QUALIDADE DE VIDA - parte 6


O quadro evolutivo de estresse físico tem quatro níveis de manifestação:
Jürgen Habermas (1987), filósofo alemão contemporâneo que escreveu a Teoria da Ação Comunicativa, discute a sociedade através de dois pilares. O primeiro é o Sistema, que é dividido pelo Sistema Poder – sujeição a coerção do Estado como meio de preservação do coletivo – e Sistema Moeda – sujeição dos homens aos mecanismos do trabalho e das empresas, se justifica pelo mundo do trabalho para aquisição de bens e manutenção da vida. O segundo pilar é o Mundo da Vida – ambiente de troca de ideias, em que as pessoas convivem sem coações, medos ou insegurança, local onde a vida pulsa, espaço das relações intersubjetivas.
Quando os homens estão inseridos em um dos dois pilares, eles agem conforme dois preceitos distintos: no Sistema Poder e Moeda, as ações dos homens são estratégicas, isto é, o agir estratégico é uma ação que tem como princípio o poder, é uma relação de desiguais em que um detém o poder sobre o outro, como a relação do réu com as leis do Estado ou o funcionário com seu chefe; nesses momentos, as ações humanas
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Falta de vontade, ânimo ou prazer de ir a trabalhar. Dores nas costas, pescoço e coluna.
Diante da pergunta o que você tem? normalmente a resposta é “não sei, não me sinto bem”
Deteriorar o relacionamento com outros. Pode haver uma sensação de perseguição (“todos estão contra mim”), aumenta o absenteísmo e a rotatividade de empregos.
Diminuição notável da capacidade ocupacional. Podem começar a aparecer doenças psicossomáticas, Automedicação.
Neste nível tem se verificado também um aumento da ingestão alcoólica.
Alcoolismo, drogadicção, ideias ou tentativas de suicídio. Durante esta etapa ou antes dela, nos períodos prévios, o ideal e afastar-se do trabalho.
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estão permeadas pelo agir estratégico. Por outro lado, no Mundo da Vida, as ações são permeadas pelo agir comunicativo; nele, as ações procuram a verdade sem coações, medo ou insegurança, é uma relação entre iguais, em que as pessoas colocam-se para entender o outro na busca de consenso como, por exemplo, em momentos de lazer ou em conversa com um amigo; nesses momentos, somos permeados por ações comunicativas.
Norbert Elias, sociólogo Inglês contemporâneo, discutiu o processo civilizador. Ele aponta que existe um desenvolvimento amplo na civilização, que parte desde posturas positivas do bem viver às questões mais complexas como mudança nas relações sociais e entendimento do ser humano. Para ocorrer esse processo de civilização, os homens sublimam toda a sua agressão, trocando-a por um autocontrole que tem como característica principal a evolução social. No processo civilizador, Elias procura construir a gênese do comportamento e das ações, a partir de componentes racionais, mas sempre atento às manifestações psicológicas e fisiológicas. De maneira geral, nas sociedades que adotam elevadas normas de civilização, graças a um estrito controle da violência física por parte do Estado, as tensões pessoais resultantes levam a uma sensação de tensão e estresse. Para Elias, o autocontrole é constitutivo da natureza do ser humano, e, portanto, não leva necessariamente a manifestações de neuroses ou patologias.
Para Habermas, o estresse psíquico relaciona-se com o Sistema Poder e Moeda, isto é, com o mundo do trabalho e a coerção do Estado, seja ele qual for, faxineiro ou burocrata. O trabalho se caracteriza pela égide do agir estratégico; segundo Habermas, no mundo do trabalho, que chamaremos a partir de agora de Sistema Poder e Moeda, as pessoas agem sempre de forma a manter-se no poder, no cargo, na função, e para isso mentem, trapaceiam, “engolem sapo” e principalmente sublimam toda a sua agressão, trocando-a por um sorriso propaganda, um “sim senhor” para o chefe, um obrigado para o fornecedor ou um “volte sempre” para o cliente. Essa relação mecanizada de autocontrole, típico da evolução social, leva ao estresse psíquico.
Na ação estratégica, não é permitido agir segundo suas vontades, mas de acordo com a vontade do Sistema Poder e Moeda, com os preceitos capitalistas de acordos, datas e concorrência, seja para entrega
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de um trabalho ou para execução de uma tarefa. Há também a pressão do desemprego estrutural, levando a baixos salários e ao medo do desemprego – este também é outro fator. Essa repressão velada leva a um acúmulo de tensões e esse acúmulo gera o estresse psíquico.
Não se trata aqui de negar a importância do autocontrole para a evolução social. Nobert Elias, no processo civilizador, apresenta justamente o autocontrole, repressão das pulsões e das vontades como mecanismos de civilização. Não é este autocontrole que estamos aludindo, porque o autocontrole de Elias refere-se a uma melhoria e reciprocidade para todos os pares. O autocontrole do agir estratégico habermasiano é se sujeitar ao poder do outro, não somente ao poder do Estado discutido em Weber, mas ao poder individual ou coletivo exercido pela moeda e pela posição social; em outras palavras, é o autocontrole do subalterno para não ficar desempregado ou àquele que almeja uma promoção.
