Comidas que cuidam - parte 4


Se esta dieta for adotada durante períodos prolongados, a quantidade de pro- teínas e de calorias pode – e deve – ser aumentada. Para engrossar o caldo, algu- mas sugestões:
Incremente sua sopa com leite em pó integral. Se preferir, utilize leites enrique- cidos com ferro, cálcio e/ou vitaminas que são facilmente encontrados nos supermercados. Converse com sua/seu nutricionista.
Acrescente carnes peneiradas ao caldo da sopa.
(como se faz nas deliciosas sopinhas de bebês, lembra?).
Coloque um pouquinho de manteiga nos mingaus e sopas, o que, além de tudo, dá mais paladar.
Adoce as bebidas com açúcar ou xaropes (glicose).





Café da manhã: leite com café ou chocolate / suco de frutas / chá, mingau, purê de frutas    
Lanche: vitamina ou iogurte    


Almoço: sopa de legumes com carne, frango ou peixe (batida e coada), purê cremoso, pudim, sorvete ou gelatina    
Lanche da tarde: milk shake / frapê ou iogurte / gemada    


Jantar: sopa de legumes com carne, frango ou peixe (batida e coada), purê cremoso, pudim, sorvete ou gelatina    

Antes de dormir: mingau  

UM DIA LEVÍSSIMO NO CARDÁPIO
























DIETA LEVE
Especial para quem já consegue digerir alimentos mais consistentes, mas ainda não está preparado para os sólidos de verdade; ou para quem sente a boca, a gar- ganta, o esôfago e o estômago doloridos durante e após os tratamentos radioterápi- cos ou quimioterápicos. Pode ser adotada por longos períodos, já que contém todos os nutrientes de uma alimentação balanceada.
Muitos pacientes acham que seu apetite é maior de manhã. Aproveite que o café da manhã é a refeição mais importante do dia
e capriche nele!
Se você comer bem ao acordar, pode passar o restante do dia ingerindo líqui- dos, que seu corpo vai resistir bem.




Você pode comer alimentos macios e pouco gordurosos, que você amolece cozinhando, amassando, transformando em purê ou batendo em liquidificador.

Pães macios em geral – pão de leite, bisnaga, pão de forma sem a casca, pão de centeio refinado, bolo simples, rabanada e panquecas.

Leite, ovos e carne são permitidos. Evite: frituras, temperos fortes e carnes defumadas ou de porco.

Sopas – caldo de carne, vegetais peneirados. Evite: sopas de feijão, ervilha, cebola.

Doces – geléias, gelatinas, pudins, flans, frutas em calda, musses, sorvetes, bombons, mel. Evite: frutas cristalizadas, geléias com pedaços de frutas, frutas em conserva.

Frutas – são permitidas apenas frutas macias, sem casca e sem semente.


Vegetais – cenoura, beterraba, batata, abóbora, mandioca, abobrinha, mandio- quinha, tudo sempre cozido. Evite: verduras cruas ou cozidas.














S
abe-se que os pacientes com câncer que mantêm o peso corporal e as reservas de nutrientes são mais capazes de tolerar os sintomas do tratamento e se recuperar mais rapidamente da terapia. Além disso, experimentam uma qualidade de vida melhor. Para cada tipo de proble-
ma, há uma conduta a ser seguida – se a pessoa não tem vontade de comer, por exemplo, deve-se dividir suas refeições ao longo do dia. Um ambiente tranqüilo e aconchegante ajuda a tornar o ato de comer menos desagradável para o paciente e, no caso de o tratamento provocar um gosto metáli- co na boca, uma dica é usar talheres de plástico. Se a boca está seca, a pedida é chupar balas de limão e hortelã ou gomas sem açúcar. Seja em um paciente recém-diagnosticado, em terapia ativa, recuperando-se ou tentando prevenir uma recaída do câncer, a nutrição é um componente impor- tante da relação dos cuidados e tratamento. Vários estudos recentes mostram que uma perda de peso de 5% já pode acarretar um pior prognóstico e reforçam a importância do acompanhamento e tratamento nutricional do paciente. Estes cuidados têm por objetivo prevenir ou reverter as defi- ciências nutricionais, preservar a massa corporal magra, minimizar os efeitos colaterais relaciona- dos à quimioterapia ou à radioterapia e melhorar a qualidade de vida.




