Ervas do Sítio - parte 6


Unidades Fundamentais de Classificaç ã o
• Reino: Plantae
• Divisão: radical + terminaç ão phyta
• Classe: radical + terminaç ão opsida ou atae
• Ordem: radical + terminaç ão ales
• Família: radical + aceae
• Gênero: substantivo em latim com inicial em letra maiú scula
• Espé cie: gênero + designaç ão com a inicial em letra
minú scula + abreviatura do nome do autor
Como exemplo, a classificaç ão da planta chamada alecrim é a seguinte:
• Reino: Plantae
• Divisão: Magnoliophyta
• Classe: Magnoliopsida
• Ordem: Lamiales
• Família: Lamiaceae
• Gênero: Rosmarinus
• Espé cie: Rosmarinus officinalis L.
É muito importante conhecer as espé cies medicinais pelo seu nome científico, pois é ele
que irá evitar confusões na hora de identificar uma planta com exatidão. Para cada
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espé cie existe uma gama enorme de nomes populares, que são atribuídos de forma
aleatória, nas mais diversas regiões de nosso país e do mundo.
Em outros casos, encontramos muitas espé cies com o mesmo gênero, o que dificulta a sua
distinç ão. É o caso da planta chamada hortelã, que pertence ao gênero Mentha e possui
mais de cinco espé cies semelhantes comerciais. Nesse caso, é importante saber o nome
científico de cada uma delas e as pequenas diferenç as morfológicas que elas apresentam.
Isso só a prá tica poderá ensinar, por meio da observaç ão, manuseio e cultivo.
Plantio
O desabrochar de uma planta é sempre um milagre da vida. Mas nem sempre o papel da
natureza, por si só, é suficiente para que se tenha êxito no cultivo dos vegetais. Muitas
vezes é necessá rio colaborar com os fatores naturais, entendendo a lógica da perpetuaç ão
de cada espé cie para propiciar um ambiente adequado à reproduç ão dos espé cimes.
Para quem quer iniciar o plantio de ervas medicinais e condimentares, por exemplo, são
necessá rios alguns conhecimentos bá sicos sobre morfologia e fisiologia das plantas, os
diferentes tipos de solo, os fatores ambientais que influenciam no processo de
crescimento das ervas, bem como os melhores métodos de adubaç ão, colheita,
armazenamento e processamento.
A PLANTA
Existem milhares de espé cies de plantas medicinais e condimentares em todo o mundo, e
cada uma delas possui suas particularidades morfológicas e fisiológicas. Por isso, é
preciso saber exatamente o porte e o há bito, o ciclo de vida e ainda as formas pelas quais
cada espé cie poderá ser propagada.
Quanto ao porte, as plantas podem ser herbá ceas, arbustivas, arbóreas e trepadeiras.
Existem também dois está gios intermediá rios: subarbustivas e subarbóreas. Isso irá
definir uma sé rie de padrões de cultivo, tais como o espaç amento entre as plantas, a
altura que poderão atingir e o dimensionamento da sombra que irá formar.
Plantas com hastes muito flexíveis podem facilmente ser tutoradas para crescer de
maneira harmoniosa com estacas amarradas a elas com cuidado. As trepadeiras
necessitam de suportes tais como caibros ou mourões, fincados ao solo e ligados por fios
de arame encapado.
Em relaç ão ao há bito, as plantas podem ser terrestres, aquá ticas e aé reas (trepadeiras).
Há também as ervas de há bito intermediá rio ao terrestre e ao aquá tico, que vivem em
ambientes encharcados. Conhecer esse fator permitirá a definiç ão das té cnicas de plantio
e de conduç ão do cultivo, assim como a escolha do tipo de solo ideal, levando-se em conta
a drenagem e a umidade características. Para as plantas aquá ticas, por exemplo, faz-se
necessá rio um local de brejo, ú mido ou pequenos tanques construídos artificialmente.
Quanto ao ciclo de vida, as plantas estão agrupadas em três categorias: anual, bianual e
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perene. As ervas de ciclo anual geralmente brotam na primavera, crescem no verão e
florescem e frutificam no inverno, encerrando o ciclo com a dispersão de suas sementes.
As de ciclo perene completam seu desenvolvimento em um período superior a dois anos,
podendo chegara até 4 mil anos de existência.
MÉ TODOS PROPAGATIVOS
A propagaç ão das plantas pode ser realizada por sementes ou por órgãos vegetativos.
