas de outras espé cies, principalmente se forem aromá ticas. Para o
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armazenamento por tempo indeterminado, aconselha-se usar recipientes hermé ticos, tais
como caixas, caixotes e toné is de madeira inodora.
Alguns fatores ambientais – como o ar, a umidade, a luz, a poeira e os insetos – podem
prejudicar o armazenamento consideravelmente. O ar pode oxidar as ervas, predispondoas
a fermentaç ões e até à formaç ão de bolores. A umidade causa o apodrecimento do
material. A luz pode descolorir as folhas e flores. A poeira dá um aspecto sujo e mal
cuidado às ervas. Os insetos, como os gorgulhos, besouros, á caros e traç as, danificam as
ervas de muitas formas: se as ervas forem destinadas à venda, a presenç a de insetos
pode até causar a recusa do produto por parte do cliente.
Para prevenir a má influência desses fatores, recomenda-se que o local de armazenagem
seja pré via e criteriosamente limpo, removendo restos das outras culturas, retirando
caixotes e caixas sem uso atual. A temperatura deve ser baixa, mas nunca ú mida. As
frestas do chão e das paredes podem ser vedadas, para evitar a entrada de organismos
estranhos ou mesmo de umidade. Para controlar os insetos, deve-se fazer inspeç ões
periódicas.
As Plantas Medicinais
Plantas medicinais são aquelas capazes de curar doenç as e promover o equilíbrio geral
do organismo humano, devolvendo-nos o bem-estar. Todos os vegetais produzem uma
sé rie de substâncias químicas durante o seu metabolismo. Entre esta, encontram-se
substâncias especiais que ajudam na adaptaç ão das plantas ao meio em que vivem,
agindo contra predadores, impedindo o desenvolvimento de outros vegetais ao seu redor
ou ainda protegendo a planta contra doenç as e pragas.
Essas substâncias, também chamadas de princípios ativos naturais, têm a sua produç ão
influenciada por diversas condiç ões ambientais, como tipo de clima, solo, quantidade de
á gua, altitude e latitude. O emprego de té cnicas de cultivo adequadas, que levam em
conta todos os fatores que promovem o desenvolvimento da planta, é essencial para a
obtenç ão de princípios ativos na proporç ão e concentraç ão desejadas.
Um grande nú mero de princípios ativos naturais pode ser aproveitado na forma
medicinal para tratar diversas enfermidades. Não podemos nos esquecer, no entanto,de
que o uso das plantas pode também trazer conseqü ências desastrosas. Está mais do que
comprovado pela ciência que as plantas devem ser usadas com parcimônia e muito
cuidado. Isso porque, além de curar, elas també m podem causar intoxicaç ões e
envenenamentos. Existem plantas extremamente tóxicas que, com uma simples dose,
podem levar à morte. Por isso, é importante sempre procurar um mé dico para que ele
possa fazer a prescriç ão adequada das plantas para o seu problema pessoal. Evite a auto
medicaç ão.
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Princípios ativos
Os princípios ativos naturais são agrupados de acordo com a sua estrutura química e
funç ão medicinal. Dentro de cada um desses grupos, podemos encontrar um nú mero
praticamente infinito de substâncias e derivados.
Os grupos mais importantes são:
Alcalóides: São compostos orgânicos nitrogenados, geralmente de estrutura química
complexa. Por terem uma atividade biológica muito grande, devem ser usados com muito
cuidado e com dosagens feitas em laboratório. Aparecem principalmente nas famílias
botânicas Buxacaceae (buxá ceas), Amarilidaceae (amarilidá ceas), Euphorbiaceae
(euforbiá ceas), Liliaceae (liliá ceas), Papaveraceae (papaverá ceas), Solanaceae
(solaná ceas), entre outras. Eles têm aç ões diversas, tais como colagoga, antiespasmódica
e antitumoral.
Antraquinonas: São compostos derivados de metil-antraquinona e exercem uma aç ão
irritante sobre as mucosas do intestino grosso, aumentando o peristaltismo intestinal.
Bá lsamos e Resinas: São compostos de natureza complexa originados da mistura de
é steres de á cido cinâmico, benzóico e terpenos diversos. Essas substâncias são exsudadas
pelos caules e raízes. As resinas normalmente são sólidas e os bá lsamos, líquido-viscosos.
Têm aç ão anti-sé ptica, queratolítica, citostá tica e protetora.
Flavonóides: São compostos relacionados com o grupo químico flavona e normalmente
dão cor amarela, rosa e azul aos vegetais. Estão amplamente presentes principalmente
nas flores e nos frutos das famílias botânicas Rutaceae (rutá ceas), Myrtaceae
(mirtá ceas), Rosaceae (rosá ceas), Malvaceae (malvá ceas) e Asteraceae (compostas).
Exercem aç ão protetora sobre os vasos sangü íneos e capilares e antiinflamatória, entre
outras.
Glicosídeos Cardiotônicos: São compostos tóxicos e devem ser usados em doses mínimas,
controladas em laboratórios. Têm aç ão tônica sobre a musculatura do coraç ão.
Mucilagens e Gomas: São polissacarídeos que, diluídos em á gua, formam soluç ões
viscosas e adesivas. As mucilagens têm o poder de absorver grande quantidade de á gua,
aumentando assim de volume. Elas exercem aç ão protetora do tubo gastrintestinal,
laxativa suave, antiinflamatória e sedativa da tosse.
Óleos Essenciais: São compostos aromá ticos, de composiç ão complexa, numa mistura de
á lcoois, terpenos, aldeídos, cetonas e é steres. São volá teis e não se misturam com á gua.
Têm aç ão anti-sé ptica e estimulante, entre outras.


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