Em casa é uma coisa, basta dar alguns tiros no chão, que o 'vagabundo' vai embora.
Na rua, 'a porca torce o rabo'!
Nunca me imaginei atirando em alguém. Muito menos matando outra pessoa!
Só de pensar nisso, fico arrepiado!
Mas, também, não dá para se dormir tranqüilo sem ter como se defender dos fascínoras que andam à solta.
Meu pai tem um velho revólver Caramuru, calibre .32 Smith & Wesson curto.
Não é lá grande coisa, mas é uma arma. Ele sempre gostou de armas, eu não.
Não chego a detestá-las, mas não as aprecio. Quando era pequeno, desejava ser caçador.
Olhava para as fotografias daqueles homens intrépidos, portando fuzis e espingardas belíssimas,
desejando, até invejando, a posição deles.
Depois, bombardeado pelos 'eco-chatos', acabei achando que caçar os bichos era uma covardia.
Paradoxalmente, é só no Brasil que a caça é proibida completamente.
Mesmo assim, milhares de animais são sacrificados nas queimadas, chacinados pelos coureiros, destinados à morte pela fome por legisladores burocratas.
Ou então esses bichos invadem plantações e criações, dando prejuízos incalculáveis aos proprietários.
No fim, ninguém se beneficia com essas leis. No resto do mundo, a caça é permitida.
E as espécies proliferam, a natureza prospera, os bichos não são condenados a morrerem de frio ou fome.
Aqui, se protege com leis inócuas... Mas a natureza é destruída a olhos vistos... Qual será o motivo disso?
Será que os chamados 'caçadores esportivos' fiscalizariam a natureza, tornando difícil a destruição implacável da nossa fauna e nossa flora?
Quem sabe...
Agora, dar um tiro em alguém é algo de muito sério. Bem que o Frank poderia estar certo...
Quem sabe aquela tal arma esquisita dele pode mesmo deixar que as armas de fogo sejam usadas apenas esportivamente, no tiro-ao-alvo e coisa-e-tal...
Creio que este seria um lugar melhor para se viver...
Este Planeta!
Bem, enquanto a tal arma não fica pronta, só podemos nos amparar nessas ferramentas antiquadas e cruéis.
Estes são tempos perigosos.
Dentro do meu armário encontrei roupas que não uso desde os meus primeiros anos de faculdade.
Sapatos com salto 'carrapeta', que eram moda na década de 1970.
Uma correntinha de ouro, um baralho de 'Tarot Egípcios Kier', alguns anéis com caveiras e outros sinais de gosto duvidoso. 'Achei' até um carrinho de autorama, de meus tempos de menino. Fiquei 'catando' as coisas até às onze horas da manhã.
Resolví parar, pois estava cansado.
Além do mais, já havia tirado muitas bugigangas enfurnadas dando, assim, um começo de ordem nesse armário que mais parecia uma lixeira, tanta porcaria havia dentro.
Fui lavar as mãos, quando ouví minha mãe chamando:
"O almoço está pronto, filho!"
"Já vou, mamãe!"
Lavei as mãos e seguí para a sala.
Como sempre, nosso almoço seria 'regado' pelo sangue dos noticiários de algum telejornal.
Não, hoje é domingo!
Graças a Deus não há noticiário neste horário, no domingo!
Na televisão passava um filme, reprisado pela enésima vez.
Até que essas reprises tem sua serventia, pensei:
Depois de assistirmos ao mesmo filme por uma dúzia de vezes, conhecemos tão bem o mesmo, a ponto de montarmos uma 'mesa redonda' para discutí-lo...
Almoçamos macarronada.
Espaghetti ao 'sugo', molho de tomates. Queijo ralado, por cima.
Até que mamãe cozinha bem, coitada.
Quem sabe se ela tivesse acesso às receitas do jantar do Frank, faria até melhor...
Agora, tem uma coisa:
Apesar da falta de sofisticação, a 'comida da mãe' tem um gosto especial, um 'não-sei-o-quê' diferente.
Acho que é o amor que dá esse gostinho peculiar...
Depois do almoço, resolví descansar um pouco, antes de terminar a arrumação do armário.
Deitei um pouco, só para relaxar.
Minha mãe foi me acordar... Para o jantar! Eu havia dormido a tarde toda!
Como não dormira bem na noite anterior, creio que meu corpo exigiu maior repouso.
Jantamos polenta ao forno, com o mesmo tipo de molho da macarronada do almoço.
Conversamos sobre minha iniciativa de arrumar meu quarto.
Repentinamente, essas banalidades não se mostravam tão chatas como eu sempre as considerara.
Dei-me conta de que a vida é composta desses pequenos detalhes, dessas coisas aparentemente sem importância.
Depois do jantar, resolví ficar assistindo televisão.
Aqueles programas dominicais, seguidos de um filme qualquer.
Mas, eu estava me sentindo bem.
A sensação de mediocridade, de um estilo de vida suburbana, não me causava mais mal-estar.
Curiosamente, eu estava até 'curtindo' essa coisa de conversar com meus pais.
Acho que conviver por algumas horas com uma família, como a de Frank, renovou meu instinto de animal gregário, despertou minha necessidade de estar entre os meus.
Afinal, se 'quebrei a cara' no passado, a culpa disso não era desses dois 'coroas' sentados no sofá.
Com o fim do filme, todos resolvemos dormir. Naquela noite, dormí bem.
Na segunda-feira, acordei cedo. Recomecei a 'limpeza' do armário.
Fiquei arrumando aquela bagunça até à noitinha, recomeçando na terça-feira.
Na quarta-feira, decidí arrumar meu quarto inteiro.
A baderna era menor do que a do armário, mas havia muito lixo.
Fora com ele!
Passei a quarta, a quinta e a sexta-feiras arrumando o quarto.
Na sexta-feira à noite, ele estava um brinco!
E eu que havia me lamentado por não ter trabalho a fazer nessa semana!
Nunca uma semana passou tão rápido quanto essa!
Sábado.
Acordei antes das oito da manhã, sem ter colocado o despertador.
Como já se tornara um hábito, fiz a barba, tomei banho e me arrumei direitinho.
Parece que a 'ordem' voltara a habitar meu ser. Eu estava pronto antes das dez horas.
Conforme já avisara meus pais, não almoçaria em casa naquele sábado.
Estava pronto para sair, quando resolví dar uma espiada no tempo, para saber se estava frio.
Frio. Bem frio.
Melhor ir agasalhado.
Afinal, voltaria tarde, com certeza. Seria bom estar prevenido.
"Mamãe, vou sair. Cadê o papai?"
"Foi até a banca, comprar jornal. Volta já!
Você não vai esperá-lo?"
"Vou sim, mamãe."
Dei um beijo no rosto de minha mãe, sentando-me no sofá para aguardar o retorno do 'velho'.
Enquanto aguardava, lembrei-me que deveria encontrar algum armeiro para 'limpar' o meu revólver.
Nisso, meu pai entrou, trazendo dois jornais consigo.
Sei que ambos, papai e mamãe, teriam muito entretenimento com aquelas páginas...
Notícias, classificados, entrevistas, o mundo nas mãos deles!
Será que eles eram felizes?
Não sei.
Só sei que vou fazer de tudo para que eles se orgulhem do filho.
Eles não tem muito, e não é justo que o pouco que tem não lhes dê algum motivo para que se alegrem.
"Pai, vou sair."
"Está bem, filho. Vá com cuidado!"
"Claro, pai."
"Deus o acompanhe, filho!"
"Deus fique com vocês."
Abrí a porta e fui surpreendido por uma lufada de vento.
O inverno chegara, certamente.
As plantinhas de nosso jardim balançavam com o vento frio.
O portão, em metal, estava gelado.
Apesar do céu azul, o frio e o vento eram intensos. O caminho para a casa do Frank eu já conhecia.
Desta vez eu estava mais preparado, pois conhecia o trajeto.
Caminhei até o ponto de ônibus, aguardando o coletivo chegar.
O itinerário foi o mesmo, mas eu perdera aquela ansiedade brutal que tirava a alegria das coisas.
O tempo gasto foi o mesmo, mas pareceu passar muito mais rápido.
Cheguei à casa de Frank pouco depois das treze horas.
Um pouco antes da hora marcada, mas creio que não vou incomodar.
Toquei a campainha.
A mesma voz do outro lado perguntou quem era. Identifiquei-me.
Poucos instantes depois, o portão se abriu. Fui recebido pelo Herbert, secretário de Frank.
"Seja bem vindo, doutor Roberto!"
"Olá, Herbert! Como tem passado?"
"Bem, obrigado.
Acompanhe-me, por favor, que o doutor Frank está no estúdio."
Acompanhei Herbert até o local onde estava Frank.
Era aquele estúdio em que havíamos ficado conversando no sábado passado.
"Entre, Beto! Como está?"
"Com licença, Frank. Vou bem, e você?"
"Tudo bem."
"Como está a doutora Francis?"
"Está bem.
Hoje estão todos reunídos num sarauzinho familiar.
Mais tarde, teremos alguns queijos e frios para degustar.
Com bons vinhos, lógico!" Eu sorrí.
Frank parecia, às vezes, só pensar na 'boa mesa'.
"Sente-se, Beto.
Vamos conversar um pouco."
"Estou ansioso para saber mais sobre o significado daquele cartão, Frank Kaiser!"
"Ora, você entendeu tudo!"
"Tudo o quê?"
"Você foi aceito para ser Iniciado nos mistérios do Arcano IV.
Não são todas as pessoas que podem receber essa Iniciação.
Normalmente, o indivíduo deve passar, antes, pelas iniciações dos Arcanos anteriores.
Como você sabe, o conhecimento do Arcano IV favorece, e muito, o aprendizado hermético como um todo.
Está claro?"
"Sim.
Mas, algumas coisas me intrigam:
Alguns conceitos herméticos ainda me parecem obscuros.
A diversidade de religiões, os sistemas astrológicos, as artes divinatórias, cada qual tem uma explicação distinta para os acontecimentos daqui e do além.
Bardon afirma, e você reitera, que um Mago pode ter qualquer religião que desejar.
Mas, um Mago deve ter uma religião? São coisas que me intrigam.
Eu devo acreditar nos 'Deuses' das diversas religiões?
Crer em astrologia é condenável, ou é a mesma coisa que ser crente em alguma religião?
Essas coisas ainda me deixam confuso.
Diferenciar religião, esoterismo e superstição não é tão fácil quanto parece."
"Percebo que preciso lhe esclarecer algumas coisas.
Talvez eu deva enfocar alguns pontos obscuros de todo o conhecimento oculto."
"Acho ótimo.
Muitas dúvidas ocupam minha mente há anos."
"Vamos falar sobre Deus, as egrégoras coletivas e a hierarquia dos Deuses internos do homem.
Que tal?"
"Perfeito!"
"Do ponto de vista do hermetismo, há apenas um único Deus, que não tem forma nem atributos singulares, que não possui nome nem face, que é o princípio e o fim, que é o primeiro e será o último, que foi, é e sempre será. Que está onipresente, é onisciente, onipotente, a expressão pura do amor caridoso. Imortal.