Além deste autocontrole estratégico, podemos também apontar o estresse psíquico de resolução de problemas ligados ao sistema financeiro. Como o sistema é regido pelo agir estratégico, mesmo os grandes executivos estão sob uma pressão psicológica muito grande, justamente por saberem que o sistema conspira contra todos, a mentira é utilizada para ganhar sempre, conseguir alianças e melhores posições. O estresse psíquico do executivo é desencadeado pela própria estrutura estratégica criada pela empresa no sistema produtivo.
Avaliado o problema, percebemos que as mudanças são mais estruturais do que conjunturais. Segundo Habermas, o agir estratégico é próprio e intrínseco ao Sistema Poder e Moeda, difícil de ser amenizado; porém, leituras menos ortodoxas podem ser feitas, como exemplo Gutierrez, que discute as formas de minimizar os efeitos do agir estratégico dentro da empresa. Para Gutierrez, as empresas deveriam propiciar o agir comunicativo dentro das relações de trabalho. Na teoria habermasiana, as ações comunicativas privilegiam a verdade, a comunicação e a troca de ideias sem coação, sem medo e com a possibilidade de todos os presentes darem sua opinião, mesmo que seja desfavorável ao argumento do outro. O agir comunicativo é a forma expressa de linguagem no sentido mais puro que a comunicação pode ter, isto é, poder de voz a todos, sem hierarquia, sem posições privilegiadas, apenas a fala no sentido de elucidação e não do convencimento. O agir comunicativo encontra-
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se no Mundo da Vida, que é caracterizado pelo mundo das relações sociais: na família, no jogo, no churrasco, no ambiente ligado á cultura, na troca de ideias, sem a repressão do Sistema Poder e Moeda; enfim, onde as pessoas criam e recriam seu ambiente cultural. Nesse sentido, a redução do estresse psíquico está diretamente relacionada à mudança de perspectiva na relação empresa e profissionais, em que devemos conter o agir estratégico e valorizar o agir comunicativo.
Alguns exemplos notáveis já são encontrados nas empresas, como a flexibilidade de horários ou possibilidade de trabalho em casa, que se aproxima de ambientes menos estressantes, convivendo com a família; não valorizar funcionários pelegos que alimentam a discórdia e a desconfiança dos companheiros, funcionários estes que ampliam a ação estratégica; promover espaços coletivos onde a família do empregado possa participar, criando outros vínculos além do burocrático, espaços comunicativos na empresa como o clube para os funcionários ou as festas; pequenas pausas durante o trabalho com atividades não dirigidas; ter uma relação sadia com os funcionários, tratando-os com respeito e dignidade; minimizar a hierarquia e cargos figurativos; ter uma política clara da empresa quanto aos direitos e deveres do trabalhador e do empregador.
Esses são alguns pontos que podem facilitar a entrada do agir comunicativo dentro da empresa, diminuindo a função do agir estratégico. Claro que não existe consenso quanto a essas alternativas, mas não podemos negar que várias das colocações apresentadas não são nenhuma novidade, são discussões correntes.
O diferencial dessa discussão, porém, é o referencial habermasiano, ao admitir que o estresse psíquico está relacionado não ao tipo de atividade exercida, mas a toda uma estrutura criada no Sistema Poder e Moeda. Hoje sabemos que o estresse psíquico está relacionado a esse medo, à insegurança e ao autocontrole estratégico. Sabemos que o próprio sistema cria esse mecanismo de diferenciação. Outra visão possível desse tema é discutir a qualidade de vida na empresa pelo pressuposto de Elias; podemos pensar que o processo civilizador na fábrica apresenta uma evolução nas relações humanas, uma mudança na preocupação com os funcionários, uma humanização do espaço de trabalho. Ocorreu um processo civilizador nas corporações industriais, por isso a ginástica laboral, os clubes empresas e a preocupação com a família do empregado. Todos esses elementos são parte da evolução social e da melhoria da
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qualidade de vida em todos os ambientes, trazendo o agir comunicativo em locais anteriormente dominados pelo agir estratégico.
Ações que possibilitam a qualidade de vida e ajudam a minorar o estresse psíquico são vinculadas ao agir comunicativo e ao autocontrole, sairão na frente, na ampliação de novos serviços que promovam qualidade de vida, aqueles que não somente têm o entendimento do mundo do trabalho, mas aquele que conhece o Mundo da Vida, das relações, das artes, da cultura, onde os seres se sensibilizam e onde a vida pulsa. Quem conseguir trazer estes elementos dará um grande passo na construção de meios que previnam o estresse psíquico.