Nesse caso, a erva se propaga pela divisão de touceiras, brotaç ões ou rebentos, bulbilhos,
alporquia e por meio da estaquia de raízes, rizomas, ramos e folhas.
A propagaç ão por sementes é interessante quando se objetiva a produç ão em larga
escala. Ela apresenta algumas desvantagens, pois podem ocorrer cruzamentos entre as
espé cies que são desfavorá veis à produç ão do fá rmaco. Outro problema é que pode
ocorrer muita variaç ão entre as plantas, dificultando a colheita.
Algumas espé cies, como o tomilho, são favorecidas por esse tipo de propagaç ão,
originando plantas com maior produtividade em óleos essenciais. Para não ter problemas
de cruzamentos indesejá veis, colhe-se o tomilho separadamente, de acordo com a sua
semelhanç a.
A propagaç ão via semente exige algumas condiç ões específicas para cada espé cie. É
preciso conhecer a temperatura ideal, a umidade e a profundidade em que deve ser
colocada no solo, para que germine de forma apropriada. Algumas necessitam de
determinados estímulos, como ser submetidas a baixas temperaturas, à exposiç ão à luz
ou ainda à escarificaç ão, para romper o tegumento da semente.
A propagaç ão por órgãos vegetativos tem a vantagem de produzir plantas idênticas à
planta-mãe e ainda reduzir o ciclo da cultura, ou seja, colhe-se a planta em menor espaç o
de tempo, devido à sua precocidade. Para ervas como o alecrim e o ruibarbo, a
propagaç ão vegetativa é bastante aconselhada. Conheç a os principais mé todos desse tipo
de propagaç ão:
Divisão das touceiras: Só poderá ser feita em plantas que têm esse tipo de formaç ão.
Quando a planta está no está gio avanç ado de seu desenvolvimento, ela se apresenta
volumosa, densa e, nesse momento, podemos arrancar do solo partes dela, com as raízes,
e dividi-las em diversas mudas.
Brotaç ões ou rebentos: São utilizados de brotos que se localizam ao longo do caule, que
podem ser separados da planta-mãe e enraizados em substrato adequado.
Bulbilhos subterrâneos: Este tipo de propagaç ão é feito pela separaç ão dessas gemas do
bulbo central da planta-mãe, que tem ser arrancado do solo para tal.
Alporquia: Pode ser empregada em espé cies lenhosas. É feita pelo corte de um anel ao
redor da casca do tronco ou ramo, envolvendo-o com um substrato que mantenha a
umidade, como o esfagno, e, em seguida, colocando um plá stico preso ao redor do
conjunto. Algum tempo depois, as raízes começam a se desenvolver, o plá stico é retirado
e a parte com início de enraizamento é retirada, sem danos, da planta-mãe.
Estaquia: Consiste na retirada de partes vegetativas da planta com tecido meristemá tico
(estacas), que poderão enraizar e produzir brotos quando colocadas em um substrato.
Algumas vezes pode-se induzir esse processo, mergulhando as estacas em soluç ão
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enriquecida de hormônio indutor da formaç ão das raízes. A estaquia pode ser feita por
meio de raízes, rizomas, ramos ou folhas.
O tamanho das estacas é variá vel de acordo com a espé cie. Mas, em geral, as estacas das
plantas herbá ceas de menor porte devem ter cerca de 5 centímetros, enquanto para as
plantas mais lenhosas as estacas ideais devem ter aproximadamente 20 centímetros de
comprimento.
FATORES AMBIENTAIS
O clima, a presenç a de ventos, a altitude e a latidude são fatores ambientais decisivos
para o desenvolvimento das plantas.
O tipo de clima está especialmente relacionado com o comportamento de cada espé cie
vegetal ante a exposiç ão à luz (fotoperíodo). Algumas plantas precisam de dias mais
longos, outras de dias mais curtos, para completar seu ciclo de vida.
A maior parte das plantas medicinais comercializá veis atualmente é oriunda de países
do hemisfé rio norte, de clima temperado ou subtropical. Outras, em menor escala, vindas
do sudeste asiá tico ou do continente africano, adaptam-se bem ao nosso clima tropical,
como o aç afrão-da-índia, a canela e a pimenta-do-reino.
Ao optar pelo cultivo de determinada espé cie, em primeiro lugar é preciso verificar se a
á rea escolhida para o plantio conta com um clima adequado ao seu desenvolvimento.
Caso contrá rio, poderá haver decré scimo na produç ão de princípios ativos naturais,
menor desenvolvimento de á rea foliar ou ainda plantas suscetíveis a pragas e doenç as,
fragilizadas e com baixa defesa natural.