Os Deuses Menores, da mitologia ou das lendas, são emanações limitadas da única e verdadeira Divindade, a
Divina Providência.
Por esta razão, eles, os Deuses Menores, são tratados com respeito, mas nunca com maior reverência ou louvação.
Os Deuses são ferramentas que devem ser utilizadas pelo mago com a autoridade da Luz, sendo que a Luz é a emanação primária; todas as coisas lhe são subservientes.
O homem não precisa curvar-se a ser algum, não importando quão terrível possa ser sua aparência.
Essas formas horripilantes derretem-se, como cera quente, quando atingidas pela luz.
Suas essências são os sonhos do imanifesto, suas formas são os sonhos da humanidade.
Deuses não são jamais criações individuais; são, sempre, o trabalho da mente coletiva de uma sociedade.
Eis porque nenhuma mente solitária pode compreendê-los ou defini-los completamente.
Apesar de terem suas formas criadas pelo desejo das pessoas, consciente ou inconscientemente, os Deuses não são uma mera ilusão, mas aspectos da manifestação da criação coletiva de que falamos acima, que a sociedade em questão reconheceu e magicamente cercou, cristalizando-a em formas distintas com motivos compreensíveis.
Consideremos o Deus pagão Thor.
Alguns indivíduos crêem que Thor é um fragmento da imaginação nórdica, uma entidade imaginária, sem qualquer traço de existência real. Outros dirão que, enquanto é verdade que Thor foi criado pela concentração da vontade das pessoas, ele agora existe em algum nível sutil, porém real, da existência, e continuará existindo enquanto a mente das pessoas
concebê-lo. Terceiros acreditam que a mente humana nada tem a ver com a criação e existência de Thor, que existe independentemente da humanidade, de qualquer forma.
Todos esses pontos-de-vista mostram um fraco conhecimento da natureza do imanifesto.
Os seres humanos não criam, são criações de Deus.
O que a humanidade chama de suas obras são, na verdade, criações da Luz do Imanifesto agindo através dos seres humanos, da mesma forma que a luz física brilha e atravessa um prisma de material transparente no universo manifesto.
Quando os homens e as mulheres começaram sua louvação a Thor, eles não inventaram os atributos da entidade – o trovão e o relâmpago, força, coragem, fúria, destruição – mas reconheceram o princípio comum atrás dessas qualidades e 'focaram' isso numa forma, com nome e aparência humana.
Sendo assim, Thor já existia antes dos seres humanos aparecerem, não sendo, porém, simbolizado como um guerreiro com os cabelos negros, olhos firmes, musculatura hercúlea, portando um machado com dois gumes, por vezes um martelo com duas pontas.
Pelo poder da divina providência que estava com eles, os indivíduos tomaram esse simbolismo do imanifesto, de forma a compreender e controlar as forças desse Deus.
Os humanos não criaram a realidade subjetiva.
O que fizeram foi prover um veículo através do qual as forças existentes subjetivamente pudessem expressar-se para a raça humana.
Dando a Thor uma forma humana, os nórdicos de outrora deram qualidades às forças existentes, as quais,
de outro modo, não possuiriam.
O Thor anterior à criação do homem, não tinha nada em comum com os afazeres humanos, seus prazeres ou sofrimentos.
Não era um ser com memórias de um passado ou esperanças pelo futuro.
Era um Princípio da Natureza, um concurso natural de forças que, quando moldado numa forma humana, poderia ser acessível em linguagem humana e responder a nível inteligível por quem o questionasse.
Os numerosos Deuses que estão presentes em praticamente todas as culturas antigas e em algumas contemporâneas, como o Candomblé e o Vudú, são todos Deuses com nomes e formas pelos quais são reconhecidos, louvados, limitados e definidos por essas culturas.
Eles são, simultaneamente, menos e mais que os seres humanos.
São menos pois não possuem livre arbítrio, além de não poderem jamais evoluir ou tornarem-se algo diferente do que são, exceto se seus 'crentes' evoluírem, carregando-os em seu bojo.
Só assim eles podem crescer, 'para cima e para o alto', por assim dizer.
Qualitativa e quantitativamente, para ser mais claro.
São mais, porém, por deterem incomensurável poder natural, são eternos e indestrutíveis, ao menos em termos humanos.
Mesmo que toda a humanidade pare de pensar nos Deuses, aquele concurso de forças que proveu o foco para o Deus permanecerá, pronto a receber um novo nome e novo simbolismo, de alguma outra cultura futura.
Homens não criam Deuses, apenas dão-lhes nomes – mas é através desses nomes que ganhamos influência sobre os Deuses.
O complexo nome de um Deus engloba sua forma, seus desejos, seus atributos, suas habilidades e limitações; é um tipo de magia que circunda e vincula o Deus à vontade do grupo que lhe deu expressão.
Inclusive, os nomes de certos Deuses são verdadeiros 'mantras', palavras de poder.
Eis o motivo pelo qual é dito freqüentemente que os Deuses dependem da devoção e sacrifícios de seus seguidores, sem o que eles desvaneceriam.
As pessoas que dão nomes aos Deuses são, ao mesmo tempo, servidores e mestres desses Deuses pois, pela negação, esses Deuses seriam enviados para o domínio das forças-cegas da natureza, das quais a energia em questão brotou.
O relacionamento entre os homens e mulheres com seus Deuses e Deusas é simbiótico e mutuamente dependente.
O princípio da formação dos Deuses, nas sociedades primitivas, é sub-consciente.
É frequente que, mesmo no mais rico e variado panteão de Deuses – Menores, encontremos uma Divindade superior, quase ou completamente indefinível, que foi relegada a um segundo plano, isto é, o da religiosidade.
Os homens e as mulheres deveriam se penitenciar quando idolatram e louvam imagens ou símbolos, bem como quando se curvam diante de Deuses com nome e forma.
Na realidade, não há diferença alguma entre as duas atitudes citadas acima.
Ambas ofendem a Providência Divina de forma idêntica.
Mas, esse caminho de mentirinha, que afasta o ser humano da estrada da evolução cósmica, não se limita aos que louvam 'Deuses', mas a todos os que louvam qualquer outra egrégora.
Você sabe definir o que é uma egrégora?"
"Na verdade, não sei."
– "É a mesmíssima coisa que 'Deuses-Menores', apenas não possuindo forma humanóide nem nome. Como exemplo, temos as egrégoras formadas em torno de todas as artes divinatórias.
Em algumas formas de divinação, como a Geomancia, o Jogo-dos-Búzios, o Opelê-Ifá, etc., há uma 'convenção mental', da mesma forma que há em algumas das 'Ciências Experimentais', como a Radiestesia, a Radiônica, e assim por diante.
Essas 'convenções mentais' permitem que o praticante alcance o nível de sua percepção extra- sensorial.
É dessa forma que o indivíduo atinge a Egrégora do sistema em questão.
Um campo, aonde as 'convenções mentais' tem papel preponderante no tocante a contactar a egrégora, é a Radiônica.
A Radiônica é uma 'ciência experimental' muito interessante, que faz uso de uma interação da mente do operador com um equipamento físico.
Podemos até dizer que as 'máquinas radiônicas' tem um corpo físico, que é justamente aquilo que se manuseia.
Essas 'máquinas' são uma criação de pesquisadores do início do Século XX.
A idéia por trás desses inventos é uma forma de terapia conhecida como 'tele-terapia', ou seja, terapia à distância.
Esse princípio consiste numa tentativa de prover-nos com uma forma de diagnóstico e terapia eficiente, além de auto-suficiente.
Isto é, a idéia básica se resume em diagnosticar estados patológicos, doenças, sem a necessidade de equipamentos caríssimos ou de produtos químicos.
Da mesma forma, tratar dos enfermos sem ter de recorrer à energia nuclear, aos preparados fármacos ou às formas de terapias físicas.
A teoria por trás da Radiônica é vasta e complexa.
Portanto, espero que você tenha paciência para, caso não compreenda o sentido do que estamos falando hoje, aguardar um momento propício, quando discutiremos o assunto em profundidade.
É difícil compreender a teoria e a prática da Radiônica, uma ciência do futuro.
Procurarei ser o mais claro possível.
Tomemos, agora, o rumo da prática da Radiônica.
Como já lhe disse, a Radiônica é um sistema de detecção de enfermidades e tratamento das mesmas, feitos à distância, com o uso de um 'testemunho radiestésico' que consiste numa foto, ou numa gota de sangue ou, ainda, numa mecha de cabelos, ou de um pouquinho de saliva, da assinatura, ou de outro 'sinal' do enfermo.
A convenção mental é ir passando ou esfregando os dedos de uma das mãos numa placa, inclusa na máquina, até sentir, em um dos dedos utilizados, uma sensação de travamento ao movimento imprimido.
É dessa forma que o radionicista, como é chamado o
praticante da Radiônica, atinge seu nível de percepção extra-sensorial.
E é através desse mecanismo, dessa técnica, que o sujeito penetra na egrégora do equipamento radiônico que esteja utilizando, descobrindo os índices correspondentes à enfermidade pesquisada.
Os índices, isto é, números que correspondem, no caso da radiônica, a enfermidades e tratamentos, formam, no seu todo, a egrégora do dito sistema.
A Egrégora atingida serve para informar sobre a existência e a essência da enfermidade, bem como sobre a forma de combatê-la, de restabelecer a saúde do enfermo.
De que serviria conhecer só a parte nefasta?
A egrégora só tem função como ferramenta, neste caso, da busca da harmonia, do equilíbrio perdido.
Cabe ao mago utilizar corretamente as ferramentas de que dispõe.
Devemos utilizar a egrégora como uma ferramenta, sem que a ela nos submetamos, quer objetiva ou subjetivamente.
Nos cultos aos Deuses, os praticantes submetem-se às egrégoras de forma objetiva.
Mas, na astrologia, os praticantes e consulentes submetem-se a ela de maneira subjetiva, e ambas as situações são identicamente nefastas.
A astrologia está muito distante da realidade astronômica, pois o que atua nos seres vivos e coisas inanimadas não são as influências planetárias e estelares, mas as influências de uma poderosa e complexa egrégora que atua conforme foi, e constantemente é, programada.
Basta que se observe as efemérides astronômicas
simultaneamente às astrológicas para se notar que, sendo as primeiras heliocêntricas e as últimas geocêntricas, as distinções são mais numerosas do que as semelhanças!"
"O quê significa 'heliocêntrica' e 'geocêntrica'?"
"Heliocêntrico é o conceito de que o Sol é o centro do Universo; geocêntrico é o conceito que considera a Terra o centro do Universo.
Compreendeu essa distinção fundamental?"
"Sim, é muito óbvio."
"Daí alguns astrônomos ridicularizarem a astrologia.
Ridículo é comparar as duas coisas, pois a astronomia estuda as posições dos astros celestes enquanto a astrologia estuda a movimentação e minúcias complexas de uma egrégora caprichosa e multifacetada, que se move e interage a todo instante.
Mas, o mais importante, é saber que, se fossem as influências dos astros celestes as emanações com que lidássemos em astrologia, seria algo mais complexo para mudar, se isso fosse possível.