Conquistar no ambiente de trabalho posturas menos agressivas, promover o debate e o conhecimento dos desejos do detentor do capital e dos trabalhadores, criar meios de comunicação sem restrições na empresa e, principalmente, não exercer qualquer tipo de coação são ações que terão efeitos positivos na qualidade dos produtos e na vida do trabalhador.
Podemos ir mais além, discutindo o papel da sociedade na valorização do mundo do trabalho, do ganhar sempre, de afastar pressupostos éticos positivos, de esquecer os princípios morais e educativos que regem o bem viver. Nessa transformação, não cabe apenas à empresa, mas a todos os ambientes e pessoas que valorizam Sistema Poder e Dinheiro, como: escola, parque de diversão, cinema, compras, relações sociais. Em todos esses ambientes, o agir estratégico é valorizado e por isso a transformação será lenta e gradual.
2.7 Patologias sociais e qualidade de vida na sociedade moderna
As patologias sociais têm afetado tanto a qualidade de vida dos cidadãos como as doenças comuns. Entendamos como patologias sociais os processos de adoecimento que têm origem na rotina ou o modo de vida da população. Podemos qualificar como patologia social todos os Transtornos Mentais Comuns (TMC), como o estresse, por exemplo, que pode ser decorrente de uma determinada condição de vida e/ou estilo de vida. Assim como as mais diversas formas de depressão. Outros transtornos menos identificáveis são alguns dos ataques cardiovasculares e a obesidade.
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Dada essa constatação, surge uma contradição inerente aos processos de diagnóstico e proposta de tratamentos, porque, se parte significativa dos problemas identificados como patologias, hoje, é oriunda do comportamento social e/ou da vida em grandes cidades, esta origem – o mal combatível – não está em determinantes fisiológicos, mas na falta de qualidade de vida. Portanto, quando a população em geral procura um médico com sintomas decorrentes de problemas que surgem devido a rotinas exaustivas, recorrentemente as respostas são fisiológicas, com tratamentos bioquímicos. Ou seja, o tratamento baseado em remédios agride os sintomas dos problemas apresentados, mas não arremata suas causas que têm origens sociais e não somente biológicas.
Publicações na área médica associam os problemas de saúde decorrentes do comportamento social. Ludemir (2008) discute a correlação entre desemprego, informalidade e agravamento das TMCs:
Alguns autores sugerem que, para a saúde mental, os efeitos das dificuldades crônicas são mais importantes que os eventos vitais produtores de estresse. No entanto, Weich e Lewis (1998) encontraram resultados opostos e as dificuldades financeiras no momento das entrevistas mostraram-se associadas com a incidência e a prevalência dos TMC, enquanto a pobreza esteve apenas associada à manutenção dos episódios. Para Lewis (1996) e Wilkinson (1996), a falta de dinheiro pode levar ao estresse e à insegurança, mecanismos psicológicos causadores dos TMC. Wilkinson (1997) sugere, no entanto, que pelo menos nos países desenvolvidos, as desigualdades de renda (pobreza relativa) comprometem mais a saúde do que as precárias condições de vida (pobreza absoluta), afirmando também que a tomada de consciência sobre as desigualdades socioeconômicas afeta a saúde mental (LUDEMIR, 2008, p. 454).
Hoje, com o avanço da medicina social, já é possível defender que o TMC tem origem social. Será que é plausível, também, levantar a hipótese de que outras patologias consideradas clínicas são de ordem sociológica? A pergunta que nos estimula se resume na seguinte sentença: por que tratar doenças ligadas à qualidade de vida com medicamentos,
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se o problema está no cotidiano, na forma de encaminhar a qualidade de vida, nas dificuldades de relacionamento? Se o problema é social, porque a resposta deve ser fisiológica?
Um caso paradigmático poderá elucidar essas questões suscitadas.
Existe relação entre o aumento do uso de antidepressivos e infartos? Será que antidepressivo provoca infarto? A resposta pode simplesmente ser: o antidepressivo combate os sintomas dos problemas que o estresse e o efeito da pressão cotidiana descarregam nas pessoas e, ao “mascarar” sintomas, temos que esses efeitos acabam perdendo seu aspecto de processo de desenvolvimento de uma patologia e sobrecarregam o corpo até que entre em blackout.
Os médicos poderiam reagir, afirmando que não existem dados que associem o uso de antidepressivos ao infarto, por exemplo. Mas não é absurdo relacionar que existe uma correlação entre o uso de antidepressivo e infarto, sendo que ambos podem ter uma mesma origem: quando se trata de um problema de ordem rotineira que sobrecarrega o sistema nervoso e se combate com antidepressivo, remedia-se os sintomas do problema e não seu fator detonador. A sequência depressão-infarto não significa, necessariamente, uma relação de causa e efeito, mas pode-se supor uma ação diagnóstica em sintomas e não em causas que dependendo dos casos pode levar ao infarto.