Daniela Kappes Petrochi, Oncologista e Nutróloga da Nutromédica Clínica de Nutrologia,
e Francisco Wisintainer, Oncologista do Instituto DeVita




UM DIA QUE DESCE FÁCIL



Café da manhã: suco de frutas, leite com café ou chocolate, pão de forma com margarina, manteiga ou requeijão, mamão    
Lanche: 1/2 a 1 xícara de cereal pré-cozido: 1 xícara de leite; açúcar    
Almoço: sopa de legumes, carne, frango ou peixe em pedaços, purê ou legumes bem cozidos, carnes cozidas em geral (desfiadas ou moídas), suco de frutas, pudim de leite    

Lanche da tarde: banana assada com canela, iogurte batido com leite    

Jantar: sopa de legumes, carne, frango ou peixe em pedaços, purê ou legumes bem cozidos, carnes cozidas em geral (desfiadas ou moídas), suco de frutas, pudim de leite    
Antes de dormir: chá com torrada, mingau  

DIETA SEM FIBRAS
O médico ou nutricionista podem recomendar uma dieta sem fibras, caso o tubo di- gestivo do paciente não consiga suportar as fibras naturalmente presentes dos alimentos. Esta dieta costuma ser indicada após cirurgias do intestino, quando algum trata- mento puder prejudicar o intestino (como a radioterapia), quando o tubo digestivo
estiver irritado ou ainda em caso de diarréia. Como ela funciona:







Quando puder, saia para o campo ou para a praia.
Caminhe descalço na terra ou na areia, respirando suave- mente, pensando em coisas boas, coloridas, ou não pensando em nada. Apenas sinta o contato bom dos pés com a natureza.
Restringe-se a quantidade de verduras, legumes com casca e semente, frutas e grãos.
Fica limitado a duas xícaras por dia o consumo de leite e derivados, como creme de leite, iogurte e queijo (embora não contenha fibras, o leite deixa resí- duos no tubo digestivo, o que pode irritar o intestino e causar diarréia e cólicas).

Atenção: a quantidade de fibras e de leite poderá ser aumentada aos poucos, de acordo com os progressos da capacidade digestiva do paciente. Em alguns casos, o leite in natura pode ser substituído por leite com baixa lactose – converse com o
médico ou com o nutricionista, sempre que quiser introduzir mudanças.





UM DIA SEM FIBRAS


Café da manhã: chá, suco de frutas não-laxativas, pão branco, torrada, geléias, margarina, queijo branco    

Lanche: suco de frutas, água de coco, gelatina    

Almoço: arroz/macarrão, carne, frango ou peixe (grelhado, assado ou cozido), legumes permitidos, sobremesa permitida    

Lanche da tarde: pão de forma, geléia, chá ou suco    

Jantar: arroz/macarrão, carne, frango ou peixe (grelhado, assado ou cozido), legumes permitidos, sobremesa permitida    
Antes de dormir: chá, bolacha água e sal ou torrada  



DIETA SEM LACTOSE
O leite e seus derivados contêm lactose (açúcar do leite), que é pouco tolerada por certas pessoas. Costuma-se recomendar dietas pobres em lactose após a radioterapia do intestino, pois esse tratamento, muitas vezes, torna temporaria- mente difícil a digestão da lactose.












As chances de reincidência do câncer da mama são menores em
mulheres que seguem uma dieta pobre em gordura, segundo a Sociedade Americana de Oncologia Clínica.




Fique atento:
Os produtos  fermentados do  leite, como o leite acidofilizado, a coalhada e  o iogurte, geralmente são mais fáceis de digerir que o leite in natura.
Existe no mercado o leite com pouca lactose e certos produtos que conseguem
decompor a lactose presente no leite e em outros laticínios.
A lactose às vezes é usada em produtos como o café instantâneo e até mesmo em certos medicamentos. Leia com atenção as embalagens e as bulas para se certificar. A tolerância à lactose varia de uma pessoa para outra. Fale com seu médico ou com o nutricionista sobre isto.





UM DIA LONGE DA LACTOSE



Café da manhã: leite com baixa lactose, com café ou iogurte, pão com margarina ou geléia, frutas e sucos em geral    

Lanche: fruta ou iogurte    

Almoço: carnes em geral, arroz, feijão, legumes, verduras, frutas ou doces com leite com baixa lactose    
Lanche da tarde: vitamina de frutas com leite de baixa lactose, bolacha    

Jantar: carnes em geral, arroz, feijão, legumes, verduras, frutas ou doces com leite com baixa lactose    

Antes de dormir: mingau com leite com baixa lactose ou chá com torrada ou bolacha  

SUPLEMENTOS DIETÉTICOS PARA MELHORAR A NUTRIÇÃO
Se não for possível obter calorias e proteínas suficientes com a dieta adotada, certos suplementos dietéticos, comercializados na forma de pó para preparo instan- tâneo, podem ser úteis.