Como, porém, trata-se de uma egrégora, tudo é mutável através de práticas mágicas.
É como no jogo-de-búzios: uma tragédia preconizada pode ser evitada por procedimentos mágicos.
Na astrologia, geomancia, tarologia, I-Ching, qualquer das artes divinatórias, tudo é semelhante, tudo pode ser alterado.
As artes divinatórias exprimem, objetivamente, aspectos de diversas egrégoras criadas para facilitar a passagem do homem pela terra, dando parâmetros para a magia agir, suprimindo influências, atuando em bradigênese, freiando o ritmo dos acontecimentos, ou em
taquigênese, acelerando o ritmo dos acontecimentos, fazendo com que possamos controlar nosso destino, dando sentido à expressão: livre-arbítrio!
É por isso que se compreende o motivo pelo qual as previsões feitas, dentro de uma egrégora de qualquer ciência experimental, tem maior precisão e envergadura mais abrangente do que aquelas feitas dentro das chamadas artes divinatórias pois, nas primeiras, fica em realce o enfoque científico e, nas últimas, o místico; além disso, previsões realizadas dentro de uma egrégora de artes divinatórias tem maior precisão com indivíduos vinculados àquela egrégora, consciente ou inconscientemente, e também com os que não tem vínculo a egrégora alguma, do que com pessoas ligadas a outras egrégoras."
"É muito complexo!"
"Ora, Beto, mas o Universo é complexo!
Mas tenha em mente que todas as entidades espirituais emanam da Providência Divina.
Portanto, toda entidade espiritual é semelhante.
Sua unidade é básica, suas diferenças são superficiais, como diz Donald Tyson numa de suas obras."
"E o que são as tais 'máquinas radiônicas', das quais você falou?
Meus conceitos sobre o assunto parecem estar equivocados."
"Máquinas Radiônicas são um tipo de sintonizadores de frequências, frequências das ondas biológicas, para a recepção ou detecção e transmissão ou emissão, à distância, isto é, sem um contato físico com o sujeito passivo, o paciente.
Desta forma, detectam vibrações, ondas biológicas,
emitindo ondas e vibrações, identicamente biológicas, permitindo um diagnóstico e posterior terapia, tudo à distância, mediante apenas uma 'amostra', no sentido radiestésico do termo, do paciente, como foto, cabelo, sangue, saliva, assinatura, digital, aparas de unha, etc.
As Máquinas Radiônicas são, em sua aparência, caixas com montagens eletro-eletrônicas e em alguns casos eletro-mecânicas dentro delas, com diversos botões de sintonia e chaves de seleções, uma placa de fricção para o uso do praticante, e um ou mais poços à vista do operador, aonde se introduz o testemunho do paciente.
As Máquinas Radiônicas foram batizadas, nos países de língua inglesa, de 'Black Box', 'caixa preta', pois, no início deste século, eram montadas em caixas de madeira forradas de couro granulado preto; no painel superior onde eram montados os controles de material isolante também preto, ebonite.
A Radiônica é uma forma de magia cerimonial, opinião compartilhada por inúmeros praticantes de Radiônica.
A Máquina Radiônica, também chamada 'Sintonizador Biológico' ou 'Sintonizador Radiônico', é apenas uma 'forma pensamento solidificada' e as 'frequências-índices' utilizadas na Radiônica são apenas um acordo com a egrégora em questão, pois o conjunto de índices é a parte intelectualmente inteligível da egrégora da Máquina Radiônica que se utiliza.
Com essa definição, muitos praticantes de radiônica concordam, mas alguns discordam de forma inflamada.
Com uma coisa, porém, todos concordam:
Quanto maior o número de praticantes de um sistema particular, melhor o dito sistema funcionará
para todos.
Os radionicistas Marty Martin e Peter A. Lindermann, em 1978, no Estado do Havai, Estados Unidos, concluíram, após muitas pesquisas, qual o mecanismo operacional da radiônica.
Quando, por qualquer razão, a função do RNA num organismo está inibida, os tratamentos radiônicos tornam-se quase que totalmente ineficientes.
Mas, quando o RNA é estimulado por um tratamento específico para o mesmo RNA, então todos os outros tratamentos radiônicos tornam-se eficientes.
Com a repetição deste fenômeno inúmeras vezes, os dois pesquisadores chegaram a uma conclusão – todos os remédios são elaborados no corpo pelo DNA!
O sistema radiônico de terapia é apenas uma forma de conversar com o DNA.
Se o DNA não conseguir enviar sua mensagem às células através do RNA, o tratamento parece não funcionar.
Isto talvez auxilie os praticantes da radiônica a obter resultados mais consistentes.
Para os dois pesquisadores citados, esse procedimento eliminou quase que totalmente os insucessos.
Os tipos de fenômenos que emitem à distância são quatro:
Pulsos eletro-magnéticos, luz polarizada, ondas de forma e relação espacial.
Portanto, um equipamento radiônico precisa enquadrar seu sistema de emissão de energia num desses quatro; caso contrário, teremos um equipamento psicotrônico, e não radiônico.
Isto é, teremos um equipamento que só emitirá
enquanto o operador estiver concentrado no aparelho, bem como na qualidade da energia desejada, e no paciente.
Basta que o operador 'vire-se de costas' para a 'operação' que a mesma cessará, isto é, a máquina deixará de emitir.
Nas Máquinas Radiônicas a emissão é autônoma e independe da vontade ou atenção do operador.
Assim, ao se projetar um equipamento Radiônico, deve-se levar em conta esses parâmetros, pois são a única forma de emitir qualquer tipo de energia à distância, seja a energia de números, sigilos, desenhos influentes, côres, remédios, substâncias esotéricas, ou de qualquer outra 'coisa'.
Outras formas quaisquer de emitir dependerão da força da mente do sujeito ativo do experimento, o Mago- Emissor, ou de alguma Entidade."
"É fascinante!"
"Está satisfeito, Beto?"
"Mais que isso: Esclarecido!"
"Agora eu gostaria de lhe explicar mais alguns conceitos complexos, porém importantes.
Trata-se dos mistérios da anatomia Hermética. Posso continuar?"
"Claro!
Sou 'todo-ouvidos'!"
"Você, que já leu de tudo um pouco, no campo esotérico, deve ter observado que inexiste, nessa literatura, uma grande preocupação com a 'anatomia oculta' do ser humano, do ponto de vista prático.
Muitas escolas de ocultismo tem divulgado seus pontos de vista sobre a 'anatomia oculta' do homem.
Belas teorias tem chegado ao público, mas faltam ensinamentos práticos.
Concorda?"
"Sim, é verdade.
Li, nesses anos, muita teoria sobre o assunto. De prática, porém, muito pouco.
Talvez as 'escolas' que se dedicam ao lado mais 'oriental' do esoterismo tenham maior inclinação para o assunto."
"Bem observado.
O 'pranayama', ciência da respiração, é um dos pontos principais de estudo por parte desses grupos.
Você deve ter notado que as 'ordens' que praticam Magia-Sexual tem maior inclinação às práticas desse tipo.
Talvez por isso tenha se convencionado chamar de 'Tantra' toda e qualquer forma de Magia e Misticismo ligada à sexualidade humana.
'Tantra' é, no Oriente, o equivalente à 'Cabala', no Ocidente."
"Entendo."
"Só a partir de Aleister Crowley é que o mundo ocidental travou conhecimento com esse tipo de enfoque 'prático' do lado oculto da anatomia humana."
"Mas então Crowley tem seus pontos positivos?"
"Lógico!
Aleister Crowley foi um grande Mestre do esoterismo, assim como Pascal Beverly Randolph e Austin Osman Spare.
Independentemente disso, tiveram muitos problemas em suas vidas, sofreram perseguições de inimigos poderosos, precisaram lutar contra muita coisa.
Crowley morreu muito doente, tendo perdido, ao longo da vida, toda a fortuna que possuíra; viveu seus últimos dias de forma muito modesta, abandonado por quase todos seus antigos seguidores.
Spare, um talentoso artista plástico, viveu quase na miséria, terminando seus dias em completo esquecimento.
Randolph, que era médico, político liberal e libertino, foi muito perseguido, por causa de suas idéias e de sua cor – não era nada fácil ser mulato nos Estados Unidos do Século XIX!
Em 1875, ele pôs fim à própria vida.
Três histórias tristes que, porém, não invalidam a importância da obra desses Mestres do ocultismo.
Eles eram, acima de tudo, homens comuns, como todos nós.
Tiveram muitos erros e muitos acertos.
Creio que devemos estudar suas obras, aprender com seus erros, sem repetí-los!"
"Então você crê na validade dos ensinamentos ocultos desses três?"
"Sem sombra de dúvida.
Apenas, considero o trabalho de Bardon o melhor, mais abrangente e claro.
Mas isso não significa virar as costas para todo o resto.
Hoje, líderes de 'Ordens Herméticas' como Frank G.
Ripel, da 'Ordo Rosae Misticae', Peter James Carroll, Adrian Savage e Isaac Bonewitz, dos 'Illuminates of Thanateros' e 'Circle of Chaos', além de autores de peso como Frater U:. D:., Roberth North, Donald Tyson, entre muitos, que abraçam outras doutrinas esotéricas, consideram a obra de Bardon como o que há de melhor.
E, excetuando-se Tyson e North, todos os outros seguem, mais ou menos, a filosofia mágica de Crowley."
"Mas eu estudei muita coisa, colocando em prática ensinamentos que me levaram para o 'buraco'!"
"Por isso foi que afirmei serem os ensinamentos de Bardon superiores a todo o resto.
Obviamente, ele não escreveu detalhadamente sobre cada mínima nuance da ciência hermética.
Quem já tiver completado o curso dele, na teoria e na prática, poderá se aventurar, sem receio, por qualquer método ou escola.
Mas, aí, terá sobrado muito pouco a se desvendar..."
"Quer dizer que o trabalho dele basta?"
"Não o trabalho dele, mas seus ensinamentos.
Com o que estou lhe dizendo, sobre o Arcano IV, você terá condições de meditar sobre todos os temas, encontrando uma resposta para toda e qualquer dúvida!"
"Você estava começando a me contar algumas coisas sobre a 'anatomia hermética' do homem.
Continue de onde parou, por favor."
"Como estava dizendo, o conhecimento da 'anatomia hermética' do homem é essencial para a Iniciação.
A quarta lâmina do Tarô simboliza a sabedoria do homem e é, portanto, importante que o indivíduo conheça a si mesmo, de um ponto de vista Mágico- Místico.
A natureza do homem, assim como tudo quanto ele faz, suas funções e atividades, tudo deve ser entendido e compreendido desde o ponto de vista 'oculto'.
'Aprenda a conhecer a si mesmo!', é um importante ditado hermético, que nos estimula a penetrar nas profundas conecções do homem, falando do ponto de vista Mágico-Místico.
Cada minúsculo detalhe será entendido, como resultado do conhecimento das funções e princípios que regem nossa existência oculta."
"Como assim?
Ainda não está claro para mim..."