Não se quer com isso supor que há erro médico em determinadas circunstâncias de tratamento com antidepressivo ou na apresentação de diagnósticos, mas apenas sugerir que determinadas questões mais gerais como a racionalização da sociedade podem estar na origem de problemas considerados físicos. Mas, defender que há uma tendência da sociedade em adiar os problemas originários da rotina desordenada e prejudicial à qualidade de vida com tratamentos que levam em consideração apenas os sintomas dos problemas e não suas causas não é nenhum equívoco.
Se a hipótese estiver correta, é o cotidiano que gera perda da qualidade de vida dos cidadãos e é isso que tem recaído como uma série de problemas que são camuflados pelo uso de medicamentos. Apesar do monitoramento da JIFE (Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes), o uso de antidepressivos tem crescido mundialmente. No
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Brasil, o uso de antidepressivo está em franca expansão entre a classe média. A automedicação se torna outro problema, o jogo em que tudo vale a pena para se sentir melhor passa a ser uma forma de adiar problemas que exigem uma solução mais drástica e penosa. Esses medicamentos corrigem as disfunções fisiológicas, mas não atingem as origens dos problemas. Dramática situação, porque não se trata de um problema isolado, mas de condições de vida típicas da sociedade moderna e que não se limitam ao Brasil.
O mundo do trabalho interfere na saúde do trabalhador. Os diversos estudos sobre a fadiga mostram que há um ajuste fisiológico do ser humano com os equipamentos da fábrica. Os estudos sobre o movimento repetitivo do fordismo tiveram efeito na produtividade, como também no desempenho bioquímico dos trabalhadores. Basta atentar para os casos de lesões por esforço repetitivo (LER), que passaram a fazer parte das doenças relacionadas ao trabalho.
Os movimentos estudados por engenheiros é um processo antigo. Taylor realizou uma revolução gerencial dentro da organização fabril já no início do século XX. Sua forma de otimizar o tempo e orientar o processo fabril transformou-se em uma “escola de pensamento”. A rotina é um movimento involuntário e tão sutil que seus efeitos são sentidos apenas ao longo dos anos. Uma rotina mal formada, não acompanha a evolução do desgaste do corpo; sem o adequado acompanhamento biofísico, causa sequelas incuráveis. Agora, acrescente isso ao ritmo intenso de trabalho e à vida em cidades grandes. Com o aumento da idade, na medida em que o corpo se desgasta, a rotina caminha em sentido oposto, torna-se mais severa e penosa. É inevitável que o corpo passe por transformações fisiológicas que o deixem menos resistente.
Nos anos 1920 e 1930, várias experiências foram registradas para avaliar o desempenho de trabalhadores no chão de fábrica. São as famosas “experiências de Hawthorne”: A luz tem efeito na produtividade? A divisão do espaço interfere na produção? O comando faz diferença? O que dizer dos processos de cooperação e identidade do trabalhador? Independente da importância que esses estudos tiveram para o cálculo da fadiga e da produtividade, os teóricos da administração chegaram à conclusão de que os fatores psicológicos são mais importantes que os fisiológicos na produtividade do trabalho. Assim surge toda uma corrente
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ligada à administração de empresas que justifica a necessidade de trabalhar o “capital humano”.
Concebidas por Elton Mayo, a partir de 1923, várias experiências sobre o efeito dos intervalos na produtividade da industrial têxtil da Filadélfia mostraram que o uso do tempo para algum descanso mínimo é otimizador da produção. Depois disso, o autor foi convidado a seguir fazendo experimentos em fábricas que tiveram efeitos importantes para os administradores pensarem no processo produtivo e nos motivos que geram a fadiga. A partir de 1927, Mayo realizou as “experiências de Hawthorne” (bairro operário de Chicago), que influenciaram a literatura sobre a divisão do trabalho e geraram várias correntes teóricas dentro das estratégias de administração e organização do trabalho. Os efeitos da fadiga tornaram-se mais conhecidos e, cada vez mais, se aprofundaram os estudos sobre a saúde do trabalhador.
As experiências, tanto da Filadélfia quanto de Chicago, levaram Mayo a interpretar que a fadiga tem uma origem ligada às questões psicológicas mais que bioquímicas. Antes de acusar uma causa física, o organismo reage psicologicamente ao processo de cansaço (MAYO, 1933). Baseado nessas constatações, a Organização Mundial do Trabalho (OMT) fixou parte do seu aporte nas interpretações a respeito dos “recursos humanos”, entendidos a partir da sua rede de relações. Ao tratar desse tema, as questões da administração do trabalho se voltaram para conceitos como motivação, pressão, metas, estímulos, liderança e equipe.
