Como deixei de fumar - parte 2


No grupo da Argentina, a Itália roubou a cena e venceu os seus três jogos da primeira fase. Com um gol de Bettega, despachou os donos da casa, 1 x 0. Era a geração de Paolo Rossi, Conti e Scirea começando a brilhar. A Argentina venceu Hungria e França, ambas por 2 x 1 e ficou com a segunda vaga. O bom time francês não levou sorte e acabou eliminado. Craques como Rocheteau, Platini, Tigana e Six, brilhariam mais quatro anos depois ( créditos:Marques, Armando - 2002 - "Todas as Copas do Mundo").
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No grupo do Brasil, outro drama pós-70. A seleção canarinho, perdida em meio aos malabarismos táticos do técnico Cláudio Coutinho, não empolgava. O time era lento, apático e não se encontrava. Possuía dois jogadores da verdadeira linhagem de camisas 10, Zico e Roberto Rivellino (tricampeão em 1970), mas nenhum dos dois brilhou. No primeiro jogo, o Brasil empatou com a Suécia por 1 x 1. Neste jogo uma curiosidade: no último lance do jogo, há um escanteio a favor do Brasil. A bola é centrada na área e Zico marca um gol de cabeça. Mas o árbitro galês Clive Thomas anulou o gol, argumentando que encerrou o jogo com a bola no ar, após o córner. O Brasil ainda empatou com a Espanha em 0 a 0. E só se classificou ao vencer a Áustria no terceiro jogo, 1 x 0, gol deRoberto Dinamite. Mesmo com a derrota, a Áustria, que vencera os dois primeiros jogos, ficou com a outra vaga. A Holanda, sem Cruijff, não era a mesma e também teve dificuldades em se classificar. Venceu o fraco Irã por 3 a 0, depois empatou
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com o Peru 0 a 0 e perdeu da Escócia por 3 a 2. O Peru foi a grande sensação do grupo, com seu futebol clássico e técnico, que tinha Teófilo Cubillas como seu principal artífice. Venceu, ainda na primeira fase, a Escócia por 3 a 1 e goleou o Irã por 4 a 1. Alemanha Ocidental e Polônia dividiram as vagas de seu grupo entre si sem maiores dificuldades. Neste grupo a Tunísia fez história ao conquistar a primeira vitória de uma seleção africana em copas 3x1 no México. Estavam na segunda fase: Argentina, Peru, Brasil e Polônia no Grupo A e Alemanha, Itália, Países Baixos e Áustria no grupo B. Na segunda fase, a "Laranja Mecânica" reencontrou seu melhor futebol e embalou na copa! Goleou a Áustria por 5 x 1; empatou com a Alemanha Ocidental em 2 x 2 e ganhou da favorita Itália 2 x 1, conseguindo uma vaga para a final. No grupo de Brasil e Argentina, o maior escândalo da história das Copas. O Brasil se recuperou da apatia da 1ª fase e venceu o Peru
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por 3 a 0. A Argentina passou pela Polônia por 2 a 0. Em Rosário, argentinos e brasileiros duelaram, mas o jogo ficou no 0 a 0. Foi jogo nervoso, pois Coutinho escalou o jogador Chicão (falecido em 2008) para intimidar os argentinos com um jogo duro e de marcação. Mas este empate seria fatal para o Brasil. Na última rodada, a equipe venceu tranquilamente a Polônia por 3 a 1. Com este resultado, restava á Argentina vencer o Peru por 4 gols de diferença. Uma vantagem considerável, pois desde que César Luis Menotti se tornara técnico da seleção, os alvi-celestes jamais havia vencido um jogo por mais de 3 gols. O Peru abriu mão do direito de jogar, e levou 6 a 0. Uma curiosidade: o goleiro peruano, Ramón Quiroga, era argentino de nascimento, e falhou em vários gols. Nada foi provado. Ao Brasil, restou vencer a Itália na decisão de 3º lugar com um golaço de Nelinho, onde a bola fez uma curva improvável e surpreendeu o experiente goleiro Dino Zoff.