"Beto, então me diga:
como você faz para manter seu corpo físico vivo?
De que seu corpo precisa para manter-se saudável, para que você continue atuando neste plano da existência?"
"Muitas coisas."
"Diga uma."
"Comida."
"Certo!
Comida, em suas formas sólida e líquida. Portanto, comida e bebida.
Além de comida, ar!
Sem o ar para respirar, não podemos nos manter vivos.
E para que seu 'corpo astral' permaneça conectado ao seu corpo físico, o que é necessário?"
"Não sei."
"O mesmo ar!
O ar nutre, com sua parte física, nosso corpo físico; com sua parte sutil, cuja natureza é eletro-magnética, nosso 'corpo astral' é nutrido.
Portanto, além de sua parcela física, o ar tem seu lado de densidade mais fina, composto de um fluido eletro-magnético.
Até aí tudo bem?"
"Sim, estou entendendo."
"O 'corpo mental' é composto da mais sutil substância conhecida pelos Hermetistas.
Essa matéria é também chamada 'matéria mental'.
Ele, o 'corpo mental', está conectado ao elemento terra, isto é, ao corpo físico, devido à sua força coesiva.
O 'corpo mental' é imortal, não estando, portanto, sujeito a tempo ou espaço.
Suas características básicas permitem a ele se adaptar a qualquer forma, quer dizer, tomar qualquer formato.
O 'corpo mental' é, algumas vezes, chamado de 'matéria original', consistindo-se em duas forças básicas: os fluidos elétrico e magnético, ambos adaptados ao
grau de densidade do dito 'corpo'.
A influência correlativa entre os fluidos elétrico e magnético, no 'corpo mental', é o que chamamos de 'imortalidade'.
No 'corpo mental' encontramos a consciência do ser, que é a conecção do poder da vontade, em conjunto com o intelecto e com os sentimentos.
Caso qualquer desses três princípios básicos estiver faltando no indivíduo, não haverá consciência de si, pois essa é a trindade do 'corpo mental' que, quando em conjunto, resulta na auto-consciência do espírito humano.
Se um desses três aspectos estiver, digamos, 'desligado', a consciência do ser humano não funciona.
O desenvolvimento desses três princípios essenciais
depende, obviamente, do desenvolvimento geral e grau de maturidade individual.
Está entendendo?"
"Sim, compreendí que existe um lado 'oculto' do nosso ser, o qual deve ser entendido perfeitamente.
Mas, ainda está difícil de compreender como esse conhecimento pode ter algum uso prático."
"Deixe-me continuar, pois chegaremos lá.
Do ponto de vista do Hermetismo, quantidade e qualidade também devem ser consideradas neste caso.
A quantidade da vontade é a questão do 'poder da vontade'; sua qualidade depende do que se necessita ou deseja.
Essa mesma lei que é efetiva no intelecto tem também duas faces:
'poder quantitativo' e 'forma qualitativa'.
O lado quantitativo de um intelecto depende da perseverança com a qual as faculdades intelectuais são usadas, e o lado qualitativo depende do tipo de pensamentos e da maturidade do espírito.
O terceiro princípio é o da vida emocional do indivíduo que, igualmente, está sujeito às mesmas leis.
A parte quantitativa é expressada pela profundidade e pela intensidade dos sentimentos.
O lado qualitativo diz respeito ao motivo desses sentimentos.
A intensidade dos sentimentos depende do grau de desenvolvimento da pessoa, e é de importância decisiva."
"Que interessante!
Eu nunca li ou ouví nada parecido!"
"O motivo disto é simples:
o 'quarto segredo', o Arcano IV, só foi revelado a uns poucos Iniciados, ao longo dos tempos.
No livro 'Frabato' você poderá obter mais algumas informações a esse respeito.
Mas, foi Mestre Bardon o primeiro a publicar tais 'segredos', sublimes e profundos.
Beto, meu amigo, seja digno desta revelação.
Durante nossas conversas, o que estou lhe 'passando' são os 'segredos' do Arcano IV, O Imperador.
Mas, esteja certo, o 'quarto segredo' está encerrado dentro de você, e dentro de cada ser humano.
Somente se você permitir, essa verdade de incomensurável sabedoria transformará sua vida.
Sabedoria, meu filho, não se aprende em livros ou conversas.
Só vivendo a verdade mais profunda alguém poderá tornar-se sábio.
Eu creio que poucas pessoas alcançarão esse nível na presente encarnação mas, mesmo que somente os mais talentosos e abnegados cheguem nesse patamar, nosso planeta será um lugar muito melhor para se viver."
"Você me deixa comovido quando fala assim. Será que eu alcançarei essa verdade profunda? Tornar-me-ei um sábio?"
"Você tem tudo para isso, Beto.
Eu estou lhe revelando, sem reservas, os maiores mistérios.
Basta que tenha a coragem de viver por esses caminhos para atingir esse estágio.
Há algum 'ponto obscuro' no que lhe revelei?"
"Nenhum."
"Posso prosseguir?"
"Por favor!"
"Os fluidos elétrico e magnético possuem, também, outras funções, além das que eu já lhe falei.
Assim como tudo quanto vive só pode manter-se vivo por meio de uma alimentação adequada, o 'corpo mental' também deve receber seu alimento apropriado.
Como já disse antes, os fluidos elétrico e magnético estão sempre ativos, por causa das fontes correlativas que eles representam no 'corpo mental'.
Essa é a razão pela qual esses fluidos fluem para fora do 'corpo mental' constantemente.
Recebendo novas impressões, quer sejam do plano mental, do astral ou do material, esse consumo é novamente equilibrado.
Porém, se os nossos sentidos forem extremamente exigidos, um enfraquecimento anormal ou a perda do poder mental será o resultado, não importando qual parte do corpo possa ser afetada por isso.
Devemos nos lembrar que o uso normal desses sentidos resulta numa perda normal dos fluidos elétricos e magnéticos, mas isso é equilibrado novamente por suas faculdades indutivas, isto é, o 'corpo mental' recebe novas substâncias espirituais por meio de seus sentidos, quando então o 'corpo mental' recebe seu alimento.
Logicamente, não existe um tipo específico de alimento para o 'corpo mental'.
Os fluidos elétrico e magnético do 'corpo mental' são constantemente recarregados pelos cinco sentidos.
Também os lados qualitativo e quantitativo são de grande importância nessa conecção, pois o 'corpo mental' recebe sua 'carga' quantitativa através dos sentidos, quer dizer, recebe dessa forma o 'combustível' que, posteriormente, tomará certas formas, as das qualidades.
As qualidades que o 'corpo mental' recebe através dos sentidos dependem, a princípio, dos pensamentos do ser
humano e, além disso, das situações em que tal 'corpo mental' vive.
Compreendeu?"
"Hum, hum."
"Eu recomendo a todos os meus discípulos que aumentem seu conhecimento sobre o assunto por meio da meditação exaustiva pois, agindo assim, o Hermetista descobrirá muitos mistérios do espírito que não podem ser ditos pela linguagem intelectual.
O Hermetista deve ter um profundo conhecimento da constituição de seu 'corpo mental', com suas diversas funções, para estar apto a analisar o Microcosmo.
Seu amplo conhecimento do 'corpo mental' lhe permitirá fazer uso de uma ou de outra de suas múltiplas funções, restabelecendo seu equilíbrio, caso necessário, com um treinamento especial.
Ainda pensando nos fluidos elétrico e magnético, tenho mais algumas revelações a lhe fazer.
Os fluidos elétrico e magnético não são apenas bipolares.
Seu uso pode ser construtivo ou destrutivo.
E isso ocorre nos planos físico, astral e mental, de forma semelhante.
Os efeitos construtivos de ambos os fluidos consistem no princípio do desenvolvimento do espírito, pois representam tudo quanto seja bom e nobre.
Pelo lado destrutivo, ocorre justamente o contrário.
Ambos esses princípios e seus efeitos devem ser bem compreendidos pelo Hermetista, pois ele deverá operar com os dois, o construtivo e o destrutivo, por meio da meditação, pois eles representam tudo quanto os sistemas religiosos e também os místicos chamam de
'bem' e 'mal' no homem.
As forças construtivas e destrutivas tem muitas funções, alcançáveis e compreensíveis, por meio de meditação honesta.
Você deverá devotar agora sua atenção para o seu espírito, a sua consciência do ser, sua verdadeira personalidade.
Já lhe disse que não há qualidade sem poder e, vice- versa, não há poder sem qualidade.
Um Hermetista deve saber que vontade, inteligência e sentimentos formam, em sua cooperação correlativa, a consciência do homem.
Se alguém refletir exaustivamente no aspecto 'consciência', essa pessoa descobrirá que, o que é geralmente chamado de consciência é, na realidade, a personalidade do ser humano, no seu mais profundo e verdadeiro aspecto.
Você entendeu?"
"A chave de todos os mistérios está na meditação? É isso?"
"Exatamente!
A meditação abre todas as portas! O processo é simples:
Primeiramente, você deve se concentrar, ficando imune a influências externas que possam lhe perturbar.
Deve se concentrar até que consiga ficar imperturbável.
Daí, o próximo passo é a meditação no assunto que temos em mente, seja ele qual for.
Com a capacidade de concentração, aliada à meditação séria, podemos desvendar todos os segredos do Universo.
Afinal, não é exatamente isso que os cientistas vêem
fazendo através dos tempos?
O laboratório é seu meio artificial de obter concentração.
As ferramentas e utensílios de pesquisa são os acessórios da meditação.
Mas, o poder verdadeiro, reside dentro deles mesmos. Veja que, quanto mais intelectualizada é a pessoa, maior será sua capacidade de concentração e meditação.
Lembra-se que o intelecto faz parte da trindade da consciência?
Então, perceba que a revelação do segredo do quarto Arcano é útil, não só para os Hermetistas, mas para todas as pessoas.
Não há problema que não possa ser solucionado, pergunta que fique sem resposta, para quem possuir essa 'chave'."
"É fantástico!
Pela primeira vez, em todos os anos que tenho estudado ocultismo, aprendo alguma coisa que tem uso prático no dia-a-dia!"
"Mas, não é só isso.
Com essa 'chave', você poderá expandir incomensuravelmente suas faculdades Mágicas e Místicas.
E mais, compreenderá o motivo pelo qual todo desenvolvimento mágico deve ser realizado, levando-se em conta os três planos da existência e os três 'corpos' do homem, quais sejam:
Físico, astral e mental.
Pois, se assim não for feito, ocorrerá um desenvolvimento irregular, o que poderá acarretar desequilíbrio num dos três planos:
Físico, astral ou mental.
Esse desequilíbrio acabará por acarretar distúrbios, mais cedo ou mais tarde, numa das três esferas:
física, emocional ou psíquica.
O caminho Hermético requer dedicação, perseverança e abnegação.
Não é uma senda para pessoas imaturas ou levianas. É uma estrada para os fortes e nobres de espírito.
A Lei Universal é a harmonia que não deve ser quebrada sob nenhuma hipótese.
Atue, sempre, de acordo com as Leis Cósmicas, para completar a Obra da Providência Divina."