Para absorver melhor o ferro dos alimentos e diminuir o risco de anemias, além de se alimentar bem, você deve ingerir muita vitamina C (naturalmente,
em laranjas, acero- las, morangos).




Há também produtos para serem adicionados a pratos ou bebidas, a fim de aumen- tar o teor de calorias. Esses suplementos são ricos em proteínas e calorias e têm vi- taminas e sais minerais em abundância. São vendidos na forma de líquido ou pó.
Também há dietas prontas, feitas com a mistura de vários alimentos in natura.
É uma alternativa prática e barata para a comida feita em casa.
A maioria dos suplementos dietéticos comercializados contém pouca ou nenhu- ma lactose, mas, mesmo assim, é importante ler a embalagem com atenção, se você for sensível à lactose. Na dúvida, converse com seu médico ou nutricionista.








“Comer, beber e amar... O resto não vale um níquel.”
(Lord Byron)
Esses alimentos são práticos, pois:
Quebram o maior galho na hora daquela fome que bate no meio do dia. Não precisam de refrigeração enquanto não são abertos – podem ser levados a qual- quer lugar e serem consumidos quando houver necessidade.
Depois de esfriados, são ótimos como lanche entre as refeições e antes de dormir.
Você poderá levá-los para as sessões de tratamento ou sempre que tiver de ficar esperando muito tempo em algum lugar.

Atenção: pergunte a um nutricionista quais são os melhores suplementos para o seu caso.









 A
s primeiras conversas que ouvi sobre quimioterapia, ainda na sala de espera do médi- co, me assustaram muito. Uma mulher dizia que não conseguia beber água porque sentia gosto de metal. Outra reclamava que comer era horrível, não tinha a menor
vontade de colocar nada na boca, enjoava muito. Fiquei com medo do que poderia sentir.
Mas os médicos me alertaram que cada pessoa tem uma reação. E logo avisaram que comer bem seria essencial para a minha recuperação. Então preparei minha cabeça para isso: resolvi que iria me alimentar de qualquer jeito. E acho que essa determinação foi muito importante. Pensava na parte do meu corpo doente como uma parte mesmo – não era eu a doente, mas sim aquela parte atingida, apenas ela. E todo o resto do corpo precisaria ajudar na recuperação daquela área.
Logo de cara já me disseram que a quimioterapia desidrata, então eu teria de beber muito líquido, no mínimo três litros por dia. Como gosto muito de chá, caprichei na bebida, especial- mente chá verde. Tomei ao longo do tratamento muito mais do que o recomendado. Às vezes inventava coisas diferentes para colocar no chá, como maçã, seca ou fresca, ou erva-doce. Tudo isso dava mais sabor.









Meu paladar mudou; mas, como o olfato ficou preservado, então abusava de coisas cheirosas nos pratos. O feijão não tinha gosto? Eu botava coentro. Nas carnes, que são essenciais para a recupe- ração, colocava hortelã, manjericão... ia inventando. Os médicos me aconselharam a comer coisas que dão energia, como carne e grãos. Para não enjoar, alternava feijão com lentilha ou grão-de-bico. A única coisa que realmente não consegui comer foi pão – ele ficava pastoso na minha boca,
perdia a consistência. Para substituí-lo, comi muito mingau de aveia, com canela e baunilha.
À noite, tinha acessos de fome. Acordava, perdia o sono, a boca ficava ressecada. Ia para a cozi- nha e assava uma maçã no microondas, com canela também. Maçã é muito bom, porque é levinha, cai bem. Também tomava muito iogurte – os médicos diziam que era importante para recu- perar a flora intestinal. Para incrementá-lo, caprichava na canela, colocava mel ou açúcar.
Eu acho que, nesse processo de recuperação, a cabeça tem uma responsabilidade imensa: e eu coloquei na minha que iria ficar bem, mas para isso precisaria me cuidar direitinho. Então resolvi seguir à risca a recomendação médica: eles me falavam para comer, eu comia. Procurava fazer várias refeições ao dia, comia sempre pouco em cada uma e nunca ficava muito tempo sem me alimentar. Hoje, sinto-me muito bem, voltei ao trabalho e à rotina com minha família. Agora, só tenho que fazer os controles.



Ana Adelaide C. Antunes Teich, 39 anos, professora de inglês. Fez quimioterapia durante cinco meses, em 2005, para tratar um câncer de mama.
































Quanto mais proteína, melhor






O
s efeitos colaterais do tratamento geralmente desaparecem com o seu tér- mino. Se a terapia for prolongada, porém, poderá ser necessário intro- duzir mudanças de longo prazo no regime alimentar, para ajudar a
enfrentar os efeitos e manter o vigor físico.



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