As idéias e sugestões aqui apresentadas deram bons resultados para outros pacientes. Mas, como uma pessoa é diferente da outra, você precisará descobrir as melhores soluções para o seu caso em particular.
Continue comendo o melhor possível, no período em que ainda sente os efeitos do trata- mento ou da doença.
LANCHINHOS DELICIOSOS PARA BELISCAR – TAÍ O LADO BOM DA COISA.
Tenha sempre à mão coisinhas gostosas para comer, como:
pães, broinhas, biscoitos de água e sal;
bolos e biscoitos integrais;
cereais, pipoca;
leite achocolatado, milk-shake e sucos;
queijo prato, cremoso ou cottage;
frutas frescas e secas; gelatinas, doces e sorvetes;
pizza, sanduíches e pasteizinhos;
chocolate, barra de cereais.
FUNDAMENTAL É MESMO A PROTEÍNA
Então, vamos aumentar sua ingestão, comendo:
queijos amarelos – como o tipo prato – em um delicioso queijo quente (san- duíche) ou ralado sobre a sopa, na salada, nos omeletes;
cottage ou ricota – com frutas e legumes, no macarrão ao forno, nas sobreme-
sas, nos bolos, no recheio de panquecas;
leite – para beber e no preparo dos pratos (sempre que possível), em mingaus, sopas e em molhos brancos;
sorvete ou iogurte, que você pode incrementar com caldas mil, frutas ou cereais, dependendo da dieta em que estiver;
ovos;
frutas secas, nozes, sementes e germe de trigo;
carnes e peixes;
frutos do mar.
OS SABORES NOSSOS DE CADA DIA
Entre tantas coisas desagradáveis durante a doença, ou ao longo do tratamento, está a perda do apetite. Muitos médicos apontam a anorexia, a total falta de vontade de comer, como uma das primeiras reações dos pacientes ao tratamento de câncer. Mas acontece que comer é o mais importante para se fortalecer, então... é o proble- ma girando em círculo. A idéia deste livro foi tornar mais agradável a penosa mis- são de fazer dietas, de encarar efeitos colaterais, de seguir em frente.
Existe um livro lindo sobre comida, “O livro de Cozinha de Alice B. Toklas”, escrito por uma mulher que amava cozinhar. Alice, a autora, era amiga de uma escritora das boas, Gertrude Stein, e adorava se enfurnar na cozinha, enquanto Gertrude lançava livros, ficava famosa, dava entrevistas. Depois que Gertrude mor- reu, Alice foi convidada a escrever sua autobiografia. Recusou. Mas um dia, doente e com icterícia, foi obrigada a ficar na cama por três meses, sob dieta. Então, a
60
saudade dos pratos, do cheiro da comida fumegando no fogão, dos sabores de cada dia, fez com que Alice escrevesse, na cama mesmo, o livro da sua vida. Que fala de comida, óbvio. E ela, subitamente, sentiu-se cheia de energia.
Essa historinha foi só para ilustrar que os sabores são tão fundamentais na nossa vida que é preciso, sim, fazer de tudo para preservá-los. Experimente nossas receitas, arrisque outras, peça que as pessoas mais queridas ao seu redor tragam o que você mais gosta de comer. Comer, comer com prazer, saboreando cada alimen- to, é se ligar à vida no que há de mais simples. De mais belo.
Tudo o mais, assim, passa depressa e ganha novos sentidos.
*Mãos à obra: moldando cerâmica, pintando, bordando, costurando, fazendo peças de madeira, serrando móveis, cuidando das plan- tas. E cozinhando, claro. Ao botar as mãos para trabalhar, você se distrai, se dedica, se deixa levar. E vai se sentir muito melhor.
“Esse milagre doméstico tem de ser.
Da área subir uma dissonância festiva de instrumentos de percussão – caçarolas,
panelas, frigideiras, cristais – anunciando que a química e a ternura do almoço mais farto e saboroso não foram esquecidas.”
Paulo Mendes Campos, em Receita de Domingo
O tempero da vida
É
quando a gente está mais relaxado, quando uma brisa de bons tempos passa do nada, que vem uma intuição certeira dos temperos. Experimente observar: se você estiver de ótimo humor diante do fogão, a cozinha deixa de ser
matemática e vira feiticeira. E, nesses dias, as ervas entram na panela nas doses exatas, como por encanto. Uma não sobrepõe o gosto da outra, a noz-moscada não carrega o sabor da sopa, o alecrim vai na medida certa para as batatas. Mas, como nem sempre sopros divinos surgem na cozinha, aqui vão algumas dicas, elaboradas por nutricionistas criativas, sobre quais ervas combinam mais com o que você quer preparar. O ideal, no entanto, é pegar leve, porque erva demais é elegância de menos no paladar. Em compensação, quando bem usadas, as ervas deixam os pratos per- fumados, saborosos, celestiais. E ainda disfarçam, muito bem, os sabores que, por causa da medicação, podem causar enjôos e acabar com o paladar.
Às ervas, portanto! Veja só quantas opções...
Alecrim: de aroma fresco, que lembra o pinho, dá um sabor todo especial às aves, aos molhos de tomate “da mama” e às sopas de tomate, àquele pratão de fru-
tos do mar. Além disso, cai bem com carnes, patês, berinjela, batatas, couve-flor, pães, sucos e saladas de frutas.
Cebolinha verde: esta é um clássico. Muito usada em omeletes, molho vinagrete e molhos à base de creme de leite para peixes. Fica ótima também em patês de rico- ta, queijo cremoso, sopas e saladas.