"Puxa, Frank, essa é a 'chave dos maiores poderes."
"Mais do que isso, meu amigo.
É a 'chave da mais profunda sabedoria'." Nesse instante, o interfone tocou.
"Doutor Frank, o lanche está pronto."
"Obrigado, Herbert." Frank desligou o interfone. Levantou-se, dizendo-me:
"Beto, vamos até o gazebo, saborear alguns frios, queijos e vinhos."
"Com prazer!" Foi embora o Mago.
Frank voltara a ser o mesmo homem comum.
Incrível quanta coisa boa pode habitar dentro de um só ser humano!, pensei.
Saímos do estúdio, rumando para o gazebo, aquele quiosque no meio do jardim.
Enquanto caminhávamos, resolví esclarecer minhas dúvidas sobre 'meditação'.
"Frank, gostaria que você desse uma definição mais prática de 'meditação'
É viável?"
"Serei o mais claro possível.
Meditar é, simplesmente, pensar, concentrando-se num só assunto ou tema.
Com isso, quero dizer que, para meditar, basta 'varrer' da mente quaisquer pensamentos ou imagens alheios ao objeto de nossa meditação.
Daí, devemos concentrar nossos pensamentos no tema escolhido.
Entendeu?"
"Sim.
Você tem algum tipo de exercício que sirva de treino para meditação?"
"Não se trata de um 'exercício', mas de meditação num tema.
Apanhe uma bola de qualquer tipo.
De preferência, uma bola que caiba na palma de uma de suas mãos.
Examine-a minuciosamente.
Apalpe-a, sentindo sua textura, observe o material do qual ela é construída, sinta sua temperatura, verifique se ela tem algum cheiro, identifique a tonalidade de sua cor, enfim, observe-a sob todos os pontos de vista.
Permita que ela deslize sobre uma superfície qualquer, depois faça-a quicar sobre a mesa ou no chão.
Deixe-a, então, de lado.
Assuma uma posição confortável, preferencialmente sentado numa cadeira ou poltrona confortável.
Procure uma posição aonde não haja necessidade de manter-se tenso.
Feche os olhos.
Respire várias vezes, de forma ritmada, alternadamente em cada uma das narinas.
Quer dizer, pressione, com o dedo polegar ou com o indicador, de uma das mãos, pelo lado externo, uma das narinas, inspirando e expirando pela outra.
Repita a operação, utilizando-se do dedo escolhido da outra mão, respirando pela outra narina, a que foi mantida fechada no movimento anterior.
Faça isso ao menos cinco vezes, com cada uma das narinas.
Mantenha os olhos fechados. Comece a pensar na bolinha.
Rejeite qualquer pensamento alheio ao assunto. Em sua mente, 'veja' somente a tal bolinha.
Procure mantê-la flutuando, no ar, à sua frente. Faça-a 'girar' na sua visão.
Veja-a flutuando de um lado para outro do cômodo.
Sinta sua textura, seu aroma, seu peso e temperatura.
Procure recriar, em sua mente, a bolinha, como um todo, isto é, sob todos os pontos de vista.
Ouça, em sua mente, o ruído que ela fez ao deslizar, depois procure escutar o barulho da bolinha quicando na mesa ou no solo.
Tente lembrar-se do impacto dela no chão e na palma de sua mão.
Lembre-se de sua cor, do tom exato. Tudo é importante.
No início, será difícil.
Em alguns dias, você manterá seu pensamento
concentrado por alguns segundos.
Em duas, talvez três semanas, conseguirá manter-se meditando sobre tal bolinha por trinta minutos.
O importante é conseguir realizar esse exercício sem adormecer.
Não desista sem conseguir realizar uma meditação de, ao menos, cinco minutos.
Você entendeu?"
"Enquanto eu ouvia suas explicações, fui imaginando a tal bolinha!
Creio que será fácil!"
"Beto, você é talentoso.
Quando conseguir, ao menos por uma semana, manter-se meditando nesse tema por um período superior a cinco minutos, duas vezes ao dia, poderá passar para uma meditação mais complicada.
Quer aprender?"
"Mas é claro!"
"Da mesma forma como agiu com a bolinha, repita tudo com uma vela comum.
Sinta-a com seus sentidos. Agora, acenda o pavio da vela.
Examine o fogo com a mesma atenção dispensada à vela.
Mantenha, porém, a unidade do objeto examinado, isto é, não desvincule a chama da vela.
Aproxime sua mão do fogo, sentindo o calor emanado.
Sopre, de leve, a chama, para vê-la tremular. Incline a vela em todas as direções.
Deixe-a pingar a cera quente, observando as formas delineadas na substância que escorre e se solidifica.
Ouça o ruído que ela faz.
Com dois dedos, apague a vela, rapidamente.
Sinta o cheiro que ela emana, comparando-o com o que a mesma expelia, antes de ser acesa, e durante a combustão.
Examine sua temperatura agora, e a velocidade de sua alteração.
Agora, coloque-a de lado.
Parta para a posição de meditação, fazendo o exercício preliminar de respiração.
Esse exercício, aliás, deverá ser feito de forma suave, sem estressar os pulmões.
A ciência da respiração consiste em acumulação de poder, não de ar!
Repita todo o processo de meditação com a vela.
Recrie todas as situações, examine o tema escolhido sob todas as nuances.
O tempo de execução é o mesmo que o dedicado à bolinha.
Simples, não?"
"Sim, é bem simples.
Da mesma forma que ocorreu com a bolinha, também comecei a 'ver' a vela."
"É bem fácil, para quem tem talento.
Você poderá repetir esse experimento com velas de outras cores e formas elaboradas, com objetos mais complexos, flores, enfim, com qualquer tema desejado.
Além de ser um excelente treino para a meditação avançada, este tipo de 'exercício' lhe será de valia quando, no futuro, estudarmos os 'espelhos mágicos' e sua utilização."
"Espelhos mágicos?"
"São as mais importantes e avançadas ferramentas da Magia.
Nos livros de Bardon há muitas instruções sobre sua construção e utilização.
Como consiste, porém, num assunto complexo, vou ajudá-lo nesse mister."
"Muito obrigado, Frank!" Havíamos chegado ao gazebo. Lá estavam seus familiares:
a doutora Francis, Virgínia, Marcia, Cláudia, Jamil, Arnaldo, além de alguns amigos, Flávio, Antonio, Panisha e Ademar.
Cumprimentei todos, sentando-me ao lado de Virgínia.
Frank disse:
"Alguns amigos estiveram aqui ontem, para se despedir.
Hoje virá também o Sylvio Passos. Você o conhece, não é, Beto?"
"Sim é claro.
É o fundador do 'Raul Rock Clube', da 'Fundação Raul Seixas' e do 'Museu Raul Seixas'.
Certo?"
"Isso mesmo.
Ele deverá chegar a qualquer instante."
"Você falou em despedida, Frank? De quem?"
"Eu, Francis, nossos filhos e netos, viajaremos amanhã à noite."
"Para onde irão?"
"Visitar diversos países.
Desejo reencontrar velhos amigos, além de precisar comprar alguns equipamentos de pesquisa."
"Quanto tempo ficarão fora?"
"Poucos meses."
"Não deixe de me escrever!"
"Lógico, Beto.
Aliás, estou terminando a lista de amigos para remeter cartões postais.
Gostaria que você conferísse para ver se os seus dados estão corretos."
Frank pediu a Herbert, que estava por perto, para que pegasse a tal lista.
Enquanto isso, Virgínia disse, baixinho:
"Beto, me dê seu endereço, que eu quero mandar um cartão especial para você."
"Aqui está", respondí, dando meu cartão à Virgínia
eu já tinha cartão de visitas!
"Pode esperar que eu vou escrever. Tenho pensado em você todas as noites. Seria bom ter você comigo, o tempo todo. Não é bom estar só nesse inverno!"
Mas que mocinha assanhada!
A menina está mal-intencionada... Essa nova geração...
No 'meu tempo', eram os homens que 'cantavam' as mulheres!
"Eu também tenho pensado muito em você, Virgínia!", falei, assim que me recuperei do 'choque' de ter sido 'cantado' tão diretamente...
Frank interrompeu meus pensamentos:
"Eis a lista de amigos, Beto. Verifique seus dados, por favor." Apanhei a lista de suas mãos.
Puxa, quantos amigos ele tem!
A lista está dividida por profissões... Deixe-me ver... Advogados...
Ah!, estou aqui.
Deixe-me ver... endereço... CEP... Tudo certo.
Puxa... que lista! Quanta gente famosa...
O Frank é mesmo um homem que escolhe, e bem, seus amigos!
"Frank, aqui estou!", era Sylvio Passos quem chegara.
"Seja bem vindo, Sylvio! Você conhece todos, não?"
"Olá todo mundo!"
Todos responderam em uníssono: – "Olá!" Foi quando Sylvio me viu.
"Você não é o Beto?"
"Eu mesmo, Sylvio! Há quanto tempo!"
Conversamos uns vinte minutos sobre Raul Seixas, sua obra e filosofia.
Virgínia acompanhava atenta nossa conversa.
Fiquei emocionado ao relembrar alguns momentos compartilhados com esse artista genial: Raul Seixas.
Virgínia, que assistiu a alguns de seus shows, também ficara sensibilizada com nossa conversa.
"Sylvio, você trabalha por uma boa causa: preservar a memória desse gênio da arte
contemporânea que foi Raul Seixas!", foi o que pude dizer, antes que as lágrimas contidas embaçassem minha voz.
Nesse instante, chegaram três garçons trazendo pães, frios, patês, queijos e vinhos.
Pronto, a 'festa' ia começar.
Eu já havia participado de algumas reuniões 'animadas' com queijos e vinhos mas, algo preparado sob orientação de Frank, merece respeito!
Foram colocados sobre o centro de uma mesa de tampo redondo, em jacarandá extremamente reluzente, os alimentos e bebidas.
Diversos tipos de pães, vários de cada espécie:
de torresmo, baguete francesa, sovado, de cerveja, de azeitonas verdes, de azeitonas pretas, de lingüiça calabresa, de cebola, de alho e italiano redondo.
Um garçom parecia ser o responsável por fatiar os pães, pois foi fazendo isso com o pão italiano, daí com a baguete francesa.
Creio que ele iria repetir esse ritual com todos os outros tipos de pães.
Circundando a parte central da mesa, bandejas de prata repletas de frios sortidos fatiados.
Havia presunto de Parma, salame hamburguês, salame italiano, copa, chouriço provençal, mortadela, morcela espanhola, rosbife, peito de peru defumado, presunto de peru, salame felino, bresaola e presunto cozido.
Entre essa parte mais externa, e a mais interna da mesa, foram colocados pratos de prata, no mesmo estilo das bandejas de frios, contendo diversos tipos de queijos.
Queijo prato em fatias, mozzarella fatiada, dolcelatte, gorgonzola, catupiry, provolone, pecorino sardo, ricota seca condimentada, parmesão, brie, mineiro, chedar, cammenbert e reino.
Para servir de acompanhamento, alguns pratinhos com azeitonas pretas graúdas, chilenas, temperadas,
além de sardella e dois tipos de patês de fígado: um com ervas, outro com pistache.