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Na grande final, o Estádio Monumental está lotado. Os portenhos, donos da casa, queriam a revanche de 74 e o título em 78! A Argentina pressiona e Kempes abre o placar. Os holandeses empatam com um belo gol de cabeça de Dirk Nanninga. Aos 45 do segundo tempo, um susto para os argentinos: Rensenbrink acerta a trave dos portenhos. Na prorrogação, a Argentina atropela os Laranjas, vingando a derrota de 4 x 0 sofrida em 1974. Para encerrar o emblemático Coutiho, treinador da seleção brasileira, soltou mais um de seus malabarismos linguísticos: "O Brasil é campeão moral deste certame!", mas o título real, esse ficou com a Argentina. E este foi o grande acontecimento do ano de 1978, a copa do mundo, vencida pelos hermanos! Mas para mim, foi um ano bom....dane se a copa, nunca fui vidrado em jogo de seleção, quem torce para o Corinthians não precisa de seleção canarinho, já tem tudo ali, sofrimento, alegria, festa, tristeza, historia, tudo!
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Para os organizadores, uma maravilha, a industria do fumo pagou milhões para ter suas marcas estampadas em todos os principais estádios da copa, lembro lhes que nesta época a propaganda do cigarro não era proibida e mais, jogadores de futebol adoravam fazer campanha de cigarro, todos devem se lembrar do velho Gerson e o seu bordão: o importante é levar vantagem em tudo e este comercial deu origem a outra coisa ruim....a famosa lei de Gerson, que é claro, todos da minha idade conhecem! As propagandas de cigarros eram as que mais ganhavam prêmios na época, hoje são, como disse acima, proibidas! E nem deveriam ser, de que tem adiantado não ter propaganda? Cigarro vicia, não seria preciso tantos produtos químicos para um simples cigarro, mas a maioria dos ingredientes visam a uma combinação mortal que deixa o cidadão comum viciado, seja vicio psicológico ou físico, já que especialistas garantem existir dois tipos de vicio, e divergem sobre qual é
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mais difícil vencer...para mim, existe apenas o vicio e todo vicio é difícil vencer! E aproveitando o gancho, vou me pendurar nele só para dizer que não é verdade que é mais fácil deixar o vicio do crack que o do cigarro, é uma mentira deslavada! Mas existem muitos interessados desejando que você pense assim! Uma idéia que poderia dar certo, caso nossos governantes quisessem realmente diminuir o consumo de cigarros, seria proibir a venda desse produto maldito em locais onde se vendem alimentos, pronto, ele passaria a ser vendido apenas em bancas de jornais, tabacarias e outras lojas similares! Isto dificultaria, não impediria, mas realmente dificultaria! Outra idéia, seria obrigar esta industria a manter locais onde se pudesse tentar deixar o vicio, investir em palestras em escolas, falando sobre os males do fumo! Mas idéias assim, os fabricantes não permitem e eles gastam bilhões todos os meses,
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mantendo lobistas atentos a algum político querendo bancar o herói e criando mais leis que dificultem o comercio deste produto maligno! Devem estar se perguntando como sei de tanta coisa... Na verdade sou garçom e um bom garçom é melhor que um bom jornalista investigativo, pois entra em lugares que pessoas normais não entram, ouve reuniões para poucos, e é considerado por quem serve apenas como uma planta, parte do mobiliário! Executivos temem falar coisas perto de suas mulheres, mas não teme o garçom, pois o considera um serviçal, alguém desprovido de idéias próprias, um garçom é para muitos, menos que um animal, o imaginam desprovido de inteligência e de sentimentos, assim é comum se falar abertamente na presença de um garçom, haja visto que uma planta, um móvel, algo inerte e sem vontade, não pode repetir o que ouve!
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E um dia um amigo meu me provou que um garçom , desde que com sua bandeja na mão, não é notado nunca, ele faz parte do ambiente, como uma cortina, uma mesa, ou um carrinho de serviço! Este meu amigo, em um clube em que trabalhávamos, decidiu provar a invisibilidade do garçom, apostou dez reais que iria andar por todo o salão descalço, com as meias furadas nos dedos e ninguém ia perceber! Eu topei e ele foi em frente, tirou os sapatos e foi para o salão, serviu um filé tornedor, um spaghetti a carbonara completou os copos com vinho e água, fez a recolha dos pratos sujos no salão e voltou para a cozinha tranquilamente! E ele não era um garçom pequeno, tinha cerca de 1,80, era alto! Feito isto, resolveu mostrar que o material que deixa um garçom invisível é a bandeja, retornou ao salão, ainda descalço, mas sem a bandeja...não passou da terceira mesa e uma senhora notou que ele estava descalço e
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começou a fazer um discurso sobre a má educação desses profissionais que existem a tanto tempo quanto as prostitutas e os advogados! Eu perdi dez reais...mas aprendi o valor que tinha! Ou seja..embora muita gente que ler este livro, colegas de profissão..vão dizer que estou errado, que não é bem assim, que garçons são profissionais muito úteis, que são parte da sociedade e etc etc! Mas bobagem, eu sei o que sou e sei o que sei, garçom não é ninguém, tanto que não tem nome...é garçom! Basta gritar: garçom!!! Ou estalar os dedos! Alguém já chamou motorista desse jeito? E aproveitando o gancho...me penduro nele pra lhes dar um conselho....nunca deixem um prato seu voltar para a cozinha, mesmo que descubram nele uma mosca, barata ou qualquer outra coisa do gênero!