O vento é outro fator que influencia o crescimento das plantas. Há espé cies tolerantes,
mas algumas vezes ele é extremamente prejudicial, pois promove o tombamento dos
ramos e das flores, prejudicando a polinizaç ão pelos insetos. De qualquer forma, o vento
pode ser facilmente barrado com o uso de quebra-ventos ou com o cultivo protegido por
estufa.
O importante é saber se as plantas selecionadas para o cultivo são ou não tolerantes a
ventos e como sua á rea de cultivo se comporta em relaç ão a isso ao longo do ano.
A altitude – altura de uma região em relaç ão ao nível do mar – costuma interferir na
alteraç ão da estrutura vegetal da planta e na produç ão de princípios ativos naturais,
principalmente no que diz respeito aos óleos essenciais. Em geral, quanto maior a
altitude, maior será a produç ão dos óleos essenciais: isso está relacionado com o aumento
da produç ão de glicosídeos e carboidratos pela planta. Em baixadas, a produç ão maior é
de alcalóides, como acontece com a beladona e o funcho.
A latitude – a distância que uma região tem em relaç ão à linha do Equador – está
relacionada com a inclinaç ão da Terra e as influências das correntes marítimas sobre a
temperatura. Algumas plantas se desenvolvem melhor em determinadas latitudes, como
é o caso do estramônio, que produz maior teor de alcalóides quando cultivado em latitude
norte.
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O SOLO
Os solos têm um efeito decisivo no desenvolvimento da planta. Conhecendo-se bem um
solo, tanto em suas características físico-químicas quanto em sua declividade, pode-se
interferir nele e melhorar sobremaneira suas condiç ões.
Para tanto, antes de iniciar um cultivo, deve-se em primeiro lugar coletar amostras desse
solo para submeter a uma aná lise química dos seus componentes.
Solos com baixo teor de nutrientes e desequilibrados formam plantas fracas e suscetíveis
a pragas e doenç as. No caso das plantas medicinais, é necessá ria uma reposiç ão
constante dos nutrientes, pois, na maioria dos casos, elas possuem crescimento rá pido e
são colhidas em grandes quantidades.
Os solos apresentam diversos aspectos físicos: podem apresentar textura arenosa,
argilosa ou intermediá ria. Não existe um solo ideal para cultivar plantas medicinais,
pois cada espé cie exigirá condiç ões específicas para seu desenvolvimento.
Quando se pretende cultivar diversas espé cies num mesmo terreno, sem uma visão de
cultivo em larga escala, opta-se por um solo de textura intermediá ria, areno-argiloso.
Alguns solos muito á cidos (pH muito baixo) devem ser corrigidos, antes da adubaç ão, por
meio da calagem, processo de adiç ão de cá lcio ao solo, geralmente pela mistura de
calcá rio à terra. Os solos brasileiros normalmente são bem á cidos, com poucos nutrientes
disponíveis para as plantas. No caso das plantas medicinais, elas normalmente exigem
um solo com acidez entre 5,5 e 6,5 (mais próximos do solo neutro, de pH 7).
A declividade do solo é importante para a elaboraç ão do plano de plantio, pois solos com
grande declive exigem a utilizaç ão de curvas de nível para conter a erosão e a lixiviaç ão
de nutrientes do solo. As curvas de nível constam da construç ão de degraus de plantio
feitos no sentido contrá rio ao declive, interrompendo o escoamento das á guas das chuvas.
Cuidados
Antes do plantio e durante o desenvolvimento das plantas medicinais e condimentares,
fazem-se necessá rios alguns cuidados para garantir a formaç ão de ervas saudá veis e com
quantidade adequada de princípios ativos. Entre esses cuidados estão a adubaç ão, a
irrigaç ão e a poda, bem como a renovaç ão de culturas e o controle de pragas, doenç as e
plantas competitivas.
ADUBAÇ ÃO
A adubaç ão pode ser feita de diversas formas. A adubaç ão mineral consiste na adiç ão de
minerais – como o nitrogênio, o potá ssio, o fósforo, o magné sio – ao solo, de maneira
artificial, na forma de grânulos, pó ou líquida. A adubaç ão orgânica, a mais empregada
atualmente no cultivo de plantas medicinais, é feita adicionando-se ao solo substâncias
orgânicas que irão melhorar as características gerais do solo (textura, porosidade,
química e composiç ão biológica).