"O que vamos beber para acompanhar essa maravilha?", indagou Flávio ao Frank.
"Vinho, meu amigo.
O mesmo fabuloso 'Romanée Conti' que degustamos em nosso jantar de sábado passado!
É o melhor dos vinhos 'Borgonha', da 'Côte de Nuits', um 'aristocrata'."
"O ideal não seria tomarmos vinho do Porto, com queijos?", perguntei.
"Não, exceto se estivéssemos nos servindo de queijo após as refeições."
"O Frank, entre as pessoas que conheço, é a que mais entende de vinhos!", disse-me Flávio.
"Não é que eu entenda, minha gente. Eu amo o vinho!
Talvez eu seja um pouco como Omar Khayyam que, há mais de novecentos anos, cantou liricamente o vinho.
Ele disse:
'Vinho com perfume almiscarado,
Dá-me vinho para apagar o incêndio da minha tristeza'.
'Quando bebo, ouço o que dizem as rosas, as tulipas e os jasmins'.
'O vinho queima como uma torrente de fogo mas, às vezes, tem sobre as nossas mágoas o efeito da água pura e fresca'.
Não é magnífico?"
"Belíssimo!", exclamei.
"Sabe, Beto, o vinho não é apenas uma bebida.
É um organismo vivo, 'pois é sangue da vinha e tem gosto da vida', parodiando o mesmo poeta árabe."
Fomos todos nos servindo, enquanto Frank e Flávio iniciavam uma conversa sobre ufologia.
O assunto central eram as tais 'abduções', que eu não sei bem do que se trata.
Melhor ouvir, pois parecia que todos, ali, conheciam mais o assunto do que eu.
Sentei-me perto da entrada do gazebo, enquanto os outros ficavam em pé, discutindo a tal 'abdução'.
Pelo que ouví, coisa parecida com implantes que seres extra-terrestres fazem em pessoas 'escolhidas' por eles, o assunto não combinava com o vinho servido.
Essas coisas de E.T.'s não me despertam o menor interesse.
Em alguns instantes, Virgínia veio sentar-se ao meu lado.
Ficou alguns instantes em silêncio, depois convidou- me a dar uma volta pelo jardim.
Levantei-me, após terminar de tomar meu copo de vinho, acompanhando-a na caminhada.
Como ela deixava transparecer seu interesse por mim, peguei em sua mão.
Sua pele era macia; seus dedos longos e esguios sugeriam que aquela era a mão de uma pianista.
Seu toque era suave, leve como uma pluma, morno como uma maçã dourando ao sol.
Fitei-a, observando que seus olhos verdes brilhavam como esmeraldas raras.
Sentí que, talvez, o bandeirante Fernão Dias tivesse, por toda a vida, buscado as esmeraldas erradas.
Quem sabe eu encontrara essas pedras preciosas, colocadas pela natureza no belo rosto de uma mulher, para que meus dias se enriquecessem, de amor e felicidade.
Ela caminhou rumo a uma bela e frondosa árvore, puxando-me, suavemente, pela mão.
Deixei-me conduzir por aquela alma doce, qual barquinho em alto mar.
Ela recostou-se na figueira, abraçando-me.
Assim, enlaçado, sentí que sucumbira aos encantos dela.
Nossos rostos se aproximaram; meus lábios entreabertos buscaram os dela.
Beijamo-nos, ternamente, como que vivendo, por um momento, uma canção italiana.
"Serei sua.
E você será meu. Assim está escrito."
Fiz que sim com a cabeça.
"Maktub!", respondí.
Caminhamos de volta ao convívio dos outros, sem trocarmos uma palavra.
Nossas almas, contudo, permaneciam entrelaçadas uma com a outra.
Eu, que pensara nunca poder me apaixonar, havia encontrado alguém que despertara, em mim, algo de realmente novo.
Sabíamos que, com a viagem que ela e os pais iriam empreender, ficaríamos separados por alguns meses.
Mas isso não importava.
Teremos todo o tempo do mundo para viver esse amor.
Adentrando no quiosque, percebí que todos discutiam, ainda, o mesmo assunto, para mim indigesto.
Sorrí, pois parece que não haviam sentido nossa falta.
Virgínia sentou-se ao meu lado.
Ficamos assim, observando a algazarra ufológica, tão animada quanto uma discussão sobre futebol.
Perguntei se ela desejava algo mais para degustar, e ela disse que não, agradecendo.
Levantei-me, apanhando mais um copo de vinho. Sentei-me, novamente, junto a ela.
Naquele momento, ao lado de Virgínia, no meio daquele imenso jardim, todos as minhas preocupações se desvaneceram.
Minha mente estava leve, meu coração alegre.
Conhecer Frank havia mudado minha vida, muito mais do que eu poderia ter imaginado.
Escureceu.
Eu e Virgínia, sentados e de mãos dadas, estávamos alheios a tudo.
Frank dirigiu-se à nós, dizendo:
"Vocês não comeram nada!
Façam o favor de se alimentarem direitinho. Senão, seus filhos nascerão fracos como ratinhos!" Olhei espantado para Frank.
Ele colocou a mão, ternamente, sobre minha cabeça, dizendo:
"Eu sei o que está escrito.
E fico muito feliz por vocês dois. Ambos tem minha bênção!"
Virou-se de costas, reunindo-se, novamente, com o animado grupo.
Olhei para Virgínia, que sorria.
Eu sorrí também, pois tudo estava bem.
"Vamos comer alguma coisa, Beto, pois eu não quero ter filhos fracos como ratinhos!", disse ela sorrindo, levantando-se em seguida.
Seguí-a.
Aproximamo-nos da mesa, passando a nos servir de um pouco de cada especiaria.
Como diziam numa propaganda, 'hora de comer, comer'!
Ficamos ali, beliscando os frios, conversando sobre o futuro, caminhando pela Via Láctea sem tirar os pés do chão.
Falamos sobre nossas músicas preferidas de Raul Seixas, encontrando mais um ponto em comum:
ambos apreciamos seu último disco solo, 'A Pedra do Gêneses'.
Na verdade, gostamos de todos.
Mas pouca gente gosta desse disco, pouco divulgado. Para mim, sua fase mais criativa foi junto de Marcelo
Nova.
Já Virgínia acha que foi em parceria com Paulo Coelho.
Arnaldo se aproximou nesse instante, dizendo:
"As melhores músicas do Raul Seixas foram as compostas em colaboração com o Claudio Roberto."
"E você, Sylvio, o que acha?", perguntei eu, ao ver que Sylvio Passos só escutava, sem dizer nada.
"A melhor fase do Raul, para mim, foi entre o primeiro e o último discos.
Tudo na carreira dele foi admirável." Concordamos todos.
Nesse momento, Flávio propôs um brinde aos anfitriões, desejando-lhes uma boa viagem.
Os garçons abriram algumas garrafas do Champanha 'Don Pérignon', enchendo diversas taças.
Todos brindamos, fazendo nossos melhores votos. Frank e Francis agradeceram, comovidos.
Eu olhei para Frank, que compreendeu que eu desejava alguma coisa.
"Beto, venha comigo até o portão, pois preciso falar com o pessoal da segurança.
Acompanhei Frank para fora do gazebo.
"Diga, meu amigo.
O que você deseja de mim?"
"Frank, você sabe sobre eu e Virgínia."
"Sim.
E estou plenamente de acordo."
"Fico grato."
"Você é um bom rapaz.
Será bom para ela ficar com você."
"Mestre, antes de você viajar, eu gostaria de aprender mais alguma coisa consigo.
Há algo que possa ser feito?"
"Eu esperava você pedir.
Vou lhe ensinar três operações mágicas distintas: 'impregnação do ar', 'criação de mantras' e
'elaboração de palavras de poder'.
Vamos nos sentar num dos bancos do jardim, que eu lhe explicarei tudo, detalhadamente."
"Obrigado, Frank."
Ele balançou a mão, como a dizer 'por nada'.
Caminhamos alguns metros, até um banco de pedra.
O local era clareado por duas luminárias alimentadas pelo sistema de energia solar.
O caminho de pedras, que eu conhecera em dia claro, tinha uma iluminação de baixa-voltagem, circundando, rasteiramente, cada pedra do caminho.
Frank sentou-se no banco; fiz o mesmo.
"Beto, eu lhe ensinei os mistérios da 'eucaristia', que consiste na impregnação de alimentos sólidos e líquidos.
Agora irei lhe revelar o segredo da 'respiração consciente', do 'pranayama'.
O que você entende por 'ciência da respiração'?"
"Penso ser uma técnica de controle da respiração, aquilo de respirar compassadamente, contando 'tempos' para inalar, manter o ar retido, expirar e manter os pulmões vazios."
"Isso é o que tem sido ensinado por muitas escolas.
Vou lhe mostrar a técnica secreta do 'pranayama', pouco conhecida."
"Estou ansioso!"
"Se nós 'colocarmos', por assim dizer, uma idéia ou imagem, seja concreta ou abstrata, no ar a ser inalado, essa mentalização permeará a parte 'akashica' ou 'etérica' desse mesmo ar.
A partir dessa parte 'etérica' impregnada, nosso desejo penetrará na substância que compõe o ar, graças aos fluidos elétrico e magnético de que falamos outro dia.
Quando inspirarmos esse ar, assim impregnado por nossa idéia, pelas vias respiratórias externas, daí até os
pulmões, ele cumprirá uma dupla função.
Primeiramente, a parte puramente física desse ar servirá para preservar nossa vida, ao ser absorvido pelos nossos pulmões, indo em seguida para o nosso sangue, circulando por todo o corpo.
Depois, o fluido eletro-magnético, infiltrado com a idéia ou imagem de que falamos, 'colorido' por ela, digamos, será transportado, da corrente sanguínea, até a 'matriz astral' de nosso corpo, daí ao nosso 'corpo astral', indo de lá ao nosso 'espírito imortal', através da reflexiva 'matriz mental'.
Está entendendo?"
"Totalmente."
"Essa é a solução do 'segredo da respiração', do ponto de vista do Hermetismo.
Basta que você impregne o ar que irá respirar com o que lhe aprouver.
Assim, o 'pranayama' é 'acumulação de poder', não de ar.
O que importa não é a quantidade de ar, mas a qualidade da idéia nele impregnada.
Comprendeu?"
"Sim, cada detalhe."
"Atente para a maneira de fazer uso prático dessa técnica:
Sente-se numa cadeira ou poltrona confortável. Relaxe o corpo todo.
Imagine que, com o ar inalado, você estará inspirando, ao mesmo tempo, seu desejo."
"O que eu posso desejar?"
"Paz, tranqüilidade, saúde, sucesso, coisas assim. Claro, uma de cada vez.
Nunca tente realizar esse tipo de exercício fazendo
uso de idéias egoístas ou que dependam de outros para serem realizadas.
Será perda de tempo, acompanhada de decepção. Voltando à idéia, essa deve ser tão intensa, tão vívida,
que o ar com ela imbuído possa ser 'sentido', que seja diferente do ar 'comum'.