Essa “engenharia social” oriunda das experiências de produtividade descartou os efeitos fisiológicos que os movimentos repetitivos podem causar. Em conseqüência, a vasta bibliografia sobre “estudos do movimento” e os efeitos da ciência do treinamento, desenvolvida na área do esporte nunca foram de interesse do administrador e jamais atingiram o efeito prático ao participar do “chão de fábrica”. O máximo que o esporte transmitiu ao empresário, nessa área de atuação direta na manufatura (produção, produtividade eficiência, eficácia etc), foi a ginástica laboral, que não tem ligação direta com a fabricação de produtos e não entra em seu cálculo. Muito pouco para mais de meio século de progresso e construção de conhecimento a respeito do corpo humano.
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É evidente que o corpo tem elasticidade para adaptar-se aos processos de trabalho, e está alheio a algum desgaste. Porém, no longo prazo, os movimentos que testam os limites da exaustão foram negligenciados. Desde a imposição do taylorismo e do fordismo no mundo do trabalho, pouco se contribuiu para a análise das consequências dos movimentos no processo de trabalho do operário. Agora, cada vez menos, o corpo é importante ao trabalho e, cada vez mais, os processos de raciocínio tornam-se indispensáveis para a produtividade. E novamente os efeitos da fadiga mental têm pouca expressão nos cálculos de produtividade. As questões biológicas não são tratadas no âmbito produtivo e não fazem parte da preparação destinada pelos empresários aos seus trabalhadores. Além disso, outro efeito desse descolamento, o desgaste do trabalhador, pode ser visualizado pelo crescimento de uma série de patologias antes escassas (TMC).
Portanto, ao determinar a questão do estresse ou depressão na esfera da psiquiatria, a ciência da administração se eximiu de pensá-las como decorrentes dos ambientes de trabalho, tratando-as como casos isolados e particulares de indivíduos que precisam de medicamentos.
Supondo que o perfil do trabalhador moderno usa mais o raciocínio que a força física, como retirar disso estratégias e treinamentos para elevar a produtividade? Onde a qualidade de vida pode auxiliar? E mais: como minimizar os impactos dos danos provocados pela fadiga?
As necessidades de produção pouco se atentam para os sintomas de desgaste e/ou fadiga. Percebeu-se que, ao estimular o trabalhador (ou pressioná-lo para manter a produção), o que faz diferença é seu empenho psicológico e não sua postura fisiológica. Porém, a fadiga acontece com o tempo. Assim, é normal que o trabalhador busque nos remédios um refúgio para evitar que a exaustão interfira no processo de produtividade.
Mas, o que faz o remédio? Adia o problema. Faz com que os sintomas da fadiga desapareçam. Por outro lado, as causas que levaram aos sintomas continuam a atuar; só não se convertem em empecilhos para a continuidade do trabalho. Os sintomas escondem o agravamento do problema e os colapsos podem ser inevitáveis – quando não, ocorre a dependência dos medicamentos.
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O trabalho estabelece padrões, organiza pensamentos e invade a vida cotidiana de forma a interferir na cultura. O trabalho disciplina o tempo e o uso do tempo vai para além do mundo do trabalho. E. P. Thompson tem um artigo seminal sobre “tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial” (THOMPSON, 1998, 267-304), em que discute o uso do tempo pelo trabalhador, disciplinado a vender parte de seu dia ao patrão. A disciplina com que se entrega a força de trabalho apresenta consequências mas, também, o uso que se faz do tempo é fundamental para discutir a qualidade de vida. Quanto tempo se passa no trânsito? Quanto tempo se usa para dormir? Quanto tempo se dedica ao lazer? E, quanto tempo trabalha-se?
Se o trabalho induz ao uso disciplinado e eficiente do tempo, porque não acreditar que, fora do trabalho, as pessoas não querem usar de forma racional também o tempo de lazer? Portanto, trabalhar-se-á com o suposto que o tempo fora do trabalho ganha racionalidade similar ao tempo disciplinado pelo trabalho. Nesse sentido, a cultura sofre interferência da sociedade industrial dando ao homem moderno um novo patamar de comportamento cotidiano.
A incorporação dos hábitos do ambiente de trabalho em todos os momentos de vida das pessoas, resumidamente, a racionalização das ações sociais no sentido mais amplo, integra-se em diferentes mecanismos de ação que perpassam o universo simbólico no qual o agente vive, sendo o corpo, o primeiro filtro da percepção através dos sentidos ou compreendido como experiências.
Pode-se pensar que, no trabalho, há um processo de racionalização da vida; ocorre uma perda de liberdade nos processos de burocratização que acompanhavam e permitiam o desenvolvimento de níveis cada vez mais complexos de organização social (HABERMAS, 1989, p. 352). Primeiramente, o trabalho degenerava o corpo; agora, ele interfere no espírito.
Esses fatores como processos de secularização ou de desencantamento das visões de mundo, e consequente diferenciação/autonomização das esferas culturais de valor, levam a uma perda de significado da vida em sociedade (HABERMAS, 1987, p. 350).