Coentro: o mundo divide-se em quem ama e quem odeia coentro, especial- mente in natura, com suas folhas verdes que exalam seu aroma à distância. Pode ser usado também em grãos ou moído. Se você optar por usar a semente inteira,
capriche: vai bem no preparo de ponches, pickles, doces e no café. Moído, o coentro
é usado no tempero de peixes, carnes, aves, assados ou grelhados, molhos, sopas de feijão, lentilhas e legumes. As folhas perfumam e enfeitam os pratos da culinária baiana, delícias como as moquecas e as caldeiradas de peixes e frutos do mar.
Endro Dill: taí o ingrediente indispensável no preparo de peixes, molhos, sa- lada de batatas, marinados, pickles, carnes, sopas, pães, massas, queijos e compotas. Dá aquele realce de sabor de propaganda de comida!
Erva Doce: suave, dá o toque especial em biscoitos, bolos, broas de milho, bolachas e pães. Também cai como uma luva em pratos salgados como queijos,
molhos para saladas, frutas em calda, peixes e frutos do mar.
Estragão: de sabor marcante, parecido com o anis, é a pitada que realça vina- gres, pickles, molho tártaro e de mostarda e maionese. Também fica ótimo em sa- ladas verdes, frutos do mar, pratos com ovos, frangos e carnes.
Manjericão: quer coisa melhor do que tomate fresco com manjericão? Se tiver mozzarela de búfala para acompanhar e fazer uma salada caprese, então... Seu sabor perfumado e agradável é ideal para receitas com tomate. Na pizza, tem um
67
não sei quê de divino. E vai bem ainda no molho para churrasco, na lagosta, nos assados e nos legumes. É o principal ingrediente do molho ao pesto.
Manjerona: classuda, refinada, com sabor semelhante ao orégano, é ideal para valorizar carnes e aves, pratos à base de tomate, sopas, saladas e com manteiga der- retida em peixes grelhados... hummm! Ideal para pratos de cozimento rápido.
Orégano: indispensável para pizzas. Soberbo em molhos à base de tomate. Ainda vale salpicá-lo em ovos, tomates, queijos, cebolas, recheios e molhos para
carnes, aves, peixes e saladas de frutos do mar.
Salsa: no ritmo da salsa, você vai dando suingue aos canapés, sopas, saladas verdes, molhos de ervas, pães, tomates, omeletes, manteiga temperada, grelhados e recheios. Dá o maior samba na cozinha.
“Simbad foi um mercador que deixou Omã, seu país natal, em busca das mais deliciosas especiarias, e desceu pela costa de Malabar. Esta história,
meu avô me contava, e eu me deliciava imaginando os perfumes, gostos e belezas que Simbad teria encontrado. A história das especiarias exerce sempre um fascínio, despertando a procura das mil e uma noites que temos dentro de nós”.
Fernanda de Camargo-Moro, no seu livro Arqueologias Culinárias da Índia
69
As especiarias têm o poder de dar o sabor mágico à comida, um buquê perfuma- do que faz pensar em terras exóticas ou numa bela noite romântica. Ainda podem simplesmente incrementar os seus pratos, colorindo e trazendo um cheirinho deli- cioso àquele feijão ou ao franguinho do dia-a-dia.
Veja as principais especiarias
Açafrão da Terra: serve para um risoto ótimo e também para vários outros pratos. Erva da família do gengibre, o açafrão é conhecido também como cúrcuma.
Tem sabor ligeiramente amargo e cor amarelo-dourada. Além do sabor, enche de cor os alimentos. Utilizado em pratos com ovos, pickles, molhos cremosos, maione- ses, massas, frango, peixes, arroz e pães.
Alho desidratado (em flocos ou granulado): seco e desidratado, substitui o alho fres- co em todas as suas aplicações. E o melhor da história: você não precisa descascar!
Alho-Porró: verdinho, seu gosto lembra um pouco a cebola, e em sopas ou mas- sas com ricota, por exemplo, faz milagres no paladar. Delicioso, é ideal para os mo- lhos à base de manteiga e cogumelo fresco, saladas e caldos de peixe.
Canela da China: tudo que vai canela é bom, né? Em rama, é utilizada no preparo de pickles, frutas assadas, compotas, molhos de tomate e no cozimento de legumes. Em pó, vai bem no arroz doce, no capuccino, na banana assada com açú- car, em pães, bolos, cafés e doces com frutas. Experimente seu inusitado gostinho
na carne moída, nos legumes e nos assados.
Casca de Laranja desidratada: dá um toque de glamour às sobremesas. Ideal para pudins, musses, bolos, biscoitos, molhos e sorvetes.
Cominho (em sementes ou moído): esse é preciso ter controle. De sabor forte, deve ser usado em pequenas quantidades, em pratos à base de queijos, ovos, carnes, batatas e legumes. Também recomendado no preparo de molhos e pães.
Cravo da índia: lembra cheiro de dentista, mas, na comida, é bom demais. Doce e picante, é usado tanto para ornamentar como para dar sabor. Ideal para molhos, conservas, doces, compotas, assados e outros pratos.
Louro (em folhas ou moído): para usar em pequenas quantidades no preparo de molhos, legumes, assados, carnes e frutos do mar. No feijão, então, fica com gosto de comida de mãe.
Mostarda (em sementes ou moída): de sabor picante e aroma agradável, é usada na preparação de molhos para saladas e maioneses, carnes, aves, sopas, legumes e pratos com ovos e queijos.

Comentários
Postar um comentário