Assim, sua idéia terá se tornado efetiva.
Você não poderá ter a menor sombra de dúvida sobre isso.
Da sua convicção, da sua fé, dependerá o sucesso dessa operação.
Tudo bem?"
"Lógico!"
"Não tenha pressa; tudo leva tempo.
Comece por realizar esse exercício de manhã e à noite.
No princípio, inicie com sete inalações. Aumente, a cada dia, uma inalação.
É de suma importância que você mantenha sempre o mesmo desejo em mente, ao menos até sua completa realização.
Nunca exceda trinta minutos de prática desse exercício.
Creio que dez minutos serão a duração ideal dessas operações.
Tenha sempre em mente, porém, que o resultado dependerá muito de você.
Se seu desejo for complexo, o tempo para obter o resultado desejado poderá ser de algumas semanas, talvez meses.
Por isso eu lhe sugiro que, no início, escolha temas simples, pois assim você verá seu desejo realizado em poucos dias.
Adeptos de elevada estirpe obtém, por esse método, os resultados desejados em poucas horas!"
"Fantástico!
Posso 'impregnar' o ar com o mesmo desejo que estou mentalizando ao realizar minhas operações mágicas com comida e bebida?"
"Não só pode, como deve.
É a melhor maneira de obter os resultados desejados em um período de tempo mais breve."
"Posso começar agora?"
"Vá em frente!"
Procurei me acomodar no banco de pedra.
Fechei os olhos, tentando concentrar-me na idéia de 'sucesso'.
Imaginei que, ao inspirar, meu desejo, 'sucesso', seria absorvido por todo o meu corpo.
O 'sucesso' entraria pelas minhas narinas, desceria pela minha garganta, indo até meus pulmões.
Meus pulmões estariam repletos de 'sucesso'.
Dali, meu sangue seria 'impregnado' pelo 'sucesso', levando-o, através da corrente sanguínea, para todo o meu organismo.
Meu ser tomaria consciência de que 'sucesso' é o meu lema!
Fiz isso inspirando uma, duas, três vezes. Repetí tudo até a sétima vez.
Sentí um bem estar especial, algo indescritível Abrí os olhos.
Frank permanecia ao meu lado, estático.
"Como fui, Frank?"
"Muito bem.
Você só cometeu um pequeno erro: Inspirou e expirou profundamente.
Não há necessidade de estressar seus pulmões. Respire moderadamente, sem pressa nem esforço. Está certo?"
"Compreendí.
O que importa não é a quantidade de ar, mas a qualidade que nele colocamos."
"Exato.
Você entendeu muito bem.
Caminhemos um pouco, para facilitar a entrada numa outra 'sintonia', antes de passarmos ao próximo exercício."
Frank levantou-se. Caminhei junto dele.
Andamos até uma clareira, aonde estava situado um pequeno jardim japonês.
Engraçado, não tinha visto esse jardinzinho antes.
Estava iluminado por poucas luzes, emanadas de quatro luminárias construídas em pedra, imitando, em escala reduzida, residências orientais.
O jardim era do tipo 'zen', daqueles que não contém plantas, mas areia e pedras.
É algo diferente o que se passa com a gente, ao nos defrontarmos com esses estranhos jardins:
Mesmo sem plantas ou flores, há vida nele.
As pedras parecem ter um brilho próprio; a areia transmite uma paz difícil de se encontrar no mundo moderno.
Frank caminhou até uma pedra escura, circular, com um diâmetro de cerca de meio metro.
A parte superior dessa rocha era como uma mesa: Lisa e plana.
Tinha uns setenta centímetros de altura, calculei. Frank encarapitou-se sobre ela, dizendo:
"Beto, sente naquela pedra", apontando para uma rocha muito semelhante à qual ele sentara, somente um pouco menor e mais baixa.
Sentei-me nela.
A pedra parecia pulsar, como tudo naquele jardim, aliás.
Deve ser em pedras como estas que Raul Seixas se inspirou ao compor os versos da música 'Medo da Chuva':
...'Como as pedras imóveis na praia, eu fico ao seu lado, sem saber...'
...'Como as pedras,
que choram sozinhas, no mesmo lugar'...
...'Como as pedras,
que sonham sozinhas, no mesmo lugar'.
Em minha mente brotou um pensamento:
Será que essas pedras tinham algo de especial?
Ou será que todas as pedras, todas as coisas são especiais?
Acho que nós deveríamos tomar mais atenção com o mundo que nos cerca, pois tudo nele é especial!
"O que você achou do meu jardim 'zen'?"
"Sublime."
"Eu o escolhí para nossos próximos exercícios, pois eles tem origem no Oriente."
"Mesmo que não o fosse, este lugar merece ser visitado."
"Bom você ter gostado.
Passemos, agora, ao próximo exercício."
"Estou pronto!"
"Trata-se da 'criação de mantras' ou 'sentenças de
poder'.
Você sabe o que são 'mantras'?"
"Sei pelo que li:
Frases expressando idéias mágicas que, repetidas incessantemente por um longo período de tempo, são capazes de produzir milagres.
Certo?"
"Em parte.
A conceituação clássica de 'mantra' só interessa aos estudiosos do Ocultismo Oriental.
Para nós, o que interessa é obter resultados práticos em nossos experimentos.
Isto é, realizar nossos desejos."
"Então, há outro tipo de 'mantra'?"
"Lógico!
Do tipo que nós mesmos construímos." Fiquei em silêncio, olhando Frank.
Ele continuou:
"Você deseja aprender a construir seus próprios 'mantras'?"
"Muito!"
"Vou ensinar-lhe o método.
Antes, porém, há uma orientação geral com relação ao que pode ser obtido por esse método.
Primeiro, sempre procure operar magicamente visando conseguir resultados agradáveis.
Além do aspecto ético, moral, interferir no livre- arbítrio alheio, ou causar algum efeito desagradável de qualquer forma, só levará o Mago ao domínio das forças- cegas da natureza.
O método que vou lhe ensinar é muito semelhante ao sistema da 'sigilização mágica', criado por Austin Osman Spare.
Esse sistema, atualmente usado principalmente pelo 'Circle of Chaos', 'Círculo do Caos', de Peter James Carroll, faz uso não do consciente, mas do lado inconsciente das pessoas.
O objetivo é a ressurgência atávica que, no contexto, é a emanação mais profunda e 'animal' que está no seu 'servo criador':
O inconsciente.
Spare chamava esses seres de 'autômatos do subconsciente', designação oficial dentro de sua filosofia pessoal, que ele mesmo batizou de 'Zos Kia Cultus'.
Cada Mago que trabalhou com esse sistema foi colocando uma nova terminologia e acrescentando algo de novo ao método.
Dessa forma, Frater U:. D:., Kenneth Grant, Marcus Jungkurth, Ray Sherwin, Adrian Savage, Su'a'No-ta e o próprio Carroll, contribuíram muito para difundir esse poderoso sistema.
Hoje ele é conhecido por 'Magia Pragmática', termo cunhado por Frater U:. D:..
Isto significa que nesse sistema se trabalha com o simbolismo pessoal individual, o oposto do que ocorre na Magia convencional, denominada 'Dogmática'.
No Brasil, pouco se sabe desse método.
Jean de Blanchefort tem em seu livro 'Guia da Magia', editado pela 'Maltese', algumas páginas dedicadas ao assunto.
Tenho um amigo, com quem não falo há anos, que conhece tudo desse sistema.
É o 'Frater Sekhem', e ocupa o mais elevado grau mágico da Ordo Templi Orientis, 'IXº O.T.O.'; reside no Rio de Janeiro.
Ele também foi amigo do Raul Seixas.
Foi ele quem me mostrou a força desse tipo de Magia. Que, aliás, não tem nada de novo.
Feiticeiros africanos, sacerdotes e sacerdotisas do Vudú e do Candomblé de outrora, além de shamans de todo o mundo, conheciam esse tipo de Magia, passado sempre de geração em geração.
Spare denominou seu método de 'sigilização mágica', um conceito um tanto complexo.
Eu pretendo lhe ensinar todos os métodos dessa disciplina, mas isso demanda tempo.
Hoje, vou lhe transmitir os ensinamentos relativos a dois métodos muito simples e eficientes desse sistema.
Esses métodos, aliás, são de resultados extremamente rápidos, dentro de um sistema que é conhecido por ser o mais eficiente e de maior rapidez de resultados, entre os tipos de Magia praticados no Ocidente.
Estou lhe contando algo que você já não sabia?"
"Nunca havia ouvido falar nisso!
Acho fantástico o 'leque' de ensinamentos que você possui."
"Vamos aos ditames básicos, para que você obtenha sucesso em sua operação.
Quando eu retornar de minha viagem, vou lhe explicar tudo sobre esse método, teoria e prática, como e por que funciona.
Hoje, serei breve. Está bem?"
"Você manda, Mestre!"
"O primeiro passo para construir seu 'mantra' pessoal é elaborar uma frase.
Escolha um tema e escreva tal frase. Tomemos, como exemplo:
'É MEU DESEJO PERMANECER SAUDÁVEL'.
Nunca faça frases como 'É meu desejo não ficar doente', ou 'Desejo proteção contra todas as enfermidades'.
Nosso subconsciente parece não reconhecer as afirmações negativas, nem as palavras 'não', 'nunca', e assim por diante.
Procure, portanto, elaborar frases sempre positivas, afirmativas.
Evite, também, frases 'fracas', como 'É meu desejo sentir-me bem', ou do tipo 'Eu gostaria disso' ou 'Eu apreciaria aquilo' ou ainda 'Eu creio que preciso de tal coisa'.
Seja, sempre, claro e afirmativo.
Jamais seja 'negativo' na elaboração de suas sentenças.
Outra coisa:
Evite frases complicadas, como 'Eu desejo encontrar um Guru verdadeiro na lanchonete da rua tal, número tal, as três da tarde de tal dia'.
Isso é muito complicado para se operar por esse método.
Nunca se esqueça:
Não interfira no livre-arbítrio alheio, na vontade dos outros, nem faça mal a ninguém.
Forçar alguém a fazer algo que não deseja, provocar uma união não-expontânea, causar danos físicos ou de outra espécie aos outros, além de anti-ético, fará com que os seres elementares, as criações artificiais da nossa mente para executar nosso desejo, se transformem em vampiros de nossas energias.
Para finalizar esses pontos principais, muito cuidado com o que for desejar.
Exemplo:
Uma pessoa desejou 'Eu quero pagar todas as minhas dívidas'.
Realizou o trabalho mágico nesse sistema. Sem dúvida, uma nobre intenção.
No dia seguinte, de manhã bem cedo, todos os seus credores foram à sua casa, querendo receber suas dívidas!
Em outra ocasião, um rapaz desejava romper seu namoro, com uma garota dominadora e difícil.
Ele desejou 'Eu quero me livrar de fulana.'
Em uma semana, o pobre homem sofreu um acidente automobilístico fatal.
Assim, cuidado com seus desejos, pois eles se tornarão realidade."
"É muito interessante, Frank. Estou ansioso por aprender!"