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Numa sociedade industrial, a cultura da fábrica, do escritório, do trabalho especializado e padronizado se torna lugar comum do comportamento cidadão. Baseado em trabalho assalariado e especialização das funções, o homem moderno não se identifica com o produto do seu trabalho, mas racionaliza sua função ao buscar resultados e não os processos de fabricação. Submete suas decisões ao tempo e o tempo à busca de resultados. Se alguém faz isso na maior parte do seu tempo durante a semana e considera isso como “tempo útil” – tempo de trabalho –, em oposição ao “tempo inútil” – o tempo do lazer –, por que não supor que se racionalizaria também o “tempo inútil” para otimizar seus resultados?
A noção de qualidade de vida transita em um campo semântico e polissêmico: de um lado, está relacionada ao modo, às condições e aos estilos de vida. De outro, inclui as ideias de construção humana e valores socialmente constituídos. E, por fim, relaciona-se ao campo da democracia, do desenvolvimento e dos direitos humanos e sociais. No que concerne à saúde, as noções se unem em uma resultante social da construção coletiva dos padrões de conforto e tolerância que determinada sociedade estabelece como parâmetros para si (ALMEIDA, GUTIERREZ e MARQUES, 2009, p. 8). Pensar qualidade de vida é relacionar a noção, o entendimento e a construção histórica, com os sentimentos psíquicos da população na vida familiar, amorosa, social e ambiental; o conteúdo social, relacional e cultural que envolve desde o acesso aos bens materiais até o uso destes bens. Perceber os significados da qualidade de vida é o compreender como construção cultural.
Todavia, se a sociedade moderna baseia parte significativa da sua construção cultural com base na eficiência laboral, a qualidade de vida, entre outras coisas, age para garantir a produtividade trabalhadora em harmonia. Se assim se faz, a atividade física perde significado social em si e passa a ser um meio para atingir melhor desempenho produtivo. Nesse caso, o esporte, mais que a atividade física, ganha prioridade entre as funções da educação do corpo. O esporte tem mais “afinidade” que qualquer outra função junto ao homem contemporâneo, porque o esporte trabalha com conceitos caros à atividade empresarial, como eficiência, eficácia, otimização, planejamento e busca por resultados. O esporte desempenha um importante papel na formação do homem moderno e da vida em sociedade. Passou-se a discursar sobre o esporte como sendo
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matriz de socialização e transmissão de valores, forma de sociabilidade, instrumento de educação e fonte de saúde. Pergunta-se: qual esporte? Como as pessoas praticam as modalidades esportivas? Aos saudáveis que praticam algum tipo de modalidade esportiva, ainda que sem o padrão competitivo, afirma-se que se afastam dos males atuais como obesidade, hipertensão, problemas cardiovasculares ou também o estresse.
Fica claro nas questões levantada acima que o esporte pode ser praticado como mero discurso, reproduzindo o aspecto racionalizador da sociedade moderna, ou utilizá-lo como estratégia de ação frente às patologias sociais, ou melhor, transformando as condições de vida que somos submetidos em uma sociedade altamente burocratizada e racionalizadora. O esporte sempre exige um cálculo. Cálculo inclusive de utilidade. Praticar a atividade física esportiva, mais que qualidade de vida, avalia desempenho. Requer melhora. Para melhorar, há necessidade de planejamento. Busca-se otimização do tempo, um recurso escasso na sociedade atual. O esporte racionaliza o desempenho do seu praticante e busca progresso. Portanto, ao recorrer a termos tão presentes no mundo do trabalho pode causar a impressão de que o tempo “inútil” ganha determinada utilidade ao usar-se desses termos para tratar a atividade extralaboral.
Pode-se, portanto, utilizar como estratégia essa visão do esporte na sociedade como algo útil e que traz benefícios práticos na vida das pessoas (diminui o estresse, alivia a tensão, combate a obesidade, deixa a pessoa mais sexy, entre outros atributos), para conseguir, nas intervenções, aliviar as patologias sociais. Nesse caso, propõem-se não somente uma atitude de praticar modalidades esportivas ou exercícios, mas voltar estas ações com os objetivos da qualidade de vida; mais do que promover práticas esportivas, deve-se estruturar os objetivos da prática, afastando o modelo de performances e incorporando o modelo de qualidade de vida.
Ao desenvolver um programa de atividade física, é preciso considerar não somente seus benefícios fisiológicos, mas também buscar atender a outros níveis de exigência do ser humano. Tais níveis dizem respeito às necessidades de relacionamento, bem-estar e autoestima. A prática esportiva se apresenta como uma dessas possibilidades, pois o esporte é um fenômeno social que, além de incentivar a atividade física, promove interação social e influência no relacionamento entre os participantes.
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Porém, a simples ocorrência de atividades esportivas não garante que seja desenvolvido um sentimento de integração entre colegas, a identificação com o local de trabalho, o desenvolvimento da individualidade e a autoestima do empregado. É importante que haja, por parte dos organizadores de atividades esportivas, conhecimento específico a respeito dos valores e das formas de manifestação do esporte (MARQUES, GUTIERREZ e ALMEIDA, 2008).