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Por que não farão nada pára melhorar seu prato...mas podem apostar que o chefe de cozinha Dará a primeira cuspida....e outros profissionais também, depois disso jogarão seu filé na chapa, ou seu omelete em um forno qualquer e o mandarão de volta e o garçom cuspirá nele de novo pelo caminho de volta! Sua caipirinha não estava ao seu gosto??? Faltou açúcar? Peça o açucareiro na mesa e adoce você mesmo! Mandar de volta ao bar não é bom, conheci um barmen que mantinha a mão um copinho com cuspe, preparado antes da abertura, ele conseguia “ cuspir” no drinque do cliente na frente do mesmo! Estas coisas aconteciam no local em que trabalhei com este barmen, uma taverna famosa, dos anos oitenta, em um hotel no centro da cidade de são Paulo,e que hoje está fechada! E chega de detalhes, ou saberão qual taverna era!
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Ali eu vi um cliente que no prazo de um ano em que fiquei nesta taverna, antes de ir para outra área do hotel, deve ter consumido um litro de cuspe ou perto disso, pois vinha todos os dias, na maioria das vezes com uma garota diferente e sempre reclamava dos coquetéis preparado pelo barmen, vamos chamá-lo de J.! E J sempre tinha a mão um copinho cheio de cuspe, para esta eventualidades, nada de se esconder atrás de colunas, paredes e etc! Ele fazia a vista do cliente! Mas vejam só o que da não ser escritor não poder pagar uma boa correção, estou perdendo o fio da meada..depois voltarei a falar de garçons, agora é o ano de 1978, depois da copa e aconteceram mudanças importantes! Neste ano eu finalmente desencantei, soltei o verbo, dei ração pra o pinto, quebrei o cabaço, liberei! Enfim, consegui dar a primeira! Mas não foi fácil, primeiro por que sou tímido, ate hoje, e alem de tímido, sempre fui burro,
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prova disso foi me tornar fumante aos 14 anos e sozinho, sem incentivo dos amigos! Por este tempo eu tinha uma prima, muito bonita, nos seus 35 anos, gostosa mesmo, embora antes do fato eu nem me apercebia disso..prima era quase irmã, era proibido! E ela sempre inventava de vir em casa no sábado e quando anoitecia, La vinha minha mãe, me tirar da rodinha de moleques, da bolinha de gude, da batida de figurinha, me tirava estes doces prazeres para que fosse levar a minha prima na casa dela! Eu ia mas ia puto da vida, pois saia da zona leste e ia ate a zona norte, era só um ônibus, mas eu tinha que levar a prima na vila maria, ia mas voltava correndo, sempre uma duas horas e meia depois tava de volta a minha casa e a rua, a molecada, para encerrar a noite, as vezes ouvindo um pouco de musica em um toca fita jumbo, da Philco Hitachi, uma das mais altas tecnologias da época, dois toca fitas, radio AM/FM, stereo total..era coisa de doido!
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Mas depois de uns três meses levando a prima para casa nos sábados...fui traído pelo tempo, um tempo de chuva, daquelas de inicio de primavera, que chove pra cacete e de repente! Eu via que tava começando a pingar e falei que era melhor deixar para depois, ela podia dormir na minha cama e eu dormiria na sala....nada, a mulher insistiu em voltar, disse eu a janela da casa tava aberta e que ela tinha que chegar antes da chuva...e La fui eu, levar ela em casa! Não sem antes ouvir uma ordem da minha mãe, que dormisse lá, pois chuva era perigoso...ate hoje mamãe teme a chuva!


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