"Bem, digamos que você escreveu a frase: 'É MEU DESEJO PERMANECER SAUDÁVEL'.
O próximo passo será 'cortar' todas as letras dobradas.
Isto é, elimine todas as letras na segunda ou terceira vez que aparecerem, mantendo somente uma letra de cada, das contidas na frase.
Faça assim:"
Frank muniu-se de um papel, que tirou do bolso.
Pegou, noutro bolso da jaqueta de couro, uma caneta.
Mont Blanc, que luxo...
Ele escreveu a frase que havia me sugerido: É MEU DESEJO PERMANECER SAUDÁVEL
Logo abaixo, escreveu:
E M U D S J O P R A N C V L
"Você está entendendo?"
"Sim, está bem claro."
"Agora, você tentará formar uma sentença, com duas, três ou quatro palavras, foneticamente viáveis, mas sem sentido.
Quer dizer, a frase deverá ser pronunciável, mas nada nela deverá ter sentido, nem poderá fazer você se lembrar da frase que a originou.
Isso é extremamente importante:
Esquecer completamente a frase original, bem como nosso desejo.
Uma técnica seria elaborar diversas dessas frases, deixá-las escritas prontas na forma 'mantrica' durante alguns dias.
Findo esse período, você deverá ter esquecido a maior parte da operação inicial.
Assim, o 'mantra' está pronto para ser recitado. Veja como montar um 'mantra':"
Frank voltou ao papel, elaborando o seguinte 'mantra':
EMUDS JOPRANC
"Eis nosso 'mantra' prontinho: 'Emuds Jopranc'.
Eliminamos o 'L' e o 'V' para facilitar a articulação da última palavra.
Ficou fácil de pronunciá-lo, mas não faz nenhum sentido, certo?"
"Correto."
"Agora, basta que você comece a recitar esse 'mantra', essa frase, por horas à fio, até a chamada 'exaustão mantrica'.
Pode ser que essa exaustão venha em alguns
minutos, ou após várias horas.
Não importa.
O que interessa é que você mantenha-se recitando esse 'mantra', na forma de um cantochão monótono, em voz audível.
Pode ser recitado em voz alta, baixinho ou até sussurrando.
O importante é que seja falado.
Enquanto isso, você poderá ocupar sua mente com outros pensamentos.
Aliás, é mesmo aconselhável não pensar no 'mantra'.
Recite-o até obter o resultado desejado, ou até achar que 'basta'.
É exatamente nesse momento que isso funciona.
Mas tenha sempre em mente que é necessário esquecer seu desejo, caso contrário você não obterá nenhum resultado."
"É fabuloso!
Para que mais posso realizar esse tipo de trabalho?"
"Para tudo quanto você desejar, desde que siga à risca minhas orientações."
"E sobre o outro método, Frank?"
"Ah! O das 'palavras de poder', não é?"
"Esse mesmo!"
"É quase a mesma coisa, mas com uma diferença fundamental:
Ao invés de uma 'frase', você elaborará uma única palavra.
Assim:"
Pegou no papel, novamente, escrevendo abaixo do 'mantra':
EMURANC
"Viu?
Temos, aqui, nossa 'palavra de poder': 'Emuranc'.
Basta, agora, repetí-la da mesma forma que faríamos com a 'frase'.
É simples, não?"
"Extremamente simples! Poço tentar agora?"
"Não.
Esse tipo de trabalho mágico, que 'mexe' com o atavismo, não deve ser realizado, sob nenhuma hipótese, após a ingestão de comida ou bebida.
Além disso, você não prestou atenção no que eu disse:
Elaborar cuidadosamente uma frase, fruto de seu desejo.
Depois, fazer o 'mantra'.
Daí, esquecer o desejo, bem como a frase. Só então recitar o 'mantra', até a exaustão.
Quantas horas você pretende ficar sentado nessa pedra?
Meu traseiro já está frio e eu quero tomar mais um copo de vinho.
Vamos?"
Levantei-me da pedra, que era mesmo fria e dura. Seguí Frank, que caminhava logo à minha frente.
"Muito obrigado, Frank."
"De quê?"
"Por confiar em mim, ensinando-me maneiras de eu evoluir e melhorar a qualidade de minha vida."
"Você é merecedor de minha amizade e consideração, Filho."
Fiquei feliz com suas palavras.
Frank era o Mestre que eu sempre desejara.
Bem que, naquele dia, no jardim perto de casa, ele me disse:
'Eu sou quem você procurava'. Realmente.
Aliás, muito mais do que isso.
Meus pensamentos fizeram o trajeto parecer mais curto.
Havíamos retornado ao gazebo.
Estavam, todos, animados, ainda degustando aquelas delícias.
Ao retornarmos, Virgínia veio logo ao meu encontro.
"Oi, Beto.
Onde vocês foram?"
"Seu pai levou-me para conhecer o jardim japonês. Gostei muito!"
"Ora, papai, deixe o Beto ficar perto de mim mais um pouco.
Afinal, ficaremos fora um bom tempo. Sentirei saudades!"
"Ele é todo seu, filha!", disse Frank, sorrindo.
Ficamos juntos, eu e Virgínia, tomando mais um copo de vinho.
Flávio se aproximou, dizendo:
"Eu vou embora agora. Você quer carona?"
"Não irá lhe atrapalhar, Flávio?", perguntei.
"Lógico que não!
Levarei o Sylvio Passos, também. Vamos?"
"Vamos, sim. Muito obrigado!"
Olhei mais uma vez para Virgínia, que parecia mais corada.
Deve ser o vinho, pensei.
Nossos lábios se aproximaram uma vez mais, tocando-se num gesto rápido e fugidio.
Levantei-me, dizendo:
"Eu te amo.
Não se esqueça de mim."
"Você é quem eu procurava, Beto. Eu também te amo!"
Beijei-a no rosto, afastando-me.
Ela relutou um pouco em soltar minha mão, até que, após um breve hiato de tempo, nossos dedos se separaram.
Pisquei para ela, que retribuiu com um sorriso.
Despedí-me, a seguir, de todos, desejando aos familiares de Frank que fizessem uma boa viagem.
"Boa viagem, Virgínia!", falei, antes de sair do quiosque.
Frank acompanhou-me até o BMW 750 ia LHL do Flávio.
Chegando ao carro, ele me abraçou como um pai abraça seu filho.
"Até breve, amigo.
Quando estiver para retornar, enviarei um cartão, informando-lhe a data de minha chegada."
"Muito obrigado por tudo, Frank. Você é mesmo quem eu procurava."
"Há algo mais que você queira me perguntar, Beto?"
"Sim, Mestre.
Nesses anos todos, procurei incessantemente por uma definição de Deus.
Nunca encontrei nada que me satisfizesse. Sei que você é um Grande Iniciado.
Seria pedir demais, que você me desse tal definição?"
"Beto, meu filho, cada Iniciado encontra uma definição para Deus.
O saudoso Raul Seixas encontrou-a, colocando numa música:
'Gíta'.
Mestre Franz Bardon nos deixou um belo e curto poema, transcrito no seu livro 'Frabato'.
Vou escrevê-lo para você.
Leia-o num momento especial, deixando-o, para sempre, gravado em letras indeléveis no seu espírito imortal."
Frank apanhou um bloquinho de anotações do bolso da calça, retirando a caneta do bolso da jaqueta.
Escreveu alguma coisa, dobrando o papel em quatro partes.
Colocou o papel assim, dobrado, no bolso de minha camisa.
"Deus o acompanhe, Beto.
Siga a Luz rumo ao caminho da Providência Divina!" Sorrí para Frank.
Aquele homem magnânimo era mesmo a personificação do Arcano IV.
Entrei no carro, no banco da frente.
Sylvio já havia se acomodado no banco traseiro. Flávio deu a partida, inseriu um K7 no toca-fitas,
partindo a seguir.
Saímos pelo mesmo portão alto e imponente, que parecia isolar o mundo profano da morada daquele homem especial, Frank Kaiser.
Ao longo do trajeto, ouvindo a fita de 'jazz', baixinho, Flávio e Sylvio conversaram sobre ufologia.
Eu me limitei a ouvir, dizendo um 'hum, hum' de vez
em quando...
Flávio perguntou qual o nome da minha rua.
Eu respondí, ao que ele retrucou com um – "Sei onde
é!".
Ele resolveu deixar o Sylvio antes, pois esse morava
mais próximo do que eu.
Deixando Sylvio em sua residência, tomamos o rumo de minha casa.
Flávio perguntou-me como eu conhecera Frank. Contei-lhe, resumidamente minha história.
"Frank é um grande amigo, Beto. Você tem um Mestre ímpar!"
Fiquei feliz em ouvir isso, embora já tivesse certeza. Chegamos na rua em que eu morava.
Flávio perguntou qual o numero de minha casa, ao que eu apontei dizendo:
"Aquela!"
Ele dirigiu o carro até a porta de minha residência.
"Muito obrigado, Flávio. Você quer entrar?"
"Obrigado, Beto, mas estou um pouco cansado."
"Gostaria muito que você aparecesse aqui em casa! Você poderá vir num dia desses?"
"Virei, com certeza!
Telefone-me, que combinaremos!"
Descí do carro, fechando a porta do mesmo. Flávio aguardou que eu entrasse.
Fiz um sinal de 'adeus' com a mão. Ele retribuiu, saindo com cuidado. Já dentro de casa, tranquei a porta. Meus pais já dormiam.
Era mais de meia-noite e meia. Dirigí-me direto para o meu quarto.
Troquei de roupa, colocando meu pijama de flanela. Fui ao banheiro, escovar os dentes.
À seguir, voltei para meu quarto, deitando-me logo.
Como o dia havia sido muito movimentado, eu estava ligeiramente cansado.
Adormecí logo.
Acordei na manhã seguinte, pouco depois das oito horas.
Abrí a cortina, depois a veneziana.
O dia estava ensolarado, maravilhoso.
O céu azul, sem uma nuvem, era inspirador. Lembrei-me de Virgínia.
Já estava sentindo saudades!
Quantas mudanças eu experimentara nos últimos meses!
Todas para melhor.
Nesse momento, lembrei-me do papelzinho aonde Frank havia atendido minha solicitação, definindo Deus.
Eu o esquecera no bolso da camisa, que jazia na cadeira, próxima da cama.
Apanhei o papel, desdobrando-o.
Antes de lê-lo, dei mais uma olhada para aquele céu esplendoroso.
Sim, este era o tal 'dia especial' a que Frank se referira, ao recomendar o momento certo para ler sua definição da Divindade.
Olhei para a folha de papel, aonde Frank havia escrito, em letras de forma:
'EU SOU A CHAMA QUE ARDE ETERNAMENTE, EU SOU A RESPIRAÇÃO QUE JAMAIS CESSARÁ, EU SOU A LUZ QUE SEMPRE BRILHOU
DESDE O PRINCÍPIO, SAGRADO, SAGRADO É MEU NOME.'
— FIM —
© 2000,2006 J. R. R. Abrahão supervirtual@supervirtual.com.br
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Colaborando com a preservação do Patrimônio Intelectual da Humanidade.
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