Num ambiente em que as atividades esportivas e de lazer são pautadas em normas do alto rendimento, valores como o individualismo, a rivalidade e a segregação podem vir a ser transmitidos, pois esse modelo valoriza os vencedores em detrimento dos perdedores. Já a prática esportiva pautada na qualidade de vida sugere ações cooperativas em suas atividades, visto que o objetivo é promover um processo de atividade esportiva independente da nomeação de melhores ou piores, vencedores e perdedores.
Uma das questões pertinentes à qualidade de vida é a relevância de alguns níveis de exigência do ser humano, como necessidade de relacionamento, bem-estar no ambiente de trabalho e manutenção de sua autoestima. Ao adotar programas de qualidade de vida, a empresa deve atentar para as atividades que estão sendo propostas e como estão sendo aplicadas. O esporte é uma forma de atividade física que, além de auxiliar na promoção do antissedentarismo e de benefícios à saúde clínica, pode incentivar formas de relacionamento saudáveis entre os participantes. Se não houver o esforço de formar profissionais com essa visão, o próprio exercício/atividade reproduzirá a sociedade racionalizadora que quantifica e mede desempenho, levando inevitavelmente a um aumento das patologias sociais.
O que a prática esportiva tem a ensinar a sociedade moderna? Acusamos aqui o fato de o esporte herdar, de certa forma, conceitos e contextos oriundos da sociedade industrial. Todavia, deve-se fazer justamente o caminho inverso neste momento. O que a sociedade industrial pode aprender com a atividade esportiva voltada à qualidade de vida? O esporte torna-se, dentro de atividade de lazer, um modus-operandi da cultura moderna, faz-se útil ao mostrar que as patologias sociais são mantidas sem que os sintomas sejam afastados. O esporte tornar-se-ia uma estrutura de reconciliação do homem racional com seus limites biológicos. O esporte age, portanto, preventivamente. Ativa o metabolismo
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e amplia a capacidade fisiológica para a resistência. Aumenta, inclusive, a capacidade de trabalho e ajuda a evitar a fadiga. Se a exaustão física causada pelo trabalho for combatida antes do aparecimento dos sintomas, o esporte pode tornar-se o grande aliado do homem diante do frenesi do tempo.
Trabalhar com as questões da qualidade de vida no esporte pode ser um excelente aliado na prevenção das patologias sociais, enquanto não se reconstruir esta sociedade que cultiva os Transtornos Metais Comuns como meros desvios individuais.
2.8 Gestão e qualidade de vida: o esporte como meio para a integração e bem-estar entre os funcionários da empresa
O esporte é um fenômeno sociocultural que, devido a normas de conduta e características próprias, transmite valores e, por isso, exerce influência sobre hábitos e comportamentos de nossa sociedade. Os ambientes de ocorrência desse fenômeno não dizem respeito somente a praças2 voltadas à prática esportiva, mas também a qualquer local em que estejam presentes meios de comunicação e comercialização voltados aos produtos relacionados ao esporte.
Bracht (1997, p. 12) sugere duas formas de manifestação do esporte: o esporte de alto rendimento ou espetáculo e o esporte enquanto atividade de lazer.
Tais manifestações dizem respeito aos propósitos e aos meios em que ocorre a prática esportiva, norteando o processo de análise desse fenômeno. O esporte de alto rendimento pode ser resumido nos seguintes pontos:
- Possui um aparato para a procura de talentos normalmente financiados pelo Estado. Além disso, este aparato promove o desenvolvimento tecnológico, com o desenvolvimento de aparelhos para a utilização ótima do “material humano”;
2 O termo praça diz respeito a qualquer ambiente que seja destinado à prática de atividades esportivas. Exemplos: clubes, parques, escolas.
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- Possui um pequeno número de atletas que têm o esporte como principal ocupação;
- Possui uma massa consumidora que financia parte do esporte-espetáculo;
- Os meios de comunicação de massa são coorganizadores do esporte-espetáculo;
- Possui um sistema de gratificação que varia em função do sistema político-societal.
Essas características apontam para uma prática voltada à constante busca pela melhoria de performance atlética e competitiva, o que exige grande dedicação dos praticantes e sinaliza para um ambiente profissional. Para que um ambiente pautado no profissionalismo sobreviva, é preciso que haja movimentação de capital. Por isso, a disseminação e comercialização dessa forma de manifestação do esporte são dependentes de meios de divulgação, além de indivíduos interessados em seu consumo.
Nesse processo de promoção, a capacidade de interferência e a influência desse fenômeno sobre a sociedade são otimizadas, fazendo com que seja incorporado sob o modelo divulgado por esses meios. Dessa forma, o alto rendimento é apresentado como modelo predominante do esporte, exercendo influência sobre a prática enquanto atividade de lazer. Tal influência se apresenta nas regras utilizadas em atividades esportivas, normas de ação e comportamento dos participantes em momentos de lazer (muitas vezes iguais às do alto rendimento), além dos valores transmitidos por tal prática.