A falta de adubo normalmente gera plantas fracas e suscetíveis ao ataque de pragas e
doenç as. Mas a adubaç ão em excesso, ou inadequada, também pode prejudicar a
produç ão de princípios ativos naturais da planta.
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Na adubaç ão orgânica pode-se utilizar esterco bem curtido, oriundo dos dejetos dos
animais criados na propriedade, misturando-o no solo cerca de 20 dias antes do plantio.
Um produto mais elaborado é o composto orgânico, formado por cascas de frutas, palha
de milho e arroz, capim, cinzas, bagaç o de cana-de-aç ú car, lixo orgânico da cozinha e
outros. O composto tem a capacidade de aumentar o vigor da planta e sua qualidade,
assim como a resistência a pragas e doenç as.
O hú mus de minhoca, embora mais caro, é também muito eficaz como adubo. Ele é rico
em nutrientes e ajuda o solo a se reestruturar. Recomenda-se a aplicaç ão de 1,5 a 3
kg/m2.
IRRIGAÇ ÃO
No cultivo de plantas medicinais e aromá ticas, a á gua deverá estar sempre disponível na
quantidade apropriada a cada espé cie. Além da quantidade, é importante saber se a
á gua utilizada na irrigaç ão é de boa qualidade, vinda de nascentes limpas e puras.
A irrigaç ão deverá ser feita sempre nos horá rios menos quentes do dia, pois, caso
contrá rio, poderá ocorrer a queima das folhas pela irradiaç ão solar ou até a proliferaç ão
de fungos.
PODAS
Existem vá rios tipos de poda, de acordo com as ervas medicinais cultivadas. As mais
comuns são a poda de remoç ão de ramos produtivos, a de formaç ão e a de restauraç ão.
A poda de remoç ão de ramos produtivos visa eliminar a floraç ão para que se exalte a
parte vegetativa (as folhas), não apenas para aumentar seu volume, mas também para
incrementar o aroma e o nú mero de colheitas.
A poda de formaç ão é realizada quando a planta está se formando, eliminando
ramificaç ões indesejá veis que prejudiquem o porte e a estrutura geral da planta. É
empregada principalmente em arbustos, á rvores e trepadeiras.
A poda de restauraç ão serve para proporcionar plantas mais vigorosas no próximo
cultivo. Faz-se a poda da planta de 5 a 10 centímetros acima do solo, na é poca do outono
ou inverno, de acordo com a espé cie.
RENOVAÇ Ã O DA CULTURA
As plantas medicinais têm seu auge de produç ão de fá rmacos em é pocas diferentes, de
acordo com a espé cie. Depois desse período, a produç ão tende gradativamente a declinar.
Esse é o momento adequado para se renovar a cultura.
Nesse caso, pode-se utilizar a rotaç ão das culturas, plantando-se as espé cies em á reas
que antes eram ocupadas por outras. Além de reciclar os nutrientes do solo, essa prá tica
auxilia també m na reduç ão dos problemas com infestaç ão de pragas e doenç as.
CONTROLE DE PRAGAS, DOENÇ AS E PLANTAS COMPETITIVAS
As plantas medicinais geralmente não apresentam problemas muito sé rios com pragas e
doenç as. Isso porque os próprios princípios ativos naturais produzidos têm a funç ão de
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proteger a planta de agressores e predadores, quer seja pelo aroma, quer seja por
substâncias tóxicas presentes.
Mas existem alguns elementos que costumam gerar problemas na cultura de plantas
medicinais, e estes devem ser eliminados. A primeira medida preventiva contra as
pragas e doenç as é a aquisiç ão de mudas sadias e bem formadas. As plantas doentes
apresentam sintomas patológicos como folhas enrugadas, caules retorcidos, cobertura
branca aveludada e outros.
O solo també m deve ser mantido sempre em boas condiç ões, bem nutrido, e o plantio das
mudas deve ser feito na é poca indicada para cada espé cie, com o espaç amento correto.
Para atacar as pragas, o mais recomendado é a utilizaç ão de preparados naturais, que se
mostram muito eficazes. Nunca se deve utilizar defensivos químicos, pois eles podem
interferir nos processos de formaç ão dos fá rmacos, além de eliminar os agentes
polinizadores.
Outro fator importante é evitar o cultivo de uma só espé cie em grandes á reas, pois gera
desequilíbrios no ecossistema. O consorciamento de culturas é uma boa opç ão, pois tende
a diminuir o índice de infestaç ão de pragas e doenç as.


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