Os valores transmitidos pelo esporte de alto rendimento são, segundo Kunz (1994) e Bracht (1997), em obras distintas e independentes: sobrepujança ao adversário, comparações objetivas, busca por melhor rendimento e vitória, representação, supervalorização do vencedor e desvalorização do perdedor, comércio e consumo do esporte, disciplina, racionalidade técnica e concorrência. Pode-se notar que tais valores transmitem a ideia de competitividade, segregação entre bons e ruins ou
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competentes e incompetentes, rivalidade e respeito irrestrito a regras e autoridades.
Isso se faz importante, na medida em que indivíduos que aceitam o alto rendimento como a única forma de manifestação do esporte incorporam os valores próprios do mesmo. Dessa forma, podem tornar-se sujeitos que valorizem a vitória e a sobrepujança ao adversário como o ponto central da prática esportiva, o que diminui as possibilidades de integração e socialização por meio desse tipo de atividade, pois o vencedor será valorizado e o perdedor subjugado.
Já o esporte como atividade de lazer, segundo Bracht, é heterogêneo, pois se pauta em características e determinações do esporte de alto rendimento, porém, num ambiente de não-trabalho. Isso não significa que a atividade esportiva em momentos de lazer siga sempre, e de forma rigorosa, as regras do esporte de alto rendimento, porém, elas norteiam e fundamentam a atividade. Outra opção é a ocorrência de um processo de ressignificação ou reinvenção do esporte, desvinculado do alto rendimento.
O caráter heterogêneo do esporte voltado ao lazer se apresenta, a partir da prática em si, como o motivo para a realização de certa atividade, possibilitando ao praticante que determine as normas a serem respeitadas. Esse fato possibilita o descarte ou a alteração de regras e padronizações próprias do esporte de alto rendimento, visando facilitar ou tornar mais atraente e integrativa a prática.
O esporte enquanto atividade de lazer apresenta, além da prática em si, outras formas de manifestação como, por exemplo, o papel do espectador e do organizador (não-profissional) de eventos esportivos. Essa relação é importante devido ao fato de o fenômeno esporte transmitir valores não somente a quem pratica, mas também a quem o assiste, organiza e consome.
Para entender tais valores, é preciso que sejam considerados os motivos que orientam a prática. Betti (1993) cita a preocupação com a manutenção da saúde, o prazer e a sociabilidade. Os valores transmitidos pelo esporte como atividade de lazer são: autovalorização e reconhecimento de capacidades individuais próprias, influência positiva sobre a autoimagem e concepção de vida, vivências coletivas, atuação
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social, prazer na vivência esportiva desvinculado do desprazer de outros participantes, resistência ao sobrepujar e intenção de colaborar, valorização da ludicidade, cooperação, competição sem rivalidade, valorização do processo competitivo e não somente do resultado da competição, crítica à violência em competições, não-discriminação de sexo, raça ou características físicas.
É importante considerar que tais especificações são próprias da prática do esporte como atividade de lazer, pautada numa visão ressignificada ou reinventada do esporte, na qual alguns autores (Kunz, 1994, Assis de Oliveira, 2001 e Oliveira, 2002) propõem alterações na forma com que esse fenômeno possa ser ensinado e/ou organizado. Tais mudanças visam proporcionar ao praticante a oportunidade de vivenciar diferentes modalidades sem obrigação de alta performance atlética e competitiva, além de propor ambientes em que a relação entre os adversários seja transformada. Nesse caso, o oponente passa a ser um colaborador que torna a prática possível, e não, necessariamente, um rival.
A intenção da análise sobre as formas de manifestação do esporte, assim como as teorias e propostas em relação a diferentes formas de organizá-lo, é criar a possibilidade de a prática esportiva colaborar na transmissão de certos valores sociais, além de proporcionar momentos e ambientes adequados ao meio em que a prática ocorre.
É possível observar que o esporte está presente em diversos setores de nossa sociedade, como nas escolas, em parques, nos meios de comunicação, no comércio em geral, em praças esportivas e nas empresas (além de outros ambientes). Em cada um desses meios, a presença do esporte tem uma razão de ser, como por exemplo na escola, ambiente no qual esse fenômeno é considerado um conteúdo da cultura corporal e, portanto, um conteúdo a ser ensinado para o desenvolvimento de cidadãos autônomos. Em parques e em praças esportivas, a presença desse fenômeno pode ser creditada a programas sociais (Esporte para Todos, por exemplo) ou simplesmente como forma de lazer sem vínculos organizacionais. Já nos meios de comunicação, esse fenômeno se apresenta como produto a ser comercializado.
E nas empresas? Qual é o intuito da presença desse fenômeno? Ele atende aos objetivos de seus organizadores? É possível organizar


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